Declaração de Guerra aos Maoistas

 

Decisão da Internacional Comunista (Estalinistas-Hoxhaistas)

 

 

( 1 ) - 6 de Fevereiro de 2011

 

( 2 ) - 22 de Junho de 2011

 

( 3 ) - 7 de Julho 2012

 

( 4 ) - 21 - 8 - 2014





Viva a unidade do movimento comunista mundial!



Unidade global dos comunistas na base dos ensinamentos invencíveis dos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo!


 

 

 

 

 

 

 

 

 




( 1 )

 

Abaixo o Maoismo!

Viva o Estalinismo-Hoxhaismo!Decisão da Internacional Comunista

(Estalinistas-Hoxhaistas)

6 de Fevereiro de 2011





Actualmente é impossível concretizar a vitória da revolução socialista mundial e completar as tarefas do socialismo mundial,

é impossível fortalecer a unidade internacional do proletariado mundial,

é impossível que o proletariado mundial consiga cumprir a sua missão histórica

sem a ruptura completa com o Maoismo,

sem explicar ás massas a inevitabilidade do estabelecimento de uma linha de demarcação relativamente ás

ideias revisionistas de Mao Zedong.

Nós derrotámos o revisionismo Soviético e derrotaremos também o revisionismo chinês.

Não pode haver qualquer tipo de unificação entre a ideologia dos Maoistas e o Marxismo-Leninismo!

Não pode haver qualquer tipo de unificação entre a ideologia burguesa e a ideologia proletária!

Abaixo com todas as correntes de reconciliação entre o Marxismo-Leninismo e o Maoismo!

O auto-denominado “Marxismo-Leninismo-Maoismo”

é neo-revisionismo, é anti-revisionismo nas palavras e revisionismo nos actos!



Marxismo-Leninismo Estalinismo-Hoxhaismo



- esta é ,definitivamente, a verdadeira ideologia proletária mundial da actualidade.



Tudo o resto não passa de ideologia burguesa e deve ser derrotado.



Com o início da presente década, o Comintern (EH) dá um passo historicamente importantíssimo e já há muito necessário no que respeita á continuação da luta contra as ideias revisionistas de Mao Zedong.

O Comintern (EH) permanece fiel á linha correcta do antigo movimento comunista mundial:

O revisionismo foi, é e continua a ser o principal perigo no interior do movimento comunista mundial.

A essência do revisionismo é a ideologia burguesa e nada mais.

Presentemente, as tendências neo-revisionistas são predominantes.

E depois de a sua face horrível ter sido posta a descoberto através da nossa luta Hoxhaista contra o revisionismo moderno – a burguesia foi forçada a promover algumas “mudanças” cosméticas da sua ideologia velha e desacreditada, de maneira a dar-lhe uma aparência mais “vermelha” e “revolucionária”, de maneira a qualificá-la de “Marxismo-Leninismo”, de acordo com a denominação anti-revisionista – tudo isto feito única e exclusivamente com o propósito de enganar e iludir as classes trabalhadoras revolucionárias.

No entanto, apesar de todas estas farsas e de todas estas “operações plásticas”, o revisionismo continua a ser aquilo que sempre foi:

Socialismo nas palavras – capitalismo nos actos”.

E por isso, nós definimos o neo-revisionismo actual da seguinte forma:

Anti-revisionismo” nas palavras e revisionismo nos actos!

O neo-revisionismo é a restauração do revisionismo!

 

 

 

 

O neo-revisionismo ajuda o imperialismo a manter a sua hegemonia mundial, a manter o seu sistema de exploração e de opressão á escala mundial, a impedir o proletariado mundial de esmagar o sistema capitalista mundial através da revolução socialista mundial, a dificultar o estabelecimento da ditadura mundial dos trabalhadores e a obstruir a construção do socialismo mundial e, posteriormente, do comunismo mundial.

Os revisionistas tentam prolongar a existência do capitalismo mundial. Eles tentam afastar o proletariado mundial e também o proletariado de cada país das ideias do Marxismo-Leninismo, das ideias dos 5 Clássicos, da verdadeira ciência da revolução mundial.

Eles são inimigos da ditadura mundial do proletariado e da luta de classes global, eles são traidores ao socialismo mundial e ao comunismo mundial.

Eles também tentam fabricar umas “teorias” pseudo-Marxistas, pseudo-socialistas e pseudo-democráticas. Supostamente, todas estas “teorias” são “actualizações” e “avanços” do “Marxismo-Leninismo” talhadas para o período actual que a humanidade – tal como as Ideias de Mao Zedong. Todos estes anti-Marxistas afirmam que os fenómenos que ocorrem no período presente não se enquadrariam no período durante o qual Marx, Engels, Lénine, Estaline e Enver Hoxha viveram e lutaram. Todas estas “teorias” são falsas. O seu único objectivo é adaptar constantemente a ideologia proletária á ideologia burguesa. O seu propósito é subordinar o proletariado ao domínio da burguesia. E, segundo os revisionistas, os preceitos dos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo seriam incompatíveis com as necessidades das condições presentes. Os princípios e as regras da revolução seriam “ desproporcionados” e estariam “ultrapassados”. Todas as “teorias” dos revisionistas se baseiam nestas falsidades. Elas foram concebidas para dissuadir o proletariado da ideia da revolução socialista mundial, elas são farsas preparadas propositadamente pela ideologia burguesa para surgirem sob a máscara da “ideologia proletária”.

Em geral, os revisionistas tentam derrotar o Marxismo-Leninismo com as armas do Marxismo-Leninismo!

Em geral, as tácticas revisionistas da burguesia actual consistem em facilitar a sua infiltração e penetração no movimento comunista mundial usando uma máscara de invisibilidade “Marxista-Leninista” e “anti-revisionista”. Através desta máscara neo-revisionista, a burguesia tenta contaminar a ideologia proletária com a ideologia burguesa com o objectivo de destruir a primeira, de a decompor e de a substituir. Os neo-revisionistas seguem o mesmo velho caminho dos revisionistas modernos – todos prometem solenemente lutar “contra” o revisionismo.

Em particular, os revisionistas tentam derrotar o anti-revisionismo proletário com as próprias armas deste último.

Esta é a táctica neo-revisionista dos Maoistas, dos Trotskistas, etc.!

Em particular, as tácticas revisionistas da burguesia consistem em adaptar permanentemente a luta anti-revisionista do proletariado revolucionário mundial á luta revisionista da burguesia mundial. Assim, a cada desenvolvimento e fortalecimento da nossa luta anti-revisionista corresponde um desenvolvimento e fortalecimento do revisionismo pela burguesia. É princípio da luta de classes o de que a burguesia mundial e o proletariado mundial lutam respectivamente contra ou a favor do anti-revisionismo – desenvolvendo sempre novas formas ao longo desta luta. E a nossa declaração Anti-Maoista – que elaborámos no presente – é apenas uma expressão deste tipo de tácticas em particular – é a resposta aos Maoistas que tentam constantemente enfraquecer a nossa luta Marxista-Leninista e anti-revisionista contra a influência neo-revisionista da burguesia mundial no interior do movimento mundial comunista e dos trabalhadores.

A dialéctica da luta anti-revisionista consiste na sua mutabilidade permanente ao longo da luta de classes que inclui a substituição de velhas formas e significados por outros mais adequados. O revisionismo nunca muda de forma – ele apenas “muda de pele”. Os velhos líderes revisionistas são substituídos por outros mais novos que surgem na arena “Marxista-Leninista” no decurso da sua degeneração e regeneração, etc.; alguns movimentos revisionistas aparecem, outros desaparecem, etc. Mas os movimentos revisionistas em si mesmos vão existir enquanto o capitalismo existir – e até depois do seu desaparecimento eles vão continuar a existir ainda por algum tempo. Consequentemente – todo e qualquer enfraquecimento dos nossos esforços na luta anti-revisionista, qualquer subestimação do revisionismo constitui o maior perigo para os Marxistas-Leninistas. O perigo do revisionismo NÃO caiu em simultâneo com o último país socialista. Uma vez comprometido, o revisionismo tenta inevitavelmente regenerar-se no interior do movimento revolucionário mundial do proletariado. Dentro do movimento Comunista mundial há sempre uma corrente revisionista principal, e que geralmente é acompanhada por várias outras tendências revisionistas. Mas não deve ser excluída (e deve até ser esperada…) a possibilidade de que uma segunda corrente principal se possa desenvolver á margem da primeira e de que esta segunda possa até substituir a primeira. A correcta determinação das tendências mais perigosas de revisionismo no interior do Movimento Comunista Mundial é algo de grande importância e pode mesmo decidir a vitória ou a derrota na luta contra o revisionismo. Mas isto não é suficiente. A análise referente aos diferentes desenvolvimentos dentro de cada corrente revisionista, relativa ao enfraquecimento de uma corrente, ao fortalecimento de outra, etc.… é também muito importante. A resposta para a questão da mutabilidade do principal perigo revisionista dentro do Movimento Comunista Mundial só pode resultar da análise científica á luz do materialismo histórico e dialéctico. Os processos e as mudanças que ocorrem dentro dos diferentes campos do revisionismo mundial devem ser determinados tanto na teoria como na prática. Os desenvolvimentos que sucedem nos campos revisionistas mundiais não podem ser desligados dos desenvolvimentos que sucedem no campo do capitalismo mundial. De outra maneira, nós não podemos falar seriamente acerca de como liderar correctamente a nossa nova luta de classes anti-revisionista global.

Hoje em dia, a nossa luta contra o revisionismo não é nem pode ser igual á nossa antiga luta contra o revisionismo moderno que se iniciou nos anos 60 do século passado. Os revisionistas fizeram novas experiências, nós Marxistas-Leninistas também, mas o facto essencial é que as condições objectivas já não são as mesmas. Estaríamos a cometer um grave erro se não preparássemos e actualizássemos as antigas armas que usámos na luta contra o revisionismo moderno no século passado. Este erro serviria apenas a burguesia mundial na sua luta contra o proletariado mundial. Entretanto, a maioria dos revisionistas “concordam” (em palavras) com os nossos antigos argumentos da luta contra o revisionismo moderno (“isso foi provado historicamente!”) mas a mesma maioria discorda da nossa luta contínua contra as novas formas de Maoismo, Trotskismo, etc. Os neo-revisionistas defendem o Maoismo como sendo uma arma “anti-revisionista” “contra” a burguesia, mas a verdade é que o Maoismo é – na realidade – uma arma revisionista contra o proletariado.

O Comintern (EH) afirma que a presente luta de classes anti-revisionista corre o perigo de ser sucessivamente assimilada pelo revisionismo. A linha de demarcação entre o revisionismo e o Marxismo-Leninismo esbate-se a cada dia que passa. Temos de parar este fenómeno!

O Comintern (EH) também afirma que isto não é apenas um fenómeno característico deste ou daquele país, mas sim um perigo que ocorre á escala global. Por este motivo, nós decidimos traçar uma linha de demarcação contra as tendências do revisionismo que conduzem á assimilação do Movimento Mundial Marxista-Leninista. No que toca a esta tendência de assimilação, as correntes revisionistas mais perigosas são o Maoismo e o Trotskismo.

Os Maoistas criaram as suas “tácticas de muitas linhas” (ou pelo menos “tácticas das duas linhas”) ao nível dos princípios. Teoricamente, eles tentam provar isto baseando-se nas Ideias de Mao Zedong. Este fenómeno pode ser comparado com aquele que ocorre no Trotskismo – criação de facções ao nível dos princípios. Tanto o Maoismo como o Trotskismo são formas da ideologia burguesa e são usados com o propósito de legalizar as posições anti-Marxistas no interior das fileiras comunistas. Nós qualificamos esta estratégia como sendo uma táctica para “ter uma base segura” dentro das fileiras comunistas – e serve também para nos expulsar dessas mesmas fileiras. Tanto o Maoismo como o Trotskismo são ideologias que conduzem á liquidação do comunismo na teoria e na prática. Elas são ideologias contra-revolucionárias. Em palavras, ambas as ideologias alegam que são “contraditórias” entre si; mas nos actos elas são essencialmente iguais. Todos nós sabemos que Mao usou magistralmente as tácticas Trotskistas na sua luta contra os Marxistas-Leninistas.

Contrariamente ao Marxismo-Leninismo, as ideias de Mao Zedong são expansíveis em qualquer direcção, interpretáveis de qualquer maneira e não são claramente determináveis. O Maoismo abre vastas possibilidades de “interpretação” que podem ser aproveitadas por oportunismos de todas as cores e tendências. Isto constitui um traço distintivo do Maoismo e fornece-lhe uma espécie de auto-preservação na luta contra o Marxismo-Leninismo através de vários tipos de manobras evasivas.

O Camarada Enver Hoxha definiu as Ideias de Mao Zedong da seguinte forma:

As Ideias de Mao Zedong significam: “que todas as visões burguesas, capitalistas, Marxistas, pseudo-Marxistas, revisionistas, Trotskistas, anarquistas, etc. devem poder desenvolver-se livremente e devem ser publicamente debatidas em todas as suas dimensões e sem qualquer tipo de restrição.”

Eles defendem a “teoriaque consiste em “Deixar que centenas de flores e de escolas discutam e rivalizem entre si”. Isto significa: que todas as correntes filosóficas do Confucionismo e do capitalismo-burguês devem poder florir, e esta ideologia idealista, capitalista e pragmática, estas “Ideias de Mao Zedong” são “embrulhadas” num palavreado Marxista-Leninista”.

O revisionismo Chinês será de um tipo híbrido muitíssimo complexo, místico e diabólico, porque os Chineses defenderão cada vez mais as suas teorias revisionistas eclécticas. A ideologia revisionista Chinesa será caracterizada por provocar grandes confusões á escala nacional, não apenas para extinguir os movimentos revolucionários e desacreditar o Marxismo-Leninismo, mas também para suscitar, através do seu próprio ecletismo, a confusão no interior de todas as outras ideologias revisionistas, especialmente naquelas que apoiam o revisionismo Soviético.” [esta confusão é provocada a favor do revisionismo Chinês e da sua hegemonia, como é óbvio – nota do autor] (Enver Hoxha, “Reflexões sobre a China”, 14 de Outubro de 1977, traduzido da edição em língua Inglesa).

O resultado desta mistura ideológica inextrincável – este “cocktail global de ideologias esquerdistas” preparado e pensado para agradar ao paladar desses mesmos esquerdistas – conduziu a uma “unidade” ideológica de carácter ecléctico-revisionista e altamente confusa. As tácticas revisionistas de Mao traduzidas no slogan “Deixem que 1000 flores desabrochem!” – tornaram-se numa poderosa arma revisionista contra o slogan Leninista “O Bolchevismo é uma táctica para tudo!”. Basta olhar para as condições miseráveis em que actualmente se encontra o antigo Movimento Mundial Marxista-Leninista para se poder comprovar até que ponto a sementeira Maoista deu frutos.

O revisionismo Chinês é uma variante do revisionismo moderno que tenta unir os diferentes tipos de revisionismo existentes no mundo com o objectivo de estabelecer a sua própria hegemonia.” (Enver Hoxha, “Reflexões sobre a China”, volume II, 31 de Outubro de 1977, traduzido da edição em língua Inglesa).

As tácticas Maoistas fomentaram as divisões no interior da luta revolucionária do proletariado mundial e contribuíram também para quebrar a sua aliança com as forças de libertação revolucionária dos povos oprimidos. O Maoismo é responsável por muitas tendências de desorientação e de confusão ideológica.

As tácticas Maoistas contribuíram muito para criar divisões no interior da luta revolucionária do proletariado mundial e para quebrar a sua aliança com as forças da libertação revolucionária dos povos oprimidos. O Maoismo é responsável por muitas tendências de desorientação e de confusão ideológica. O Maoismo sempre causou e continua a causar problemas que conduzem á dissidência e á degeneração nas fileiras do movimento revolucionário mundial. O Maoismo tornou-se num perigo revisionista cada vez maior dentro do movimento comunista mundial. A maioria dos movimentos que se baseiam na luta armada revolucionária está sob a influência do Maoismo. Os Maoistas tentam ocupar a liderança das lutas armadas revolucionárias com o propósito de as liquidar e adaptar aos interesses da burguesia Chinesa. Foi isto que aconteceu no Nepal e noutros países. A “Teoria dos Três Mundos” é a “teoria” Chinesa do neo-colonialismo, é a “teoria” do social-imperialismo Chinês a caminho da hegemonia mundial.

Contrariamente ao que ocorria na época do Camarada Enver Hoxha, já não se pode considerar o revisionismo Soviético como a principal ameaça revisionista á escala mundial (apesar de a sua influência continuar a existir e de devermos lutar incondicionalmente contra o perigo da restauração do revisionismo moderno Soviético!). Mais tarde, com a substituição da ditadura burguesa-revisionista pela ditadura abertamente capitalistas – quando a restauração do capitalismo se completou – os revisionistas Soviéticos perderam a sua influência no movimento comunista. No entanto, não houve uma dissolução das forças revisionistas mas sim um reagrupamento no interior das suas fileiras. Tal como o capitalismo recupera das crises económicas, também o revisionismo recupera das crises ideológicas. No entanto, o Movimento Mundial Marxista-Leninista não pôde tirar proveito desta oportunidade histórica que acompanhou o reagrupamento dos revisionistas porque – simultaneamente – os revisionistas na Albânia e os partidos Marxistas-Leninistas degenerados destruíram a espinha dorsal do movimento Hoxhaista Mundial. E isto NÃO foi acidental. Esta situação foi apenas a expressão da estratégia anti-comunista da burguesia mundial: a integração completa dos antigos países revisionistas no mundo capitalista não poderia ser bem-sucedida sem a liquidação do Movimento Mundial Marxista-Leninista. A burguesia mundial tinha consciência da necessidade de construir um novo baluarte revisionista para o caso de o Movimento Comunista Mundial não se extinguir. O desarmamento dos revisionistas fortaleceria o Movimento Comunista Mundial.

Quando a correcta luta do Camarada Enver Hoxha contra o Maoismo foi posta em causa pelos revisionistas Albaneses, em geral, e com a queda da Albânia socialista, em particular, os movimentos Maoistas tomaram novo fôlego. Assim, o Maoismo tornou-se cada vez mais perigoso para o movimento comunista mundial após a queda do último país socialista, após a queda do centro mundial Marxista-leninista. Nós, Marxistas-Leninistas, nunca esqueceremos que o Maoismo foi também responsável pelo enfraquecimento da Albânia Socialista, pelo enfraquecimento do Movimento Mundial Marxista-Leninista – o que favoreceu a luta do capitalismo mundial contra a Albânia Socialista. A divisão do nosso movimento comunista foi um serviço que os Maoistas prestaram ao imperialismo.

É claro que os Maoistas começaram a usar todo o arsenal dos revisionismos Soviético, Jugoslavo, etc. com o objectivo de construir e coleccionar novas bases ecléticas á escala global, todas elas consistindo em diferentes “combinações” dos ensinamentos dos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo de acordo com as diferentes condições nos diferentes continentes e nos diferentes países. O movimento comunista mundial foi enfraquecido pela perda do seu centro revolucionário mundial – este foi um momento oportuno para a regeneração dos movimentos anti-Marxistas-Leninistas em geral e dos movimentos Maoistas em particular.

No que respeita á “Teoria dos Três Mundos”, existem diferentes tendências no interior do movimento Maoista – um resultado da luta honesta e corajosa do Camarada Enver Hoxha e do Movimento Mundial Marxista-Leninista contra esse mesmo movimento. Alguns propagam esta “teoria” abertamente, enquanto outros mantêm o silencia acerca dela. Há ainda outros que culpam Deng Hsiao-ping pela sua autoria com o objectivo de defender Mao. No entanto, o proletariado mundial não se deixará enganar por estas manobras de confusão.

A verdade é que foi o próprio Mao Zedong que reabilitou Deng Hsiao-ping – ambos eram grandes amigos dos imperialistas americanos. Ambos criaram a “Teoria dos Três Mundos”. As posições centristas de um foram complementadas pelas posições direitistas do outro. Nós não podemos lutar contra o revisionismo Chinês se não lutarmos contra TODAS as suas correntes em simultâneo, contra a centrista, a direitista e a “esquerdista”. Todas estas correntes lutam sob a bandeira de Mao Zedong. Esta “teoria” conduziu directamente ao chauvinismo Chinês. E os líderes Chineses actuais fizeram desta “teoria” a sua doutrina de estado.

Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, mantemos uma posição firme e intransigente relativamente á “Teoria Maoista dos Três Mundos”.

Nomeadamente

que a “Teoria dos Três Mundos” deturpou completamente os ensinamentos básicos do Marxismo-Leninismo:

O Marxismo-Leninismo é a ideologia do proletariado, é uma ideologia de classe. O Marxismo-Leninismo é um infalível instrumento da análise de classe da situação mundial, ele é a bússola que nos guia na determinação da linha geral, na estratégia e na táctica da revolução socialista nos países isolados, bem como no caminho para a revolução socialista mundial.

que a “Teoria dos Três Mundos” – como substitua do Marxismo-Leninismo – nega o carácter de classe das principais contradições no mundo contemporâneo:

que essa “teoria” considera que a contradição antagónica entre o capitalismo eo socialismo está ultrapassada;

que nega que a contradição entre o proletariado e a burguesia ainda existe ( vista no melhor dos casos como um “aspecto secundário”);

que ignora o carácter de classe da contradição entre as nações oprimidas e o imperialismo;

que apoia as forças da reacção e os fantoches do imperialismo;

que não considera as contradições entre os vários países imperialistas como contradições entre os inimigos do proletariado; (em vez disso: falam acerca de contradições entre “os amigos e os inimigos” da causa revolucionária do proletariado internacional e dos povos do mundo);

que a “Teoria dos Três Mundos” não passa de um “remake” da “nova estratégia mundial” do revisionismo Khrushchevista (apenas usam disfarces um pouco diferentes) e que prossegue o objectivo de suprimir e de sabotar a luta do proletariado pela revolução socialista mundial.

Enver Hoxha sublinhou que a revolução socialista mundial não pode triunfar se a “Teoria dos Três Mundos” não for liquidada.

Enver Hoxha definiu a linha da guerra contra a “Teoria dos Três Mundos” da seguinte maneira:

Os povos que lutam pela sua libertação devem fortalecer a sua unidade com a classe operária e, sob a liderança dessa mesma classe operária, devem lutar para se libertarem das garras da burguesia capitalista interna e dos seus principais apoiantes – imperialismo Americano e o social-imperialismo Soviético.” (Enver Hoxha, “Reflexões sobre a China”, Volume II, 22 de Março de 1977, traduzido da edição em língua Inglesa).

Esta constituía uma correcta linha Marxista-Leninista. É agora complementada pela luta contra o fortalecimento do social-imperialismo Chinês e da sua ideologia Maoista. Esta correcta linha Estalinista-Hoxhaista é válida para as revoltas nos países Árabes, em geral e para todos os povos oprimidos, em particular. Nós vivemos na época da revolução proletária e socialista mundial, na época da ditadura do proletariado mundial e não na velha época das revoluções democrático-burguesas. Desde o princípio que o Maoismo traiu a revolução socialista mundial. Os Maoistas são traidores ao Bolchevismo Mundial e isto está historicamente provado. Os líderes do partido e do estado Chinês seguem abertamente esta linha Maoista, enquanto que os diferentes movimentos Maoista em todo o mundo se escondem atrás de um “palavreado revolucionário”. Ambas as tácticas andam de mãos dadas. Elas são inseparáveis uma da outra. Elas complementam-se uma á outra e expressam as aspirações Chinesas ao domínio do mundo.

Com esta nossa decisão nós limitamo-nos a reconhecer e a confirmar estes factos históricos:

O imperialismo Americano é (ainda) o imperialismo dominante, o principal inimigo do proletariado mundial e dos povos. E todos nós sabemos que o Maoismo abandonou esta definição essencial para o Movimento Comunista Mundial. Foi Mao que começou a trair o comunismo quando declarou como AMIGO o principal inimigo do proletariado mundial e dos povos oprimidos!! A cooperação com os principais inimigos de classe significa que o Marxismo-Leninismo e o Maoismo são ideologias totalmente antagónicas. É impossível uni-las e misturá-las.

Mas a linha geral comunista nunca significou que este ou aquele inimigo tenha de permanecer eternamente numa posição predominante. Como podemos observar, a posição predominante do imperialismo Americano está prestes a ruir – pelo menos durante a presente crise mundial. Nós vemos claramente a constituição de uma tendência entre os poderes capitalistas hegemónicos: o enfraquecimento dos E.U.A acompanhado simultaneamente pelo fortalecimento da China. No entanto, nós não excluímos a possibilidade de o imperialismo Americano poder tomar um novo fôlego. A restauração do domínio mundial por parte do imperialismo Americano é um perigo que seria um desafio enorme para a revolução socialista mundial e até para o início da época do capitalismo mundial. O imperialismo Americano pode perfeitamente recuperar apesar de ou mesmo por causa do poder cada vez maior dos social-imperialistas Chineses – e aliado com novas potencias imperialistas em ascensão (por exemplo: o Brasil).

Em caso de substituição do imperialismo Americano pelo social-imperialismo Chinês, o Comintern (EH) não hesitará em declarar o social-imperialismo Chinês como sendo o inimigo nº 1, não importa se a China insiste em manter a sua máscara “socialista”ou não. Este facto em nada alteraria a nossa decisão.

O social-imperialismo Chinês já não é o “parceiro júnior” do imperialismo Americano, apesar se ser mais recente do que o social-imperialismo Russo. Durante muito tempo, a China ocupou a posição do antigo social-imperialismo Soviético que rivalizou com o imperialismo Americano na luta pela hegemonia mundial. No entanto, não podemos esquecer que o social-imperialismo Russo derivou da destruição da ditadura do proletariado, enquanto que o social-imperialismo Chinês deriva do fortalecimento da ditadura da burguesia, porque a ditadura do proletariado nunca existiu na China. Nenhum Estalinista-Hoxhaista pode ignorar esta diferença histórica. Por que não? Porque o Maoismo nunca poderia ser um avanço do Marxismo-Leninismo-Estalinismo, que provou na prática o poder da ditadura proletária. Contrariamente ao Marxismo-Leninismo-Estalinismo, o Maoismo nunca provou este poder na prática. Provou ser incapaz de estabelecer a ditadura do proletariado e de construir o socialismo. Assim, o proletariado mundial que luta pela sua ditadura global e pelo socialismo mundial tem obrigatoriamente de abandonar as “Ideias Mao Zedong”. E o Hoxhaismo? De facto, o Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo provou ser capaz de realizar na prática a ditadura proletária e o socialismo proletário. Por isso, o Hoxhaismoe não o Maoismo – é que constitui o desenvolvimento do Marxismo-Leninismo-Estalinismo. Enver Hoxha é o 5º Clássico do Marxismo-Leninismo – e não Mao Zedong.

Os revisionistas Chineses não são diferentes dos revisionistas Soviéticos no que toca ás suas atitudes e posições relativamente a nós e ao mundo em geral – os revisionistas Chineses são tão revisionistas e tão social-imperialistas quanto os revisionistas Soviéticos, com a única diferença de que os primeiros são os novos social-imperialistas que ainda têm de lutar pelo poder colonial que ambicionam possuir.” (Enver Hoxha, “Reflexões sobre a China”, Volume II, 8 de Dezembro de 1977, traduzido da edição em língua Inglesa).

Actualmente, a China já é uma das maiores potências coloniais e expande o seu domínio em todo o mundo, não apenas em África.

Enver Hoxha:

Os povos de África e de todo o mundo estão a passar por fases que os tornam cada vez mais conscientes da necessidade de lutar contra todos aqueles que os tentam ludibriar e explorar, contra todos os seus inimigos internos e externos, quer sejam Americanos, Soviéticos ou Chineses. O objectivo destes últimos é pilhar estes povos e destruir a suas culturas autóctones com o propósito de os esmagar e de os impedir de se erguerem, de se revoltarem, de avançarem económica e culturalmente e de atingirem o seu bem-estar de forma livre e em condições de verdadeira soberania.” (Enver Hoxha “As Superpotências”, Tirana 1986, páginas 468-469)

A actual posição do imperialismo Chinês – que está prestes a ultrapassar o capitalismo Ocidental – prova que a teoria do camarada Enver Hoxha acerca das duas superpotências ainda é válida, apesar de ter de ser ligeiramente modificada no contexto das condições presentes. E no contexto desta nova posição do social-imperialismo Chinês, nós comunistas devemos compreender e executar a continuação da correcta luta de Enver Hoxha contra o Maoismo.

É necessária uma luta sem tréguas contra ambas as superpotências, sem fazer qualquer tipo de concessões ao nível dos princípios. Nós precisamos de aprofundar as contradições entre as duas superpotências sem nunca ficarmos do lado de nenhuma. Nós devemos analisar cada situação de acordo com as conjunturas mundiais e adoptar tácticas que não se oponham á nossa estratégia. O nosso slogan “Proletários de todo o mundo – uni-vos!” não pode nem vai permanecer letra morta.” (Enver Hoxha, “Reflexões sobre a China”, Volume II, 23 de Agosto de 1973, Tirana 1979, traduzido da edição em língua Inglesa).

Por outras palavras, o proletariado mundial possui a suas próprias estratégias e as suas próprias tácticas. Para atingir a sua própria libertação, ele necessita da revolução socialista mundial e não de se tornar um joguete nas mãos do imperialismo mundial porque Mao queria que a China se tornasse numa superpotência imperialista e para isso ele aliou a China com os E.U.A. Apesar de o Camarada Enver Hoxha ter escrito isto em relação aos E.U.A e á União Soviética, tal não prejudica a sua validade. Hoje em dia, o social-imperialismo Chinês ocupou o lugar do social-imperialismo Soviético. A lei das duas superpotências não se modificou essencialmente, ela continua a ser a lei das guerras predatórias, a lei da escravatura dos povos, a lei da exploração e da opressão do proletariado mundial, a lei da contra-revolução.

O Camarada Enver Hoxha desmascarou o Maoismo como sendo a ideologia do social-imperialismo Chinês em luta pelo domínio mundial.

A estratégia e as tácticas que Mao Zedong e os seus associados desenvolveram ao longo de 50 anos tiveram como objectivo não o triunfo da revolução sob o estandarte do Marxismo-Leninismo, mas sim o triunfo da China como uma grande potência mundial.” (Enver Hoxha, “Reflexões sobre a China”, volume II, 31 de Dezembro de 1976, traduzido da edição em língua Inglesa).

Nós não esquecemos as visitas de Kissinger, Nixon e Ford a Pequim! Os Maoistas sabem muito bem que a colaboração com o inimigo de classe nº1 do proletariado mundial não começou após a morte de Mao Zedong. De facto, foi o próprio Mao que “fundou” esta linha de colaboração traiçoeira e aberrante contra o proletariado mundial. Foi ele próprio que implementou na prática esta linha política contra-revolucionária. Estes são os factos históricos. E actualmente? Os factos actuais são os seguintes:

Enquanto o sangue dos insurgentes Árabes é derramado nas ruas (pela contra-revolução Árabe apoiada e financiada com biliões de dólares pelos imperialistas Americanos), os Chineses mantêm conversações secretas com Washington. Eles falam acerca da redistribuição das suas esferas de influência com o objectivo de acentuar a exploração e a opressão dos povos do mundo.

Mao Zedong nunca apoiou as lutas revolucionárias de libertação nacional dos povos contra as superpotências. Pelo contrário, ele apoiou a brutalidade do imperialismo Americano e dos seus lacaios sangrentos nos países coloniais e neo-coloniais. Não foi só o camarada Enver Hoxha que foi recebido em Pequim por Mao Zedong. Na verdade, Mao Zedong promovia em Pequim um incessante vaivém dos líderes revisionistas e capitalistas de todo o mundo. Eram recebidos em Pequim todos aqueles que elogiavam a China de Mao, tanto revolucionários como contra-revolucionários (principalmente os últimos). Antigamente, os imperialistas Americanos eram recebidos por Mao Zedong com toda a pompa e circunstância, enquanto que hoje são os social-imperialistas Chineses que são recebidos em Washington com toda a pompa e circunstância. As negociações são sempre as mesmas – invariavelmente atrás das costas do proletariado mundial e da revolução, invariavelmente atrás das costas da luta de libertação dos povos.

Estes factos justificam plenamente as previsões Marxistas-Leninistas de Enver Hoxha. Na realidade, Enver Hoxha ensina-nos que independentemente da futura configuração do imperialismo mundial, independentemente da influência imperialista Chinesa no mundo, as superpotências e os países capitalistas e imperialistas enfraquecerão cada vez mais – por causa da profunda crise que afecta o mundo capitalista – e enquanto tudo isto sucede, o capitalismo mundial engendra o seu próprio coveiro que é o proletariado mundial. E o mesmo se aplica relativamente á influência internacional do Maoismo. O proletariado mundial é também o coveiro do Maoismo.

No que respeita aos povos Árabes, o Camarada Enver Hoxha previu:

Nós somos testemunhas do facto de que a sucessão dos acontecimentos no Médio Oriente não está a tomar a direcção que os imperialistas, os social-imperialistas e a reacção mundial gostariam. Os povos Árabes desta vasta zona petrolífera despertaram para a revolta e exigem tomar o seu destino nas suas próprias mãos. Em muitos países Árabes está a ser travada uma luta justa contra todo o tipo de imperialismo, colonialismo e neo-colonialismo, bem como contra os seus suportes económicos, políticos e militares. Esta situação constitui um desenvolvimento positivo que todos devem apoiar e incentivar porque representa o progresso revolucionário e a satisfação dos interesses e aspirações dos povos que estão conscientes da opressão que sofrem e da pobreza e ignorância em que vivem, apesar de os seus países terem sido em tempos o centro de uma civilização brilhante e de ainda hoje possuírem riquezas fabulosas que, se não fossem continuamente pilhadas pelos estrangeiros, poderiam proporcionar a estes povos melhores condições de vida e a capacidade de se defenderem contra os seus inimigos.

Quando esta luta justa e determinada levada a cabo pelos povos Árabes contra o imperialismo mundial e seus lacaios domésticos, quando esta revolução crescente e imparável se consiga libertar dos aspectos negativos da religião que ainda ocupa posições dominantes, que desempenha um papel inibidor e que promove as guerras entre os Sunitas, os Xiitas e outras facções, então ela certamente conduzirá á vitória e ao fortalecimento dos povos Árabes, bem como á abertura de uma nova fase e de uma nova página na história da humanidade.” (Enver Hoxha, “Reflexões sobre o Médio Oriente”, páginas 506-507, traduzido da edição em língua Inglesa).

No contexto das actuais circunstâncias, apenas as revoltas populares nos países Árabes estão a ser bem-sucedidas.”

Eu admiro e respeito os povos Árabes, porque eles são progressistas, combativos e amam a liberdade”. (Enver Hoxha)



Pelo contrário, Mao convidava e recebia em Pequim os líderes reaccionários do mundo Árabe porque estes eram úteis para a concretização das ambições social-imperialistas da China. A China nunca apoiou as revoluções populares do mundo Árabe, mas apoiou sempre a Contra-revolução Árabe (e israelita!) (por exemplo, a China forneceu armas tanto ao Irão como a Israel). Como acontece com qualquer outra potência imperialista, a estratégia da China consiste em provocar guerras de forma a obter lucros e a tirar partido do enfraquecimento dos seus rivais no mercado mundial.

No que respeita á actual revolução no Egipto, os social-imperialistas Chineses falam abertamente acerca da “desordem” e do “caos”, repetindo as palavras usadas por Mubarak, esse lacaio do imperialismo Americano: “Eu ou o caos”.

Os líderes Chineses temem que a revolução aconteça no interior do seu próprio país social-fascista. Os Maoistas temem que a revolução socialista Marxista-Leninista e Anti-Maoista deflagre não apenas na China mas também no resto do mundo. E este temor é absolutamente justificado. A vitória da revolução socialista Chinesa é impossível se não conseguirmos destruir o mito criado em redor da figura de Mao Zedong.

A China forneceu de armas a contra-revolução do Norte de África durante mais de 20 anos com o objectivo de suprimir as revoluções dos povos (inicialmente, a China fazia-o em troca de petróleo e de gás). Actualmente, a China exerce já uma grande influência sobre as economias do Norte de África. A China possui os seus próprios direitos de escavação de minas, os seus próprios direitos de utilização de condutas de petróleo e de gás, goza de facilidades de produção e tem ainda os seus próprios representantes comerciais no Norte de África. Por exemplo, a China é hoje o único importador e exportador do petróleo do Sudão. Este petróleo está manchado com o sangue da guerra civil Sudanesa. Os social-imperialistas Chineses fazem tudo para proteger a corrupta e reaccionária burguesia Sudanesa. Mas o Sudão não constitui nenhuma espécie de excepção: a China importa a grande maioria do seu petróleo das “zonas problemáticas do mundo”, permitindo assim que a burguesia dessas regiões continue a oprimir as massas trabalhadoras. Escondendo-se atrás da máscara do “País do Terceiro Mundo” (com o propósito de ganhar a confiança dos povos), Mao Zedong abriu o caminho para a ascensão de uma nova superpotência neo-colonial que se tenta apresentar como “limpa” da podridão inerente aos velhos colonialistas e ao mundo imperialista.

A China tem cada vez mais dificuldade em manter relações amistosas com os E.U.A. Em finais de Janeiro de 2011, por ocasião do Fórum Económico Mundial em Davos (Suíça), os representantes dos líderes Chineses apregoaram o “fim domínio da Civilização Ocidental”. O social-imperialismo Chinês começa a levantar a sua cabeça monstruosa, e isto significa o agravamento do seu carácter agressivo e belicista. “O Vento Leste deve prevalecer sobre o Vento Oeste!” – este é o velho slogan imperialista formulado por Mao Zedong na sua luta contra o internacionalismo proletário.

Nalguns aspectos os Chineses estar certos, mas eles estão enganados ao acreditarem na sua própria ascensão como senhores do mundo. Os tempos em que as potências imperialistas se sucediam umas ás outras há muito que passaram. Está na hora de o proletariado mundial abolir a inevitabilidade da renovação do imperialismo mundial. Está na hora de o proletariado mundial abrir as portas ao seu próprio domínio proletário á escala global – e deve construí-lo sobre as ruínas de todas as potências imperialistas mundiais. Os levantamentos revolucionários no mundo Árabe vão acabar inevitavelmente por revolucionarizar o mundo inteiro. A revolução Árabe é o prelúdio da revolução socialista mundial. E esta situação é tudo menos um bom começo para a superpotência imperialista Chinesa. Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, consideramos que é inegável o facto de que a futura revolução global será determinante para o futuro do mundo. Ela será uma revolução proletária e socialista. A revolução proletária mundial é imparável. O seu início será acelerado pelas revoluções populares do mundo Árabe. As revoluções populares no mundo Árabe não anunciam apenas a extinção da escravatura dos povos imposta pelo imperialismo mundial. Isso é só o começo! O slogan proletário é: armar o proletariado com o objectivo de derrotar, expropriar e desarmar a burguesia. Este é o slogan que nós propagamos não apenas nos países Árabes, mas também á escala global. A vitória da revolução proletária e socialistas á escala mundial é inevitável.

Todos nós sabemos que as contradições entre os E.U.A e a China acabarão inevitavelmente por atingir o ponto de ruptura. Esta situação é boa para o aceleramento do processo revolucionário mundial. E nós devemos aprender a usar estas contradições de uma maneira revolucionária. Entre 2000 e 2009, a China perdeu 2.18 triliões de dólares americanos só em transacções financeiras ilegais, e por isso ela ocupa o primeiro lugar na lista negra.

A ganância autoritária do social-imperialismo Chinês deriva directamente do pragmatismo Maoista – subordinado á lei capitalista do lucro máximo. Nós sabemos que o pragmatismo é a ideologia do imperialismo, com a qual os E.U.A conquistaram um dia o domínio mundial. Esta estratégia do pragmatismo Chinês é ainda mais astuta do que a estratégia do pragmatismo Americano, porque ela está escondida sob o palavreado “Marxista-Leninista” – uma característica herdada do “Pensamento de Mao Zedong".

A “manutenção” do capitalismo mundial é impossível sem as guerras imperialistas. Sem a redistribuição forçada das colónias, os novos poderes imperialistas – incluindo a China – nunca conseguirão assegurar os privilégios dos quais desfrutam as velhas potências imperialistas (por exemplo, os E.U.A e a Europa). Tanto o social-imperialismo como o imperialismo dão origem a guerras predatórias. O perigo de uma nova Guerra Mundial é bem real. E não nos parece que os E.U.A e a China estejam dispostos a desempenhar o papel de anjinhos pacíficos. Tanto a Guerra Mundial imperialista como a Guerra Mundial anti-imperialista significam o fim da era do imperialismo mundial e o início da era do socialismo mundial.

A revolução social só se pode concretizar na forma de uma época na qual exista uma combinação da guerra civil travada pelo proletariado contra a burguesia dos países avançados com várias séries de movimentos revolucionários e democráticos, incluindo os movimentos de libertação nacional nas nações subdesenvolvidas, atrasadas e oprimidas.” (Lénine, Volume 23, página 60, edição Inglesa)

Os povos Árabes vão conseguir ultrapassar as divisões que os afectam, porque eles aprenderão por experiência própria quem são os seus amigos e quem são os seus inimigos. Eles conseguirão desmascarar não apenas a “ajuda” dos imperialistas Europeus e Americanos, mas também o “apoio” dos outros imperialistas – incluindo a “solidariedade” dos social-imperialistas Chineses.

Todos aqueles que lucram com os tiranos sanguinários que governam os países do Norte de África, do Médio Oriente e de qualquer outra parte do mundo, lesam gravemente os interesses do proletariado mundial e dos povos oprimidos.

Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, avaliamos os Maoistas não de acordo com as suas palavras, mas sim de acordo com os seus actos, de acordo com as acções de quem lhes fornece o apoio material que lhes permite levar a cabo a sua propaganda. Quem luta pela revolução socialista mundial não pode aliar-se com os imperialistas e seus lacaios. Quem luta contra os inimigos de classe não pode aliar-se á “Quinta Coluna” do imperialismo mundial, não pode aliar-se ás organizações Maoistas – pagas e financiadas pelo dinheiro Chinês – totalmente afastadas das classes pobres e trabalhadoras. É por todos estes motivos que a Albânia socialista do camarada Enver Hoxha se recusou terminantemente a fazer parte desta “Quinta Coluna” do social-imperialismo Chinês.

Tomemos como exemplo a recente declaração da organização Maoista “ICOR” de 23 de Janeiro de 2011: “A revolta popular na Tunísia”.

Ao lermos a declaração, constatamos que há muita conversa fiada acerca dos “direitos democráticos”, mas nada acerca do dever dos Comunistas de propagarem a luta contra as influências revisionistas e social-democratas que se fazem sentir no interior do movimento democrático revolucionário. Ao ler a declaração, sente-se a falta de um apelo dirigido ao movimento operário mundial e ao movimento comunista mundial no sentido de apoiarem as lutas do mundo Árabe de acordo com o espírito da revolução socialista mundial. Pelo contrário, o que mais se nota é uma preocupação de esconder o início da revolução mundial, de esconder a necessidade da transição da revolução democrática para a revolução socialista e de esconder os avanços da luta do proletariado Árabe em direcção ao socialismo. Na Tunísia o capitalismo é o sistema dominante, ou seja, persiste a contradição fundamental entre trabalho e capital. Isto significa que: os operários e os camponeses devem cumprir a sua missão histórica que consiste no esmagamento do estado capitalista, na eliminação da propriedade privada dos meios de produção, na expulsão dos imperialistas, na expropriação dos capitalistas estrangeiros sem indemnização e na fundação de um partido Estalinista-Hoxhaista que lidere a luta de classes armada e lute pela implementação da ditadura do proletariado. No entanto, os Maoistas permanecem totalmente silenciosos relativamente a estas exigências fundamentais para o Marxismo-Leninismo. As exigências democráticas são necessárias para o avanço e para o amadurecimento do processo revolucionário, mas Lénine ensina-nos que a democracia, por si só, não consegue remover a sociedade de classes. O proletariado tem obrigatoriamente de estabelecer a sua ditadura de classe. Nós nunca trocaremos a nossa actividade revolucionária pelo reformismo e pelo revisionismo. Nós temos o poder de orientar a luta democrático em direcção á luta socialista. Nós devemos combinar a luta pelas liberdades democráticas populares com a luta pelo armamento e pela preparação do proletariado com o propósito de derrubar o capitalismo.

Na proclamação Maoista do “ICOR” relativamente ao povo Tunisino, o apelo ao fortalecimento necessário do internacionalismo proletário está também em falta. A unificação do proletariado mundial e a luta do povo Tunisino em conjunto com a de todos os outros povos Árabes oprimidos é necessária para o desenvolvimento da revolução socialista mundial. De outra maneira, a libertação dos povos Árabes da tirania do imperialismo mundial é completamente impossível. Nada disto é contemplado pela “ICOR”, que insiste em se auto-denominar como: “A Conferência Internacional dos Partidos e das Organizações Revolucionários.” Na realidade, eles traem imperdoavelmente o proletariado e a revolução mundial!

Enver Hoxha escreveu em 8 de Dezembro de 1977:

Como eu já disse, a política da China no que respeita aos países Árabes pura e simplesmente não existe. Nas relações com estes países, a China caracteriza-se pelas suas posições pró-Americanas e anti-Soviéticas.

Esta orientação determina a política da China em toda a bacia do Mediterrâneo. Por exemplo, a China opõe-se àqueles países Árabes com os quais a União Soviética mantém relações e aos quais tenta empurrar para a sua área de influência. Pelo contrário, a China favorece os outros países Árabes que estão totalmente sujeitos á lei e ao domínio impostos pelos Estados Unidos da América. Assim, nesta zona do mundo há muitos estados que se opõem á China, enquanto que há outros que não são contra ela, mas também não são a seu favor porque vêem que a China não faz nada por eles. E de facto, o que faz a China? Ela aplaude a Somália e o seu Presidente Mohammed Siad porque ele expulsou os Soviéticos da Somália. Isto foi bem feito, mas a questão é que a China aplaudiu o Presidente Siad precisamente porque ele subordinou o seu país a Washington e á tirania do imperialismo Americano. É nisto que consiste a política da China.” (Enver Hoxha, “Reflexões sobre a China”, Volume II, 8 de Dezembro de 1977, traduzido da edição Inglesa).

Tomando em consideração a política seguida pela China na arena internacional, que posições vai a China adoptar relativamente ás manobras Americanas no Médio Oriente? Na realidade, o objectivo da China é preservar o status quo nesta zona do mundo. O Egipto é o seu parceiro mais obediente, mas a China quer também o reconhecimento e o respeito dos outros países Árabes. Mas simultaneamente, esta manobra é destinada a promover a desunião entre os povos Árabes. Como é óbvio, na continuação desta política, a China deve apoiar os Americanos e é o que ela de facto faz. Isto significa que a China apoia os líderes Árabes pró-Americanos e também apoia Israel. A China é a favor de um estilo de paz Americano, o qual consiste em esmagar e desprezar a liberdade e a independência dos povos Árabes com o objectivo de fazer triunfar a ganância dos fascistas Israelitas, bem como das classes dominantes do Egipto, da Arábia Saudita, e de outros países.

É claro que estas posições dos Chineses são anti-Marxistas. A China é obrigada a adoptar estas posições e a tentar iludir os povos Árabes como se fosse uma grande defensora sua. Na realidade, ela não defende nem tem intenções de defender nenhum destes povos. A China não defende as aspirações destes povos á libertação nacional, mas em contrapartida não hesita em apoiar o capitalismo e o imperialismo.” (Enver Hoxha “Reflexões sobre a China”, Volume II, 18 de Dezembro de 1977, traduzido da edição em língua Inglesa).

A táctica neo-colonialista Sino-Americana é especialmente coordenada em África. O propósito destes dois bandidos imperialistas não é apenas o de consolidar as suas posições mais antigas, mas também o de conquistar novas posições nas zonas em que ainda não as possuam. Ambos estes cúmplices nos crimes contra os povos rivalizam entre si com o objectivo de tirarem os maiores lucros possíveis das guerras locais promovidas pelo imperialismo e pelo social-imperialismo…

a China tenta penetrar em África por duas ordens de razões: em primeiro lugar, para sabotar a interferência e o estabelecimento dos Soviéticos ao mesmo tempo que expande o seu próprio campo de influência, e em segundo lugar, para fortalecer as posições do imperialismo Americano em África. Só que enquanto os Soviéticos e os Americanos assaltam África sem sequer tentarem esconder o seu carácter imperialista e neo-colonialista, a China penetra no continente Africano cerimoniosamente embrulhada em fraseologia Marxista…

Será que os Estados Unidos da América temem as políticas dos Chineses em África? De momento não, porque a China não possui a pujança do dólar nem do São George, ela não possui potencial económico suficiente para poder adquirir os favores dos Mobutus, dos Bocassas e de outros semelhantes, mas o facto é que as políticas dos Chineses poderão posteriormente tornar-se perigosas para os Americanos.” (Enver Hoxha, “As Superpotências”, páginas 467-468, edição Inglesa).

Isto foi escrito em 1978. Entretanto, as previsões de Enver Hoxha revelaram-se correctas. Desde o começo da crise mundial que os E.U.A e a China se aproximam perigosamente entre si. As superpotências Americana e Chinesa vão “abraçar-se”uma á outra – e no final, elas vão acabar por se sufocarem uma á outra – em benefício da revolução socialista mundial.

Quando o imperialismo mundial foi atacado pelo Movimento Mundial Marxista-Leninista do camarada Enver Hoxha, Mao Zedong veio prontamente em auxílio do imperialismo mundial com o propósito de assegurar a sua sobrevivência.

Mao Zedong, no seu tempo, e os social-imperialistas Chineses actuais partilham de um único objectivo: prolongar indefinidamente a vida do capitalismo mundial – através da substituição do velho sistema imperialista mundial por um novo directamente inspirado no modelo Chinês. Quem se atreve a duvidar desta realidade?

A nossa posição é clara:

nós lutamos pela abolição da inevitabilidade do imperialismo mundial e nunca pela substituição das velhas forças imperialistas por outras novas. E inseparavelmente deste objectivo, nós lutamos também pela abolição da inevitabilidade do revisionismo e nunca pela substituição dos velhos tipos de revisionismo pelo revisionismo de modelo Maoista.

As contradições de classe estão a intensificar-se em todo o mundo ao mesmo tempo que as forças imperialistas emergentes e as forças imperialistas mais antigas e decadentes se envolvem numa luta brutal pela hegemonia mundial, pela redistribuição do mundo.

A intensificação da luta travada pela contra-revolução mundial contra a revolução mundial implica inevitavelmente a intensificação e a unificação das forças revisionistas contra as forças comunistas. Isto corresponde ao ABC do Marxismo-Leninismo. Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, previmos o perigo da mobilização das forças revisionistas em consequência do reforço das lutas de classes que encabeçam a revolução socialista mundial. A existência do imperialismo mundial corre perigo e os Maoistas são chamados á ajudarem na liquidação do Movimento Mundial Estalinista-Hoxhaista – similarmente ao papel desempenhado por Mao Zedong na sua luta contra o Movimento Mundial Marxista-Leninista do Camarada Enver Hoxha e similarmente ao papel desempenhado pelos revisionistas modernos após a morte do Camarada Estaline.

Por isso, nós devemos fortalecer a nossa luta global contra o neo-revisionismo. Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, declaramos guerra ao Maoismo!

O revisionismo actual (Neo-Revisionismo) está essencialmente de acordo com o revisionismo moderno, nomeadamente no que respeita ás tentativas de adaptação da ideologia do proletariado ás condições da mutabilidade do poder no contexto do capitalismo global. Nas actuais condições, podemos considerar que emergem e se desenvolvem duas grandes tendências revisionistas:

(1) A velha tendência revisionista que ainda tenta manter a antiga “balança do poder” mundial – em que se destacava o domínio incontestável do imperialismo Americano – o status quo da “coexistência pacífica”.

(2) E a outra tendência constituída pelas múltiplas correntes neo-revisionistas, cuja missão é promover a substituição do velho sistema capitalista mundial por um novo (em geral). E (em particular) estas correntes neo-revisionistas são também necessárias para o domínio de novas relações de poder sob a hegemonia das potências imperialistas emergentes, especialmente do imperialismo Chinês. Ambas as tendências diferem no que toca a algumas particularidades, no entanto, elas são idênticas no que respeita á sua luta comum de defesa do capitalismo contra o socialismo.

(3) Os elementos centristas vão flutuando entre as duas, tentando reconciliar e unir ambas as tendências na base da “coexistência pacífica”. No entanto, as contradições antagónicas nunca poderão ser resolvidas de modo pacífico. No contexto das relações de classe antagónicas, o “caminho pacífico” significa invariavelmente a subordinação da ideologia do proletariado á ideologia da burguesia. A reconciliação das diferentes tendências oportunistas apenas serve a construção e a consolidação da luta contra o proletariado mundial e nunca contra a burguesia mundial.

O revisionismo Chinês é particularmente perigoso porque se tenta disfarçar através da nossa luta anti-revisionista. Consequentemente, nós devemos traçar uma linha de demarcação Estalinista-Hoxhaista contra a auto-denominada “Proposta relativa á Linha-Geral do Movimento Comunista Internacional” lançada pelo Partido Comunista da China em 14 de Junho de 1963. Esta linha-geral Maoista é essencialmente anti-Estalinista. Nas suas “polémicas”, Mao manteve o silêncio acerca da defesa do Estalinismo, acerca da revolução mundial proletária e socialista, acerca da ditadura do proletariado, etc.… – todos estes pilares básicos que devem obrigatoriamente fazer parte de uma verdadeira Linha-Geral Marxista-Leninista parecem ter escapado ao já referido autor. Porquê? Será que Mao não sabia quais eram os pilares básicos do Marxismo-Leninismo? Certamente que ele sabia tudo isso, mas como revisionista, ele tinha de manter esses pilares o mais escondidos possível. As críticas de Mao ao Comintern de Lénine e de Estaline são bem conhecidas. Ele opôs-se á Linha-Geral do Comintern e substituiu-a por uma elaborada por ele próprio em 1963. Mao nunca defendeu a continuidade do Comintern de Lénine e de Estaline, nem nunca baseou as suas acções nessa mesma continuidade. As “polémicas” de Mao Zedong ao foram escritas em defesa do Comintern, pelo contrário, elas foram escritas contra o Comintern. As “polémicas” foram escritas com o propósito de impedir a reconstrução de um novo centro comunista revolucionário mundial. Um movimento comunista mundial que não seja liderado por um centro fixo está de acordo com os interesses da burguesia mundial, e não com os interesses do proletariado mundial. Mao atacou o centro do revisionismo moderno Soviético com o objectivo de o substituir por um novo centro revisionista mundial, desta vez fundado no revisionismo Chinês.

Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, nunca negámos a necessidade do partido comunista mundial nem na teoria nem na prática. Nós fomos, somos e seremos sempre contra as “relações paternalistas” entre os partidos comunistas, pois essas relações possuem um carácter anti-Bolchevista. Os 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo sempre condenaram este tipo de relações que configuram uma linha revisionista. No entanto, isto significa que também devemos rejeitar o papel desempenhado pela hegemonia do proletariado mundial e da sua vanguarda? Nós somos contra todos os modelos revisionistas de liderança – não interessando se são organizados centralizadamente ou descentralizadamente – mas somos absolutamente a favor da liderança revolucionária e irrenunciável da luta de classes Bolchevista á escala global. O reconhecimento da necessidade da existência de um Partido Comunista num país isolado não tem um carácter equiparável ao do reconhecimento da necessidade da existência de um Partido Comunista mundial. Esta situação deve-se ao facto de que a existência do último implica uma subordinação dos interesses do proletariado de cada país aos interesses do proletariado mundial. Nós desmascarámos a “teoria” revisionista do “partido-mãe”. Nós defendemos a liderança da Internacional Comunista em simultâneo com a igualdade e a soberania dos partidos comunistas dos vários países – ambas as coisas devem ser conciliadas dialecticamente através do centralismo democrático. A realização da revolução socialista mundial é impossível sem uma liderança mundial. E também é impossível assegurar a vitória da revolução socialista num país isolado se não conseguirmos assegurar a vitória da revolução socialista á escala mundial. Aqueles que não pretendem garantir o socialismo também não desejam a revolução socialista mundial. E, por sua vez, aqueles que não desejam a revolução socialista mundial também não necessitam da Internacional Comunista. Foi isto que Mao fez ontem e é isto que os Maoistas continuam a fazer hoje – eles dão seguimento á luta contra a Internacional Comunista.

Aqueles que não aceitam a liderança do PCUS (B) dentro da III. Internacional e que em vez disso tentam tomar uma posição “neutral” de carácter policêntrico “independência, igualdade, etc.” – prejudicam gravemente os princípios do centralismo democrático e não podem ser considerados como internacionalistas proletários. Foi a ideologia Maoista que impossibilitou que o PC China seguisse o caminho revolucionário do Comintern no seu próprio país. A correcta luta Marxista-Leninista contra a teoria revisionista do “partido-mãe” e do “partido-filho” defendida por Khrushchev acabou por ser deturpada pelos Maoistas, pelos Titoistas e por outros revisionistas com o propósito de fortalecer as suas respectivas “independências” e “igualdades” contra a tutela do revisionismo Soviético. Os Maoistas e todos os outros rivais dos revisionistas Soviéticos expandiram a teia do revisionismo internacional e conseguiram capturar muitos dos camaradas decepcionados que se recusavam a seguir os revisionistas Soviéticos em direcção ao capitalismo. O revisionismo e o imperialismo mundiais só podem ser derrotados se os partidos comunistas – mantendo a igualdade e a independência entre si – se unirem sob a liderança centralizada da Internacional Comunista. A experiência histórica da Internacional Comunista traduz-se nesta conclusão. O imperialismo foi obrigado a isolar ideologicamente e organizacionalmente os partidos comunistas de cada país como objectivo de criar divisões e de liquidar o movimento comunista internacional. Consequentemente, os imperialistas não só tentaram intensificar as divergências ideológicas entre os partidos, como também distorceram as contradições nacionais entre eles com o propósito de impossibilitar a sua reunificação no seio de uma nova Internacional Comunista. Os Maoistas organizaram forças internacionais com a intenção de quebrar a aliança entre um país socialista e o proletariado mundial, com a intenção de isolar e de separar o PTA (Partido do Trabalho da Albânia) dos seus partidos-irmãos – com a intenção de consumar o isolamento e a separação entre o Partido Comunista líder e todos os outros Partidos Comunistas. Esta era a estratégia e a táctica do revisionismo, esta era a estratégia e Mao Zedong, e foi desta forma que os Maoistas provocaram a quebra da unidade no interior do Movimento Mundial Marxista-Leninista – e enquanto isso eles também propagaram o seu falso slogan: “A Albânia é a culpada da divisão do Movimento Mundial Marxista-Leninista.” A duplicidade da estratégia e da táctica do revisionismo no que respeita á questão do partido-líder do centro revolucionário mundial consistia no seguinte: o partido-líder revisionista que se encontra no poder (o da União Soviética) coopera activamente com um outro partido revisionista (o da China) que lidera uma falsa “oposição” ao primeiro. Foi desta maneira que a influência revisionista dentro do movimento comunista se conseguiu manter ininterruptamente. Mas mais tarde ou mais cedo, o testemunho teria de ser passado a esse outro partido-líder revisionista (o da China) que desempenharia as funções de sucessor do velho centro revisionista mundial ainda antes de a restauração capitalista estar completa. Desta forma, os Maoistas passaram a utilizar o argumento revisionista que consiste na negação da necessidade do partido dirigente que desempenhe as funções de orientação do centro revolucionário mundial. Os Maoistas negam esta necessidade com o pretexto de uma suposta crítica á teoria do “partido-mãe” – mas este falso pretexto não é mais do que a manifestação da ideologia neo-revisionista expressa nas “polémicas". Basicamente, estas “polémicas” não são mais do que críticas indirectas aos princípios do internacionalismo proletário, para além de também tentarem ocultar o facto de que, quando Mao as escreveu, ele já tinha assumido o papel de sucessor do “partido-mãe” do revisionismo Soviético [tudo isto pode ser relido na “Linha-Geral do Comintern (ML)” – definida em 2001].

Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, somos a única força global que defende a antiga linha-geral do Comintern contra todos os seus inimigos – inclusivamente contra os Maoistas, inclusivamente contra as “polémicas” (1963) do PC da China. Após a morte do Camarada Estaline, Mao Zedong tentou usurpar a liderança do movimento comunista das mãos dos revisionistas Soviéticos. Ele usou a máscara “anti-revisionista” e conseguiu iludir o jovem Movimento Mundial Marxista-Leninista anti-Krushchevista. Com este propósito, Mao elaborou a sua própria “linha-geral” em 1963 (as “polémicas”). Os Maoistas não só defendem esta “Linha-Geral” revisionista até aos dias de hoje, como também a usam como base de todas as suas actividades políticas.

O PTA recusou-se, correctamente, a ser submetido a esta “linha-geral” revisionista de Mao Zedong. Por isso, nós Estalinistas-Hoxhaistas declaramos – também de forma correcta – que jamais nos subordinaremos a nenhuma das correntes do Maoismo. Em vez disso, nós vamos destruí-las.

Mao não estava interessado na constituição de um partido Bolchevista mundial nem na construção da Internacional Comunista, que permitiriam organizar a luta contra o revisionismo moderno de forma centralizada e global. E, actualmente, os Maoistas demonstram tão pouco interesse quanto Mao no que respeita á refundação do Comintern de Lénine e de Estaline. Mao sempre se recusou a praticar a disciplina organizacional do internacionalismo proletário. Na visão de Mao, o PC da China deveria estar acima do centralismo democrático do Comintern. Ele só aceitava o Movimento Comunista Mundial sob a condição de este Movimento ficar sob a liderança do PC da China, sob a liderança do próprio Mao. Ele também tentou impor a sua linha chauvinista ao PTA do Camarada Enver Hoxha – mas não foi bem-sucedido por que Enver Hoxha frustrou completamente as intenções de Mao Zedong.

Também Estaline criticou a linha revisionista de Mao Zedong:

Quando a China foi libertada, Estaline suspeitou de que os líderes Chineses seguiriam o mesmo caminho de Tito. E, de facto, se nós olharmos para os princípios essenciais da linha revisionista de Mao Zedong em relação ás acusações deste contra Estaline, podemos dizer com confiança que Estaline foi realmente um grande Marxista-Leninista que previu de forma correcta não apenas o curso que a China iria seguir, mas também em que é que as “Ideias” de Mao Zedong consistiam na realidade. Ele sabia que as ideias de Mao Zedong eram revisionistas e Titoistas em muitos aspectos, tanto em relação aos assuntos internacionais como em relação aos assuntos domésticos – relativamente á luta de classes, á ditadura do proletariado, á coexistência pacífica entre países com sistemas sociais diferentes, etc.” (Enver Hoxha, “Reflexões sobre a China”, Volume II, 18 de Dezembro de 1977, traduzido da edição em língua Inglesa).

Em 1963, Mao favorecia “as revoluções dos povos” – o principal slogan das suas “polémicas”. Ele evitou mencionar a missão histórica do proletariado (em particular, Mao nada diz acerca do papel revolucionário desempenhado pelo proletariado nos países revisionistas). De facto, nas “polémicas” nós não conseguimos encontrar nada acerca da revolução socialista do proletariado mundial. Mao negou a hegemonia do proletariado mundial, negou a sua já referida missão histórica, negou o seu papel dirigente como a única classe verdadeiramente revolucionária e negou até a necessidade da defesa do Comintern de Lénine e de Estaline que lutou corajosamente pelo comunismo mundial. Apenas as linhas revisionistas podem descartar os princípios indispensáveis do Marxismo-Leninismo. E as “polémicas” Maoistas configuraram precisamente uma dessas linhas revisionistas.

Alguns anos mais tarde, as “polémicas” foram retiradas, alegadamente por causa da “vitória final” sobre o revisionismo moderno. Aqueles que recorrem a este tipo de argumentos seguem por um caminho perigoso e revisionista, porque sabemos por experiência própria que todo e qualquer afastamento da luta anti-revisionista é favorável á burguesia. A táctica dos revisionistas Chineses consiste em entrar e sair sucessivamente da arena da luta anti-revisionista sem outro critério que não sejam o da satisfação dos interesses próprios – esta estratégia é magistralmente descrita, documentada e condenada pelo Camarada Enver Hoxha no seu excelente livro intitulado “Reflexões sobre a China”. Uma das experiências mais importantes da luta contra o revisionismo consiste em que os novos revisionistas tentam sempre argumentar que a luta contra o revisionismo “tradicional” está ultrapassada e que o revisionismo morre “por si mesmo” (“historicamente derrotado”). Na realidade, nunca nada que esteja relacionado com a burguesia cai “por si mesmo”. É sempre necessário que seja o proletariado mundial a forçar a sua queda. E este princípio aplica-se ao próprio revisionismo. A história do revisionismo é a história das tentativas da burguesia para derrotar a luta dos Comunistas contra o revisionismo. Se tomarmos em consideração a experiência histórica, o Maoismo pode ser definido como uma ideologia que se infiltra no Movimento Marxista-Leninista com a intenção de enfraquecer as nossas armas anti-revisionistas, com a intenção de preparar a reconciliação com o revisionismo. Os Maoistas são os recrutas e os líderes das forças reconciliatórias que lutam contra as forças Marxistas-Leninistas. Desta maneira, os Maoistas tentam submeter o Movimento Mundial Marxista-Leninista ao domínio dos movimentos Maoistas. Os Maoistas criticam o revisionismo em palavras, mas actuam com o objectivo de pôr fim á nossa luta anti-revisionista. O neo-revisionismo é a agência da burguesia dentro do movimento anti-revisionista – actualmente, ele constitui o principal perigo no interior do Movimento Comunista.

Em tempos, os elementos revolucionários da antiga social-democracia demarcaram-se não só dos líderes direitistas e oportunistas da 2ª Internacional, mas também dos líderes centristas da chamada 2ª ½ Internacional (Kautskistas). Eles formaram novos partidos comunistas proletários sob a liderança do partido Bolchevista – o único partido que tinha conseguido estabelecer a ditadura do proletariado no seguimento da Grande Revolução Socialista de Outubro que deu forma ao primeiro estado socialista do mundo – o novo campo socialista mundial, o centro da revolução proletária mundial.

Algumas décadas mais tarde, ocorreu um fenómeno comparável quando os partidos comunistas se demarcaram das correntes revisionistas de tipo Americano, Jugoslavo, Soviético, Euro – “comunista”, Chinês, etc.…Este fenómeno consistiu no processo interno das lutas dos elementos Bolchevistas contra os elementos revisionistas existentes no seio dos velhos partidos – este processo iniciou-se após a dissolução do Comintern e tornou-se numa luta externa no seguimento da cisão provocada pelo XX Congresso dos líderes revisionistas do PCUS no interior do Movimento Comunista Mundial. Alguns dos elementos Bolchevistas conseguiram expulsar as lideranças revisionistas dos seus partidos, enquanto que outros formaram novos partidos anti-revisionistas de tipo Leninista-Estalinista. Á medida que este processo de demarcação relativamente ao revisionismo moderno se ia desenvolvendo, surgiu um novo centro mundial Marxista-Leninista – encabeçado pelo PTA e pelo camarada Enver Hoxha – que passou a liderar a luta contra as tendências centristas e principalmente contra o Maoismo. A luta contra as “Ideias” centristas de Mao Zedong constitui um dos momentos mais marcantes na história do Movimento Comunista Mundial – comparável com a luta Leninista-Estalinista contra o centrismo Trotskista.

Actualmente, testemunhamos o processo contrário. A linha de demarcação que o camarada Enver Hoxha traçou contra as Ideias de Mao Zedong tornou-se permeável e foi seriamente minimizada pela reconciliação com o Maoismo (e também pela reconciliação com o Trotskismo). Este processo de infiltração revisionista que se aprofunda cada vez mais tem de ser parado através da resistência firme dos verdadeiros Marxistas-Leninistas.

Este é o momento oportuno para os elementos Estalinistas-Hoxhaistas se demarcarem dos centros da liderança neo-revisionista. Eles devem formar partidos Estalinistas-Hoxhaistas que constituirão as secções da Internacional Comunista (Estalinista-Hoxhaista) de novo tipo e cujo objectivo é a preparação e a organização da revolução socialista mundial.

Este é o resultado da gloriosa história do Movimento Comunista Mundial.


Nós admitimos o facto de que também contribuímos para este desenvolvimento se verificasse, porque nós não fomos capazes de defender com firmeza o Marxismo-Leninismo em oposição ao Maoismo. Nos nossos sites nós limitámo-nos a propagar os ensinamentos de Enver Hoxha contra as “Ideias” de Mao Zedong, sem nunca desmascarar-mos nem lutarmos contra as actividades levadas a cabo pelos Maoistas. Seria desonesto justificar tudo isto com o argumento de que existem outros sites que também propagam os ensinamentos de Enver Hoxha contra o Maoismo. Em comparação com as publicações massivas dos Maoistas e com os defensores da “reconciliação entre Mao e Enver” – nós não somos mais do que uma minoria. Nós temos de lutar resolutamente e com base nos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo contra a tendência geral de reconciliação com o neo-revisionismo e temos também de defender, manter e reforçar a nossa linha de demarcação relativamente ao Maoismo, ao Trotskismo e a outras correntes anti-Estalinistas-Hoxhaistas – e devemos fazer tudo isto sem nunca negligenciarmos o velho perigo do revisionismo moderno, com as raízes Mencheviques, reformistas e social-democratas.

Os Maoistas sempre fizeram questão de erguer a infame bandeira do Trotskismo. Eles alegaram “atacar” o revisionismo moderno na Rússia – que era, segundo os Maoistas, “o inimigo nº1”. Na verdade, Mao apoiou os imperialistas Americanos e os Maoistas usaram estes argumentos como um disfarce que lhes permitiu esconderem o seu revisionismo no interior do Movimento Mundial Marxista-Leninista. Todas as ideologias e “teorias” reaccionárias possíveis e imaginárias podem facilmente ser ocultadas atrás das “Ideias” de Mao Zedong com o propósito de iludir a classe operária. Uma das características do Maoismo consiste em fazer circular muitas linhas diferentes e em integrar muitas correntes oportunistas e liberalizantes. O Maoismo é comparável ao Trotskismo e a traição de Mao Zedong á revolução socialista mundial traduz-se em que ele auxiliou a regeneração do imperialismo mundial e usou tácticas de divisão com o objectivo de enfraquecer o movimento comunista mundial. Mao forneceu apoio material aos Maoistas de todo o mundo. A China continua a apoiar as suas agências no interior do Movimento Mundial Marxista-Leninista, como por exemplo a organização Maoista MLPD sediada na Alemanha.

No dia 23 de Junho de 1977, Enver Hoxha escreveu o seguinte:

Os representantes Europeus das agências de notícias Chinesas e os lacaios dos Chineses, especialmente os Trotskistas do Jurquet em França e os elementos do “Rote Fahne” na Alemanha [MLPD – nota do autor], são os mais activos na prossecução da linha traidora preconizada por Hua Kuo-feng. Eles estão a mobilizar as pessoas não apenas nos seus próprios países, mas em todos os lugares onde tenham hipóteses de sucesso.

A China financia todos estes agentes, que já fundaram uma imprensa e elaboram alguma propaganda. No entanto, a sua principal propaganda depende inteiramente do dinheiro Chinês. A China fornece a estes agentes dinheiro para que estes possam subornar os elementos mais hesitantes que porventura façam parte dos partidos comunistas Marxistas-Leninistas da Europa.

Como eu já disse, o propósito da táctica Chinesa é incitar a polémica, mas somente entre os partidos Marxistas-Leninistas e os grupelhos fascistas disfarçados com os rótulos Maoistas. Enquanto isso, a China permanece fora da polémica, ela não deve sequer ser mencionada…Por isso, devemos enfrentar estes agentes dos Chineses com a força férrea do Marxismo-Leninismo de maneira a expô-los e a derrotá-los.” (Enver Hoxha, “Reflexões sobre a China”, Volume II, 23 de Junho de 1977, traduzido da edição Inglesa).

Pode parecer incrível mas é verdade: Este “MLPD” (“Bandeira Vermelha”) fundou a sua “organização mundial” de inspiração Maoista, a ICOR, precisamente no dia do aniversário do Camarada Enver Hoxha (16 de Outubro de 2010)!! E esta “organização mundial” Maoistas teve o atrevimento de acusar o Camarada Enver Hoxha:

Os ataques do Partido do Trabalho da Albânia contra Mao Zedong causaram profundas divisões no seio do movimento operário internacional e do Movimento Mundial Marxista-Leninista.” (Stefan Engel, ICC [Comité de Coordenação Internacional] – Ásia 2008).

Os Maoistas acusam-nos (a nós, Estalinistas-Hoxhaistas) de defendermos “os erros do Movimento Comunista Internacional sob a direcção de Estaline.” Eles chamam-nos (a nós, Estalinistas-Hoxhaistas) de: “Lacaios do Anti-Comunismo”!!! De facto, com estas acusações sem qualquer tipo de fundamento, eles apenas se acusam a si próprios como os Anti-Estalinistas, como os Anti-Comunistas que são. Segundo os Maoistas, só são defensores do anti-revisionismo aqueles que se abstenham de criticar o Maoismo. E, consequentemente, aqueles que atacam o Maoismo não são considerados como anti-revisionistas. É neste tipo de raciocínio que consiste o “anti-revisionismo” Maoista. Por sinal, o ICMLPO acusa-nos (a nós, Estalinistas-Hoxhaistas) de defendermos os “erros do Movimento Mundial Marxista-Leninista sob a direcção de Enver Hoxha”. No entanto, ao contrário dos Maoistas, o ICMLPO insiste em manter (por enquanto) o silêncio acerca de nós, Estalinistas-Hoxhaistas, e do Movimento Mundial Marxista-Leninista do camarada Enver Hoxha. Nós devemos forçar o ICMLPO a quebrar o silêncio e a assumir a sua traição.

Antigamente, os verdadeiros partidos Marxistas-Leninistas baseavam a sua luta contra a traição dos Maoistas nos ensinamentos de Marx, Engels, Lénine, Estaline e Enver Hoxha. Eles defenderam a Albânia como o único país verdadeiramente socialista do mundo, como a pátria do proletariado mundial, como o único centro do Movimento Mundial Marxista-Leninista, como o centro do comunismo mundial. Isto teve uma grande importância histórica. Mas o que é que aconteceu a estes partidos? Eles voltaram as costas á Albânia e deixaram cair o estandarte do camarada Enver Hoxha. Simultaneamente, a luta destes partidos contra o Maoismo ficou num impasse. Nós criticámos esta traição, mas eles não se impressionaram, limitando-se a ignorar-nos e a dar continuidade á sua linha de traição. Com o lançamento da sua “Declaração de Quito”, eles decidiram na prática que a Albânia Socialista e o Movimento Mundial Marxista-Leninista nunca existiram! Eles abandonaram-nos na nossa luta contra o Maoismo e é por isso que nós os consideramos como traidores. Cada desistência da luta contra o Maoismo apenas contribui para o fortalecimento da posição dos Maoistas contra os Estalinistas-Hoxhaistas, apenas contribui para a contra-revolução.

E os Maoistas? A sua luta contra os Estalinistas-Hoxhaistas nunca parou. Eles lutaram contra nós muito antes da traição da China em 1978, e continuaram a lutar contra nós depois dessa traição.

Eles nunca deixaram de nos qualificar como: “Divisores do movimento operário internacional e do Movimento Mundial Marxista-Leninista.”

Mas quem são os divisores? Os Maoistas ou os Estalinistas-Hoxhaistas?

Nenhum partido no mundo (á excepção do PCUS (B) de Lénine e de Estaline) defendeu a Internacional Comunista, o Movimento Mundial Marxista-Leninista, o proletariado mundial e as lutas dos povos pela sua liberdade e independência de forma mais fiel e honrosa mais fielmente e mais honradamente do que o Partido do Trabalho da Albânia liderado pelo Camarada Enver Hoxha.” (excerto da “Linha-Geral” do Comintern (EH), 2001).


Os divisores do Movimento Mundial Marxista-Leninista não foram o Partido do Trabalho da Albânia nem o Camarada Enver Hoxha, mas sim o Partido Comunista da China e Mao Zedong!

Um verdadeiro Marxista-Leninista não defende Mao Zedong. Pelo contrário, um verdadeiro Marxista-Leninista defende o Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo contra as “Ideias” revisionistas de Mao Zedong.


Aos olhos dos imperialistas e dos seus lacaios oportunistas – que competem com os Chineses e com os lacaios oportunistas destes últimos – o Maoismo não é uma ideologia proletária, mas sim uma ideologia burguesa rival. Os imperialistas travam entre si não só guerras materiais, mas também guerras ideológicas e mentais. Isto é uma questão de dialéctica. Então, o que é o Anti-Maoismo? Será que o Camarada Enver Hoxha era “anti-comunista” porque criticou as “Ideias” de Mao Zedong com base na ciência Marxista-Leninista? Os Maoistas consideram que o Anti-Maoismo é “anti-comunismo”. Assim, eles concluem que: Hoxhaismo = anti-comunismo. Será que esta é uma dedução lógica? De maneira nenhuma! Os Maoistas refugiam-se nesta concepção totalmente errada porque eles não se conseguem defender da crítica correcta e honesta que o Marxismo-Leninismo faz em relação ao Maoismo. Os Maoistas não são os primeiros revisionistas a serem desmascarados por nós. Nós nunca deixámos que nenhum tipo de revisionismo ficasse impune. Os revisionistas podem gritar quanto quiserem: “Somos comunistas! Estamos acima das críticas!” Com o propósito de enganar as massas, os Maoistas fazem-se de vítimas e gritam “Agarrem que é ladrão!” Isto não é um apelo para que o ladrão pare, mas sim um apelo para que as massas parem os Estalinistas-Hoxhaistas. Aqueles que põem em prática este tipo de estratagemas são inimigos do Marxismo-Leninismo, e isto é uma situação triste e vergonhosa. No entanto, aqueles que se atrevem a qualificar-nos de “anti-comunistas” nunca conseguirão “levar avante” a sua tentativa de iludir as massas trabalhadoras.

O Maoismo é essencialmente a ideologia do imperialismo Chinês. Lutar contra o imperialismo Chinês significa, acima de tudo, afastar as massas da influência ideológica do Maoismo. Nós devemos tentar convencê-las através das suas próprias experiências. A força e a tenacidade da influência ideológica que o imperialismo Chinês exerce sobre as massas não são causadas pela influência do social-fascismo Chinês contemporâneo, mas sim pela influência ideológica exercida pelos movimentos Maoistas de todo o mundo. Esta afirmação não é contraditória. Os social-imperialistas Chineses são inimigos impiedosos e agressivos que nunca vão sequer tentar “convencer” as massas exploradas e oprimidas. Pelo contrário, os Maoistas tentam convencer as massas camponesas e pequeno-burguesas e até mesmo alguns elementos retrógrados dentro da classe operária.

Quando os Maoistas falam acerca da “revolução socialista”, isso não significa revolução socialista na China! Enquanto que os Marxistas-Leninistas insistem na revolução socialista como a única forma de derrotar o revisionismo no poder e de destruir o estado social-imperialista e social-fascista, os Maoistas recusam-se a apelar á revolução socialista violenta na China capitalista. É por esta razão que eles tanto temem o Camarada Enver Hoxha, porque ele sempre apelou á revolução socialista anti-revisionista. É por esta razão que os Maoistas temem também a revolução socialista mundial, porque ela certamente não poupará a China. Os social-imperialistas e os social-fascistas Chineses parecem muito poderosos, mas eles nada valem contra a ditadura do proletariado mundial. É por isso que o slogan da revolução socialista mundial é um tabu para todos os Maoistas. Até mesmo os imperialistas mundiais sabem que se o proletariado Chinês tomar o poder, isso significará o “fim da linha” para eles. A ditadura do proletariado Chinês só pode ser construída sobre as ruínas das “Ideias” de Mao Zedong.

Aqueles Maoistas que dizem: “Vocês devem lutar contra o imperialismo Chinês e não contra os Maoistas” não entendem nada acerca das tarefas ideológicas da nossa luta anti-revisionista. Para podermos destruir o imperialismo, as guerras imperialistas, a reacção e o fascismo através da revolução, temos primeiro que libertar as massas de todo e qualquer tipo de influências burguesas. Os Maoistas mentem ás massas e transmitem-lhes ideias completamente erradas não apenas acerca das tarefas revolucionárias da luta contra o imperialismo, mas também acerca do carácter de classe dessa mesma luta. Foram os Maoistas, em conjunto com os burgueses e com os pequeno-burgueses, que abriram o caminho para o fortalecimento do imperialismo Chinês. E eles nunca vão parar de o fazer, a menos que nós o consigamos impedir.

A maioria das correntes Maoistas exibe “5 Clássicos”, incluindo Mao Zedong, no seu “símbolo”. Todos sabemos que nós também apresentamos “5 Clássicos” no nosso emblema. Então, qual é a diferença? Obviamente, a diferença consiste em que para os Maoistas o “Quinto Clássico” é Mao Zedong, enquanto que para nós o Quinto Clássico é Enver Hoxha. Esta diferença é ideologicamente decisiva: os Maoistas chamam á sua ideologia “Marxismo-Leninismo-Maoismo”, enquanto que nós, Estalinistas-Hoxhaistas, baseamo-nos no “Marxismo-Leninismo”. Nós falamos acerca dos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo. Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, nunca sonharíamos em denominar a nossa ideologia como “Marxismo-Leninismo-Hoxhaismo”. Nós nunca pensaríamos sequer em excluir ou em substituir o Estalinismo. De forma correcta, nós baseamo-nos no Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo.

O “Marxismo-Leninismo-Maoismo” configura uma substituição óbvia do Estalinismo pelo Maoismo – e nisto se traduz o núcleo da traição revisionista do Maoismo – no seguimento coerente das traições revisionistas de todos os outros revisionistas modernos, que se limitam a Marx, Engels e Lénine, enquanto que outros se limitam a Marx, Engels, Lénine e Estaline (por exemplo, o ICMLPO). No geral, todas as tendências revisionistas e neo-revisionistas podem ser caracterizadas como tendências contra os 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo.

O Anti-Estalinismo dos revisionistas Soviéticos e o dos revisionistas Chineses distinguem-se somente no que respeita á táctica utilizada. O revisionismo Chinês pôs a máscara de “Estaline” com o objectivo de fazer com que todos aqueles camaradas desiludidos com o Anti-Estalinismo frontal dos Krushchevistas, passassem a fortalecer o revisionismo Chinês frente ao seu rival Soviético. Os Maoistas escondem o seu Anti-Estalinismo por detrás das “Ideias” de Mao Zedong. Supostamente, as “Ideias” de Mao Zedong “corrigiram” os “erros” de Estaline. Aos olhos dos Maoistas, as “Ideias”de Mao Zedong constituem a ideologia que “salvou” o Marxismo-Leninismo das “falsificações” Estalinistas. O próprio Mao afirmou certa vez que o Estalinismo estava “60% correcto e 40% errado.”

Os Maoistas desdenham da própria autonomia, independência e perfeição dos ensinamentos do Marxismo-Leninismo. Eles aceitam o Marxismo-Leninismo apenas nos mesmos termos em que Mao o aceitou – nomeadamente, como uma máscara atrás da qual ele(s) se poderiam esconder para melhor atingirem os seus propósitos.

A ciência proletária do Marxismo-Leninismo amadurece-se por si própria até á perfeição. Ela não necessita de nenhuma adição de elementos estranhos sob a capa de “ideias e teorias avançadas”.

A ideologia proletária é totalmente independente de todas as outras ideologias de classe. Até hoje, todos os auto-denominados “enriquecimentos” do Marxismo-Leninismo revelaram-se na prática como verdadeiros desarmamentos do Marxismo-Leninismo.

Nós sabemos bem que os Maoistas são os “verdadeiros defensores” das “Ideias” de Mao Zedong. Mas qual é a essência destas “Ideias”? Se deixarmos de fora o Marxismo-Leninismo nada resta a não ser ideologia burguesa. Os Maoistas enganam-se redondamente se pensam que o Marxismo-Leninismo seria uma ideologia “pobre” sem o “enriquecimento” das “Ideias” de Mao Zedong. Na verdade, passa-se exactamente o contrário. As “Ideias” de Mao Zedong distorcem e fragmentam o Marxismo-Leninismo. As “Ideias” de Mao Zedong tentam adaptar o Marxismo-Leninismo á ideologia burguesa., elas tentam transformar a ideologia proletária em ideologia burguesa, tornando-a útil e “aceitável” para os interesses do imperialismo mundial – CONTRA o proletariado mundial.

Ao ser dirigido contra o Marxismo-Leninismo, o Maoismo constitui um grande perigo para a unidade do Movimento Mundial Marxista-Leninista. Os defensores da reconciliação com o Maoismo tentam conduzir as forças Marxistas-Leninistas em direcção ao revisionismo, cuja tarefa consiste em paralisar, dividir e liquidar o movimento comunista mundial. As tentativas dos neo-revisionistas para nos unir e fundir com os líderes da traição revisionista (dos quais sempre nos distanciámos) sob a capa do “anti-revisionismo”, estão a tornar-se cada vez mais óbvias através das concessões feitas aos revisionistas, através do abandono dos princípios revolucionários do Marxismo-Leninismo, etc., etc.…

O Comintern (EH) detecta a existência de uma perigosa tendência de reconciliação entre Marxismo-Leninismo e as correntes neo-revisionistas – e isto verifica-se á escala global e não apenas neste ou naquele país.

Consequentemente, o Comintern (EH) transmite esta resolução a todos os verdadeiros comunistas que permanecem leais ao Marxismo-Leninismo: Não fiquem de braços cruzados a observar o Movimento Mundial Marxista-Leninista a ser atirado para o abismo!



Camaradas!

Lembrem-se que a crítica feita por Enver Hoxha contra as “Ideias” de Mao Zedong é imortal!

Nós nunca permitiremos que estas críticas e ensinamentos sejam esquecidos e/ou negados!

Vamos traduzir e propagar por todo o mundo estas críticas e ensinamentos!

Vamos reforçar a linha de demarcação traçada por Enver Hoxha contra o Maoismo!

Vamos aumentar as nossas fileiras! Apoiem o Comintern (EH), pois ele lidera a luta Estalinista-Hoxhaista contra o Maoismo!

Se não defendermos os ensinamentos de Enver Hoxha nós nunca conseguiremos derrotar o Maoismo.

A vitória sobre o Maoismo não é apenas uma vitória no plano teórico. Além disso, Enver Hoxha liderou também uma luta de classes prática e concreta.

Nós temos de derrotar o Maoismo não apenas na prática mas também na teoria, e devemos fazê-lo á escala global.

Não foram os Maoistas que se aproximaram das posições ideológicas dos Marxistas-Leninistas. Pelo contrário, o que aconteceu foi que muitas organizações Marxistas-Leninistas começaram a aproximar-se da ideologia Maoista e a cederem e a abandonarem as suas antigas posições. O argumento segundo o qual os líderes Maoistas se iriam “aproximar” do Marxismo-Leninismo não faz qualquer sentido e não passa de um engano. A alegada “reaproximação” dos Maoistas relativamente aos Marxistas-Leninistas não é mais do que um falso rumor cujo propósito é justificar o caminho direitista que conduz os reconciliadores para longe do Marxismo-Leninismo. Os líderes Maoistas recusam-se a abandonar as “Ideias” de Mao Zedong, mas em contrapartida eles não param de tentar que passar-nos para o lado deles. No entanto, connosco eles nunca terão sucesso!

O Camarada Enver Hoxha avisou os partidos-irmãos com o objectivo de evitar que estes não se tornassem porta-vozes dos revisionistas que se acusavam mutuamente. Assim, tal como um grande capitalista absorve e destrói um grande número de pequenos capitalistas, também o mesmo se passa entre os revisionistas (até porque eles e os capitalistas são feitos da mesma massa). Nós não podemos lutar contra o revisionismo aliando-nos aos revisionistas.

Nós não permitimos que os Maoistas usem o Camarada Enver Hoxha para levar a cabo as suas maquinações. Os laços de amizade que unem o povo Chinês e o povo Albanês não podem ser quebrados nem pelos Maoistas nem por ninguém. É um facto que o Camarada Enver Hoxha analisou o desenvolvimento dos princípios Marxistas-Leninistas na China e que encontrou erros e inconsistências graves no seio desse desenvolvimento. Ainda assim, ele tentou dissuadir Mao do caminho errado que este último insistia em seguir. Esta é uma atitude correcta do ponto de vista Marxista-Leninista. Mas, ao fim de muitos anos, Enver Hoxha apercebeu-se que os seus esforços tinham chegado ao limite. Quando o revisionismo Chinês adoptou uma atitude abertamente hostil em relação á Albânia, o Camarada Enver Hoxha não se afastou do caminho correcto. A defesa do Movimento Mundial Marxista-Leninista contra os revisionistas Chineses que pretendiam liquidá-lo constitui um grande mérito histórico do Camarada Enver Hoxha. Actualmente, defender o Camarada Enver Hoxha significa construir a frente Estalinista-Hoxhaista, preparando-a para lutar contra a frente Maoista e para purificar o movimento comunista mundial de todo o tipo de oportunismo.

Ao contrário dos Maoistas, nós somos capazes de distinguir claramente a posição tomada por Mao da posição tomada por Enver Hoxha, bem como de realçar o antagonismo existente entre os dois. Os Maoistas não têm interesse nisso. Eles precisam de um “Enver Hoxha” totalmente imaginário – que depois comparam a Mao – que faça o papel de revisionista mascarado de “anti-revisionista”. Os Maoistas tentam apresentar o seu “Enver Hoxha” imaginário como uma espécie de servo que se curva perante o seu senhor. Mas os Maoistas esquecem que Enver Hoxha foi um grande Estalinista – o melhor de todos. Pelo contrário, Mao Zedong nunca foi Estalinista:

Mao Zedong não era Marxista-Leninista, mas sim um burguês progressista e revolucionário.

Mao Zedong sempre se fez passar por um Marxista-Leninista dialéctico, mas na realidade ele nunca o foi. Ele foi um ecléctico que combinou a dialéctica Marxista com o idealismo de Confúcio e com a antiga filosofia Chinesa.”

A verdade é que no que respeita á sua liderança do partido e do estado, ás suas visões políticas e ideológicas e ás posições adoptadas relativamente ao desenvolvimento da China e aos acontecimentos internacionais, ele (Mao) não se baseou na dialéctica materialista do Marxismo-Leninismo para orientar a China em direcção ao socialismo.” (Enver Hoxha, “Reflexões sobre a China”, Volume II, 26 de Dezembro de 1977, traduzido da edição Inglesa).

Enver Hoxha e Mao Zedong – juntos sob a mesma bandeira”este slogan desenvolveu-se com sucesso porque, supostamente, ele exprime “força e unidade” contra o “inimigo comum”. Na verdade, este slogan constitui uma traição ao Marxismo-Leninismo, ele constitui uma derrota da luta anti-revisionista. Nós não podemos derrotar uma determinada corrente revisionista refugiando-nos sob a capa de outra. Isso significaria a liquidação da luta anti-revisionista – que é o verdadeiro objectivo deste falso slogan.

Os Maoistas afirmam que a unidade na “luta prática” conduz á unidade ideológica (?). Esta afirmação não é mais do que simples oportunismo. Esta ilusão não só foi duramente criticada pelos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo, como também foi refutada pela própria experiência da luta de classes. Todas as acções conjuntas levadas a cabo por forças políticas diferentes que ignoram (para o efeito) as suas respectivas bases ideológicas conduzem inevitavelmente á construção de um bloco ideológico (no nosso caso, elas conduziriam especialmente á subordinação ideológica ao Maoismo).

Nós não podemos derrotar a ideologia ecléctica recorrendo á prática ecléctica. Este objectivo só pode ser atingido através da teoria e da prática Bolchevista – baseadas no Marxismo-Leninismo. De resto, já na sua obra “Que Fazer?” Lénine chamou a atenção para a necessidade de uma luta resoluta contra a corrente oportunista que consiste em vestir o espontaneísmo com “roupagem ideológica”.

Lénine ensina-nos que: “A unidade ideológica vem antes da unidade prática.” Nós dizemos insistentemente aos camaradas e ás organizações já referidas: “ Vocês conhecem esta afirmação de Lénine, mas recusam-se a aderir a ela. Vocês querem a unidade prática fundada em bases que não são sólidas, e por isso vocês vão acabar inevitavelmente por se afundar. As unidades de acção devem ser usadas como um meio para fortalecer e expandir a luta de classes proletária, e não como um meio para a reconciliação ideológica com as “Ideias” de Mao Zedong!”

Nós não temos nada contra as acções organizadas através de “frentes de unidade” e de alianças tácticas com os Maoistas, desde que estas sejam feitas com base na integridade dos princípios Marxistas-Leninistas. No entanto, nós nunca renunciaremos ao direito de levar a cabo a nossa própria luta. Nós nunca nos subordinaremos á linha dos Maoistas. Nós somos unicamente a favor de unidades de acção que sejam baseadas em princípios honestos e íntegros. Nós não podemos fazer frente aos ataques dos Maoistas através da adopção de uma linha centrista, nem através da manutenção de uma falsa unidade com os Maoistas. As organizações Marxistas-Leninistas devem estar atentas ao perigo Maoista e todo o Movimento Mundial Marxista-Leninista deve ser purificado de toda e qualquer influência Maoista, pois temos de proteger a nossa Internacional Comunista!

Os ataques dos neo-revisionistas dirigidos contra o Movimento Mundial Marxista-Leninista possuem o mesmo significado das manobras traiçoeiras engendradas pelos Social-Democratas da II Internacional e pelos revisionistas modernos após a morte do Camarada Estaline. Da mesma maneira que defendemos Estaline contra os revisionistas, devemos agora defender Enver Hoxha contra os Maoistas. Nós, Marxistas-Leninistas, devemos tirar novas conclusões com base na experiência histórica. Não há lugar para os Maoistas no socialismo mundial.

Pressionados pelo imperialismo mundial, pela crise capitalista mundial e pelo agravamento das condições da luta de classes global, os neo-revisionistas tentam persuadir-nos a unirmo-nos com “todos”, “a qualquer preço” e sob “qualquer tipo de condições”. Esta atitude deriva do pânico sentido pelos elementos da pequena-burguesia, pânico esse que é estranho para nós, Marxistas-Leninistas. É óbvio que este “internacionalismo proletário” de tipo Maoista não tem nada em comum com o Marxismo-Leninismo. Este “novo” “internacionalismo proletário” de tipo Maoista apenas serve para destruir o internacionalismo proletário através da “unidade prática” com os Maoistas – como um abraço que se transforma num estrangulamento. A classe trabalhadora Albanesa e o povo Albanês já sentiram na sua própria pele os efeitos deste tipo de “internacionalismo proletário” Maoista. Os Marxistas-Leninistas nunca se esquecerão do que realmente significa este “internacionalismo proletário”! O carácter chauvinista do revisionismo Maoista está nos antípodas do verdadeiro internacionalismo proletário: Os Maoistas acusaram a Albânia socialista de ser “revisionista”, e através desta mentira eles procuraram ocultar o seu próprio chauvinismo embrulhado num palavreado “Marxista-Leninista”.

Lénine ensinou-nos que: a unidade do Movimento Mundial Marxista-Leninista é uma grande tarefa e um grande slogan!

O proletariado mundial necessita da unidade globalizada dos verdadeiros Marxistas-Leninistas, e não da unidade dos Marxistas-Leninistas com os seus opositores Maoistas. Todo e qualquer desvio das posições Marxistas-Leninistas não só leva ao afastamento da classe operária em relação á sua linha revolucionária, como também conduz essa mesma classe operária em direcção ás garras do oportunismo. Esta é a atitude que os Marxistas-Leninistas devem adoptar relativamente aos Maoistas.


O Camarada Enver Hoxha previu o seguinte:

O problema é que todos os outros partidos verdadeiramente Marxistas-Leninistas devem compreender que temos de enfrentar um inimigo poderoso, e por isso a nossa luta é muito severa e complicada. Ao longo dessa luta, nós encontraremos obstáculos e dificuldades, mas também alcançaremos vitórias.

Os partidos comunistas Marxistas-Leninistas de todo o mundo devem trabalhar intensamente com o propósito de esclarecer as massas trabalhadoras dos respectivos países acerca dos seus objectivos, acerca dos conteúdos dos seus programas partidários. É importante que esta tarefa seja concretizada, mas a sua concretização deve ser feita de forma profunda e não de forma superficial, porque a concretização superficial não é capaz de assegurar bases sólidas que tornem possível a superação das fases críticas e dos momentos difíceis que o Movimento Marxista-Leninista, o socialismo, o comunismo e a revolução terão de enfrentar á escala mundial.” (Enver Hoxha, “Reflexões sobre a China”, Volume II, 14 de Outubro de 1977, traduzido da edição Inglesa).


O Marxismo-Leninismo derrotará todas as tendências Maoistas!

Viva o Camarada Enver Hoxha e a sua luta invencível contra as “Ideias” de Mao Zedong!

Vivam os 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo na luta contra o revisionismo!

A derrota completa do Maoismo e o Triunfo do Marxismo-Leninismo são inevitáveis!

















 

 

 

 

 

 

 

(2)




Declaração de Guerra aos Maoistas


Decisão da Internacional Comunista

(Estalinistas-Hoxhaistas)


22 de Junho de 2011



As tendências revisionistas são algo que existe desde o início do movimento comunista. A burguesia sempre tentou penetrar nas fileiras comunistas de maneira a corromper a pureza da ideologia Marxista e a afastar os militantes comunistas da ideia da revolução proletária.


Primeiramente, surgiram os revisionismos de Bernstein e de Kaustky. Estes eram revisionismos óbvios cujo objectivo era transformar o Marxismo numa ideologia “razoável” e “aceitável” aos olhos da burguesia.



Como afirma o Camarada Enver Hoxha:


(…) após os acontecimentos heróicos da Comuna de Paris, (…) a burguesia, mortalmente receosa de que o grande exemplo da Comuna se espalhasse, encorajou a corrente oportunista de Bernstein, que tentou retirar ao Marxismo o seu conteúdo revolucionário e torná-lo inofensivo para a dominação política da burguesia imperialista.” (Enver Hoxha, Eurocommunism is Anti-communism, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Inglês).



É muito importante tomar os revisionismos de Bernstein e de Kautsky em consideração, porque as suas ideias influenciaram praticamente todas as futuras tendências revisionistas, oportunistas e anti-Marxistas, incluindo o Maoismo:



As teorias de Bernstein e de Kautsky são encontradas, em várias formas, ás vezes abertamente e ás vezes de forma oculta, no revisionista Browder, no revisionismo Khrushchevista, no revisionismo Titoista, no revisionismo Francês, no revisionismo Italiano de Togliatti, no Pensamento Mao Zedong e em todas as outras correntes revisionistas. Estas correntes anti-Marxistas, que se estão a desenvolver no seio do mundo capitalista e revisionista, constituem a quinta coluna dentro das fileiras da revolução mundial e elas pretendem prolongar a existência do capitalismo internacional ao combaterem a revolução a partir do seu próprio interior.” (Enver Hoxha, Eurocommunism is Anti-communism, Tirana 1980, traduzido a partir da edição em Inglês).



Bernstein foi, muito antes de Khrushchev, um ardente defensor da via “gradual” e “pacífica” para o socialismo.


Depois de Bernstein, Kautsky e Companhia, existiram outras correntes revisionistas tais como o Trotskismo, o Titoismo e o Krushchevismo. Todas estas correntes tentaram separar os povos da luta pelo socialismo através da negação da necessidade da ditadura do proletariado e da defesa da tese segundo a qual “há muitas maneiras de atingir o socialismo” e “depois da revolução socialista, a luta de classes vai desaparecer”, etc. Nas suas obras, os 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo analisaram profundamente as causas, as consequências, a ideologia e as acções de todas estas correntes revisionistas e anti-socialistas e, por isso, não há necessidade de falar mais acerca delas.


Ao reflectirmos acerca da evolução dos sucessivos movimentos revisionistas, nós podemos notar facilmente que a astúcia da burguesia para descobrir novas formas de revisionismo com o propósito de afastar as massas do projecto socialista está a aumentar. Enfrentando o poder das forças proletárias e o aprofundamento da sua consciência revolucionária, a burguesia é forçada a criar novas “ideias” e “teorias” reaccionárias sempre disfarçadas sob uma máscara “socialista” de forma a perpetuarem o sistema capitalista e os fabulosos privilégios de classe que lhe são inerentes. Ao fazer isto, o principal objectivo da burguesia é enganar o proletariado, é criar ilusões e propagar mentiras de maneira a deter a revolução socialista.


No caso do revisionismo Maoista, nós notamos que a burguesia juntou todas as velhas ideias revisionistas e tentou vesti-las com uma roupagem “revolucionária” e “de esquerda” com o propósito de iludir as classes trabalhadoras. No entanto, por detrás da sua aparência “revolucionária”, a verdade é que o Maoismo foi uma tendência anti-Marxista desde o início. Tal como o Camarada Enver Hoxha disse no seu excelente livro “Reflexões sobre a China”, a revolução Chinesa de 1949 não foi nada mais do que uma revolução burguesa e Mao Zedong nunca foi Marxista-Leninista:



Mao Zedong não é Marxista-Leninista. Ele é um democrata revolucionário e progressista e, na minha opinião, é a partir deste ângulo que a sua obra deve ser estudada.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 26 December of 1976, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Mas para compreendermos correctamente o verdadeiro carácter do revisionismo Maoista, nós temos de analisar as suas origens, nós temos de analisar as condições nas quais o movimento democrático e anti-colonialista chinês se desenvolveu.


No século XIX, o mundo era dominado pelas potências coloniais e imperialistas europeias. Os imperialismos Britânico, Francês, Alemão, Russo, Português, Japonês, etc.… dividiam o mundo entre si. O Imperialismo Britânico era hegemónico mas isso não impedia os outros imperialismos de tentarem encontrar novas áreas coloniais onde pudessem encontrar novos recursos e mercados para os seus produtos e capitais. De facto, a rivalidade entre as várias potências imperialistas europeias aumentava ao mesmo tempo que existiam cada vez menos áreas do mundo susceptíveis de ser transformadas em zonas coloniais sem interferências ou conflitos com os outros imperialismos também interessados na expansão colonial. E claro que quando estas potências imperialistas europeias penetravam num novo território para o transformar numa nova colónia, elas só permitiam o desenvolvimento de certos ramos da indústria e da agricultura cujo desenvolvimento era considerado mais favorável para a economia das potências coloniais. Isto é muito normal, porque o objectivo dessas potências era fazer das colónias meros fornecedores de matérias-primas sem quaisquer sinais de desenvolvimento económico independente. Os efeitos e as consequências dos imperialismos europeus foram horrendos, desde fomes em grande escala provocadas pelo Homem e atrocidades cometidas contra os povos das colónias até ao conjunto de massacres e chacinas que ficou conhecido como “Primeira Guerra Mundial” e que foram um produto das violentas contradições inter-imperialistas. Em muitos sentidos, estas consequências horríveis são sentidas ainda hoje, especialmente no que respeita á distribuição da riqueza mundial e á divisão entre países “ricos” e países “pobres”, divisão essa que foi artificialmente criada pelo sistema capitalista e imperialista.



No entanto, foi apenas na segunda metade do século XIX que os poderes imperialistas finalmente penetraram na China. Na realidade, o caso da China é muito curioso porque o século XIX foi a idade de ouro do colonialismo tradicional; mas mesmo quando a coligação formada pela Grã-Bretanha, França, Rússia, Japão, etc.… conseguiu derrotar a dinastia Qing, as potências referidas não transformaram a China num país colonial no sentido tradicional do termo. Em vez disso, elas aplicaram aquilo que se pode denominar como colonialismo indirecto, ou semi-colonialismo, enquanto mantinham a independência formal da China. De facto, nós podemos afirmar que a China foi um dos primeiros territórios no qual foi aplicado aquilo que hoje chamamos neo-colonialismo. Esta situação provocou o desenvolvimento na China de uma burguesia muito poderosa e influente que estava intimamente ligada aos imperialismos estrangeiros. Simultaneamente, houve outras secções da burguesia Chinesa que também se expandiram, especialmente a burguesia mais radical e nacionalista cujos interesses tinham profundas contradições com os da burguesia pró-imperialista. Isto acontecia porque as potências imperialistas favoreciam a burguesia pró-imperialista, e através deste favorecimento esta burguesia pró-imperialista partilhava o controlo das principais indústrias e recursos da China com os imperialistas estrangeiros.


De forma a lutar contra a posição dominante da burguesia pró-imperialista, a burguesia nacional reclamava a “verdadeira independência” e a “luta contra o controlo estrangeiro sobre a China”. Assim, os argumentos da burguesia nacional, cuja ideologia vai constituir o principal ingrediente do revisionismo Maoista, não eram mais do que instrumentos usados por uma facção da classe burguesa para concretizar os seus interesses relativamente a outra facção mais poderosa da mesma classe. A burguesia pró-imperialista tinha poder porque servia os interesses dos imperialistas estrangeiros. Consequentemente, para ultrapassar esta situação, a burguesia nacional desejava a “autêntica independência” da China de maneira a quebrar os laços que uniam os imperialistas estrangeiros á burguesia pró-imperialista, laços esses que garantiam o poder e a influência da última na sociedade chinesa.


Ao dizer isto, nós não negamos que esta burguesia nacional tinha um certo carácter “progressista”. Afinal, nós devemos lembrar-nos que, naqueles tempos, a China ainda era um país semi-feudal e os camponeses chineses eram barbaramente oprimidos pelos senhores da guerra feudais que reinavam nas zonas rurais. Este facto foi determinante para que a burguesia nacional e “progressista” pudesse ganhar os camponeses e as classes trabalhadoras para o seu lado. A burguesia nacional “revolucionária” “prometeu” libertar os camponeses da opressão medieval e com isto começou uma luta em duas frentes: contra a burguesia pró-imperialista nas áreas urbanas e contra os senhores feudais nas áreas rurais. Foi no contexto desta luta entre a burguesia nacional e “progressista”, apoiada pelos camponeses e pelas classes trabalhadoras, e a burguesia pró-imperialista e os senhores feudais que a revolução chinesa de 1911 liderada por Sun-Yat Sen 8º líder do Kuomintang) eclodiu e estabeleceu a república chinesa. Esta revolução teve um carácter democrático-burguês e, apesar das simpatias de Sun-Yat Sen pela União Soviética Leninista, ela nunca constituiu ameaça para o poder da burguesia pró-imperialista, nem para o controlo imperialista da China. O Camarada Enver Hoxha analisou de forma brilhante a natureza desta república Chinesa e as condições nas quais surgiu o Partido Comunista da China num artigo intitulado: “Pode a Revolução Chinesa ser qualificada como uma revolução proletária?”:


A república Chinesa era uma república democrático-burguesa, que ainda não possuía todas as características e traços de uma democracia burguesa avançada, apesar de caminhar nessa direcção. (…) Naquele tempo, a China sofria do duplo domínio da monarquia absoluta, do caos nas províncias, onde os senhores da guerra reinavam sobre as suas administrações autónomas e sobre os seus exércitos quase privados; e ainda da dominação dos estados imperialistas. (…) A proclamação da República e a chegada ao poder do Kuomintang não significaram que a grande burguesia chinesa, a burguesia nacional e a burguesia pró-imperialista tivessem sido eliminadas. De forma nenhuma. Esta burguesia permaneceu no poder e continuou a manter, proteger e desenvolver as suas ligações com os estados imperialistas, especialmente com o imperialismo Americano. (…) Sun-Yat Sen e o Kuomintang escolheram e desenvolveram o caminho das reformas democrático-burguesas e, apesar de terem relações amistosas com a União Soviética Leninista, eles estavam longe de seguir o caminho Leninista para a transformação da China.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 26 de Dezembro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



O facto de a república Chinesa nunca se ter conseguido livrar do domínio estrangeiro e do poder da burguesia pró-imperialista deveu-se á fraqueza ideológica de Sun-Yat Sen. Em vez de lutar contra a burguesia pró-imperialista, ele limitou-se a culpar a dinastia Qing pelo facto de a China continuar a ser um país semi-feudal completamente explorado e controlado pelos imperialismos estrangeiros. Ele nunca compreendeu que para eliminar o feudalismo e a interferência imperialista na China, era necessário pelo menos neutralizar a burguesia pró-imperialista:



As suas posições e inclinações sociais eram radicais nas palavras, mas débeis no conteúdo. As inclinações políticas e ideológicas de Sun Yat-Sen, Chiang Kai-shek e do Kuomintang no seu todo estavam muito próximas das posições das democracias-burguesas da Europa Ocidental, da América e de outros países como o Japão.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II 26 de Dezembro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Assim, podemos concluir que a revolução de 1911 que estabeleceu a república Chinesa não modificou substancialmente as estruturas socio-económicas e de classe do país. Isto significou que a burguesia nacional “progressista” continuou a sua luta contra as secções burguesas rivais.



Em 1920, nasce o Partido Comunista da China. O PCC era composto por alguns pequenos grupos que se encontravam num estado de total confusão e vacilação ideológica. Os membros do PCC eram guiados por uma ideologia que não era o Marxismo-Leninismo, mas sim uma ideologia reaccionária e idealista inspirada no Confucionismo, no Budismo, na filosofia chinesa tradicional, etc.… e isto para não falar das influências Trotskistas e Anarquistas que também se faziam notar no interior do PCC:



O PCC nasceu e desenvolveu-se no seio da velha sociedade e civilização Chinesa e os seus membros , naquele tempo, eram produto da educação moral e intelectual de Confúcio, da educação democrático-liberal e, finalmente, da educação Marxista-Leninista. Mas mesmo mais tarde nunca é possível afirmar que os Marxistas Chineses tenham rompido completamente com a civilização tradicional que continuou a influenciá-los através da psicologia individual e nacional. Os primeiros grupos Marxistas caracterizavam-se pela confusão ideológica e pela vacilação na linha política.



Todas estas tendências ideológicas e políticas deveriam ter sido controladas, no sentido de que as fileiras deveriam ter sido purgadas e de que a influencia daqueles elementos que eram democratas mas não Marxistas e que não seguiam os princípios fundamentais do Marxismo-Leninismo deveria ter sido reduzida. Com isto eu quero dizer que o terreno deveria ter sido desbravado de maneira a formar um verdadeiro partido comunista, que seguiria a teoria do Marxismo-Leninismo, e que aplicaria essa teoria de maneira criativa ás condições da China de uma forma clara e profunda de acordo com as ideias que guiaram a Grande Revolução Socialista de Outubro, as ideias Marxistas de Lénine.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 26 de Dezembro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Nós devemos também notar que a maioria dos membros do partido se encontravam sob a influência da burguesia nacional chinesa e, de facto, o revisionismo Maoista serviria principalmente os interesses desta burguesia nacional contra os imperialismos estrangeiros e a burguesia pró-imperialista:



(…) os novos quadros do partido eram influenciados por um forte sentimento de nacionalismo chinês, de independência deste “grande estado” e pelas ideias filosóficas de Confúcio, Mêncio, etc. Isto impediu que os camaradas chineses, que se estavam a formar durante as lutas e batalhas, considerassem o Marxismo-Leninismo como a verdadeira bússola que os guiaria na noite escura da revolução democrático-burguesa chinesa e também os impediu de elaborarem uma linha política Marxista-Leninista com objectivos claros que os pudesse iluminar ao longo das várias etapas da revolução chinesa.



O Partido Comunista da China adoptou apenas alguns slogans e fórmulas Marxistas, mas na sua essência ele não era um verdadeiro partido do proletariado, ele não era um verdadeiro partido da revolução que pudesse assegurar a liderança na revolução democrática bem como a sua transformação na revolução proletária. De facto, uma série de desvios e de teorias anarquistas desenvolveram-se dentro das suas fileiras. O próprio caminho seguido pela China desde a fundação da república democrático-burguesa de Sun Yat-Sen até aos dias de hoje é testemunha deste curso caótico.



O Partido Comunista da China deveria ter-se fortalecido ideológica e organizacionalmente, deveria ter trabalhado para construir a sua identidade e, passo a passo, ele deveria ter criado as suas alianças com as classes e forças revolucionárias, deveria ter lutado pela consolidação das posições da democracia burguesa que estava a ser construída, ou seja, deveria ter assegurado as liberdades democráticas do povo, deveria ter aumentado a sua influência no seio do povo e, em primeiro lugar, do proletariado (…) deveria ter-se esforçado por atingir posições dominantes nos sindicatos e por dar continuidade a sua propaganda de classe de forma a consolidar as suas posições no seio da classe trabalhadora que seria a força determinante da revolução.”



Ao mesmo tempo, o PCC deveria ter estendido a sua influência ás zonas rurais (…) e deveria ter sido mais consistente na implementação da reforma agrária e do despertar político e educacional das regiões rurais da China.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 26 de Dezembro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Além do mais, o PCC operava num estado de total desorganização, sem sequer tentar seguir as indicações e as directivas que o Comintern de Lénine lhe transmitia. O Camarada Lénine analisou a situação na China e, no seu segundo Congresso, o Comintern defendeu:



(…) a tese de que “a revolução na China e nos outros países coloniais deve ter um programa que permita a inclusão de reformas burguesas e, especialmente, a reforma agrária”, mas sublinhou que a liderança da revolução não deve ser cedida á burguesia democrática; pelo contrário, as decisões do Congresso dizem que o partido do proletariado deve elaborar uma propaganda sistemática e efectiva a favor dos sovietes e deve organizar Sovietes de operários e camponeses o mais rapidamente possível. Esta era a linha geral do Comintern, que deveria ter sido também seguida pelo PCC.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 26 de Dezembro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Consequentemente, o Camarada Enver conclui que:



(…) do ponto de vista do socialismo científico, o Partido Comunista da China não levou a cabo o papel que lhe competia na situação existente na China de forma ponderada e sistemática.


(…) existiam várias tendências no seio daquele pequeno partido que se auto-denominava Partido Comunista da China, tendências que nunca permitiram que se estabelecesse uma correcta linha Marxista-Leninista, ou uma acção e pensamento Marxista-Leninista que pudesse guiar o partido. Estas tendências iniciais que afectaram mesmo os principais líderes do partido eram frequentemente esquerdistas, ás vezes oportunistas de direita, ás vezes centristas, ou até anarquistas, Trotskistas, burguesas, chauvinistas e racistas. Estas tendências permaneceram como uma das características distintivas do PCC que Mao Zedong e o seu grupo vieram posteriormente a liderar.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II 26 de Dezembro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Como se pode observar nestes excertos, o Camarada Enver Hoxha expôs os desvios e os erros ideológicos que iriam afectar grandemente o futuro curso do Partido “Comunista” da China e a sua aceitação total do revisionismo e do social-imperialismo. Ele fê-lo de uma maneira correcta, adequada e Marxista-Leninista. Por isso, não há necessidade de falar mais acerca dos inícios do PCC.


Agora que já tomámos as suas origens em consideração, vamos analisar o revisionismo Maoista em si mesmo.



Tal como já referimos, a facção “radical” da burguesia nacional continuou a sua luta contra os senhores feudais e a burguesia pró-imperialista que a república Chinesa de Sun Yat-Sen foi incapaz de aniquilar.


Em 1931, o imperialismo Japonês ocupou a China e em 1939, a Segunda Guerra Mundial começou. O PCC lutou contra o fascismo nipónico e contra as secções da burguesia chinesa que estavam do lado dos Japoneses e que os estavam a ajudar a dominar a China e a ganhar a guerra. Apoiado pelos camponeses e por algumas massas trabalhadoras, o PCC desempenhou um papel decisivo na derrota dos japoneses na Guerra de Libertação Nacional. No entanto, o PCC não pôde ainda subir ao poder por causa da oposição do Kuomintang. Desde o final dos anos 20 que o PCC e o Kuomintang se envolveram numa guerra pelo domínio político, mas em 1931 eles atingiram uma certa unidade quando começou a luta contra o imperialismo Japonês. Mas após o fim da Segunda Guerra Mundial, o PCC não conseguiu o poder político precisamente porque a guerra contra os Japoneses foi substituída pela guerra contra o Kuomintang. Ambas as forças representavam secções diferentes da burguesia chinesa: o PCC representava a burguesia nacional mais “progressista”, enquanto que o Kuomintang de Chiang Kai-shek representava a burguesia abertamente reaccionária ligada ao Imperialismo Americano. No entanto, tal como o Camarada Enver Hoxha notou, não foi só o Kuomintang que manteve uma relação próxima com o Imperialismo Americano, de facto, o PCC fez o mesmo e, como veremos mais adiante, os “comunistas” chineses revelaram-se os melhores aliados do Imperialismo Americano no que respeita a evitar que o proletariado mundial seguisse o caminho da revolução e da edificação do socialismo e do comunismo.


Finalmente, em 1949, o PCC saiu vitorioso da guerra contra o Kuomintang e a revolução progressista democrático-burguesa, anti-feudal e anti-colonial triunfou na China.


A verdade, no entanto, é que as ideias revisionistas de Mao já existiam muitos anos antes da tomada do poder democrático-burguesa. Um dos textos mais emblemáticos do chamado “Pensamento Mao Zedong” está contido no livro “Nova Democracia” que foi escrito em 1940. Nesta obra, Mao Zedong revela claramente as suas influências burguesas. Ele afirma que:



Durante muitos anos, nós Comunistas temos lutado pró uma revolução cultural bem como por uma revolução política e económica, e o nosso objectivo é construir uma nova sociedade e um novo estado para a nação chinesa.”



Mas após dizer isto, Mao explica o que é que os “comunistas” chineses querem realmente dizer com esta “nova sociedade” e com este “novo estado”:



Nós queremos livrar-nos das velhas teorias políticas e económicas colonialistas, semi-colonialistas e semi-feudais, bem como da velha cultura que as serve.”



Aqui, podemos facilmente notar a animosidade da burguesia “progressista” em relação aos imperialistas estrangeiros, á burguesia pró-imperialista e aos senhores feudais que representavam a “velha cultura” e que estavam a impedir a burguesia nacional “progressista” de atingir o poder político e de concretizar os seus próprios interesses de classe. De facto, nós podemos considerar Mao uma espécie de porta-voz da burguesia nacional chinesa.



No livro “Nova Democracia”, Mao também apresenta a sua famosa tese das duas revoluções:



Ao longo da sua história, a revolução chinesa deve atravessar duas fases, em primeiro lugar, a da revolução democrática, e em segundo lugar, a da revolução socialista; que pela sua própria natureza são dois processos revolucionários diferentes. A democracia já não pertence mais á velha categoria – já não é a velha democracia, mas pertence sim a uma nova categoria – é a Nova Democracia.”



Em primeiro lugar, devemos notar que, pelo que temos observado, Mao nunca explica exactamente como é que a primeira fase da revolução, a da revolução democrática se vai transformar na segunda fase, aquela da revolução socialista. Ele apenas afirma que a Revolução Chinesa vai ter duas fases e que a primeira fase não será “uma democracia qualquer, mas sim uma democracia de tipo chinês, de um tipo novo e especial, nomeadamente, a Nova Democracia.”


Esta divisão da revolução chinesa em “dois processos revolucionários diferentes” é uma das teorias que é qualificada pelos Maoistas como uma “inovação” do Marxismo-Leninismo. Mas infelizmente para os revisionistas do Marxismo-Leninismo-Maoismo, esta teoria constitui uma dos sinais mais óbvios do carácter reaccionário da “Nova Democracia” Maoista.


Após a tomada do poder pelos Krushchevistas na União Soviética, quase todos os partidos “comunistas” que aceitaram a traição revisionista na U.S começaram a qualificar os partidos e os militantes Maxistas-Leninistas que recusavam seguir o seu curso direitista como “ultra-esquerdistas” e “demagogos”. No entanto, 16 anos antes do golpe de estado anti-socialista de Khrushchev, Mao Zedong já rotulava aqueles que recusavam as suas ideias Trotskistas e Boukharinistas como “demagogos esquerdistas”. De facto, este é o título de um dos principais capítulos do seu livro “Nova Democracia”. Nesse capítulo ele afirma frontalmente:


Se o caminho capitalista da ditadura burguesa está fora de questão, será então possível seguir o caminho socialista da ditadura proletária?


Não, isso também não é possível.”


No mesmo capítulo, Mao vai mais longe e faz uma afirmação que é totalmente surpreendente:


(…) há pessoas, aparentemente sem más intenções (?!!), que são iludidas pela “teoria da revolução única” e pela tentação de “concretizar tanto a revolução política como a revolução económica de uma só vez”; eles não compreendem que a nossa revolução está dividida em fases, que nós só podemos avançar para a próxima fase da revolução depois de realizarmos a fase anterior, e que não existe essa coisa de “concretizar ambas as fases de uma só vez”.


Esta teoria errada baseada na falsa presunção de que é essencial desenvolver o capitalismo antes de avançar para a revolução socialista. Esta presunção anti-socialista tem a sua origem na oposição anti-Bolchevique e anti-Leninista no contexto da revolução de Outubro de 1917 e constituiu um dos principais “argumentos” usados pela oposição burguesa para destruir a revolução de Outubro e para restaurar o capitalismo na Rússia com a desculpa de que “as condições económicas na Rússia ainda não estão prontas para a edificação socialista”.


De facto, existe uma grande proximidade entre o Maoismo e outra grande tendência revisionista: o Trotskismo. Tal como o Maoismo, o Trotskismo tentou glorificar e perpetuar a ditadura burguesa ao defender que a revolução socialista é impossível sem o desenvolvimento do capitalismo. Ambos os revisionismos também tentaram convencer as massas oprimidas de que é possível construir o socialismo com base em classes não-proletárias.


Na realidade, a revolução de Outubro foi o precedente histórico que permitiu que Lénine afirmasse:


[…] com a ajuda do proletariado dos países avançados, mesmo as nações mais atrasadas podem estabelecer o regime soviético e, após passarem por certas etapas, eles podem atingir o comunismo sem terem de passar pela fase capitalista.” (Lenin, “IIIe Congrès de l'Internationale communiste”, Oeuvres, Paris-Moscou, 1965, traduzido a partir da edição francesa).


Além disso, os exemplos da União Soviética dos Camaradas Lénine e Estaline e da Albânia Socialista do Camarada Enver Hoxha expõem o carácter ultra-revisionista da seguinte afirmação de Mao:


Não é possível edificar o socialismo sem passar pela fase democrática, e isto é uma lei do Marxismo.” (Mao Zedong, « Du gouvernement de coalition », Oeuvres choisies, Pékin, 1968, traduzido a partir da edição francesa).


Ambos os países possuíam sistemas político-económicos com características feudais e semi-feudais. No entanto, nem Lénine, nem Estaline, nem Enver Hoxha alguma vez pensaram em adiar a revolução socialista simplesmente porque a “democracia” burguesa e o capitalismo não estavam ainda suficientemente desenvolvidos nos seus respectivos países. Defender o contrário significa renunciar ao estabelecimento da ditadura do proletariado e á edificação do socialismo e do comunismo.



Como disse o Camarada Enver Hoxha:


A experiência Albanesa prova que mesmo um pequeno país atrasado material e tecnicamente pode experimentar um grande desenvolvimento económico e cultural, pode assegurar a sua independência e pode também derrotar os ataques do capitalismo mundial e do imperialismo se esse país for liderado por uma verdadeiro partido Marxista-Leninista e se estiver decidido a lutar até ao fim pelos seus ideais confiando sempre na sua realização.” (Enver Hoxha, Report to the VIII Congress of the PTA, Tirana, 1981, traduzido a partir da edição em Inglês).



E como correctamente compreendeu o Partido do Trabalho da Albânia:


O nível de desenvolvimento do capitalismo num determinado país não pode ser considerado como o factor decisivo ou determinante no que respeita á vitória da revolução socialista.” (Parti du Travail d’Albanie, Histoire de la construction socialiste en Albanie, Tirana, 1988, traduzido a partir da edição em Francês).





Os comunistas Albaneses começaram a aplicar a sua ideologia Marxista-Leninista antes mesmo de a Libertação do seu país estar completa, quando eles expropriaram os depósitos privados de cereais nas áreas que iam libertando do controlo das forças do Eixo. Menos de dois anos após a Liberação, quase todas as indústrias e meios de produção da Albânia foram nacionalizados, e as terras pertencentes aos grandes latifundiários foram também expropriadas e distribuídas pelos camponeses sem terra. Os comunistas albaneses seguiram fielmente os ensinamentos de Lénine e de Estaline e foi esta firmeza ideológica que permitiu que a Albânia Socialista tenha sobrevivido ao cerco imperialista e revisionista. Devemos notar que a Albânia Socialista seguiu um caminho contrário ao dos estados social-fascistas. Desde meados dos anos 50, esses estados social-fascistas empenhavam-se em restaurar o capitalismo e as novas classes oligárquicas consolidavam o seu poder e exploravam o povo disfarçando-se com máscaras “socialistas”. Resumindo, a tendência geral nos estados de democracia popular era para o enfraquecimento e aniquilação da ditadura do proletariado. No entanto, no mesmo período, nós observamos que na Albânia Socialista a colectivização da economia em geral e da agricultura em particular estava a intensificar-se, que a ditadura proletária era forte e implacável com os inimigos do socialismo, dando-lhes o tratamento por eles mereciam (contrariamente ao que acontecia nos países revisionistas, onde o “humanismo” burguês estava a impedir o uso da violência revolucionária contra os reaccionários), que a democracia socialista era mais completa do que nunca, que as condições de vida da população melhoravam a olhos vistos, etc. Ou seja, era claramente perceptível que a Albânia não estava apenas a construir o socialismo, ela estava também a avançar em direcção ao comunismo.



Um exemplo da correcção ideológica que caracterizou as acções do PTA traduz-se em que mesmo na primeira fase da reforma agrária, os comunistas Albaneses tiveram sempre consciência de que a pequena propriedade não era mais do que uma etapa temporária, que o seu objectivo era a colectivização de toda a terra. E mesmo quando as zonas rurais já estavam organizadas em cooperativas socialistas, os comunistas Albaneses nunca pararam a sua actividade militante em favor da transformação das cooperativas em propriedade do estado socialista, porque durante o socialismo a forma cooperativa de propriedade é também uma forma transitória, e apenas a sua transformação em propriedade de todo o estado socialista é compatível com o comunismo. O problema com a forma cooperativa de propriedade (da qual os Titoistas e os anarquistas tanto gostam…) é que ela não elimina totalmente o sentido da propriedade privada e do egoísmo burguês, porque a cooperativa é propriedade dos trabalhadores de uma certa área geográfica, não é propriedade do estado de ditadura do proletariado. Assim, isto pode conduzir a situações nas quais os trabalhadores se possam sentir tentados a favorecer os interesses da sua cooperativa regional em detrimento dos interesses de todo o estado proletário. Infelizmente, a tomada do poder pelos revisionistas na Albânia aconteceu antes de os comunistas albaneses terem transformado todas as cooperativas em propriedade de todo o estado, mas a aplicação do Marxismo-Leninismo na Albânia socialista está em total contraste com a concepção Maoista de que:


A república vai tomar certas medidas para confiscar a terra aos latifundiários e distribuí-la aos camponeses que não tenham terra, vai levar a cabo os slogan de Sun Yat-Sen “a terra a quem a trabalha”, vai abolir as relações feudais nas áreas rurais, e vai tornar a terra em propriedade privada dos camponeses. Vai ser permitida nas áreas rurais a existência de uma economia de camponeses ricos. É esta a política da “redistribuição da posse da terra”. “A terra a quem a trabalha” é o slogan correcto para esta campanha. (…) a agricultura socialista não será estabelecida nesta fase (…).” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


A Revolução Socialista Albanesa também teve várias etapas: a primeira etapa foi a da libertação do país e da conquista do poder político pelo proletariado; a segunda foi a da edificação da base económica do socialismo; e a terceira etapa foi a da revolução ideológica e cultural. Mas estas etapas eram muito diferentes das fases propostas por Mao. Enquanto este último separa completamente a fase democrática da fase socialista (Mao nem sequer explica como é que a fase democrático-burguesa se vai transformar na fase socialista), as três etapas da revolução socialista albanesa, longe de estarem separadas, estão intimamente relacionadas umas com as outras. A etapa da libertação do país deve conter elementos da edificação económica do socialismo, enquanto que esta segunda etapa não pode ser realizada sem a tomada do poder pelo proletariado; e finalmente, a revolução ideológica não pode ser concretizada sem as outras duas etapas ao mesmo tempo que as ajuda a consolidar. O que isto significa é que só houve uma Revolução Socialista na Albânia, e estas três fases indicam meramente as tarefas mais importantes em cada período revolucionário (respectivamente: conquista do poder político, edificação económica do socialismo e revolução cultural). As três “fases” da Revolução Socialista Albanesa fundem-se entre si.



Isto nada tem que ver com a concepção Maoista que imagina “dois processos revolucionários diferentes”, nos quais o capitalismo deve ser desenvolvido e nos quais a cooperação entre o proletariado e a burguesia e seus partidos é vista como um fim definitivo.


No seu livro Nova Democracia, Mao faz uma afirmação surpreendente relativamente á revolução de 1911 liderada por Sun Yat-Sen. Mao começa por dizer que esta revolução teve um carácter democrático-burguês, mas depois ele afirma que após a revolução socialista de Outubro de 1917, o carácter da revolução chinesa de 1911 se alterou:


Antes destes acontecimentos, a revolução democrático-burguesa chinesa incluía-se na velha categoria da revolução mundial democrático-burguesa, da qual fazia parte.


Desde estes acontecimentos, a revolução democrático-burguesa chinesa mudou, ela passou a incluir-se dentro da nova categoria das revoluções democrático-burguesas e, no que respeita ao alinhamento das forças revolucionárias, ela faz parte da revolução mundial proletária e socialista.” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


Esta “fórmula” que considera que, após a revolução de Outubro de 1917, todas as revoluções democrático-burguesas fazem parte da revolução mundial proletária e socialista será largamente aplicada por Mao:


Nesta era, qualquer revolução numa colónia ou semi-colónia que seja dirigida contra o imperialismo, e contra a burguesia internacional ou o capitalismo internacional, já não faz parte da velha categoria da revolução mundial democrático-burguesa, mas sim de uma nova categoria.


Essa revolução já não se inclui na velha revolução mundial burguesa ou capitalista, mas inclui-se na nova revolução mundial, na revolução mundial proletária e socialista. Essas colónias e semi-colónias revolucionárias não podem mais ser vistas como aliadas da frente contra-revolucionária do capitalismo mundial; elas tornaram-se aliadas da frente revolucionária do socialismo mundial.” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


Esta afirmação é completamente falsa. Nós, Marxistas-Leninistas, nunca podemos confundir a revolução anti-imperialista e anti-feudal com a verdadeira revolução proletária e socialista. Fazer o contrário é enganar as massas. Uma coisa é considerar que a revolução anti-imperialista e anti-feudal pode abrir o caminho para a revolução socialista, que ela pode facilitar a luta proletária pelo socialismo. Isto é verdade, mas para que seja concretizado é necessário que o proletariado seja capaz de aproveitar e de fazer avançar as características mais progressivas da revolução anti-imperialista de forma a transformá-la numa revolução socialista.


Outra coisa completamente diferente é afirmar que as revoluções anti-imperialista se anti-feudais são partes integrantes da revolução proletária e socialista mundial. Esta teoria é totalmente anti-Marxista e anti-comunista que propaga a colaboração de classe com a burguesia:


Apesar de essa revolução num país colonial ou semi-colonial ser ainda fundamentalmente uma revolução democrático-burguesa durante as suas primeiras fases, e apesar da sua missão objectiva ser preparar o caminho para o desenvolvimento do capitalismo, ela já não é uma revolução do velho tipo liderada pela burguesia com o propósito de estabelecer uma sociedade capitalista e um estado de ditadura burguesa. Ela pertence sim ao novo tipo de revolução liderada pelo proletariado com o objectivo, na primeira fase, de estabelecer uma sociedade de nova democracia sob a ditadura conjunta de todas as classes revolucionárias.”


Apesar de a revolução chinesa na sua primeira fase ser um novo tipo de revolução democrático-burguesa e não ser ainda uma revolução de carácter proletário e socialista, ela há muito que passou a fazer parte da revolução mundial proletária e socialista e é agora uma parte muito importante e uma grande aliada desta revolução mundial. A primeira fase da nossa revolução não será nem poderá ser o estabelecimento de uma sociedade capitalista sob a ditadura da burguesia chinesa, mas resultará sim no estabelecimento de uma sociedade de nova democracia sob a ditadura conjunta de todas as classes revolucionárias da China, encabeçadas pelo proletariado chinês.” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


Assim, de acordo com Mao, todas as “classes revolucionárias” deveriam colaborar na “ditadura conjunta”. Mas o que quer Mao dizer com “todas as classes revolucionárias”? Com esta afirmação, Mao permite que o processo revolucionário seja liderado pela burguesia nacional, porque no contexto da revolução democrático-burguesa contra o feudalismo e o colonialismo, a burguesia patriótica e nacional pode perfeitamente ser considerada como um “classe revolucionária”. O que Mao está a dizer é que o proletariado deve colaborar com a burguesia nacional no desenvolvimento de uma “revolução que sirva o propósito de assegurar o caminho para o desenvolvimento do socialismo.” Afirmar que o proletariado deve depender da ajuda da burguesia para construir o socialismo constitui uma negação completa dos mais básicos princípios Leninistas. A verdade é que o poder político pertence á classe que detém os meios de produção e as relações produtivas que formam a base material da sociedade, e por causa disso, na verdadeira ditadura proletária, as classe revolucionárias proletárias recusam-se a partilhar o poder com a burguesia, não importa se é com a burguesia reaccionária ou se é com a burguesia “progressista”. Num verdadeira democracia proletária, o proletariado nunca deixará a burguesia “progressista” liderar a revolução; de facto, a principal tarefa do proletariado é não apenas eliminar a burguesia enquanto classe, mas também eliminar todas as suas influências ideológicas e culturais, porque não há outra maneira de assegurar a vitória do socialismo e do comunismo.


Contrariamente a Lénine, Mao parece pensar que é positivo para o proletariado colaborar e partilhar o poder com a burguesia nacional “progressista”, e isto significa que na “Nova Democracia” Maoista, a burguesia vai continuar a existir enquanto classe. Se a burguesia continuar a existir enquanto classe, então ela irá certamente controlar os meios de produção em detrimento do proletariado, ela manterá o poder económico nas suas mãos! No final, Mao nega frontalmente a necessidade da liderança do proletariado nesta “Nova Democracia”:


Não interessa que classes, partidos ou indivíduos se juntam á revolução num país oprimido, e não interessa se eles próprios estão conscientes do que sucede ou não; desde que se oponham ao imperialismo, a sua revolução torna-se parte da revolução mundial proletária e socialista e eles tornam-se seus aliados.” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


Assim, para Mao, o proletariado e a burguesia nacional, os explorados e os exploradores estavam todos no mesmo barco, eles não tinham interesses irreconciliáveis entre si; pelo contrário, eles deveriam unir-se na revolução “anti-imperialista”, porque fazendo isto, até a burguesia se pode tornar numa aliada da “revolução socialista e proletária mundial”!


Como se isto não fosse suficiente, Mao vai ainda mais longe com as suas teorias ultra-oportunistas e reaccionárias:


Esta nova república democrática será diferente da velha república Europeia e Americana que se constituiu sob a ditadura da burguesia, que é a democracia do velho tipo e que já está ultrapassada. Por outro lado, essa nova república democrática será também diferente da república socialista de tipo soviético que se constituiu sob a ditadura do proletariado e que se desenvolve na U.R.S.S (…).


Por isso, os múltiplos tipos de sistemas políticos do mundo podem ser resumidos a três tipos básicos, de acordo com o carácter de classe do poder político: (1) repúblicas de ditadura burguesa; (2) repúblicas de ditadura do proletariado; e (3) repúblicas de ditadura conjunta de várias classes revolucionárias.” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


Como pode ser observado, Mao defende uma espécie de “terceira via”, nem a “ditadura burguesa” nem a “ditadura proletária”. Isto é muito semelhante á velha teoria anti-comunista que diz “nem capitalismo, nem socialismo” e que ainda é muito usada hoje em dia por numerosas tendências libertárias e pequeno-burguesas. Este slogan da “terceira alternativa” traduz-se numa ideologia ultra-reaccionária que serve para perpetuar o capitalismo porque, como já foi referido, o poder político e económico pertence á classe que detém os meios de produção, á classe que controla as relações produtivas que constituem a base material da sociedade. Enquanto este controlo dos meios económicos e materiais de produção não for conquistado pelo proletariado através da violência revolucionária, ele irá sempre pertencer á classe burguesa exploradora. Quando dizemos “nem ditadura burguesa, nem ditadura proletária”, como faz Mao, então nós estamos automaticamente a favorecer a ditadura burguesa. Isto acontece porque a ditadura proletária é o único meio para se eliminar definitivamente a ditadura burguesa; por isso, se nós negarmos a necessidade da ditadura do proletariado, nós estamos a servir e a defender a ditadura burguesa. Mao considera que a burguesia e o proletariado podem “partilhar” o poder estatal, mas isto é completamente impossível. Não pode existir um estado no qual ambas as classes possuam o poder político e “partilhem” esse poder. Ou é o proletariado que detém o poder, ou é a burguesia. Não existe “terceira via” porque aquilo que não revolucionário, é necessariamente reaccionário. Todos aqueles que não são a favor da ditadura proletária e a favor da sociedade comunista são necessariamente a favor da ditadura burguesa e do sistema capitalista. A burguesia e o proletariado são duas classes cujos interesses são irreconciliáveis. Pela sua própria natureza e origens, a burguesia e o proletariado tem missões históricas a desempenhar que são radicalmente opostas. Não há qualquer possibilidade de estas duas classes governarem sob uma “ditadura conjunta” como Mao propõe, porque essa “partilha de poder” e essa “ditadura conjunta” serão inevitavelmente a favor da burguesia, porque não importa o quão “progressista”, “liberal” e “patriótica”, a classe burguesa tem sempre um carácter explorador e reaccionário; e até ao estabelecimento da ditadura do proletariado, a burguesia é a classe controla o poder económico e controla as forças produtivas que determinam todo e qualquer aspecto da sociedade humana incluindo o poder político, obviamente. Por isso, quando Mao afirma que a “Nova Democracia” recusa a ditadura do proletariado, isso significa que essa “Nova Democracia” será certamente um sistema político-económico no qual a escravatura assalariada se vai perpetuar, e no qual a burguesia nacional e “progressista” vai continuar a explorar as massas trabalhadoras.


As concepções Maoistas constituem um desvio profundo á estratégia Leninista da eventual necessidade de uma aliança entre o proletariado e certas facções da burguesia no período antecedente da revolução socialista e proletária. Esta estratégia Leninista defende que, em certas condições, poderá ser benéfico para o proletariado fazer alianças com camadas não-proletárias. É claro que estas alianças devem ser sempre temporárias, elas nunca podem ser vistas como um fim em si mesmas, e elas só devem ser feitas quando sejam úteis para fortalecer as posições do proletariado. Além do mais, o partido proletário não deve nunca fazer concessões no que respeita aos princípios ideológicos e organizacionais do Marxismo-Leninismo. Consequentemente, um dos aspectos que distingue o Marxismo-Leninismo do Maoismo é que o primeiro nunca se afasta do princípio de que este tipo de alianças não são mais do que situações temporárias e de que o partido Marxista-Leninista deve sempre persistir no seu objectivo de destruição da burguesia mesmo quando esteja em aliança temporária com ela. Na realidade, após a implementação da ditadura proletária, não pode haver outros partidos além do partido proletário e comunista, não pode haver outros interesses de classe além dos das classes proletárias (a classe operária, os camponeses e os intelectuais nascidos destas duas classes), e não pode haver outra ideologia que não seja o Marxismo-Leninismo (isto não significa que as influências burguesas não se vão fazer sentir ainda durante algum tempo, mas a tendência deve ser sempre para o seu desaparecimento inexorável, ao contrário do que aconteceu na China Maoista).


De facto, mais do que entrar numa aliança e partilhar o poder com a burguesia, aquilo que Mao propõe é que o proletariado deve ser controlado pelos partidos “democráticos” (ou seja, burgueses):


A possibilidade de que os partidos democráticos possam existir durante um longo período não é apenas determinada pelos desejos do partido comunista, isso depende também do comportamento desses partidos democráticos e da confiança que o povo deposita nesses partidos. […] É claro que o controlo mútuo não é unilateral, o Partido Comunista controlará os partidos democráticos e estes partidos democráticos controlarão igualmente o Partido Comunista.” (Mao Zedong, De la juste solution des contradictions au sein du people, Textes choisis, Pékin, 1972, p. 509, traduzido a partir da edição em Francês).


Se ainda existissem dúvidas acerca a natureza reaccionária e anti-comunista do “Pensamento Mao Zedong”, aqui está a resposta final. Aquilo que Mao está a defender é que o proletariado e o partido comunista devem apoiar-se nos partidos burgueses e nos elementos não-comunistas com o objectivo de … atingir o comunismo! Isto é totalmente ilógico do ponto de vista Marxista-Leninista. Para se edificar o comunismo, é indispensável aniquilar sem piedade TODAS as classes burguesas e exploradoras (a burguesia imperialista, os grandes latifundiários, a burguesia reaccionária, a burguesia “progressista”, etc. …). Além do mais, no estado de ditadura do proletariado, só pode haver um único partido, que constituirá a vanguarda da classe trabalhadora que lidera as massas oprimidas em direcção ao socialismo e ao comunismo. Após o estabelecimento e a consolidação do poder proletário, é ilógico e reaccionário admitir e defender a existência de quaisquer outros partidos que representem classes não-proletárias. O partido proletário deve liderar as classes exploradas e isso constitui um dos principais instrumentos através do qual o proletariado exerce a violência revolucionária armada contra as classes burguesas e opressoras. É por isso que quase todos os tipos de revisionismo negam o papel dominante do partido proletário e comunista. É muito interessante observar a forma como as concepções Marxistas-Leninistas do Camarada Enver Hoxha estão em total contraste com as de Mao:


A revolução é uma ruptura com o antigo mundo e com as antigas tradições. Nós nunca devemos esquecer que a luta de classes continua durante o período de edificação da sociedade socialista e também enquanto a sociedade comunista não estiver completamente assegurada. Durante todo este tempo, os partidos políticos expressam os interesses de certas classes. Apenas um oportunismo absurdo pode defender a existência de partidos não-proletários no sistema de ditadura do proletariado, especialmente após a edificação da base económica do sistema socialista. Esta evolução, longe de constituir uma violação da liberdade, está de facto a consolidar a autentica democracia proletária. O carácter de uma determinada ordem social não é determinado pelo número de partidos, mas sim pela sua base económica, pela classe que controla o poder político, pela política de estado que está ou não ao serviço das massas.


Os revisionistas modernos (…) negam o papel do partido proletário na conquista do poder ena edificação do socialismo. A sua propaganda até argumenta que é possível atingir o socialismo tendo os partidos burgueses e pequeno-burgueses como forças dominantes. (…) Esta concepção representa uma traição total aos princípios Marxistas-Leninistas e á causa revolucionária da classe operária.” (Enver Hoxha citado por Gilbert Mury in Enver Hoxha contre le revisionisme, Paris, 1972, traduzido a partir da edição em Francês).






E ao referir-se á Frente Democrática da Albânia, o Camarada Enver Hoxha sublinha que:


Esta frente não é um partido político, nem é uma coligação de partidos políticos: no nosso país, não existem outros partidos políticos além do Partido do Trabalho da Albânia.” (Enver Hoxha citado por Gilbert Mury in Enver Hoxha contre le revisionisme, Paris, 1972, traduzido a partir da edição em Francês).



A falsa fraseologia “Marxista” usada por Mao quando ele diz que a “Nova Democracia” recusará a “ditadura burguesa” e que “a república democrática chinesa deve ser uma república democrática sob a ditadura conjunta do povo anti-imperialista e anti-feudal liderado pelo proletariado (…).” não é mais do que uma tentativa para esconder o carácter democrático-burguês e anti-imperialista das concepções ideológicas Maoistas. É por isso que os revisionistas chineses sempre apoiaram os “movimentos dos não-alinhados”; porque esses movimentos pequeno-burgueses também tinham a mesma tendência para recusarem quer o imperialismo quer a revolução socialista enquanto serviam os interesses das burguesias nacionais dos países semi-coloniais que se queriam livrar das limitações impostas pelos capitalistas estrangeiros e pela burguesia pró-imperialista com o propósito de conduzirem o sistema capitalista em favor dos seus próprios interesses (a teoria social-fascista dos “três mundos”, que analisaremos mais adiante, tem as suas origens no carácter oportunista e pequeno-burguês da ideologia Maoista).



No seu livro Reflexões sobre a China, o Camarada Enver Hoxha caracterizou a “Nova Democracia” Maoista de uma maneira muito acertada:


Mao Zedong e os camaradas em seu redor não eram verdadeiros Marxistas-Leninistas, eles eram democratas burgueses progressistas, eram Marxistas em aparência e em fraseologia, mas que lutaram até ao fim pela consolidação de um grande estado democrático-burguês de tipo progressista, pela “Nova Democracia”, como lhe chamava Mao Zedong.” (Enver Hoxha, Reflections on China, 26 de Dezembro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).





As concepções oportunistas, revisionistas e anti-Marxistas de Mao também podem ser observadas nas suas descrições acerca dos aspectos económicos da “Nova Democracia”:


Na república de democracia-burguesa sob a liderança do proletariado, as empresas estatais terão um carácter socialista e constituirão a força dominante de toda a economia nacional, mas a república não irá confiscar a propriedade privada capitalista em geral nem irá proibir o desenvolvimento da produção capitalista, pois a república não pretende “dominar o ganha-pão do povo” e a economia da China é ainda muito atrasada.” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


Este parágrafo constitui uma admissão feita pelo próprio Mao de que a “Nova Democracia” não será nada mais do que a ditadura social-fascista da burguesia nacional. Se a república não vai “confiscar a propriedade privada capitalista em geral nem irá proibir o desenvolvimento da produção capitalista”, então como é que o proletariado vai concentrar os meios de produção nas suas mãos com o propósito de conquistar o poder político? Todos os Marxistas-Leninistas sabem que enquanto a propriedade privada capitalista e a produção capitalista continuarem a existir, isso significará sempre a perpetuação da escravatura assalariada e da exploração do homem pelo homem.



A economia da China deve desenvolver-se de acordo com a “regulação do capital” e da “redistribuição da propriedade da terra”, e nunca se deverá permitir que a terra seja “propriedade privada de uma minoria”; nós nunca devemos permitir que alguns capitalistas e latifundiários dominem o ganha-pão do povo; nós não devemos estabelecer nunca uma sociedade capitalista do tipo Europeu-Americano nem permitir que a antiga sociedade semi-feudal sobreviva.” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


Como já dissemos, o PCC representava os interesses da burguesia nacional anti-imperialista. É perfeitamente normal que os seus objectivos estivessem limitados á luta contra o imperialismo japonês e contra a burguesia pró-imperialista. Aliás, todos os objectivos do PCC foram sempre mantidos dentro dos limites da revolução burguesa democrática e anti-colonial, precisamente porque a classe que liderava a revolução e que tinha conquistado o poder na China em 1949 foi a burguesia nacional “radical” e não o proletariado. O grande problema do chamado “Pensamento Mao Zedong” é que Mao tenta esconder as suas ideias burguesas e reaccionárias por detrás dos disfarces “socialistas” e “revolucionários” que continuam a iludir as massas trabalhadoras oprimidas que vêem o Maoismo como um “desenvolvimento” do Marxismo-Leninismo, quando na verdade o Maoismo é uma deformação do Marxismo-Leninismo, quando de facto o Maoismo serve não para eliminar o sistema capitalista, mas sim para o perpetuar em favor dos interesses da secção “progressista” da burguesia nacional. Os slogans anti-monopolistas feitos por Mao são prova disso mesmo. As concepções Maoistas são assustadoramente semelhantes ao Keynesianismo burguês e ao anti-monopolismo de muitos partidos revisionistas. E antes que os fascistas do MLM comecem a gritar que tudo isto não é mais do que a imaginação dos Hoxhaistas, aqui está a confirmação do que está a ser dito vinda da boca do próprio Mao:


A revolução da Nova Democracia só quer eliminar o feudalismo e o capitalismo monopolista, só quer eliminar os grandes latifundiários e a burguesia burocrática, e não o capitalismo em geral, não as camadas superiores nem da pequena-burguesia, nem da média burguesia.” (Mao Zedong, «La situation actuelle et nos tâches», Oeuvres choisies, Pékin, 1967, t. IV, traduzido a partir da edição em Francês).


Um dos principais objectivos do revisionismo chinês é “regular” o capitalismo de forma a manter o sistema de exploração, o seu objectivo é tentar evitar as crises periódicas do capitalismo ao mesmo tempo que nega o carácter proletário da revolução.



Quando estudamos o “Pensamento Mao Zedong”, nós notamos facilmente que as suas ideias estão intimamente relacionadas com aquelas de um dos mais famosos líderes revisionistas europeus: Maurice Thorez, o líder do Partido Revisionista Francês. Um dos exemplos históricos mais conhecidos das relações revisionistas entre a burguesia e o partido “comunista” é precisamente o da Frente Popular de 1936, cujos objectivos foram claramente identificados pela liderança revisionista francesa como estando reduzidos á “Paz, Pão e Independência para todos.” Pode alguém imaginar um slogan mais reaccionário, reformista, capitulacionista e anti-socialista do que este? Tal como Mao, Thorez também configurava o partido comunista como um partido de várias classes. Se Mao encarava a revolução anti-imperialista como sendo o objectivo final que justifica a aliança permanente com a burguesia “progressista”, Thorez fez o mesmo com a divisa oportunista da “Frente Unida da nação Francesa contra as classes oligárquicas”. Tal como Mao, Thorez também defendia uma unidade anti-monopolista:


De acordo com as condições sociais existentes. A nossa sociedade seta dividida em múltiplas classes. A oligarquia capitalista explora a classe operária, mas ela também explora as classes médias constituídas pelos camponeses, pelos artesãos, pelos industriais (?!!!), pelos comerciantes, pelos membros das profissões liberais, etc. O Partido Comunista é concebido em função das necessidades das lutas do povo contra os oligarcas.” (Etudes et Documents Marxistes-Léninistes - Pour la lutte théorique, N° 1, décembre 1979. 58 L'Ecole élémentaire du Parti communiste français - Troisième leçon : Le Parti, Paris, 1936, Ed. la Section nationale d'éducation du Parti communiste français, p. 6., traduzido a partir da edição em Francês).


Mao e Thorez corromperam e negaram completamente o carácter proletário do Partido Comunista ao posarem como os únicos líderes legítimos dos seus respectivos partidos, ao impedirem as críticas e as auto-críticas no seio dos respectivos partidos, ao tentarem legitimar a sua união com as burguesias nacionais dos seus países a ao manterem as classes oprimidas e exploradas longe da ideia da revolução socialista ao retratarem a revolução democrático-burguesa como um fim em si mesma.


No entanto, a estratégia ultra-reformista da “frente anti-monopolista” não foi a única “ideia” que os revisionistas chineses “herdaram” dos revisionistas de tipo clássico. De facto, tal como Bernstein, Togliatti, Thorez, os Krushchevistas, os Eurocomunistas, etc. os revisionistas chineses também defenderam abertamente a “via pacífica para o socialismo”. Na verdade, a sua defesa desta “transição pacífica” é sinónimo de negação directa da ditadura proletária.


Negando flagrantemente os princípios mais básicos do Marxismo-Leninismo, os líderes revisionistas chineses afirmam o seguinte:


Se nós adoptámos a política da luta a favor da união com a burguesia nacional, foi com o propósito de educar a burguesia nacional.


Nós pensamos que devemos seguir o princípio da “coexistência a longo prazo e do controlo mútuo entre o Partido Comunista e os grupos e partidos democráticos. A base social destes partidos e grupos é a burguesia nacional, algumas secções da pequena-burguesia e os intelectuais. […] A ideologia burguesa existirá ainda durante um período relativamente longo (…) os grupos e partidos democráticos representam esta ideologia e devem ajudar a reeducá-la.


[…] a ditadura democrática e popular tornou-se, pela sua própria natureza, uma forma de ditadura do proletariado, e isto permite que a nossa revolução democrático-burguesa possa ser directamente transformada numa revolução proletária e socialista através de meios pacíficos.” (Liou Chao Chi, Rapport politique du Comité central du Parti communiste chinois au VIIIe Congrès national du PCC, Pékin, 1956, traduzido a partir da edição em Francês).


Reeducação da burguesia?!! A burguesia não existe para ser educada! Existe para ser exterminada pelo proletariado através da violência revolucionária ! Lénine disse uma vez que os grandes problemas da humanidade foram sempre resolvidos através da violência e isto é totalmente aplicável á eliminação da burguesia, á aniquilação do sistema capitalista e á edificação do socialismo e do comunismo. Esta ideia capitulacionista está relacionada com a “teoria” da “transição pacífica” para o socialismo através de meios burgueses; está relacionada com a ideia reformista e Eurocomunista de “humanizar” e “educar” o capitalismo. A imagem do capitalismo “civilizado” é comum a todas as correntes revisionistas e o Maoismo não é excepção.


Mas ainda há mais:


Os elementos burgueses tornaram-se membros do pessoal administrativo nas empresas mistas e eles estão a ser transformados de exploradores em trabalhadores que vivem segundos a sua própria força de trabalho; por outro lado, eles ainda recebem um montante fixo dessas empresas (…).” (Mao Zedong, De la juste solution des contradictions au sein du peuple, Textes choisis, Pékin, 1972, traduzido a partir da edição em Francês).



Esta afirmação é um exemplo dos muitos aspectos que o Maoismo tem em comum com o Boukharinismo. Esta tendência burguesa centra-se na ideia da integração “pacífica” e da inclusão do capitalismo e dos elementos capitalistas no seio do socialismo, e baseia-se na ideia do “governo conjunto” da burguesia e do proletariado de maneira a destruir a edificação do socialismo através da capitulação face ás influências e aos elementos burgueses.



O carácter utópico da ideologia Maoista pode ser notado na sua presunção de que as tendências exploradoras da burguesia podem ser gradualmente removidas e que os elementos burgueses podem ser transformados em elementos proletários inofensivos que vivem através “da sua própria força de trabalho”. Além disso, é incrível como é que na China “comunista”, a burguesia continuava a explorar os trabalhadores nas “empresas mistas”, empresas essas que não eram mais do que um disfarce para a ditadura burguesa e fascista que Mao e os outros revisionistas Chineses implementaram na China.



Os documentos e os excertos apresentados provam que, contrariamente aos que os fascistas do MLM argumentam, as concepções anti-Marxistas da ideologia Maoista não se limitaram ás primeiras fases do “Pensamento Mao Zedong”. De facto, é só olhar para os documentos do período pós-1949, quando o poder da burguesia nacional guiada pelo PCC já estava assegurado, para concluir que estas concepções não constituíram erros temporários, mas representaram as construções ideológicas gerais e definitivas que constituem os principais pilares da ideologia Maoista burguesa e reaccionária.



Não foi por acaso que o Camarada Estaline desconfiou sempre do verdadeiro carácter da revolução “socialista” chinesa. Ele apercebeu-se da natureza burguesa daquela “revolução” e disse que:



Na China, nós não podemos falar de uma revolução socialista nem nas áreas urbanas, nem nas áreas rurais. É verdade que certas empresas foram nacionalizadas, mas o seu número é irrelevante.”



As suspeitas de Estaline em relação á “revolução” chinesa são reconhecidas pelo próprio Mao, que declarou que:



Desde o início da guerra que Estaline era muito céptico em relação a nós. Quando ganhámos, Estaline encarou a nossa vitória como sendo da mesma espécie da de Tito, e em 1949 ele exerceu uma pressão muito forte sobre nós.” (Mao Zedong, Oeuvres choisies, Tome V, traduzido a partir da edição em Francês).



Nós devemos ter em consideração que as obras de Mao só foram publicadas na União Soviética após a morte do Camarada Estaline. E isto não é surpreendente. Se elas fossem publicadas enquanto Estaline estava vivo, Mao teria certamente recebido o mesmo tratamento que Tito.


De facto, muitos anos antes da revolução burguesa de Mao, Estaline analisou as condições do movimento “revolucionário” chinês e criticou duramente os “desvios de direita” que existiam neste movimento:



(…) os desvios de direita prejudicam os objectivos de classe do proletariado chinês e estão a conduzir esse proletariado em direcção a uma fusão amorfa com o movimento democrático nacional.” (Estaline, La question nationale et coloniale, traduzido a partir da edição em Francês).



Nós não podemos separar a desconfiança de Estaline da luta que este travou contra as já mencionadas ideias Boukharinistas que defendiam a “integração” dos elementos capitalistas no socialismo:



O maior erro de Boukharin é que ele admite que os Kulaks e outros elementos burgueses (…) possam ser integrados no socialismo. Esta teoria é um total absurdo! Os capitalistas, os Kulaks, os representantes dos imperialistas estrangeiros podem ser integrados na sociedade socialista, de acordo com Boukharin. Mas nós não queremos este tipo de “socialismo”. Nós não vamos aderir ás concepções de Boukharin. Nós, Marxistas-Leninistas, pensamos que existem diferenças irreconciliáveis entre os capitalistas e o proletariado. Esta é a base da teoria Marxista da luta de classes. Mas a teoria Boukharinista acerca da integração pacífica dos elementos capitalistas no socialismo contradiz os princípios Marxistas mais básicos, contradiz a oposição inevitável entre os exploradores e os explorados porque os exploradores são incluídos n sistema socialista.” (Estaline, The questions of Leninism II, 1931, traduzido a partir da edição em Francês).



É incrível como estas críticas feitas por Estaline em 1927 assentam tão bem ao revisionismo Maoista:



Mas se os capitalistas das áreas urbanas e das áreas rurais; se os Kulaks e outros elementos burgueses forem integrados no sistema capitalista, para que serviria a ditadura do proletariado? E mesmo se ainda assim ela servisse para alguma coisa, nós teremos de perguntar qual seria a classe que ela iria reprimir.” (Stalin, The questions of Leninism, 1931, traduzido a partir da edição em Francês).



A análise correcta feita pelo camarada Estaline acerca da falsa “revolução” Maoista foi elogiada pelo Camarada Enver Hoxha no Volume II das “Reflexões sobre a China”:



Quando a China foi libertada, Estaline expressou as suas dúvidas acerca da possibilidade da liderança chinesa seguir o curso Titoista. Olhando para todos os principais pilares da linha revisionista de Mao Zedong, em relação a tudo aquilo que ele levanta contra Estaline, nós podemos afirmar sem reservas que Estaline foi verdadeiramente um grande Marxista-Leninista que previu correctamente para onde é que a China estava a ir, que há muito tempo percebeu o que as posições de Mao Zedong realmente eram, e viu que, em muitos sentidos, elas eram posições revisionistas de tipo Titoista, tanto a nível interno como a nível externo, no que respeita á luta de classes, á ditadura do proletariado, á coexistência pacífica entre países com sistemas sociais diferentes, etc.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 28 de Dezembro de 1976, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Estaline estava certo acerca de todos estes aspectos e ele viu claramente que a 2Nova Democracia” chinesa não era mais do que a ditadura da burguesia nacional e “patriótica”. Na verdade, se nós analisarmos as obras de Mao, nós encontraremos sempre a ideia do “desenvolvimento” do capitalismo. Por exemplo, alguns meses antes da revolução de 1949, Mao afirmava que: “ (…) nós devemos permitir a existência e o desenvolvimento de todos os elementos capitalistas que sejam lucrativos e que não prejudiquem a economia nacional.”



No entanto, Mao vai ainda mais longe e diz que:



(…) Na China, o capitalismo será limitado através de vários meios: através de restrições nas suas actividades, através de impostos, através da fixação dos preços e através das condições de trabalho. Nós vamos adoptar uma política adequada no que respeita á limitação do capitalismo, de acordo com as condições específicas de cada lugar, de cada secção e de cada período. É muito útil relembrar os ensinamentos de Sun Yat-Sen acerca do “capitalismo controlado”. Por isso, é benéfico para a economia nacional, para a classe operária e para todos os trabalhadores não impor limites excessivos á economia capitalista, mas pelo contrário, nós devemos deixar essa economia existir e desenvolver-se no contexto da política e da planificação económica da nossa república popular.” (Mao Zedong, Sur la dictature populaire démocratique — cited by Yu Hai in Le rôle de la bourgeoisie nationale dans la révolution chinoise, in Cahiers du communisme, août 1950, traduzido a partir da edição em Inglês).



Este desenvolvimento do capitalismo significa de facto a perpetuação do capitalismo. E Mao até se atreve a afirmar que esta manutenção do sistema capitalista é no interesse da classe operária! A ideologia de Mao é muito semelhante á dos políticos abertamente pró-capitalistas que declaram que “apesar de o capitalismo não ser perfeito, a verdade é que cria riqueza e permite que o proletariado possa usufruir da sociedade de consumo”.


Mesmo hoje, há muitos Maoistas que ainda afirmam que esta perpetuação do capitalismo não é anti-Marxista, mas que pelo contrário pode ser comparada á Nova Política Económica (NEP) aplicada por Lénine na União Soviética. O que estes Maoistas se “esquecem” de dizer é que a NEP foi absolutamente necessária no contexto da União Soviética no início dos anos 20 porque a economia do país estava totalmente arruinada após 6/7 anos de guerra ininterrupta (primeiro, os quatro anos da Primeira Guerra Mundial, depois, a horrenda Guerra Civil Russa causada pela invasão das potências capitalistas com o objectivo de derrubar o poder Bolchevique), porque a aliança entre o proletariado e os camponeses ainda não estava consolidada, porque a economia Russa ainda apresentava muitos atrasos, porque o analfabetismo dos trabalhadores Russos e a sua falta de experiência no que respeitava á gestão económica causaram grandes dificuldades na alimentação da população e porque a presença dos elementos pequeno-burgueses na economia era imensa. Por toas estas razões, foi permitido que, durante algum tempo, os elementos pequeno-burgueses pudessem operar dentro de certos limites com o propósito de revitalizar a economia. No entanto, nós nunca devemos esquecer que Lénine encarava a NEP meramente como um processo temporário que seria ultrapassado através do desenvolvimento da base económica do sistema socialista e do fortalecimento da ditadura do proletariado. Esta concepção está em total contraste com a dos Maoistas que vêem “o desenvolvimento do capitalismo” como um processo definitivo e não como uma fase temporária imposta pelas difíceis condições históricas e económicas.


Como afirma o Camarada Enver Hoxha:



Mao Zedong apresentou a sua posição oportunista em relação á burguesia como uma aplicação criativa dos ensinamentos de Lénine acerca da NEP. Mas há uma diferença radical entre os ensinamentos de Lénine e as concepções de Mao Zedong que permitem o livre desenvolvimento da produção capitalista e a manutenção das relações burguesas no socialismo. Lenine admite que a NEP foi um passo atrás que permitiu o desenvolvimento de elementos do capitalismo durante um certo período de tempo, mas ele sublinhou que:


(…) não há perigo para o estado proletário desde que o proletariado mantenha firmemente o poder político nas suas mãos, desde que ele mantenha os transportes e a indústria pesada firmemente nas suas mãos.”


De facto, nem em 1949 nem em 1956, quando Mao Zedong defendia estas teses, o proletariado chinês teve o poder político ou a indústria pesada nas suas mãos.




Além do mais, Lénine considerava a NEP como uma medida temporária que era imposta pelas condições concretas da Rússia daquele tempo, devastada por uma longa guerra civil, e não como uma lei universal da edificação do socialismo. E o facto é que um ano após a proclamação da NEP, Lénine afirmou que o processo tinha terminado, e lançou um slogan para preparar a ofensiva contra o capital privado na economia. Pelo contrário, na China, o período de preservação da produção capitalista era configurado para durar quase eternamente.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Actualmente, há Maoistas que ainda afirmam que o capitalismo predatório de tipo social-darwinista que domina hoje a China é uma “nova NEP”!!! Qualificar a economia burguesa e capitalista que existia na China até meados dos anos 70 como “socialista” é totalmente erróneo e revela uma completa ignorância dos princípios mais básicos do Marxismo-Leninismo, mas retratar a actual economia neo-liberal chinesa como uma “nova NEP” significa defender abertamente a ditadura fascista que governa a China.



A economia chinesa nunca foi socialista, nem nos anos 50, nem actualmente. A verdade é que a burguesia nacional chinesa não poderia ter sonhado com uma ideologia que servisse melhor os seus interesses do que o Maoismo. E isto porque o Maoismo permitiu que a burguesia nacional pudesse explorar o proletariado de uma maneira “pacífica” e “controlada” enquanto se escondia por detrás de uma máscara “Marxista” e “revolucionária”. Uma das principais razoes que levaram a burguesia nacional chinesa a apoiar o Maoismo foi a roupagem “esquerdista” desta ideologia, e que serviu para enganar as massas trabalhadoras chinesas. Nós podemos afirmar que o Maoismo assegurou á burguesia chinesa uma certa segurança. O Maoismo foi a melhor maneira de neutralizar os sentimentos revolucionários que existiam no seio do proletariado chinês. Em vez de ficar á espera a observar as classes oprimidas a aderirem ao Marxismo-Leninismo e a desenvolverem uma consciência revolucionária, a burguesia “patriótica” chinesa elaborou a sua própria ideologia “revolucionária” e concretizou a sua própria “revolução”. É claro que esta burguesia nunca poderia ter revelado que esta ideologia estava simplesmente a esconder a implementação da sua ditadura de classe, porque de outra maneira ela nunca iria seduzir as classes exploradas da China. Face a isto, a burguesia nacional chinesa resolveu o problema de uma maneira muito astuta. Ela “vestiu” a sua própria ideologia burguesa com roupas “Marxistas-Leninistas” e com uma fraseologia “revolucionária” cujo propósito era iludir as classes oprimidas para o seu lado. A burguesia nacional chinesa usou a máscara do Marxismo-Leninismo de forma a esconder os seus interesses de classe exploradores e reaccionários e a conquistar o poder político e económico.


Hoje em dia, grandes sectores do proletariado mundial ainda são enganados pelos Maoistas que tentam forçar as massas oprimidas a “reconhecer” o Maoismo como a “terceira etapa” do comunismo, depois do Marxismo e do Leninismo (negando abertamente o Estalinismo e o Hoxhaismo). Eles até qualificam a sua ideologia reaccionária e anti-Marxista como “o mais elevado desenvolvimento” do Marxismo-Leninismo. Esta atitude arrogante tem sido uma constante na história do revisionismo Maoista. Os Maoistas sempre se tentaram pintar como “os que mais contribuem para o desenvolvimento da ideologia proletária” de maneira a ocultar as suas intenções anti-socialistas e o seu apoio ao social-imperialismo chinês. Os Maoistas também tentam retratar-se como sendo “anti-revisionistas fervorosos”. Um dos principais argumentos utilizados por eles com o objectivo de “provar” o seu “anti-revisionismo” é a falsa “defesa de Estaline” alegadamente feita por Mao no contexto do golpe de estado revisionista na União Soviética.


O que os revisionistas chineses fizeram realmente foi usar o nome e o legado de Estaline com o propósito de esconder a sua ideologia reaccionária, anti-comunista e social-fascista sob um disfarce “revolucionário”. Quando analisamos obras do Camarada Enver Hoxha como “Reflexões sobre a China” e “Os Krushchevistas”, nós concluímos que ele suspeitava da natureza do Maoismo desde o início, mas tentou corrigir os “camaradas” chineses aconselhando-os e informando-os acerca das divergências ideológicas que existiam entre o PCC e o PTA:



Disseram-nos que Mao estava a aplicar uma linha interessante de edificação socialista na China, em que ele colaborava com a burguesia local e com outros partidos qualificados como “democráticos”; em que o partido comunista permitia e estimulava a existência de empresas mistas contendo tanto capital público como privado, encorajava e remunerava os membros das classes ricas que lideravam frequentemente essas empreses, etc. Todas estas coisas eram inconcebíveis para nós e, apesar dos nossos esforços, nós não conseguíamos encontrar um único argumento a favor da sua conformidade com o Marxismo-leninismo.



No entanto, nós pensámos que a China era um grande país, habitado por milhões de pessoas, que tinha emergido de um passado burguês e feudal, que enfrentava muitos problemas e dificuldades e que, com o tempo, iria corrigir os seus erros, regressando assim ao caminho Marxista-Leninista.” (Enver Hoxha, Les khrouchtchéviens, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Francês).



Esta era a linha geral seguida pelo PTA em relação ao PCC durante o período 1949-1956.


O Camarada Enver notou que em 1956, no contexto do 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, o PCC assumiu posições abertamente revisionistas. O encontro entre o Camarada Enver e Mao Zedong que aconteceu em 1956, por ocasião da visita de Enver á China, é descrito como decepcionante pelo próprio Camarada Enver:



Na verdade, as nossas impressões relativamente a este encontro não foram aquelas de que estávamos á espera (…). Nós não adquirimos nenhum tipo de ensinamentos ou de experiências úteis e percebemos que este encontro foi um mero acto de cortesia. Nós fomos surpreendidos pelas palavras e opiniões de Mao acerca do Kominform, de Estaline e da questão Jugoslava.” (Enver Hoxha, Les khrouchtchéviens, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Francês).





De facto, durante o encontro, Mao expressou opiniões que estavam em total acordo com a linha ultra-revisionista, oportunista e anti-Marxista que dominava o movimento comunista internacional desde 1956. Por exemplo, no que respeita á questão Jugoslava, Mao disse que:



Quanto a essa questão, vocês Albaneses não cometeram erros em relação aos Jugoslavos, e os Jugoslavos também não cometeram erros em relação a vocês. É o Kominform que é responsável por cometer graves erros.” (Enver Hoxha, Les khrouchtchéviens, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Francês).



Então, de acordo com Mao, os Marxistas-Leninistas do PTA e os social-fascistas da clique de Tito eram iguais. “Nem os Albaneses nem os Jugoslavos cometeram erros” é o que diz Mao, e depois disso ele afirma que tudo o que aconteceu foi culpa do Kominform! Afirmar isto é defender abertamente o imperialismo Titoista que tentou transformar a Albânia na sétima república da Jugoslávia. Desde o início, mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, os Titoistas sempre tentaram anular a independência da Albânia. Eles tentaram por todos os meios controlar os partisans Albaneses e subjugá-los ás ordens e +á disciplina do Partido Comunista Jugoslavo. Os Titoistas estavam sempre a interferir nos assuntos internos do PTA e tentavam impor-lhe a sua linha anti-Marxista. Eles contrataram agentes e espiões e infiltraram-se no PTA de maneira a sabotarem a sua linha Leninista e a transformar a Albânia num satélite Jugoslavo.



Mas vamos regressar ás afirmações de Mao durante o encontro com o Camarada Enver. Quando Mao perguntou ao Camarada Enver o que pensava ele acerca de Estaline, Enver defendeu orgulhosamente o legado de Estaline. No entanto, Mao discordou dele e disse que:



Estaline cometeu erros. Por exemplo, ele cometeu erros relativamente a nós, em 1927. Ele também cometeu erros em relação aos camaradas Jugoslavos.” (Mao citado por Enver Hoxha em The Khrushchevites, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Inglês).



Esta afirmação é totalmente falsa; Estaline nunca se enganou em relação aos “camaradas” Jugoslavos. Pelo contrário, ele desmascarou o seu verdadeiro carácter e os seus verdadeiros objectivos, fazendo prova de uma grande argúcia Marxista-Leninista; e ele também agiu correctamente em relação á Jugoslávia Titoista. Os Titoistas merecem ser odiados e repudiados por todos os autênticos comunistas porque eles traíram as aspirações dos povos Jugoslavos, que sacrificaram as suas vidas na luta contra o Nazismo com o objectivo de edificar uma Jugoslávia socialista. Infelizmente para esses povos, Tito vendeu o país aos anglo-americanos e seguiu uma linha revisionista e capitalista. É curioso de ver como o Maoismo e o Titoismo são tão parecidos entre si. Ambas as ideologias tentam iludir as massas oprimidas e levá-las para longe da revolução proletária e socialista, ambas defendem a reconciliação entre as classes e incentivam os supostos “aspectos positivos do capitalismo” e da “economia mista” (de facto, ambas conduzem ao social-imperialismo, mas o imperialismo de Tito estava limitado á escala local, enquanto que o imperialismo Maoista, devido ás dimensões demográficas e económicas da China, atingiu a escala global).


Como se pode observar, a verdade é que, em 1956, Mao adoptou posições ultra-revisionistas em relação a Estaline, a Tito e ao Kominform.


Nós nunca podemos esquecer que, após a morte do Camarada Estaline, Mao sempre desejou tornar-se no líder do movimento comunista. De maneira a conseguir isso, Mao aceitou o revisionismo e concordou com Khrushchev acerca de que “Estaline cometeu erros” (nós também devemos lembrar-nos da famosa frase de Mao: “Khrushchev é o Lénine da nossa época.”). No entanto, o grande erro de Mao foi a sua subestimação do prestígio de que gozava a URSS entre o proletariado mundial e as classes exploradas. Em 1956, ninguém poderia prever as dimensões que a doença revisionista iria atingir, e os comunistas continuavam a ver a URSS como um país socialista. De facto, a União Soviética era tida em grande consideração porque era o país no qual tinha ocorrido a primeira revolução socialista bem sucedida e era a pátria de Lénine e de Estaline, dois dos maiores mestres da ideologia proletária. É verdade que o Camarada Enver Hoxha e o PTA tinham muitas suspeitas acerca da linha que estava a ser seguida na URSS e acerca da intenções de Khrushchev após a morte de Estaline, mas devemos notar que o PTA nasceu em circunstâncias que armaram os Marxistas-Leninistas Albaneses contra todo o tipo de oportunismos. O PTA teve de enfrentar o revisionismo desde as suas fundações e isto fez com que os comunistas Albaneses fossem capazes de desmascarar todo o tipo de ideologias burguesas, mesmo aquelas que estão escondidas ou disfarçadas. Foi por isso que o PTA esteve sempre na linha da frente da luta contra as tendências revisionistas, desde o Titoismo ao Maoismo. Apesar de tudo, a grande maioria dos outros partidos comunistas aceitaram o revisionismo Khrushchevista praticamente sem discussão. E esta aceitação era devida precisamente ao já referido prestígio que a União Soviética usufruía entre o proletariado mundial.


Pelo contrário, a revolução democrático-burguesa chinesa de 1949, apesar de vista com simpatia pelos comunistas, não assegurou a Mao admiração suficiente para obliterar o papel da União Soviética como centro do movimento comunista, mesmo porque a União Soviética tinha aumentado a sua força desde a vitória contra o Nazi-fascismo durante a Segunda Guerra Mundial. Por todas estas razões, Mao não conseguiu concretizar as suas intenções de se tornar no novo líder do movimento comunista através da aliança com os revisionistas soviéticos. Perante isto, Mao mudou de estratégia. Em vez de assumir o papel de apoiante de Khrushchev na suposta luta contra “os desvios e os erros de Estaline”, Mao surgiu como o “Estalinista indefectível”, como o “Leninista ortodoxo”, como o “grande defensor da pureza Marxista-Leninista”. Esta mudança de táctica ocorreu quando muitos comunistas em vários países do mundo começaram a questionar os relatórios anti-Estaline de Khrushchev como sendo anti-Marxistas.


Actualmente, os Maoistas querem que acreditemos que a linha do PCC foi sempre “Marxista-Leninista” e “anti-revisionista e anti-Krushchevista”. Mas a realidade não corresponde aos desejos dos Maoistas. A estratégia “anti-revisionista” adoptada por Mao em 1960 nada teve que ver com o Marxismo-Leninismo. Mao nunca quis defender o legado de Estaline. Ele apenas usou o nome e o prestígio de Estaline para atingir os seus propósitos de se tornar no líder do movimento comunista mundial de forma a conspurcar este movimento com as suas ideias burguesas e capitalistas e a manipulá-lo em favor da ascensão da China como uma nova superpotência. Os revisionistas chineses queriam a posição ocupada por Khrushchev e pelo PCUS á cabeça do movimento comunista, mas quando viram que nunca o iriam conseguir através do revisionismo aberto, eles invocaram uma falsa luta anti-revisionista e pró-Estalinista com o propósito de manipular os comunistas honestos que estavam preocupados com a linha de traição de Khrushchev. O Maoismo foi apresentado a esses comunistas como sendo um “enriquecimento do Marxismo-Leninismo”, e Mao como sendo o “líder da luta contra Khrushchev”.


Mesmo as críticas Maoistas acerca do “social-imperialismo soviético” não são mais do que uma grande fraude. Estas críticas pretendem apenas ocultar os objectivos e as intenções social-imperialistas de Mao.


O Camarada Enver Hoxha explicou tudo isto com precisão Marxista-Leninista:



Muitas vezes olhei para este período da história do PCC, tentando perceber como e porquê é que a linha revisionista de 1956 pareceu mudar de direcção e, durante algum tempo, tornar-se “pura”, “anti-revisionista” e “Marxista-Leninista”. É um facto que, por exemplo, em 1960, o PCC pareceu opor-se firmemente ás teses revisionistas de Khrushchev e proclamou estar a “defender o Marxismo-Leninismo” das distorções que lhe estavam a ser feitas, etc. Foi precisamente porque a China se pareceu opor ao revisionismo moderno em 1960 e pareceu também aderir ás posições Marxistas-Leninistas que o nosso partido se pôs ao lado com o PCC na luta contra os Krushchevistas.



No entanto, o tempo confirmou que, e isto está extensamente provado nos documentos do partido, que em nenhum caso, nem em 1956, nem em 1960, o PCC actuou de acordo com as posições do Marxismo-Leninismo.” (Enver Hoxha, The Krushchevites, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Inglês).



E em 1978, por ocasião da ruptura Sino-Albanesa, o Comité Central do PTA enviou uma carta ao Comité Central do PCC na qual sublinhou que:



No princípio, o PCC estava de acordo com o PTA no que respeitava á polémica entre o PTA e os revisionistas Krushchevistas. No entanto, este acordo era apenas superficial porque aquilo que a China queria realmente era reconciliar-se com os revisionistas soviéticos e evitar a polémica ideológica com eles. (…) Os líderes chineses afirmaram que esta atitude era de interesse para a Albânia, mas a verdade é que evitar a polémica era (…) apenas vantajoso para Khrushchev e para a sua luta contra o socialismo e o Marxismo-Leninismo.” (Lettre du C.C du PTA et du Gouvernement Albanais au C.C du PCC et au Gouvernement Chinois, Tirana, 28 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Francês).



Um dos episódios mais significativos no que respeita á vontade do PCC de se reconciliar com o social-imperialismo soviético aconteceu em 1964, quando Khrushchev foi expulso do poder. Os revisionistas chineses celebraram este acontecimento como se o social-fascismo soviético tivesse sido completamente derrotado. Eles estavam tão ansiosos e felizes por se reconciliarem com o revisionismo soviético que até enviaram uma delegação a Moscovo e queriam que o PTA fizesse o mesmo. É claro que esta proposta traiçoeira e capitulacionista foram firmemente recusadas pelos Marxistas-Leninistas Albaneses:



O Comité Central do PTA não podia aceitar esta proposta que era sinónimo de extinção da luta contra o revisionismo e de reconciliação ideológica com ele. Se o PTA se tivesse rendido a essa linha de reconciliação com os revisionistas soviéticos, isso teria sido catastrófico para o movimento Marxista-Leninista (…). Foi por isso que o nosso partido recusou firmemente a proposta chinesa (…). O Comité Central do PTA enviou uma carta ao PCC explicando que a avaliação feita pelos líderes chineses acerca das mudanças ocorridas na União Soviética estava errada e que a proposta de enviar uma delegação a Moscovo era inaceitável. Nessa carta era dito, entre outras coisas, que:


Este acontecimento (a expulsão de Khrushchev do poder), apesar de importante, não conduz á derrota do revisionismo nem representa a vitória do Marxismo-Leninismo sobre o revisionismo, este acontecimento apenas acelera a putrefacção da ideologia revisionista (…) enquanto os sucessores de Khrushchev tentam salvar o revisionismo através da aplicação da política do Krushchevismo sem Khrushchev.” (Lettre du C.C du PTA et du Gouvernement Albanais au C.C du PCC et au Gouvernement Chinois, Tirana, 28 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Francês).



Durante os anos 60, dois grandes eventos iriam demonstrar o caminho anti-Marxista que estava a ser seguido pela China, bem como o carácter utópico e pequeno-burguês da ideologia Maoista: o “grande salto em frente”, e especialmente “a Grande Revolução Cultural Proletária”.


Este “grande salto em frente” consistia num programa totalmente utópico que deveria fazer a China “avançar directamente para o comunismo”. Os objectivos que Mao impôs ao povo Chinês no contexto do “grande salto” eram completamente irrealistas, mesmo porque Mao afirmava que esses objectivos deveriam ser concretizados num período de 2-3 planos quinquenais!


Apesar das potencialidades demográficas e territoriais da China, o facto é que 13 anos após a revolução burguesa e anti-imperialista de Mao, a economia da China estava muito longe de dar o seu máximo. A verdade é que a pobreza extrema estava quase eliminada e que foram feitos alguns melhoramentos relativos ás condições de vida do povo, mas também é verdade que estas melhorias não eram proporcionais ás potencialidades do país. A principal razão deste lento desenvolvimento pode ser encontrada na natureza reaccionária da revolução chinesa de 1949 e na manutenção dos elementos burgueses e capitalistas não apenas nos lugares-chave da economia, mas também nos postos mais importantes do governo do país, que deixou de ser uma ditadura da burguesia pró-imperialista para passar a ser uma ditadura da burguesia nacional “patriótica”.


No entanto, nós devemos ter em consideração que este estado de coisas não era unanimemente aceite pelo proletariado chinês; havia muitos trabalhadores que recusavam seguir as ilusões Maoistas e que viam claramente que a China não estava a enveredar pelo socialismo. Estes proletários chineses estavam a tornar-se numa voz inoportuna, eles eram muito perigosos para a burguesia nacional chinesa porque eles quebravam o clima de “paz social” que o Maoismo tinha implementado de forma a permitir que a burguesia chinesa pudesse explorar os trabalhadores sem ser incomodada por aquela coisa horrível chamada luta de classes.


Foi neste contexto que Mao tentou enganar as massas através da fraseologia “Marxista” ao declararem falsamente que “a China vai passar directamente á fase comunista da revolução” através do “grande salto em frente”. Esta tentativa traiçoeira de iludir o proletariado chinês foi desmascarada pelo Camarada Enver Hoxha:



De uma forma demagógica, Mao Zedong e o Partido Comunista da China subordinaram todas as suas declarações acerca da construção do socialismo e do comunismo ás suas políticas pragmáticas. Assim, nos anos do “grande salto em frente”, com o objectivo de atirar areia para os olhos das massas que, vindas da revolução, aspiravam ao socialismo, eles declararam que, dentro de um período de 2 a 3 planos quinquenais, a China passaria directamente para o comunismo. Mais tarde, no entanto, de forma a esconder as suas falhas, eles começaram a teorizar que a construção e o triunfo do socialismo iriam demorar 10 mil anos.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Durante três anos (1962-1965), os proletários chineses trabalharam que nem escravos tentando concretizar um programa económico utópico e megalómano sem quaisquer perspectivas de sucesso. Aliás, isto era tão óbvio que mesmo certos líderes de topo do PCC estavam hesitantes em seguir as directivas de Mao acerca do “grande salto”. É claro que este “grande salto em frente” resultou num grande salto atrás, porque constituiu um erro horrível que pôs a agricultura e a indústria chinesa num caos completo e originou uma fome severa em todo o país. Por exemplo, a produção de Carvão e a produção de algodão em 1964 estiveram muito abaixo do nível de 1958. Como já dissemos, o carácter impossível do “grande salto” era visível desde o início: o PCC planeou que, com o “grande salto em frente”, a China estaria apta a produzir quantidades de cereais e de aço que eram totalmente exageradas; por exemplo, os revisionistas chineses afirmaram que antes do fim do “grande salto” (1962-1965), a China produziria cerca de 750.000 toneladas de cereais, mas o facto é que a produção chinesa de cereais ainda era inferior a 500.000 toneladas em finais dos anos 90!


Os resultados finais do “grande salto em frente” de Mao foram tão desastrosos que o próprio Mao teve de fazer a sua auto-crítica perante o comité central do PCC.


Ao dizermos isto, nós não queremos concordar com as afirmações dos ideólogos direitistas que dizem que o “grande salto em frente” foi um “holocausto comunista” que “custou 30 milhões de vidas”. Estas acusações são falsas, em primeiro lugar porque o número de mortes que eles atribuem ao “grande salto” está ridiculamente exagerada, e segundo, porque mesmo se o número de 30 milhões de mortos estivesse correcto (e não está), isso nunca seria um “genocídio vermelho”, simplesmente porque nunca existiu socialismo na China. Os ideólogos direitistas vendidos á burguesia capitalista e revisionista não conseguem aceitar o facto de que há pessoas que se atrevem a lutar contra o capitalismo, pessoas que não se resignam á “sociedade de consumo” e á ditadura da burguesia. Para esses ideólogos, é incompreensível que algumas pessoas possam dedicar as suas vidas á luta pela implementação da ditadura proletária e á edificação da sociedade sem classes e sem estado. É por isso que eles tentam desacreditar o comunismo por todos os meios. Porque eles sabem que é ao comunismo que o futuro pertence, eles sabem que o Marxismo-Leninismo é a única ideologia que pode destruir completamente com o seu adorado capitalismo. Os seus interesses de classe e anti-comunismo tornan-nos tão cegos que eles são incapazes de distinguir entre aquilo que é realmente comunista e o que aquilo que não o é. Para eles, tudo o que se auto-qualifique como comunista é um alvo potencial, não importa se é realmente comunista ou se, pelo contrário, não passa de ideologia burguesa disfarçada em fraseologia Marxista. Isto é o que acontece em relação á China Maoista e ao “grande salto em frente”.


Alguns Maoistas alegam que “um dos sinais que indicam que a China Maoista era um verdadeiro país socialista é o facto de que a burguesia reaccionária dos países revisionistas e capitalistas acusavam a China Maoistas com os mesmos argumentos que tinha anteriormente usado contra a União Soviética de Estaline”. Esta argumentação é completamente falaciosa. É verdade que as acusações falsas, hipócritas e reaccionárias que os “humanistas” burgueses que afirmam que a União Soviética Estalinista causou um “genocídio de enormes proporções” são, em muitos aspectos, semelhantes ás acusações que a burguesia adopta em relação á China Maoista. No entanto, se as acusações formais têm parecenças importantes, a verdade é que as razoes por detrás delas são radicalmente diferentes. A burguesia capitalista e revisionista tentou desacreditar a democracia proletária Estalinista porque ela constituía uma prova viva de que o proletariado não estava eternamente condenado aos horrores do capitalismo e á tirania burguesa, porque ela demonstrava que um sistema socio-económico mais humano e avançado não é apenas possível, mas também necessário. Pelo contrário, essa mesma burguesia capitalista-revisionista acusava a China Maoista de perpetrar “violações horríveis dos direitos humanos” e de ser um “inferno comunista” não porque a china Maoista constituísse um exemplo de edificação Marxista-Leninista, mas porque, devido ao peso demográfico e territorial, a ascensão da China como uma nova superpotência colocava a dominação mundial das potências capitalistas e revisionistas em grave perigo.

 

A burguesia capitalista e revisionista manipula o anti-comunismo patológico dos seus próprios ideólogos de maneira a enganar o proletariado. A burguesia capitalista e revisionista compreendeu perfeitamente que a burguesia nacional chinesa que conquistou o poder político e que explora o proletariado chinês em favor dos seus próprios interesses e não nos interesses das potências estrangeiras iria mais cedo ou mais tarde seguir uma linha imperialista que seria um desafio letal para a burguesia capitalista e revisionista. Ao desacreditar a China Maoista como sendo uma “ditadura comunista terrível”, a burguesia capitalista e revisionista concretiza dois grandes objectivos: difama a ideologia comunista enquanto desacredita um rival imperialista em ascensão.


Mas vamos regressar ao curso histórico seguido por Mao e pelo PCC. Após o “grande salto em frente”, nós vamos agora tentar analisar a “Grande Revolução Proletária Cultural” que, como o Camarada Enver Hoxha correctamente afirma:



(…) não foi nem revolucionária, nem grande, nem cultural, e, em particular, nem um pouco proletária.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



A Revolução Cultural esteve ligada á já referida ideia Maoista de que a exploração dos trabalhadores pode ser eliminada sem o uso da violência revolucionária pelo proletariado e que os elementos burgueses podem ser pacificamente convertidos ao socialismo através da “reeducação”:



No que respeita á burguesia nacional, um grande esforço de educação pode ser feito no presente período relativamente a esta classe. Quando vier o tempo de concretizar o socialismo, de nacionalizar as empresas privadas, nós avançaremos ainda mais nos nossos esforços para reformar e educar os elementos burgueses.” (Mao Zedong, Sur la dictature populaire démocratique — cited by Yu Hai em Le rôle de la bourgeoisie nationale dans la révolution chinoise, em Cahiers du communisme, Agosto de 1950, traduzido a partir da edição em Francês).



As origens ideológicas da Revolução Cultural são uma mistura de várias correntes anti-Marxistas, incluindo espontaneísmo, anarquismo e, claro, as teorias anti-comunistas de Mao Zedong.


Para compreendermos as verdadeiras causas da revolução cultural, nós devemos notar que, depois da revolução chinesa de 1949, o estado chinês emergia como uma espécie de órgão arbitral que mantinha a “paz social” através da “regulação” das contradições de produção que existiam entre o proletariado e a burguesia. É claro que esta máscara arbitral era muito importante para esconder o verdadeiro carácter do estado Maoista enquanto ditadura da burguesia nacional; aliás, a melhoria das condições de vida do povo chinês após a revolução de 1949 esteve ligado precisamente com esta necessidade de criar uma falsa impressão entre as massas, fazendo-as acreditar que a China estava a seguir um curso socialista e que o estado Maoista estava do lado do proletariado. Nós já explicámos que a revolução de 1949 foi liderada pela burguesia que conquistou o poder político e económico contra os interesses da antiga burguesia pró-imperialista. Assim, apesar do argumento de que Mao “nacionalizou” muitas das secções chave da economia, a verdade é que a burguesia nacional chinesa nunca foi realmente expropriada. Há dois tipos de nacionalizações: as nacionalizações de tipo burguês e as nacionalizações de tipo proletário. O primeiro tipo é feito nos interesses de uma certa secção da burguesia, enquanto que o segundo tipo é feito contra toda a classe burguesa e com o propósito de destruir o sistema capitalista. Aquilo que os distingue é que o primeiro tipo é feito sem verdadeira expropriação da burguesia, enquanto que o segundo envolve a total expropriação de toda a classe capitalista e burguesa. As nacionalizações que tiveram lugar na China Maoista estavam claramente incluídas no primeiro tipo, elas eram nacionalizações burguesas que foram feitas com o objectivo de favorecer os interesses da burguesia nacional “patriótica” ao permitirem que esta classe ocupasse e controlasse a direcção das empresas nacionalizadas. Além disso, nós devimos lembrar-nos que, fora das empresas nacionalizadas, havia ainda muitos ramos essenciais da economia que nem sequer foram formalmente nacionalizados e que continuavam abertamente nas mãos do capital privado burguês. Como já tínhamos explicado, a base material da sociedade chinesa continuou a ser dominada pelas relações capitalistas de produção, e isto reflectia-se na superstrutura política, social e cultural. É impossível evitar que uma classe que detém o poder económico controle o poder político, uma vez que a superstrutura política é um reflexo directo da base material e económica da sociedade. Isto é o que o Marxismo nos ensina. Consequentemente, é óbvio que as pretensões Maoistas de “conciliação” dos interesses do proletariado e da burguesia estavam destinadas a falhar desde o princípio. Se o proletariado não estabelecer a sua ditadura, então a burguesia vai automaticamente continuar a ser a classe dominante e vai continuar a explorar as massas oprimidas. É impossível encontrar uma “terceira via” entre a ditadura burguesa e a ditadura proletária.


As causas da Revolução Cultural estão ligadas ao facto de que, desde o fim dos anos 50, a burguesia nacional chinesa revelava cada vez mais o seu carácter reaccionário, ela queria o fim do “estado arbitral” Maoista e a implementação de uma ditadura burguesa típica. Esta burguesia nacional tinha-se tornado numa verdadeira burguesia monopolista de estado que dominava todos os aspectos da sociedade chinesa. Assim, não é surpreendente que esta burguesia que controlava o PCC tentasse mudar a composição do seu Comité Central de acordo com os seus próprios interesses exploradores; a burguesia monopolista chinesa tentou substituir a facção centrista de Mao por facções mais direitistas que iriam apagar os últimos traços de fraseologia Marxista e de aparência socialista.


A revolução cultural foi promovida por Mao de forma a tentar reverter o domínio das facções mais direitistas do PCC que estavam a defender a implementação de uma regime capitalista com características fascistas nos interesses da nova burguesia monopolista. No entanto, nós devemos notar que Mao não incentivou a revolução cultural porque estivesse preocupado com o carácter pró-fascista e reaccionário das facções do partido que representavam a burguesia monopolista. Não. Mao usou a sua própria autoridade para propagar a revolução cultural porque, em primeiro lugar, ele não queria ser expulso do poder pelas outras facções do partido (como qualquer político burguês, Mao Zedong tinha lascívia pelo poder e, ao longo da sua carreira política, ele fez os possíveis para manter a sua supremacia política). Além do mais, o prestígio de Mao ainda estava seriamente afectado pelo fracasso do “grande salto em frente” e a revolução cultural foi vista por ele como uma oportunidade para reconquistar o seu anterior estatuto e para consolidar as suas posições dentro do estado burguês chinês.


A segunda razão que levou Mao a lançar a revolução cultural é que ele compreendeu muito bem que, com o estabelecimento de um regime abertamente capitalista, a burguesia monopolista chinesa perderia importantes instrumentos que lhe permitiam iludir o proletariado chinês e manter uma clima de “paz social” no qual a exploração e a escravatura assalariada poderiam ser exercidas pacificamente. Nós devemos recordar que a retórica anti-imperialista de Mao, bem como a sua roupagem “socialista” contribuíram muito para a aceitação da nova ditadura burguesa por muitos sectores das massas oprimidas chinesas. O proletariado chinês esteve ao lado da burguesia nacional na luta contra os imperialismos estrangeiros, mas, contrariamente àquilo que Mao tentou promover, estas duas classes continuaram a ter interesses irreconciliáveis e esta situação não se modificou só porque elas estiveram temporariamente unidas no contexto de um determinado período histórico de luta contra os opressores externos. É claro que o revisionista Mao tentou perpetuar esta “união” entre o proletariado e a burguesia nacional em favor dos interesses da última, ele propagou a ideia falsa e impossível da “partilha do poder” entre estas duas classes de forma a eliminar a luta de classes e a esconder a exploração capitalista por detrás de uma fachada “Marxista” e “revolucionária”. No entanto, se a burguesia monopolista conseguisse instalar um regime abertamente capitalista e pró-fascista na China, essa máscara “socialista” inventada por Mao para ocultar o carácter explorador do estado da burguesia chinesa e para manter o proletariado chinês num estado de servidão cairia totalmente. Além disso, Mao também estava do lado da pequena-burguesia das áreas rurais e urbanas que defendia a coexistência e a conciliação entre as múltiplas classes que constituíam a sociedade chinesa. A revolução cultural foi precisamente uma tentativa para impedir os esforços da burguesia nacional monopolista que queria o controlo completo da sua classe sobre o estado chinês, sem sequer a aparente “partilha de poder” que Mao propunha.


E foi por estas razões que Mao promoveu a “Grande Revolução Proletária Cultural”. No entanto, o anti-Marxismo da revolução Cultural não estava limitado ás suas origens e ás razoes da sua existência. De facto, as suas raízes anti-Marxistas eram claramente visíveis na maneira como a Revolução Cultural foi conduzida e liderada.


Em primeiro lugar, a revolução cultural chinesa foi o resultado de um chamamento feito por Mao Zedong enquanto revolucionário individual que usufruía de um prestígio considerável. Nós devemos notar que Mao gozava de uma imenso poder pessoal dentro do partido e que ele controlava as suas próprias milícias privadas que eram usadas por ele para consolidar as suas posições face ás ameaças vindas de facções rivais no interior do partido:



Recentemente, «Renmin Ribao» publicou um artigo da autoria de um grupo teórico do “Directório Geral” do Comité Central do PCC. Este artigo diz que, sob o nome do “Directório Geral”, Mao erigiu em seu redor um aparato especial que mantinha o Bureau Político, o Comité Central, os quadros do estado, do exército, das forças de segurança, etc.… sob vigilância e controle. A entrada neste Directório e o conhecimento acerca do seu trabalho era proibido para todos, mesmo para os membros do comité central e do Bureau político. Neste directório se faziam planos para elevar ou deitar abaixo esta ou aquela facção. Os homens deste directório estavam em todo o lado, viam tudo e operavam independentemente, totalmente fora do controlo do partido.


Além deles, o directório tinha á sua disposição destacamentos armados, ocultos sob a designação de “Guarda do Presidente Mao”. Esta guarda pretoriana de mais de 50.000 homens agia onde quer que Mao desejasse “actuar de uma só vez” realizando os seus objectivos, como tem acontecido frequentemente ao longo da história do PCC (…).” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



E a tirania individualista de Mao não estava limitada aos escalões mais elevados do partido. Pelo contrário, ele exercia o seu controlo mesmo entre a população:



Sob o pretexto de manter contactos com as massas, Mao Zedong também criou uma rede especial de informadores entre a população que estavam encarregados da tarefa de manter os militantes de base sob vigilância e investigar o estado de espírito das massas, sem o conhecimento de ninguém. Eles só deviam justificações a Mao Zedong, que tinha cortado com todos os meios de comunicação com as massas e via o mundo apenas através dos relatórios dos seus agentes no “Directório Geral”.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Como se pode observar, Mao Zedong violou repetidamente as normas mais básicas do centralismo democrático e da democracia Leninista-Estalinista. Esta situação aconteceu durante todo o período do governo Maoista, apesar de se ter intensificado durante a revolução cultural. Mao Zedong implementou uma autêntica ditadura pessoal, totalmente fora do controlo do partido e do proletariado:



O artigo do «Renmin Ribao» fornece novas informações que nos permitem compreender mais claramente a direcção anti-Marxista e o poder pessoal de Mao Zedong no partido e no estado chinês. Mao Zedong não tinha o menor respeito nem pelo Comité Central nem pelo congresso do partido, e muito menos pelo partido no seu conjunto e pelos militantes e comités de base. Os comités do partido, os quadros dirigentes e o Comité Central recebiam ordens do “Directório Geral” que só respondiam perante Mao Zedong. Os fóruns do partido, os seus órgãos eleitos não tinham qualquer espécie de autoridade.



O artigo do «Renmin Ribao» afirma que, “ nenhum telegrama, nenhuma carta, nenhum documento, nenhuma ordem podia ser dada sem primeiro ter sido analisada e aprovada por Mao Zedong.” Parece que em 1953, Mao já tinha dado ordens claras de que: “De agora em diante, todos os documentos e telegramas enviados em nome do Comité Central só poderão ser efectivados depois de eu os ter perscrutado, de outra maneira eles são inválidos. Sob estas condições, é impossível falarmos acerca de liderança colectiva, democracia no partido, ou normas Leninistas.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Com isto, nós notamos que o papel dirigente do partido comunista revolucionário é totalmente abandonado por Mao. Em vez disso, nós temos um indivíduo que usa a sua autoridade para mobilizar “ideologicamente” certos sectores “populares” de forma a servirem os interesses do grupo revisionista liderado por ele (nós nunca podemos esquecer que a Revolução Cultural foi essencialmente uma disputa pelo poder entre diferentes facções burguesas e revisionistas no interior do PCC):



A figura de Mao Zedong tem sido exagerada até tomar as dimensões de um imperador Chinês. E de facto, este imperador moderno opera de forma omnipotente sobre os seus súbditos, que criaram uma terrível burocracia através da qual as “ideias brilhantes” do “Grande Timoneiro” são levadas a cabo.



Ele usou o PCC como um trampolim para tingir os seus objectivos e ele tem feito isso sempre que pensa que isso é “razoável”; dependendo do desenvolvimento “dialéctico” das “contradições”, vistas da perspectiva do Taoismo, ele faz pessoas caírem do poder, ataca o partido e liquida-o, começa alguma “revolução” e “equilibra” o puder dos súbditos.



Ele explica tudo isto com frases alegadamente revolucionárias que traduzem acções iguais ás do Imperador Bokassa, do Xá da Pérsia ou do Rei do Nepal, de quem Mao gostava muito, e a quem ele recebeu e acompanhou, não apenas por causa de interesses materiais, tais como a esperança de ganhar vantagens políticas e de fazer deles satélites chineses, mas também a filosofia de Mao coincidia completamente com a deles.” (Enver Hoxha, Carta ao Camarada Hysni Kapo, 30 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Inglês).



O Camarada Enver Hoxha afirmou que o principal acontecimento que fez o PTA começar a analisar o 2Pensamento Mao Zedong” de uma maneira mais profunda foi precisamente a revolução cultural. Para os Marxistas-Leninistas albaneses, esse foi o ponto decisivo que os levou a desmascarar o revisionismo Maoista e a demarcarem-se do social-imperialismo chinês (apesar de o camarada Enver e o PTA terem anteriormente criticado os traços oportunistas do PCC):



(…) aquilo que mais atraiu a atenção do nosso partido foi a Revolução Cultural, que levantou muitas questões. Durante a Revolução Cultural, iniciada por Mao Zedong, vieram á luz ideias e acções políticas, organizacionais, ideológicas levadas acabo pelo PCC e pelo estado Chinês que não eram baseadas nos ensinamentos de Marx, Engels, Lénine e Estaline.



Julgando as suas anteriores acções duvidosas, bem como aquelas observadas durante a Revolução Cultural, e especialmente os acontecimentos que se seguiram á Revolução, a ascensão e a queda deste ou daquele grupo na liderança, hoje o grupo de Lin Pião, amanhã o de Deng Xiaoping, de Hua Kuo-feng, etc. cada um deles munido com a sua própria plataforma oposta ás dos outros grupos; todas estas coisas levaram o nosso partido a reflectir mais profundamente sobre as posições e as acções de Mao Zedong e do PCC, a adquirir um conhecimento mais profundo acerca do “Pensamento Mao Zedong”.



Quando vimos que esta Revolução Cultural não estava a ser liderada pelo partido, mas não era mais do que uma explosão caótica que ocorreu no seguimento de uma invocação feita por Mao Zedong, tal não nos pareceu ser revolucionário. Foi a autoridade de Mao na China que fez com que milhões de jovens estudantes desorganizados marchassem sobre Pequim e dispersassem os comités do estado e do partido.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



De acordo com o Camarada Enver, aquilo que realmente irritou os comunistas albaneses foi o facto de a Revolução Cultural ser um movimento de massas com traços espontaneístas e anarquistas que excluíam completamente o papel dominante não apenas do partido, mas também do proletariado:



(…) a sua principal característica é que nem o partido nem o proletariado lideravam esta “grande revolução proletária”. Esta grave situação derivou das velhas concepções anti-Marxistas de Mao Zedong que subestimavam o papel dirigente do proletariado e sobrestimavam o papel da juventude na revolução. Mao escreveu que: “ Que papel é que a juventude chinesa assumiu desde o “Movimento de 4 de Maio”? Eles assumiram um papel de vanguarda – um facto que é reconhecido por toda a ente no nosso país, á excepção dos ultra-reaccionários. O que é um papel de vanguarda? Significa tomar a liderança.” Assim, a classe operária foi deixada de lado (…).” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).




É bem conhecido o facto de que uma das características mais famosas da ideologia Maoista é a sua disponibilidade para colocar toda e qualquer classe social a liderar a revolução. Toda e qualquer classe social … excepto o proletariado, claro. Por exemplo, durante a Revolução Cultural, Mao considerava a juventude como o sector social que deveria liderar a revolução. Esta ideia é totalmente anti-Marxista. É verdade que a juventude é uma força muito progressista, que ela tem tendência a seguir aquilo que é novo e a rejeitar aquilo que é velho e retrógrado. Mas isso não significa que a juventude deva liderar a revolução proletária. O mesmo pode ser dito acerca dos camponeses. Apesar de a os camponeses pobres (e nas fases inicias da revolução, também certos estratos do campesinato médio) poderem assumir um papel importante e até decisivo na vitória da revolução proletária, o campesinato não pode nunca substituir o proletariado enquanto força dirigente da revolução:



Mao afirmou que todos os outros partidos e forças políticas se devem submeter ao campesinato e ás suas posições. “ … milhões de camponeses vão erguer-se como uma tempestade, e constituirão uma força tão grande e violenta que nenhum poder, por muito grande que seja, a poderá deter.” escreve Mao. “Eles irão testar todo e qualquer grupo e partido revolucionário, eles irão testar cada revolucionário individualmente, de maneira que das duas uma: ou estes revolucionários aceitam as ideias dos camponeses ou as rejeitam.” De acordo com Mao, é o campesinato e não a classe operária que deve assumir o papel hegemónico na revolução.



Mao Zedong também defendeu a tese segundo a qual é o papel hegemónico do campesinato na revolução que assegura o caminho para a revolução mundial. E é aqui que está a fonte da concepção anti-Marxista que considera que o chamado “terceiro-mundo”, o qual na literatura política chinesa também é denominado como “a zona rural do mundo”, como “ a principal força motora para a transformação da sociedade actual.”



Segundo as posições chinesas, o proletariado é uma força social secundária, que não pode assumir o papel previsto por Marx e por Lénine na luta contra o capitalismo e pelo triunfo da revolução, em aliança com todas as forças oprimidas pelo capital. A revolução chinesa tem sido dominada pela pequena e média burguesia. Esta larga camada da pequena-burguesia tem influenciado o desenvolvimento global da China. Mao Zedong não se baseou na teoria Marxista-Leninista que nos ensina que o campesinato e a pequena-burguesia são, em geral, vacilantes. É claro que o pequeno e médio campesinato assumem um papel importante na revolução e devem tornar-se em aliadas próximas do proletariado. Mas a classe camponesa e a pequena-burguesia não podem conduzir o proletariado na revolução. Pensar e defender o contrário significa estar contra o Marxismo-Leninismo. Aqui jaz uma das principais fontes das posições anti-Marxistas de Mao Zedong, que têm tido uma influência negativa na revolução chinesa.


O PCC não consolidou a ideia teórica do papel hegemónico do proletariado na revolução enquanto princípio revolucionário básico, e consequentemente, ele não o aplicou na prática de forma adequada e consistente. A experiência demonstra que o campesinato só pode assumir o seu papel revolucionário se actuar em aliança e sob a direcção do proletariado.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



O Marxismo-Leninismo ensina-nos que o campesinato é uma classe hesitante, e que o proletariado deve persuadi-lo e inculcar-lhe a sua teoria revolucionária e científica. A teoria Maoista que absolutiza o papel do campesinato e recusa os princípios do Marxismo-Leninismo acerca do papel do proletariado trouxe consequências horríveis ao movimento comunista. Um dos casos mais dramáticos no qual a teoria abjecta e anti-comunista de Mao acerca do “cerco das cidades pelo campo” assumiu traços extremistas foi o do Cambodja de Pol Pot (um tema que iremos desenvolver neste artigo).


Assim, o papel dirigente na revolução proletária deve pertencer sempre á classe operária (proletariado). Se a revolução não for liderada pelo proletariado, isso significa que essa revolução não tem carácter comunista nem Marxista-Leninista. Quem negue o papel dirigente do proletariado na revolução comunista é um anti-Marxista-Leninista e deve ser implacavelmente combatido; e a verdade é que o Maoismo rejeitou o papel dirigente do proletariado tanto em teoria como na prática. Aliás, é impossível falar acerca do papel dirigente do proletariado num contexto como o da China Maoista, no qual a burguesia nacional dominava a base material do poder económico, e consequentemente dominava a superstrutura social e política que permitia a perpetuação da exploração capitalista.





As características anarquistas da Revolução Cultural estão intimamente relacionadas comas concepções esquerdistas e anti-Marxistas de Mao Zedong que foram realçadas durante a Revolução Cultural:



Encorajar a liberdade de expressão é encorajar a voz pública, de maneira que cada pessoa possa falar e criticar livremente.” (Citação de Mao Zedong, 16 de Maio de 1966).



No contexto da Grande Revolução Cultural Proletária, as massas só se podem libertar a elas mesmas, e nós nunca podemos ter a pretensão de agir em seu lugar.” (Decisão do Comité Central do PCC acerca da Grande Revolução Cultural Proletária, 8 de Agosto de 1966, Pequim).



Esta teoria acerca da auto-libertaçao das massas revela claramente a natureza voluntarista e idealista das concepções Maoistas. Aliás, esta falsa ideia de “deixar as massas libertarem-se a si mesmas” é comum a quase todos os partidos Maoistas de todo mundo, supostamente com o objectivo de “evitar desvios burocráticos”. De facto, esta teoria é muito semelhante ás teses anarquistas e esquerdistas que não aceitam aquilo que eles chamam de “socialismo imposto a partir de cima”; ou, por outras palavras, eles não aceitam o papel dirigente do partido comunista como a vanguarda do proletariado em aliança com as outras classes exploradas. Esta negação do papel dirigente do proletariado conduz directamente á negação da necessidade de implementação da ditadura do proletariado.


Este tipo de teses de inspiração anarquista emerge invariavelmente em situações de tensão social, mas nas quais não existe um verdadeiro partido Marxista-Leninista que possa liderar as classes oprimidas e estabelecer a ditadura do proletariado. No que respeita aos traços anarquistas do “Pensamento Mao Zedong” em geral, e da Revolução Cultural em particular, o Camarada Enver Hoxha sublinhou que:



Mao Zedong não deve ser qualificado como um “profeta da revolução”, mas sim como “um profeta da contra-revolução”. Ele representou o tipo de anarquista em cujo sangue corre a confusão, o caos, e a destruição da ditadura do proletariado e do socialismo, mas sempre soba condição de que esta anarquia permanente fosse liderada por ele ou pela sua típica ideologia anarquista chinesa. Mao Zedong é um Bakunine Chinês. A revolução Cultural foi uma expressão das ideias e acções deste Bakunine Chinês.



O caos que se espalhou na China, originado pela linha traidora e anti-Marxista de Mao Zedong e dos seus súbditos, um caos cheio de derrotas na política, na ideologia e na economia foi combatido pelo “Grande Timoneiro” através da anarquia da Revolução Cultural. Esta revolução anarquista salvou o governo absoluto de Mao, mas incluiu o risco de o destruir. O “prestígio” do “Timoneiro” tinha de ser salvo, não foi permitido que a anarquia fizesse cair os mitos, e por isso foram tomadas medidas militares.



O carácter da burocracia de Zou Enlai-Confúcio foi salvo e elementos “revolucionários” supostamente mais “jovens” foram integrados na cena de agitação e de propaganda, a qual foi pintada pelo “Timoneiro” como sendo uma “revolução dentro da revolução” através da qual se estaria a eliminar a burguesia que se teria infiltrado dentro do partido.


Mas a verdade é que não havia partido, mas apenas a burguesia, havia clãs e facções que lutavam pelo poder. Esta foi a “revolução permanente” Trotskista, liderada por Mao Zedong-Trotsky.” (Enver Hoxha, Carta ao Camarada Hysni Kapo, 30 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Inglês).



Neste ponto, outra questão se coloca: os Maoistas estão sempre a referir-se ás “massas” em termos abstractos, mas o que é que eles querem dizer com isso? Não é por acaso que sua definição de massas é tão vaga. Isto acontece porque, usando as “massas” como pretexto, os Maoistas podem justificar a existência de várias classes através de falsos slogans “revolucionários” e “socialistas”.


Não é surpreendente que o PCC tenha praticamente deixado de existir durante a Revolução Cultural. Ele deixou de existir porque, durante a revolução Cultural, existiam múltiplos clãs revisionistas dentro do PCC que lutavam uns contra os outros e tentavam conquistar o poder de forma a defenderem os interesses das facções da burguesia que cada um deles representava. Neste contexto, o PCC foi “neutralizado” simplesmente porque ele não tinha nenhum papel independente a desempenhar. Após esta Revolução Cultural, quando as facções vitoriosas da burguesia consolidavam o seu poder, então o PCC reocupou o seu lugar enquanto Comité Geral da burguesia monopolista chinesa.


A ideia da liderança espontânea das massas está também incluída na tese Maoista que propaga o controlo do Partido Comunista pelos partidos e classes burgueses. Essa tese propõe uma crítica geral entre os elementos das várias classes que existem dentro do sistema socio-económico burguês que constitui a definição Maoista de “Nova Democracia”. Nós não devemos esquecer que Mao sempre defendeu as “100 escolas” que deveriam debater entre si. É claro que estas “100 escolas” significam uma grande variedade de ideologias burguesas que, de acordo com Mao, devem ser deixadas não apenas existir, como também desenvolver-se e espalhar a sua influência tóxica sobre o proletariado e as massas exploradas:



As concepções revisionistas de Mao Zedong baseiam-se na política de colaboração e de aliança com a burguesia que o PCC tem aplicado sempre. Esta é também a fonte do curso anti-Marxista e anti-Leninista de “deixar 100 flores desabrochar e 100 escolas debater”, que é uma expressão directa da coexistência de ideologias opostas.



De acordo com Mao Zedong, na sociedade socialista, lado a lado com a ideologia proletária, com o materialismo e o ateísmo, a existência da ideologia burguesa, do idealismo e da religião, o crescimento de “plantas venenosas” ao lado de “flores perfumadas”, etc. deve ser permitido. Este curso é supostamente necessário para o desenvolvimento do Marxismo, de forma a abrir o caminho para o debate e a liberdade de pensamento, enquanto que na realidade, através deste curso, ele está a tentar estabelecer a base teórica da política de colaboração com a burguesia e da coexistência com a sua ideologia.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Esta situação contrasta totalmente com o que aconteceu na União Soviética dos Camaradas Lénine e Estaline e na Albânia Socialista do Camarada Enver Hoxha, onde o Marxismo-Leninismo tinha predominância absoluta e estava a eliminar todo o tipo de ideias e de mentalidades burguesas. No contexto de uma verdadeira ditadura proletária, não pode haver espaço para ideologias que não sejam Marxistas-Leninistas. O Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo deve ser a única ideologia permitida e encorajada em todas as esferas da vida. Inculcar o Marxism-Leninismo nas mentes e nos corações de todos os trabalhadores é a melhor maneira de assegurar o fortalecimento da ditadura proletária e a edificação bem-sucedida da sociedade socialista e comunista.


É claro que o Maoismo rejeita tudo isto e propõe uma “revolução” feita por “várias classes” (ou seja, pela burguesia). Esta concepção está nos antípodas dos ensinamentos mais básicos do Marxismo-Leninismo acerca do papel principal que o proletariado deve assumir em qualquer autentica revolução proletária de maneira a remover completamente até mesmo os mais pequenos traços do sistema capitalista e da ideologia burguesa.



O Camarada Enver Hoxha também nota que a defesa que Mao faz da reconciliação de classe com a burguesia chega a tal ponto que ele (Mao) até critica a luta contra os elementos e as influências burguesas:



Mao Zedong afirma que “ (…) é uma política perigosa proibir as pessoas de tomarem contacto com aquilo que é feio, falso e hostil em relação a nós, com o idealismo e a metafísica, bem como com os pensamentos de Confúcio, de Lao Tze e de Chang Kai-shek. Isso significaria levar á deterioração, ao sectarismo mental e á falta de preparação para enfrentar o mundo (…).”



A partir daqui, Mao Zedong conclui que o idealismo, a metafísica e a ideologia burguesa vão existir eternamente, e por isso eles não só não devem ser proibidos como devm ter a possibilidade de florescer, de actuarem abertamente e de debaterem entre si. Esta atitude conciliatória em relação a tudo aquilo que é reaccionário vai ao ponto de qualificar os distúrbios na sociedade socialista como algo inevitável e de dizer que é nocivo proibir a actividade dos inimigos. “Na minha opinião,” diz Mao, “quem queria provocar sarilhos deve poder fazê-lo durante o tempo que quiser: e se um mês não for suficiente, ele pode fazê-lo durante dois; em poucas palavras, quem queira arranjar sarilhos deve ser livre para o fazer até se fartar. Se nós tentarmos impedir isso, mais tarde ou mais cedo vai voltar a haver sarilhos”.



Muito longe de serem contribuições académicas para uma discussão “científica”, estas posições configuram uma linha política contra-revolucionária e oportunista que está em oposição ao Marxismo-Leninismo e que desorganizou o PCC, nas fileiras do qual têm circulado cento e uma posições e ideias e onde hoje em dia há realmente 100 escolas que debatem entre si. Esta situação permitiu ás vespas burguesas circular livremente no jardim das 100 flores e libertar o seu veneno.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



E há mais:



(…) tomando abertamente os contra-revolucionários sob a sua protecção, Mao Zedong afirmou que: “ … nós devemos prender muito poucos e não devemos matar nenhum deles. Eles não devem ser presos pelos conselhos de segurança pública, nem devem ser perseguidos pelos órgãos de justiça ou julgados pelos tribunais. Mais de 90% dos contra-revolucionários devem ser tratados desta maneira.” Raciocinando como um sofista, Mao Zedong diz que a execução dos contra-revolucionários não é benéfica, que uma tal acção alegadamente prejudica a produção, o nível científico do país, traz-nos má publicidade, etc. Mao afirma que se um contra-revolucionário é liquidado, “nós teríamos de comparar o seu caso com o de um segundo, de um terceiro e assim por diante, e então muitas cabeças rolariam … quando uma cabeça é cortada não pode mais ser restaurada, nem irá crescer novamente nunca mais.” Como resultado destas concepções anti-Marxistas acerca das contradições, das classes e do seu papel na revolução que o “Pensamento Mao Zedong” defende, a China nunca avançou pelo caminho correcto da edificação socialista.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Estas citações de Mao Zedong demonstram claramente que ele rejeitava o uso da violência revolucionária contra os elementos burgueses e capitalistas.


Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, consideramos a violência revolucionária como uma arma fundamental para o estabelecimento da ditadura proletária. Sem violência revolucionária não pode haver edificação firme e correcta da sociedade socialista e comunista.



Como nota final acerca da Revolução Cultural, nós concluímos que o objectivo de Mao não foi atingido. Mao não capaz de manter o aparente “equilíbrio” do estado burguês chinês através da suposta “partilha de poder” entre a burguesia nacional e a pequena-burguesia camponesa. Ele não conseguiu impedir a burguesia monopolista chinesa de colocar o estado chinês sob o seu total domínio, e Mao não o conseguiu impedir porque o poder económico da burguesia nunca foi eliminado e mesmo as relações de produção continuaram a ter uma carácter burguês e capitalista durante o governo de Mao. Por estas razoes, era só uma questão de tempo até que a burguesia nacional monopolista chinesa adquirisse o controlo completo do aparelho estatal, como de facto aconteceu.







As tendências revisionistas são algo que existe desde o início do movimento comunista. A burguesia sempre tentou penetrar nas fileiras comunistas de maneira a corromper a pureza da ideologia Marxista e a afastar os militantes comunistas da ideia da revolução proletária.


Primeiramente, surgiram os revisionismos de Bernstein e de Kaustky. Estes eram revisionismos óbvios cujo objectivo era transformar o Marxismo numa ideologia “razoável” e “aceitável” aos olhos da burguesia.



Como afirma o Camarada Enver Hoxha:


(…) após os acontecimentos heróicos da Comuna de Paris, (…) a burguesia, mortalmente receosa de que o grande exemplo da Comuna se espalhasse, encorajou a corrente oportunista de Bernstein, que tentou retirar ao Marxismo o seu conteúdo revolucionário e torná-lo inofensivo para a dominação política da burguesia imperialista.” (Enver Hoxha, Eurocommunism is Anti-communism, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Inglês).





É muito importante tomar os revisionismos de Bernstein e de Kautsky em consideração, porque as suas ideias influenciaram praticamente todas as futuras tendências revisionistas, oportunistas e anti-Marxistas, incluindo o Maoismo:



As teorias de Bernstein e de Kautsky são encontradas, em várias formas, ás vezes abertamente e ás vezes de forma oculta, no revisionista Browder, no revisionismo Khrushchevista, no revisionismo Titoista, no revisionismo Francês, no revisionismo Italiano de Togliatti, no Pensamento Mao Zedong e em todas as outras correntes revisionistas. Estas correntes anti-Marxistas, que se estão a desenvolver no seio do mundo capitalista e revisionista, constituem a quinta coluna dentro das fileiras da revolução mundial e elas pretendem prolongar a existência do capitalismo internacional ao combaterem a revolução a partir do seu próprio interior.” (Enver Hoxha, Eurocommunism is Anti-communism, Tirana 1980, traduzido a partir da edição em Inglês).



Bernstein foi, muito antes de Khrushchev, um ardente defensor da via “gradual” e “pacífica” para o socialismo.


Depois de Bernstein, Kautsky e Companhia, existiram outras correntes revisionistas tais como o Trotskismo, o Titoismo e o Krushchevismo. Todas estas correntes tentaram separar os povos da luta pelo socialismo através da negação da necessidade da ditadura do proletariado e da defesa da tese segundo a qual “há muitas maneiras de atingir o socialismo” e “depois da revolução socialista, a luta de classes vai desaparecer”, etc. Nas suas obras, os 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo analisaram profundamente as causas, as consequências, a ideologia e as acções de todas estas correntes revisionistas e anti-socialistas e, por isso, não há necessidade de falar mais acerca delas.


Ao reflectirmos acerca da evolução dos sucessivos movimentos revisionistas, nós podemos notar facilmente que a astúcia da burguesia para descobrir novas formas de revisionismo com o propósito de afastar as massas do projecto socialista está a aumentar. Enfrentando o poder das forças proletárias e o aprofundamento da sua consciência revolucionária, a burguesia é forçada a criar novas “ideias” e “teorias” reaccionárias sempre disfarçadas sob uma máscara “socialista” de forma a perpetuarem o sistema capitalista e os fabulosos privilégios de classe que lhe são inerentes. Ao fazer isto, o principal objectivo da burguesia é enganar o proletariado, é criar ilusões e propagar mentiras de maneira a deter a revolução socialista.


No caso do revisionismo Maoista, nós notamos que a burguesia juntou todas as velhas ideias revisionistas e tentou vesti-las com uma roupagem “revolucionária” e “de esquerda” com o propósito de iludir as classes trabalhadoras. No entanto, por detrás da sua aparência “revolucionária”, a verdade é que o Maoismo foi uma tendência anti-Marxista desde o início. Tal como o Camarada Enver Hoxha disse no seu excelente livro “Reflexões sobre a China”, a revolução Chinesa de 1949 não foi nada mais do que uma revolução burguesa e Mao Zedong nunca foi Marxista-Leninista:



Mao Zedong não é Marxista-Leninista. Ele é um democrata revolucionário e progressista e, na minha opinião, é a partir deste ângulo que a sua obra deve ser estudada.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 26 December of 1976, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Mas para compreendermos correctamente o verdadeiro carácter do revisionismo Maoista, nós temos de analisar as suas origens, nós temos de analisar as condições nas quais o movimento democrático e anti-colonialista chinês se desenvolveu.


No século XIX, o mundo era dominado pelas potências coloniais e imperialistas europeias. Os imperialismos Britânico, Francês, Alemão, Russo, Português, Japonês, etc.… dividiam o mundo entre si. O Imperialismo Britânico era hegemónico mas isso não impedia os outros imperialismos de tentarem encontrar novas áreas coloniais onde pudessem encontrar novos recursos e mercados para os seus produtos e capitais. De facto, a rivalidade entre as várias potências imperialistas europeias aumentava ao mesmo tempo que existiam cada vez menos áreas do mundo susceptíveis de ser transformadas em zonas coloniais sem interferências ou conflitos com os outros imperialismos também interessados na expansão colonial. E claro que quando estas potências imperialistas europeias penetravam num novo território para o transformar numa nova colónia, elas só permitiam o desenvolvimento de certos ramos da indústria e da agricultura cujo desenvolvimento era considerado mais favorável para a economia das potências coloniais. Isto é muito normal, porque o objectivo dessas potências era fazer das colónias meros fornecedores de matérias-primas sem quaisquer sinais de desenvolvimento económico independente. Os efeitos e as consequências dos imperialismos europeus foram horrendos, desde fomes em grande escala provocadas pelo Homem e atrocidades cometidas contra os povos das colónias até ao conjunto de massacres e chacinas que ficou conhecido como “Primeira Guerra Mundial” e que foram um produto das violentas contradições inter-imperialistas. Em muitos sentidos, estas consequências horríveis são sentidas ainda hoje, especialmente no que respeita á distribuição da riqueza mundial e á divisão entre países “ricos” e países “pobres”, divisão essa que foi artificialmente criada pelo sistema capitalista e imperialista.



No entanto, foi apenas na segunda metade do século XIX que os poderes imperialistas finalmente penetraram na China. Na realidade, o caso da China é muito curioso porque o século XIX foi a idade de ouro do colonialismo tradicional; mas mesmo quando a coligação formada pela Grã-Bretanha, França, Rússia, Japão, etc.… conseguiu derrotar a dinastia Qing, as potências referidas não transformaram a China num país colonial no sentido tradicional do termo. Em vez disso, elas aplicaram aquilo que se pode denominar como colonialismo indirecto, ou semi-colonialismo, enquanto mantinham a independência formal da China. De facto, nós podemos afirmar que a China foi um dos primeiros territórios no qual foi aplicado aquilo que hoje chamamos neo-colonialismo. Esta situação provocou o desenvolvimento na China de uma burguesia muito poderosa e influente que estava intimamente ligada aos imperialismos estrangeiros. Simultaneamente, houve outras secções da burguesia Chinesa que também se expandiram, especialmente a burguesia mais radical e nacionalista cujos interesses tinham profundas contradições com os da burguesia pró-imperialista. Isto acontecia porque as potências imperialistas favoreciam a burguesia pró-imperialista, e através deste favorecimento esta burguesia pró-imperialista partilhava o controlo das principais indústrias e recursos da China com os imperialistas estrangeiros.


De forma a lutar contra a posição dominante da burguesia pró-imperialista, a burguesia nacional reclamava a “verdadeira independência” e a “luta contra o controlo estrangeiro sobre a China”. Assim, os argumentos da burguesia nacional, cuja ideologia vai constituir o principal ingrediente do revisionismo Maoista, não eram mais do que instrumentos usados por uma facção da classe burguesa para concretizar os seus interesses relativamente a outra facção mais poderosa da mesma classe. A burguesia pró-imperialista tinha poder porque servia os interesses dos imperialistas estrangeiros. Consequentemente, para ultrapassar esta situação, a burguesia nacional desejava a “autêntica independência” da China de maneira a quebrar os laços que uniam os imperialistas estrangeiros á burguesia pró-imperialista, laços esses que garantiam o poder e a influência da última na sociedade chinesa.


Ao dizer isto, nós não negamos que esta burguesia nacional tinha um certo carácter “progressista”. Afinal, nós devemos lembrar-nos que, naqueles tempos, a China ainda era um país semi-feudal e os camponeses chineses eram barbaramente oprimidos pelos senhores da guerra feudais que reinavam nas zonas rurais. Este facto foi determinante para que a burguesia nacional e “progressista” pudesse ganhar os camponeses e as classes trabalhadoras para o seu lado. A burguesia nacional “revolucionária” “prometeu” libertar os camponeses da opressão medieval e com isto começou uma luta em duas frentes: contra a burguesia pró-imperialista nas áreas urbanas e contra os senhores feudais nas áreas rurais. Foi no contexto desta luta entre a burguesia nacional e “progressista”, apoiada pelos camponeses e pelas classes trabalhadoras, e a burguesia pró-imperialista e os senhores feudais que a revolução chinesa de 1911 liderada por Sun-Yat Sen 8º líder do Kuomintang) eclodiu e estabeleceu a república chinesa. Esta revolução teve um carácter democrático-burguês e, apesar das simpatias de Sun-Yat Sen pela União Soviética Leninista, ela nunca constituiu ameaça para o poder da burguesia pró-imperialista, nem para o controlo imperialista da China. O Camarada Enver Hoxha analisou de forma brilhante a natureza desta república Chinesa e as condições nas quais surgiu o Partido Comunista da China num artigo intitulado: “Pode a Revolução Chinesa ser qualificada como uma revolução proletária?”:


A república Chinesa era uma república democrático-burguesa, que ainda não possuía todas as características e traços de uma democracia burguesa avançada, apesar de caminhar nessa direcção. (…) Naquele tempo, a China sofria do duplo domínio da monarquia absoluta, do caos nas províncias, onde os senhores da guerra reinavam sobre as suas administrações autónomas e sobre os seus exércitos quase privados; e ainda da dominação dos estados imperialistas. (…) A proclamação da República e a chegada ao poder do Kuomintang não significaram que a grande burguesia chinesa, a burguesia nacional e a burguesia pró-imperialista tivessem sido eliminadas. De forma nenhuma. Esta burguesia permaneceu no poder e continuou a manter, proteger e desenvolver as suas ligações com os estados imperialistas, especialmente com o imperialismo Americano. (…) Sun-Yat Sen e o Kuomintang escolheram e desenvolveram o caminho das reformas democrático-burguesas e, apesar de terem relações amistosas com a União Soviética Leninista, eles estavam longe de seguir o caminho Leninista para a transformação da China.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 26 de Dezembro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



O facto de a república Chinesa nunca se ter conseguido livrar do domínio estrangeiro e do poder da burguesia pró-imperialista deveu-se á fraqueza ideológica de Sun-Yat Sen. Em vez de lutar contra a burguesia pró-imperialista, ele limitou-se a culpar a dinastia Qing pelo facto de a China continuar a ser um país semi-feudal completamente explorado e controlado pelos imperialismos estrangeiros. Ele nunca compreendeu que para eliminar o feudalismo e a interferência imperialista na China, era necessário pelo menos neutralizar a burguesia pró-imperialista:



As suas posições e inclinações sociais eram radicais nas palavras, mas débeis no conteúdo. As inclinações políticas e ideológicas de Sun Yat-Sen, Chiang Kai-shek e do Kuomintang no seu todo estavam muito próximas das posições das democracias-burguesas da Europa Ocidental, da América e de outros países como o Japão.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II 26 de Dezembro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Assim, podemos concluir que a revolução de 1911 que estabeleceu a república Chinesa não modificou substancialmente as estruturas socio-económicas e de classe do país. Isto significou que a burguesia nacional “progressista” continuou a sua luta contra as secções burguesas rivais.



Em 1920, nasce o Partido Comunista da China. O PCC era composto por alguns pequenos grupos que se encontravam num estado de total confusão e vacilação ideológica. Os membros do PCC eram guiados por uma ideologia que não era o Marxismo-Leninismo, mas sim uma ideologia reaccionária e idealista inspirada no Confucionismo, no Budismo, na filosofia chinesa tradicional, etc.… e isto para não falar das influências Trotskistas e Anarquistas que também se faziam notar no interior do PCC:



O PCC nasceu e desenvolveu-se no seio da velha sociedade e civilização Chinesa e os seus membros , naquele tempo, eram produto da educação moral e intelectual de Confúcio, da educação democrático-liberal e, finalmente, da educação Marxista-Leninista. Mas mesmo mais tarde nunca é possível afirmar que os Marxistas Chineses tenham rompido completamente com a civilização tradicional que continuou a influenciá-los através da psicologia individual e nacional. Os primeiros grupos Marxistas caracterizavam-se pela confusão ideológica e pela vacilação na linha política.



Todas estas tendências ideológicas e políticas deveriam ter sido controladas, no sentido de que as fileiras deveriam ter sido purgadas e de que a influencia daqueles elementos que eram democratas mas não Marxistas e que não seguiam os princípios fundamentais do Marxismo-Leninismo deveria ter sido reduzida. Com isto eu quero dizer que o terreno deveria ter sido desbravado de maneira a formar um verdadeiro partido comunista, que seguiria a teoria do Marxismo-Leninismo, e que aplicaria essa teoria de maneira criativa ás condições da China de uma forma clara e profunda de acordo com as ideias que guiaram a Grande Revolução Socialista de Outubro, as ideias Marxistas de Lénine.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 26 de Dezembro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Nós devemos também notar que a maioria dos membros do partido se encontravam sob a influência da burguesia nacional chinesa e, de facto, o revisionismo Maoista serviria principalmente os interesses desta burguesia nacional contra os imperialismos estrangeiros e a burguesia pró-imperialista:



(…) os novos quadros do partido eram influenciados por um forte sentimento de nacionalismo chinês, de independência deste “grande estado” e pelas ideias filosóficas de Confúcio, Mêncio, etc. Isto impediu que os camaradas chineses, que se estavam a formar durante as lutas e batalhas, considerassem o Marxismo-Leninismo como a verdadeira bússola que os guiaria na noite escura da revolução democrático-burguesa chinesa e também os impediu de elaborarem uma linha política Marxista-Leninista com objectivos claros que os pudesse iluminar ao longo das várias etapas da revolução chinesa.



O Partido Comunista da China adoptou apenas alguns slogans e fórmulas Marxistas, mas na sua essência ele não era um verdadeiro partido do proletariado, ele não era um verdadeiro partido da revolução que pudesse assegurar a liderança na revolução democrática bem como a sua transformação na revolução proletária. De facto, uma série de desvios e de teorias anarquistas desenvolveram-se dentro das suas fileiras. O próprio caminho seguido pela China desde a fundação da república democrático-burguesa de Sun Yat-Sen até aos dias de hoje é testemunha deste curso caótico.



O Partido Comunista da China deveria ter-se fortalecido ideológica e organizacionalmente, deveria ter trabalhado para construir a sua identidade e, passo a passo, ele deveria ter criado as suas alianças com as classes e forças revolucionárias, deveria ter lutado pela consolidação das posições da democracia burguesa que estava a ser construída, ou seja, deveria ter assegurado as liberdades democráticas do povo, deveria ter aumentado a sua influência no seio do povo e, em primeiro lugar, do proletariado (…) deveria ter-se esforçado por atingir posições dominantes nos sindicatos e por dar continuidade a sua propaganda de classe de forma a consolidar as suas posições no seio da classe trabalhadora que seria a força determinante da revolução.”



Ao mesmo tempo, o PCC deveria ter estendido a sua influência ás zonas rurais (…) e deveria ter sido mais consistente na implementação da reforma agrária e do despertar político e educacional das regiões rurais da China.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 26 de Dezembro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Além do mais, o PCC operava num estado de total desorganização, sem sequer tentar seguir as indicações e as directivas que o Comintern de Lénine lhe transmitia. O Camarada Lénine analisou a situação na China e, no seu segundo Congresso, o Comintern defendeu:



(…) a tese de que “a revolução na China e nos outros países coloniais deve ter um programa que permita a inclusão de reformas burguesas e, especialmente, a reforma agrária”, mas sublinhou que a liderança da revolução não deve ser cedida á burguesia democrática; pelo contrário, as decisões do Congresso dizem que o partido do proletariado deve elaborar uma propaganda sistemática e efectiva a favor dos sovietes e deve organizar Sovietes de operários e camponeses o mais rapidamente possível. Esta era a linha geral do Comintern, que deveria ter sido também seguida pelo PCC.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 26 de Dezembro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).


Consequentemente, o Camarada Enver conclui que:



(…) do ponto de vista do socialismo científico, o Partido Comunista da China não levou a cabo o papel que lhe competia na situação existente na China de forma ponderada e sistemática.



(…) existiam várias tendências no seio daquele pequeno partido que se auto-denominava Partido Comunista da China, tendências que nunca permitiram que se estabelecesse uma correcta linha Marxista-Leninista, ou uma acção e pensamento Marxista-Leninista que pudesse guiar o partido. Estas tendências iniciais que afectaram mesmo os principais líderes do partido eram frequentemente esquerdistas, ás vezes oportunistas de direita, ás vezes centristas, ou até anarquistas, Trotskistas, burguesas, chauvinistas e racistas. Estas tendências permaneceram como uma das características distintivas do PCC que Mao Zedong e o seu grupo vieram posteriormente a liderar.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II 26 de Dezembro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Como se pode observar nestes excertos, o Camarada Enver Hoxha expôs os desvios e os erros ideológicos que iriam afectar grandemente o futuro curso do Partido “Comunista” da China e a sua aceitação total do revisionismo e do social-imperialismo. Ele fê-lo de uma maneira correcta, adequada e Marxista-Leninista. Por isso, não há necessidade de falar mais acerca dos inícios do PCC.


Agora que já tomámos as suas origens em consideração, vamos analisar o revisionismo Maoista em si mesmo.



Tal como já referimos, a facção “radical” da burguesia nacional continuou a sua luta contra os senhores feudais e a burguesia pró-imperialista que a república Chinesa de Sun Yat-Sen foi incapaz de aniquilar.


Em 1931, o imperialismo Japonês ocupou a China e em 1939, a Segunda Guerra Mundial começou. O PCC lutou contra o fascismo nipónico e contra as secções da burguesia chinesa que estavam do lado dos Japoneses e que os estavam a ajudar a dominar a China e a ganhar a guerra. Apoiado pelos camponeses e por algumas massas trabalhadoras, o PCC desempenhou um papel decisivo na derrota dos japoneses na Guerra de Libertação Nacional. No entanto, o PCC não pôde ainda subir ao poder por causa da oposição do Kuomintang. Desde o final dos anos 20 que o PCC e o Kuomintang se envolveram numa guerra pelo domínio político, mas em 1931 eles atingiram uma certa unidade quando começou a luta contra o imperialismo Japonês. Mas após o fim da Segunda Guerra Mundial, o PCC não conseguiu o poder político precisamente porque a guerra contra os Japoneses foi substituída pela guerra contra o Kuomintang. Ambas as forças representavam secções diferentes da burguesia chinesa: o PCC representava a burguesia nacional mais “progressista”, enquanto que o Kuomintang de Chiang Kai-shek representava a burguesia abertamente reaccionária ligada ao Imperialismo Americano. No entanto, tal como o Camarada Enver Hoxha notou, não foi só o Kuomintang que manteve uma relação próxima com o Imperialismo Americano, de facto, o PCC fez o mesmo e, como veremos mais adiante, os “comunistas” chineses revelaram-se os melhores aliados do Imperialismo Americano no que respeita a evitar que o proletariado mundial seguisse o caminho da revolução e da edificação do socialismo e do comunismo.


Finalmente, em 1949, o PCC saiu vitorioso da guerra contra o Kuomintang e a revolução progressista democrático-burguesa, anti-feudal e anti-colonial triunfou na China.


A verdade, no entanto, é que as ideias revisionistas de Mao já existiam muitos anos antes da tomada do poder democrático-burguesa. Um dos textos mais emblemáticos do chamado “Pensamento Mao Zedong” está contido no livro “Nova Democracia” que foi escrito em 1940. Nesta obra, Mao Zedong revela claramente as suas influências burguesas. Ele afirma que:



Durante muitos anos, nós Comunistas temos lutado pró uma revolução cultural bem como por uma revolução política e económica, e o nosso objectivo é construir uma nova sociedade e um novo estado para a nação chinesa.”



Mas após dizer isto, Mao explica o que é que os “comunistas” chineses querem realmente dizer com esta “nova sociedade” e com este “novo estado”:



Nós queremos livrar-nos das velhas teorias políticas e económicas colonialistas, semi-colonialistas e semi-feudais, bem como da velha cultura que as serve.”



Aqui, podemos facilmente notar a animosidade da burguesia “progressista” em relação aos imperialistas estrangeiros, á burguesia pró-imperialista e aos senhores feudais que representavam a “velha cultura” e que estavam a impedir a burguesia nacional “progressista” de atingir o poder político e de concretizar os seus próprios interesses de classe. De facto, nós podemos considerar Mao uma espécie de porta-voz da burguesia nacional chinesa.



No livro “Nova Democracia”, Mao também apresenta a sua famosa tese das duas revoluções:



Ao longo da sua história, a revolução chinesa deve atravessar duas fases, em primeiro lugar, a da revolução democrática, e em segundo lugar, a da revolução socialista; que pela sua própria natureza são dois processos revolucionários diferentes. A democracia já não pertence mais á velha categoria – já não é a velha democracia, mas pertence sim a uma nova categoria – é a Nova Democracia.”



Em primeiro lugar, devemos notar que, pelo que temos observado, Mao nunca explica exactamente como é que a primeira fase da revolução, a da revolução democrática se vai transformar na segunda fase, aquela da revolução socialista. Ele apenas afirma que a Revolução Chinesa vai ter duas fases e que a primeira fase não será “uma democracia qualquer, mas sim uma democracia de tipo chinês, de um tipo novo e especial, nomeadamente, a Nova Democracia.”


Esta divisão da revolução chinesa em “dois processos revolucionários diferentes” é uma das teorias que é qualificada pelos Maoistas como uma “inovação” do Marxismo-Leninismo. Mas infelizmente para os revisionistas do Marxismo-Leninismo-Maoismo, esta teoria constitui uma dos sinais mais óbvios do carácter reaccionário da “Nova Democracia” Maoista.


Após a tomada do poder pelos Krushchevistas na União Soviética, quase todos os partidos “comunistas” que aceitaram a traição revisionista na U.S começaram a qualificar os partidos e os militantes Maxistas-Leninistas que recusavam seguir o seu curso direitista como “ultra-esquerdistas” e “demagogos”. No entanto, 16 anos antes do golpe de estado anti-socialista de Khrushchev, Mao Zedong já rotulava aqueles que recusavam as suas ideias Trotskistas e Boukharinistas como “demagogos esquerdistas”. De facto, este é o título de um dos principais capítulos do seu livro “Nova Democracia”. Nesse capítulo ele afirma frontalmente:


Se o caminho capitalista da ditadura burguesa está fora de questão, será então possível seguir o caminho socialista da ditadura proletária?


Não, isso também não é possível.”


No mesmo capítulo, Mao vai mais longe e faz uma afirmação que é totalmente surpreendente:


(…) há pessoas, aparentemente sem más intenções (?!!), que são iludidas pela “teoria da revolução única” e pela tentação de “concretizar tanto a revolução política como a revolução económica de uma só vez”; eles não compreendem que a nossa revolução está dividida em fases, que nós só podemos avançar para a próxima fase da revolução depois de realizarmos a fase anterior, e que não existe essa coisa de “concretizar ambas as fases de uma só vez”.


Esta teoria errada baseada na falsa presunção de que é essencial desenvolver o capitalismo antes de avançar para a revolução socialista. Esta presunção anti-socialista tem a sua origem na oposição anti-Bolchevique e anti-Leninista no contexto da revolução de Outubro de 1917 e constituiu um dos principais “argumentos” usados pela oposição burguesa para destruir a revolução de Outubro e para restaurar o capitalismo na Rússia com a desculpa de que “as condições económicas na Rússia ainda não estão prontas para a edificação socialista”.


De facto, existe uma grande proximidade entre o Maoismo e outra grande tendência revisionista: o Trotskismo. Tal como o Maoismo, o Trotskismo tentou glorificar e perpetuar a ditadura burguesa ao defender que a revolução socialista é impossível sem o desenvolvimento do capitalismo. Ambos os revisionismos também tentaram convencer as massas oprimidas de que é possível construir o socialismo com base em classes não-proletárias.


Na realidade, a revolução de Outubro foi o precedente histórico que permitiu que Lénine afirmasse:


[…] com a ajuda do proletariado dos países avançados, mesmo as nações mais atrasadas podem estabelecer o regime soviético e, após passarem por certas etapas, eles podem atingir o comunismo sem terem de passar pela fase capitalista.” (Lenin, “IIIe Congrès de l'Internationale communiste”, Oeuvres, Paris-Moscou, 1965, traduzido a partir da edição francesa).


Além disso, os exemplos da União Soviética dos Camaradas Lénine e Estaline e da Albânia Socialista do Camarada Enver Hoxha expõem o carácter ultra-revisionista da seguinte afirmação de Mao:


Não é possível edificar o socialismo sem passar pela fase democrática, e isto é uma lei do Marxismo.” (Mao Zedong, « Du gouvernement de coalition », Oeuvres choisies, Pékin, 1968, traduzido a partir da edição francesa).


Ambos os países possuíam sistemas político-económicos com características feudais e semi-feudais. No entanto, nem Lénine, nem Estaline, nem Enver Hoxha alguma vez pensaram em adiar a revolução socialista simplesmente porque a “democracia” burguesa e o capitalismo não estavam ainda suficientemente desenvolvidos nos seus respectivos países. Defender o contrário significa renunciar ao estabelecimento da ditadura do proletariado e á edificação do socialismo e do comunismo.



Como disse o Camarada Enver Hoxha:



A experiência Albanesa prova que mesmo um pequeno país atrasado material e tecnicamente pode experimentar um grande desenvolvimento económico e cultural, pode assegurar a sua independência e pode também derrotar os ataques do capitalismo mundial e do imperialismo se esse país for liderado por uma verdadeiro partido Marxista-Leninista e se estiver decidido a lutar até ao fim pelos seus ideais confiando sempre na sua realização.” (Enver Hoxha, Report to the VIII Congress of the PTA, Tirana, 1981, traduzido a partir da edição em Inglês).



E como correctamente compreendeu o Partido do Trabalho da Albânia:


O nível de desenvolvimento do capitalismo num determinado país não pode ser considerado como o factor decisivo ou determinante no que respeita á vitória da revolução socialista.” (Parti du Travail d’Albanie, Histoire de la construction socialiste en Albanie, Tirana, 1988, traduzido a partir da edição em Francês).



Os comunistas Albaneses começaram a aplicar a sua ideologia Marxista-Leninista antes mesmo de a Libertação do seu país estar completa, quando eles expropriaram os depósitos privados de cereais nas áreas que iam libertando do controlo das forças do Eixo. Menos de dois anos após a Liberação, quase todas as indústrias e meios de produção da Albânia foram nacionalizados, e as terras pertencentes aos grandes latifundiários foram também expropriadas e distribuídas pelos camponeses sem terra. Os comunistas albaneses seguiram fielmente os ensinamentos de Lénine e de Estaline e foi esta firmeza ideológica que permitiu que a Albânia Socialista tenha sobrevivido ao cerco imperialista e revisionista. Devemos notar que a Albânia Socialista seguiu um caminho contrário ao dos estados social-fascistas. Desde meados dos anos 50, esses estados social-fascistas empenhavam-se em restaurar o capitalismo e as novas classes oligárquicas consolidavam o seu poder e exploravam o povo disfarçando-se com máscaras “socialistas”. Resumindo, a tendência geral nos estados de democracia popular era para o enfraquecimento e aniquilação da ditadura do proletariado. No entanto, no mesmo período, nós observamos que na Albânia Socialista a colectivização da economia em geral e da agricultura em particular estava a intensificar-se, que a ditadura proletária era forte e implacável com os inimigos do socialismo, dando-lhes o tratamento por eles mereciam (contrariamente ao que acontecia nos países revisionistas, onde o “humanismo” burguês estava a impedir o uso da violência revolucionária contra os reaccionários), que a democracia socialista era mais completa do que nunca, que as condições de vida da população melhoravam a olhos vistos, etc. Ou seja, era claramente perceptível que a Albânia não estava apenas a construir o socialismo, ela estava também a avançar em direcção ao comunismo.



Um exemplo da correcção ideológica que caracterizou as acções do PTA traduz-se em que mesmo na primeira fase da reforma agrária, os comunistas Albaneses tiveram sempre consciência de que a pequena propriedade não era mais do que uma etapa temporária, que o seu objectivo era a colectivização de toda a terra. E mesmo quando as zonas rurais já estavam organizadas em cooperativas socialistas, os comunistas Albaneses nunca pararam a sua actividade militante em favor da transformação das cooperativas em propriedade do estado socialista, porque durante o socialismo a forma cooperativa de propriedade é também uma forma transitória, e apenas a sua transformação em propriedade de todo o estado socialista é compatível com o comunismo. O problema com a forma cooperativa de propriedade (da qual os Titoistas e os anarquistas tanto gostam…) é que ela não elimina totalmente o sentido da propriedade privada e do egoísmo burguês, porque a cooperativa é propriedade dos trabalhadores de uma certa área geográfica, não é propriedade do estado de ditadura do proletariado. Assim, isto pode conduzir a situações nas quais os trabalhadores se possam sentir tentados a favorecer os interesses da sua cooperativa regional em detrimento dos interesses de todo o estado proletário. Infelizmente, a tomada do poder pelos revisionistas na Albânia aconteceu antes de os comunistas albaneses terem transformado todas as cooperativas em propriedade de todo o estado, mas a aplicação do Marxismo-Leninismo na Albânia socialista está em total contraste com a concepção Maoista de que:



A república vai tomar certas medidas para confiscar a terra aos latifundiários e distribuí-la aos camponeses que não tenham terra, vai levar a cabo os slogan de Sun Yat-Sen “a terra a quem a trabalha”, vai abolir as relações feudais nas áreas rurais, e vai tornar a terra em propriedade privada dos camponeses. Vai ser permitida nas áreas rurais a existência de uma economia de camponeses ricos. É esta a política da “redistribuição da posse da terra”. “A terra a quem a trabalha” é o slogan correcto para esta campanha. (…) a agricultura socialista não será estabelecida nesta fase (…).” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


A Revolução Socialista Albanesa também teve várias etapas: a primeira etapa foi a da libertação do país e da conquista do poder político pelo proletariado; a segunda foi a da edificação da base económica do socialismo; e a terceira etapa foi a da revolução ideológica e cultural. Mas estas etapas eram muito diferentes das fases propostas por Mao. Enquanto este último separa completamente a fase democrática da fase socialista (Mao nem sequer explica como é que a fase democrático-burguesa se vai transformar na fase socialista), as três etapas da revolução socialista albanesa, longe de estarem separadas, estão intimamente relacionadas umas com as outras. A etapa da libertação do país deve conter elementos da edificação económica do socialismo, enquanto que esta segunda etapa não pode ser realizada sem a tomada do poder pelo proletariado; e finalmente, a revolução ideológica não pode ser concretizada sem as outras duas etapas ao mesmo tempo que as ajuda a consolidar. O que isto significa é que só houve uma Revolução Socialista na Albânia, e estas três fases indicam meramente as tarefas mais importantes em cada período revolucionário (respectivamente: conquista do poder político, edificação económica do socialismo e revolução cultural). As três “fases” da Revolução Socialista Albanesa fundem-se entre si.



Isto nada tem que ver com a concepção Maoista que imagina “dois processos revolucionários diferentes”, nos quais o capitalismo deve ser desenvolvido e nos quais a cooperação entre o proletariado e a burguesia e seus partidos é vista como um fim definitivo.


No seu livro Nova Democracia, Mao faz uma afirmação surpreendente relativamente á revolução de 1911 liderada por Sun Yat-Sen. Mao começa por dizer que esta revolução teve um carácter democrático-burguês, mas depois ele afirma que após a revolução socialista de Outubro de 1917, o carácter da revolução chinesa de 1911 se alterou:


Antes destes acontecimentos, a revolução democrático-burguesa chinesa incluía-se na velha categoria da revolução mundial democrático-burguesa, da qual fazia parte.


Desde estes acontecimentos, a revolução democrático-burguesa chinesa mudou, ela passou a incluir-se dentro da nova categoria das revoluções democrático-burguesas e, no que respeita ao alinhamento das forças revolucionárias, ela faz parte da revolução mundial proletária e socialista.” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


Esta “fórmula” que considera que, após a revolução de Outubro de 1917, todas as revoluções democrático-burguesas fazem parte da revolução mundial proletária e socialista será largamente aplicada por Mao:


Nesta era, qualquer revolução numa colónia ou semi-colónia que seja dirigida contra o imperialismo, e contra a burguesia internacional ou o capitalismo internacional, já não faz parte da velha categoria da revolução mundial democrático-burguesa, mas sim de uma nova categoria.


Essa revolução já não se inclui na velha revolução mundial burguesa ou capitalista, mas inclui-se na nova revolução mundial, na revolução mundial proletária e socialista. Essas colónias e semi-colónias revolucionárias não podem mais ser vistas como aliadas da frente contra-revolucionária do capitalismo mundial; elas tornaram-se aliadas da frente revolucionária do socialismo mundial.” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


Esta afirmação é completamente falsa. Nós, Marxistas-Leninistas, nunca podemos confundir a revolução anti-imperialista e anti-feudal com a verdadeira revolução proletária e socialista. Fazer o contrário é enganar as massas. Uma coisa é considerar que a revolução anti-imperialista e anti-feudal pode abrir o caminho para a revolução socialista, que ela pode facilitar a luta proletária pelo socialismo. Isto é verdade, mas para que seja concretizado é necessário que o proletariado seja capaz de aproveitar e de fazer avançar as características mais progressivas da revolução anti-imperialista de forma a transformá-la numa revolução socialista.


Outra coisa completamente diferente é afirmar que as revoluções anti-imperialista se anti-feudais são partes integrantes da revolução proletária e socialista mundial. Esta teoria é totalmente anti-Marxista e anti-comunista que propaga a colaboração de classe com a burguesia:


Apesar de essa revolução num país colonial ou semi-colonial ser ainda fundamentalmente uma revolução democrático-burguesa durante as suas primeiras fases, e apesar da sua missão objectiva ser preparar o caminho para o desenvolvimento do capitalismo, ela já não é uma revolução do velho tipo liderada pela burguesia com o propósito de estabelecer uma sociedade capitalista e um estado de ditadura burguesa. Ela pertence sim ao novo tipo de revolução liderada pelo proletariado com o objectivo, na primeira fase, de estabelecer uma sociedade de nova democracia sob a ditadura conjunta de todas as classes revolucionárias.”


Apesar de a revolução chinesa na sua primeira fase ser um novo tipo de revolução democrático-burguesa e não ser ainda uma revolução de carácter proletário e socialista, ela há muito que passou a fazer parte da revolução mundial proletária e socialista e é agora uma parte muito importante e uma grande aliada desta revolução mundial. A primeira fase da nossa revolução não será nem poderá ser o estabelecimento de uma sociedade capitalista sob a ditadura da burguesia chinesa, mas resultará sim no estabelecimento de uma sociedade de nova democracia sob a ditadura conjunta de todas as classes revolucionárias da China, encabeçadas pelo proletariado chinês.” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


Assim, de acordo com Mao, todas as “classes revolucionárias” deveriam colaborar na “ditadura conjunta”. Mas o que quer Mao dizer com “todas as classes revolucionárias”? Com esta afirmação, Mao permite que o processo revolucionário seja liderado pela burguesia nacional, porque no contexto da revolução democrático-burguesa contra o feudalismo e o colonialismo, a burguesia patriótica e nacional pode perfeitamente ser considerada como um “classe revolucionária”. O que Mao está a dizer é que o proletariado deve colaborar com a burguesia nacional no desenvolvimento de uma “revolução que sirva o propósito de assegurar o caminho para o desenvolvimento do socialismo.” Afirmar que o proletariado deve depender da ajuda da burguesia para construir o socialismo constitui uma negação completa dos mais básicos princípios Leninistas. A verdade é que o poder político pertence á classe que detém os meios de produção e as relações produtivas que formam a base material da sociedade, e por causa disso, na verdadeira ditadura proletária, as classe revolucionárias proletárias recusam-se a partilhar o poder com a burguesia, não importa se é com a burguesia reaccionária ou se é com a burguesia “progressista”. Num verdadeira democracia proletária, o proletariado nunca deixará a burguesia “progressista” liderar a revolução; de facto, a principal tarefa do proletariado é não apenas eliminar a burguesia enquanto classe, mas também eliminar todas as suas influências ideológicas e culturais, porque não há outra maneira de assegurar a vitória do socialismo e do comunismo.


Contrariamente a Lénine, Mao parece pensar que é positivo para o proletariado colaborar e partilhar o poder com a burguesia nacional “progressista”, e isto significa que na “Nova Democracia” Maoista, a burguesia vai continuar a existir enquanto classe. Se a burguesia continuar a existir enquanto classe, então ela irá certamente controlar os meios de produção em detrimento do proletariado, ela manterá o poder económico nas suas mãos! No final, Mao nega frontalmente a necessidade da liderança do proletariado nesta “Nova Democracia”:


Não interessa que classes, partidos ou indivíduos se juntam á revolução num país oprimido, e não interessa se eles próprios estão conscientes do que sucede ou não; desde que se oponham ao imperialismo, a sua revolução torna-se parte da revolução mundial proletária e socialista e eles tornam-se seus aliados.” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


Assim, para Mao, o proletariado e a burguesia nacional, os explorados e os exploradores estavam todos no mesmo barco, eles não tinham interesses irreconciliáveis entre si; pelo contrário, eles deveriam unir-se na revolução “anti-imperialista”, porque fazendo isto, até a burguesia se pode tornar numa aliada da “revolução socialista e proletária mundial”!


Como se isto não fosse suficiente, Mao vai ainda mais longe com as suas teorias ultra-oportunistas e reaccionárias:


Esta nova república democrática será diferente da velha república Europeia e Americana que se constituiu sob a ditadura da burguesia, que é a democracia do velho tipo e que já está ultrapassada. Por outro lado, essa nova república democrática será também diferente da república socialista de tipo soviético que se constituiu sob a ditadura do proletariado e que se desenvolve na U.R.S.S (…).


Por isso, os múltiplos tipos de sistemas políticos do mundo podem ser resumidos a três tipos básicos, de acordo com o carácter de classe do poder político: (1) repúblicas de ditadura burguesa; (2) repúblicas de ditadura do proletariado; e (3) repúblicas de ditadura conjunta de várias classes revolucionárias.” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


Como pode ser observado, Mao defende uma espécie de “terceira via”, nem a “ditadura burguesa” nem a “ditadura proletária”. Isto é muito semelhante á velha teoria anti-comunista que diz “nem capitalismo, nem socialismo” e que ainda é muito usada hoje em dia por numerosas tendências libertárias e pequeno-burguesas. Este slogan da “terceira alternativa” traduz-se numa ideologia ultra-reaccionária que serve para perpetuar o capitalismo porque, como já foi referido, o poder político e económico pertence á classe que detém os meios de produção, á classe que controla as relações produtivas que constituem a base material da sociedade. Enquanto este controlo dos meios económicos e materiais de produção não for conquistado pelo proletariado através da violência revolucionária, ele irá sempre pertencer á classe burguesa exploradora. Quando dizemos “nem ditadura burguesa, nem ditadura proletária”, como faz Mao, então nós estamos automaticamente a favorecer a ditadura burguesa. Isto acontece porque a ditadura proletária é o único meio para se eliminar definitivamente a ditadura burguesa; por isso, se nós negarmos a necessidade da ditadura do proletariado, nós estamos a servir e a defender a ditadura burguesa. Mao considera que a burguesia e o proletariado podem “partilhar” o poder estatal, mas isto é completamente impossível. Não pode existir um estado no qual ambas as classes possuam o poder político e “partilhem” esse poder. Ou é o proletariado que detém o poder, ou é a burguesia. Não existe “terceira via” porque aquilo que não revolucionário, é necessariamente reaccionário. Todos aqueles que não são a favor da ditadura proletária e a favor da sociedade comunista são necessariamente a favor da ditadura burguesa e do sistema capitalista. A burguesia e o proletariado são duas classes cujos interesses são irreconciliáveis. Pela sua própria natureza e origens, a burguesia e o proletariado tem missões históricas a desempenhar que são radicalmente opostas. Não há qualquer possibilidade de estas duas classes governarem sob uma “ditadura conjunta” como Mao propõe, porque essa “partilha de poder” e essa “ditadura conjunta” serão inevitavelmente a favor da burguesia, porque não importa o quão “progressista”, “liberal” e “patriótica”, a classe burguesa tem sempre um carácter explorador e reaccionário; e até ao estabelecimento da ditadura do proletariado, a burguesia é a classe controla o poder económico e controla as forças produtivas que determinam todo e qualquer aspecto da sociedade humana incluindo o poder político, obviamente. Por isso, quando Mao afirma que a “Nova Democracia” recusa a ditadura do proletariado, isso significa que essa “Nova Democracia” será certamente um sistema político-económico no qual a escravatura assalariada se vai perpetuar, e no qual a burguesia nacional e “progressista” vai continuar a explorar as massas trabalhadoras.


As concepções Maoistas constituem um desvio profundo á estratégia Leninista da eventual necessidade de uma aliança entre o proletariado e certas facções da burguesia no período antecedente da revolução socialista e proletária. Esta estratégia Leninista defende que, em certas condições, poderá ser benéfico para o proletariado fazer alianças com camadas não-proletárias. É claro que estas alianças devem ser sempre temporárias, elas nunca podem ser vistas como um fim em si mesmas, e elas só devem ser feitas quando sejam úteis para fortalecer as posições do proletariado. Além do mais, o partido proletário não deve nunca fazer concessões no que respeita aos princípios ideológicos e organizacionais do Marxismo-Leninismo. Consequentemente, um dos aspectos que distingue o Marxismo-Leninismo do Maoismo é que o primeiro nunca se afasta do princípio de que este tipo de alianças não são mais do que situações temporárias e de que o partido Marxista-Leninista deve sempre persistir no seu objectivo de destruição da burguesia mesmo quando esteja em aliança temporária com ela. Na realidade, após a implementação da ditadura proletária, não pode haver outros partidos além do partido proletário e comunista, não pode haver outros interesses de classe além dos das classes proletárias (a classe operária, os camponeses e os intelectuais nascidos destas duas classes), e não pode haver outra ideologia que não seja o Marxismo-Leninismo (isto não significa que as influências burguesas não se vão fazer sentir ainda durante algum tempo, mas a tendência deve ser sempre para o seu desaparecimento inexorável, ao contrário do que aconteceu na China Maoista).


De facto, mais do que entrar numa aliança e partilhar o poder com a burguesia, aquilo que Mao propõe é que o proletariado deve ser controlado pelos partidos “democráticos” (ou seja, burgueses):


A possibilidade de que os partidos democráticos possam existir durante um longo período não é apenas determinada pelos desejos do partido comunista, isso depende também do comportamento desses partidos democráticos e da confiança que o povo deposita nesses partidos. […] É claro que o controlo mútuo não é unilateral, o Partido Comunista controlará os partidos democráticos e estes partidos democráticos controlarão igualmente o Partido Comunista.” (Mao Zedong, De la juste solution des contradictions au sein du people, Textes choisis, Pékin, 1972, p. 509, traduzido a partir da edição em Francês).


Se ainda existissem dúvidas acerca a natureza reaccionária e anti-comunista do “Pensamento Mao Zedong”, aqui está a resposta final. Aquilo que Mao está a defender é que o proletariado e o partido comunista devem apoiar-se nos partidos burgueses e nos elementos não-comunistas com o objectivo de … atingir o comunismo! Isto é totalmente ilógico do ponto de vista Marxista-Leninista. Para se edificar o comunismo, é indispensável aniquilar sem piedade TODAS as classes burguesas e exploradoras (a burguesia imperialista, os grandes latifundiários, a burguesia reaccionária, a burguesia “progressista”, etc. …). Além do mais, no estado de ditadura do proletariado, só pode haver um único partido, que constituirá a vanguarda da classe trabalhadora que lidera as massas oprimidas em direcção ao socialismo e ao comunismo. Após o estabelecimento e a consolidação do poder proletário, é ilógico e reaccionário admitir e defender a existência de quaisquer outros partidos que representem classes não-proletárias. O partido proletário deve liderar as classes exploradas e isso constitui um dos principais instrumentos através do qual o proletariado exerce a violência revolucionária armada contra as classes burguesas e opressoras. É por isso que quase todos os tipos de revisionismo negam o papel dominante do partido proletário e comunista. É muito interessante observar a forma como as concepções Marxistas-Leninistas do Camarada Enver Hoxha estão em total contraste com as de Mao:


A revolução é uma ruptura com o antigo mundo e com as antigas tradições. Nós nunca devemos esquecer que a luta de classes continua durante o período de edificação da sociedade socialista e também enquanto a sociedade comunista não estiver completamente assegurada. Durante todo este tempo, os partidos políticos expressam os interesses de certas classes. Apenas um oportunismo absurdo pode defender a existência de partidos não-proletários no sistema de ditadura do proletariado, especialmente após a edificação da base económica do sistema socialista. Esta evolução, longe de constituir uma violação da liberdade, está de facto a consolidar a autentica democracia proletária. O carácter de uma determinada ordem social não é determinado pelo número de partidos, mas sim pela sua base económica, pela classe que controla o poder político, pela política de estado que está ou não ao serviço das massas.


Os revisionistas modernos (…) negam o papel do partido proletário na conquista do poder ena edificação do socialismo. A sua propaganda até argumenta que é possível atingir o socialismo tendo os partidos burgueses e pequeno-burgueses como forças dominantes. (…) Esta concepção representa uma traição total aos princípios Marxistas-Leninistas e á causa revolucionária da classe operária.” (Enver Hoxha citado por Gilbert Mury in Enver Hoxha contre le revisionisme, Paris, 1972, traduzido a partir da edição em Francês).







E ao referir-se á Frente Democrática da Albânia, o Camarada Enver Hoxha sublinha que:


Esta frente não é um partido político, nem é uma coligação de partidos políticos: no nosso país, não existem outros partidos políticos além do Partido do Trabalho da Albânia.” (Enver Hoxha citado por Gilbert Mury in Enver Hoxha contre le revisionisme, Paris, 1972, traduzido a partir da edição em Francês).



A falsa fraseologia “Marxista” usada por Mao quando ele diz que a “Nova Democracia” recusará a “ditadura burguesa” e que “a república democrática chinesa deve ser uma república democrática sob a ditadura conjunta do povo anti-imperialista e anti-feudal liderado pelo proletariado (…).” não é mais do que uma tentativa para esconder o carácter democrático-burguês e anti-imperialista das concepções ideológicas Maoistas. É por isso que os revisionistas chineses sempre apoiaram os “movimentos dos não-alinhados”; porque esses movimentos pequeno-burgueses também tinham a mesma tendência para recusarem quer o imperialismo quer a revolução socialista enquanto serviam os interesses das burguesias nacionais dos países semi-coloniais que se queriam livrar das limitações impostas pelos capitalistas estrangeiros e pela burguesia pró-imperialista com o propósito de conduzirem o sistema capitalista em favor dos seus próprios interesses (a teoria social-fascista dos “três mundos”, que analisaremos mais adiante, tem as suas origens no carácter oportunista e pequeno-burguês da ideologia Maoista).



No seu livro Reflexões sobre a China, o Camarada Enver Hoxha caracterizou a “Nova Democracia” Maoista de uma maneira muito acertada:



Mao Zedong e os camaradas em seu redor não eram verdadeiros Marxistas-Leninistas, eles eram democratas burgueses progressistas, eram Marxistas em aparência e em fraseologia, mas que lutaram até ao fim pela consolidação de um grande estado democrático-burguês de tipo progressista, pela “Nova Democracia”, como lhe chamava Mao Zedong.” (Enver Hoxha, Reflections on China, 26 de Dezembro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



As concepções oportunistas, revisionistas e anti-Marxistas de Mao também podem ser observadas nas suas descrições acerca dos aspectos económicos da “Nova Democracia”:



Na república de democracia-burguesa sob a liderança do proletariado, as empresas estatais terão um carácter socialista e constituirão a força dominante de toda a economia nacional, mas a república não irá confiscar a propriedade privada capitalista em geral nem irá proibir o desenvolvimento da produção capitalista, pois a república não pretende “dominar o ganha-pão do povo” e a economia da China é ainda muito atrasada.” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


Este parágrafo constitui uma admissão feita pelo próprio Mao de que a “Nova Democracia” não será nada mais do que a ditadura social-fascista da burguesia nacional. Se a república não vai “confiscar a propriedade privada capitalista em geral nem irá proibir o desenvolvimento da produção capitalista”, então como é que o proletariado vai concentrar os meios de produção nas suas mãos com o propósito de conquistar o poder político? Todos os Marxistas-Leninistas sabem que enquanto a propriedade privada capitalista e a produção capitalista continuarem a existir, isso significará sempre a perpetuação da escravatura assalariada e da exploração do homem pelo homem.



A economia da China deve desenvolver-se de acordo com a “regulação do capital” e da “redistribuição da propriedade da terra”, e nunca se deverá permitir que a terra seja “propriedade privada de uma minoria”; nós nunca devemos permitir que alguns capitalistas e latifundiários dominem o ganha-pão do povo; nós não devemos estabelecer nunca uma sociedade capitalista do tipo Europeu-Americano nem permitir que a antiga sociedade semi-feudal sobreviva.” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês).


Como já dissemos, o PCC representava os interesses da burguesia nacional anti-imperialista. É perfeitamente normal que os seus objectivos estivessem limitados á luta contra o imperialismo japonês e contra a burguesia pró-imperialista. Aliás, todos os objectivos do PCC foram sempre mantidos dentro dos limites da revolução burguesa democrática e anti-colonial, precisamente porque a classe que liderava a revolução e que tinha conquistado o poder na China em 1949 foi a burguesia nacional “radical” e não o proletariado. O grande problema do chamado “Pensamento Mao Zedong” é que Mao tenta esconder as suas ideias burguesas e reaccionárias por detrás dos disfarces “socialistas” e “revolucionários” que continuam a iludir as massas trabalhadoras oprimidas que vêem o Maoismo como um “desenvolvimento” do Marxismo-Leninismo, quando na verdade o Maoismo é uma deformação do Marxismo-Leninismo, quando de facto o Maoismo serve não para eliminar o sistema capitalista, mas sim para o perpetuar em favor dos interesses da secção “progressista” da burguesia nacional. Os slogans anti-monopolistas feitos por Mao são prova disso mesmo. As concepções Maoistas são assustadoramente semelhantes ao Keynesianismo burguês e ao anti-monopolismo de muitos partidos revisionistas. E antes que os fascistas do MLM comecem a gritar que tudo isto não é mais do que a imaginação dos Hoxhaistas, aqui está a confirmação do que está a ser dito vinda da boca do próprio Mao:


A revolução da Nova Democracia só quer eliminar o feudalismo e o capitalismo monopolista, só quer eliminar os grandes latifundiários e a burguesia burocrática, e não o capitalismo em geral, não as camadas superiores nem da pequena-burguesia, nem da média burguesia.” (Mao Zedong, «La situation actuelle et nos tâches», Oeuvres choisies, Pékin, 1967, t. IV, traduzido a partir da edição em Francês).


Um dos principais objectivos do revisionismo chinês é “regular” o capitalismo de forma a manter o sistema de exploração, o seu objectivo é tentar evitar as crises periódicas do capitalismo ao mesmo tempo que nega o carácter proletário da revolução.



Quando estudamos o “Pensamento Mao Zedong”, nós notamos facilmente que as suas ideias estão intimamente relacionadas com aquelas de um dos mais famosos líderes revisionistas europeus: Maurice Thorez, o líder do Partido Revisionista Francês. Um dos exemplos históricos mais conhecidos das relações revisionistas entre a burguesia e o partido “comunista” é precisamente o da Frente Popular de 1936, cujos objectivos foram claramente identificados pela liderança revisionista francesa como estando reduzidos á “Paz, Pão e Independência para todos.” Pode alguém imaginar um slogan mais reaccionário, reformista, capitulacionista e anti-socialista do que este? Tal como Mao, Thorez também configurava o partido comunista como um partido de várias classes. Se Mao encarava a revolução anti-imperialista como sendo o objectivo final que justifica a aliança permanente com a burguesia “progressista”, Thorez fez o mesmo com a divisa oportunista da “Frente Unida da nação Francesa contra as classes oligárquicas”. Tal como Mao, Thorez também defendia uma unidade anti-monopolista:


De acordo com as condições sociais existentes. A nossa sociedade seta dividida em múltiplas classes. A oligarquia capitalista explora a classe operária, mas ela também explora as classes médias constituídas pelos camponeses, pelos artesãos, pelos industriais (?!!!), pelos comerciantes, pelos membros das profissões liberais, etc. O Partido Comunista é concebido em função das necessidades das lutas do povo contra os oligarcas.” (Etudes et Documents Marxistes-Léninistes - Pour la lutte théorique, N° 1, décembre 1979. 58 L'Ecole élémentaire du Parti communiste français - Troisième leçon : Le Parti, Paris, 1936, Ed. la Section nationale d'éducation du Parti communiste français, p. 6., traduzido a partir da edição em Francês).


Mao e Thorez corromperam e negaram completamente o carácter proletário do Partido Comunista ao posarem como os únicos líderes legítimos dos seus respectivos partidos, ao impedirem as críticas e as auto-críticas no seio dos respectivos partidos, ao tentarem legitimar a sua união com as burguesias nacionais dos seus países a ao manterem as classes oprimidas e exploradas longe da ideia da revolução socialista ao retratarem a revolução democrático-burguesa como um fim em si mesma.


No entanto, a estratégia ultra-reformista da “frente anti-monopolista” não foi a única “ideia” que os revisionistas chineses “herdaram” dos revisionistas de tipo clássico. De facto, tal como Bernstein, Togliatti, Thorez, os Krushchevistas, os Eurocomunistas, etc. os revisionistas chineses também defenderam abertamente a “via pacífica para o socialismo”. Na verdade, a sua defesa desta “transição pacífica” é sinónimo de negação directa da ditadura proletária.


Negando flagrantemente os princípios mais básicos do Marxismo-Leninismo, os líderes revisionistas chineses afirmam o seguinte:


Se nós adoptámos a política da luta a favor da união com a burguesia nacional, foi com o propósito de educar a burguesia nacional.


Nós pensamos que devemos seguir o princípio da “coexistência a longo prazo e do controlo mútuo entre o Partido Comunista e os grupos e partidos democráticos. A base social destes partidos e grupos é a burguesia nacional, algumas secções da pequena-burguesia e os intelectuais. […] A ideologia burguesa existirá ainda durante um período relativamente longo (…) os grupos e partidos democráticos representam esta ideologia e devem ajudar a reeducá-la.


[…] a ditadura democrática e popular tornou-se, pela sua própria natureza, uma forma de ditadura do proletariado, e isto permite que a nossa revolução democrático-burguesa possa ser directamente transformada numa revolução proletária e socialista através de meios pacíficos.” (Liou Chao Chi, Rapport politique du Comité central du Parti communiste chinois au VIIIe Congrès national du PCC, Pékin, 1956, traduzido a partir da edição em Francês).


Reeducação da burguesia?!! A burguesia não existe para ser educada! Existe para ser exterminada pelo proletariado através da violência revolucionária ! Lénine disse uma vez que os grandes problemas da humanidade foram sempre resolvidos através da violência e isto é totalmente aplicável á eliminação da burguesia, á aniquilação do sistema capitalista e á edificação do socialismo e do comunismo. Esta ideia capitulacionista está relacionada com a “teoria” da “transição pacífica” para o socialismo através de meios burgueses; está relacionada com a ideia reformista e Eurocomunista de “humanizar” e “educar” o capitalismo. A imagem do capitalismo “civilizado” é comum a todas as correntes revisionistas e o Maoismo não é excepção.


Mas ainda há mais:


Os elementos burgueses tornaram-se membros do pessoal administrativo nas empresas mistas e eles estão a ser transformados de exploradores em trabalhadores que vivem segundos a sua própria força de trabalho; por outro lado, eles ainda recebem um montante fixo dessas empresas (…).” (Mao Zedong, De la juste solution des contradictions au sein du peuple, Textes choisis, Pékin, 1972, traduzido a partir da edição em Francês).



Esta afirmação é um exemplo dos muitos aspectos que o Maoismo tem em comum com o Boukharinismo. Esta tendência burguesa centra-se na ideia da integração “pacífica” e da inclusão do capitalismo e dos elementos capitalistas no seio do socialismo, e baseia-se na ideia do “governo conjunto” da burguesia e do proletariado de maneira a destruir a edificação do socialismo através da capitulação face ás influências e aos elementos burgueses.



O carácter utópico da ideologia Maoista pode ser notado na sua presunção de que as tendências exploradoras da burguesia podem ser gradualmente removidas e que os elementos burgueses podem ser transformados em elementos proletários inofensivos que vivem através “da sua própria força de trabalho”. Além disso, é incrível como é que na China “comunista”, a burguesia continuava a explorar os trabalhadores nas “empresas mistas”, empresas essas que não eram mais do que um disfarce para a ditadura burguesa e fascista que Mao e os outros revisionistas Chineses implementaram na China.



Os documentos e os excertos apresentados provam que, contrariamente aos que os fascistas do MLM argumentam, as concepções anti-Marxistas da ideologia Maoista não se limitaram ás primeiras fases do “Pensamento Mao Zedong”. De facto, é só olhar para os documentos do período pós-1949, quando o poder da burguesia nacional guiada pelo PCC já estava assegurado, para concluir que estas concepções não constituíram erros temporários, mas representaram as construções ideológicas gerais e definitivas que constituem os principais pilares da ideologia Maoista burguesa e reaccionária.



Não foi por acaso que o Camarada Estaline desconfiou sempre do verdadeiro carácter da revolução “socialista” chinesa. Ele apercebeu-se da natureza burguesa daquela “revolução” e disse que:



Na China, nós não podemos falar de uma revolução socialista nem nas áreas urbanas, nem nas áreas rurais. É verdade que certas empresas foram nacionalizadas, mas o seu número é irrelevante.”



As suspeitas de Estaline em relação á “revolução” chinesa são reconhecidas pelo próprio Mao, que declarou que:



Desde o início da guerra que Estaline era muito céptico em relação a nós. Quando ganhámos, Estaline encarou a nossa vitória como sendo da mesma espécie da de Tito, e em 1949 ele exerceu uma pressão muito forte sobre nós.” (Mao Zedong, Oeuvres choisies, Tome V, traduzido a partir da edição em Francês).



Nós devemos ter em consideração que as obras de Mao só foram publicadas na União Soviética após a morte do Camarada Estaline. E isto não é surpreendente. Se elas fossem publicadas enquanto Estaline estava vivo, Mao teria certamente recebido o mesmo tratamento que Tito.


De facto, muitos anos antes da revolução burguesa de Mao, Estaline analisou as condições do movimento “revolucionário” chinês e criticou duramente os “desvios de direita” que existiam neste movimento:



(…) os desvios de direita prejudicam os objectivos de classe do proletariado chinês e estão a conduzir esse proletariado em direcção a uma fusão amorfa com o movimento democrático nacional.” (Estaline, La question nationale et coloniale, traduzido a partir da edição em Francês).



Nós não podemos separar a desconfiança de Estaline da luta que este travou contra as já mencionadas ideias Boukharinistas que defendiam a “integração” dos elementos capitalistas no socialismo:



O maior erro de Boukharin é que ele admite que os Kulaks e outros elementos burgueses (…) possam ser integrados no socialismo. Esta teoria é um total absurdo! Os capitalistas, os Kulaks, os representantes dos imperialistas estrangeiros podem ser integrados na sociedade socialista, de acordo com Boukharin. Mas nós não queremos este tipo de “socialismo”. Nós não vamos aderir ás concepções de Boukharin. Nós, Marxistas-Leninistas, pensamos que existem diferenças irreconciliáveis entre os capitalistas e o proletariado. Esta é a base da teoria Marxista da luta de classes. Mas a teoria Boukharinista acerca da integração pacífica dos elementos capitalistas no socialismo contradiz os princípios Marxistas mais básicos, contradiz a oposição inevitável entre os exploradores e os explorados porque os exploradores são incluídos n sistema socialista.” (Estaline, The questions of Leninism II, 1931, traduzido a partir da edição em Francês).



É incrível como estas críticas feitas por Estaline em 1927 assentam tão bem ao revisionismo Maoista:



Mas se os capitalistas das áreas urbanas e das áreas rurais; se os Kulaks e outros elementos burgueses forem integrados no sistema capitalista, para que serviria a ditadura do proletariado? E mesmo se ainda assim ela servisse para alguma coisa, nós teremos de perguntar qual seria a classe que ela iria reprimir.” (Stalin, The questions of Leninism, 1931, traduzido a partir da edição em Francês).



A análise correcta feita pelo camarada Estaline acerca da falsa “revolução” Maoista foi elogiada pelo Camarada Enver Hoxha no Volume II das “Reflexões sobre a China”:



Quando a China foi libertada, Estaline expressou as suas dúvidas acerca da possibilidade da liderança chinesa seguir o curso Titoista. Olhando para todos os principais pilares da linha revisionista de Mao Zedong, em relação a tudo aquilo que ele levanta contra Estaline, nós podemos afirmar sem reservas que Estaline foi verdadeiramente um grande Marxista-Leninista que previu correctamente para onde é que a China estava a ir, que há muito tempo percebeu o que as posições de Mao Zedong realmente eram, e viu que, em muitos sentidos, elas eram posições revisionistas de tipo Titoista, tanto a nível interno como a nível externo, no que respeita á luta de classes, á ditadura do proletariado, á coexistência pacífica entre países com sistemas sociais diferentes, etc.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 28 de Dezembro de 1976, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Estaline estava certo acerca de todos estes aspectos e ele viu claramente que a 2Nova Democracia” chinesa não era mais do que a ditadura da burguesia nacional e “patriótica”. Na verdade, se nós analisarmos as obras de Mao, nós encontraremos sempre a ideia do “desenvolvimento” do capitalismo. Por exemplo, alguns meses antes da revolução de 1949, Mao afirmava que: “ (…) nós devemos permitir a existência e o desenvolvimento de todos os elementos capitalistas que sejam lucrativos e que não prejudiquem a economia nacional.”



No entanto, Mao vai ainda mais longe e diz que:



(…) Na China, o capitalismo será limitado através de vários meios: através de restrições nas suas actividades, através de impostos, através da fixação dos preços e através das condições de trabalho. Nós vamos adoptar uma política adequada no que respeita á limitação do capitalismo, de acordo com as condições específicas de cada lugar, de cada secção e de cada período. É muito útil relembrar os ensinamentos de Sun Yat-Sen acerca do “capitalismo controlado”. Por isso, é benéfico para a economia nacional, para a classe operária e para todos os trabalhadores não impor limites excessivos á economia capitalista, mas pelo contrário, nós devemos deixar essa economia existir e desenvolver-se no contexto da política e da planificação económica da nossa república popular.” (Mao Zedong, Sur la dictature populaire démocratique — cited by Yu Hai in Le rôle de la bourgeoisie nationale dans la révolution chinoise, in Cahiers du communisme, août 1950, traduzido a partir da edição em Inglês).



Este desenvolvimento do capitalismo significa de facto a perpetuação do capitalismo. E Mao até se atreve a afirmar que esta manutenção do sistema capitalista é no interesse da classe operária! A ideologia de Mao é muito semelhante á dos políticos abertamente pró-capitalistas que declaram que “apesar de o capitalismo não ser perfeito, a verdade é que cria riqueza e permite que o proletariado possa usufruir da sociedade de consumo”.


Mesmo hoje, há muitos Maoistas que ainda afirmam que esta perpetuação do capitalismo não é anti-Marxista, mas que pelo contrário pode ser comparada á Nova Política Económica (NEP) aplicada por Lénine na União Soviética. O que estes Maoistas se “esquecem” de dizer é que a NEP foi absolutamente necessária no contexto da União Soviética no início dos anos 20 porque a economia do país estava totalmente arruinada após 6/7 anos de guerra ininterrupta (primeiro, os quatro anos da Primeira Guerra Mundial, depois, a horrenda Guerra Civil Russa causada pela invasão das potências capitalistas com o objectivo de derrubar o poder Bolchevique), porque a aliança entre o proletariado e os camponeses ainda não estava consolidada, porque a economia Russa ainda apresentava muitos atrasos, porque o analfabetismo dos trabalhadores Russos e a sua falta de experiência no que respeitava á gestão económica causaram grandes dificuldades na alimentação da população e porque a presença dos elementos pequeno-burgueses na economia era imensa. Por toas estas razões, foi permitido que, durante algum tempo, os elementos pequeno-burgueses pudessem operar dentro de certos limites com o propósito de revitalizar a economia. No entanto, nós nunca devemos esquecer que Lénine encarava a NEP meramente como um processo temporário que seria ultrapassado através do desenvolvimento da base económica do sistema socialista e do fortalecimento da ditadura do proletariado. Esta concepção está em total contraste com a dos Maoistas que vêem “o desenvolvimento do capitalismo” como um processo definitivo e não como uma fase temporária imposta pelas difíceis condições históricas e económicas.


Como afirma o Camarada Enver Hoxha:



Mao Zedong apresentou a sua posição oportunista em relação á burguesia como uma aplicação criativa dos ensinamentos de Lénine acerca da NEP. Mas há uma diferença radical entre os ensinamentos de Lénine e as concepções de Mao Zedong que permitem o livre desenvolvimento da produção capitalista e a manutenção das relações burguesas no socialismo. Lenine admite que a NEP foi um passo atrás que permitiu o desenvolvimento de elementos do capitalismo durante um certo período de tempo, mas ele sublinhou que:


(…) não há perigo para o estado proletário desde que o proletariado mantenha firmemente o poder político nas suas mãos, desde que ele mantenha os transportes e a indústria pesada firmemente nas suas mãos.”


De facto, nem em 1949 nem em 1956, quando Mao Zedong defendia estas teses, o proletariado chinês teve o poder político ou a indústria pesada nas suas mãos.




Além do mais, Lénine considerava a NEP como uma medida temporária que era imposta pelas condições concretas da Rússia daquele tempo, devastada por uma longa guerra civil, e não como uma lei universal da edificação do socialismo. E o facto é que um ano após a proclamação da NEP, Lénine afirmou que o processo tinha terminado, e lançou um slogan para preparar a ofensiva contra o capital privado na economia. Pelo contrário, na China, o período de preservação da produção capitalista era configurado para durar quase eternamente.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Actualmente, há Maoistas que ainda afirmam que o capitalismo predatório de tipo social-darwinista que domina hoje a China é uma “nova NEP”!!! Qualificar a economia burguesa e capitalista que existia na China até meados dos anos 70 como “socialista” é totalmente erróneo e revela uma completa ignorância dos princípios mais básicos do Marxismo-Leninismo, mas retratar a actual economia neo-liberal chinesa como uma “nova NEP” significa defender abertamente a ditadura fascista que governa a China.



A economia chinesa nunca foi socialista, nem nos anos 50, nem actualmente. A verdade é que a burguesia nacional chinesa não poderia ter sonhado com uma ideologia que servisse melhor os seus interesses do que o Maoismo. E isto porque o Maoismo permitiu que a burguesia nacional pudesse explorar o proletariado de uma maneira “pacífica” e “controlada” enquanto se escondia por detrás de uma máscara “Marxista” e “revolucionária”. Uma das principais razoes que levaram a burguesia nacional chinesa a apoiar o Maoismo foi a roupagem “esquerdista” desta ideologia, e que serviu para enganar as massas trabalhadoras chinesas. Nós podemos afirmar que o Maoismo assegurou á burguesia chinesa uma certa segurança. O Maoismo foi a melhor maneira de neutralizar os sentimentos revolucionários que existiam no seio do proletariado chinês. Em vez de ficar á espera a observar as classes oprimidas a aderirem ao Marxismo-Leninismo e a desenvolverem uma consciência revolucionária, a burguesia “patriótica” chinesa elaborou a sua própria ideologia “revolucionária” e concretizou a sua própria “revolução”. É claro que esta burguesia nunca poderia ter revelado que esta ideologia estava simplesmente a esconder a implementação da sua ditadura de classe, porque de outra maneira ela nunca iria seduzir as classes exploradas da China. Face a isto, a burguesia nacional chinesa resolveu o problema de uma maneira muito astuta. Ela “vestiu” a sua própria ideologia burguesa com roupas “Marxistas-Leninistas” e com uma fraseologia “revolucionária” cujo propósito era iludir as classes oprimidas para o seu lado. A burguesia nacional chinesa usou a máscara do Marxismo-Leninismo de forma a esconder os seus interesses de classe exploradores e reaccionários e a conquistar o poder político e económico.


Hoje em dia, grandes sectores do proletariado mundial ainda são enganados pelos Maoistas que tentam forçar as massas oprimidas a “reconhecer” o Maoismo como a “terceira etapa” do comunismo, depois do Marxismo e do Leninismo (negando abertamente o Estalinismo e o Hoxhaismo). Eles até qualificam a sua ideologia reaccionária e anti-Marxista como “o mais elevado desenvolvimento” do Marxismo-Leninismo. Esta atitude arrogante tem sido uma constante na história do revisionismo Maoista. Os Maoistas sempre se tentaram pintar como “os que mais contribuem para o desenvolvimento da ideologia proletária” de maneira a ocultar as suas intenções anti-socialistas e o seu apoio ao social-imperialismo chinês. Os Maoistas também tentam retratar-se como sendo “anti-revisionistas fervorosos”. Um dos principais argumentos utilizados por eles com o objectivo de “provar” o seu “anti-revisionismo” é a falsa “defesa de Estaline” alegadamente feita por Mao no contexto do golpe de estado revisionista na União Soviética.


O que os revisionistas chineses fizeram realmente foi usar o nome e o legado de Estaline com o propósito de esconder a sua ideologia reaccionária, anti-comunista e social-fascista sob um disfarce “revolucionário”. Quando analisamos obras do Camarada Enver Hoxha como “Reflexões sobre a China” e “Os Krushchevistas”, nós concluímos que ele suspeitava da natureza do Maoismo desde o início, mas tentou corrigir os “camaradas” chineses aconselhando-os e informando-os acerca das divergências ideológicas que existiam entre o PCC e o PTA:



Disseram-nos que Mao estava a aplicar uma linha interessante de edificação socialista na China, em que ele colaborava com a burguesia local e com outros partidos qualificados como “democráticos”; em que o partido comunista permitia e estimulava a existência de empresas mistas contendo tanto capital público como privado, encorajava e remunerava os membros das classes ricas que lideravam frequentemente essas empreses, etc. Todas estas coisas eram inconcebíveis para nós e, apesar dos nossos esforços, nós não conseguíamos encontrar um único argumento a favor da sua conformidade com o Marxismo-leninismo.



No entanto, nós pensámos que a China era um grande país, habitado por milhões de pessoas, que tinha emergido de um passado burguês e feudal, que enfrentava muitos problemas e dificuldades e que, com o tempo, iria corrigir os seus erros, regressando assim ao caminho Marxista-Leninista.” (Enver Hoxha, Les khrouchtchéviens, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Francês).



Esta era a linha geral seguida pelo PTA em relação ao PCC durante o período 1949-1956.


O Camarada Enver notou que em 1956, no contexto do 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, o PCC assumiu posições abertamente revisionistas. O encontro entre o Camarada Enver e Mao Zedong que aconteceu em 1956, por ocasião da visita de Enver á China, é descrito como decepcionante pelo próprio Camarada Enver:



Na verdade, as nossas impressões relativamente a este encontro não foram aquelas de que estávamos á espera (…). Nós não adquirimos nenhum tipo de ensinamentos ou de experiências úteis e percebemos que este encontro foi um mero acto de cortesia. Nós fomos surpreendidos pelas palavras e opiniões de Mao acerca do Kominform, de Estaline e da questão Jugoslava.” (Enver Hoxha, Les khrouchtchéviens, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Francês).





De facto, durante o encontro, Mao expressou opiniões que estavam em total acordo com a linha ultra-revisionista, oportunista e anti-Marxista que dominava o movimento comunista internacional desde 1956. Por exemplo, no que respeita á questão Jugoslava, Mao disse que:



Quanto a essa questão, vocês Albaneses não cometeram erros em relação aos Jugoslavos, e os Jugoslavos também não cometeram erros em relação a vocês. É o Kominform que é responsável por cometer graves erros.” (Enver Hoxha, Les khrouchtchéviens, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Francês).



Então, de acordo com Mao, os Marxistas-Leninistas do PTA e os social-fascistas da clique de Tito eram iguais. “Nem os Albaneses nem os Jugoslavos cometeram erros” é o que diz Mao, e depois disso ele afirma que tudo o que aconteceu foi culpa do Kominform! Afirmar isto é defender abertamente o imperialismo Titoista que tentou transformar a Albânia na sétima república da Jugoslávia. Desde o início, mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, os Titoistas sempre tentaram anular a independência da Albânia. Eles tentaram por todos os meios controlar os partisans Albaneses e subjugá-los ás ordens e +á disciplina do Partido Comunista Jugoslavo. Os Titoistas estavam sempre a interferir nos assuntos internos do PTA e tentavam impor-lhe a sua linha anti-Marxista. Eles contrataram agentes e espiões e infiltraram-se no PTA de maneira a sabotarem a sua linha Leninista e a transformar a Albânia num satélite Jugoslavo.



Mas vamos regressar ás afirmações de Mao durante o encontro com o Camarada Enver. Quando Mao perguntou ao Camarada Enver o que pensava ele acerca de Estaline, Enver defendeu orgulhosamente o legado de Estaline. No entanto, Mao discordou dele e disse que:


Estaline cometeu erros. Por exemplo, ele cometeu erros relativamente a nós, em 1927. Ele também cometeu erros em relação aos camaradas Jugoslavos.” (Mao citado por Enver Hoxha em The Khrushchevites, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Inglês).



Esta afirmação é totalmente falsa; Estaline nunca se enganou em relação aos “camaradas” Jugoslavos. Pelo contrário, ele desmascarou o seu verdadeiro carácter e os seus verdadeiros objectivos, fazendo prova de uma grande argúcia Marxista-Leninista; e ele também agiu correctamente em relação á Jugoslávia Titoista. Os Titoistas merecem ser odiados e repudiados por todos os autênticos comunistas porque eles traíram as aspirações dos povos Jugoslavos, que sacrificaram as suas vidas na luta contra o Nazismo com o objectivo de edificar uma Jugoslávia socialista. Infelizmente para esses povos, Tito vendeu o país aos anglo-americanos e seguiu uma linha revisionista e capitalista. É curioso de ver como o Maoismo e o Titoismo são tão parecidos entre si. Ambas as ideologias tentam iludir as massas oprimidas e levá-las para longe da revolução proletária e socialista, ambas defendem a reconciliação entre as classes e incentivam os supostos “aspectos positivos do capitalismo” e da “economia mista” (de facto, ambas conduzem ao social-imperialismo, mas o imperialismo de Tito estava limitado á escala local, enquanto que o imperialismo Maoista, devido ás dimensões demográficas e económicas da China, atingiu a escala global).


Como se pode observar, a verdade é que, em 1956, Mao adoptou posições ultra-revisionistas em relação a Estaline, a Tito e ao Kominform.


Nós nunca podemos esquecer que, após a morte do Camarada Estaline, Mao sempre desejou tornar-se no líder do movimento comunista. De maneira a conseguir isso, Mao aceitou o revisionismo e concordou com Khrushchev acerca de que “Estaline cometeu erros” (nós também devemos lembrar-nos da famosa frase de Mao: “Khrushchev é o Lénine da nossa época.”). No entanto, o grande erro de Mao foi a sua subestimação do prestígio de que gozava a URSS entre o proletariado mundial e as classes exploradas. Em 1956, ninguém poderia prever as dimensões que a doença revisionista iria atingir, e os comunistas continuavam a ver a URSS como um país socialista. De facto, a União Soviética era tida em grande consideração porque era o país no qual tinha ocorrido a primeira revolução socialista bem sucedida e era a pátria de Lénine e de Estaline, dois dos maiores mestres da ideologia proletária. É verdade que o Camarada Enver Hoxha e o PTA tinham muitas suspeitas acerca da linha que estava a ser seguida na URSS e acerca da intenções de Khrushchev após a morte de Estaline, mas devemos notar que o PTA nasceu em circunstâncias que armaram os Marxistas-Leninistas Albaneses contra todo o tipo de oportunismos. O PTA teve de enfrentar o revisionismo desde as suas fundações e isto fez com que os comunistas Albaneses fossem capazes de desmascarar todo o tipo de ideologias burguesas, mesmo aquelas que estão escondidas ou disfarçadas. Foi por isso que o PTA esteve sempre na linha da frente da luta contra as tendências revisionistas, desde o Titoismo ao Maoismo. Apesar de tudo, a grande maioria dos outros partidos comunistas aceitaram o revisionismo Khrushchevista praticamente sem discussão. E esta aceitação era devida precisamente ao já referido prestígio que a União Soviética usufruía entre o proletariado mundial.


Pelo contrário, a revolução democrático-burguesa chinesa de 1949, apesar de vista com simpatia pelos comunistas, não assegurou a Mao admiração suficiente para obliterar o papel da União Soviética como centro do movimento comunista, mesmo porque a União Soviética tinha aumentado a sua força desde a vitória contra o Nazi-fascismo durante a Segunda Guerra Mundial. Por todas estas razões, Mao não conseguiu concretizar as suas intenções de se tornar no novo líder do movimento comunista através da aliança com os revisionistas soviéticos. Perante isto, Mao mudou de estratégia. Em vez de assumir o papel de apoiante de Khrushchev na suposta luta contra “os desvios e os erros de Estaline”, Mao surgiu como o “Estalinista indefectível”, como o “Leninista ortodoxo”, como o “grande defensor da pureza Marxista-Leninista”. Esta mudança de táctica ocorreu quando muitos comunistas em vários países do mundo começaram a questionar os relatórios anti-Estaline de Khrushchev como sendo anti-Marxistas.


Actualmente, os Maoistas querem que acreditemos que a linha do PCC foi sempre “Marxista-Leninista” e “anti-revisionista e anti-Krushchevista”. Mas a realidade não corresponde aos desejos dos Maoistas. A estratégia “anti-revisionista” adoptada por Mao em 1960 nada teve que ver com o Marxismo-Leninismo. Mao nunca quis defender o legado de Estaline. Ele apenas usou o nome e o prestígio de Estaline para atingir os seus propósitos de se tornar no líder do movimento comunista mundial de forma a conspurcar este movimento com as suas ideias burguesas e capitalistas e a manipulá-lo em favor da ascensão da China como uma nova superpotência. Os revisionistas chineses queriam a posição ocupada por Khrushchev e pelo PCUS á cabeça do movimento comunista, mas quando viram que nunca o iriam conseguir através do revisionismo aberto, eles invocaram uma falsa luta anti-revisionista e pró-Estalinista com o propósito de manipular os comunistas honestos que estavam preocupados com a linha de traição de Khrushchev. O Maoismo foi apresentado a esses comunistas como sendo um “enriquecimento do Marxismo-Leninismo”, e Mao como sendo o “líder da luta contra Khrushchev”.


Mesmo as críticas Maoistas acerca do “social-imperialismo soviético” não são mais do que uma grande fraude. Estas críticas pretendem apenas ocultar os objectivos e as intenções social-imperialistas de Mao.


O Camarada Enver Hoxha explicou tudo isto com precisão Marxista-Leninista:



Muitas vezes olhei para este período da história do PCC, tentando perceber como e porquê é que a linha revisionista de 1956 pareceu mudar de direcção e, durante algum tempo, tornar-se “pura”, “anti-revisionista” e “Marxista-Leninista”. É um facto que, por exemplo, em 1960, o PCC pareceu opor-se firmemente ás teses revisionistas de Khrushchev e proclamou estar a “defender o Marxismo-Leninismo” das distorções que lhe estavam a ser feitas, etc. Foi precisamente porque a China se pareceu opor ao revisionismo moderno em 1960 e pareceu também aderir ás posições Marxistas-Leninistas que o nosso partido se pôs ao lado com o PCC na luta contra os Krushchevistas.



No entanto, o tempo confirmou que, e isto está extensamente provado nos documentos do partido, que em nenhum caso, nem em 1956, nem em 1960, o PCC actuou de acordo com as posições do Marxismo-Leninismo.” (Enver Hoxha, The Krushchevites, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Inglês).



E em 1978, por ocasião da ruptura Sino-Albanesa, o Comité Central do PTA enviou uma carta ao Comité Central do PCC na qual sublinhou que:



No princípio, o PCC estava de acordo com o PTA no que respeitava á polémica entre o PTA e os revisionistas Krushchevistas. No entanto, este acordo era apenas superficial porque aquilo que a China queria realmente era reconciliar-se com os revisionistas soviéticos e evitar a polémica ideológica com eles. (…) Os líderes chineses afirmaram que esta atitude era de interesse para a Albânia, mas a verdade é que evitar a polémica era (…) apenas vantajoso para Khrushchev e para a sua luta contra o socialismo e o Marxismo-Leninismo.” (Lettre du C.C du PTA et du Gouvernement Albanais au C.C du PCC et au Gouvernement Chinois, Tirana, 28 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Francês).



Um dos episódios mais significativos no que respeita á vontade do PCC de se reconciliar com o social-imperialismo soviético aconteceu em 1964, quando Khrushchev foi expulso do poder. Os revisionistas chineses celebraram este acontecimento como se o social-fascismo soviético tivesse sido completamente derrotado. Eles estavam tão ansiosos e felizes por se reconciliarem com o revisionismo soviético que até enviaram uma delegação a Moscovo e queriam que o PTA fizesse o mesmo. É claro que esta proposta traiçoeira e capitulacionista foram firmemente recusadas pelos Marxistas-Leninistas Albaneses:



O Comité Central do PTA não podia aceitar esta proposta que era sinónimo de extinção da luta contra o revisionismo e de reconciliação ideológica com ele. Se o PTA se tivesse rendido a essa linha de reconciliação com os revisionistas soviéticos, isso teria sido catastrófico para o movimento Marxista-Leninista (…). Foi por isso que o nosso partido recusou firmemente a proposta chinesa (…). O Comité Central do PTA enviou uma carta ao PCC explicando que a avaliação feita pelos líderes chineses acerca das mudanças ocorridas na União Soviética estava errada e que a proposta de enviar uma delegação a Moscovo era inaceitável. Nessa carta era dito, entre outras coisas, que:


Este acontecimento (a expulsão de Khrushchev do poder), apesar de importante, não conduz á derrota do revisionismo nem representa a vitória do Marxismo-Leninismo sobre o revisionismo, este acontecimento apenas acelera a putrefacção da ideologia revisionista (…) enquanto os sucessores de Khrushchev tentam salvar o revisionismo através da aplicação da política do Krushchevismo sem Khrushchev.” (Lettre du C.C du PTA et du Gouvernement Albanais au C.C du PCC et au Gouvernement Chinois, Tirana, 28 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Francês).



Durante os anos 60, dois grandes eventos iriam demonstrar o caminho anti-Marxista que estava a ser seguido pela China, bem como o carácter utópico e pequeno-burguês da ideologia Maoista: o “grande salto em frente”, e especialmente “a Grande Revolução Cultural Proletária”.


Este “grande salto em frente” consistia num programa totalmente utópico que deveria fazer a China “avançar directamente para o comunismo”. Os objectivos que Mao impôs ao povo Chinês no contexto do “grande salto” eram completamente irrealistas, mesmo porque Mao afirmava que esses objectivos deveriam ser concretizados num período de 2-3 planos quinquenais!


Apesar das potencialidades demográficas e territoriais da China, o facto é que 13 anos após a revolução burguesa e anti-imperialista de Mao, a economia da China estava muito longe de dar o seu máximo. A verdade é que a pobreza extrema estava quase eliminada e que foram feitos alguns melhoramentos relativos ás condições de vida do povo, mas também é verdade que estas melhorias não eram proporcionais ás potencialidades do país. A principal razão deste lento desenvolvimento pode ser encontrada na natureza reaccionária da revolução chinesa de 1949 e na manutenção dos elementos burgueses e capitalistas não apenas nos lugares-chave da economia, mas também nos postos mais importantes do governo do país, que deixou de ser uma ditadura da burguesia pró-imperialista para passar a ser uma ditadura da burguesia nacional “patriótica”.


No entanto, nós devemos ter em consideração que este estado de coisas não era unanimemente aceite pelo proletariado chinês; havia muitos trabalhadores que recusavam seguir as ilusões Maoistas e que viam claramente que a China não estava a enveredar pelo socialismo. Estes proletários chineses estavam a tornar-se numa voz inoportuna, eles eram muito perigosos para a burguesia nacional chinesa porque eles quebravam o clima de “paz social” que o Maoismo tinha implementado de forma a permitir que a burguesia chinesa pudesse explorar os trabalhadores sem ser incomodada por aquela coisa horrível chamada luta de classes.


Foi neste contexto que Mao tentou enganar as massas através da fraseologia “Marxista” ao declararem falsamente que “a China vai passar directamente á fase comunista da revolução” através do “grande salto em frente”. Esta tentativa traiçoeira de iludir o proletariado chinês foi desmascarada pelo Camarada Enver Hoxha:



De uma forma demagógica, Mao Zedong e o Partido Comunista da China subordinaram todas as suas declarações acerca da construção do socialismo e do comunismo ás suas políticas pragmáticas. Assim, nos anos do “grande salto em frente”, com o objectivo de atirar areia para os olhos das massas que, vindas da revolução, aspiravam ao socialismo, eles declararam que, dentro de um período de 2 a 3 planos quinquenais, a China passaria directamente para o comunismo. Mais tarde, no entanto, de forma a esconder as suas falhas, eles começaram a teorizar que a construção e o triunfo do socialismo iriam demorar 10 mil anos.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Durante três anos (1962-1965), os proletários chineses trabalharam que nem escravos tentando concretizar um programa económico utópico e megalómano sem quaisquer perspectivas de sucesso. Aliás, isto era tão óbvio que mesmo certos líderes de topo do PCC estavam hesitantes em seguir as directivas de Mao acerca do “grande salto”. É claro que este “grande salto em frente” resultou num grande salto atrás, porque constituiu um erro horrível que pôs a agricultura e a indústria chinesa num caos completo e originou uma fome severa em todo o país. Por exemplo, a produção de Carvão e a produção de algodão em 1964 estiveram muito abaixo do nível de 1958. Como já dissemos, o carácter impossível do “grande salto” era visível desde o início: o PCC planeou que, com o “grande salto em frente”, a China estaria apta a produzir quantidades de cereais e de aço que eram totalmente exageradas; por exemplo, os revisionistas chineses afirmaram que antes do fim do “grande salto” (1962-1965), a China produziria cerca de 750.000 toneladas de cereais, mas o facto é que a produção chinesa de cereais ainda era inferior a 500.000 toneladas em finais dos anos 90!


Os resultados finais do “grande salto em frente” de Mao foram tão desastrosos que o próprio Mao teve de fazer a sua auto-crítica perante o comité central do PCC.


Ao dizermos isto, nós não queremos concordar com as afirmações dos ideólogos direitistas que dizem que o “grande salto em frente” foi um “holocausto comunista” que “custou 30 milhões de vidas”. Estas acusações são falsas, em primeiro lugar porque o número de mortes que eles atribuem ao “grande salto” está ridiculamente exagerada, e segundo, porque mesmo se o número de 30 milhões de mortos estivesse correcto (e não está), isso nunca seria um “genocídio vermelho”, simplesmente porque nunca existiu socialismo na China. Os ideólogos direitistas vendidos á burguesia capitalista e revisionista não conseguem aceitar o facto de que há pessoas que se atrevem a lutar contra o capitalismo, pessoas que não se resignam á “sociedade de consumo” e á ditadura da burguesia. Para esses ideólogos, é incompreensível que algumas pessoas possam dedicar as suas vidas á luta pela implementação da ditadura proletária e á edificação da sociedade sem classes e sem estado. É por isso que eles tentam desacreditar o comunismo por todos os meios. Porque eles sabem que é ao comunismo que o futuro pertence, eles sabem que o Marxismo-Leninismo é a única ideologia que pode destruir completamente com o seu adorado capitalismo. Os seus interesses de classe e anti-comunismo tornan-nos tão cegos que eles são incapazes de distinguir entre aquilo que é realmente comunista e o que aquilo que não o é. Para eles, tudo o que se auto-qualifique como comunista é um alvo potencial, não importa se é realmente comunista ou se, pelo contrário, não passa de ideologia burguesa disfarçada em fraseologia Marxista. Isto é o que acontece em relação á China Maoista e ao “grande salto em frente”.


Alguns Maoistas alegam que “um dos sinais que indicam que a China Maoista era um verdadeiro país socialista é o facto de que a burguesia reaccionária dos países revisionistas e capitalistas acusavam a China Maoistas com os mesmos argumentos que tinha anteriormente usado contra a União Soviética de Estaline”. Esta argumentação é completamente falaciosa. É verdade que as acusações falsas, hipócritas e reaccionárias que os “humanistas” burgueses que afirmam que a União Soviética Estalinista causou um “genocídio de enormes proporções” são, em muitos aspectos, semelhantes ás acusações que a burguesia adopta em relação á China Maoista. No entanto, se as acusações formais têm parecenças importantes, a verdade é que as razoes por detrás delas são radicalmente diferentes. A burguesia capitalista e revisionista tentou desacreditar a democracia proletária Estalinista porque ela constituía uma prova viva de que o proletariado não estava eternamente condenado aos horrores do capitalismo e á tirania burguesa, porque ela demonstrava que um sistema socio-económico mais humano e avançado não é apenas possível, mas também necessário. Pelo contrário, essa mesma burguesia capitalista-revisionista acusava a China Maoista de perpetrar “violações horríveis dos direitos humanos” e de ser um “inferno comunista” não porque a china Maoista constituísse um exemplo de edificação Marxista-Leninista, mas porque, devido ao peso demográfico e territorial, a ascensão da China como uma nova superpotência colocava a dominação mundial das potências capitalistas e revisionistas em grave perigo.


A burguesia capitalista e revisionista manipula o anti-comunismo patológico dos seus próprios ideólogos de maneira a enganar o proletariado. A burguesia capitalista e revisionista compreendeu perfeitamente que a burguesia nacional chinesa que conquistou o poder político e que explora o proletariado chinês em favor dos seus próprios interesses e não nos interesses das potências estrangeiras iria mais cedo ou mais tarde seguir uma linha imperialista que seria um desafio letal para a burguesia capitalista e revisionista. Ao desacreditar a China Maoista como sendo uma “ditadura comunista terrível”, a burguesia capitalista e revisionista concretiza dois grandes objectivos: difama a ideologia comunista enquanto desacredita um rival imperialista em ascensão.


Mas vamos regressar ao curso histórico seguido por Mao e pelo PCC. Após o “grande salto em frente”, nós vamos agora tentar analisar a “Grande Revolução Proletária Cultural” que, como o Camarada Enver Hoxha correctamente afirma:



(…) não foi nem revolucionária, nem grande, nem cultural, e, em particular, nem um pouco proletária.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



A Revolução Cultural esteve ligada á já referida ideia Maoista de que a exploração dos trabalhadores pode ser eliminada sem o uso da violência revolucionária pelo proletariado e que os elementos burgueses podem ser pacificamente convertidos ao socialismo através da “reeducação”:



No que respeita á burguesia nacional, um grande esforço de educação pode ser feito no presente período relativamente a esta classe. Quando vier o tempo de concretizar o socialismo, de nacionalizar as empresas privadas, nós avançaremos ainda mais nos nossos esforços para reformar e educar os elementos burgueses.” (Mao Zedong, Sur la dictature populaire démocratique — cited by Yu Hai em Le rôle de la bourgeoisie nationale dans la révolution chinoise, em Cahiers du communisme, Agosto de 1950, traduzido a partir da edição em Francês).



As origens ideológicas da Revolução Cultural são uma mistura de várias correntes anti-Marxistas, incluindo espontaneísmo, anarquismo e, claro, as teorias anti-comunistas de Mao Zedong.


Para compreendermos as verdadeiras causas da revolução cultural, nós devemos notar que, depois da revolução chinesa de 1949, o estado chinês emergia como uma espécie de órgão arbitral que mantinha a “paz social” através da “regulação” das contradições de produção que existiam entre o proletariado e a burguesia. É claro que esta máscara arbitral era muito importante para esconder o verdadeiro carácter do estado Maoista enquanto ditadura da burguesia nacional; aliás, a melhoria das condições de vida do povo chinês após a revolução de 1949 esteve ligado precisamente com esta necessidade de criar uma falsa impressão entre as massas, fazendo-as acreditar que a China estava a seguir um curso socialista e que o estado Maoista estava do lado do proletariado. Nós já explicámos que a revolução de 1949 foi liderada pela burguesia que conquistou o poder político e económico contra os interesses da antiga burguesia pró-imperialista. Assim, apesar do argumento de que Mao “nacionalizou” muitas das secções chave da economia, a verdade é que a burguesia nacional chinesa nunca foi realmente expropriada. Há dois tipos de nacionalizações: as nacionalizações de tipo burguês e as nacionalizações de tipo proletário. O primeiro tipo é feito nos interesses de uma certa secção da burguesia, enquanto que o segundo tipo é feito contra toda a classe burguesa e com o propósito de destruir o sistema capitalista. Aquilo que os distingue é que o primeiro tipo é feito sem verdadeira expropriação da burguesia, enquanto que o segundo envolve a total expropriação de toda a classe capitalista e burguesa. As nacionalizações que tiveram lugar na China Maoista estavam claramente incluídas no primeiro tipo, elas eram nacionalizações burguesas que foram feitas com o objectivo de favorecer os interesses da burguesia nacional “patriótica” ao permitirem que esta classe ocupasse e controlasse a direcção das empresas nacionalizadas. Além disso, nós devimos lembrar-nos que, fora das empresas nacionalizadas, havia ainda muitos ramos essenciais da economia que nem sequer foram formalmente nacionalizados e que continuavam abertamente nas mãos do capital privado burguês. Como já tínhamos explicado, a base material da sociedade chinesa continuou a ser dominada pelas relações capitalistas de produção, e isto reflectia-se na superstrutura política, social e cultural. É impossível evitar que uma classe que detém o poder económico controle o poder político, uma vez que a superstrutura política é um reflexo directo da base material e económica da sociedade. Isto é o que o Marxismo nos ensina. Consequentemente, é óbvio que as pretensões Maoistas de “conciliação” dos interesses do proletariado e da burguesia estavam destinadas a falhar desde o princípio. Se o proletariado não estabelecer a sua ditadura, então a burguesia vai automaticamente continuar a ser a classe dominante e vai continuar a explorar as massas oprimidas. É impossível encontrar uma “terceira via” entre a ditadura burguesa e a ditadura proletária.


As causas da Revolução Cultural estão ligadas ao facto de que, desde o fim dos anos 50, a burguesia nacional chinesa revelava cada vez mais o seu carácter reaccionário, ela queria o fim do “estado arbitral” Maoista e a implementação de uma ditadura burguesa típica. Esta burguesia nacional tinha-se tornado numa verdadeira burguesia monopolista de estado que dominava todos os aspectos da sociedade chinesa. Assim, não é surpreendente que esta burguesia que controlava o PCC tentasse mudar a composição do seu Comité Central de acordo com os seus próprios interesses exploradores; a burguesia monopolista chinesa tentou substituir a facção centrista de Mao por facções mais direitistas que iriam apagar os últimos traços de fraseologia Marxista e de aparência socialista.


A revolução cultural foi promovida por Mao de forma a tentar reverter o domínio das facções mais direitistas do PCC que estavam a defender a implementação de uma regime capitalista com características fascistas nos interesses da nova burguesia monopolista. No entanto, nós devemos notar que Mao não incentivou a revolução cultural porque estivesse preocupado com o carácter pró-fascista e reaccionário das facções do partido que representavam a burguesia monopolista. Não. Mao usou a sua própria autoridade para propagar a revolução cultural porque, em primeiro lugar, ele não queria ser expulso do poder pelas outras facções do partido (como qualquer político burguês, Mao Zedong tinha lascívia pelo poder e, ao longo da sua carreira política, ele fez os possíveis para manter a sua supremacia política). Além do mais, o prestígio de Mao ainda estava seriamente afectado pelo fracasso do “grande salto em frente” e a revolução cultural foi vista por ele como uma oportunidade para reconquistar o seu anterior estatuto e para consolidar as suas posições dentro do estado burguês chinês.


A segunda razão que levou Mao a lançar a revolução cultural é que ele compreendeu muito bem que, com o estabelecimento de um regime abertamente capitalista, a burguesia monopolista chinesa perderia importantes instrumentos que lhe permitiam iludir o proletariado chinês e manter uma clima de “paz social” no qual a exploração e a escravatura assalariada poderiam ser exercidas pacificamente. Nós devemos recordar que a retórica anti-imperialista de Mao, bem como a sua roupagem “socialista” contribuíram muito para a aceitação da nova ditadura burguesa por muitos sectores das massas oprimidas chinesas. O proletariado chinês esteve ao lado da burguesia nacional na luta contra os imperialismos estrangeiros, mas, contrariamente àquilo que Mao tentou promover, estas duas classes continuaram a ter interesses irreconciliáveis e esta situação não se modificou só porque elas estiveram temporariamente unidas no contexto de um determinado período histórico de luta contra os opressores externos. É claro que o revisionista Mao tentou perpetuar esta “união” entre o proletariado e a burguesia nacional em favor dos interesses da última, ele propagou a ideia falsa e impossível da “partilha do poder” entre estas duas classes de forma a eliminar a luta de classes e a esconder a exploração capitalista por detrás de uma fachada “Marxista” e “revolucionária”. No entanto, se a burguesia monopolista conseguisse instalar um regime abertamente capitalista e pró-fascista na China, essa máscara “socialista” inventada por Mao para ocultar o carácter explorador do estado da burguesia chinesa e para manter o proletariado chinês num estado de servidão cairia totalmente. Além disso, Mao também estava do lado da pequena-burguesia das áreas rurais e urbanas que defendia a coexistência e a conciliação entre as múltiplas classes que constituíam a sociedade chinesa. A revolução cultural foi precisamente uma tentativa para impedir os esforços da burguesia nacional monopolista que queria o controle completo da sua classe sobre o estado chinês, sem sequer a aparente “partilha de poder” que Mao propunha.


E foi por estas razões que Mao promoveu a “Grande Revolução Proletária Cultural”. No entanto, o anti-Marxismo da revolução Cultural não estava limitado ás suas origens e ás razoes da sua existência. De facto, as suas raízes anti-Marxistas eram claramente visíveis na maneira como a Revolução Cultural foi conduzida e liderada.


Em primeiro lugar, a revolução cultural chinesa foi o resultado de um chamamento feito por Mao Zedong enquanto revolucionário individual que usufruía de um prestígio considerável. Nós devemos notar que Mao gozava de uma imenso poder pessoal dentro do partido e que ele controlava as suas próprias milícias privadas que eram usadas por ele para consolidar as suas posições face ás ameaças vindas de facções rivais no interior do partido:



Recentemente, «Renmin Ribao» publicou um artigo da autoria de um grupo teórico do “Directório Geral” do Comité Central do PCC. Este artigo diz que, sob o nome do “Directório Geral”, Mao erigiu em seu redor um aparato especial que mantinha o Bureau Político, o Comité Central, os quadros do estado, do exército, das forças de segurança, etc.… sob vigilância e controle. A entrada neste Directório e o conhecimento acerca do seu trabalho era proibido para todos, mesmo para os membros do comité central e do Bureau político. Neste directório se faziam planos para elevar ou deitar abaixo esta ou aquela facção. Os homens deste directório estavam em todo o lado, viam tudo e operavam independentemente, totalmente fora do controlo do partido.


Além deles, o directório tinha á sua disposição destacamentos armados, ocultos sob a designação de “Guarda do Presidente Mao”. Esta guarda pretoriana de mais de 50.000 homens agia onde quer que Mao desejasse “actuar de uma só vez” realizando os seus objectivos, como tem acontecido frequentemente ao longo da história do PCC (…).” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



E a tirania individualista de Mao não estava limitada aos escalões mais elevados do partido. Pelo contrário, ele exercia o seu controlo mesmo entre a população:



Sob o pretexto de manter contactos com as massas, Mao Zedong também criou uma rede especial de informadores entre a população que estavam encarregados da tarefa de manter os militantes de base sob vigilância e investigar o estado de espírito das massas, sem o conhecimento de ninguém. Eles só deviam justificações a Mao Zedong, que tinha cortado com todos os meios de comunicação com as massas e via o mundo apenas através dos relatórios dos seus agentes no “Directório Geral”.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Como se pode observar, Mao Zedong violou repetidamente as normas mais básicas do centralismo democrático e da democracia Leninista-Estalinista. Esta situação aconteceu durante todo o período do governo Maoista, apesar de se ter intensificado durante a revolução cultural. Mao Zedong implementou uma autêntica ditadura pessoal, totalmente fora do controlo do partido e do proletariado:


O artigo do «Renmin Ribao» fornece novas informações que nos permitem compreender mais claramente a direcção anti-Marxista e o poder pessoal de Mao Zedong no partido e no estado chinês. Mao Zedong não tinha o menor respeito nem pelo Comité Central nem pelo congresso do partido, e muito menos pelo partido no seu conjunto e pelos militantes e comités de base. Os comités do partido, os quadros dirigentes e o Comité Central recebiam ordens do “Directório Geral” que só respondiam perante Mao Zedong. Os fóruns do partido, os seus órgãos eleitos não tinham qualquer espécie de autoridade.



O artigo do «Renmin Ribao» afirma que, “ nenhum telegrama, nenhuma carta, nenhum documento, nenhuma ordem podia ser dada sem primeiro ter sido analisada e aprovada por Mao Zedong.” Parece que em 1953, Mao já tinha dado ordens claras de que: “De agora em diante, todos os documentos e telegramas enviados em nome do Comité Central só poderão ser efectivados depois de eu os ter perscrutado, de outra maneira eles são inválidos. Sob estas condições, é impossível falarmos acerca de liderança colectiva, democracia no partido, ou normas Leninistas.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Com isto, nós notamos que o papel dirigente do partido comunista revolucionário é totalmente abandonado por Mao. Em vez disso, nós temos um indivíduo que usa a sua autoridade para mobilizar “ideologicamente” certos sectores “populares” de forma a servirem os interesses do grupo revisionista liderado por ele (nós nunca podemos esquecer que a Revolução Cultural foi essencialmente uma disputa pelo poder entre diferentes facções burguesas e revisionistas no interior do PCC):



A figura de Mao Zedong tem sido exagerada até tomar as dimensões de um imperador Chinês. E de facto, este imperador moderno opera de forma omnipotente sobre os seus súbditos, que criaram uma terrível burocracia através da qual as “ideias brilhantes” do “Grande Timoneiro” são levadas a cabo.



Ele usou o PCC como um trampolim para tingir os seus objectivos e ele tem feito isso sempre que pensa que isso é “razoável”; dependendo do desenvolvimento “dialéctico” das “contradições”, vistas da perspectiva do Taoismo, ele faz pessoas caírem do poder, ataca o partido e liquida-o, começa alguma “revolução” e “equilibra” o puder dos súbditos.



Ele explica tudo isto com frases alegadamente revolucionárias que traduzem acções iguais ás do Imperador Bokassa, do Xá da Pérsia ou do Rei do Nepal, de quem Mao gostava muito, e a quem ele recebeu e acompanhou, não apenas por causa de interesses materiais, tais como a esperança de ganhar vantagens políticas e de fazer deles satélites chineses, mas também a filosofia de Mao coincidia completamente com a deles.” (Enver Hoxha, Carta ao Camarada Hysni Kapo, 30 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Inglês).



O Camarada Enver Hoxha afirmou que o principal acontecimento que fez o PTA começar a analisar o 2Pensamento Mao Zedong” de uma maneira mais profunda foi precisamente a revolução cultural. Para os Marxistas-Leninistas albaneses, esse foi o ponto decisivo que os levou a desmascarar o revisionismo Maoista e a demarcarem-se do social-imperialismo chinês (apesar de o camarada Enver e o PTA terem anteriormente criticado os traços oportunistas do PCC):



(…) aquilo que mais atraiu a atenção do nosso partido foi a Revolução Cultural, que levantou muitas questões. Durante a Revolução Cultural, iniciada por Mao Zedong, vieram á luz ideias e acções políticas, organizacionais, ideológicas levadas acabo pelo PCC e pelo estado Chinês que não eram baseadas nos ensinamentos de Marx, Engels, Lénine e Estaline.



Julgando as suas anteriores acções duvidosas, bem como aquelas observadas durante a Revolução Cultural, e especialmente os acontecimentos que se seguiram á Revolução, a ascensão e a queda deste ou daquele grupo na liderança, hoje o grupo de Lin Pião, amanhã o de Deng Xiaoping, de Hua Kuo-feng, etc. cada um deles munido com a sua própria plataforma oposta ás dos outros grupos; todas estas coisas levaram o nosso partido a reflectir mais profundamente sobre as posições e as acções de Mao Zedong e do PCC, a adquirir um conhecimento mais profundo acerca do “Pensamento Mao Zedong”.


Quando vimos que esta Revolução Cultural não estava a ser liderada pelo partido, mas não era mais do que uma explosão caótica que ocorreu no seguimento de uma invocação feita por Mao Zedong, tal não nos pareceu ser revolucionário. Foi a autoridade de Mao na China que fez com que milhões de jovens estudantes desorganizados marchassem sobre Pequim e dispersassem os comités do estado e do partido.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



De acordo com o Camarada Enver, aquilo que realmente irritou os comunistas albaneses foi o facto de a Revolução Cultural ser um movimento de massas com traços espontaneístas e anarquistas que excluíam completamente o papel dominante não apenas do partido, mas também do proletariado:



(…) a sua principal característica é que nem o partido nem o proletariado lideravam esta “grande revolução proletária”. Esta grave situação derivou das velhas concepções anti-Marxistas de Mao Zedong que subestimavam o papel dirigente do proletariado e sobrestimavam o papel da juventude na revolução. Mao escreveu que: “ Que papel é que a juventude chinesa assumiu desde o “Movimento de 4 de Maio”? Eles assumiram um papel de vanguarda – um facto que é reconhecido por toda a ente no nosso país, á excepção dos ultra-reaccionários. O que é um papel de vanguarda? Significa tomar a liderança.” Assim, a classe operária foi deixada de lado (…).” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).


É bem conhecido o facto de que uma das características mais famosas da ideologia Maoista é a sua disponibilidade para colocar toda e qualquer classe social a liderar a revolução. Toda e qualquer classe social … excepto o proletariado, claro. Por exemplo, durante a Revolução Cultural, Mao considerava a juventude como o sector social que deveria liderar a revolução. Esta ideia é totalmente anti-Marxista. É verdade que a juventude é uma força muito progressista, que ela tem tendência a seguir aquilo que é novo e a rejeitar aquilo que é velho e retrógrado. Mas isso não significa que a juventude deva liderar a revolução proletária. O mesmo pode ser dito acerca dos camponeses. Apesar de a os camponeses pobres (e nas fases inicias da revolução, também certos estratos do campesinato médio) poderem assumir um papel importante e até decisivo na vitória da revolução proletária, o campesinato não pode nunca substituir o proletariado enquanto força dirigente da revolução:



Mao afirmou que todos os outros partidos e forças políticas se devem submeter ao campesinato e ás suas posições. “ … milhões de camponeses vão erguer-se como uma tempestade, e constituirão uma força tão grande e violenta que nenhum poder, por muito grande que seja, a poderá deter.” escreve Mao. “Eles irão testar todo e qualquer grupo e partido revolucionário, eles irão testar cada revolucionário individualmente, de maneira que das duas uma: ou estes revolucionários aceitam as ideias dos camponeses ou as rejeitam.” De acordo com Mao, é o campesinato e não a classe operária que deve assumir o papel hegemónico na revolução.




Mao Zedong também defendeu a tese segundo a qual é o papel hegemónico do campesinato na revolução que assegura o caminho para a revolução mundial. E é aqui que está a fonte da concepção anti-Marxista que considera que o chamado “terceiro-mundo”, o qual na literatura política chinesa também é denominado como “a zona rural do mundo”, como “ a principal força motora para a transformação da sociedade actual.”



Segundo as posições chinesas, o proletariado é uma força social secundária, que não pode assumir o papel previsto por Marx e por Lénine na luta contra o capitalismo e pelo triunfo da revolução, em aliança com todas as forças oprimidas pelo capital. A revolução chinesa tem sido dominada pela pequena e média burguesia. Esta larga camada da pequena-burguesia tem influenciado o desenvolvimento global da China. Mao Zedong não se baseou na teoria Marxista-Leninista que nos ensina que o campesinato e a pequena-burguesia são, em geral, vacilantes. É claro que o pequeno e médio campesinato assumem um papel importante na revolução e devem tornar-se em aliadas próximas do proletariado. Mas a classe camponesa e a pequena-burguesia não podem conduzir o proletariado na revolução. Pensar e defender o contrário significa estar contra o Marxismo-Leninismo. Aqui jaz uma das principais fontes das posições anti-Marxistas de Mao Zedong, que têm tido uma influência negativa na revolução chinesa.


O PCC não consolidou a ideia teórica do papel hegemónico do proletariado na revolução enquanto princípio revolucionário básico, e consequentemente, ele não o aplicou na prática de forma adequada e consistente. A experiência demonstra que o campesinato só pode assumir o seu papel revolucionário se actuar em aliança e sob a direcção do proletariado.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



O Marxismo-Leninismo ensina-nos que o campesinato é uma classe hesitante, e que o proletariado deve persuadi-lo e inculcar-lhe a sua teoria revolucionária e científica. A teoria Maoista que absolutiza o papel do campesinato e recusa os princípios do Marxismo-Leninismo acerca do papel do proletariado trouxe consequências horríveis ao movimento comunista. Um dos casos mais dramáticos no qual a teoria abjecta e anti-comunista de Mao acerca do “cerco das cidades pelo campo” assumiu traços extremistas foi o do Cambodja de Pol Pot (um tema que iremos desenvolver neste artigo).


Assim, o papel dirigente na revolução proletária deve pertencer sempre á classe operária (proletariado). Se a revolução não for liderada pelo proletariado, isso significa que essa revolução não tem carácter comunista nem Marxista-Leninista. Quem negue o papel dirigente do proletariado na revolução comunista é um anti-Marxista-Leninista e deve ser implacavelmente combatido; e a verdade é que o Maoismo rejeitou o papel dirigente do proletariado tanto em teoria como na prática. Aliás, é impossível falar acerca do papel dirigente do proletariado num contexto como o da China Maoista, no qual a burguesia nacional dominava a base material do poder económico, e consequentemente dominava a superstrutura social e política que permitia a perpetuação da exploração capitalista.



As características anarquistas da Revolução Cultural estão intimamente relacionadas comas concepções esquerdistas e anti-Marxistas de Mao Zedong que foram realçadas durante a Revolução Cultural:



Encorajar a liberdade de expressão é encorajar a voz pública, de maneira que cada pessoa possa falar e criticar livremente.” (Citação de Mao Zedong, 16 de Maio de 1966).



No contexto da Grande Revolução Cultural Proletária, as massas só se podem libertar a elas mesmas, e nós nunca podemos ter a pretensão de agir em seu lugar.” (Decisão do Comité Central do PCC acerca da Grande Revolução Cultural Proletária, 8 de Agosto de 1966, Pequim).



Esta teoria acerca da auto-libertaçao das massas revela claramente a natureza voluntarista e idealista das concepções Maoistas. Aliás, esta falsa ideia de “deixar as massas libertarem-se a si mesmas” é comum a quase todos os partidos Maoistas de todo mundo, supostamente com o objectivo de “evitar desvios burocráticos”. De facto, esta teoria é muito semelhante ás teses anarquistas e esquerdistas que não aceitam aquilo que eles chamam de “socialismo imposto a partir de cima”; ou, por outras palavras, eles não aceitam o papel dirigente do partido comunista como a vanguarda do proletariado em aliança com as outras classes exploradas. Esta negação do papel dirigente do proletariado conduz directamente á negação da necessidade de implementação da ditadura do proletariado.


Este tipo de teses de inspiração anarquista emerge invariavelmente em situações de tensão social, mas nas quais não existe um verdadeiro partido Marxista-Leninista que possa liderar as classes oprimidas e estabelecer a ditadura do proletariado. No que respeita aos traços anarquistas do “Pensamento Mao Zedong” em geral, e da Revolução Cultural em particular, o Camarada Enver Hoxha sublinhou que:



Mao Zedong não deve ser qualificado como um “profeta da revolução”, mas sim como “um profeta da contra-revolução”. Ele representou o tipo de anarquista em cujo sangue corre a confusão, o caos, e a destruição da ditadura do proletariado e do socialismo, mas sempre soba condição de que esta anarquia permanente fosse liderada por ele ou pela sua típica ideologia anarquista chinesa. Mao Zedong é um Bakunine Chinês. A revolução Cultural foi uma expressão das ideias e acções deste Bakunine Chinês.




O caos que se espalhou na China, originado pela linha traidora e anti-Marxista de Mao Zedong e dos seus súbditos, um caos cheio de derrotas na política, na ideologia e na economia foi combatido pelo “Grande Timoneiro” através da anarquia da Revolução Cultural. Esta revolução anarquista salvou o governo absoluto de Mao, mas incluiu o risco de o destruir. O “prestígio” do “Timoneiro” tinha de ser salvo, não foi permitido que a anarquia fizesse cair os mitos, e por isso foram tomadas medidas militares.




O carácter da burocracia de Zou Enlai-Confúcio foi salvo e elementos “revolucionários” supostamente mais “jovens” foram integrados na cena de agitação e de propaganda, a qual foi pintada pelo “Timoneiro” como sendo uma “revolução dentro da revolução” através da qual se estaria a eliminar a burguesia que se teria infiltrado dentro do partido.


Mas a verdade é que não havia partido, mas apenas a burguesia, havia clãs e facções que lutavam pelo poder. Esta foi a “revolução permanente” Trotskista, liderada por Mao Zedong-Trotsky.” (Enver Hoxha, Carta ao Camarada Hysni Kapo, 30 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Inglês).




Neste ponto, outra questão se coloca: os Maoistas estão sempre a referir-se ás “massas” em termos abstractos, mas o que é que eles querem dizer com isso? Não é por acaso que sua definição de massas é tão vaga. Isto acontece porque, usando as “massas” como pretexto, os Maoistas podem justificar a existência de várias classes através de falsos slogans “revolucionários” e “socialistas”.


Não é surpreendente que o PCC tenha praticamente deixado de existir durante a Revolução Cultural. Ele deixou de existir porque, durante a revolução Cultural, existiam múltiplos clãs revisionistas dentro do PCC que lutavam uns contra os outros e tentavam conquistar o poder de forma a defenderem os interesses das facções da burguesia que cada um deles representava. Neste contexto, o PCC foi “neutralizado” simplesmente porque ele não tinha nenhum papel independente a desempenhar. Após esta Revolução Cultural, quando as facções vitoriosas da burguesia consolidavam o seu poder, então o PCC reocupou o seu lugar enquanto Comité Geral da burguesia monopolista chinesa.


A ideia da liderança espontânea das massas está também incluída na tese Maoista que propaga o controlo do Partido Comunista pelos partidos e classes burgueses. Essa tese propõe uma crítica geral entre os elementos das várias classes que existem dentro do sistema socio-económico burguês que constitui a definição Maoista de “Nova Democracia”. Nós não devemos esquecer que Mao sempre defendeu as “100 escolas” que deveriam debater entre si. É claro que estas “100 escolas” significam uma grande variedade de ideologias burguesas que, de acordo com Mao, devem ser deixadas não apenas existir, como também desenvolver-se e espalhar a sua influência tóxica sobre o proletariado e as massas exploradas:



As concepções revisionistas de Mao Zedong baseiam-se na política de colaboração e de aliança com a burguesia que o PCC tem aplicado sempre. Esta é também a fonte do curso anti-Marxista e anti-Leninista de “deixar 100 flores desabrochar e 100 escolas debater”, que é uma expressão directa da coexistência de ideologias opostas.



De acordo com Mao Zedong, na sociedade socialista, lado a lado com a ideologia proletária, com o materialismo e o ateísmo, a existência da ideologia burguesa, do idealismo e da religião, o crescimento de “plantas venenosas” ao lado de “flores perfumadas”, etc. deve ser permitido. Este curso é supostamente necessário para o desenvolvimento do Marxismo, de forma a abrir o caminho para o debate e a liberdade de pensamento, enquanto que na realidade, através deste curso, ele está a tentar estabelecer a base teórica da política de colaboração com a burguesia e da coexistência com a sua ideologia.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Esta situação contrasta totalmente com o que aconteceu na União Soviética dos Camaradas Lénine e Estaline e na Albânia Socialista do Camarada Enver Hoxha, onde o Marxismo-Leninismo tinha predominância absoluta e estava a eliminar todo o tipo de ideias e de mentalidades burguesas. No contexto de uma verdadeira ditadura proletária, não pode haver espaço para ideologias que não sejam Marxistas-Leninistas. O Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo deve ser a única ideologia permitida e encorajada em todas as esferas da vida. Inculcar o Marxism-Leninismo nas mentes e nos corações de todos os trabalhadores é a melhor maneira de assegurar o fortalecimento da ditadura proletária e a edificação bem-sucedida da sociedade socialista e comunista.


É claro que o Maoismo rejeita tudo isto e propõe uma “revolução” feita por “várias classes” (ou seja, pela burguesia). Esta concepção está nos antípodas dos ensinamentos mais básicos do Marxismo-Leninismo acerca do papel principal que o proletariado deve assumir em qualquer autentica revolução proletária de maneira a remover completamente até mesmo os mais pequenos traços do sistema capitalista e da ideologia burguesa.




O Camarada Enver Hoxha também nota que a defesa que Mao faz da reconciliação de classe com a burguesia chega a tal ponto que ele (Mao) até critica a luta contra os elementos e as influências burguesas:



Mao Zedong afirma que “ (…) é uma política perigosa proibir as pessoas de tomarem contacto com aquilo que é feio, falso e hostil em relação a nós, com o idealismo e a metafísica, bem como com os pensamentos de Confúcio, de Lao Tze e de Chang Kai-shek. Isso significaria levar á deterioração, ao sectarismo mental e á falta de preparação para enfrentar o mundo (…).”



A partir daqui, Mao Zedong conclui que o idealismo, a metafísica e a ideologia burguesa vão existir eternamente, e por isso eles não só não devem ser proibidos como devm ter a possibilidade de florescer, de actuarem abertamente e de debaterem entre si. Esta atitude conciliatória em relação a tudo aquilo que é reaccionário vai ao ponto de qualificar os distúrbios na sociedade socialista como algo inevitável e de dizer que é nocivo proibir a actividade dos inimigos. “Na minha opinião,” diz Mao, “quem queria provocar sarilhos deve poder fazê-lo durante o tempo que quiser: e se um mês não for suficiente, ele pode fazê-lo durante dois; em poucas palavras, quem queira arranjar sarilhos deve ser livre para o fazer até se fartar. Se nós tentarmos impedir isso, mais tarde ou mais cedo vai voltar a haver sarilhos”.



Muito longe de serem contribuições académicas para uma discussão “científica”, estas posições configuram uma linha política contra-revolucionária e oportunista que está em oposição ao Marxismo-Leninismo e que desorganizou o PCC, nas fileiras do qual têm circulado cento e uma posições e ideias e onde hoje em dia há realmente 100 escolas que debatem entre si. Esta situação permitiu ás vespas burguesas circular livremente no jardim das 100 flores e libertar o seu veneno.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



E há mais:



(…) tomando abertamente os contra-revolucionários sob a sua protecção, Mao Zedong afirmou que: “ … nós devemos prender muito poucos e não devemos matar nenhum deles. Eles não devem ser presos pelos conselhos de segurança pública, nem devem ser perseguidos pelos órgãos de justiça ou julgados pelos tribunais. Mais de 90% dos contra-revolucionários devem ser tratados desta maneira.” Raciocinando como um sofista, Mao Zedong diz que a execução dos contra-revolucionários não é benéfica, que uma tal acção alegadamente prejudica a produção, o nível científico do país, traz-nos má publicidade, etc. Mao afirma que se um contra-revolucionário é liquidado, “nós teríamos de comparar o seu caso com o de um segundo, de um terceiro e assim por diante, e então muitas cabeças rolariam … quando uma cabeça é cortada não pode mais ser restaurada, nem irá crescer novamente nunca mais.” Como resultado destas concepções anti-Marxistas acerca das contradições, das classes e do seu papel na revolução que o “Pensamento Mao Zedong” defende, a China nunca avançou pelo caminho correcto da edificação socialista.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Estas citações de Mao Zedong demonstram claramente que ele rejeitava o uso da violência revolucionária contra os elementos burgueses e capitalistas.


Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, consideramos a violência revolucionária como uma arma fundamental para o estabelecimento da ditadura proletária. Sem violência revolucionária não pode haver edificação firme e correcta da sociedade socialista e comunista.



Como nota final acerca da Revolução Cultural, nós concluímos que o objectivo de Mao não foi atingido. Mao não capaz de manter o aparente “equilíbrio” do estado burguês chinês através da suposta “partilha de poder” entre a burguesia nacional e a pequena-burguesia camponesa. Ele não conseguiu impedir a burguesia monopolista chinesa de colocar o estado chinês sob o seu total domínio, e Mao não o conseguiu impedir porque o poder económico da burguesia nunca foi eliminado e mesmo as relações de produção continuaram a ter uma carácter burguês e capitalista durante o governo de Mao. Por estas razoes, era só uma questão de tempo até que a burguesia nacional monopolista chinesa adquirisse o controlo completo do aparelho estatal, como de facto aconteceu.



A verdade é que desde o fim dos anos 60 e o início dos anos 70, a burguesia monopolista chinesa consolidou-se como a principal classe dominante da China, eliminando assim todas as pretensões da pequena-burguesia e até do campesinato acerca da “ditadura conjunta de todas as classes”. Aquilo que as classes pequeno-burguesas e mesmo o campesinato não compreenderam é que, desde o fim dos anos 60, a China entrou numa nova fase, a fase da expansão imperialista da burguesia monopolista chinesa. Imediatamente após 1949, a maior preocupação da burguesia monopolista chinesa foi assegurar a sua independência perante as potências imperialistas estrangeiras e da burguesia pró-imperialista. E isto porque, na sua primeira fase de desenvolvimento, a burguesia monopolista chinesa tinha de lutar para evitar que a dependência dos imperialismos estrangeiros pudesse manter a economia chinesa num estado atrasado. Depois disto, a burguesia nacional acumulou muitos recursos e desenvolveu a economia interna. E foi neste ponto que as ideias de Mao foram decisivas para servir os interesses da burguesia nacional. O “Pensamento Maoista” paralisou ideologicamente os trabalhadores chineses e “uniu” os seus interesses com os da burguesia nacional. Nós sabemos que esta “união” era apenas superficial e era profundamente anti-Marxista, mas o facto é que enganou largos sectores da classe operária chinesa (a fraseologia “socialista de Mao contribuiu muito para isso), permitindo assim que a burguesia nacional chinesa os pudesse explorar sem preocupações, desenvolvendo a base industrial da economia chinesa de forma a abrir caminho para a futura ascensão da China como uma nova superpotência imperialista.


Após a revolução Cultural, a burguesia nacional chinesa atingiu definitivamente um carácter monopolista e adquiriu o controlo absoluto do poder político. Com isto, ela começou a entrar na competição imperialista, até porque o seu poder económico colossal era apoiado por um sector avançado e diversificado de indústria pesada e por uma força de trabalho vastíssima fornecida pelas dimensões demográficas e territoriais da China.


Foi neste contexto que as relações entre a Albânia socialista e a china Maoista se começaram a deteriorar seriamente. Desde o fim dos anos 60, os Marxistas-Leninistas albaneses notaram que os “camaradas” chineses os tentavam dissuadir de desenvolver a indústria de meios de produção e de concretizarem muitos projectos em vários sectores da economia (agricultura, metalurgia, etc. …). É claro que os revisionistas chineses queriam destruir o curso independente seguido pela Albânia socialista, mas eles falharam devido aos esforços heróicos do proletariado albanês:



A construção de fábricas de indústria pesada na Albânia com a ajuda da China teve de enfrentar muitas dificuldades que foram ultrapassadas devido ao esforço dos trabalhadores e dos especialistas albaneses.” (PTA, Histoire de la construction socialiste en Albanie, traduzido a partir da edição em Francês).



Desde 1971, os revisionistas chineses impuseram um duro bloqueio comercial contra a Albânia Socialista e tentaram por todos os meios subjugar este país aos seus interesses imperialistas. Os revisionistas chineses até recusaram receber delegações enviadas por Tirana para discutir as contradições políticas entre os dois países. De facto, o VI Congresso do PTA (1976), no qual o Camarada Enver Hoxha criticou a “teoria dos três mundos” Maoista, não foi presenciado por nenhuma delegação chinesa.


A China social-imperialista rompeu oficialmente com a Albânia Socialista em 1978. Esta ruptura não foi nada de surpreendente, nem teve as suas origens no período 1976-1978. Pelo contrário, a ruptura Sino-Albanesa foi apenas o culminar de um longo processo que se intensificou no final dos anos 60 mas que teve as suas origens nos inícios dessa década.


Os Marxistas-Leninistas albaneses confiavam no povo chinês e pensaram que o PCC conseguiria corrigir os seus erros e seguir um curso Marxista-Leninista. O Camarada Enver e os outros comunistas Albaneses criticavam regularmente o PCC e informavam os “camaradas” chineses acerca das questões ideológicas nas quais ambas as partes estavam em desacordo.


Actualmente, há grupos comunistas que consideram correctamente a Albânia Socialista como um autêntico país socialista e que consideram (também correctamente) que a sociedade socialista albanesa estava isenta de desvios revisionistas. No entanto, há um aspecto da política externa da Albânia Socialista que continua a confundir alguns destes grupos e partidos comunistas: o facto de que a Albânia continuou a ter relações aparentemente amistosas com a China até depois da morte de Mao. Muitos dos comunistas que vêem o “Pensamento Mao Zedong” como uma tendência burguesa e revisionista perguntam-se porque é que a Albânia socialista não foi capaz de criticar a China Maoista mais cedo.


Em primeiro lugar, nós não podemos esquecer que os revisionistas chineses sempre tentaram esconder a verdade acercada situação interna do PCC. Durante muitos anos, os comunistas albaneses não poderiam ter tido conhecimento acerca daquilo que se estava a passar dentro das fileiras do PCC:



(…) nós não tínhamos conhecimento acerca da situação interna social, económica, política, cultural, etc na China. A organização do partido e do estado chinês sempre foram um livro fechado para nós. O PCC não nos deu possibilidade de estudar as formas de organização do partido e do estado chinês. Nós, Comunistas albaneses, sabíamos apenas as linhas gerais da organização do partido e do estado chinês e nada mais; nós não tivemos possibilidades de tomar contacto com a experiência do partido na China, de ver como é que operava, como estava organizado, em que direcção é que as coisas se estavam a desenvolver nos diferentes sectores e que direcções eram essas, em termos concretos.


Os líderes chineses agiram com astúcia. Eles não tornaram públicos muitos documentos necessários para se conhecer a actividade do partido e do estado. Eles sempre hesitaram e continuam a hesitar em publicar os seus documentos. Mesmo os poucos documentos que temos ao nosso dispor são fragmentários.


Os quatro volumes das obras de Mao, que podem ser considerados oficiais, são compostos por materiais escritos antes de 1949, mas além disso, eles estão configurados de tal maneira que não são susceptíveis de apresentar uma imagem exacta das situações reais que ocorreram na China.



(…) Os líderes chineses não convidaram nenhuma delegação do nosso partido para estudar a sua experiência. E quando alguma delegação lá ia a pedido do nosso partido, os chineses levavam a nossa delegação em visita ás comunas e ás fábricas em vez de tentarem transmitir-nos algumas explicações ou experiências acerca do trabalho do partido. E em relação a quem é que eles agiam desta maneira tão estranha? Em relação a nós Albaneses, os seus amigos, que os defendemos nas situações mais difíceis. Todas estas acções eram incompreensíveis para nós, mas eram também um sinal de que o PCC não nos queria fornecer uma imagem clara da situação.” (Enver Hoxha, Imperialism and the Revolution, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).





Assim, é erróneo julgar as acções do PTA no que respeita á China como se os Marxistas-Leninistas albaneses tivessem um conhecimento total acerca dos desvios reaccionários que estavam a acontecer na China.


Hoje em dia, graças á publicação de muitas obras do Camarada Enver e do PTA, nós conseguimos ver as coisas de uma perspectiva mais alargada e podemos mesmo afirmar que, na verdade, o Camarada Enver Hoxha e o PTA criticaram o revisionismo Maoista desde o início dos anos 60.


Se nós pesquisarmos o Volume I das Reflexões Sobre a China do Camarada Enver, nós observamos facilmente que Enver já tinha notado que a China estava a seguir um curso centrista e se estava a reconciliar com o revisionismo soviético em 1962 (ver: Reflexões Sobre a China Volume I: Os chineses dão uma mão a Khrushchev – 6 de Abril de 1962; a China está a avançar segundo um curso centrista – 13 de Junho de 1962; os Chineses estão a procurar reconciliar-se com os Krushchevistas - 2 de Julho de 1962; a China não está a actuar bem ao não responder aos ataques de Khrushchev – 20 de Dezembro de 1962; As posições dos camaradas chineses são impróprias em muitos sentidos – 24 de Dezembro de 1962, etc. …).






Além disso, noutros livros como “Os Krushchevistas” e “O Imperialismo e a Revolução”, o camarada Enver também revela que ele e outros Marxistas-Leninistas albaneses tinham muitas suspeitas acerca do verdadeiro carácter da “revolução” chinesa e da “edificação socialista” chinesa desde o primeiro momento.



Nos inícios e meados da década de 70, havia algumas pessoas que criticavam a Albânia socialista por não ser capaz de denunciar o revisionismo chinês. Mas hoje em dia nós sabemos que esta crítica estava em desacordo com a realidade. Por essa altura, a Albânia socialista e o camarada Enver Hoxha não apenas já tinha feito a sua crítica ao revisionismo Maoista, como também tinham notado que a china estava a abrir caminho para se tornar numa superpotência.


Naqueles tempos, muitos comunistas temiam que se a Albânia socialista se recusasse a criticar o revisionismo Maoista, isso causaria a degeneração do carácter socialista da Albânia. No entanto, este medo era totalmente ilógico e apenas demonstra falta de confiança na força ideológica do PTA. Na verdade, nunca existiu o risco de degeneração da Albânia socialista porque o Camarada Enver sempre manteve uma posição Marxista-Leninista firme e correcta e nunca fez quaisquer concessões ao revisionismo Maoista, nem mesmo quando a Albânia e a China tinham relações “amistosas”. Enquanto o Camarada Enver Hoxha liderou o povo albanês, a edificação socialista na Albânia sempre seguiu uma linha Maxistas-Leninistas coerente e o PTA nunca deixou que as influências Maoistas degeneradas e anti-Marxistas penetrarem no proletariado albanês. Nós devemos recordar que no período 1974-1975, o PTA lançou uma luta feroz contra os membros do partido que estavam a tentar vender a Albânia ao imperialismo chinês, e graças á vigilância do partido, muitos traidores pró-Maoistas foram desmascarados e receberam o tratamento que mereceram (e é importante notar que isto aconteceu em 1974-1975, 4 anos antes da ruptura oficial entre Pequim e Tirana, provando assim que o Camarada Enver Hoxha tinha já previsto a inevitabilidade dessa ruptura e por isso limpou o PTA de elementos pró-chineses, preparando assim o proletariado albanês para enfrentar a futura ruptura com a China). Esses traidores pró-chineses estavam unidos em redor de Beqir Balluku e o seu objectivo era submeter a Albânia socialista aos interesses das potências revisionistas, incluindo os dos social-fascistas chineses:




Chou En-lai expôs a Beqir Balluku a opinião de que a Albânia não necessitava de indústria pesada e que nunca conseguiria defender-se sozinha contra uma agressão externa (…). É por isso que, segundo Chou En-lai, (…) a Albânia deveria fazer um acordo com a Jugoslávia e com a Roménia. O Bureau do Comité Central do PTA rejeitou unanimemente esta proposta anti-albanesa e contra-revolucionária de Chou En-lai. E apesar de afirmar que concordava com a decisão do Bureau, Beqir Balluku estava na verdade em total sintonia com a proposta chinesa e actuou em segredo para concretizar esse plano hostil contra a Albânia.” (Lettre du C.C du PTA et du Gouvernement Albanais au C.C du PCC et au Gouvernement Chinois, Tirana, 28 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Francês).



Pensar que a Albânia socialista deveria ter rompido as suas relações com a China e deveria ter feito públicas as suas críticas contra o Maoismo antes de 1978 revela uma análise muito superficial dos factos.


Após a Libertação, a Albânia estava quase completamente destruída. A guerra tinha pesado severamente sobre o país. Os esforços heróicos do povo albanês para construir o socialismo sob a direcção do proletariado através do PTA levaram á edificação de uma nova Albânia. Esta nova Albânia, que seguiu o caminho da construção da sociedade socialista e comunista, conseguiu grandes vitórias e tornou-se num símbolo para todos os verdadeiros militantes revolucionários de todo o mundo. No entanto, este curso glorioso não foi isento de dificuldades. De facto, após terem ultrapassado muitas dificuldades causadas pela destruição do país, os comunistas albaneses tiveram de enfrentar a morte do Camarada Estaline e a ascensão ao poder do revisionismo soviético. Como sabemos, anteriormente á traição Khrushchevista, a União Soviética era o principal apoiante da Albânia socialista; ela apoiava a Albânia não apenas em termos económicos, mas também no que respeitava ás questões políticas (por exemplo, a defesa feita por Estaline da independência e da soberania da Albânia ajudou os comunistas albaneses a derrotarem as ambições imperialistas de Tito e a evitar a transformação da Albânia numa colónia Jugoslava). Mas depois da tomada do poder pelos revisionistas, a Albânia teve de avançar em direcção ao socialismo sem a ajuda soviética. A ruptura entre a Albânia e a União Soviética no período 1956-1961 teve alguns efeitos negativos na economia Albanesa, mas graças ao ênfase que o camarada Enver Hoxha colocou nas forças internas do país e no desenvolvimento da indústria pesada de meios de produção, a Albânia socialista conseguiu superar a ruptura com Moscovo sem graves consequências para a edificação socialista. Após este episódio, a Albânia Socialista decidiu aceitar a ajuda da China tendo sempre em consideração que. Apesar dos muitos e profundos erros ideológicos do PCC, este partido tinha defendido o Camarada Estaline (pelo menos aparentemente) e consequentemente ele poderia ainda corrigir a sua linha política de acordo com os princípios do Marxismo-Leninismo. Durante alguns anos, os Marxistas-Leninistas albaneses tiveram esperança de que o PCC adoptasse o caminho socialista e tentaram activamente chamar a a tenção dos camaradas chineses para os graves erros ideológicos que eles estavam a cometer e para os abjectos desvios anti-Marxistas que eles estavam a fazer:



De cada vez que o nosso partido notava que o PCC estava a praticar actos e a adoptar atitudes que estavam em oposição ao Marxismo-Leninismo e ao internacionalismo proletário, em oposição com os interesses do socialismo e da revolução, ele tentou expor os erros do PCC e criticou este partido dentro de um espírito de camaradagem. Mas a liderança do PCC nunca quis aplicar princípios Marxistas-Leninistas ás relações entre partidos.” (Lettre du C.C du PTA et du Gouvernement Albanais au C.C du PCC et au Gouvernement Chinois, Tirana, 28 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Francês).



Quanto a muitas teses de Mao Tsetung, como a de tratar as contradições entre o proletariado e a burguesia como contradições não antagónicas, a tese da existência de classes antagónicas durante todo o período do socialismo, a tese de que «o campo cerca a cidade», que absolutiza o papel do campesinato na revolução, etc., tínhamos nossas reservas e nossos pontos de vista marxista-leninistas, que transmitimos aos dirigentes chineses nas ocasiões adequadas. Quanto a outras concepções e posições políticas de Mao Tsetung e do partido Comunista da China que não se coadunavam com os pontos de vista e atitudes marxistas-leninistas do nosso Partido, considerávamo-las como tácticas temporárias de um grande Estado, ditadas por situações determinadas. Mas, com o passar do tempo, tornava-se cada vez mais claro que as atitudes do Partido Comunista da China não eram apenas táticas.


Analisando os factos, o nosso Partido chegou a algumas conclusões gerais e particulares que o levaram a ser vigilante, mas ele evitava a polémica com o Partido Comunista da China e com os dirigentes chineses, não porque tivesse medo de polemizar com eles, mas porque os dados que tinha a respeito do caminho erróneo, antimarxista desse Partido e do próprio Mao Tsetung não eram completos, ainda não lhe permitiam chegar a uma conclusão global. Por outro lado, durante certo tempo o Partido Comunista da China opunha-se ao imperialismo norte-americano e à reacção. Ele também manteve uma atitude contrária aos revisionistas krushchevistas soviéticos, apesar de ser claro agora que sua luta contra o revisionismo soviético não era ditada por corretas posições de princípio marxista-leninistas.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana 1979, edição em Português).


Mas a paciencia tem limites e desde o início dos anos 70 que o Camarada Enver Hoxha claramente compreendeu que a linha anti-comunista e errónea do PCC era algo definitivo e irreversível:



A “China socialista” recebe os camaradas comunistas da mesma maneira que recebe Nixon, Tanaka e os revisionistas, tal como talvez receba Chiang Kai-shek. Isto significa traição despudorada. (…) Assim, os chineses não podem estar de acordo com a linha revolucionária e Marxista-Leninista do nosso partido. Eles nem sequer estão de acordo com a nossa política geral interna e externa. E eles não escondem o seu desacordo em relação a nós. Chou En-lai, Li Hsien-nien e Mao romperam os seus contactos connosco, e os contactos que ainda mantêm são puramente formais.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 20 de Abril de 1973, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Além do mais, os comunistas albaneses notaram as tentativas feitas pelos chineses para sabotarem a economia da Albânia e para dificultarem a edificação socialista (ver: Reflexões sobre a China Volume II: Porque é que os chineses estão contra a construção da central hidroeléctrica de Fierza?! – 2 de Abril de 1974; Os chineses não nos estão a fornecer todos os projectos industriais – 18 de Junho de 1975, etc. …). Foi nestas circunstâncias que a ruptura Sino-Albanesa teve lugar:



A maneira unilateral pela qual os líderes chineses romperam os acordos económicos e militares que eles tinham assinado com a Albânia (…), a suspensão dos trabalhos mais importantes para a nossa economia socialista, etc.… reflectem a linha política e ideológica bem definida que está a ser seguida pelos dirigentes chineses. Isto é uma consequência dos desvios do PCC ao Marxismo-Leninismo, ao internacionalismo proletário, da sua concordância com o imperialismo americano, com o capitalismo e com a reacção mundial, (…) do seu desejo de transformar a China numa nova superpotência imperialista. Esta linha do PCC (…) enfrentou sempre a oposição do PTA (…). É por isso que muitas contradições e desacordos ideológicos surgiram nas relações entre o PCC e o PTA, e essas contradições e desacordos tornaram-se ainda mais acentuados. (…) O PTA tentou resolver estas divergências de uma maneira Marxista-Leninista, através de consultas e de explicações sempre levadas a cabo num espírito de camaradagem, sem tornar públicas estas divergências.” (Lettre du C.C du PTA et du Gouvernement Albanais au C.C du PCC et au Gouvernement Chinois, Tirana, 28 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Francês).




«Nestas circunstâncias, quando o PCC recusava todos os contactos, todas as discussões ou reuniões, quando actuava com arrogância e brutalidade (…) o que deveria o PTA fazer? Deveria aceitar a linha anti-Marxista do PCC negando-se a si mesmo? Deveria renunciar á luta contra o imperialismo e contra o revisionismo moderno e unir-se com os inimigos da revolução e do socialismo (…)? Deveria separa-se dos verdadeiros revolucion+arios Marxistas-Leninistas e associar-se com os oportunistas burgueses? Deveria deixar de apoiar a luta dos povos contra as superpotências? O PTA decidiu permanecer fiel ao Marxismo-Leninismo (…).


É precisamente Porque os líderes chineses não conseguiram subjugar a Albânia socialista que eles querem (…) destruir o desenvolvimento socialista na Albânia. Mas com esta atitude, a direcção chinesa só revela ainda mais a sua face anti-Marxista e contra-revolucionária.” (Lettre du C.C du PTA et du Gouvernement Albanais au C.C du PCC et au Gouvernement Chinois, Tirana, 28 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Francês).



A atitude do Camarada Enver em relação ao PCC foi Marxista-Leninista. Como já referimos, o Camarada Enver tomou sempre em consideração que a linha ideológica Maoista era errónea (como já mencionámos, o Camarada Enver nunca tentou esconder as profundas divergências que existiam entre o PCC e o PTA - por exemplo, no que respeitou ás visitas de Mobutu, Nixon e Rockfeller a Pequim, ou no que respeitava á amizade da China com Franco e com Pinochet, que eram considerados pelo PTA como sinais óbvios de degeneração capitalista), mas ele esforçou-se honestamente por corrigi-la, ele tentou mostrar aos “camaradas” chineses como seguir uma genuína linha Marxista-Leninista-Estalinista; no entanto, quando ele compreendeu que isso seria impossível, então ele denunciou o social-fascismo Maoista de forma pública e corajosa:



As análises que nós levamos a cabo no que diz respeito ao revisionismo chinês são geralmente correctas e objectivas á luz do Marxismo-Leninismo. O Maoismo enquanto teoria anti-Marxista está moribundo. Ele enfrentará o mesmo destino das outras teorias inventadas pelo capitalismo mundial e pelo imperialismo decadente. (…)



A correcta linha Marxista-Leninista do nosso partido irá ser apoiada pelos revolucionários Marxistas-Leninistas de todo o mundo não apenas agora mas também no futuro, ela será apoiada pelo proletariado mundial e pelos povos.” (Enver Hoxha, Letter to Comrade Hysni Kapo, 30 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Inglês).



A ruptura Sino-Albanesa também representou uma pesada derrota para as potências capitalistas e revisionistas que pensavam que Mao Zedong iriam destruir o movimento comunista internacional:



(…) quando o “Pensamento Mao Zedong” exercia a sua influência em muitos países, os imperialistas e os social-imperialistas sentiam-se mais seguros, porque eles sabiam que esta corrente revisionista estava a cumprir a sua missão de aniquilar o movimento Marxista-Leninista. Agora que esta corrente foi desmascarada, os inimigos estão a tentar semear a confusão ao espalharem todo os tipo de teorias pseudo-Marxistas de forma a causarem as dissidências e o enfraquecimento dos partidos através da luta de facções e da manipulação de elementos fracos e mal-formados impelindo-os a adoptar posições revisionistas.” (Enver Hoxha, Report to the VIII Congress of the PLA, Tirana, 1981, traduzido a partir da edição em Inglês).



Foi também em meados dos anos 70 que os revisionistas chineses apresentaram uma das suas ideias mais famosas: a “teoria dos três mundos”. O principal objectivo desta teoria é:



(…) afastar os povos da verdadeira luta contra o imperialismo americano e o social-imperialismo soviético e pintar os líderes reaccionários que servem o imperialismo e o neo-colonialismo como sendo “progressistas” e “democráticos”. (VIIIe Congrès de l'Union des Femmes d’Albanie, Tirana, 1978, traduzido a partir da edição em Francês).



A teoria dos três mundos é uma teoria reaccionária e anti-Marxista que tenta extinguir a luta dos povos e obliterar o Leninismo. A teoria dos três mundos, como o seu próprio nome indica, divide o mundo em três partes: o primeiro mundo, que é composto pelas superpotências: os EUA e a União Soviética (esta última já não existe); o segundo mundo, que é composto pelos países capitalistas que não são superpotências: Grã-Bretanha, França, Alemanha, Canadá, Austrália, etc.…; e finalmente o terceiro mundo, que é composto por aquilo que os analistas burgueses chamam “países subdesenvolvidos”, ou seja, pela grande maioria dos países africanos (Moçambique, Burundi, Quénia, Guiné, Mali, Sudão, Nigéria, etc. …), por muitos países asiáticos (Paquistão, Bangladesh, Tailândia, etc. …) e também por alguns países da América Central e do Sul (Paraguai, Bolívia, Uruguai, Haiti, etc. …).



De acordo com os Maoistas, este terceiro mundo é a “principal força revolucionaria da época actual”, é este terceiro mundo que “faz avançar a revolução”.É claro que isto não é nada mais do que uma negação directa do papel do proletariado enquanto força revolucionária dirigente. Aliás, esta divisão do mundo em três tem como propósito deter a luta de classes e manter assim os povos na servidão.



Quando analisou a “teoria dos três mundos”, o Camarada Enver afirmou que:



Lénine e Estaline disseram, após a vitória da Revolução de Outubro, que existem dois mundos nos nossos dias, o mundo socialista e o mundo capitalista, embora na época o socialismo tivesse sido instaurado apenas num país.



«... actualmente — dizia Lênin em 1921 — há dois mundos: o velho, o capitalismo, que se enredou, que nunca retrocederá voluntariamente, e o novo mundo em ascenso, que é ainda muito débil mas que crescerá, pois é invencível». (V. I. Lênin, Obras, ed. albanesa, vol. XXXIII, pgs. 153-154).



Este critério de classe na divisão do mundo vale igualmente para a actualidade, em que embora o socialismo não tenha triunfado em muitos países e a nova sociedade não tenha substituído a velha sociedade burguesa e capitalista. Amanhã, sem dúvida que isso ocorrerá.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana 1979, edição em Português).



A teoria dos três mundos quer desviar a atenção das classes exploradas do facto de que existem explorados e exploradores em toda a parte, há opressores e oprimidos no “primeiro mundo”, no “segundo mundo” e, é claro, também naquele que é chamado o “terceiro mundo”. Um Marxista-Leninista autêntico deve reconhecer que existem desacordos e contradições entre os países imperialistas e as nações que, apesar de serem capitalistas, não tem carácter imperialista. Mas estar a par da existência destas contradições não significa que nós devamos ter dúvidas acerca da sua natureza capitalista comum. Os EUA e o Zaire, por exemplo. O primeiro país é uma superpotência imperialista, enquanto que o segundo pode ser incluído naquilo que os Maoistas chamam “terceiro mundo”. É claro que a existência de contradições entre estes dois países é inevitável porque, por um lado, os EUA, de acordo com a sua natureza predatória e imperialista, querem dominar países como o Zaire não apenas em termos económicos, mas também em termos políticos. No entanto, por outro lado, a burguesia nacional do Zaire também luta para defender os seus interesses de classes e pode acontecer que esses seus interesses estejam em oposição aos da plutocracia imperialista americana. O que nós devemos sempre recordar é que, apesar de alguns conflitos que possam ocorrer, o carácter burguês de ambos os países (EUA e Zaire, neste caso) permanecem inalterados. Eles continuam a ser países capitalistas nos quais as classes dominantes (lideradas pela burguesia) oprimem e exploram as classes trabalhadoras (lideradas pelo proletariado). Assim, é inconcebível para um verdadeiro Marxista-Leninista defender que o proletariado do Zaire s deveria “unir” com a burguesia do seu país de forma a “lutar” contra o Imperialismo americano (ou qualquer outro imperialismo), como defendem os Maoistas. Esta “união” traiçoeira só iria beneficiar os interesses da burguesia nacional que não quer partilhar os lucros da exploração dos trabalhadores com uma determinada burguesia imperialista estrangeira.


Não foi por acaso que citámos o Zaire no nosso exemplo. A história recente deste país é muito interessante, especialmente se quisermos observar e compreender as verdadeiras intenções por detrás da falsa “teoria dos três mundos” inventada pelos Maoistas.


Após conseguir a independência formal do colonialismo Belga, o Zaire ficou sob o domínio do Imperialismo Americano que assassinou um presidente burguês e progressista (Lumumba) e impôs uma cleptocracia sanguinária e brutal liderada pelo General Mobutu que iria explorar as classes trabalhadoras até ao tutano. No início, Mobutu serviu fielmente os interesses da burguesia imperialista americana, mas essa situação modificar-se-ia precisamente quando a China Maoista começou a ter visibilidade na cena internacional. Mobutu era um anti-comunista auto-declarado, mas isso não impediu os revisionistas chineses de o convidarem para a Pequim e de o receberem com grandes honras. Durante esta visita, Mobutu encontrou-se com Mao e recebeu promessas de ajuda técnica no valor de 100 milhões de dólares (!!). É claro que esta atitude foi duramente criticada pelo Camarada Enver Hoxha:



A declaração de Chou no banquete de Mobutu é flagrantemente anti-Marxista. Ele inclui a China no “terceiro mundo”. Isto significa negar o socialismo e esconder o verdadeiro carácter da orem socio-económica chinesa dos olhos do mundo. Esta é uma posição oportunista e anti-Marxista. (…) O General Mobutu e a sua clique são reaccionários, eles são os assassinos de Lumumba e de outros progressistas do seu país. A China recebe os representantes desta clique africana anti-democrática com grandes honrarias.(…)” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 15 de Janeiro de 1973, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).





A verdade é que a visita de Mobutu á China não constituiu uma incoerência da política externa Maoista. Pelo contrário, receber líderes reaccionários era e é algo usual para os revisionistas chineses (além de Mobutu, eles receberam Nixon (!!!), Ferdinand Marcos (!!!), Rockfeller (!!!!!!), e muitos mais…). E devemos sublinhar que as recepções feitas a estes líderes eram tudo menos discretas. Estes líderes eram recebidos pelos mais altos dirigentes do PCC, incluindo por Chou En-lai e pelo próprio Mao Zedong. Eles eram acompanhados por banquetes sumptuosos e festas luxuosas, tudo isto á custa das classes trabalhadoras chinesas. Mas nós não devemos ficar surpreendidos. Afinal, eles eram apenas líderes anti-comunistas que estavam a ser esplendidamente recebidos num país anti-comunista, como era o caso da China Maoista.


Mas regressemos ao exemplo do Zaire. Depois das suas visitas á China, Mobutu começou a opor-se ao imperialismo americano e a defender primordialmente os interesses da burguesia nacional do Zaire (que era a principal componente da sua própria clique governante). Esta situação intensificou-se ainda mais em meados dos anos 70, quando Mobutu criticou abertamente os EUA. É curioso notar que, após a sua primeira visita á China, Mobutu adoptou o título de “Timoneiro”, que era usado por Mao.


Entretanto, os social-imperialistas chineses estavam a usar a sua amizade com Mobutu de maneira a penetrarem em África e a aniquilarem as posições Soviéticas neste continente. Mas o aspecto mais importante que devemos reter do exemplo do Zaire é a forma como os revisionistas chineses seduziram os líderes reaccionários do “terceiro mundo” com o propósito de os atrair para a esfera de influência chinesa e de os cobrir com disfarces “anti-imperialistas” de maneira a iludir os povos dos países do “terceiro mundo” e a manter esses povos num estado de escravidão através da manutenção do sistema capitalista e das cliques reaccionárias que governam esses países. Nós nunca podemos esquecer que se a exploração não for eliminada no interior de uma certo país, então esse país irá mais cedo ou mais tarde começar a ter elações comerciais com outros países capitalistas mais poderosos e, com o tempo, essas relações comerciais vão mudar de natureza e serão transformadas em relações de subjugação económica em relação a esses outros países capitalistas. Isto foi previsto por Karl Marx, que explicou que este fenómeno irá suceder inevitavelmente por causa das contradições entre a produção e o consumo dentro do mercado interno, e também por causa dos diferentes níveis produtivos que existem no interior do trabalho social. Isto significa que os países capitalistas mais poderosos, que estão aptos a produzir lucros a partir da venda de grandes quantidades de mercadorias que foram fabricadas a um custo muito baixo, vão inexoravelmente dominar os países capitalistas mais fracos; e isto vai acontecer enquanto a exploração capitalista existir. Consequentemente, todas as teorias do “não-alinhamento”, do “comércio justo” não são mais do que uma grande fraude fabricada pelos revisionistas para impedir a revolução socialista mundial.


Ainda hoje os Maoistas usam esta “teoria” e continuam a firmar que apenas os países que estão incluídos naquilo que eles entendem por “terceiro mundo” são verdadeiramente progressistas. Com isto, eles negam abertamente o carácter revolucionário do proletariado e das classes oprimidas nos países do “segundo” e do “primeiro mundo”. Com isto, eles assumem abertamente que estão contra a revolução proletária mundial e a favor da “cooperação entre as classes” pró-fascista. Com isto, eles mostram claramente o carácter anti-Marxista e pró-capitalista da sua ideologia depravada.


De facto, nós observamos que nos países do “terceiro mundo” é frequente que a exploração dos trabalhadores seja exercida num nível muito intenso, porque grande parte destes países são governados por cliques reaccionárias e pró-imperialistas que servem fielmente os seus patrões estrangeiros enquanto reprimem brutalmente as aspirações dos seus respectivos povos pela liberdade e pelo socialismo. Aquilo que os Maoistas querem dizer com esta falsa “teoria dos três mundos” é que um conjunto de países que são maioritariamente governados por forças retrógradas e que estão intimamente ligados aos interesses imperialistas podem ser considerados como “a principal força motora da revolução”:



Como é que é possível que na presente época de desenvolvimento social, que tem á sua cabeça a classe mais revolucionária, o proletariado, haja quem se atreva a afirmar que um grupo de estados governados pela burguesia, pelos senhores feudais e até pelos reaccionários e fascistas assumidos, é a força motora da revolução? Isto constitui uma grave distorção da teoria de Marx.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana 1979, edição em Português).



Como já dissemos, os Maoistas negam que exista luta de classes em cada “mundo” inventado por eles. E eles fazem isto porque eles são anti-Marxistas, e por isso eles não conseguem compreender que o proletariado é invariavelmente a principal força motora da revoluçao, quer seja no “primeiro”, no “segundo”, ou no “terceiro” mundo. Eles tentam pintar os países do “terceiro mundo” como “progresistas” e “revolucionários” de forma a prejudicar a luta dos povos contra os seus opressores internos e externos. De facto, se nós seguirmos a teoria dos tres mundos, nós chegaremos facilmente á conclusao de que esta teoria conduz-nos á cooperaçao e conciliaçao mais abjecta com as facçoes mais reaccionárias da burguesia. Através desta teoria dos tres mundos, os Maoistas tentam justificar a coexistencia pacífica entre o proletariado e a burguesia, porque eles defendem que a partir do momento em que um certo estado é incluído naquilo que eles chamam “terceiro mundo”, esse estado é automáticamente qualificado como “revolucionário2 e “anti-imperialista” e por isso o proletariado e a burguesia desse estado deveriam alegadamente unir-se com o objectivo de lutar contra o imperialismo. Assim, os que os Maoistas propagam é que a união entre a burguesia e o proletariado dentro de um determinado país do “terceiro mundo” é algo de “progressista” porque supostamente irá contribuir para a derrota das superpotências. É difícil imaginar uma teoria mais contra-revolucionária e pró-capitalista do que esta. Na verdade, os Maoistas condenam as acçoes revolucionárias que o proletariado deve levar a cabo contra os seus opressores internos e externos porque, segundo os Maoistas, isso proejudicaria a união “necessária” entre a burguesia e o proletariado:



A teoria dos «três mundos» prega a paz social, a conciliação de classe, procura estabelecer alianças entre inimigos inconciliáveis, entre o proletariado e a burguesia, entre os oprimidos e os opressores, entre os povos e o imperialismo. Procura prolongar a existência do velho mundo, do mundo capitalista, mantê-lo vivo procurando a extinção da luta de classes. Mas a luta de classes, a luta do proletariado e dos seus aliados para tomar o poder e a luta da burguesia para o manter não podem jamais ser negadas.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana 1979, edição em Português).



Na realidade, esta “teoria dos três mundos” fabricada pelos revisionistas chineses encabeçados por Mao é muito curiosa porque a ideia da “união” e da “cooperação” entre o proletariado e a burguesia nos países do “terceiro mundo” é uma cópia na teoria Maoista da “Nova Democracia”. Na verdade, a “teoria dos três mundos” é uma tentativa feita pelos revisionistas chineses de maneira a imporem a outros países a sua linha burguesa e anti-Marxista. Ao longo deste artigo, nós sublinhámos que a “revolução” chinesa de 1949 não foi mais do que uma revolução anti-imperialista e que o Maoismo não é mais do que a ideologia da burguesia nacional chinesa que lutava para atingir o poder político e económico de maneira abrir o caminho para a ascensão da China como uma nova superpotência. Nós também notámos que um dos principais instrumentos usados por Mao para enganar o proletariado chinês acerca da verdadeira natureza da “revolução” chinesa era precisamente a teoria da “ditadura conjunta” da burguesia e do proletariado, da “partilha do poder” entre estas duas classes opostas cujos interesses são irreconciliáveis. Agora, quando analisamos a “teoria dos três mundos”, nós concluímos que os revisionistas chineses estavam a tentar espalhar aquelas ideias reaccionárias com o objectivo de prejudicar a luta de classes e de afastar o proletariado mundial da ideia da revolução proletária. Eles ainda tentam iludir as classes oprimidas encorajando-as a reconciliarem-se com a burguesia, e nós já tínhamos visto o que é que acontece quando a burguesia finge “partilhar o poder” com o proletariado. Nestas situações, esta falsa “partilha do poder” nunca dura muito (nem sequer em aparência) porque a partir do momento em que a burguesia não é expropriada e destruída pelo proletariado, ela irá sempre conquistar e dominar o poder político e económico; quer dizer, ela vai sempre estabelecer uma ditadura burguesa. Consequentemente, afirmar que nos “países de terceiro mundo” o proletariado e a burguesia se devem “unir” com propósitos anti-imperialistas é tentar apagar o carácter de classe das relações económicas e sociais que existem nestas nações. A verdade é que o principal objectivo da “teoria dos três mundos” é facilitar a ascensão da China como uma nova superpotência imperialista, ao fingir “liderar” os países do “terceiro mundo”.


Este parágrafo escrito pelo Camarada Enver expõe correctamente as intenções pró-imperialistas da China disfarçadas sob a “teria dos três mundos”:



A teoria dos “três mundos” está contra a revolução proletária, e substitui-a pela revolução democrático-burguesa. Esta teoria anti-Marxista elimina o papel decisivo do proletariado na revolução, ela mete todas as forças no mesmo saco chamando-lhes “terceiro mundo” e dando-lhes atributos que essas forças não possuem na realidade, e com este “mundo” ela nega o mundo socialista.



Isto significa que a China nega que é um país socialista, chama-se a si própria um “país subdesenvolvido” e não um país socialista. Segundo esta teoria, ser um país subdesenvolvido significa ser um país socialista. Mas esta teoria é simplesmente anti-Marxista e reaccionária, ela significa que todos os países subdesenvolvidos que possuem sistemas capitalistas e burgueses devem ser considerados países socialistas.



Porque é que a China faz isto? Parece-me que ela faz isto não apenas para defender uma teses ideológica incorrecta, mas também para concretizar o seu objectivo secreto – liderar todos os estados da Ásia, África ou América Latina que são incluídos neste “mundo” ao apresentar-se como a sua principal defensora.



Mas de facto a China não está a defender nada porque ela não fornece nenhum tipo de ajuda, nem mesmo ajuda económica, estes estados capitalistas e burgueses; a maioria deles está ligada ou com os EUA, ou com a União Soviética, ou com o capital de quaisquer outros imperialistas.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 22 de Março de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Esta “teoria dos três mundos” surgiu num contexto bastante agitado no que toca á situação interna da China. Na primavera de 1976, Mao estava a morrer. Devido á sua grave doença, o país era governado pelo que seria denominado como “bando dos quatro”. Este “bando”, que era formado por Wang Hongwen, Zhang Chunquiao, Jao Wenjuan e Jiang Qing (a esposa de Mao) e que representava a linha “ortodoxa” e pró-nacionalista de Mao, estava a lutar contra a facção “reformista” liderada por Deng Xiaoping.


Este grupo dos quatro conseguiu expulsar Deng da liderança do Comité Central do PCC, mas as lutas entre as milícias do grupo e os partidários de Deng quase que conduziram á guerra civil. Com a morte de Mao em Setembro de 1976, o “bando dos quatro” perdeu os seus principais apoiantes e foi obliterado pela facção pragmatista de Deng. Depois da prisão do “bando”, Deng Xiaoping reconquistou as suas antigas posições no partido e conduziu a China por um caminho abertamente imperialista e pró-capitalista.


Actualmente, a maioria dos Maoistas que ainda insistem em retratar-se como “comunistas puros” argumentam que o “bando dos quatro” era uma espécie de guardião da “autêntica linha comunista” de Mao, e que o “bando” foi expulso pelas “forças pró-capitalistas” dentro do PCC que teriam “traído” a edificação socialista na China. É claro que este tipo de argumentação é totalmente fraudulento. Na verdade, o “bando dos quatro” era tão revisionista e pró-capitalista como a facção de Deng:



O “Bando dos quatro” era um grupo de tagarelas megalómanos, ambiciosos e intriguistas desprovidos de quaisquer princípios, tal como as outras facções da burguesia que estavam a tentar garantir o seu “lugar ao sol”.(…)


O mundo burguês qualificou o “Bando dos Quatro” como radical. E quem quiser pode também acrescentar o termo “socialista” e chamar-lhes “socialistas radicais”. Mas aqueles quatro não eram nem radicais nem socialistas.” (Enver Hoxha, Letter to Comrade Hysni Kapo, 30 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Inglês).



Ambas as facções queriam dominar a China e a máquina do PCC. Ambas as facções representavam uma determinada secção da burguesia chinesa. No entanto, o “bando dos quatro” foi derrotado e a facção de Deng triunfou. Porquê? Na verdade, a resposta a esta questão pode ser encontrada nos interesses da burguesia monopolista chinesa que dominava a China desde o fim dos anos 60. Como já referimos, os objectivos económicos da burguesia nacional chinesa após a “revolução” de 1949 podem ser divididos em duas etapas principais: a primeira, que durou até á Revolução Cultural, caracterizou-se pelos esforços da burguesia nacional para criar e fortalecer o mercado interno chinês de forma a consolidar as suas posições políticas e económicas; enquanto que a segunda, que começou após a revolução cultural e que se consolidou em meados dos anos 70, caracterizou-se pela vitória definitiva da burguesia nacional chinesa sobre a pequena-burguesia e os elementos do campesinato que ainda acreditavam na “ditadura conjunta de todas as classes revolucionárias” proposta por Mao. Com esta vitória, a burguesia nacional chinesa transformou-se numa verdadeira burguesia monopolista e começou a entrar em competição com os imperialismos estrangeiros. De forma a ser bem-sucedida nos seus objectivos de se tornar numa nova potência imperialista, a burguesia monopolista chinesa precisava de aumentar as exportações e de incentivar os investimentos estrangeiros na China. E esta foi a principal razão pela qual o 2bando dos quatro” foi derrotado. Ele foi derrotado porque já não servia os interesses da burguesia monopolista (aquilo que distingue os apoiantes de Deng dos apoiantes de Mao é que os primeiros baseiam-se no mercado internacional para transformar a China numa superpotência enquanto que os segundos se baseiam no mercado interno). As “potencialidades” do “Pensamento Mao Zedong” que foram utilizadas pela burguesia chinesa para enganar o proletariado chinês já não eram necessárias porque a burguesia monopolista chinesa tinha agora o controlo total sobre o estado chinês e já não tinha necessidade de iludir as classes trabalhadoras com falsos slogans disfarçados com fraseologia “Marxista-Leninista”. Assim, o “bando dos quatro” foi eliminado e a época de Mao terminou para sempre.


No entanto, nós nunca devemos esquecer que foi a ideologia anti-Marxista de Mao que permitiu o desenvolvimento e a consolidação económica da burguesia nacional chinesa e da sua posterior transformação numa burguesia monopolista. Por isso, o “Pensamento Mao Zedong” foi uma causa directa e objectiva da emergência do social-imperialismo chinês; da mesma maneira que a emergência do social-imperialismo chinês foi uma consequência directa e objectiva do “Pensamento Mao Zedong”. Uma coisa está intrinsecamente ligada com a outra e ambas são inseparáveis entre si. Este ponto deve ficar completamente esclarecido:



O PCC e especialmente Mao Zedong, que era um sonhador idealista e um utópico sem cultural geral (á excepção daquela acerca da china antiga), seguiram o desenvolvimento da história humana como xenofóbicos diletantes. Os seus princípios ideológicos, políticos e organizacionais, especialmente desde a fundação do PCC, são claramente pragmatistas e focam-se somente nos interesses da China com o propósito óbvio de transformar a China numa superpotência que controla o mundo, dita a lei e impõe aos outros a sua própria cultura e a sua própria vontade.” (Enver Hoxha, Letter to Comrade Hysni Kapo, 30 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Inglês).



As concepções anti-Marxistas de Mao continuaram a prejudicar a revolução proletária mundial e a perpetuar o sistema capitalista. Como já referimos, a ascensão ao poder de Deng Xiaoping e a inclusão definitiva da China dentro da órbita do capitalismo mundial foram acompanhados pela expansão imperialista que incluiu a imposição de cliques reaccionárias pró-chinesas num grande número de países. Uma dos exemplos mais flagrantes e marcantes dos danos imensos causados pelas ideias reaccionárias de Mao e pelo social-imperialismo chinês foi o do Cambodja de Pol Pot.


Nós escolhemos desenvolver o exemplo do Cambodja não apenas porque ele representa uma das tentativas mais brutais feitas pelos revisionistas chineses para criar a sua própria esfera de influência, mas também porque a “questão Pol Pot” constitui um dos principais argumentos usados pela burguesia mundial para desacreditar a ideologia comunista.





O regime de Pol Pot foi um produto directo do revisionismo Maoista pró-capitalista e dos interesses social-imperialistas que ele concretizava.




Após a derrota americana, o Vietname começou a ser governado por uma clique revisionista que servia os interesses soviéticos. Foi também nesta época que a “resistência” nacionalista e burguesa Cambojana contra o regime pró-americano de Lon Lol se intensificou e Pol Pot e os seus “Khmers Vermelhos” faziam parte dessa “resistência”. Vendo isto, os imperialistas Maoistas, que estavam muito irritados coma influência soviética na Sudeste asiático, apoiaram a luta de Pol Pot pelo poder com o propósito de transformarem o Cambodja num satélite da China que iria contrabalançar o pró-sovietismo do Vietname.


Pol Pot, cujo verdadeiro nome era Saloth Sar, nasceu numa família burguesa. Graças ás posses económicas da sua família, ele pôde estudar em França onde supostamente tomou contacto com a ideologia comunista. Isto não é nada de surpreendente já que a grande maioria dos filhos das burguesias nativas que estudaram nas metrópoles colonialistas durante a segunda metade do século XX tomaram contacto com a ideologia comunista a determinado momento. Assim, só porque o jovem Pol Pot leu alguns livros comunistas não significa que, por causa disso, ele se tenha tornado comunista. De facto, há muitos burgueses que sabem imenso acerca da ideologia comunista e que até lêem as obras dos Clássicos. Mas será que isso quer dizer que eles deixaram de ser burgueses e podem ser considerados comunistas genuínos? É claro que não. Eles não são comunistas porque eles não aceitam o Marxismo-Leninismo, porque eles não conseguem compreender a grandiosidade desta ideologia. Mesmo fingindo serem comunistas, a sua verdadeira natureza burguesa vai sempre saltar á vista na maneira como eles corrompem e distorcem o Marxismo-Leninismo. Foi isto que aconteceu com Pol Pot. Na realidade, no caso de Pol Pot, nós não podemos meramente dizer que ele não era comunista. De facto, nós podemos afirmar sem medo que Pol Pot era um verdadeiro anti-comunista, porque mais do que uma simples rejeição do Marxismo-Leninismo, ele iria travar uma guerra brutal para impedir que o povo Cambojano seguisse o caminho revolucionário do socialismo. A melhor prova do carácter reaccionário de Pol Pot foi a sua defesa e aceitação do Maoismo. Aquilo que mais atraiu Pol Pot na ideologia Maoista foi precisamente a negação feita por Mao do papel dirigente do proletariado na revolução e a sua substituição pelo campesinato. Uma das principais teses que seriam usadas por Pol Pot para justificar o reino de terror que os Khmers “Vermelhos” impuseram ao povo Cambojano foi precisamente a famosa concepção Maoista acerca do “cerco das cidades pelo campo”.


Nos seus trabalhos contra o Maoismo, o Camarada Enver Hoxha denunciou abertamente o carácter anti-Marxista desta ideia:





Nas suas obras, Mao exprimiu e continua a exprimir que “o campesinato é a força mais revolucionária sobre a qual se baseia a revolução”.




Outra expressão desta linha anti-Marxista de Mao é a tese de que “o campo deve cercar a cidade”. Isto significa que o campesinato pobre deve liderar a revolução, que o “proletariado urbano perdeu o seu espírito revolucionário, tornou-se conservador e adaptou-se á opressão e exploração capitalista”.


É claro que esta teoria é anti-Marxista e não pode conduzir á revolução, não pode estabelecer e assumir o papel que cabe á ditadura do proletariado, ou á sua direcção – o partido proletário Marxista-Leninista. Tudo pode ser ocultado por detrás de palavras e de propaganda, mas não a essência da questão, e consequentemente, mais cedo ou mais tarde as coisas vão acabar por desabar porque sem a liderança do partido comunista Marxista-Leninista e sem a implementação resoluta e correcta das teses imortais da teoria Marxista-Leninista não se pode construir o socialismo.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 1 de Janeiro de 1976, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



A tese anti-Marxista de Mao acerca do “cerco da cidade pelo campo” significa que, de acordo com Mao, é o campesinato que deve liderar a revolução, é o campesinato que deve ser a principal força revolucionária. No entanto, Pol Pot entendeu esta ideia de uma forma totalmente literal. Ele interpretou este “cerco” como um cerco de facto, e como se o campo devesse não apenas cercar a cidade mas também destruir a cidade e tudo o que esteja relacionado com a cultura urbana. Este constitui o principal aspecto da “ideologia” de Pol Pot.


O Maoismo deformou o Marxismo-Leninismo ao adaptá-lo ao nacionalismo burguês anti-colonialista, enquanto que Pol Pot deformou o Maoismo ao adaptá-lo ás suas ambições individualistas pelo poder absoluto sobre um povo inteiro. A ideologia de Pol Pot pode ser considerada como uma forma extrema de revisionismo.



Pol Pot ocupou o poder de 1975 a 1979 e durante esses 4 anos ele levou o povo Cambojano de volta á idade da pedra. O Cambodja nunca possuiu indústria pesada e estava muito longe de ter uma economia independente. Afinal, nós devemos recordar-nos que após ter estado sujeito ao imperialismo francês, o Cambodja foi governado por fantoches pró-Americanos que venderam o país ao capital estrangeiro. No entanto, durante o regime de Pol Pot, as poucas indústrias que existiam no Cambodja foram reduzidas a nada. E não foram só as indústrias. O proletariado Cambojano também quase que desapareceu sob Pol Pot. Estes efeitos deveram-se á política seguida pelos Khmers “Vermelhos” que consistia em deportar as populações urbanas para o campo alegadamente para “lhes permitir aprender com os camponeses, que são a única força revolucionária”. Assim, tudo o que estivesse ligado com o proletariado urbano (fábricas, escolas, estradas, sistemas de electricidade, etc. …) foi simplesmente esmagado. Durante o governo de Pol Pot, as cidades Cambojanas eram desertos nos quais ninguém vivia.


É interessante notar que, como qualquer Marxista-Leninista sabe, é a existência do proletariado urbano e o desenvolvimento da indústria pesada que permitem que mesmo um país atrasado possa edificar o socialismo de uma maneira correcta e independente. Os exemplos da União Soviética dos Camaradas Lénine e Estaline e da Albânia Socialista do Camarada Enver Hoxha são provas vivas do carácter científico desta teoria. Em ambos os países, após a revolução socialista, o proletariado urbano aumentou exponencialmente e os principais esforços económicos foram dirigidos ao desenvolvimento da indústria pesada; e isto porque, sem querer diminuir a grande importância que a agricultura socialista e o campesinato tiveram na Albânia Socialista e na União Soviética, a verdade é que a edificação socialista é inconcebível sem uma proletariado urbano forte e bem organizado que possa liderar a revolução e sem uma indústria firme e diversificada de meios de produção de forma a assegurar a base material da ditadura proletária e a garantir a sua independência em relação ao capitalismo mundial. Mas nós observamos que a estratégia seguida por Pol Pot estava em oposição total e irreconciliável com a defendida pelos Clássicos do Marxismo-Leninismo. As acções da clique de Pol Pot tornaram a edificação socialista impossível e, ao deixar o país em ruínas, Pol Pot deu uma ajuda preciosa ao capitalismo mundial que queria roubar e explorar o povo Cambojano (um país totalmente miserável e desolado cujo povo está a morrer de fome e de malária é uma presa muito mais fácil para as multinacionais capitalistas á procura de lucros fabulosos).


As acções terroristas que os Khmers “Vermelhos” perpetraram contra o povo Cambojano eram também incompatíveis com a essência da ideologia comunista. No Cambodja de Pol Pot, os trabalhadores e até os camponeses viviam num terror total. Eles não pensavam acerca de como construir uma sociedade sem classes e sem estado baseada nos Clássicos do Marxismo-Leninismo. Em vez disso, eles passavam o seu tempo a pensar se iriam viver para verem outro dia ou não (mesmo a luta anti-religiosa dos Khmers “Vermelhos” foi conduzida de maneira errada e contra-revolucionária porque ela foi lançada logo depois de Pol Pot subir ao poder, numa altura em que o povo Cambojano ainda não estava preparado para aceitar o ateísmo, e por isso em vez de remover a religião de maneira eficaz, o regime de Pol Pot fortaleceu os sentimentos religiosos porque o povo Cambojano passou a ver a religião como uma factor de unidade contra os governantes que os estavam a reprimir tão duramente. A luta anti-religiosa que Mao lançou na China foi também inconsistente e ineficaz, apesar de isso se ter devido a razoes ligadas á incoerência dessa luta, porque por um lado Mao afirmava querer combater o Budismo, mas por outro lado, a sua própria ideologia era fortemente influenciada por essa religião. As estratégias erradas de luta contra a religião aplicadas por Mao na China e por Pol Pot no Cambodja estão nos antípodas da luta anti-religiosa revolucionária e Marxista-Leninista que foi implementada na União Soviética dos Camaradas Lénine e Estaline e na Albânia Socialista do Camarada Enver Hoxha).


Nestas condições, é impossível falar acerca de ditadura do proletariado. Numa verdadeira ditadura proletária, os operários e os camponeses devem usufruir da maior liberdade, eles devem ser livres para expandir e desenvolver a sua ideologia Marxista-Leninista de forma a realizar a sociedade socialista e, mais tarde, a sociedade comunista. Isto aconteceu na União Soviética de Lénine e de Estaline e na Albânia Socialista do Camarada Enver. Estes dois estados foram, de longe, os mais democráticos que alguma vez existiram, precisamente porque eram autênticas ditaduras proletárias.


E como se tudo isto não fosse suficiente, o regime de Pol Pot ainda forneceu á reacção mundial outra “arma anti-comunista”. Se nós observarmos os livros nojentos acerca dos chamados “crimes comunistas” que circulam nos repugnantes media burgueses, nós concluímos que quase todos eles se referem ao “genocídio Cambojano”, aos “campos da morte do Cambodja” ou aos “extermínios em massa perpetrados pelos comunistas no Cambodja”, etc.… Estas falsas qualificações que tentam retratar o genocídio Cambojano como tendo sido uma “atrocidade comunista” não são mais do que provas do quanto a reacção internacional está desesperada para justificar o sistema imperialista e capitalista que oprime a humanidade hoje mais do que nunca. É claro que com isto nós não queremos negar que tenham ocorrido extermínios em massa no Cambodja de Pol Pot. Sem dúvida que houve matanças horríveis. Mas, contrariamente aos desejos dos ideólogos burgueses, tal não foi uma “crime comunista”, até porque os chamados “crimes comunistas” nunca existiram, eles não são mais do que fabricações feitas pela burguesia. O Comunismo é o mais elevado de todos os ideias, é a mais nobre de todas as ideologias, e conceito burguês de crime é totalmente incompatível não apenas com a ideologia comunista em si mesma, mas também com o próprio processo de edificação da sociedade socialista e comunista. Durante a construção do socialismo, o proletariado e o seu partido revolucionário não cometem crimes, mas apenas actos de justiça contra os opressores.


Pelo contrário, o curso e os resultados do regime de Pol Pot indicam claramente que os massacres que aconteceram no Cambodja foram acções de natureza anti-Marxista e contra-revolucionária, porque elas impediram o povo Cambojano de estabelecer a ditadura proletária e de edificar o socialismo. O facto de Pol Pot se auto-qualificar como Secretário-geral do Partido Comunista do Cambodja (Khmer) não muda nada:



A História não conhece nenhum caso de um país que tenha atingido o socialismo sob a direcção de um partido ou de uma organização política não-Marxista-Leninista. (…) É também verdade que actualmente há muitas pessoas que falam acerca do socialismo, e há também muitos partidos que fingem ser autênticos partidos socialistas aptos a liderar a luta por esse mesmo socialismo. No entanto, nós nunca podemos julgar as coisas simplesmente de acordo com as palavras e os nomes que essas pessoas e esses partidos atribuem a eles próprios. Pelo contrário, é necessário julgar as suas acções, as suas atitudes concretas e as políticas seguidas por eles, tudo isto com o objectivo de observar a quem servem estas pessoas e estes partidos e quem lucra com as suas posições e acções.” (PTA, A propos des thèses concernant le Xe Congrès du Parti communiste Italien, artigo publicado no jornal Zëri I Popullit, em 17-18 Novembro de 1962, in Les idées du marxisme-léninisme triompheront du révisionnisme, Tirana, 1964, traduzido a partir da edição em Francês).



Concluindo, o regime imposto no Cambodja por Pol Pot pode ser qualificado como uma ditadura anti-comunista sanguinária cujo objectivo era paralisar as aspirações revolucionárias e socialistas do povo Cambojano oprimido de maneira a facilitar a exploração do Cambodja pelos imperialistas estrangeiros, em especial pelo social-imperialismo chinês.



O Camarada Enver Hoxha e o PTA criticaram severamente o regime de Pol Pot e compreenderam que ele era um resultado do social-imperialismo chinês e dos desvios anti-Marxistas do Maoismo:



No que respeita ao Cambodja, o nosso partido e o nosso estado condenaram as actividades sanguinárias da clique de Pol Pot, um instrumento dos social-imperialistas chineses. Nós esperamos que o povo Cambojano consiga ultrapassar as dificuldades o mais depressa possível e decidir o seu próprio futuro em completa liberdade, sem qualquer tipo de “tutela”.” (Enver Hoxha, Relatório ao VIII Congresso do PTA, Tirana, 1981, traduzido a partir da edição em Inglês).




Em 1979, o Vietname invadiu o Cambodja e Pol Pot foi finalmente derrubado, no que representou uma disputa entre duas cliques exploradoras e anti-Marxistas que simbolizavam o revisionismo pró-soviético (a clique governante do Vietname) e o revisionismo pró-chinês (a clique governante de Pol Pot). É importante notar que, ao longo da sua governação, Pol Pot foi apoiado pelo Imperialismo americano, que lhe assegurou reconhecimento diplomático (mesmo depois de ter conhecimento acerca das atrocidades cometidas por ele). Os americanos também apoiaram os Khmers “Vermelhos” nas suas disputas contra o Vietname pró-soviético. Se Pol Pot fosse um verdadeiro comunista, será que os americanos lhe teriam fornecido este tipo de auxílio? Obviamente que não. Eles apoiaram Pol Pot porque a ideologia deste coincidia inteiramente com a deles.




Após termos analisado alguns dos efeitos do social-imperialismo Maoista, vamos agora debruçar-nos sobre outro acontecimento que ocorreu na China de Deng Xiaoping e que ainda atrai muita atenção em todo o mundo: os eventos de Tiananmen de 1989.




No início deste artigo, observámos como é que a antiga burguesia chinesa ligada aos imperialismos estrangeiros sofreu uma derrota tremenda com a revolução de 1949 que promoveu os interesses da burguesia nacional. No entanto, essa antiga burguesia pró-imperialista nunca desistiu de tentar recuperar o seu antigo poder. E a última tentativa feita por essa classe para atingir esse propósito traduziu-se precisamente no “movimento pró-democracia de Tiananmen”, como foi chamado pelos media ocidentais. Este “movimento” era liderado pelos elementos sobreviventes da burguesia chinesa pró-imperialista ligada ao Kuomintang e foi promovido pelas potências ocidentais que temiam a competição que uma China imperialista representaria para eles. Fang Lizhi, o principal “líder” do “movimento” até fez uma tournée por quase todas as capitais ocidentais de forma a ganhar apoio dos líderes ocidentais para o movimento “pró-democracia” que estava para ser lançado. É claro que este ridículo movimento “pró-democracia” não representava nada mais do que os interesses dos rivais da China na corrida imperialista que queriam explorar e penetrar livremente nos mercados chineses com o objectivo de transformar o país no estado semi-colonial que ele era antes de 1949. Como é óbvio, a burguesia nacional chinesa não era estúpida e sabia muito bem que a partir do momento em que deixasse os outros imperialismos penetrar na China, esses imperialismos estrangeiros iriam tentar derrubar o seu poder com o propósito de fazer com que a China volte a ser um país semi-colonial. De forma a evitar isso, a burguesia monopolista chinesa fabricou um esquema que permitiria utilizar os investimentos estrangeiros sem se submeter aos imperialismos ocidentais. Esse esquema consistia em deixar os capitais e os investimentos penetrar na China, mas apenas em certas secções da indústria, especialmente na indústria ligeira. E isto porque enquanto a burguesia monopolista chinesa tem ambições imperialistas e quer transformar a China numa nova superpotência, ela tem também a noção de que é fundamental não permitir os investimentos dos imperialismos estrangeiros em ramos económicos estratégicos (indústria pesada), porque de outra maneira os rivais capitalistas anti-china impediriam a ascensão imperialista da China. Assim, sob o disfarce da “crítica ao socialismo” e da exigência de “reformas de mercado livre”, o “movimento” de Tiananmen estava de facto a criticar a dominação do aparelho estatal e económico da China pela burguesia monopolista, ao mesmo tempo que lutava em favor de um regime pró-ocidental totalmente submisso que colocaria a antiga burguesia pró-imperialista de volta no poder para servir os interesses dos imperialistas estrangeiros. Os “estudantes” que se “manifestavam”em Tiananmen não tinham absolutamente nada que ver com a democracia, eles eram apenas instrumentos usados pelos rivais imperialistas da China com o objectivo de forçar a burguesia monopolista chinesa a remover os obstáculos que punha á penetração dos imperialismos estrangeiros nos sectores mais importantes da indústria monopolista estatal.


Os rivais imperialistas da China sofreram uma grande derrota quando o “movimento” de Tiananmen foi obliterado pelas forças de segurança ao serviço da burguesia monopolista. Perante isto, as potências ocidentais começaram a gritar hipocritamente acerca da “falta de respeito pelos direitos humanos na China”, ou acerca da “falta de democracia na China”, mas já não havia mais nada que eles pudessem fazer. O “movimento” Tiananmen foi a sua última oportunidade para impedirem a ascensão da China como uma nova superpotência.






Hoje em dia, a China é um país totalmente capitalista e imperialista com enormes desigualdades de classe e no qual os trabalhadores são selvaticamente explorados em favor dos lucros das multinacionais. A tirania política e económica que a burguesia monopolista chinesa exerce sobre as classes exploradas da China é tão intensa que podemos qualificar a China actual como uma verdadeira ditadura fascista. Isto não é surpreendente. Há muito tempo atrás, o Camarada Enver Hoxha já tinha previsto este curso:



A reacção negra de Hua Guofeng e de Deng Xiaoping, que tomou o poder, vai travar uma guerra com o objectivo de estabelecer uma ditadura fascista. Vai haver uma luta pela hegemonia mundial. A estratégia que eles seguem é lógica. As alianças com o imperialismo americano e com a reacção mundial são lógicas e normais. Tal como são normais os antagonismos e as guerra predatórias que vão resultar desta irmandade de bandidos. (…)



A actual clique governante da China e os outros que se seguirão como resultado das lutas internas faccionais pelo poder vão usar o Maoismo como cadáver anti-histórico de maneira a construir um estado imperialista chinês de forma desavergonhada e brutal, em unidade mas também em divergência com os outros imperialismos e através da opressão dos povos que há muito tempo lutam pela sua Libertação, pela independência e pelo socialismo e que vão continuar a lutar por tudo isso.


As cliques fascistas e revisionistas chinesas não vão para diante de nada apara antagonizar o povo chinês através da propaganda e de outros meios para enganar o público mundial.” (Enver Hoxha, Letter to Comrade Hysni Kapo, 30 de Julho de 1978, traduzido a partir da edição em Inglês).



É claro que os social-fascistas chineses tentam negar isto e até qualificam as suas ferozes políticas económicas ultra-liberais como sendo uma “economia socialista de mercado”. Em 1992, foi estabelecido no 14º Congresso Nacional do PCC que o objectivo das reformas no sistema económico chinês era concretizar uma “economia socialista de mercado”. Em 1993, a constituição chinesa foi modificada e nela foi estipulado que a China adopta uma “economia socialista de mercado”. A expressão “economia socialista de mercado” não é uma invenção dos revisionistas chineses. De facto, esta expressão tem sido usada por revisionistas e anti-Marxistas de todas as espécies e representa um abandono total da ideologia revolucionária Marxista-Leninista e a sua substituição pelo Keynesianismo burguês e liberal ou até mesmo pela ideologia neoliberal.




Outra característica importante do revisionismo chinês é a sua tolerância relativamente á religião. Na sua obra “Reflexões sobre a China”, o Camarada Enver Hoxha notou a posição oportunista adoptada pelo PCC quanto á religião:



A propaganda Chinesa assume abertamente que a religião não é combatida na China e é por isso que ela fala acerca de celebrações religiosas, acerca da Páscoa, do BAIRAM, acerca das massas que rezam nas igrejas e mesquitas de Pequim.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 18 de Janeiro de 1973, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).


Os chineses vão causar confusão não apenas porque eles são impelidos pelo desejo de desmascarar o revisionismo soviético, mas também por causa da psicologia e da mentalidade asiática e Confucionista da China em particular e da ideologia idealista asiática, em geral.


Quando falamos acerca da filosofia, nós não podemos excluir a influência que a religião exerceu sobre ela, a influência do Budismo, do Bramanismo, do Cristianismo, do Islamismo, estes últimos limitados á medida em que se fizeram sentir no subcontinente chinês.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 14 de Outubro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).





E actualmente, se pesquisarmos no site oficial do PCC, nós encontramos um artigo com este título surpreendente: “A China enaltece o papel do Budismo em promover a harmonia social.” (?!!!!) Neste artigo de 2008, é afirmado que a China alberga “100 milhões de budistas praticantes, bem como 200.000 monges e freiras em 130.000 mosteiros e conventos.” Além disso, é dito que:



(…) a doutrina do Budismo é oficialmente reconhecida pelo governo ateu como sendo um veículo construtivo que ajuda na criação de uma sociedade harmoniosa.”



De acordo com Ye Xiaowen, o director da Administração Estatal da China para os Assuntos Religiosos, cujas palavras são citadas neste artigo:



Esta política coincide com a ambiciosa campanha do PCC para “construir uma sociedade harmoniosa” iniciada pelo presidente Hu Jintao em 2005, quando ele aconselhou o estado e o partido a dar prioridade á harmonia social. As desigualdades sociais e o materialismo não criaram apenas tensões na China moderna, mas também um vazio ideológico Muitos sentem-se perdidos, espiritualmente e moralmente. Os clérigos Budistas acreditam que o Budismo oferece paz de espírito e que preenche esse vazio.”




Pode alguém imaginar uma atitude mais reaccionária e anti-comunista do que a de um partido que se diz “comunista”, mas que não apenas tolera a religião como também a propaga com o propósito de atingir “harmonia social” e “paz de espírito”? Ao longo da história, a religião tem sempre sido um instrumento usado pelas classes dominantes para reprimir os trabalhadores, facilitando a sua exploração pelas elites. Sob o socialismo, todas as religiões, sem excepção, devem ser duramente combatidas e substituídas por uma cultura científica materialista e ateia. Como já foi referido, a União Soviética dos Camaradas Lénine e Estaline e a Albânia Socialista do Camarada Enver Hoxha constituem os melhores exemplos de como lutar correctamente contra a religião todo o tipo de superstições e obscurantismos. Pelo contrário, os social-fascistas que governam a China vêem claramente que o Budismo é um instrumento valioso para neutralizar as aspirações revolucionárias das massas chinesas oprimidas e para alienar essas massas dos sofrimentos quotidianos que lhes são impostos pelo sistema ultra-capitalista e social-imperialista que rege a China.




Ao longo do seu percurso político, os social-fascistas chineses obliteraram completamente a questão de classe fundamental. Eles afirmam que a China é um país socialista porque “os meios de produção estão nacionalizados e a economia ainda é controlada pelo estado”. Esta afirmação é falsa porque o facto de haver planificação económica não altera nada; tudo depende de que classe está efectivamente no poder. No capitalismo, a burguesia domina o poder político e económico e através disso, ela tenta dominar todas as esferas da vida dos trabalhadores. Este estado de coisas só pode ser alterado através de uma revolução socialista que estabeleça a ditadura do proletariado. Assim, enquanto a burguesia estiver no poder, não interessa se essa burguesia adopta uma versão mais “planificada “ ou mais “livre” do sistema económico capitalista. E isto porque, enquanto o proletariado não atingir o poder através da violência revolucionária, o sistema económico terá sempre uma natureza capitalista, até porque a opção feita por uma determinada burguesia entre um sistema capitalista com mais características de “planificação” ou um sistema capitalista com mais características de “mercado livre” está intimamente relacionada com os interesses circunstanciais dessa classe burguesa. Há ocasiões históricas nas quais é mais benéfico para a burguesia praticar uma economia capitalista “planificada”, e há outras nas quais é mais benéfico para essa mesma burguesia aplicar uma economia de “mercado livre”. Um dos melhores exemplos disto é precisamente a táctica seguida pela burguesia nacional chinesa. Durante a primeira fase do seu desenvolvimento, a burguesia nacional chinesa escolheu praticar uma economia capitalista com traços de “planificação” (esta fase correspondeu ao governo de Mao e as suas características “socializantes” iludiram muitas pessoas em todo o mundo acerca do verdadeiro carácter capitalista deste sistema económico), enquanto que nas últimas fases do seu desenvolvimento, ela optou por praticar uma economia capitalista com mais traços de “mercado livre” (estas fases correspondem ás regências de Deng e dos seus sucessores e dura até ao momento presente).




Deng Xiaoping disse uma vez que:



(…) A prática de uma economia de mercado não é equivalente ao capitalismo porque também existe mercado sob o socialismo.”


Esta afirmação revela claramente o carácter revisionista do seu autor. É verdade que nas primeiras etapas da edificação socialista pode acontecer que alguns mercados secundários ainda persistam. Mas isso não deverá ser nunca definitivo. Pelo contrário, os mercados que continuem a existir após a revolução proletária vão desaparecendo gradual mas firmemente com o desenvolvimento da sociedade socialista e comunista. E mesmo nas primeiras etapas do socialismo, os mercados secundários nunca devem constituir uma forma de exploração e de restauração burguesa e capitalista; eles devem ser sujeitos ao controlo total do estado proletário que deve ter sempre em mente que o seu objectivo final é a eliminação desses mercados secundários. No final dos anos 40 e início dos anos 50, o Camarada Enver Hoxha notou que a Albânia foi o país no qual as nacionalizações proletárias foram concretizadas mais rapidamente e no qual o mercado interno foi mais reduzido. O Camarada Enver Hoxha sublinhava frequentemente que uma das causas do sucesso da implementação do socialismo na Albânia foi o facto de os mercados internos do país terem sido reduzidos ao mínimo e de o PTA lutar pela sua total erradicação simultaneamente com o aprofundamento da edificação socialista. Mas na China Maoista e revisionista sucedeu o contrário. O PCC nunca quis eliminar os mercados. Na verdade, ele fortaleceu os mercados internos de forma a permitir á burguesia nacional explorar o proletariado chinês e consolidar o seu poder de classe.



Isto também está ligado aquilo que os revisionistas chineses chamam “socialismo com características chinesas”. Tal como qualquer outra corrente revisionista, o revisionismo Maoista também propaga o seu próprio “socialismo chinês”, ao lado do “socialismo Jugoslavo” Titoista, do “caminho francês para o socialismo” do social-chauvinista Thorez, e de muitos outros. É claro que podem existir certas particularidades nacionais que poderão ditar certas especificidades da construção socialista. No entanto, o Camarada Estaline e o Camarada Enver sempre realçaram que estas especificidades estão sempre limitadas aos aspectos menores e secundários da edificação socialista e nunca podem ser estendidos ás suas características essenciais, porque a edificação socialista e comunista devem seguir uma linha certa e invariável de acordo com os ensinamentos dos Clássicos, independentemente do lugar no qual o socialismo está a ser construído.




Actualmente, os partidos burgueses e reaccionários que se auto-denominam “Marxistas-Leninistas-Maoistas” dão seguimento á missão anti-Marxista e pró-capitalista iniciada por Mao. O seu propósito final é impedir definitivamente a revolução socialista mundial, consequentemente perpetuando o imperialismo e o capitalismo. Eles defendem a ideologia burguesa Maoista e até se atrevem a afirmar que Mao é o “quinto clássico do Marxismo-Leninismo”, ao lado de Marx, Engels, Lénine e Estaline. No entanto, é extraordinário que, por um lado eles considerem Estaline como um dos Clássicos, mas por outro lado eles dizem que a ideologia deles é o “Marxismo-Leninismo-Maoismo”, obliterando completamente qualquer menção a Estaline ou ao Estalinismo. Esta contradição aparente não é surpreendente. Em 1960, Mao usou o nome e o legado de Estaline para tentar tornar-se no líder do movimento comunista mundial com o objectivo de assegurar o domínio imperialista da China sobre os povos oprimidos. Mao escondeu a sua ideologia e posições anti-comunistas sob a máscara da “defesa de Estaline”. Tal como Mao fez nos anos 60, os Maoistas actuais também utilizam o nome glorioso de Estaline de forma a enganar o proletariado mundial e a convencer esse mesmo proletariado a seguir uma ideologia que representa os interesses da burguesia e das classes capitalistas. Um dos principais instrumentos usados pelos Maoistas para atingir isto é precisamente a fraseologia Marxista e aparência “revolucionária” que caracteriza o “Pensamento Mao Zedong”. Assim, nós podemos afirmar que os truques e as ilusões que tem sido usados por Mao e pelos seus sucessores revisionistas com o objectivo de proteger os interesses da classe burguesa e de transformar a China numa superpotência imperialista são ainda largamente usados pelos “grupos” e “partidos” Maoistas.



Há duas tendências principais dentro do movimento Maoista mundial. A primeira é a assumidamente revisionista e social-fascista que considera a China actual como um país socialista. Esta corrente tem tendência para desaparecer e está a tornar-se cada vez mais desacreditada porque só reaccionários assumidos podem afirmar que a China social-darwinista é um país socialista (?!!!). Esta corrente “prova” o alegado carácter “socialista” da China ao afirmar que apenas um país socialista poderia experimentar um desenvolvimento económico tão meteórico como o da China. É claro que esta afirmação absurda não convence ninguém. Há muitos exemplos históricos de países capitalistas que também experimentaram crescimentos económicos fabulosos e isso certamente que não os fez tornarem-se em países socialistas. O caso dos EUA entre 1850 e 1928 é um exemplo claro. Durante este período histórico, os EUA conheceram um desenvolvimento económico incrível e quase ininterrupto. Por isso, de acordo com estes Maoistas, nós podemos concluir que entre 1850 e 1928 os EUA estavam a edificar o socialismo!!! Esta conclusão é tão ridícula que nem vamos perder mais tempo com ela.




A Constituição do PCC estatui que:



Sob a liderança do “Pensamento Mao Zedong”, o PCC liderou o povo constituído por diversos grupos étnicos na sua luta revolucionária prolongada contra o imperialismo, o feudalismo e o capitalismo-burocrático, conseguindo a vitória na revolução democrática e fundando a República Popular da China, uma ditadura democrática popular.” (Constituição do PCC, adoptada no Sétimo Congresso Nacional do PCC em 21 de Outubro de 2007).






Este parágrafo é muito interessante. Em primeiro lugar, é curioso notar que eles consideram que a “luta revolucionária” liderada por Mao Zedong foi travada contra aquilo que eles chamam imperialismo, feudalismo e…capitalismo-burocrático! Aparentemente, os revisionistas chineses pensam que nem todo o capitalismo é burocrático mas apenas parte dele, e eles até afirmam explicitamente que a luta do PCC foi travada contra o capitalismo-burocrático. Assim, nós concluímos que, segundo os revisionistas chineses, Mao Zedong e o PCC apenas lutam contra um tipo burocrático de capitalismo, e não contra todos os tipos de capitalismo. É claro que lembrando o curso histórico do PCC, nós devemos concluir que quando os revisionistas chineses se referem á luta contra o capitalismo-burocrático, eles se referem á luta contra a antiga burguesia pró-imperialista cujos interesses estavam em oposição com os da burguesia nacional chinesa que Mao e o PCC fortaleceram e defenderam.





De facto, todos os Marxistas-Leninistas sabem que o capitalismo tem sempre uma natureza burocrática, ele nunca é dinâmico nem progressista nem “humano”, contrariamente ao que dizem os seus propagandistas. Assim, se nós lutarmos contra o capitalismo, nós também devemos lutar contra a natureza burocrática que lhe é inerente. Consequentemente, não faz qualquer sentido dizer que vamos lutar contra o capitalismo-burocrático porque todo o capitalismo é burocrático. Afirmar o contrário é ser um oportunista e um contra-revolucionário que tenta distinguir entre o capitalismo “mau” (o que é burocrático) e o capitalismo “bom” (o que não é burocrático), quando todos os comunistas sabem que não existe capitalismo “bom”, que todos os tipos de capitalismo, sem excepção, são sempre e invariavelmente maus e nocivos.




Mas há mais. No mesmo parágrafo, é-nos dito que, sob a liderança de Mao Zedong, o PCC transformou a China numa “república democrática popular”. Na realidade, quando analisamos a Constituição do PCC nós não encontramos uma única menção á ditadura do proletariado. Em vez disso, nós encontramos esta coisa chamada “ditadura democrática popular”. É questionável o que é que os revisionistas chineses querem dizer com esta expressão. Ditadura democrática popular? O que querem eles dizer com “povo”? Olhando de novo para o percurso histórico e ideológico do PCC, nós não conseguimos evitar concluir que, segundo os Maoistas, a burguesia nacional está também incluída naquilo que eles chamam “povo”. Por isso, observamos que a Constituição do PCC que foi adoptada em 2007 segue exactamente a mesma linha ideológica que já tínhamos encontrado no livro de Mao “Nova Democracia” escrito em 1940! Esta é uma prova clara da divisão imaginária que alguns Maoistas fazem entre o PCC de antes da morte de Mao (qualificado como “socialista”, “ideologicamente puro”, “revolucionário”, etc…) e o PCC de Deng Xiaoping e dos seus sucessores não é mais do que uma divisão imaginária e não-existente. A linha ideológica seguida pelo PCC foi sempre totalmente coerente com os interesses de classe que servia. O PCC adoptou invariavelmente uma estratégia e uma linha em total acordo com os interesses da burguesia nacional chinesa que mais tarde se veio a tornar numa verdadeira burguesia monopolista.




Os Maoistas que argumentam que Deng Xiaoping e os seus sucessores são “traidores” á linha “socialista” de Mao constituem a segunda tendência dentro do movimento Maoista. Esta corrente é tão revisionista e social-fascista como a primeira, mas tenta cobrir o seu carácter ao reclamar a “pureza do Maoismo enquanto terceiro desenvolvimento do Marxismo-Leninismo” e através da falsa “denúncia” daquilo que eles chamam a “traição capitalista na China”. De acordo com esta última corrente, Mao foi “traído” por aquilo que os Maoistas denominam a “secção direitista do PCC”. Assim, eles fingem defender o “legado socialista de Mao” contra o desenvolvimento capitalista da China após a morte de Mao (uma das principais críticas que esta corrente dirige contra o camarada Enver é que ele “não teve a clarividência para distinguir entre Mao e os líderes pró-capitalistas que o traíram posteriormente” – como se houvesse alguma diferença ideológica e/ou substancial entre eles!!!). Enquanto a outra tendência é abertamente pró-capitalista, esta segunda corrente é muito mais hipócrita e traiçoeira, porque possui uma aparência muito mais “revolucionária” e “Marxista”. Esta tendência é a dominante no interior do movimento Maoista precisamente porque é a que melhor ilude o proletariado mundial e que melhor convence as massas oprimidas a apoiar uma ideologia tão contra-revolucionária como o Maoismo.


Uma das organizações incluídas nesta última tendência do movimento Maoista é a chamada Unión Obrera Comunista (UOC), uma organização neo-revisionista que tem como propósito perpetuar o capitalismo. De forma a conseguir isso, a UOC tenta por todos os meios desacreditar o Estalinismo-Hoxhaismo, porque os Maoistas sabem perfeitamente que o Estalinismo-Hoxhaismo é a única ideologia que pode conduzir o proletariado mundial em direcção á revolução socialista mundial. Os Maoistas temem muito o camarada Enver porque eles estão alerta para o facto de que o Camarada Enver Hoxha é o quinto Clássico do Marxismo-Leninismo e não Mao Zedong; e eles temem a ideologia Hoxhaista também porque esta é a única ideologia que deu provas históricas concretas de ser capaz de desmascarar o carácter reaccionário e pró-capitalista do “Pensamento Mao Zedong”. Em Abril de 2011, o jornal oficial da UOC afirmava arrogantemente que:



(…) há uma tendência objectiva dentro do movimento comunista internacional em favor da reorganização dos Marxistas-Leninistas-Maoistas (…). Assim, nós compreendemos o desespero da Internacional Hoxhaista (Comintern SH) que a 6 de Fevereiro publicou uma “Declaração de Guerra aos Maoistas”, um ataque que, tal como aconteceu com os Trotskistas, mostra a face suja dos destacamentos burgueses dentro do movimento comunista (…) que, em toda a história, nunca conseguiram uma única revolução vitoriosa (…).” (UOC, Semanário Revolución Obrera, 18 de Abril de 2011, traduzido a partir da edição em Espanhol).




É escandalosa a maneira como estes social-fascistas defensores do social-imperialismo chinês se atrevem a comparar-nos a nós, Estalinistas-Hoxhaistas, com os Trotskistas e a qualificar-nos como sendo “destacamentos burgueses dentro do movimento comunista”!!!



O Maoismo não é mais do que fascismo chinês. E é realmente vergonhoso ver o símbolo que os Maoistas adoptaram … ver como eles consideram o fascista Mao, amante de Franco e de Pinochet, o grande amigo do imperialismo americano, o principal arquitecto do imperialismo chinês que explora e oprime os povos do mundo inteiro como sendo o “quinto Clássico do “Marxismo-Leninismo-Maoismo”!!! É deplorável ver como eles põem Mao lado a lado com tão grandes comunistas como Marx, Engels, Lénine e Estaline. Eles acusam-nos de estarmos desesperados, mas são eles que dizem que “em toda a história da revolução proletária, eles (os Estalinistas-Hoxhaistas) não conseguiram concretizar uma única revolução bem-sucedida”. Sem comentários. Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, somos os seguidores e os continuadores do PCUS (Bolchevique) e do Partido do Trabalho da Albânia, que foram os dois únicos partidos comunistas que realizaram a revolução socialista ao liderar os seus respectivos povos em direcção á ditadura do proletariado em direcção á sociedade socialista e comunista, não importando se os seus percursos revolucionários tenham sido interrompidos pelos traidores revisionistas após as mortes do Camarada Estaline e do Camarada Enver Hoxha. A que “revolução bem – sucedida” se estão eles a referir? Á “revolução” burguesa chinesa inspirada no Confucionismo e na religião budista e que foi conduzida por um partido que era comunista apenas no nome e cujo objectivo era abrir o caminho para a ascensão da China como uma nova superpotência?


Quando analisamos os “argumentos” Maoistas contra o Hoxhaismo, nós notamos que eles nos insultam, mas não especificam os seus insultos, eles chama-nos oportunistas mas nunca explicam porquê. Isto é perfeitamente normal. Os Maoistas nunca conseguem apontar uma único erro ideológico á ideologia Estalinista-Hoxhaista simplesmente porque o Estalinismo-Hoxhaismo não contém erros nem em teoria, nem na prática. A pureza ideológica da ideologia Estalinista-Hoxhaista está em total contraste com o eclectismo reaccionário do Maoismo.




No excerto, nós notamos também que os Maoistas do UOC tentam comparar os Hoxhaistas aos Trotskistas. Este “argumento” abjecto tem sido largamente usado pelos revisionistas Maoistas. Por exemplo, na sua Declaração do 1º de Maio intitulada “Mensagem conjunta aos trabalhadores do mundo”, a UOC afirma que:




A unidade dos comunistas deve ser conquistada na base da defesa do Marxismo-Leninismo-Maoismo contra todos os ataques (…) e, especialmente, contra o oportunismo de direita que não é mais do que revisionismo genuíno e que é aliado do Trotskismo e do Hoxhaismo enquanto destacamentos burgueses no interior do movimento operário que negam o Maoismo enquanto terceira e mais elevada etapa do desenvolvimento da ideologia proletária.” (UOC, Declaração do 1º de Maio, 2011, traduzido a partir da edição em Espanhol).






E noutras ocasiões, os Maoistas afirmaram que:



O Hoxhaismo junta-se ao Trotskismo na negação da necessidade de organização do campesinato.”



Esta comparação é totalmente falsa. Se nós analisarmos de forma adequada e honesta a natureza e o papel histórico desempenhado por cada uma destas ideologias, nós iremos concluir que o Trotskismo e o Hoxhaismo são intrinsecamente opostos. O Trotskismo tentou negar a tese do socialismo num só país numa época em que a aceitação dessa tese era essencial para a sobrevivência da Revolução de Outubro e da edificação socialista na União Soviética. Pelo contrário, o Hoxhaismo provou que mesmo um país atrasado e semi-colonial pode aplicar esta tese de uma maneira bem-sucedida se for guiado por uma autêntico partido proletário e Marxista-Leninista. O trotskismo sempre negou o legado glorioso de Estaline, caluniando-o de forma a evitar que o proletariado mundial derrube o capitalismo. Pelo contrário, o PTA do Camarada Enver Hoxha foi o único partido que defendeu consistentemente e coerentemente o esplêndido legado de Estaline contra todas as espécies de revisionismos e de desvios, incluindo o Maoismo.


O Trotskismo rejeitou completamente o papel do campesinato na revolução. Pelo contrário, o Hoxhaismo reconhece esse papel. Aliás, os primeiros destacamentos de partisans do Partido Comunista da Albânia que lutaram contra as forças do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial eram maioritariamente compostos por camponeses. No entanto, o Hoxhaismo recusa-se a ver os camponeses como a “principal força da revolução” como faz o Maoismo, porque o Camarada Enver Hoxha sabia que só o proletariado guiado pelo seu partido de vanguarda é que pode liderar os trabalhadores em direcção á revolução socialista e ao estabelecimento de uma sociedade comunista. Assim, os argumentos de que Trotskismo = Hoxhaismo não são mais do que prova da natureza anti-comunista do Maoismo.



É o Maoismo que tem tudo em comum com o Trotskismo. Tal como Mao, Trotsky também defendeu a existência de vários partidos sob o socialismo. No seu “Programa de Transição”, Trotsky afirmou que:



A democratização dos Sovietes é inconcebível sem a legalização dos Partidos Soviéticos.” (Trotsky, Programme de transition, Paris, 1973, traduzido a partir da edição em Francês).






E os fascistas do MLM também afirmam que:


O Presidente Mao foi criticado tanto pelos direitistas como pelos esquerdistas, mas ele insistiu sempre na luta de linhas dentro do partido proletário, e foi assim desde os inícios do PCC até á Revolução Cultural.” (Unión Obrera Comunista, Letter received from the committee of popular struggle “Manolo Bello”, 12 de Maio de 2011, traduzido a partir da edição em Espanhol).



Neste parágrafo, nós vemos que os “Marxistas-Leninistas-Maoistas” reconhecem e elogiam a concepção anti-Marxista e ultra-revisionista de Mao Zedong, segundo a qual a manutenção de numerosas tendências não-comunistas dentro do partido “proletário” é algo de positivo que deve até ser estimulado. Defender esta concepção reaccionária e oportunista é defender abertamente a horrível ditadura burguesa e o sistema capitalista totalitário. Defender esta ideia é defender o nojento pluralismo burguês que também defende a “diversidade de opiniões na sociedade”.



E nós devemos lembrar-nos que o MLM constitui uma das facções mais “esquerdistas” de todo o movimento Maoista. Assim, até mesmo a secção “ortodoxa” do movimento Maoista ama o pluralismo burguês e não tem qualquer tipo de problemas em assumir esse amor depravado.



Recentemente, os Maoistas expuseram de novo a sua face ultra-revisionista no contexto dos acontecimentos no Nepal. Após séculos de monarquia absoluta, o Rei do Nepal foi derrubado e o Partido Comunista do Nepal (Maoista) tomou o poder. No entanto, esta não foi uma tomada de poder revolucionária nem Marxista-Leninista. De facto, em vez de estabelecer a ditadura proletária em direcção á edificação da sociedade socialista e comunista, o PCN (M) capitulou abjectamente ao repulsivo legalismo e parlamentarismo burguês.



Isto porque havia outro partido que também se “opunha” á monarquia absoluta do Nepal. Era o Congresso Nepalês, um partido abertamente burguês de ideologia social-democrata que está ligado aos interesses do imperialismo Indiano no Nepal. É claro que se o PCN (M) fosse um verdadeiro partido comunista, ele deveria ter esmagado o Congresso Nepalês, cuja ideologia pró-capitalista estava a envenenar as mentes do povo Nepalês e estava a impedir que o país tomasse o caminho socialista. A violência revolucionária que é inerente á ditadura proletária serve precisamente para eliminar os partidos e as influências burguesas. Mas o PCN (M), seguindo fielmente a natureza anti-comunista da ideologia Maoista, não apenas não implementou a ditadura proletária, como também organizou eleições de estilo burguês (!!!!). Nestas eleições, o Congresso Nepalês saiu vencedor e este partido está actualmente a governar o Nepal. Consequentemente, o PCN (M) aceitou a derrota e abandonou o poder, agindo como o partido burguês bem-comportado que é.



Há muito tempo, o Camarada Estaline ensinou-nos que um partido revolucionário genuíno não pode esperar até que a maioria da população tenha adquirido uma consciência Marxista-Leninista para tomar o poder. Pelo contrário, o partido comunista deve conquistar o poder tão depressa quanto possível, e é após a tomada do poder que o partido Marxista-Leninista deve educar e temperar as classes exploradas que ainda não desenvolveram uma consciência e uma ideologia revolucionárias. Como pode ser observado, o PCN (M) actuou de forma oposta ajudando assim a perpetuar o domínio capitalista e burguês-imperialista no Nepal.


A corrente “ortodoxa” do movimento Maoista qualifica hipocritamente as atitudes do PCN (M) como revisionistas, dizendo que:





A facção vermelha dentro do PCN (M) é apoiada pelas organizações Maoistas internacionais. É nosso dever apoiá-la de forma a facilitar o avanço da revolução da Nova Democracia no Nepal.” (Unión Obrera Comunista, Letter received from the committee of popular struggle “Manolo Bello”, 12 de Maio de 2011, traduzido a partir da edição em Espanhol).




Assim, eles não criticam o PCN (M) a partir de posições verdadeiramente Marxistas-Leninistas e anti-revisionistas, mas apenas porque eles querem a substituição do revisionismo aberto do PCN (M) por outro tipo de revisionismo, um com uma aparência mais “revolucionária”, “popular” e “Marxista”; um que seja mais apto a enganar o povo Nepalês e a tornar a revolução proletária e socialista impossível. Isto é evidente na defesa que estes “Maoistas ortodoxos” ainda fazem da “Nova Democracia” social-fascista fabricada por Mao. A natureza reaccionária e pró-capitalista desta “Nova Democracia” já foi explicada neste artigo e não há necessidade de repetir a explicação.




O MLM também reivindica a defesa do chamado “Movimento Naxalita” na Índia. Este “Movimento” é principalmente inspirado no “Pensamento Mao Zedong” e opera em muitos distritos da índia. Os Naxalitas são qualificados pela burguesia mundial e pela reacção Indiana como sendo “comunistas”, mas esta qualificação não é correcta. Desde 1978, a partir do momento em que um certo partido ou “movimento” assume que se baseia no Maoismo, isso é equivalente a afirmar que o partido ou o “Movimento” em questão é anti-comunista.


O Movimento Naxalita começou em 1967 e afirma estar a liderar uma “guerra popular” contra o repressivo governo Indiano. De acordo com os líderes do “Movimento”, os combatentes Naxalitas são maioritariamente recrutados entre as camadas mais pobres da população e é muito possível que estes líderes estejam a dizer a verdade. Mas o facto de que os seus membros provêem das classes mais baixas não significa que um determinado movimento seja progressista, e muito menos Marxista-Leninista. O facto é que o Movimento Naxalita é principalmente constituído por pessoas vindas das classes pobres só prova o quanto o Maoismo consegue iludir as massas exploradas e neutralizar as suas aspirações revolucionárias.




As actividades desenvolvidas pelo Movimento Naxalita não são revolucionárias nem Marxistas-Leninistas. Na verdade, elas têm muitas semelhanças com as acções dos anarquistas e dos niilistas. As “actividades revolucionárias” levadas a cabo pelos Naxalitas consistem em organizar ataques terroristas maioritariamente nas zonas rurais (se bem que por vezes também nas cidades), matando grandes quantidades de pessoas. Os Naxalitas argumentam que estes ataques pretendem matar os membros das forças de segurança burguesas, mas a verdade é que, juntamente com os membros das forças armadas, os ataques dos Naxalitas também matam trabalhadores explorados. Por exemplo, no ano 2009, os Naxalitas mataram cerca de 600 civis e apenas 300 membros das forças armadas. Isto significa que o número de civis mortos pelos ataques dobrou o número de membros das forças de segurança que morreram nas mesmas circunstâncias. E nós devemos ter em conta que os Naxalitas operam principalmente em áreas pobres, e consequentemente a grande maioria dos civis mortos pró eles pertencem ás classes exploradas.


É óbvio que este tipo de actividades tem como resultado o afastamento das massas Indianas da ideologia comunista. Se as acções dos Naxalitas só afastassem os trabalhadores do Maoismo, isso não seria problema: pelo contrário, seria algo muito bom.


Mas infelizmente a burguesia engana o proletariado e defende os sues interesses de classe ao pintar o Maoismo como sendo uma parte inseparável da ideologia comunista. Assim, quando condenam e temem as acções terroristas dos Naxalitas, os trabalhadores Indianos sentem-se compelidos a condenar e a temer não apenas a ideologia Maoista que inspira os Naxalitas, mas também a ideologia e o movimento Marxista-Leninista na sua totalidade; que é visto pelos trabalhadores indianos manipulados pela burguesia como estando intrinsecamente ligado ao terrorismo Naxalita.



Os fascistas do MLM qualificam as actividades dos Naxalitas como constituindo uma “guerra popular”. Na verdade, não é só relativamente ao movimento Naxalita que os anti-comunistas do MLM falam acerca da “guerra popular”. Esta expressão está permanentemente nas suas bocas. Mas o que é que esta noção significa realmente?




O conceito político-militar de “Guerra popular” foi inventado por Mao Zedong para ser aplicado ás condições da China (apesar de também ter sido usado pelos Sandinistas na Nicarágua, pelos revisionistas Cubanos, pelos oportunistas Nepaleses e até pelos nacionalistas republicanos Irlandeses do IRA). A “guerra popular” pretende ser aplicada principalmente me países semi-coloniais e semi-feudais, nos quais o campesinato representa a maioria da população. A “guerra popular” está também relacionada com o “cerco da cidade pelo campo”, porque Mao defende que é nas áreas rurais que as “forças revolucionárias” devem começar a “luta de guerrilha” contra o governo burguês. A “guerra popular está dividida em três etapas:



1º - Defesa estratégica: formação de milícias camponesas com o propósito de iniciar a luta de guerrilhas. Os “guerreiros” devem tentar ganhar o apoio dos camponeses através de propaganda e devem também estabelecer uma área revolucionária fora do controlo do inimigo.



2º - O exército “revolucionário” cresce e lança mais ataques contra as forças estatais. Ele estabelece mais áreas revolucionárias e inicia programas tais como a reforma agrária.






3º - Esta é a parte final da “Guerra popular”. É a fase em que a guerra se intensifica ao máximo e na qual a cidade deve ser conquistada e o governo deve ser derrubado.




É evidente que este conceito de “guerra popular” é totalmente anti-Marxista porque a ideia está centrada na já referida tese Maoista segundo a qual é o campesinato e não o proletariado que devem liderar a revolução. O mesmo acontece com todas as etapas da “guerra popular”. Mao defende que a guerra “revolucionária” deve começar no campo e deve ser maioritariamente apoiada e travada pelos camponeses. Se nós seguirmos o pensamento de mão no que respeita ao curso desta “Guerra popular”, nós iremos concluir que nesta guerra não há espaço para o proletariado. Durante todo o processo da “guerra popular”, o papel determinante é invariavelmente atribuído por Mao ao campesinato e ás zonas rurais. É no campo que as lutas decisivas são travadas, e é o campesinato que fornece a grande maioria dos membros e dos líderes do “exército revolucionário”. Na verdade, só na parte final da terceira fase é que Mao admite que os “combatentes revolucionários” devem conquistar as cidades. E nós devemos notar que, mesmo nesta etapa final, as cidades serão sempre conquistadas pelas “guerrilhas revolucionárias” principalmente compostas por camponeses.






Por outras palavras, o papel dominante e de liderança que Marx, Engels, Lénine, Estaline e Enver Hoxha atribuem ao proletariado é completamente obliterado por Mao no seu conceito anti-comunista de “guerra popular”. No entanto, isto não é nada de surpreendente porque não é apenas no que respeita á “guerra popular” que Mao nega o papel dominante do proletariado. De facto, Mao nega esse papel ao longo de todos os seus escritos ideológicos e também ao longo de toda a sua carreira política; desde o livro “Nova Democracia” publicado em 1940 até ás suas “reflexões” acerca da “Revolução Cultural” em finais dos anos 60.


O uso da expressão “guerra popular” é também frequentemente usada pelos Maoistas para esconder o seu apoio á participação e á inclusão da burguesia “radical” e “progressista” nesta guerra “revolucionária” e “popular”.




Com isto nós não queremos dizer que as classes exploradas não vão precisar de travar uma guerra contra a burguesia de maneira a implementar a ditadura proletária. Não é a ideia da “guerra popular” que está inteiramente errada, mas a definição que o Maoismo lhe dá. Para atingir o poder, as massas oprimidas devem declarar guerra ás classes dominantes, mas esta guerra só é comunista e revolucionária se for liderada pelo proletariado. Não existe outra classe ou sector da população que possa substituir o papel principal e indispensável que o proletariado deve desempenhar na revolução. Por outro lado, o proletariado deve estar organizado em redor de um partido verdadeiramente Marxista-Leninista-Estalinista-Hoxhaista que deve ser isento de todos os tipos de tendências revisionistas (incluindo o Maoismo, claro).


Se o controlo proletário começar a ver que algumas correntes revisionistas estão a surgir dentro do partido e que essas correntes estão a prejudicar e a sabotar a edificação socialista, então a ditadura proletária tem não só o direito mas também o dever de purgar o partido de todos os elementos que estejam ligados a esses desvios revisionistas. Isto foi o que sucedeu na União Soviética dos Camaradas Lénine e Estaline e na Albânia Socialista do Camarada Enver Hoxha. Em ambos os países, houve períodos de guerra, no senti mais tradicional da palavra, contra os opressores internos e externos: a Guerra Civil Russa no caso da União Soviética, e a Guerra de Libertação Nacional no caso da Albânia Socialista. E mesmo depois das vitórias respectivas dos Marxistas-Leninistas Russos e Albaneses, a luta de classes proletária contra os exploradores não parou; pelo contrário, ela intensificou-se ainda mais com o desenvolvimento da ditadura do proletariado em ambos os países (nós devemos recordar sempre que esta guerra de classe contra os exploradores continua durante todo o período da edificação socialista e dura até que o comunismo seja plenamente atingido). É claro que na China Maoista, a chamado “guerra popular” apenas servia os interesses da burguesia nacional chinesa em derrotar a burguesia pró-imperialista e os imperialismos estrangeiros que estavam a dificultar a sua ascensão económica e política.


De facto, a expressão Maoista da “guerra popular” deve ser substituída pela expressão “guerra revolucionária proletária”. Esta última expressão permite reter a noção da necessidade da luta armada contra os opressores capitalistas enquanto simultaneamente realça o papel principal e decisivo que o proletariado deve desempenhar na luta pelo triunfo da autêntica revolução. Adicionalmente, nós devemos sempre lembrar que a guerra revolucionária proletária deve ser sempre conduzida pelo partido de vanguarda do proletariado, que deve ser livre de oportunismos e dogmatismos de toda a espécie e que deve ter sempre em mente o completo estabelecimento da ditadura do proletariado. E nós também devemos notar que, nas presentes condições globalizadas, a guerra revolucionária proletária deve ser travada á escala mundial.




É óbvio que esta guerra genuinamente proletária e comunista está em total contraste com as lutas pequeno-burguesas e anarquistas do Movimento Naxalita Maoista. Em primeiro lugar, o “pai fundador” dos Naxalitas foi um Maoista Indiano chamado Charu Majumdar, que em 1967 liderou uma revolta camponesa em Naxalbari (essa é a razão para o nome do movimento).


A sua principal obra foram os “Oito Documentos Históricos”, que têm sido vistos como constituindo a base ideológica dos Naxalitas. Nos “Oito Documentos Históricos”, Majumdar defende que a Revolução Indiana deve seguir o caminho da luta armada no trilho da Revolução Chinesa. Com isto, nós percebemos que o movimento Naxalita é Maoista até ao tutano (e por isso é revisionista, reaccionário e anti-Marxista) desde a sua fundação. Aliás, o “movimento” opera principalmente nas zonas rurais e os seus membros são maioritariamente camponeses, tal como a “guerra popular” de Mao propõe.


E ainda há um outro aspecto muito importante no qual os Naxalitas seguem fielmente os “ensinamentos” do “Presidente Mao”: a multiplicidade de partidos na liderança do movimento Naxalita. Isto está em total acordo com a defesa feita por Mao da existência de vários partidos não-proletários sob o socialismo. De facto, os social-imperialistas do MLM querem que acreditemos que “o Partido Comunista da índia (Maoista) está lidera o movimento Naxalita”. Mas isto é mentira. O PCI (M) é apenas um entre muitos outros partidos “comunistas” que também afirmam liderar o “movimento”. A verdade é que o movimento Naxalita não é composto por um só partido; ele é composto por vários partidos que são comummente baseados no Maoismo. Alguns dos partidos que estão incluídos no “movimento” nem sequer têm uma aparência exterior conforme ao Marxismo. Por exemplo, o Partido Comunista dos Estados Unidos da Índia defende que os assuntos relacionados com a casta devem ter precedência sobre os assuntos relacionados com a classe. Isto é um grande erro porque o sistema de castas não é nada mais do que uma invenção das classes dominantes Indianas para desviar a atenção do proletariado da única questão que realmente interessa: a questão de classe. Assim, por um lado, estes partidos “comunistas” pretendem lutar contra as classes dominantes indianas, mas por outro lado eles aceitam alegremente as fabricações e as influências ideológicas dessas mesmas classes dominantes.


Isto não significa que não haja pessoas dentro do Movimento Naxalita que pensem sinceramente que são parte de um verdadeiro movimento revolucionário e que, ao seguirem o Maoismo, estão a defender o Marxismo-Leninismo. Afinal, a índia é um país no qual os trabalhadores pobres (que constituem a principal base social dos Naxalitas) têm de suportar uma vida miserável, com salários ridículos e condições de trabalho horrendas. E nós devemos recordar que o Maoismo é uma ideologia burguesa muito traiçoeira, cuja aparência “Marxista” e “anti-revisionista” pode atrair e iludir muitos trabalhadores honestos que estão genuinamente contra o sistema capitalista mas que não estão bem informados e que não possuem verdadeiras qualificações ideológicas Marxistas-Leninistas-Estalinistas-Hoxhaistas.




Uma situação semelhante á dos Naxalitas Indianos ocorreu no Peru com um grupo Maoista chamado “Sendero Luminoso”. Este grupo era liderado por um professor burguês chamado Presidente Gonzalo (apesar de o seu verdadeiro nome ser Abimael Guzmán). A ideologia deste grupo é uma mistura de revisionismo Maoista e de influências Guevaristas e o seu objectivo é conquistar o poder para implementar um sistema de Nova Democracia (que significa a perpetuação do capitalismo e a continuação da exploração dos trabalhadores pela burguesia “radical” e “progressista”). Seguindo a estratégia da “guerra popular” Maoista, o Sendero Luminoso estabeleceu áreas “revolucionárias” e as suas acções eram equivalentes ás dos Naxalitas. Ambos os movimentos são caracterizados pelos seus ataques terroristas contra o povo trabalhador, pela sua obliteração do papel do proletariado, pela sua consequente absolutização do papel desempenhado pelo campesinato como iniciador da “guerra popular” e por tentarem afastar as massas oprimidas urbanas e rurais do Marxism-Leninismo. O Sendero Luminoso atingiu o seu máximo apogeu no início dos anos 80 e afirmava representar os interesses e as aspirações do campesinato Peruano, mas a verdade é que ele enfrentou a oposição de grandes números de camponeses desde o início (houve muitas ocasiões nas quais os camponeses atacaram os membros do Sendero Luminoso e esses conflitos resultavam frequentemente em lutas armadas muito duras).


O Sendero Luminoso ainda está activo, apesar de estar em declínio desde a captura e prisão do Presidente Gonzalo no início dos anos 90. O revisionismo e o oportunismo ideológico do Sendero Luminoso é uma consequência directa das suas raízes Maoistas e pode ser observado nas próprias palavras do Presidente Gonzalo, que em 1988 deu uma entrevista ao jornal “El Diario”:



El Diario: Qual será a atitude do Partido Comunista do Peru no que respeita á religião a partir do momento em que o partido atingir o poder político no país?



Presidente Gonzalo: o Marxismo ensina-nos como separar a Igreja do Estado e isso será a primeira coisa que vamos fazer. Em segundo lugar, repito que nós sempre respeitámos a liberdade de consciência do povo, e nós aplicamos o princípio segundo o qual as pessoas têm o direito de acreditar em Deus, e também têm o direito de ser ateias. Esta é a nossa atitude.”




Este parágrafo é desconcertante. E é desconcertante porque o Sendero Luminoso é apresentado em toda a parte como sendo um grupo comunista ortodoxo e radical que supostamente não hesitaria em usar a violência contra as instituições burguesas. No entanto, a resposta de Gonzalo no que respeita á atitude do Sendero Luminoso quanto á religião destrói totalmente esta imagem do Sendero Luminoso enquanto “organização comunista de linha dura”.


O propósito de todas as religiões é evitar que os trabalhadores oprimidos adiram á ideologia comunista e materialista e que eles façam a revolução socialista mundial. A religião desempenha sempre um papel inibidor, e nós nunca conseguiremos atingir o comunismo mundial se a religião não for totalmente removida da consciência dos trabalhadores. Isto é o que o Marxismo realmente nos ensina.




A proposta de Gonzalo acerca da separação entre a Igreja e o Estado não é nada de novo. Pelo contrário, este princípio da separação entre o estado e a igreja tem sido largamente proclamado por cada estado burguês “liberal” (mesmo que na maior parte das vezes não seja aplicado na prática). Todos os Marxistas-Leninistas sabem que o esforço para erradicar a religião não pode ser limitado á separação entre a Igreja e o Estado. Esta luta tem de ser constituída por uma batalha feroz contra todos os tipos de religiões, incluído o uso de violência revolucionária tanto contra os clérigos “reaccionários” como contra os clérigos “progressistas” que vão tentar derrubar a ditadura proletária e impedir a edificação socialista e comunista. Não pode haver piedade em relação ás influências e forças religiosas. A ideologia proletária Estalinista-Hoxhaista vai esmagar todas as religiões com a força de furacão.



As palavras de Gonzalo são próprias de um burguês liberal, e não de alguém que se auto-qualifica como “Marxista”. Par o líder do Sendero Luminoso, as pessoas devem ser livres de decidir se acreditam em Deus ou não; se praticam a religião ou não. Esta atitude é completamente oportunista e capitulacionista. Agir como Gonzalo significa uma capitulação abjecta ás influências religiosas, permitindo assim que as forças religiosas possam livremente destruir a revolução socialista e restaurar o capitalismo e a escravatura assalariada.


No entanto, nós não podemos acusar Gonzalo de não ser coerente. Pelo contrário, ele é totalmente coerente com a aceitação Maoista das influências não-proletárias e não-comunistas, como é o caso da religião.




Outra característica do revisionismo Maoista é a sua tentativa de aniquilar o Marxismo-Leninismo ao substituí-lo pelo “Pensamento Mao Zedong” pró-capitalista. Isto era claramente visível no caso do Sendero Luminoso. Na entrevista acima mencionada, o Presidente Gonzalo também disse que:



A ideologia do proletariado, o Marxismo-Leninismo-Maoismo, principalmente o Maoismo, é a única ideologia que é verdadeiramente poderosa (…) é o produto do trabalho histórico extraordinário de homens extraordinários como Marx, Engels, Lénine, Estaline e Mao Zedong (…) mas nós vamos realçar particularmente três deles: Marx, Lénine e o Presidente Mao porque a sua obra será continuada e completada pelo Marxismo-Leninismo-Maoismo, especialmente pelo Maoismo.”




Como pode ser observado, Gonzalo tenta desavergonhadamente apagar e negar a enorme importância da obra dos Camaradas Marx, Engels, Lénine e Estaline enquanto sobrestima de forma ridícula um nacionalista reaccionário burguês como Mao!!! Na verdade, nós notamos que Gonzalo não apenas considera Mao como um dos Clássicos do Marxismo-Leninismo, mas ele até tenta retratar Mao como estando acima de Marx, Engels, Lénine e Estaline! As posições de Gonzalo são tão intensamente revisionistas que nós temos de concluir que quando ele diz que “ nós vamos realçar particularmente três deles”, ele só menciona Marx e Lénine apara evitar ser imediatamente desmascarado como o social-fascista e o anti-comunista que é. E o reaccionarismo de Gonzalo atinge níveis escandalosos quando vemos o desrespeito e o desdém que ele mostra relativamente aos Camaradas Engels e Estaline, como se a sua obra não tivessem valor. Infelizmente, não é só Gonzalo e os Maoistas Peruanos que tratam Engels e Estaline de maneira desdenhosa. Todos os Maoistas sem excepção tratam o legado comunista destes dois camaradas da mesma maneira. É claro que o que os Maoistas realmente queriam era excluir também os nomes dos camarada Marx e Lénine mas, tal como aconteceu com Gonzalo, eles não se atrevem a fazê-lo porque se eles negassem a obra de Marx e de Lénine eles perderiam até os mais ínfimos traços da máscara “comunista” e “revolucionária” que eles usam como disfarce para a sua ideologia social-fascista.


No que respeita ao camarada Estaline, os Maoistas usam os mesmos argumentos das “críticas” burguesas conta ele como desculpa para negarem o seu magnífico legado; enquanto que a valorosa obra do Camarada Engels é simplesmente ignorada pelo MLM.


Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, sabemos que existem 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo: Marx, Engels, Lenine, Estaline e Enver Hoxha. Cada um dos 5 Clássicos tem o mesmo valor entre si e eles não podem ser considerados de uma perspectiva puramente individual. O legado de cada um deles está intimamente ligado com o legado de todos os outros. Apesar de a nossa ideologia ser chamada Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo, nós recusamos subestimar a obra gloriosa e insubstituível do Camarada Engels, que é o segundo Clássico da nossa ideologia e tem exactamente o mesmo valor de cada um dos outros quatro Clássicos.




É óbvio porque é que os Maoistas em general e o Sendero Luminosos em particular tentam negar e menosprezar a herança dos verdadeiros clássicos do Marxismo-Leninismo enquanto simultaneamente enganam o proletariado mundial acerca da identidade do quinto Clássico do Marxismo-Leninismo (que é o camarada Enver e não Mao) porque isto é essencial para a defesa dos interesses burgueses e social-imperialistas que eles servem. Através da substituição de Marx, Engels, Lenine e Estaline pelo fascista Mao eles estão a direccionar os trabalhadores do mundo para uma ideologia reaccionária que os afasta da revolução. O principal propósito do Maoismo é perpetuar eternamente o sistema capitalista e impedir a revolução socialista mundial. De maneira a cobrir as suas intenções, os Maoistas passam o seu tempo a gritar acerca da “revolução socialista mundial” e do “internacionalismo proletário”, etc. Mas a análise das origens, história, acções e consequências do “Pensamento Mao Zedong” desmascara totalmente as suas más intenções, e demonstra claramente que expressões como “revolução socialista mundial” e “internacionalismo proletário” não são mais do que mentiras vazias quando proferidas pelos Maoistas.




O Estalinismo-Hoxhaismo é a única ideologia que consegue apagar totalmente a influência venenosa do Maoismo da consciência dos trabalhadores. E isto porque o Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo é a única ideologia que é completamente coerente e fiel aos interesses da revolução proletária mundial: é a única ideologia apta a liderar de forma bem-sucedida o proletariado mundial em direcção ao estabelecimento da ditadura proletária e á edificação do socialismo e do comunismo.




Actualmente, existem partidos Maoistas em quase todos os países do mundo. O reaccionarismo que caracteriza o “Pensamento Mao Zedong” está largamente espalhado entre os trabalhadores de todo o mundo. Perante isto, os Maoistas certamente pensam que a sua ideologia depravada será “a força dominante dentro do movimento comunista internacional”. Mas eles estão errados. É a nós, Estalinistas-Hoxhaistas, que o futuro pertence.




Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, somos os únicos verdadeiros defensores da ideologia comunista, e vamos triunfar sobre o “movimento Maoista” social-imperialista e social-fascista.


O Maoismo não é mais do que uma nojenta aberração ideológica reaccionária e pró-capitalista. O “Pensamento Mao Zedong” não é um desenvolvimento, mas sim uma deformação do Marxismo-Leninismo e por isso ele desaparecerá inevitavelmente tal como vai acontecer com tudo o aquilo que é de natureza burguesa:



Mao Zedong não era Marxista-Leninista, mas sim um burguês revolucionário e progressista, mais progressista do que Liu Shao-chi mas ainda assim um revolucionário centrista que posava como comunista e que estava á cabeça do Partido Comunista. Dentro da China, no partido, entre a população e no estrangeiro, ele tinha a reputação de ser um grande Marxista-Leninista que lutou pela construção do socialismo. Mas as suas posições não era Marxistas-Leninistas, ele não seguia a teoria de Marx e de Lénine, ele era um continuador da obra de Sun Yat-sen mas composições mais avançadas e “vestia” as suas posições com algumas fórmulas revolucionárias e esquerdistas, com algumas teses e slogans Marxistas-Leninistas. Mao Zedong posava como sendo um Marxista-Leninista, mas ele não o era realmente.”



Mao Zedong não é Marxismo-Leninismo e Mao Zedong não era Marxista-Leninista. Nós afirmamos que Mao é um renegado, ele é um anti-Marxista e isto é um facto. Nós dizemos isto porque ele tentou disfarçar-se com o Marxismo-Leninismo, mas na verdade ele nunca foi marxista.


Em geral, nós podemos afirmar que em alguns sentidos, a revolução na China teve certas características do caminho socialista, mas as medidas tomadas pararam a meio caminho ou foram anuladas, tal como estão a ser anuladas no presente, e as máscaras cairão uma após a outra. Todas estas coisas devem ser compreendidas pelo povo chinês e elas devem ser percebidas fora da China também porque, infelizmente, o desenvolvimento do país, a guerra de libertação nacional do povo chinês, o estabelecimento do estado democrático burguês progressista têm sido retratados como tendo sido uma revolução proletária (…).” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 26 de Dezembro de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).




Quando o proletariado mundial finalmente pegar em armas e derrubar a burguesia mundial, a influência contra-revolucionária do Maoismo será definitivamente removida da consciência proletária. Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, somos os únicos que permanecemos fiéis aos ensinamentos dos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo: Marx, Engels, Lenine, Estaline e Enver Hoxha. Nós somos os únicos que lutamos incansavelmente contra todos os tipos de revisionismo, sem qualquer excepção. O Maoismo causou prejuízos tremendos ao movimento comunista, mas os planos dos Maoistas para enganar as classes exploradas não vão durar para sempre e vão acabar por fracassar. Tal como o camarada Enver Hoxha uma vez disse:



Não há força, não há tortura, não há engano que possa erradicar o Marxismo-Leninismo das mentes e dos corações dos homens.” (Enver Hoxha, Eurocommunism is anti-communism, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Inglês).





Proletários de todo o mundo – uni-vos contra a ideologia burguesa Maoista!



Lutem contra o revisionismo chinês traidor e pró-capitalista!



Não se deixem enganar pela aparência “revolucionária” e “Marxista” do Maoismo!



O Maoismo não é mais do que social-fascismo!



Denunciem os crimes do social-imperialismo chinês!



Estabeleçam a ditadura proletária através da revolução proletária mundial armada!



Vamos edificar o socialismo e o comunismo mundial!



Vivam os 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo: Marx, Engels, Lénine, Estaline e Enver Hoxha!



Viva o Comintern (EH), o único defensor autêntico da ideologia proletária!



Viva o Estalinismo-Hoxhaismo!



Viva a Revolução Socialista Mundial!





 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

( 3 )


Declaração de Guerra contra os Maoistas





1 – Introdução


De entre todas as ideologias anti-socialistas que a burguesia mundial fabricou, a ideologia Maoista pode bem ser considerada como uma das mais perigosas e reaccionárias:


Um dos instrumentos mais bem-sucedidos da burguesia para desarmar o povo e o proletariado é indubitavelmente o anti-Leninista “Pensamento Mao Zedong”. Graças a estas “Ideias de Mao Zedong”, o revisionismo Chinês ascendeu ao poder e impediu o estabelecimento da ditadura proletária, ele impediu que o Leninismo fosse realidade na China.” (Documentos do Comintern (Estalinista-Hoxhaista), Neo-revisionism or Leninism?, 2004, traduzido a partir da edição em Inglês)


De facto, o Maoismo esconde a sua natureza burguesa por detrás de slogans “Marxistas” e “esquerdistas” de forma a iludir os proletários. É verdade que o Maoismo está longe de ser a única ideologia pró-capitalista que se oculta por detrás de máscaras “comunistas”. No entanto, podemos afirmar que o Maoismo é talvez um dos melhores exemplos da capacidade burguesa para corromper o Marxismo-Leninismo e para espalhar ilusões entre os trabalhadores. Tal como aconteceu com o Trotskismo, o Maoismo foi uma das primeiras ideologias reaccionárias a cobrir-se com slogans “anti-revisionistas”. De facto, tal como os Maoistas, também os Trotskistas se mascararam com a “luta contra o revisionismo” (é claro que isto era dirigido contra o Estalinismo. Há até certos Trotskistas que ousam dizer que estão em “luta contra o Maoismo”).


Afinal, o Maoismo poder ser encarado como um engano ideológico inventado pela burguesia para impedir que os trabalhadores adquiram uma verdadeira consciência Marxista-Leninista, ou seja, quando todas as outras ideologias pró-capitalistas fracassaram na alienação dos operários, então a burguesia utiliza o Maoismo, que é uma das criações mais perfeitas das classes exploradoras para afastar os trabalhadores do Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo. E não há melhor prova disto do que os números imensos de proletários mundiais que continuam a acreditar que o Maoismo é uma ideologia genuinamente socialista. O disfarce “Marxista” de Mao está tão bem concebido que conseguiu até enganar muitos comunistas honestos e experimentados, especialmente durante a falsa “luta contra o Krushchevismo” de Mao. É por isso que nós, Estalinistas-Hoxhaistas, temos de revelar o verdadeiro carácter do Maoismo ás amplas massas e é por isso que a nossa luta incansável contra a ideologia Maoista não pode ficar parada.


Com este propósito, na primeira e na segunda partes a Declaração de Guerra contra o Maoismo (DGM), nós tentámos denunciar os principais princípios da ideologia Maoista ao explicarmos porque é que o Maoismo não pode ser considerado como uma ideologia comunista e revolucionária mas pelo contrário, ele é profundamente revisionista, anti-Marxista e retrógrado e tem como objectivo abrir caminho para a ascensão imperialista da burguesia nacional Chinesa. Nós revelámos a verdade por detrás do conceito de “Nova Democracia” inventado por Mao para justificar o domínio burguês na suposta revolução “socialista” Chinesa em detrimento das classes trabalhadoras que continuaram a ser exploradas e oprimidas pela burguesia nacional Chinesa sob máscaras “socialistas”. Na verdade, o Maoismo pretende enganar os proletários Chineses, fazendo-os acreditar que o socialismo estava a ser construído na China, evitando assim o estabelecimento da ditadura proletária naquele país. Estas ilusões tinham o propósito de fazer os trabalhadores Chineses apoiarem a burguesia nacional “patriótica” na sua busca pela consolidação do poder contra os seus principais rivais: o imperialismo estrangeiro e a burguesia Chinesa de tipo compradore. Assim, a verdade é que o Maoismo começou por não ser mais do que um instrumento fabricado e usado por uma secção das classes exploradoras Chinesas contra as outras secções dessas mesmas classes ás custas do proletariado Chinês.


Para além disto, nós tentámos analisar os episódios mais relevantes da história do revisionismo Chinês, ou seja, não apenas aqueles relacionados com o nascimento e consolidação do próprio Maoismo, mas também aqueles relacionados com os sucessores social-imperialistas de Mao que – longe de terem “traído” Mao, como os fascistas do MLM argumentam – limitaram-se a continuar a trajectória ideológica de Mao em direcção á transformação da China numa superpotência imperialista mundial.


Nós reflectimos acerca da alegada “luta anti-revisionista” de Mao contra Khrushchev no início dos anos 60, revelando-a como não tendo sido nada mais do que uma contradição inter-burguesa entre dois líderes social-fascistas que queriam deter o controlo total sobre o movimento comunista internacional de maneira a liquidá-lo.

Além disso, nós expusemos a natureza e as intenções de classe por detrás do famoso “Grande Salto em Frente” e da “Grande Revolução Cultural” e também explicámos como é que o imperialismo Chinês tentou evitar o desenvolvimento do socialismo na Albânia e como é que a denúncia do social-fascismo Maoista feita pelo camarada Enver Hoxha elucidou os autênticos revolucionários e os conduziu em direcção ao correcto caminho Marxista-Leninista da luta contra todas as correntes revisionistas sem excepção. A ruptura Sino-Albanesa de 1978 era inevitável devido ás diferenças de classes irreconciliáveis entre a Albânia Socialista e a China social-fascista. Os brilhantes livros do camarada Enver tais como “Reflexões sobre a China”, “o Imperialismo e a Revolução” e “Os Krushchevistas” permitiram que os revolucionários mundiais percebessem aquilo que o Maoismo realmente é e ensinou-os a lutarem eficientemente contra ele.


Para além da nossa análise do percurso histórico do P “C”C e da nossa denúncia dos seus fundamentos burgueses e pró-capitalistas, nós focámos também a nossa atenção nas actividades de outras organizações Maoistas como o Sendero Luminosos Peruano ou o Khmer Vermelho do Cambodja. Em ambos os casos, nós concluímos que o carácter reaccionário e pró-imperialista do Maoismo nunca pode inspirar autênticas organizações Marxistas-Leninistas, mas pelo contrário, ele só pode dar origem ao social-fascismo. O Sendero Luminosos e o Khmer Vermelho eram organizações ultra-revisionistas cujo objectivo era favorecer a burguesia e aterrorizar as massas trabalhadoras, mantendo-as longe do socialismo. O Sendero Luminoso e o Khmer Vermelho retratavam-se como sendo “comunistas”, inculcando assim nas massas oprimidas a falsa ideia de correlação entre as acções terroristas destas organizações Maoistas e os ensinamentos do Marxismo-Leninismo.


Tanto na primeira como na segunda parte da DGM, nós centrámo-nos também nos assuntos mais recentes relacionados com as actividades contra-revolucionárias do “movimento” MLM, tais como a “Revolução” Nepalesa ou a “Revolução” Naxalita terrorista-anarquista na Índia. Agora – com a terceira parte da DGM – o nosso propósito é continuar a nossa análise destas acções ideológicas anti-socialistas. De maneira a fazê-lo, nós seleccionámos um grupo de partidos e de organizações Maoistas de todos os continentes com o objectivo de descobrir o seu carácter pró-capitalista e reaccionário através do escrutínio dos seus próprios documentos e princípios ideológicos. Todos estes partidos e todas estas organizações Maoistas são inimigos ferozes da revolução socialista mundial, eles fazem tudo para impedir o estabelecimento da ditadura proletária mundial, do socialismo mundial e do comunismo mundial. Por todas estas razões, é nosso dever enquanto Estalinistas-Hoxhaistas o de continuar a nossa luta coerente e consistente contra o revisionismo Maoista baseando sempre o nosso combate nos ensinamentos imortais dos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo: Marx, Engels, Lenine, Estaline e Enver Hoxha.







2 – Continente Americano


O continente Americano tem estado sob a influência do Maoismo desde há muitas décadas. Esta situação é particularmente grave no que respeita á América Latina, na qual, como vamos ver, o social-fascismo Maoista está intimamente ligado com o Guevarismo – uma verdadeira doença ideológica deliberadamente espalhada pela burguesia para envenenar as mentes dos trabalhadores explorados, impedindo-os de adquirirem um consciência socialista genuína. A influência Maoista na América Latina pode ser explicada através da “sedução ideológica” que a fraseologia “esquerdista” e as posições pseudo-Estalinistas do Maoismo exercem sobre os miseráveis proletários Latino-Americanos. Afinal, a América Latina ainda é uma das regiões mais oprimidas do mundo. Durante muitos séculos, a América Latina foi – e continua a ser – sujeita á mais dura opressão imperialista (vinda tanto das potências imperialistas tradicionais como os EUA como dos novos imperialismos como o Chinês e o Brasileiro). Perante isto, não é difícil perceber que as condições socio-económicas da América Latina fornecem terreno fértil para a expansão das “teorias” anti-Marxistas de Mao no seio das fileiras empobrecidas dos trabalhadores Latino-americanos. De facto, o Maoismo está tão difundido na América Latina que nós só podemos concluir que as classes exploradoras favorecem a adopção da ideologia Maoista pelas massas oprimidas. E – sejamos sinceros – que melhor maneira de enganar os proletários poderiam elas encontrar? Os exploradores nunca conseguiriam conceber uma ideologia mais favorável do que o Maoismo, porque o Maoismo tem um conteúdo pró-capitalista e social-imperialista, mas ao mesmo tempo tem uma aparência “socialista” – o que torna o Maoismo na arma perfeita para iludir as massas sofredoras da América Latina que não estão ainda alerta para a natureza reaccionária do Maoismo.

Na realidade, nós temos de tomar em conta o Maoismo relacionando-o com a classe dos camponeses. A América Latina costumava caracterizar-se pela agricultura, enquanto que a América do Norte se caracteriza pela indústria; os camponeses na América Latina são a classe mais numerosa; em contraste, o proletariado industrial é predominante na América do Norte. Graças á maioria esmagadora de camponeses na China e na América Latina, nós concluímos as semelhanças e os paralelos entre as condições de vida da classe camponesa que tornaram relativamente fácil a exportação das ideologias pequeno-burguesas – como o Maoismo – para a América Latina.


Relativamente á América do Norte, a influência Maoista não é tão intensa como na América Latina, mas isto não significa que ela esteja ausente. Muito pelo contrário, ela tem sido um obstáculo ao desenvolvimento da revolução socialista na América do Norte. Um dos melhores exemplos da influência nociva do Maoismo na América do Norte é o antigo “Movimento dos Panteras Negras”, uma organização de tendências Maoistas assumidas que agia como uma seita com o alegado objectivo de “libertar os afro-americanos da opressão e da exploração”. É verdade que os afro-americanos estão entre os trabalhadores mais oprimidos e explorados da América do Norte, mas os “Panteras Negras” nunca conseguiram realizar a sua libertação socio-económica. E isto porque eles nunca chegaram a renunciar ás suas posições nacionalistas e anarquistas que – juntamente com as tendências Maoistas – impediram os PN de concretizarem as mais profundas aspirações do proletariado Norte-Americano. De facto, tal como o seu próprio nome indica, os PN cometeram um erro muito grave: desde o início que eles pretenderam “resolver os problemas dos afro-americanos”, remetendo todos os outros trabalhadores para segundo plano, criando assim uma divisão racial entre trabalhadores negros e não-negros. É claro que isto está em total oposição aos ensinamentos dos Clássicos que lutaram toda a vida para unir os trabalhadores de todo o mundo, encorajando-os a ultrapassarem as diferenças relacionadas com a raça e com o género.

Os líderes Maoistas dos PN afirmavam abertamente que “os trabalhadores negros deviam receber uma indemnização em compensação pelos séculos de exploração e de repressão contra eles.” Para além do facto de que os líderes Maoistas “radicais” e “ultra-esquerdistas” dos PN soavam como advogados burgueses pedindo uma “indemnização” para os seus clientes, nós temos de perguntar: E quem é que pagaria essas indemnizações? Os trabalhadores brancos que – na maior parte dos casos – são tão miseráveis e explorados como os trabalhadores negros e que também tiveram de suportar séculos de opressão e de exploração? E mesmo se essas indemnizações fossem pagas pelas classes dominantes, isso não resolveria nenhum dos problemas associados ao sistema capitalista; pelo contrário, as classes dominantes “indemnizariam” os trabalhadores negros apenas para melhor poderem continuar a explorá-los.

É óbvio que todos estes enganos e desvios tiveram muito que ver com a natureza Maoista dos PN que os impediu de se tornarem num verdadeiro partido revolucionário e de ameaçarem a monstruosa plutocracia capitalista-imperialista Norte-Americana.


Concluindo, tanto os trabalhadores Latino-Americanos como os trabalhadores Norte-Americanos estão imersos no anti-comunismo, com o revisionismo Maoista a desempenhar um papel crucial nas suas ilusões. Assim, esperamos que este artigo os ajude a adoptar uma ideologia Marxista-Leninista-Estalinista-Hoxhaista consistente e livre de todos os desvios anti-socialistas.






2.1 – União Operária Comunista (Marxista-Leninista-Maoista) – Colômbia


A União Operária “Comunista” (MLM) (em Espanhol: Unión Obrera Comunista Marxista-Leninista-Maoísta) é uma organização Colombiana que segue abertamente o “Marxismo-Leninismo-Maoismo”:


Art. 1 – A UOC (MLM) é uma organização pró-partido da classe operária e os seus interesses são os mesmos dos do proletariado. A sua base teórica, o seu guia para a acção e os seus métodos de trabalho são os do Marxismo-Leninismo-Maoismo (…).” (Documentos da UOC, Estatutos de la Unión Obrera Comunista, Setembro de 2001, traduzido da edição em Espanhol)


Esta afrimação retirada dos próprios estatutos da UOC revela que os Maoistas Colombianos são totalmente anti-Leninistas e reaccionários, porque eles tentam enganar as massas relativamente á natureza ideológica do Maoismo. Eles afirmam falsamente ser uma “organização da classe operária” e que os seus “interesses são os mesmos dos do proletariado”, mas ao mesmo tempo eles assumem expressamente a sua aderência ao Maoismo. Esta é uma contradição insolúvel. É impossível defender os interesses do proletariado e da classe operária adoptando o social-fascismo Maoista como ideologia oficial (como sucede com os Maoistas Colombianos). Tal como o camarada Enver disse:


As concepções antimarxistas do «pensamento Mao Tsetung» sobre a revolução ficam ainda mais claras no tratamento que Mao dispensou às forças motrizes da revolução. Mao Tsetung não reconhecia o papel hegemónico do proletariado. (…) Segundo Mao, pertenceria ao campesinato, e não à classe operária a hegemonia na revolução.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


Assim, quando os Maoistas Colombianos ou quaisquer outros Maoistas dizem “servir os interesses da classe operária”, isto não é mais do que um monte de mentiras. O Maoismo nunca quis defender os interesses do proletariado. Pelo contrário, o propósito de Mao foi o de criar uma ideologia que servisse os interesses da burguesia nacional Chinesa. No entanto, durante as primeiras etapas da sua ascensão, esta burguesia necessitou do apoio das massas oprimidas na sua luta contra a burguesia pró-imperialista Chinesa. Assim, o Maoismo tinha de incluir alguns slogans “revolucionários” e “populares” que atrairiam essas massas oprimidas para o lado da burguesia nacional. Esta é a razão por detrás das frases “esquerdistas” que por vezes aparecem nos livros e obras de Mao. E devemos notar que mesmo estes slogans “revolucionários” estão em completa oposição ao Marxismo-Leninismo porque Mao sempre negou o papel de liderança do proletariado, afirmando que o campesinato deveria desempenhar o papel principal na revolução. É fácil de ver que tipo de interesses esta tese anti-socialista serve. A burguesia nacional Chinesa nunca poderia permitir que a classe operária Chinesa tomasse a liderança na revolução anti-imperialista, porque isso poderia significar a sua transformação em revolução socialista – e consequentemente – todos os planos da burguesia nacional Chinesa para se tornar na classe dominante absoluta no país e para transformar a China numa potência imperialista falhariam. Mas ao mesmo tempo, ela nunca assumiria que estava a liderar a “revolução” anti-imperialista porque isso implicaria o risco de permitir que as classes exploradoras Chinesas percebessem que, longe de avançar em direcção aos socialismo, a China Maoista era de facto uma ditadura da secção “progressista” da burguesia Chinesa. Assim, como o lacaio burguês que era, Mao tinha de encontrar uma forma de pelo menos neutralizar o papel do proletariado Chinês sem ter de assumir abertamente o domínio de classe da burguesia nacional Chinesa. De maneira a concretizar isto, ele defendeu o papel do campesinato como força motriz por detrás da “revolução”. Desta forma, ele negou o papel de liderança do proletariado (impedindo assim a eclosão da revolução socialista) e simultaneamente ele conseguiu dar uma aparência “popular” a esta tese ultra-reaccionária. Além do mais, através disto, ele também garantiu o apoio do campesinato Chinês á causa da burguesia “patriótica” Chinesa. Este apoio não implicava riscos porque o campesinato não é capaz de transformar uma revolução democrático-burguesa numa revolução socialista sem o proletariado.


É claro que nunca podemos esquecer que – apesar do falatório traiçoeiro de Mao acerca do “papel dos camponeses” – o campesinato Chinês nunca deteve o papel de liderança no estado capitalista Maoista. Esse papel sempre pertenceu á burguesia “patriótica” Chinesa:


A pequena e média burguesia predominou na revolução chinesa. Foi essa vasta camada pequeno-burguesa que influenciou em todo o desenvolvimento da China.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


De facto, o Maoismo nem sequer é a ideologia que liberta os camponeses da sua opressão e exploração. A libertação dos camponeses pobres é possível através da ideologia do proletariado revolucionário – enquanto aliado próximo do proletariado mundial na revolução socialista mundial.


Apesar disto, os Maoistas Colombianos preferem abraçar a sua ideologia social-fascista afirmando coisas ridículas:


O partido comunista revolucionário da Colômbia deve ser independente na sua ideologia, objectivos e organização. O seu guia para a acção é o Marxismo-Leninismo-Maoismo. (…) O seu ponto de vista é o do proletariado (…). Não é um partido de várias classes, mas sim um partido da classe operária.” (Documentos da UOC, Proyecto de Programa de la Unión Obrera Comunista (marxista leninista maoísta), Setembro de 2010, traduzido da edição em Espanhol)


Outra vez, a mesma contradição vem á luz. É impossível defender simultaneamente o revisionismo Maoista e os interesses do proletariado:


(…) há alguns Maoistas que proclamam Mao Zedong como um “clássico do Marxismo-Leninismo” e que declaram o “Pensamento Mao Zedong” como sendo o Marxismo de terceiro e de último nível.” Há um movimento mundial que se refere ao chamado “Marxismo-Leninismo-Maoismo.” Eles dizem ser anti-revisionistas e defensores do Marxismo-Leninismo. O problema é a combinação do Marxismo-Leninismo com o Maoismo. Se os “MLM” –istas defendem o Maoismo, então eles violam o Marxismo-Leninismo. Se eles defendessem o Marxismo-Leninismo, então eles violariam o Maoismo.” (Documentos do Comintern (Estalinista-Hoxhaista), Neo-revisionism or Leninism?, 2004, traduzido a partir da edição em Inglês)


Mas nesta afirmação dos Maoistas Colombianos, há ainda outra mentira que deve ser notada: a sua tentativa de convencer os trabalhadores da Colômbia e do mundo de que eles não são um partido burguês. No entanto, este tipo de farsa está condenado ao fracasso porque os proletários mais conscientes sabem muito bem que uma organização que segue o Maoismo é inevitavelmente uma organização burguesa:


Mao Tsetung concebe o partido como uma união de classes com interesses contrários, como uma organização onde duas forças se defrontam e se combatem: o proletariado e a burguesia, o «estado-maior proletário» e o «estado-maior burguês», que devem ter os seus representantes desde a base até os mais elevados órgãos dirigentes do partido.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


O Pensamento Mao Zedong contradiz totalmente as ideias do Leninismo no que respeita á liderança do partido Bolchevique de tipo Leninista tal como foi defendido e praticado por Estaline e por Enver Hoxha. Mao Zedong não era um defensor do partido da classe proletária e não concebia a relação entre o partido Bolchevique e a classe do proletariado. (…) O partido Bolchevique é formado como um só todo e não deve ser nunca a arena de elementos provenientes de diferentes classes. Mao Zedong não pode nem quis levar a peito os princípios e os parâmetros de um partido Bolchevique.” (Documentos do Comintern (Estalinista-Hoxhaista), Neo-revisionism or Leninism?, 2004, traduzido a partir da edição em Inglês)


Assim, a partir do momento em que uma organização como a UOC se declara Maoista, não pode haver dúvidas de que ela é de facto uma organização burguesa, não interessa que mentiras os Maoistas Colombianos usam para esconderem esta verdade. E isto aplica-se também a qualquer outro partido ou organização Maoista que pretenda se uma “organização que serve os trabalhadores” ou “um partido exclusivamente proletário”. Uma organização Maoista é sempre e invariavelmente uma organização pró-capitalista devido ás próprias origens do revisionismo Maoista cujo principal objectivo era paralisar a luta de classes na China em favor da burguesia nacional.


Mas se é verdade que o Maoismo defende os interesses da burguesia nacional, isto não nos permite esquecer a utilidade do Maoismo na defesa dos interesses da burguesia mundial. O Maoismo é uma ideologia revisionista á escala mundial e em primeira linha ele é um instrumento da burguesia mundial para impedir a vitória da revolução socialista mundial e do proletariado mundial!

E como se sito não fosse suficiente, os Maoistas Colombianos até elogiam a “Nova Democracia” social-fascista de Mao:


Em 1948, houve a vitória da Revolução da Nova Democracia, ou seja, a revolução democrático-burguesa de novo tipo sob a liderança do proletariado e em aliança com o campesinato e com os democratas burgueses. Desta forma, a República Popular da China foi fundada e pretendeu revolucionarizar a estrutura económica da China (…), dirigindo-se para o socialismo sem ter de atravessar a etapa da sociedade capitalista de ditadura burguesa.” (Jaime Rangel, El Marxismo-Leninismo-Maoismo, Ciência de la Revolución Proletária, 1993, traduzido da edição em Espanhol)


Esta frase seria risível se não revelasse a seriedade do reaccionarismo Maoista. A “Nova Democracia” não é mais do que um disfarce usado pelos revisionistas Chineses para esconderem que a “Revolução” Chinesa foi completamente pró-capitalista e controlada pela burguesia. No seu livro “O Eurocomunismo é Anticomunismo”, o camarada Enver revelou genialmente a verdade por detrás da “Nova Democracia” de Mao – e ele fez isto usando as próprias palavras de Mao:


Mao Tsetung era partidário de um desenvolvimento livre, ilimitado, do capitalismo na China no período do Estado de “nova democracia”, como ele denominava o regime que se estabeleceria depois da retirada dos japoneses. “Alguns crêem, afirmava Mao Tsetung no VII Congresso do PC da China, que os comunistas são contra o desenvolvimento da iniciativa privada, o desenvolvimento do capital privado, a defesa da propriedade privada. Na realidade, não é nada disto. A tarefa do regime de nova democracia, por cuja instauração estamos lutando, é precisamente a de garantir aos amplos círculos chineses a possibilidade de pôr em prática livremente a iniciativa privada na sociedade, de desenvolver livremente a economia capitalista privada.” (Enver Hoxha, O Eurocomunismo é Anticomunismo, Tirana, 1980, edição em Português)


Perante o arsenal de provas e de argumentos indiscutíveis revelados pelo camarada Enver, os Maoistas em geral e os Maoistas Colombianos em particular ficam desesperados; eles sabem que será só uma questão de tempo até que os trabalhadores mundiais finalmente compreendam que o Maoismo significa perpetuação do capitalismo.


Na “Nova Democracia” Maoista, a burguesia nacional continuou a explorar livremente os operários e os camponeses; de facto, ela estava profundamente infiltrada nas fileiras do Partido “Comunista” Chinês desde o início. Muito depois de 1949, quando a China já era supostamente “comunista”, os donos das fábricas continuavam a extrair lucros abundantes da exploração dos operários e dos camponeses. As afirmações dos Maoistas Colombianos de que a “Nova Democracia” foi uma “revolução sob a liderança do proletariado” são ridículas. De acordo com as informações prestadas pelo famoso jornalista burguês Edgar Snow – que é considerado um “especialista” na China de Mao – no seu livro “Red China Today: The Other Side of the River”, a diferença entre o salário de um operário e o salário de um “administrador de empresas públicas” era de 1 para 15 (de 20 para 300 yuans). E esta diferença poderia ser ainda mais elevada devido aos rendimentos suplementares que eram ganhos pelos “quadros do partido” e pelos “directores” (ler: membros da burguesia nacional Chinesa). Além disto, no “socialismo” Maoista, havia algo chamado “acções estatais” cujo propósito era beneficiar a nova burguesia. De facto, quase todos os membros da burguesia nacional que controlavam os principais meios de produção e ocupavam as posições mais elevadas dentro do P “C”C possuíam grandes quantidades destas “acções estatais” das quais retiravam lucros consideráveis. E é a isto que os Maoistas Colombianos chamam a “revolucionarização da estrutura económica da China”!


Perante isto, é fácil de perceber porque é que os “Marxistas Ocidentais” como Edgar Snow gostavam e elogiavam tanto a China “socialista”. Eles faziam-no porque o social-fascismo de Mao correspondia exactamente aos seus sonhos pró-capitalistas de uma “sociedade socialista” que seria livre daquilo que eles chamavam de “influências Estalinistas”.


As diferenças salariais na China Maoista são relevantes o suficiente para reflectir a existência de relações de produção capitalistas baseadas na exploração dos trabalhadores. Que contraste com o que ocorria na Albânia Socialista, onde a diferença entre os salários mais elevados e os mais baixos era de 1 para 2 e onde um trabalhador que executasse uma tarefa difícil ou penosa podia ganhar tanto como um ministro. E isto não é uma mera hipótese; de facto, esta situação acontecia frequentemente na Albânia do camarada Enver. Assim, contrariamente ao que sucedia na China Maoista, na Albânia socialista as diferenças entre o trabalho manual e o trabalho intelectual era as mais reduzidas de todas. É importante notar isto, porque as diferenças salariais na China Maoista são uma prova irrefutável de como a “Nova Democracia” estava sob o domínio da burguesia que mantinha intactas as relações exploradoras da produção capitalista. Assim, os argumentos dos Maoistas Colombianos de que a “Revolução da Nova Democracia” era conduzida pelo proletariado são totalmente falsas.


E o mesmo pode ser dito acerca das suas afirmações de que Mao teria alegadamente “evitado” a ditadura burguesa, quando a verdade é que o domínio dos revisionistas Chineses desde 1949 até hoje tem servido os interesses da burguesia nacional Chinesa. Mao declarou que a Nova Democracia era uma alternativa á ditadura burguesa e á ditadura proletária, mas isto é completamente falso. Não há “terceiras alternativas”: a partir do momento em que Mao rejeitou a ditadura proletária, ele estava automaticamente a defender a ditadura burguesa; porque a partir do momento em que a burguesia nacional Chinesa continuou a controlar os principais meios de produção e a exercer o seu controlo sobre as massas oprimidas, não podemos mais falar acerca de “evitar a ditadura burguesa”. O estabelecimento da ditadura proletária é a única maneira de evitar o estabelecimento da ditadura burguesa. Assim, se nós negamos a primeira, nós estaremos inevitavelmente a apoiar a segunda. É assim que as coisas são, quer gostem quer não, “caros” Maoistas!


Ainda mais sérios e graves são os ataques, insultos e calúnias que os social-fascistas Colombianos lançam contra o camarada Enver, o amado 5º Clássico do Marxismo-Leninismo:


O movimento Marxista-Leninista ainda enfrenta uma grave crise, que atingiu um ponto crítico com o golpe de estado reaccionário na China após a morte de Mao e com a traição pérfida de Enver Hoxha.” (Documentos da UOC, Declaración del Movimiento Revolucionário Internacionalista, Março de 1984, traduzido da edição em Espanhol)


Ao ler isto, é impossível não ficar impressionado com a arrogância, a presunção e a demagogia dos Maoistas. O Maoismo está entre as mais perversas e nojentas ideologias alguma vez inventadas pela burguesia mundial. O Maoismo usa as aspirações das massas ao socialismo e ao comunismo de forma a beneficiar as classes exploradoras “vestindo” o capitalismo com cores “progressistas” e até “socialistas”. Para além disto, o fascismo Maoista abriu o caminho para a ascensão da China enquanto nova superpotência imperialista. E depois de tudo isto, os Maoistas ainda se atrevem a chamar “pérfido” ao camarada Enver!!!


Os Maoistas tentaram em vão reconciliar o Maoismo com o Marxismo-Leninismo, tentaram que o Maoismo absorvesse o Marxismo-Leninismo, tentaram substituir e liquidar o Marxismo-Leninismo através do Maoismo. Nós defendemos os méritos do camarada Enver Hoxha, nomeadamente a purificação necessária do Marxismo-Leninismo das influências Maoistas. Enver Hoxha evitou a crise do movimento Marxista-Leninista Mundial graças á sua demarcação firme contra o Maoismo. Até hoje, os Maoistas nunca conseguiram provar as suas acusações difamatórias (nem em teoria nem na prática). Isto é expressão da profunda crise do MLM. A sua derrota é inevitável enquanto eles tentam fundir o Marxismo-leninismo com o neo-revisionismo e com o Maoismo em particular. Aqueles que atacam a Albânia socialista do camarada Enver Hoxha atacam também a União Soviética de Lenine e de Estaline. Se não defendermos estes únicos países socialistas, a vitória da revolução socialista mundial e do socialismo mundial será impossível.


Mas vamos regressar aos delírios anti-Hoxhaistas dos Maoistas Colombianos:


O revisionismo na sua forma dogmática continua a ser um inimigo feroz do Maoismo revolucionário. Esta corrente, cuja máxima expressão pode ser encontrada na linha do PTA, ataca o Maoismo, a Revolução Chinesa e – acima de tudo – a experiência da Grande Revolução Cultural Proletária. Sob a guisa de “defender Estaline” (quando na verdade muitas das teses deles são Trotskistas) estes revisionistas destruíram o legado revolucionário de Estaline. (…).” (Documentos do UOC, Declaración del Movimiento Revolucionário Internacionalista, Março de 1984, traduzido da edição em Espanhol)



Em primeiro lugar, o MLM nunca provou que as nossas teses sejam “Trotskistas”. No entanto, nós gostaríamos de apontar pelo menos dois argumentos:


1. O Camarada Enver Hoxha provou nas suas “Reflexões sobre a China”, Volume II, que Mao tinha criticado a linha Estalinista do Comintern na questão Chinesa; linha essa que era – nas suas linhas gerais – correcta. Será que o MLM consegue explicar a consonância que existe entre as críticas de Mao e de Trotsky relativamente á linha Estalinista do Comintern? (ver: Trotsky: “A questão Chinês após o Sexto Congresso”).


2. Uma das características do Trotskismo é o “princípio” do fraccionismo. Enquanto o camarada Enver derrotava de forma bem-sucedida as fracções Trotskistas dentro do PTA, Mao – de maneira centrista – coleccionava fracções de direita e de “esquerda” no seio do P “C”C com o propósito de manter a sua liderança pessoal.


Além do mais, os Maoistas Colombianos não hesitam em usar o velho truque de apresentarem os verdadeiros revolucionários como sendo “dogmáticos”. Esta táctica tem sido usada por revisionistas de todas as cores e tendências para desacreditarem os autênticos Marxistas-Leninistas. Um dos principais “argumentos” usado por Khrushchev contra o camarada Estaline foi precisamente que Estaline era “dogmático”. E os Maoistas seguem o mesmo caminho do seu mentor ideológico, qualificando os comunistas genuínos como “dogmáticos”. De facto, eles fazem-no enquanto afirmam defender o “legado revolucionário de Estaline”! Que hipocrisia! Os Maoistas sabem muito bem que o glorioso PTA liderado pelo camarada Enver Hoxha era o melhor discípulo do camarada Estaline. Pelo contrário, Estaline depressa compreendeu quem Mao realmente era:


Desde o início da guerra que Estaline era muito céptico em relação a nós. Quando ganhámos, Estaline encarou a nossa vitória como sendo da mesma espécie da de Tito, e em 1949 ele exerceu uma pressão muito forte sobre nós.” (Mao Zedong, Oeuvres choisies, Tome V, traduzido a partir da edição em Francês)


Como se pode concluir desta citação, os Maoistas Colombianos desperdiçam o seu tempo fingindo defender Estaline contra o “dogmatismo” do PTA. Afinal, foi o próprio Mao que admitiu que o camarada Estaline compreendeu o carácter burguês da “revolução” Chinesa e que esta vitória era oposta aos interesses do socialismo.


No que respeita á linha consistente e correcta do PTA, os Maoistas Colombianos chamam-na de “Trotskista”. Isto não é nada de novo. Desde há muitos anos, os Maoistas tentam desacreditar as posições dos Marxistas-Leninistas Albaneses como sendo “Trotskistas”. Foi o caso, por exemplo, das críticas correctas lançadas pelo camarada Enver contra a visita de Nixon á China Maoista no início dos anos 70. Como um verdadeiro Marxista-Leninista-Estalinista, o camarada Enver viu claramente que a visita de Nixon á China era sinónimo de traição á revolução mundial e aos princípios do comunismo. Nixon era o representante dos plutocratas imperialistas Americanos, ele era um dos piores inimigos do proletariado mundial. Assim, o PTA criticou prontamente esta visita e qualificou-a como sendo uma “traição”. Sendo um partido Marxista-Leninista, o PTA não poderia ter agido de outra forma. Na verdade, a visita de Nixon á China foi um dos episódios que fez com que os Marxistas-Leninistas Albaneses começassem a interrogar-se acerca da verdadeira natureza ideológica do Maoismo:


Quando Nixon foi convidado à China e a direcção chinesa, com Mao Tsetung à frente, proclamou a política de aproximação e união com o imperialismo norte-americano, ficou claro que a linha e a política da China estavam em total contradição com o marxismo-leninismo e o internacionalismo proletário. Depois disso os fins chauvinistas e hegemonistas da China começaram a tornar-se mais evidentes. A direcção chinesa passou a opor-se mais abertamente às lutas revolucionárias e de libertação dos povos, ao proletariado mundial e ao verdadeiro movimento Marxista-Leninista.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


Naqueles tempos, os Maoistas já qualificavam as posições honestas do PTA relativamente á visita de Nixon á China como sendo “Trotskistas”. De facto, se reparamos nos “argumentos” usados pelos Maoistas contra o PTA e contra o camarada Enver, veremos que eles não possuem a mínima solidez. A estratégia usada pelos Moaistas consiste em afirmar repetidamente que o PTA do camarada Enver era “revisionista”, tentando assim inculcar esta ideia nas mentes dos trabalhadores. No entanto, a síntese dos “ataques” e das “críticas” dos Maoistas contra o PTA está circunscrita ao facto de que os Marxistas-Leninistas Albaneses desmascararam Mao. Os Maoistas chama o camarada Enver de “revisionista” porque ele denunciou o revisionismo de Mao. Ainda hoje os Maoistas sentem uma grande raiva em relação ao PTA porque os Marxistas-Leninistas Albaneses foram os pioneiros da luta contra o Maoismo, porque eles conseguiram expôr finalmente o social-fascismo Maoista. Até essa altura, os Maoistas tinham posado como “Marxistas genuínos”, mas após a brilhante denúncia do Maoismo feita pelo camarada Enver, eles foram revelados como aquilo que realmente são: pró-capitalistas que – usando alguns slogans “anti-revisionistas” – fazem tudo para fortalecer o imperialismo e para impedir o socialismo:


Antigamente, quando o Pensamento Mao Zedong ainda não tinha sido denunciado abertamente pelos nossos partidos, os social-imperialistas e os imperialistas estavam tranquilos porque eles pensavam que esta corrente revisionista estava a operar no meio de nós como um verme dentro de uma maçã. Agora, após a nossa denúncia, vemos que eles aumentaram os seus ataques contra nós.” (Enver Hoxha, Only in struggle can Marxist-Leninist parties be strengthened and tempered and gain capability, Julho de 1980, traduzido a partir da edição em Inglês)


E no que toca ás afirmações dos Maoistas de que o PTA atacou a “Grande Revolução Cultural Proletária”, nós só podemos confirmá-las. Sim, é claro que o PTA atacou a “Revolução Cultural” anarquista de Mao. De facto, dada a natureza anti-comunista e reaccionária da “Revolução Cultural”, os Marxistas-leninistas Albaneses não poderiam ter agido de outra maneira:


Não nos parecia uma conduta revolucionária que a revolução cultural não fosse dirigida pelo Partido, mas uma explosão caótica na sequência de um chamamento feito por Mao Tsetung. (…) O desenrolar dos acontecimentos mostrou que a Grande Revolução Cultural Proletária não era nem revolução, nem grande, nem cultural e nem muito menos proletária. Tratava-se de um putsch palaciano em escala panchinesa para liquidar um grupo de reacionários que havia tomado o poder.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


Depois de tudo isto, concluímos que a organização Maoista Colombiana UOC é uma organização social-fascista cujo objectivo é difundir e promover o revisionismo Maoista entre as massas de forma a impedir o advento da revolução socialista mundial. Para fazer isto, eles usam uma fraseologia “Marxista” e tentam pintar o Maoismo com cores “revolucionárias”, mas as suas tentativas vão falhar. Eles dizem que “defender o Maoismo é defender o Marxismo-Leninismo”, mas as suas falsidades podem ser facilmente desmascaradas através da análise mais simples e superficial das Obras de Mao e das realidades da China Maoista.

Na verdade, o MLM da Colômbia faz muito barulho acerca da fundação da “Internacional Comunista”, acerca da revolução socialista mundial, etc.… Isto constitui uma grave ataque contra o Comintern (EH) e não poderia deixar de ser mencionado no nosso contra-ataque lançado ao MLM da Colômbia!! Os Maoistas são defensores da Internacional Comunista em palavras, mas são seus inimigos nos actos, como pode ser provado pelas acções hostis e traiçoeiras de Mao contra as decisões do Comintern (ver: Enver Hoxha, Reflexões sobre a China, Volume II).

Importantes são também as tentativas do MLM da Colômbia para desempenhar um papel de liderança dentro do movimento Maoista mundial. Eles atacam o revisionismo das outras organizações Maoistas no mundo com o único propósito de esconder o seu próprio revisionismo por detrás da alegada “correcta ideologia do MLM”. Mascarar o próprio revisionismo através da “crítica” ao revisionismo dos outros foi sempre típico dos Maoistas como pode ser constatado através das “críticas” de Mao contra o revisionismo Soviético.






2.2 – Partido Comunista da Bolívia (Marxista-Leninista-Maoista)


Outra organização Latino-Americana que também segue o revisionismo Maoista é o Partido “Comunista” da Bolívia – MLM (em Espanhol: Partido Comunista de Bolivia - Marxista Leninista Maoista). O site oficial deste partido nojento está repleto de elogios á ideologia pró-capitalista de Mao e num ocasião, os Maoistas Bolivianos fazem uma afirmação extraordinária:

Os direitistas dentro do PCP enganaram Mao e começaram uma política de aproximamento ao imperialismo Americano. (…). Mao, que estava muito doente, confiou neles (…).” (http://maoistasbolivianos.blogspot.pt/2011_05_01_archive.html, Maio de 2011, traduzido da edição em língua Espanhola)

Assim, segundo os Maoistas Bolivianos, Mao não teve nada que ver com as posições reaccionárias e pró-Americanas da China. Foi tudo culpa dos “direitistas”, que enganaram perversamente o pobre e doente Mao, forçando-o a receber Nixon e Kissinger. Mas temos o direito de nos interrogar como é que estes “direitistas” puderam obrigar Mao a organizar gigantescas cerimónias de boas-vindas para receber os imperialistas Americanos, a aparecer para os saudar pessoalmente e a fazer declarações públicas apoiando-os contra o seu principal rival – o social-imperialismo Soviético. Perante isto, concluímos que as tentativas ridículas dos Maoistas para justificar o social-fascismo de Mao e para o apresentarem como “um grande revolucionário” não conhecem limites.


E há muito mais.


No início deste artigo, afirmámos que os Maoistas Latino-Americanos são grandes defensores do Guevarismo. E de facto, num texto intitulado “Che, amigo de Mao”, os Maoistas Bolivianos declaram que:


Isto vai certamente surpreender muitos de vós, mas a verdade é que Che Guevara via a China como um exemplo a seguir e admirava muito Mao Zedong.” (http://maoistasbolivianos.blogspot.pt/2011_03_01_archive.html, Março de 2011, traduzido da edição em língua Espanhola)


Em primeiro lugar, devemos dizer que isto não nos surpreende de todo a nós, Estalinistas-Hoxhaistas. É perfeitamente normal e expectável que Che Guevara admirasse a China Maoista. Afinal, tanto Mao como Che eram ideólogos burgueses que tentaram para a luta revolucionária dos trabalhadores mundiais através da difusão de “teorias” pró-capitalistas sob a guisa de “socialismo”.




Che e Mao: dois perigosos inimigos do Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo e da revolução socialista mundial – imagem publicada pelos Maoistas Bolivianos no seu site http://maoistasbolivianos.blogspot.pt/2011_03_01_archive.html


No seu livro “O Imperialismo e a Revolução”, o camarada Enver declara que:


Segundo o «pensamento Mao Tsetung» só pode existir um novo regime democrático e só se pode construir o socialismo com base na colaboração de todas as classes (…).”(Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


Tal como Mao, também Che Guevara tinha visões idealistas que se centravam na mesma ideia de “colaboração” entre opressores e oprimidos. Em 1965, enquanto visitava a Argélia, Che Guevara disse que “o desenvolvimento dos países libertados deveria ser pago pelo campo socialista”. Para além do facto de que esta afirmação está muito mais próxima da caridade Cristã do que do Marxismo revolucionário e de que o desenvolvimento de um país deve ser primariamente concretizado pelos seus próprios trabalhadores durante o processo de construção socialista e não devido a “ajudas caridosas” do exterior, nós devemos também perguntar a que “campo socialista” é que Che Guevara se estava a referir. Em 1965, a traição de Khrushchev estava totalmente consumada. A União Soviética tinha sido transformada numa superpotência imperialista que explorava e oprimia brutalmente os povos. Assim, Che Guevara queria que a União Soviética social-fascista e capitalista pagasse o “desenvolvimento dos países libertados”! Isto era completamente impossível porque a União Soviética social-imperialista não tinha o menor interesses em desenvolver os países oprimidos semi-coloniais. Pelo contrário, a burguesia Soviética fez tudo o que pôde para manter estes países em estado de escravatura de maneira a poder explorá-los mais facilmente. Mas a afirmação de Che revela claramente que ele defendia a “cooperação” entre os proletários explorados dos países semi-coloniais e os exploradores imperialistas Soviéticos.


Assim, é possível notar as semelhanças entre o Maoismo e o Guevarismo no que respeita a paralisar e a negar as contradições irreconciliáveis entre os exploradores e os explorados em benefício de uma suposta “cooperação” entre eles. Para além disto, e tal como também acontece com o Maoismo, a imagem de Che tem sido um produto altamente lucrativo nas mãos dos capitalistas que o usam para promover a corrupção ideológica dos trabalhadores.


Além do mais, os Maoistas Bolivianos qualificam abertamente Che Guevara como “anti-revisionista” e como “Marxista-Leninista”. Eles afirmam que tanto Mao como Che defendem que a revolução deve começar no campo:


O Marxismo tradicional previu que a revolução começaria graças ao proletariado urbano (…). No entanto, Mao notou que isto não servia ás condições da China, onde o proletariado urbano era extremamente reduzido (…). Mao baseou a sua vitória no campesinato e o Che concordou com esta visão porque ele achou que esta táctica era também a mais adequada ás circunstâncias da América Latina.” (http://maoistasbolivianos.blogspot.pt/2011_03_01_archive.html, Março de 2011, traduzido da edição em língua Espanhola)


Assim, os Maoistas afirmam e confirmam alegremente as posições anti-socialistas de Che e de Mao relativamente ao proletariado urbano e a sua crença revisionista na “hegemonia revolucionária do campo e do campesinato”. E é interessante observar como eles fazem isto usando um tom orgulhoso, como se defender posições degeneradas e pró-burguesas fosse algo heróico! Basta notar a maneira como eles tentam apresentar Mao e Che Guevara como sendo ideologicamente superiores aquilo que eles depreciativamente qualificam como “Marxismo tradicional”!


Segundo os Maoistas, o “Marxismo tradicional” – que defende que a força motriz da revolução deve ser sempre o proletariado urbano – está “ultrapassado” e é “inferior”. É algo que já só é defendido pelos “dogmáticos” que teimosamente recusam aceitar as “inovações” produzidas por “grandes Marxistas-Leninistas” como Mao e Che Guevara.


Nas outras partes da DGM, nós já tínhamos afirmado vezes sem conta que os 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo consideram a liderança do proletariado como sendo uma condição indispensável para o triunfo da autêntica revolução socialista. Nós também tínhamos visto como Mao negava abertamente este princípio básico da ideologia comunista. Recordando as conclusões geniais do camarada Enver:


(…) Mao não era Marxista. De acordo com ele, a força motriz da revolução é o campesinato, e não o proletariado. (…) Desde há muito tempo que nós discordamos das posições de Mao Zedong, especialmente com as suas declarações que “o campo deve cercar a cidade”. Nós, como Marxistas-Leninistas, nunca aceitámos esta visão de Mao Zedong porque desta forma, Mao Zedong considera o campesinato como a classe mais revolucionária. Esta é uma visão anti-Marxista. A classe mais revolucionária da sociedade é o proletariado, por isso ele deve liderar a revolução em aliança com o campesinato que é o aliado mais fiel do proletariado.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês)


O Maoismo e o Guevarismo estão entre as tendências revisionistas mais traiçoeiras, enganosas e contra-revolucionárias. Um verdadeiro Marxista-Leninista-Estalinista-Hoxhaista devem combatê-las e denunciá-las sem piedade. Um dos maiores modelos de luta tanto contra o Maoismo como contra o Guevarismo foi precisamente o camarada Enver, cujas posições acerca de Che Guevara e do Guevarismo vamos aqui relembrar:


Quem era Che Guevara? (…) Ele era um rebelde, um revolucionário, mas não um Marxista-Leninista como alguns querem fazer crer. (…) O seu esquerdismo burguês e pequeno-burguês combinado com algumas ideias que eram progressistas mas também anarquistas acabaram por o conduzir ao aventureirismo. (…) As posições de Che Guevara e de todos aqueles que adoptem o seu pensamento não têm nem nunca tiveram nada que ver com o Marxismo-Leninismo. (…) Que tipo de Marxismo-Leninismo é este que defende o ataque contra o inimigo com recurso a destacamentos “selvagens”, etc. sem ter sequer um partido Marxista-Leninista para liderar a luta? Não há nada de Marxista-Leninista acerca disto. Este tipo de teorias anti-Marxistas e anti-Leninistas não trazem nada além de derrotas ao Marxismo-Leninismo e á revolução, como sucedeu com as actividades de Che na Bolívia. (…) Esta tendência traz á baila as teses da revolta armada. Mas que grande dano ela causa á revolução! Com a morte de Guevara, as massas do povo contaminadas pela influência destas posições anarquistas vão pensar: “Agora não há mais ninguém que nos possa liderar ou libertar!” Ou talvez surja outro Guevara que suba ás montanhas para fazer a “revolução”, e as massas que esperam tudo destes indivíduos e querem combater a burguesia facilmente são convencidas a seguirem-nos. E o que sucederá? Algo que para nós é claro. Estas pessoas não são a vanguarda da classe operária porque não são guiadas pelos princípios geniais do Marxismo-Leninismo, e elas vão ser incompreendidas pelas massas e vão acabar por fracassar nos sues intentos, mas ao mesmo tempo a autêntica luta será desacreditada porque as massas passarão a encarar a luta armada com desconfiança.” (Enver Hoxha, The Fist of the Marxist-Leninist Communists Must Also Smash Left Adventurism, the Offspring of Modern Revisionism (From a conversation with two leaders of the Communist Party (Marxist-Leninist) of Ecuador), 21de Outubro de 1968, traduzido da edição em Inglês)


Estas citações de Enver já foram usadas por nós noutros artigos, mas dadas as proporções histéricas que a “Guevaramania” atinge por todo o mundo capitalista e o seu encorajamento explícito pelos revisionistas Maoistas, parece-nos que nunca é demais repeti-las. O combate contra as influências Guevaristas é muito importante e constitui sem dúvida uma das principais linhas de demarcação entre os Marxistas-Leninistas e os revisionistas. Quando um partido ou um certo indivíduo afirma ser Marxista-Leninista, um dos indicadores que podem ser verificados para concluir se essa afirmação é correcta ou não é precisamente a posição que esse partido ou indivíduo adopta relativamente a Che Guevara. Se eles denunciam o revisionismo e o anti-Marxismo de Che Guevara baseando-se em posições Estalinistas, isto é um indicativo importante de que o partido ou o indivíduo em questão pode ser Marxista-Leninista (é claro, para concluir isto com segurança é necessário verificar muitas outras coisas para além da posição relativamente ao Guevarismo). Pelo contrário, se um partido ou um indivíduo aceitam e até elogiam o Guevarismo, então não há necessidade de procurar mais; isto basta para provar o seu carácter revisionista e contra-revolucionário. Tal é o caso dos Maoistas em geral e dos Maoistas Bolivianos em particular (de facto, também o Partido Comunista Revolucionário da Argentina – outra organização Maoista Latino-Americana – elogia explicitamente as supostas “Contribuições de Che Guevara para o Marxismo-leninismo” no seu site oficial: http://www.pcr.org.ar/nota/%C2%A1hasta-la-victoria-siempre-0.

Assim, é claro que o Guevarismo é uma doença ideológica que é alegremente apoiada e promovida pelos Maoistas Latino-Americanos com o objectivo de manter os proletários na escravidão).


Mas a perversidade anti-comunista dos Maoistas vai ainda mais longe com os seus elogios nojentos ao Kim Il Sungismo e ao regime monárquico-feudal-fascista da Coreia do Norte. Num artigo intragável intitulado “Morreu o camarada Kim Jong Il”, os Maoistas Bolivianos afirma que:


Em nome do Comité Central do Partido Comunista da Bolívia (MLM) (…) queremos expressar as nossas condolências ao Partido dos Trabalhadores da Coreia por ocasião da morte da grande líder comunista Kim Jong Il. (…) Nós estamos certos de que o PTC e o povo revolucionário da Coreia do Norte vão continuar o caminho de líderes tão heróicos como Kim Il Sung e Kim Jong Il.”

(http://maoistasbolivianos.blogspot.pt/2011/12/normal-0-21-false-false-false_20.html, Dezembro de 2011, traduzido da edição em língua Espanhola)


Como se pode constatar, os Maoistas não têm os menores escrúpulos em apoiarem uma ditadura burguesa tão horrenda como a da Coreia do Norte. Mas isto não é surpreendente. De facto, o Maoismo tem tudo em comum com o Kim Il Sungismo, nomeadamente o carácter pró-capitalista de ambas estas correntes revisionistas. As semelhanças incríveis entre o Maoismo e o Kim Il Sungismo podem ser notadas não apenas na maneira como ambos defendem a manutenção da burguesia como classe sob o “socialismo”, mas também como o Kim Il Sungismo segue o Maoismo na sua negação da ditadura proletária e no seu apoio á infiltração e influência dos elementos burgueses nas fileiras do partido “comunista”:


Alguns julgam que apenas os Marxistas-Leninistas podem aderir ao Partido dos Trabalhadores da Coreia e que só os Marxistas-Leninistas podem participar nas tarefas presentes. Isto é um exemplo muito perigoso de oportunismo de “esquerda”. (…) é um grave erro considerar que apenas os Marxistas-Leninistas devem ser autorizados a fazer tudo isto. Nós consideramos que todos aqueles que revelem energia e amor patriótico relativamente á construção de uma nação democrática e assumam o papel de vanguarda podem aderir ao PTC mesmo se não forem Marxistas-Leninistas. Assim, todos aqueles que – não apenas entre os operários, mas também entre os camponeses e os intelectuais – lutarem bravamente á cabeça das massas podem aderir ao PTC.” (Kim Il Sung, Oeuvres choisies, Pyongyang, 1971, traduzido da edição em Francês)


Esta declaração vinda directamente de Kim Il Sung is revisionista e anti-socialista até aos ossos. Kim Il Sung e os seus sucessores são frequentemente descritos como “Marxistas de linha dura” e até como “Estalinistas”. Mas esta declaração nega completamente esta imagem falsa. O que o social-fascista Kim Il Sung está a afirmar é que o partido “comunista” deve ser visto como um caixote do lixo gigantesco onde todos se incluem (Marxistas-Leninistas e anti-Marxistas-Leninistas, burgueses e proletários). É claro que se tomarmos em conta o facto de que nunca houve socialismo na Coreia do Norte e de que a burguesia Norte Coreana continuou a explorar os trabalhadores, é fácil de ver que esta “inclusão” dos elementos burgueses significa de facto a sua predominância ideológica dentro do partido, tornando assim impossível o estabelecimento da ditadura proletária.

Kim Il Sung e os seus descendentes são uma família fascista da pior espécie. Eles serviram e continuam a servir os interesses da burguesia Norte Coreana, fazendo os possíveis para impedir a construção do socialismo na Coreia. Eles não se poderiam importar menos acerca do facto de os seu regime explorador e reaccionário assenta na divisão dolorosa de todo um povo, uma vez que graças a esta divisão eles podem continuar a viver um vida de luxo nos sues palácio magníficos, onde têm as suas mesas cheias de manjares deliciosos e as suas camas cheias de amantes atraentes. De maneira a perpetuarem este estado de coisas, eles usam a sua ideologia ultra-revisionista para enganar os trabalhadores mundiais em geral e os trabalhadores Coreanos em particular. E estes bandidos são qualificados pelos Maoistas como sendo “grandes líderes comunistas”. Um partido que apelida a tirania capitalista Norte Coreana como “socialista” está totalmente submergido nas mais negras águas reaccionárias e é um inimigo feroz do proletariado mundial e de todas as massas oprimidas e exploradas. Este é o caso dos Maoistas Bolivianos e do seu Partido “Comunista” da Bolívia (“ML”M).







2.3 – Partido Comunista do Peru (Marxista-Leninista) e Partido Comunista do Panamá (Marxista-Leninista)



O Partido “Comunista” do Peru – “ML” (em Espanhol: Partido Comunista del Peru – Marxista-Leninista) é outro exemplo de como o revisionismo Maoista constitui um obstáculo sério ao desenvolvimento da revolução socialista na América Latina e á aquisição de uma consciência proletária pelos trabalhadores Latino-Americanos explorados. Afinal, não podemos esquecer que os Maoistas Peruanos têm uma longa tradição revisionista de enganarem as massas trabalhadoras exploradas e de as reprimirem barbaramente em nome do “comunismo” [na segunda parte da DGM, nós já analisámos a ideologia, actividades e propósitos do Sendero Luminosos Peruano, um grupo terrorista-burguês liderado pelo pró-capitalista “Presidente Gonzalo”. O “Sendero Luminoso” é o antecessor ideológica do actual P “C”P (“ML”)].


No relatório da infame neo-revisionista e Maoista “Conferência Internacional dos Partidos e das Organizações Marxistas-Leninistas (CIPOML)”, os líderes do P “C”P admitiram abertamente as suas posições social-democratas e reformistas depravadas. No seu “relatório de país”, os Maoistas Peruanos tentam enganar os trabalhadores lançando alguns “ataques” demagógicos contra os “reaccionários direitistas”, argumentando que o Peru se está a tornar numa “colónia Americana” (tal como todos os revisionistas Latino-Americanos, os Maoistas Peruanos continuam a apresentar o imperialismo Americano como sendo o único inimigo, ignorando assim os imperialismos emergentes como o Brasileiro, por exemplo). É curioso notar que eles mencionam a “burguesia compradore ao serviço do imperialismo Americano”, mas eles não dizem uma palavra acerca da burguesia “progressista” e “nacionalista” Peruana. Isto é fácil de explicar porque o Maoismo foi concebido precisamente para beneficiar os interesses da burguesia nacional Chinesa e - da mesma forma – os partidos Maoistas em redor do mundo são também instrumentos que servem os interesses das burguesias mundiais dos seus respectivos países em particular, e da burguesia mundial em geral. De facto, Os Maoistas Peruanos declaram furiosamente que a manutenção no poder de Alan Garcia (o representante da burguesia compradore pró-Americana) impediu a “vitória das forças nacionalistas e progressistas). Assim, aquilo que os Maoistas Peruanos realmente querem é a vitória da secção “patriótica” da burguesia Peruana que continuaria a exploração do proletariado Peruano através de formas “civilizadas” e “progressistas”. De facto, as suas tentativas ridículas para se esconderem por detrás de slogans “Marxistas-Leninistas” são completamente negadas pelas suas exigências “populares” ultra-reformistas:


A coordenação e a tratado da unidade na acção que conseguimos juntamente com algumas organizações de tendência nacionalista e indígena é o primeiro passo. É um pequeno passo, mas ele será fortalecido com mais iniciativa. Esta é a nossa orientação política concreta. Para isto, nós propomos a seguinte plataforma de luta e unidade aos trabalhadores e ao povo:


- Acabar com a política neo-liberal

- Anunciar o fim das dívidas externas e exigir a sua anulação

- Anular os tratados que “vendem” as empresas públicas, as fontes de rendimento e as matérias-primas ás multinacionais e aos monopólios

- Implementar uma reforma fiscal tendo os impostos directos como base. Aqueles que ganham mais, pagam mais. Abolição dos privilégios fiscais garantidos ás grandes empresas monopolistas.” (ICMLPO, International Newsletter, nº 33, Julho de 2007, traduzido a partir da edição em Inglês)


Em primeiro lugar, os Maoistas Peruanos não dizem uma palavra acerca da necessidade de eliminar a propriedade privada. Pelo contrário, os Marxistas-Leninistas exigem a abolição revolucionária da propriedade privada. Aqueles que não propagam e lutam pela socialização da propriedade privada pela revolução socialista não podem ser verdadeiros comunistas.


Além do mais, após terem elogiado e encorajada uma união oportunista com as “tendências nacionalistas e indígenas”, os Maoistas Peruanos exigem:


- O fim do neo-liberalismo – uma exigência totalmente revisionista. O neo-liberalismo é apenas uma das formas que o capitalismo pode assumir. Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, somos contra o capitalismo como um todo, e não apenas contra uma das suas múltiplas formas. O neoliberalism é geralmente preferido pelas burguesias pró-imperialistas enquanto que o capitalismo de estado é preferido pelas secções “progressistas” e “anti-imperialistas” das burguesias nacionais. Como os Maoistas Peruanos defendem estas últimas, é fácil de compreender o significado da sua raiva contra o neo-liberalismo. Eles não querem a abolição do capitalismo, mas apenas a adopção de uma outra forma desse mesmo sistema que seja mais adequada aos interesses da burguesia nacional Peruana. Nos tempos actuais do desenvolvimento globalizado das forças produtivas, é do interesses do proletariado mundial lutar por um sistema económica socialista mundial – tudo o resto é retrógrado e reaccionário.


- Anunciar o fim das dívidas externas e exigir a sua anulação – esta exigência pode soar apelativa, mas se lhe prestarmos atenção, vamos concluir que ela também é oportunista. As dívidas externas vão sempre existir enquanto o sistema capitalista explorador existir. Consequentemente, a única maneira de eliminar definitivamente estas dívidas é através da aniquilação do capitalismo. No entanto, a partir do momento em que adoptam o Maoismo como ideologia oficial, os social-fascistas do P “C”P estão automaticamente a defender a perpetuação desse mesmo capitalismo e estão a tornar impossível a extinção das dívidas externas.



- Anular os tratados que “vendem” as empresas públicas, as fontes de rendimento e as matérias-primas ás multinacionais e aos monopólios – certo, os Maoistas Peruanos querem impedir que a burguesia compradore controle os principais recursos e meios de produção do país de forma a facilitar a sua entrega á burguesia nacional através de formas de capitalismo de estado que vão permitir a continuação da exploração dos trabalhadores Peruanos sob máscaras “socialistas”.

- Implementar uma reforma fiscal tendo os impostos directos como base. Aqueles que ganham mais, pagam mais. Abolição dos privilégios fiscais garantidos ás grandes empresas monopolistas – esta exigência dos Maoistas Peruanos é verdadeiramente incrível. Eles soam exactamente como os políticos burgueses que defendem o infame “estado-providência”. Se eles fossem autênticos Marxistas-Leninistas, eles exigiriam a abolição de todo o sistema fiscal, eles exigiriam a aniquilação de todas as formas de exploração. Mas como eles não são mais do que social-democratas burgueses, eles defendem a “abolição dos privilégios ficais garantidos aos grandes monopólios” e que “aqueles que ganham mais, pagam mais” de forma a alienar os proletários, porque a adopção deste tipo de medidas “estado providência” contribui para ocultar o carácter de classe do estado capitalista, tornando assim a aquisição pelos trabalhadores de uma consciência comunista muito mais difícil – e tudo isto sem tocar nos super-lucros dos capitalistas.


E há mais. Os Maoistas Peruanos vão mais longe com as suas exigências pró-capitalistas:


“ – As directivas acerca do aumento de impostos para os trabalhadores activos, bem como para aqueles sem trabalho e para os reformados. Recontratação dos trabalhadores despedidos.


- Introdução de um sistema universal e obrigatório de segurança social.


- Reinstalação de um sistema educacional grátis para todas as etapas e qualificações, desenvolvimento da política e do pessoal educativo (…).


- Promoção da reorganização e da democratização das forças armadas das forças armadas com o propósito de as transformar num instrumento útil para o desenvolvimento socio-económico do país e para a defesa da soberania nacional e da integridade territorial.


- Reunir uma assembleia constitucional que promova uma assembleia socialmente justa, democrática, patriótica e descentralizada.


A orientação política que nós propomos é a táctica concreta para atingir a mais ampla acumulação de forças políticas e sociais, (…) para desenvolver a consciência política das massas e para conduzir os povos á rebelião a curto/médio prazo. Isto vai preparar o caminho para um governo democrático e popular para abolir o programa neoliberal e as suas consequências, pondo assim um fim ao período marcado pelo colonialismo neoliberal (…).” (ICMLPO, International Newsletter, nº 33, Julho de 2007, traduzido a partir da edição em Inglês)


As três primeiras exigências são tipicamente social-democratas. Coisas como “directivas de aumento de salários”, “sistema educacional gratuito” e a “segurança social universal e obrigatória” poderiam ter sido propostas por algum partido social-burguês com assento no Parlamento Europeu. Mas não! Elas foram propostas pelos Maoistas, que se atrevem a qualificar-se como “os mais elevados representantes do Marxismo-Leninismo”.


No que respeita á “democratização das forces armadas”, os Maoistas Peruanos seguem a mesma linha do odioso Carrillo – um dos fundadores do Eurocomunismo – que também dizia que o exército Espanhol (um dos principais apoiantes do regime pró-Nazi de Franco) tornar-se-ia uma “força progressista na sociedade”. Todos os Marxistas-Leninistas sabem que o exército é um dos defensores mais reaccionários da ordem exploradora, eles sabem que não é possível “democratizá-lo” ou transformá-lo num “instrumento do desenvolvimento social do país” como pretendem os Maoistas Peruanos. Dentro do âmbito de um sistema capitalista como aquele que domina o Peru, o exército é inevitavelmente e invariavelmente uma arma contra-revolucionária nas mãos dos capitalistas e dos imperialistas que a usam para reprimir os trabalhadores Peruanos. Com a excepção dos exércitos proletários que surgem no contexto de um sociedade verdadeiramente socialista, todos os exércitos são nocivos para a causa do proletariado e devem ser implacavelmente esmagados e destruídos. Não há outra forma de remover o perigo imenso que os exércitos burgueses-capitalistas – como o do Peru – representam para a libertação operária. Como o camarada Enver correctamente afirmou:


Os princípios, as leis e as estruturas organizativas dos exércitos burgueses são de tal natureza, que permitem à burguesia exercer seu controle sobre eles, mantê-los de pé e prepará-los como instrumentos de repressão à revolução e aos povos. Isto mostra o acentuado carácter de classe e reaccionário do exército burguês e desmascara os esforços por apresentá-lo como um organismo “acima das classes”, como uma organização “nacional”, “alheio à política”, que “respeita a democracia” etc. O exército burguês de qualquer país, independentemente de suas “tradições democráticas”, é um exército antipopular e está destinado a defender a dominação da burguesia, a realizar seus objectivos expansionistas.” (Enver Hoxha, O Eurocomunismo é Anticomunismo, Tirana, 1980, edição em Português)


E os argumentos dos Maoistas Peruanos de quererem uma “assembleia socialmente justa” e de quererem “desenvolver a consciência política das massas para as conduzir á rebelião popular a médio/curto prazo” só podem ser definidas como uma mascarada total. Uma assembleia socialmente justa? Pode alguma coisa relacionada com o capitalismo ser justa? É claro que não. Os Maoistas Peruanos fazem tudo o que podem para preservar o capitalismo. Eles podem preferir o capitalismo de estado ao capitalismo neoliberal, mas no fim tudo fica na mesma: continua a ser capitalismo, continua a ser exploração e opressão. Assim, a sua fala ridícula acerca de uma “assembleia socialmente justa” nunca vai enganar os trabalhadores revolucionários. E como se isto não fosse suficiente, eles ainda afirmam que a sua “orientação política” é desenvolver “a consciência política das massas”. O quê?! Eles chamam a um monte de exigências reformistas e social-democratas “desenvolvimento da consciência política das massas”? Pelo contrário, o propósito dos Maoistas Peruanos é precisamente esconder o carácter de classe do estado capitalista através da adopção de algumas medidas “estado-providência” que espalham ilusões entre os trabalhadores e que os afastam da luta comunista pelo derrube violento do estado capitalista. De facto, a “rebelião popular” que os Maoistas Peruanos arrogantemente pretendem realizar “a médio/curto prazo” não é mais do que a substituição da secção pró-imperialista e compradore da burguesia Peruana pela burguesia nacional “progressista” Peruana. O mesmo pode ser dito acerca das 2intenções” dos Maoistas Peruanos de “colocarem um fim ao período marcado pelo colonialismo neoliberal”. Eles querem acabar com o “colonialismo neoliberal” só para permitir a ascensão da secção “patriótica” da burguesia Peruana que vai continuar a sugar o sangue e o suor do proletariado Peruano. Na verdade, é a isto que os Maoistas querem: um capitalismo “perfeito” que usa uma máscara “socialista” e no qual não haverá luta de classes, permitindo assim a exploração eterna dos trabalhadores.


E a situação é a mesma no Partido “Comunista” do Panamá – “ML” (em Espanhol: Partido Comunista de Panama – Marxista-Leninista):


Nós invocamos a necessidade urgente de unir as diferentes frentes das massas num movimento unido revolucionário e popular a uma escala maciça para concretizar a democracia (…) uma República Democrática que será levada a cabo e organizada pelas organizações do povo.” (ICMLPO, International Newsletter, nº 33, Julho de 2007, edição em Inglês)


Tal como todos os outros Maoistas Latino-Americanos, também os Maoistas do Panamá negam a necessidade da ditadura proletária, substituindo-a pela “República Democrática” composta de “múltiplas frentes das massas”. É óbvio que estas “frentes das massas” significam que a odiosa “República Democrática” proposta pelos Maoistas do Panamá não é mais do que uma forma disfarçada da “Nova Democracia” de Mao, ou seja, uma ditadura opressiva burguesa e capitalista que tenta enganar os trabalhadores, dando-lhes a falsa impressão de que os exploradores estão a “partilhar o poder” com eles em direcção ao “socialismo”. Mas estas tentativas dos Maoistas do Panamá para afastar os trabalhadores do caminho do domínio proletário violento fracassarão. Quando a revolução socialista mundial finalmente chegar, o fim dos Maoista será tão horrível como a sua própria ideologia social-fascista nojenta. O proletariado mundial em fúria vai literalmente despedaçá-los, dando a estes charlatães pró-capitalistas o tratamento que eles merecem.







2.4 – Partido Comunista Revolucionário do Chile e Partido Comunista Revolucionário dos EUA



Finalmente, antes de terminarmos a nossa análise das organizações Maoistas no continente Americano, vamos examinar um documento muito relevante que foi publicado por dois partidos Maoistas: o Partido “Comunista” Revolucionário do Chile (em Espanhol: Partido Comunista Revolucionario de Chile) e pelo Partido “Comunista” Revolucionário dos EUA. Este documento conjunto intitula-se “Principios Fundamentales para la Unidad de los Marxistas-Leninistas y para la Línea del Movimiento Comunista Internacional” (em Português: “Princípios Fundamentais para atingir a unidade dos Marxistas-Leninistas e da linha ideológica do Movimento Comunista Internacional”) e nós decidimos estudá-lo porque ele contém alguns dos piores ataques algumas vez feitos pelos Maoistas contra a gloriosa linha Marxista-Leninista do camarada Enver Hoxha e do PTA. Na verdade, isto não é nada de surpreendente porque ambos estes partidos são social-fascistas até aos ossos. O Partido “Comunista Revolucionário” dos EUA é inclusive o partido do infame ultra-revisionista Bob Avakian, que exerceu e continua a exercer grande influência no Movimento Maoista Mundial (http://www.rwor.org/a/ideology/mlm.htm).


Em 1990, Bob Avakian escreveu um texto intitulado “Our Ideology is Marxism-Leninism-Maoism” (em Português: “A nossa ideologia é o Marxismo-Leninismo-Maoismo”) do qual nós vamos realçar dez críticas:


  1. Bob Avakian nega o carácter de classe do princípio Bolchevique da crítica e da auto-crítica. Ele diz: “Serve o povo”. No entanto, ele não diz que só pode servir o povo enquanto instrumento nas mãos do proletariado e do seu partido comunista.


  1. Bob Avakian fala muito acerca da revolução como uma espécie de “rebelião contra a opressão” anarquista: “O Marxismo é a doutrina da rebelião”. No entanto, ele guarda silêncio acerca da necessidade da destruição armada da ditadura da burguesia mundial e do estabelecimento da ditadura do proletariado mundial e da construção do socialismo.


  1. Bob Avakian diz: “Para dar uma definição básica da primeira pergunta — o que é o Marxismo-Leninismo-Maoismo? — nós podemos recorrer á afirmação de Mao: “É certo rebelarmo-nos contra os reaccionários.” No entanto, esta não é de todo a resposta adequada para compreendermos aquilo que o Marxismo-Leninismo realmente é: o Marxismo-Leninismo é a ideologia vitoriosa do proletariado mundial, é o guia para a revolução socialista mundial, é a arma revolucionária nas mãos do exército invencível dos verdadeiros comunistas que guiam o proletariado e todos os oprimidos em direcção á destruição do mundo capitalista e á criação de um novo mundo socialista. O Marxismo-Leninismo é constituído pelos ensinamentos dos 5 Clássicos do Marxismo-leninismo: Marx, Engels, Lenine, Estaline e Enver Hoxha.


  1. Bob Avakian diz: “A regra de ouro segundo a qual nós Maoistas vivemos é “servir o povo.” Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, dizemos antes: A regra de ouro do Marxismo-Leninismo é servir a classe do proletariado mundial. A política das massas deve ser guiada pelo proletariado mundial e pela Internacional Comunista (Estalinista-Hoxhaista), tudo o mais é anarquismo, revisionismo – e não Marxismo-Leninismo.


  1. Bob Avakian defende o sistema social-fascista Chinês que foi criado por Mao.


  1. Bob Avakian defende a “Teoria dos Três Mundos”.


  1. Bob Avakian elogia a China de Mao, afirmando que ela impediu a restauração capitalista. No entanto, a verdade é que a China nunca foi socialista, e por isso a restauração capitalista – como sucedeu na União Soviética e na Albânia – nunca poderia ter sido “impedida” na China. Bob Avakian defende Mao contra Deng Xiaoping, mas foi o próprio Mao que o reabilitou! Bob Avakian fala acerca do “socialismo” de Mao, mas a verdade é que o “Pensamento Mao Zedong” tem sido a base do desenvolvimento revisionista-capitalista da China.


  1. Bob Avakian chama ao Marxismo-Leninismo-Maoismo a ideologia do proletariado internacional. Ele realça a palavra “hoje” que significa que Mao teria desenvolvido o Marxismo-Leninismo, elevando-o de “ideologia Europeia” a internacional. O Marxismo-Leninismo foi sempre a ideologia do proletariado mundial, enquanto que o Maoismo é a ideologia da burguesia mundial.


  1. Bob Avakian diz: “É necessário unirmo-nos com a pequena-burguesia negra e, tanto quanto possível, com a burguesia negra também.” – esta afirmação dispensa comentários, ela fala por si própria.


  1. Bob Avakian diz: “Mao desenvolveu e aplicou o ponto de vista comunista tanto na teoria como na prática que provinha da experiência de outros países.” Isto não é verdade. Pelo contrário: Mao nunca desenvolveu nem aplicou o ponto de vista comunista. Ele negligenciou a experiência da União Soviética de Lenine e de Estaline, e substituiu estas experiências Marxistas-Leninistas pelo revisionismo.


O carácter social-fascista e ultra-revisionista das “teorias” de Bob Avakian é tão óbvio que ele é desacreditado até mesmo entre os Maoistas:


(…) nós precisamos de criticar as compreensões incorrectas da nova síntese de Avakian. Mas isto é só o começo. Este é um processo que vamos aprofundar com o tempo. Em suma: o actual caminho e método do PCR não resultam nem vão resultar. A sua estratégia está em desacorde com as lições da sua própria prática (…)


Foi algo prometedor em finais dos anos 80, quando o PCR levantou a importância de “agir a partir de dentro”. E no entanto, o método geral do partido destruiu todo esse processo. O trabalho do partido tem sido uma história de “retiradas” – aproximando-se constantemente do povo “ a partir de fora”, como se as pessoas fossem algum território inexplorado. De todas as vezes, o partido retrocederia sem ter criado verdadeiras redes ou raízes, só para se lançar noutra direcção com novas esperanças e esquemas.” (Mike Ely - mikeely.wordpress.com., Nine Letters To Our Comrades, Dezembro de 2007, edição em Inglês)


É claro que os Maoistas que “criticam” Avakian só têm medo que as suas ideias abertamente reformistas revelem os verdadeiros propósitos anti-socialistas do Maoismo em frente dos olhos das classes trabalhadoras.


De qualquer forma, o carácter pró-capitalista do P “CR” EUA tem sido denunciado pelos autênticos Marxistas-Leninistas desde há muitos anos:


A verdade é que o revisionismo Chinês, que corroeu o Partido Comunista da China a partir de dentro, tinha sido promovido, financiado e elogiado pelas quadrilhas presentes em todas as correntes oportunistas do movimento de “esquerda” Americano. Elas tentaram subverter o poderoso movimento contra o revisionismo moderno, fazendo-o apoiar as ambições do revisionismo Chinês de esmagar o resto do movimento. Com este fim, ele usou o neo-revisionismo com a sua agência especial, em particular a “Klonskyite October League”, que agora se chama “Partido Comunista (Marxista-Leninista); a União Revolucionária, que agora se chama “Partido Comunista Revolucionário dos EUA”; e um conjunto de outros imitadores e competidores.” (Documentos do Movimento Mundial Marxista-Leninista do camarada Enver Hoxha, U.S. Neo-Revisionism as the American Expression of the International Opportunist Trend of Chinese Revisionism, Organização Central dos Marxistas-Leninistas Americanos, 1979, edição em Inglês)


Mas vamos regressar á análise do documento conjunto “Princípios Fundamentais para atingir a unidade dos Marxistas-Leninistas e da linha ideológica do Movimento Comunista Internacional”. Neste documento, encontramos uma compilação das calúnias enganosas inventadas pelos Maoistas para desacreditar a ideologia a experiência Hoxhaista.


Uma das primeiras coisas que notamos quando observamos o documento é a defesa desavergonhada do revisionismo Maoista. De facto, o slogan “Viva o Marxismo-Leninismo-Maoismo” está escrito em quase todas as páginas do documento, tornado óbvio o facto de tanto o P “CR” C como o P “CR”EUA são partidos anti-socialistas completamente submergidos no reaccionarismo Maoista.


Mas – como já tínhamos afirmado – o aspecto mais relevante do documento em questão são os falsos ataques lançados contra o camarada Enver e o PLA. Os Maoistas Chilenos e Americanos afirmam que:


O PTA e os seus líderes renderam-se ao revisionismo. Depois do golpe de estado contra-revolucionário na China, eles atraíram alguns revolucionários porque eles se opunham á clique de Deng Xiaoping (…). No entanto, (…) os líderes do PTA adoptaram posições Trotskistas acerca de muitas questões, (…) excluindo a guerra popular como forma de luta revolucionária, etc.…” (Partido Comunista Revolucionário do Chile e Partido Comunista Revolucionário dos EUA, Principios Fundamentales para la Unidad de los Marxistas-Leninistas y para la Línea del Movimiento Comunista Internacional, 1980, traduzido da língua Espanhola)


Em primeiro lugar, devemos perceber que quando os Maoistas dizem que o PTA “se rendeu ao revisionismo” isto significa apenas uma coisa: que o PTA denunciou a natureza burguesa-capitalista do Maoismo. Segundo os Maoistas, o facto de que o PTA desmascarou o Maoismo e expôs o seu carácter social-fascista é sinónimo de “se tornar revisionista”. Isto não é nada de surpreendente. Até á ruptura Sino-Albanesa e ao subsequente desmascaramento do revisionismo Chinês em geral, e do Maoismo em particular, os Maoistas posavam como “Marxistas fiéis” e como “defensores da verdadeira linha comunista”. Mas depois destes acontecimentos, eles foram completamente desmascarados. Os Marxistas-Leninistas Albaneses, os apoiantes mais leais da linha Estalinista, tinham finalmente compreendido o propósito do Maoismo. Por isso, os Maoistas precisavam desesperadamente de fabricar uma táctica para desacreditar as correctas posições do PTA perante as massas oprimidas. Para conseguirem isto, os Maoistas começaram a qualificar o PTA e o camarada Enver como “revisionistas” pela simples razão de eles terem denunciado o Maoismo. Eles até se atrevem a chamar o camarada Enver de “Trotskista” porque ele estaria contra as “guerras populares”. Mas isto não é verdade. O camarada Enver sempre defendeu que os povos oprimidos se devem libertar tanto dos opressores internos como dos externos através da força armada. No entanto, o camarada Enver não tinha ilusões relativamente á verdadeira natureza das “guerras populares” dos Maoistas (como as do Peru ou do Nepal, por exemplo). Enver sabia muito bem que as “guerras populares” dos Maoistas negam os princípios Marxistas-Leninistas mais básicos (como o da hegemonia do proletariado). Ele também sabia que se as organizações Maoistas que lideravam essas “guerras populares” atingissem o poder, isso não seria uma vitória para o socialismo devido ao carácter burguês da ideologia Maoista. Como nós, Estalinistas-Hoxhaistas, claramente compreendemos:


Mao Zedong deu especial importância á política e á táctica militar. No entanto, as armas por si mesmas não são prova da existência de uma “guerra popular” revolucionáriacomo foi proclamado por muitas organizações Maoistas de todo o mundo. Isto parece muito “revolucionário”, mas é realmente verdade? Lenine sempre proclamou a hegemonia do proletariado como sendo a única classe revolucionária para liderar a luta armada – e isto diz respeito á estratégia e á táctica da luta popular revolucionária. A teoria da guerra popular é uma teoria de Lenine. O “Pensamento Mao Zedong” (“cerquem e conquistem a cidade a partir do campo” – revolução proletária em palavras, mas revolução camponesa nos actos!) é contrário á teoria dialéctica de Lenine acerca da revolução proletária (o campesinato como o seu aliado mais importante na revolução proletária). (Documentos do Comintern (Estalinista-Hoxhaista), Neo-revisionism or Leninism?, 2004, traduzido a partir da edição em Inglês)


Consequentemente, nós vemos que – uma vez mais – a verdadeira razão por detrás da qualificação de Enver como “trotskista” pelos Maoistas consiste na sua corajosa denúncia do social-fascismo Maoista. Os Maoistas tentam retratar os verdadeiros revolucionários como “revisionistas” e como “trotskistas” de forma a esconder os seus próprios propósitos pró-capitalistas.


Os partidos revisionistas, os lacaios dos revisionistas Soviéticos, também acusaram o camarada Enver Hoxha e o PTA de serem “trotskistas” com o “argumento” de que os Albaneses teriam danificado a unidade do Movimento Comunista Mundial. Os Maoistas de hoje usam as mesmas mentiras que os revisionistas Soviéticos e os seus lacaios usaram contra o camarada Enver Hoxha e o PTA – nomeadamente que os Albaneses teriam desunido o Movimento Comunista Mundial. Na realidade, o camarada Enver defendeu o Marxismo-Leninismo e o Movimento Comunista Mundial de forma corajosa contra os revisionistas Soviéticos e contra os revisionistas Chineses que são os verdadeiros inimigos do Marxismo-Leninismo e do Movimento Comunista Mundial!


Defender o Marxismo-Leninismo e o Movimento Comunista Mundial contra o Maoismo não é algo “trotskista” mas sim Hoxhaista. O Hoxhaismo é a arma invencível na guerra contra o Maoismo.


E os Maoistas Americanos e Chilenos continuam com a sua febre anti-comunista:


Enver Hoxha apaga as diferenças que existem entre os vários tipos de países – os coloniais e dependentes, por um lado, e os imperialistas, por outro – e as diferenças que existem entre os dois tipos diferentes de revolução: a revolução democrática anti-imperialista e a revolução socialista. (…) isto só pode conduzir a graves erros porque nos países coloniais e semi-coloniais a revolução tem (…) um carácter democrático, enquanto que nos países imperialistas ela tem de ser proletária e socialista.” (Partido Comunista Revolucionário do Chile e Partido Comunista Revolucionário dos EUA, Principios Fundamentales para la Unidad de los Marxistas-Leninistas y para la Línea del Movimiento Comunista Internacional, 1980, traduzido da língua Espanhola)


Esta citação é muito interessante porque a secção “esquerdista” do Movimento Maoista tenta apresentar a “teoria dos três mundos” como uma invenção daquilo que eles chamam “revisionistas Chineses” (os continuadores ideológicos de Mao). Para além do facto de que isto é uma mentira total – a “teoria dos três mundos” tem sido usada pelo governo burguês Chinês desde 1971 e foi explicitamente aprovada pelo próprio Mao – é incrível observar que também a secção “esquerdista” e “ortodoxa” do movimento Maoista assume a sua aderência á ultra-reaccionária “teoria dos três mundos”. De facto, quando eles acusam o camarada Enver de apagar as “diferenças que existem entre os vários tipos de países – os coloniais e dependentes, por um lado, e os imperialistas por outro”, eles estão a negar o princípio Leninista que ensina que o mundo está dividido apenas em dois: o mundo capitalista e o mundo socialista. O camarada Enver sempre foi um firme defensor deste ensinamento Leninista e é por isso que os Maoistas o criticam (é claro que há contradições entre os países capitalistas, mas isto não justifica a sua divisão em duas categorias separadas. Países como o Zaire ou a Nigéria são semi-coloniais e dependentes, enquanto que países comos EUA são imperialistas. No entanto, isto não invalida o facto de que são todos países capitalistas).


No que respeita aos argumentos dos Maoistas de que Enver supostamente “apagou as diferenças que existem entre os dois tipos de revolução: a revolução democrática imperialista e a revolução socialista”, esta acusação falsa não procede. O camarada Enver compreendeu muito bem que uma revolução democrática e burguesa é algo diferente de uma revolução socialista, como pode ser provado através de uma citação do seu livro “O Imperialismo e a Revolução”:


Os partidos Marxista-Leninistas têm como objetivo derrubar o sistema capitalista e fazer triunfar o socialismo, mas quando tarefas de caráter democrático e antiimperialista colocam-se diante da revolução em se países eles visam desenvolve-la ininterruptamente elevá-la à revolução socialista, fazê-la passar o quanto antes à solução das tarefas socialistas.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


Os Maoistas insinuam que o camarada Enver confundiu os dois tipos de revoluções mas isto não é verdade. O que realmente aborrece os Maoistas é que - contrariamente a Mao – o camarada Enver sempre defendeu que as revoluções democráticas/anti-imperialistas não podem permanecer paradas, elas têm de ser transformadas em revoluções socialistas:


Mao Tsetung nunca pôde compreender e explicar corretamente os estreitos vínculos existentes entre a revolução democrático-burguesa e a revolução proletária. Contrariamente à teoria Marxista-Leninista, que demonstrou cientificamente que não existe uma muralha da China entre a revolução democrático-burguesa e a revolução socialista, que uma não deve separar-se da outra por um longo período, Mao Tsetung afirmava que a transformação de nossa revolução em revolução socialista é uma questão para o futuro... A questão de saber quando se verificará tal passagem... exige um período bastante longo. Enquanto todas as condições necessárias políticas e econômicas, não estiverem maduras, enquanto essa transformação não deixar de ser prejudicial e passar a ser benéfica à grande maioria do povo de todo o país, não devemos divagar muito sobre ela». (Mao Tsetung, Obras Escolhidas, ed. albanesa, vol. 1, pg. 210).

Essa concepção anti-Marxista, contrária à transformação da revolução democrático-burguesa em revolução socialista, norteou Mao Tsetung durante todo o período da revolução, inclusive após a libertação.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


As posições de Enver são correcta e Marxista-Leninista. Pelo contrário, as posições de Mao são revisionistas e pró-capitalistas:


Mao Zedong não era capaz de diferenciar e de combinar a revolução democrático-burguesa com a revolução proletária porque ele não compreendia a coerência que Lenine demonstrou magistralmente na teoria e na prática. Foi por esta razão que Mao Zedong não foi capaz de liderar um revolução proletária.” (Documentos do Comintern (Estalinista-Hoxhaista), Neo-revisionism or Leninism?, 2004, traduzido a partir da edição em Inglês)


Com o pretexto de “não saltar etapas” e da “necessidade de distinguir entre a revolução democrática/anti-imperialista e a revolução socialista”, os Maoistas paralisam o movimento revolucionário, eles impedem a transformação da revolução democrática/anti-imperialista numa revolução socialista ao adiarem-na eternamente, permitindo assim o livre desenvolvimento das relações e elementos burgueses e capitalistas. De maneira a disfarçar esta posição ultra-reaccionária, os Maoistas fazem algumas afirmações vazias acerca do carácter “proletário e socialista” da revolução nos países imperialistas, mas é tudo conversa fiada. A verdade é que a ideologia Maoista está concebida para evitar a vinda do socialismo. Não é por acaso que nos, Estalinistas-Hoxhaistas, dizemos que o Maoismo é uma ideologia burguesa e pró-capitalista. O objectivo dos Maoistas é realmente preservar o capitalismo e o imperialismo sob falsas máscaras “socialistas”.


E há mais:


Os líderes Albaneses (…) afirmam que o proletariado da Europa Ocidental tem de “defender a independência e a soberania dos seus países” e (…) eles pensam que esta luta deve ser dirigida contra o imperialismo Americano e não contra a URSS (…). Aqui, o PTA adopta uma posição errónea proposta por Estaline depois da Segunda Guerra Mundial: de que os burgueses nos países imperialistas tinham rejeitado a bandeira da independência e da soberania e que – perante isto – era dever dos partidos comunistas erguerem esta bandeira (...).” (Partido Comunista Revolucionário do Chile e Partido Comunista Revolucionário dos EUA, Principios Fundamentales para la Unidad de los Marxistas-Leninistas y para la Línea del Movimiento Comunista Internacional, 1980, traduzido da língua Espanhola)


Em primeiro lugar, é mentira afirmar que os Marxistas-Leninistas Albaneses apenas defenderam a luta contra o imperialismo Americano enquanto negligenciam a luta contra o social-imperialismo Soviético. O camarada Enver compreendeu claramente que era necessário combater ambas as superpotências e nunca negligenciou o perigo representado pelo imperialismo revisionista Soviético:


Brezhnev foi e regressou dos EUA. As suas conversas com Nixon foram cordiais e espectaculares. (…) Como presente, Brezhnev levou a Nixon a riqueza da União Soviética, a terra, a liberdade política, a soberania e o prestígio da União Soviética em troca de alguns dólares. (…) E qual foi a razão para este para esta humilhação escandalosa? Conseguir dólares sangrentos para comprar tecnologia Americana avançada e encontrar mercados para vender a riqueza do povo Soviético aos multimilionários Americanos. (…) “os políticos espertos mas silenciosos” posam como se entendessem tudo e não perdem uma oportunidade de dizer: Os revisionistas Soviéticos são mais perigosos do que os imperialistas Americanos”. Para quê discutir quais são mais perigosos quando ambos são inimigos igualmente brutais dos povos, da sua liberdade, independência e soberania?!” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês)



O revisionismo Soviético foi sempre e continua a ser a corrente mais perigosa do revisionismo moderno. (…) ela retém o seu disfarce socialista e fraseologia Leninista ao mesmo tempo que mantém uma política externa imperialista agressiva. É um revisionismo que conquistou o poder num estado que é uma grande potência e possui amplos meios e possibilidades de exercer a sua influência no mundo, de operar em muitas direcções e em grande escala.” (Enver Hoxha, Report to the VIII Congress of the PLA, Novembro de 1981, edição em Inglês)


Pelo contrário, Mao apoiava abertamente uma política de capitulações e de alianças com o imperialismo Americano precisamente sob o pretexto de “lutar contra o social-imperialismo Soviético”. Ele nunca adoptou as correctas posições revolucionárias do camarada Enver, que lutou tanto contra o imperialismo Americano como contra o social-imperialismo Soviético.


E os Maoistas também acusam o PTA de “dogmatismo” porque seguiu o que eles chamavam de “posições erróneas de Estaline” (enquanto revisionistas, os Maoistas não perdem uma única oportunidade de caluniar o camarada Estaline) relativamente á questão da independência e da soberania nacional. Na verdade, as posições do camarada Estaline são correctas. Após a Segunda Guerra mundial, o imperialismo Americano invadiu as nações da Europa Ocidental através de “ajudas” e de “créditos” cujo objectivo era evitar a implementação da ditadura proletária naqueles países. Assim, quando se diz que os partidos comunistas e os proletários da Europa Ocidental devem erguer a bandeira da independência e soberania nacional, o camarada Estaline queria afirmar que esses partidos comunistas e proletários devem lutar pelo socialismo, porque o estabelecimento de uma sociedade socialista é a única maneira de garantir a verdadeira independência e soberania contra todos os tipos de imperialismo (temos de recordar que o camarada Estaline afirmou isto durante a primeira fase do socialismo, durante a época do socialismo “num só país”).


Seguindo esta linha, também os Marxistas-Leninistas Albaneses sabiam que o socialismo é a única maneira de lutar efectivamente pela independência e soberania genuína:


(…) Lenine nos ensina que a revolução deve ser levada até o fim, liquidando a burguesia e seu poder. Unicamente sobre essa base pode-se falar em liberdade, independência e soberania verdadeiras.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


Assim, as acusações dos Maoistas de que os Marxistas-Leninistas Albaneses tinham “defendido os graves erros de Estaline” são totalmente falsas. Nem o camarada Estaline nem o camarada Enver cometeram erros. De facto, os Maoistas social-fascistas são aqueles que devem ser duramente condenados porque eles negam que o socialismo evite a inevitabilidade do imperialismo.


Continuando:


Os líderes Albaneses têm uma tendência para negligenciar a rivalidade que existe entre os EUA e a União Soviética, negligenciado assim o perigo de uma guerra mundial. (…). No seu livro “O Imperialismo e a Revolução”, Enver Hoxha até afirma que o perigo de um conflito armado com a União Soviética é agora menos intenso.” (Partido Comunista Revolucionário do Chile e Partido Comunista Revolucionário dos EUA, Principios Fundamentales para la Unidad de los Marxistas-Leninistas y para la Línea del Movimiento Comunista Internacional, 1980, traduzido da língua Espanhola)


Relativamente a esta frase, devemos notar que os Maoistas Chilenos e Americanos que escreveram o documento usaram o livro de Enver “O Imperialismo e a Revolução” para alegadamente “provarem” as suas afirmações caluniosas. No entanto, nós pesquisámos o mencionado livro e não conseguimos encontrar uma única ocasião em que o camarada Enver negue ou minimize o perigo de uma nova guerra mundial. Pelo contrário, Enver afirma que:


O imperialismo norte-americano procura cravar cada vez mais fundo suas garras na economia dos demais povos enquanto o social-imperialismo soviético, que vem de mostrar as unhas, procura fincá-las nos diversos países para criar e para fortalecer também ele suas posições neocolonialistas e imperialistas. Mas existe também a «Europa Unida», ligada por meio da OTAN aos Estados Unidos, que tem tendências imperialistas, não globais, mas ao nível de alguns de seus membros. Por outro lado, entraram na dança a China, que procura transformar-se em superpotência, e o militarismo japonês, que se levantou. Esses dois imperialismos vêm se aliando entre si para formar uma potência imperialista em oposição às demais. Nestas condições, aumenta o já grande perigo de uma guerra mundial.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


Perante isto, vemos que os Maoistas não hesitam em mentir directamente, afirmando que o camarada Enver defendia uma certa posição quando na verdade ele defendia a posição oposta. Eles também se atrevem a acusar os Marxistas-Leninistas Albaneses de “fazerem uma análise errónea acerca das origens e do carácter do revisionismo”, afirmando isto com o intuito de desacreditar o Hoxhaismo, porque esta é a única ideologia capaz de destruir as suas falsidades e as suas calúnias e de conduzir o proletariado mundial em direcção ao socialismo e ao comunismo.


E hoje devemos falar acerca da superpotência Chinesa que é uma ameaça perigosa e que luta violentamente pela hegemonia imperialista mundial. Isto significa que aquelas forças Maoistas que negligenciam, que ignoram este facto e que o silenciam estão objectivamente do lado dos imperialistas, não importa se eles neguem isto ou não. Assim, as acusações lançadas sobre o camarada Enver viraram-se para os próprios Maoistas. Em palavras, os Maoistas são contra as guerras imperialistas, mas nos actos eles apoiam-nas. A superpotência imperialista Chinesa manipulou os ensinamentos do Marxismo-Leninismo acerca da inevitabilidade das guerras imperialistas. A questão da sua inevitabilidade foi absolutizada e deformada com o propósito de favorecer as suas intenções militares. Ao longo da história, os povos não ficaram especados perante a guerra como uma “massa passiva”. Eles já mostraram e provaram muitas vezes que são capazes de evitar as guerras. No entanto, os social-imperialistas Chineses ignoram o movimento de paz activo dos povos e paralisam a sua potência revolucionária com o objectivo de poderem lançar livremente a sua guerra imperialista. Negligenciar a rivalidade entre o imperialismo Americano e o social-imperialismo Chinês significa negligenciar o perigo de uma guerra mundial.


Ao publicarem este documento anti-Hoxhaista horripilante, os Maoistas Chilenos e Americanos assumem abertamente a sua ideologia anti-Marxista. Mas todas estas falsidades inventadas pelos Maoistas não têm futuro. Longe de terem feito uma “análise errónea acerca do revisionismo”, os Marxistas-Leninistas Albaneses liderados pelo camarada Enver desmascararam todas as correntes revisionistas sem excepção. Um dos maiores méritos do camarada Enver enquanto 5º Clássico do Marxismo-Leninismo foi precisamente ter denunciado o Maoismo como uma sendo uma tendência pró-imperialista e pró-capitalista, ultra-reaccionária e anti-socialista:


Sob a liderança do camarada Enver Hoxha, o mundo capitalista-revisionista não conseguiu esmagar o socialismo Albanês nem varrê-lo da face da terra. A sua luta e ensinamentos resistiram aos ataques de todas as correntes revisionistas de todo o mundo, incluindo a corrente revisionista Maoista. Os ensinamentos do camarada Enver Hoxha são assim a garantia da protecção e do desenvolvimento do Marxismo-Leninismo de hoje. Os ensinamentos de Enver Hoxha são os ensinamentos do Marxismo-Leninismo de hoje.” (Documentos do Comintern (Estalinista-Hoxhaista), Neo-revisionism or Leninism?, 2004, traduzido a partir da edição em Inglês)


É por esta razão que os Maoistas insistem em qualificar as análises de Enver como “erróneas”.











3 – Continente Europeu



Relativamente ao continente Europeu, devemos dizer que este é um continente cujo proletariado está bastante influenciado pelo Maoismo. A Europa foi, durante muitos anos, o principal epicentro da ideologia comunista e da consciência proletária. De facto, o Marxismo nasceu na Europa e também a Grande Revolução Socialista de Outubro de 1927 começou na parte Europeia da Rússia. E como poderíamos nós esquecer a Albânia do camarada Enver, esse país europeu que provou que o socialismo não é apenas uma mera possibilidade, mas sim uma verdadeira necessidade histórica inevitável? Antigamente, a Europa era considerada - juntamente com a América do Norte – como o centro da revolução socialista. Hoje em dia, isto já não é verdade, mas apesar disto os trabalhadores Europeus continuam a ter um papel muito importante a desempenhar na revolução socialista mundial. Por causa disto, a burguesia mundial em geral, e a burguesia Europeia em particular usam o Maoismo como instrumento para enganar os proletários Europeus. Esta situação foi especialmente evidente durante a segunda metade do século XX, quando números imensos de revolucionários europeus foram seduzidos pelo Maoismo, especialmente após a traição Khrushchevista, quando Mao se tentou apresentar como “o mais fiel defensor do Marxismo-Leninismo”. Estas influências Maoistas nocivas sentiram-se particularmente entre os jovens trabalhadores Europeus que acreditaram nas mentiras de Mao. Um dos exemplos mais notórios disto foi a famosa “revolução” de Maio de 68 que atingiu dimensões relevantes em muitos países europeus. Esta “revolução” era burguesa e anti-socialista até aos ossos e foi encorajada pela burguesia “liberal” com o propósito de direccionar os sofrimentos dos jovens estudantes para bodes expiatórios convenientes de forma a evitar que eles adquirissem uma consciência verdadeiramente Marxista-Leninista-Estalinista. É claro que o Maoismo foi algo essencial na concretização dos planos da burguesia. A sua fraseologia “esquerdista” contribuiu muito para enganar os jovens estudantes, porque por detrás dos seus slogans “radicais”, a verdade é que o objectivo do Maoismo é estabelecer um capitalismo “civilizado” e livre de todas as formas de luta de classes. De facto, não foi por acaso que a “revolução” de Maio de 1968 foi maioritariamente conduzida por estudantes. A “Revolução” de Maio de 68 não foi mais do que uma cópia europeia da “Grande Revolução Cultural” Maoista e os propósitos de ambas são exactamente os mesmos: perpetuar o capitalismo através da alienação da atenção das massas em benefício das classes exploradoras. E a prova irrefutável necessária para demonstrar o carácter social-burguês destas “revoluções” foi o facto de que em nenhuma delas o proletariado e o seu partido desempenharam um papel relevante – uma situação que está em total oposição aos ensinamentos dos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo. E mesmo a maneira como a “Revolução” de Maio de 68 foi organizada mostra as suas tendências pró-capitalistas: depois de muito barulho, a “revolução” terminou com a burguesia a fazer algumas “concessões” aos “estudantes revolucionários”. Estas “concessões” não puseram minimamente em causa a exploração capitalista – muito pelo contrário, permitiram que a burguesia aumentasse a opressão de classe devido á ocultação da natureza de classe do estado capitalista através da garantia daquelas “concessões”.

A “Revolução” de Maio de 68 foi apenas um entre muitos exemplos de como a influência Maoista constitui um sério obstáculo ao avanço do socialismo na Europa. Actualmente, existem partidos e organizações Maoistas em quase todos os países Europeus, e isto revela o quanto o social-fascismo Maoista está disseminado entre as fileiras do proletariado Europeu. Esta situação é particularmente grave na Europa do Sul, onde a pobreza, o desemprego e as medidas de austeridade impostas pela União Europeia imperialista atraíram muitos trabalhadores para o Maoismo devido á sua aparência “revolucionária”. Mas as teorias social-burguesas Maoistas são também um obstáculo sério ao avanço da revolução socialista nos países da Europa Central e do Norte. Até na Noruega existe o Partido Comunista dos Trabalhadores (Marxista-Leninista) da Noruega – PCT (“ML”) – que é tão revisionista como qualquer outra organização Maoista. No final dos anos 70, os líderes neo-revisionistas do PCT (“ML”) enviaram uma carta ao PTA afirmando ridiculamente que estavam chocados com o desmascaramento do Maoismo feito pelos genuínos Marxistas-Leninistas. Nessa carta, eles reafirmaram uma vez mais o seu apoio á “teoria dos três mundos” fascista:


Nós discordamos das críticas feitas á teoria dos três mundos. O programa do PCT (ML) de 1976 e a nossa resolução acerca do social-imperialismo em 1974 tornam claro que apoiamos a teoria de Mao Zedong de que o mundo actual está dividido em três: as superpotências, os países imperialistas de pequena e média dimensão e o terceiro mundo. Estas são as condições objectivas do mundo de hoje e não existem tácticas correctas para a revolução que não sejam fundadas nesta análise.” (“Luta de classes” – Boletim Internacional do PCT (ML) da Noruega, No. 12, Letter from the AKP (ML) to the Central Committee of the Party of Labor of Albania, Outubro de 1978, edição em Inglês)


Em resposta, o Movimento Mundial Marxista-Leninista do camarada Enver Hoxha realçou que:


Hoje a teoria dos “três mundos” tornou-se objecto de gozo e de ódio em todo o mundo. Esta “teoria” não é mais do que uma posição vendida e social-chauvinista, uma amálgama de velhas teses revisionistas. Ela é desprezada e condenada pelos partidos e organizações Marxistas-Leninistas de todo o mundo. (…) O recente estabelecimento de relações diplomáticas entre os EUA e a China e a viagem de Deng Xiaoping aos EUA forneceram outra prova da bancarrota da “teoria dos três mundos”. Estes acontecimentos foram uma nova etapa da aliança belicista entre os EUA e a China. Hoje aqueles que não vêem a natureza contra-revolucionária e revisionista da teoria dos “três mundos” são cegos. (…)


Assim, os Marxistas-Leninistas encaram a luta contra a “teoria dos três mundos” e contra o revisionismo Chinês como sendo algumas das suas tarefas principais. São parte essencial da luta contra o revisionismo moderno e o social-imperialismo. (…)


A teoria dos “três mundos”não é apenas uma “linha internacional” errónea, nem o revisionismo Chinês é uma mera questão de políticas relacionadas com a degeneração interna da China. Não, em primeiro lugar, a “teoria dos três mundos” é todo um sistema de posições oportunistas e revisionistas. Ela consiste na colaboração com a burguesia.” (Documentos do Movimento Mundial Marxista-Leninista do camarada Enver Hoxha, U.S. Neo-Revisionism as the American Expression of the International Opportunist Trend of Chinese Revisionism, Organização Central dos Marxistas-Leninistas Americanos, 1979, edição em Inglês)


Emergiu um novo tipo de revisionismo – a traiçoeira “teoria dos três mundos”, que é um ataque contra o Marxismo-Leninismo e contra a Internacional Comunista (…). Os verdadeiros partidos Marxistas-Leninistas devem encarara a contra-revolucionária “teoria dos três mundos” como sendo uma expressão do revisionismo moderno. (…) O conceito de “três mundos” é apresentado como sendo uma “importante contribuição para o Marxismo-Leninismo” e uma nova “estratégia global”, mas na verdade não é mais do que um ataque geral contra o Marxismo-Leninismo cujo propósito cujo propósito é prejudicar a causa da revolução e do socialismo. Assim, esta variante do revisionismo moderno deve ser firmemente combatida. (…) Apesar da sabotagem dos revisionistas, o proletariado e os povos oprimidos vão sem dúvida conseguir atingir a vitória socialista e a revolução mundial vai triunfar sobre o imperialismo mundial.” (“Der Weg der Partei” – órgao teórico do KPD/ML, Die "neue Weltstrategie" der Führung der KP Chinas - eine Strategie des Revisionismus, 1978, traduzido da língua Alemã)


Além disto, os neo-revisionistas do PCT („ML“) também declaram que:


Nas conversações com os representantes do PCT (ML), Ramiz Alia disse explicitamente que o PLA não considera Mao Zedong como um clássico Marxista-Leninista a par de Marx, Engels, Lenine e Estaline. Pensamos que isto é um erro, que é uma subestimação de Mao Zedong. Do ponto de vista do PCT (ML), Mao não é apenas um clássico Marxista-Leninista, mas é mesmo uma dos maiores.” (“Luta de classes” – Boletim Internacional do PCT (ML) da Noruega, No. 12, Letter from the AKP (ML) to the Central Committee of the Party of Labor of Albania, Outubro de 1978, edição em Inglês)


Aqui podemos constatar que contra todas as evidências, os Maoistas Noruegueses continuam a qualificar o social-burguês Mao como um “Clássico do Marxismo-Leninismo”.


E há muitos mais partidos Maoistas na Europa que são tão reaccionários como o PCT (“ML”). Por isso, vamos tentar desmascarar alguns destes partidos Maoistas Europeus que tanto prejudicam a nobre causa do comunismo não apenas na Europa mas também no resto do mundo.






3.1 – Partido Comunista da Grã-Bretanha (Marxista-Leninista)



O Partido “Comunista” da Grã-Bretanha (“ML”) é um daqueles raros partidos Maoistas que ainda considera a actual China como um país socialista. Este tipo de partidos Maoistas é cada vez mais raro e é fácil compreender porquê: hoje em dia, o carácter predatório e as acções do estado imperialista Chinês são completamente óbvios e explícitos. A aparência “progressista” que o social-fascismo Chinês tinha durante a época de Mao (quando o poder da burguesia nacional Chinesa ainda não estava totalmente consolidado e precisava por isso de slogans “comunistas” de forma a enganar as massas trabalhadoras Chinesas) começou a desaparecer quando Deng Xiaoping tomou o poder. Actualmente, a China é uma ditadura fascista que reprime os trabalhadores Chineses ultra-explorados em benefício dos lucros da burguesia monopolista Chinesa. Perante isto, a maioria dos partidos Maoistas tenta traçar uma linha de demarcação entre a China de Mao (que seria alegadamente “Marxista-Leninista”) e a China pós-Mao (que é reaccionária e capitalista). Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, sabemos muito bem que não há diferença entre Mao e os seus sucessores. A clique pró-capitalista de Deng Xiaoping foi a continuação lógica e necessária da clique pró-capitalista de Mao:


Mao Zedong não podia nem queria levar a peito os princípios e os parâmetros de um partido Bolchevique. Isto também diz respeito á forma como ele lidou com os seus sucessores. Foi ele próprio que decidiu que após a sua morte, Liu Schao, Deng Hsiao – ping, Lin Piao e Hua Kuo – feng seriam presidentes do partido - e isto após todas as traições e crimes revisionistas por eles cometidos! (…)


Na nossa opinião, nao há diferença entre o revisionismo Chinês antes e depois da morte de Mao Zedong. O desenvolvimento do social-imperialismo e do social-fascismo Chinês é a consequência lógica do “Pensamento Mao Zedong” revisionista.” (Documentos do Comintern (Estalinista-Hoxhaista), Neo-revisionism or Leninism?, 2004, traduzido a partir da edição em Inglês)


No entanto, quase todos os partidos Maoistas tentam fazer esta diferenciação de maneira a iludirem os proletários, fazendo-os acreditar que Mao era um verdadeiro comunista que teria sido “traído” após a sua morte. Neste sentido, os Maoistas Britânicos estão entre os Maoistas mais sinceros, porque pelo menos eles assumem claramente o seu apoio pelo social-imperialismo e pelo social-fascismo Chinês:


Em nome do Comité Central do Partido Comunista da Grã-bretanha (Marxista-Leninista) (PCGBML), e de todos os membros e apoiantes do nosso partido, gostaríamos de saudar fraternalmente o17º congresso nacional do Partido Comunista da China. (…)


O camarada Hu Jintao realçou o facto de que nenhum dos recentes desenvolvimentos da China teria sido possível sem os fundamentos construídos por Mao Zedong e pelos seus camaradas.


Ele disse que o partido “não deve esquecer nunca” que o seu trabalho durante o último período foi “conduzido sobre os alicerces construídos pela primeira geração do partido com o camarada Mao Zedong á cabeça, e que fundou o Pensamento Mao Zedong, (…) e concretizou grandes coisas na nossa revolução socialista (…)


(…) a China antiga, que era desprezada como sendo uma sociedade semi-feudal e semi-colonial, ergueu-se como uma potência digna á qual nenhum imperialista se atreve a dar ordens. (…)


Devemos seguir os passos do congresso com atenção e aproveitar a oportunidade para afirmar a nossa solidariedade militante com o Partido Comunista e com o povo da China na nossa luta para desenvolver a China de forma a que se torne numa sociedade socialista forte e próspera que faça a sua contribuição para o objectivo comunista da emancipação da humanidade.” (http://www.cpgb-ml.org/index.php?secName=proletarian&subName=display&art=349, Proletarian issue nº 21, Dezembro de 2007, edição em Inglês)


Estas palavras escritas pelos Maoistas Britânicos por ocasião do 17º Congresso do P “C”C podem soar incrivelmente reaccionárias, mas os leitores que tiverem dúvidas acerca da nossa sinceridade podem facilmente consultar o site oficial do PCGB “ML” e lê-las com os seus próprios olhos. De facto, os esforços dos Maoistas Britânicos para defenderem o social-fascismo Chinês são tão intensos que até são reconhecidos pelos líderes do P “C”C, que enviam frequentemente os seus representantes aos congressos e encontros do PCGB “ML”:


(…) as delegações da embaixada Chinesa frequentaram encontros do PCGBML (…).” (Wikipedia, Communist Party of Great-Britain (Marxist-Leninist), traduzido da versão em Inglês)


Assim, os Maoistas Britânicos estão perfeitamente integrados nos esquemas perversos dos líderes pró-capitalistas Chineses. E a China social-imperialista está longe de ser o único estado revisionista elogiado pelos Maoistas Britânicos. No seu site oficial, podemos encontrar referências elogiosas a todos os regimes social-fascistas existentes, incluindo á Cuba Castroista, que tem enganado, explorado e reprimido o proletariado Cubano durante mais de 5 décadas:


Invencível, Cuba continua a construir o socialismo. Além disto, Cuba apoia as revoluções que decorrem na China e na Coreia do Norte, tal como apoia a luta conduzida no Zimbabué pelo ZANU-PF e pelo camarada Mugabe. A Cuba socialista vai estar sempre do lado dos anti-imperialistas na sua luta pela libertação, e todos aqueles que dizem apoiar a Cuba socialista devem fazer o mesmo.” (http://www.cpgb-ml.org/index.php?secName=proletarian&subName=display&art=

389&from=results Proletarian issue nº 23, Abril de 2008, edição em Inglês)


Neste artigo, nós já explicámos a defesa que os Maoistas fazem do KimIlSungismo, bem como as ligações que existem entre ambos os revisionismos. Consequentemente, vamos agora focar a nossa atenção nos elogios do PCGB “ML” relativamente á Cuba nepotista e ao Zimbabué racista.

Tal como Mao representava os interesses da burguesia nacional Chinesa que lutava pelo poder contra o domínio dos interesses da burguesia Chinesa de tipo compradore, também Castro representa os interesses da burguesia nacional Cubana lutando contra o domínio total e exclusivo que o imperialismo Americano exercia sobre a ilha. Em muitos sentidos, os propósitos desta secção “radical” da burguesia Cubana liderada por Castro era muito menos ambiciosos do que os da burguesia nacional China liderada por Mao. Enquanto esta última pretendia dominar completamente o estado Chinês e transformá-lo numa superpotência imperialista, a burguesia “progressista” Cubana só queria obter uma melhor posição dentro do mercado capitalista mundial. Apesar disto, o conteúdo ideológico do Maoismo e do Castroismo é fundamentalmente o mesmo: ambos tentam enganar os trabalhadores dos seus respectivos países através do uso de máscaras “socialistas” e “esquerdistas” que escondem a perpetuação do capitalismo e ambos evitaram que o proletariado estabelecesse a sua ditadura e construísse o socialismo nos seus países. E tal como sucede com o Maoismo, também a ideologia Castroista é apresentada pela burguesia mundial como sendo “comunista” e até mesmo “Estalinista”. É claro que a burguesia mundial tem muito interesse em convencer disto os trabalhadores mundiais, porque desta forma eles são mantidos longe da ideologia Estalinista-Hoxhaista autenticamente revolucionária. Além disto, há também uma outra característica importante que é comum tanto ao Maoismo com ao Castroismo: ambos propõem um capitalismo aparentemente “civilizado” e “progressista”. Um analista burguês descreveu uma vez a Cuba Castroista como sendo “uma versão radicalizada do estado providência Escandinavo”. E o mesmo poderia ser dito acerca do falso “socialismo” projectado por Mao. De facto, o objectivo final destas correntes revisionistas é construir um capitalismo “perfeito” sob o qual não haveria luta de classes porque a sua máscara “socialista” estaria tão bem concebida que os trabalhadores acreditariam estar a “avançar em direcção ao comunismo”. A escravatura assalariada e as relações de exploração capitalista esconder-se-iam por detrás de uma alegada “economia planificada” e de um sistema político supostamente dominado pelo partido “comunista”. Os trabalhadores não lutariam mais contra o capitalismo pela simples razão de que aparentemente o capitalismo já teria sido abolido! O aspecto “comunista” deste tipo de sistema atingiria o ponto de inculcar nos proletários a falsa convicção de que estariam a viver numa “sociedade socialista”. Este é sem dúvida o sonho último do revisionismo. Na verdade, a criação de um capitalismo assim não é apenas o propósito do Castroismo/Guevarismo e do Maoismo, mas também da maior parte das outras correntes revisionistas. É claro que uma das características principais que este “capitalismo com rosto socialista” tem de ter para iludir os trabalhadores é uma vasta gama de “serviços sociais” como saúde “grátis” e educação “grátis” (nós dizemos “livre” porque o sistema fiscal opressivo continua a existir neste tipo de sistema revisionista-capitalista, e por isso estes serviços são maioritariamente pagos pelos trabalhadores). Estes “serviços sociais” são apresentados pela burguesia revisionista como sendo “provas indiscutíveis de socialismo”. No entanto, se para nós Estalinistas-Hoxhaistas este tipo de capitalismo “perfeito” que utiliza uma máscara “socialista” para se perpetuar eternamente é algo horrivelmente enganoso e perigosamente contra-revolucionário, para os social-fascistas do PCGB “ML” parece ser uma espécie de céu na terra:

O povo Cubano usufrui de um nível de vida que não tem comparação do mundo ocidental. E não tem comparação não por causa dos bens materiais que eles têm, pois estes são obviamente limitados, mas por causa das liberdades de que eles beneficiam: a liberdade de ter habitação assegurada, a liberdade de acesso a uma educação sem encargos e de ter acesso a um sistema de saúde grátis que não depende da riqueza. Em resumo, a liberdade de viver plenamente não importando quem se é ou em que família se nasceu. (…)

No que respeita á educação, a ambição inicial da revolução de livrar Cuba do analfabetismo já foi atingida, algo de que nem todos os países desenvolvidos se podem gabar. A educação é levada muito a sério, com 10% do PIB de Cuba a ser gasto no sistema educativo. (…)

Antes da revolução, apenas 8% da população rural tinha acesso á saúde, mas hoje Cuba pode gabar-se de ter um sistema que garante saúde grátis a toda a população (…). A proporção do número de médicos em relação aos pacientes em Cuba é mais elevado do que em qualquer outro país, com um médico para cada 169 habitantes. Na Grã-Bretanha, um médico tem de atender 600 habitantes.” (http://www.cpgb-ml.org/index.php?secName=proletarian&subName=display&art=456, Proletarian issue nº 27, Dezembro de 2008, edição em Inglês)

1. Em Cuba há um professor para cada 36,8 habitantes. Na Grã-Bretanha há um professor para cada 802 habitantes. (…)

Um país pobre como Cuba só consegue concretizar tudo isto graças ao seu sistema socialista.”

(http://www.cpgb-ml.org/index.php?secName=proletarian&subName=display&art=251, Proletarian issue nº 16, Fevereiro de 2007, edição em Inglês)

Estas afirmações não poderiam ser mais claras: “Um país como Cuba só consegue concretizar tudo isto graças ao seu sistema socialista.” Como se o socialismo não fosse mais do que educação e cuidados de saúde, como se o socialismo estivesse reduzido a umas esmolas ridículas dadas pela burguesia social-fascista revisionista aos trabalhadores que oprimem e exploram!

O socialismo é infinitamente mais do que isso: socialismo significa a abolição definitiva da exploração capitalista, significa a destruição da tirânica sociedade de classe sob a qual os trabalhadores estão sujeitos á escravatura assalariada e a sua substituição por uma sociedade de acordo com o princípio: “De cada um segundo as suas capacidades, a cada um de acordo com o seu trabalho.” Mas o socialismo significa também implementação de uma nova mentalidade; porque o socialismo não se pode completar e dar lugar ao comunismo sem a total revolucionarização das relações familiares e sociais, etc.…Assim, o socialismo é sinónimo de destruição de tudo o que estiver relacionado com a velha ordem sócio-económica-ideológica capitalista através do uso da violência revolucionária. Como notou o camarada Enver:

É verdade que as linhas gerais da luta do PTA dirigem-se para a industrialização do país, para o desenvolvimento da agricultura cooperativa, para a extensão dos serviços de saúde (…). No entanto, não importa o quão importantes sejam estes propósitos, eles nunca serão fins em si próprios, porque eles são apenas meios para atingir um objectivo mais elevado: a libertação material e espiritual das massas (…).” (Enver Hoxha citado por Gilbert Mury em Enver Hoxha contre le révisionnisme moderne, Paris, 1972, traduzido da edição em Francês)

Que contraste com as teorias reformistas defendidas pelos Maoistas Britânicos, para quem o socialismo é sinónimo de estado providência!

De facto, sendo defensores fervorosos do “capitalismo com rosto socialista”, os Maoistas Britânicos apresentam a existência de serviços de saúde e educação como prova de que o socialismo está a ser construído em Cuba. Esta “teoria” é tão absurda que seria risível se não fosse tão reaccionária. Hoje em dia, quase todos os países do chamado “mundo desenvolvido” garantem serviços de saúde e de educação aos trabalhadores (é verdade que a qualidade e o nível de gratuitidade destes serviços pode variar de um país capitalista “desenvolvido” para outro, mas eles ainda assim existem). De facto, o camarada Karl Marx previu isto há muito tempo ao notar que os capitalistas precisam de trabalhadores qualificados e saudáveis cuja exploração “frutuosa” possa originar muitos lucros. Assim, se seguirmos esta “teoria” defendida pelo PCGB “ML”, nós vamos certamente concluir que praticamente todos os países capitalistas “desenvolvidos” são socialistas!!!

Mas o que poderíamos nós esperar de um partido que apoia o supremacista negro Mugabe e a sua tirania oligárquica?

Durante séculos, o Zimbabué (antiga Rodésia) foi parte do império colonialista Britânico e servia apenas como fornecedor de matérias-primas em benefício dos lucros da burguesia imperialista Britânica. Os líderes brancos da Rodésia eram defensores fervorosos das teorias racistas social-Darwinistas e consideravam a população negra da Rodésia como sendo “sub humana” (estas teorias eram usadas para justificar a exploração intensa e a repressão que era exercida sobre os trabalhadores negros da Rodésia, que constituíam a maioria da população). Consequentemente, após a independência da Grã-Bretanha, foi estabelecida no país uma plutocracia de supremacia branca sob a liderança de Ian Smith. No entanto, este regime colapsou durante as últimas décadas do século XX e a burguesia supremacista branca foi substituída pela burguesia supremacista negra que começou a encorajar ataques racistas contra a minoria branca. O propósito destes atques é fazer com que os proletários negros do Zimbabué esqueçam que estão a ser tão explorados sob a oligarquia tribal de Mugabe como o eram sob a velha ordem supremacista branca.

Mas os Maoistas Britânicos do PCGB “ML” não se poderiam importar menos com isto. Eles estao tao mergulhados na sua ideologia anti-comunista nojenta que não têm quaisquer escrúpulos em apoiar abertamente o capitalismo tribal que rege o Zimbabué. Eles tentam justificar isto ao qualificarem o Zimbabué como um “regime progressista” mas eles nunca serao capazes de enganar os proletários mundiais, que sabem muito bem que a exploração capitalista é sempre nociva, independente da cor da pele de quem a exerce. O mesmo pode ser dito acerca do racismo, porque o racismo negro é tao contra-revolucionário e anti-socialista como o racismo branco. Aqueles que advogam o contrário (como sucede com os Maoistas Britânicos) são perigosos inimigos do Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo e da revolução socialista.

Perante isto, pensamos que não há nada mais a acrescentar relativamente ao carácter anti-comunista do PCGB “ML”. Os factos são óbvios e falam por si próprios.









3.2 – Partido Marxista-Leninista da Alemanha (MLPD)



O Segundo partido Maoista Europeu acerca do qual vamos reflectir é o “ML”PD (em Alemão: Marxistisch-Leninistische Partei Deutschlands - MLPD), que pode ser considerado como o maior partido Maoista da Alemanha.

O que é ao certo este partido?


O “ML”PD foi fundado em 1982 e recrutado a partir de vários elementos neo-revisionistas. Estes círculos surgiram desde 1970 – num tempo em que o KPD / ML [fundado pelo camarada Ernst Aust em 1968/1969- e que é hoje assimilável á mais antiga secção do Comintern [EH]) – estava em processo de formação. O antigo líder do MLPD, Willi Dickhut, foi membro do primeiro Comité Central do KPD / ML. OMLPD é assim uma união de meios que emergiram parcialmente de entre os antigos membros do nosso partido e que tentaram dividir o KPD / ML. O seu objectivo foi prejudicar o desenvolvimento e o fortalecimento de um verdadeiro partido Bolchevique de tipo Leninista e Estalinista em solo Alemão com a ajuda da ideologia Maoista.


O MLPD defende Mao Zedong como sendo um “clássico” do Marxismo-Leninismo e – desde o início – foi guiado pela linha-geral revisionista de Mao Zedong (publicada em 14 de Junho de 1963). O MLPD argumenta que a China era “socialista” durante a vida de Mao Zedong e que o capitalismo foi “restaurado” na China após a sua morte, após a chamada “Grande Revolução Proletária e Cultural”.


As contradições e a luta entre o MLPD e o KPD / ML aumentaram na Alemanha da mesma forma e ao mesmo tempo que entre a China e a Albânia e que entre o movimento mundial Maoista e Hoxhaista. O MLPD e o KDP / ML personificaram a luta organizada entre o Maoismo e o Hoxhaismo em solo Alemão durante décadas. Entretanto, o MLPD deixou cair a sua máscara “Marxista-Leninista” e tornou-se num partido revisionista normal tanto em teoria como na prática.


Um número considerável de diferentes grupos políticos na Alemanha tentaram encurtar estas graves contradições ideológicas entre o Maoismo e o Hoxhaismo. Na Alemanha há muitos grupos que qualificam o MLPD como “Marxista-Leninista” apesar de criticarem os erros do MLPD. No país existem também diversas posições centristas e conciliatórias relativamente ao MLPD e isto respeita ao PCML turco que é membro do ICOR. Assim, esta posição conciliatória relativamente ao Maoismo tem de ser combatida como um fenómeno internacional. O Hoxhaismo não pode ser reconciliado com o Maoismo, nem á escala nacional nem á escala global. São duas ideologias antagonistas, são respectivamente a ideologia do proletariado e da burguesia. Por isso, não pode nem vai haver unidade com o MLPD.


O Maoismo é um instrumento ideológico usado pela burguesia mundial sob a guisa de “Marxismo-Leninismo” com o propósito de qualificar os verdadeiros Marxistas-Leninistas como “sectários” e “ultra-esquerdistas” para os isolarem do proletariado mundial e da revolução socialista mundial. O MLPD diz que: “Quem ataque Mao Zedong ataca também as ideias do Marxismo-Leninismo. Esta é a questão central.” É por isso que o MLPD demoniza o camarada Enver Hoxha como sendo um “traidor” e é por isso que o tratam como um “revisionista” só para se poderem esconder melhor por detrás do revisionismo do MLPD. Este partido adoptou a linha anti-Estalinista de Mao Zedong e responsabiliza Estaline pela restauração do capitalismo na União Soviética (acusações de burocracia). E por isso nós dizemos aos Maoistas: “Aqueles que atacam Estaline também atacam o Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo!”


O MLPD considera as ideias de Mao Zedong como sendo “a principal característica de uma organização Marxista-Leninista”. Em contraste, nós Estalinistas-Hoxhaistas dizemos que o anti-Maoismo é um traço essencial de uma verdadeira organização Marxista-Leninista: um partido que se auto-qualifica como sendo um “partido Marxista-Leninista” mas que se recusa a combater o Maoismo nunca pode ser verdadeiramente comunista.


O MLPD é um produto do princípio organizacional que se baseia no Maoismo e que se expande internacionalmente. Juntamente com outras organizações do ICOR, o MLPD tenta espalhar o espírito Menchevique das Ideias de Mao Zedong a nível internacional. Isto é um ataque aos princípios organizacionais da Internacional Comunista de Lenine e de Estaline, contra os princípios Bolcheviques da organização e da direcção do Comintern (EH). O MLPD desempenha um papel relevante na globalização dos princípios da organização Menchevique contra os princípios organizacionais do partido Bolchevique mundial, contra o Comintern (EH).


A “Revolução Cultural Chinesa” foi dirigida contra os princípios da liderança do Partido Bolchevique. O MLPD defendeu esta “revolução cultural” e é por isso contra a liderança comunista das massas. Desde o início que o MLPD tem praticado na Alemanha o culto da espontaneidade das massas e o MLPD tenta expandir esta “linha de massas” Maoista por todo o mundo. A luta de massas Maoista não significa mais do que deixarmo-nos guiar pela espontaneidade em vez de pelo Marxismo-Leninismo, significa liderança da ideologia burguesa. A chamada “política de massas” Maoista é tailismo burguês vestido com slogans revolucionários. Mesmo se o MLPD tentasse globalizar esta “política de massas”, isso não mudaria em nada o seu carácter contra-revolucionário. Isto respeita especialmente á política dos sindicatos do MLPD Maoista. Lenine combateu os economistas que tentaram sacrificar o Partido Comunista em favor dos sindicatos. O MLPD condenou a nossa política sindical revolucionária como “sectária” e a nossa OSR (Oposição Sindical Revolucionária) como “ultra-esquerdista”. Assim, o MLPD ficou ao lado da Federação Sindical Alemã (FSA), o principal instrumento da burguesia monopolista dentro do movimento operário. Por sinal, o presidente da FSA é também o presidente da maior organização mundial de sindicatos reformistas. No 1º de Maio de 2012, o MLPD escreveu que: “Felizmente, a FSA finalmente percebeu que o MLPD é uma organização amigável.”


Continuado com a nossa análise do MLPD, vamos agora escrutinar a participação do partido na 7ª Conferência da ICMLPO que se divide em duas partes: a primeira parte consiste num “relatório nacional” enquanto que a segunda consiste num relatório histórico da antiga Internacional Comunista visa de um ponto de vista Maoista.


Começando com a primeira parte da participação do MLPD, observamos que ele é maioritariamente composta de auto-elogios Maoistas:


Obedecendo ás sugestões do MLPD (…) em Fevereiro na Bosch, depois na Siemens e em Julho na DaimlerChrysler, poderosas greves tiveram lugar. (…) No dia 5 de Julho de 2004, 60.000 trabalhadores da DaimlerChrysler fizeram greve; 2000 trabalhadores bloquearam a estrada principal. (…) Isto caracteriza a crescente influência do MLPD entre os operários industriais (…).” (ICMLPO, International Newsletter, nº 33, Julho de 2007, edição em Inglês)


Já quanto a saber se estes “sucessos” do MLPD são verdadeiros ou não, nós não sabemos. Não nos surpreenderíamos se estas palavras não fossem mais do que uma enorme mentira, porque os Maoistas sempre foram os mestres do engano. Mas mesmo se admitirmos que os Maoistas Alemães estão a dizer a verdade, isto só mostra como o veneno Maoista reaccionário está espalhado dentro do país imperialista mais poderoso da Europa – a Alemanha. Esta é uma situação preocupante porque a aquisição de uma autêntica consciência revolucionária pelos trabalhadores Alemães e o estabelecimento da ditadura proletária na Alemanha soa absolutamente decisivos para o triunfo da revolução socialista na Europa e em todo o mundo.

No entanto, é na segunda parte da sua participação que os Maoistas Alemães mostram melhor o seu carácter contra-revolucionário e anti-Marxista ao criticarem duramente o glorioso Comintern de Lenine e de Estaline:


O item 17 da proposta de Lenine estatuía que: “Todas as decisões dos Congressos da Internacional Comunista e do seu Comité Executivo vinculam todos os partidos filiados. (Lenine, Collected Works, Vol. 31, p. 211). (…) Da mesma forma, todos os partidoseram obrigados a “construir uma organização paralela ilegal que, no momento decisivo, esteja em posição de ajudar o Partido a cumprir o seu dever na revolução” (ibid., p. 208).


Mas a construção de estruturas paralelas foi muito para além disso. (…) Os representantes deste departamento tinham autoridade sobre os representantes do PC’s locais e estavam intimamente ligados aos serviços secretos Soviéticos. Eles também coordenavam o treino e a propaganda do Comintern e lideravam publicações que nada tinham que ver com os partidos nos países capitalistas (…).


Estas estruturas estavam ligadas aos serviços secretos e ás agências especiais da URSS e eram controladas por elas. (…) Na prática, a independência político-ideológica e organizacional dos partidos comunistas foi prejudicada ou mesmo abolida por estas estruturas paralelas. O centralismo democrático adquiriu feições centralistas e burocráticas no seio do Comintern.” (ICMLPO, International Newsletter, nº 33, Julho de 2007, edição em Inglês)


Como se pode concluir, os "argumentos" utilizados pelos Maoístas Alemães contra o antigo Comintern de Lenine e Estaline são completamente pró-anárquicos. De acordo com eles, o "erro" do Comintern consistiu em que ele supostamente "minou a independência político-ideológica e organizativa dos partidos comunistas e transformou-os em apêndices dos serviços secretos soviéticos". Primeiro que tudo, devemos ter em mente que, quando os Maoístas falar em "independência", o que eles realmente querem defender é a independência relativamente ao Marxismo-Leninismo e nada mais. O que realmente perturba os Maoístas é o grande exemplo dado pelo antigo Comintern, que baseando-se nos ensinamentos do Marxismo-Leninismo-Estalinismo foi capaz de unir os partidos proletários em benefício da vitória do socialismo em todo o mundo. O Comintern fundado por Lenine e Estaline representou o que os Maoístas mais odeiam: a lealdade incondicional à ideologia comunista. A Internacional Comunista de Lenine e Estaline sempre lutou contra a germinação de tendências burgueso-revisionistas nas fileiras dos partidos comunistas, e é por isso que os Maoístas dizem que o Comintern "minou a sua independência" desses partidos. Claro que o heróico Comintern de Lenine e de Estaline nunca poderia permitir esta "independência" Maoista, que significa nada mais do que deixar os partidos comunistas capitular diante das influências pró-capitalistas, comprometendo assim a preservação e o desenvolvimento do socialismo.


É claro que esta "crítica" corresponde inteiramente às origens anarquistas do Maoismo. Na verdade, por trás das falsas “preocupações” Maoistas sobre a "independência", podemos facilmente vislumbrar uma raiva furiosa em relação à disciplina feroz e proletária que caracterizava o trabalho e as actividades do Comintern, e que estava em total oposição à política anti-Marxista das facções burguesas, bem como á defesa anarquista da "iniciativa espontânea" das massas que são defendidas pelo Maoismo.

Finalmente, é muito interessante observar a forma depreciativa com que os Maoístas Alemães se referem aos serviços secretos estalinistas. Estes serviços secretos foram um dos instrumentos mais valiosos para a defesa da ditadura proletária soviética e eles estavam totalmente certos em exercer a sua vigilância sobre os partidos comunistas a fim de evitar a infiltração do inimigo de classe nas suas fileiras. É óbvio que os Maoistas estão tão furiosos com as actividades dos serviços secretos estalinistas porque eles ainda hoje têm um medo mortal do poder socialista que estava por trás desses serviços secretos.

Ao fazer esse tipo de críticas, os Maoístas Alemães não estão a dizer nada de novo, pois eles estão apenas a repetir as calúnias infames que os reaccionários pró-capitalistas inventaram com o objectivo de denegrir a gloriosa ditadura proletária soviética liderada pelo camarada Estaline. E os Maoistas Alemães vão ainda mais longe com o seu zelo anti-comunista, afirmando que:


Os erros políticos e o dirigismo do Comité Executivo do Comintern foram responsáveis ​​por erros graves nas políticas do Partido Comunista da Alemanha, KPD. O Comité Executivo foi o iniciador, por exemplo, da chamada política da RGO (Revolutionäre Gewerkschaftsopposition [Oposição Sindical Revolucionária - OSR]).” (ICMLPO, International Newsletter, n º 33, Julho de 2007, edição em Inglês)

Então, agora é contra o valente Partido Comunista da Alemanha (KPD), liderado pelo herói proletário Thalmann que os social-fascistas do "ML" PD estão a lançar os seus ataques. Eles qualificam a atitude do KPD em relação á expulsão dos comunistas dos sindicatos burgueses Alemães durante os anos 20 e 30 como sendo "sectária". Os Maoístas Alemães dizem que a decisão do KPD de reagir a essas expulsões através da construção de novos sindicatos vermelhos, sob a liderança dos comunistas Alemães, foi "um erro grave":


Para combater a política de expulsão da direcção reformista, os comunistas devem trabalhar com grande habilidade nos sindicatos e devem provar ser membros activos. É errado mandar os militantes retirarem-se dos sindicatos ou incentivar a organização de sindicatos vermelhos afiliados ao partido.” (ICMLPO, International Newsletter, n º 33, Julho de 2007, edição em Inglês)


Portanto, de acordo com o "ML" PD, os comunistas Alemães que foram expulsos dos sindicatos burgueses durante o advento do nazismo deveriam ter traído a sua ideologia ao implorar aos líderes desses sindicatos que os deixassem ficar. Na verdade, os Maoistas Alemães vão ainda mais longe, afirmando que os comunistas Alemães deviam ter feito esforços para "ser membros activos" dos sindicatos pró-nazis, ou seja, que eles deveriam ter contribuído para o fortalecimento desses sindicatos. Esta opinião é tão terrível e reaccionária que dispensa comentários. Ela fala por si e revela claramente o lado mais negro dos Maoistas.


E como se esta posição ultra-reaccionária não fosse o suficiente, os social-fascistas do "ML" PD também criticam o ensinamento Marxista-Leninista do camarada Estaline que considera correcta a afirmação de que a social-democracia é sinónimo de social-fascismo. Eles afirmam que esta posição é "errada" e afirmam que a sua adopção pelo KPD de Thalmann promoveu a ascensão do nazismo:


"Intimamente relacionada com a política sectária da RGO esteve a teoria do social-fascismo social, que também surgiu no Comintern. (...) A adopção do anticomunismo agressivo tanto na teoria como na prática pelos líderes de direita do Partido Social-Democrata (SPD) (...) não fez com que o SPD passasse a ser um partido social-fascista (?!!). Willi Dickhut apontou as consequências históricas dessa teoria errada:


Difamar todos os social-democratas como social-fascistas destruiu os contactos existentes entre comunistas e social-democratas e impediu a criação de uma frente unida do proletariado, que, como uma espinha dorsal dotada de uma ampla unidade antifascista de acção, poderia ter impedido Hitler de tomar o poder." (ICMLPO, International Newsletter, n º 33, Julho de 2007, edição em Inglês)


Em primeiro lugar, a posição do camarada Estaline é correcta e consistente. A social-democracia é realmente sinónimo de social-fascismo: ambos tentam manter a escravidão salarial e preservar a tirania capitalista exploradora. No que respeita à acusação feita pelos Maoistas Alemães de que a adopção desta posição relativamente á social-democracia pelo KPD contribuiu para a ascensão do nazismo, só podemos dizer que essa acusação é hoje rejeitada até mesmo pelos ideólogos burgueses. No seu livro, “Blackshirts and Reds”, o sociólogo democrático-burguês Americano Michael Parenti reflecte sobre a ascensão do nazismo e afirma que:

"Em Dezembro de 1932 a eleição, três candidatos concorreram à presidência: o conservador Marechal de Campo von Hindenburg, o candidato nazi Adolf Hitler e o candidato do Partido Comunista Ernst Thalmann. Na sua campanha, Thalmann argumentou que um voto por Hindenburg seria na verdade um voto por Hitler e que Hitler levaria a Alemanha à guerra. A imprensa burguesa, incluindo os social-democratas, denunciou esta visão como " inspirada por Moscovo".


Na realidade, os líderes social-democratas recusaram a proposta do Partido Comunista para formar uma coligação de última hora contra o nazismo. Como em muitos outros países, também na Alemanha os social-democratas preferiram aliar-se á direita reaccionária do que fazer causa comum com os Comunistas. Enquanto isso, uma série de partidos de direita se uniram aos nazis e em Janeiro de 1933, poucas semanas depois das eleições, Hindenburg convidou Hitler para se tornar chanceler.” (Michael Parenti, Blackshirts and Reds, San Francisco, 1997)


Como se pode concluir, até mesmo os não-comunistas admitem que os social-democratas do SPD foram os responsáveis ​​pela ascensão Nazi. Assim, ao contrário do que os social-fascistas do "ML" PG dizem, a adopção do anticomunismo agressivo tanto na teoria como na prática pelos líderes de direita do Partido Social-Democrata (SPD) (...) tornou de facto o SPD num partido social-fascista!


É claro que os Maoistas Alemães fazem o possível para defender os seus parceiros ideológicos (os social-democratas) enquanto acusam falsamente os comunistas Alemães de serem responsáveis pela ascensão do nazismo. Isto é bastante previsível, pois tanto o Maoismo como a social-democracia desempenham o mesmo papel: eles mantêm as massas oprimidas em cativeiro ao afastá-las da ideologia comunista através da defesa de um suposto "capitalismo domesticado".


Depois disso, os Maoistas Alemães afirmam que:


"Foi só no Sétimo Congresso Mundial do Comintern, em 1935, que foi corrigido o curso sectário e se deu uma nova orientação táctica para estabelecer uma frente unida contra o fascismo." (ICMLPO, International Newsletter, n º 33, Julho de 2007, edição em Inglês)


É óbvio que os social-fascistas do “ML” PD nunca perderiam uma oportunidade para elogiar o famigerado 7 º Congresso do Comintern em que o ultra-revisionista Dimitrov apresentou a sua repugnante e anti-Leninista "teoria" da frente unida "contra o fascismo". Na verdade, as “ideias” de Dimitrov nada mais eram do que um apelo explícito à capitulação dos partidos comunistas em benefício das ideologias e dos movimentos burgueso-revisionistas, mas os Maoistas Alemães pensam que as abomináveis ​​“teorias” social-capitalistas de Dimitrov foram uma verdadeira "cura" para os "erros" supostamente cometidos pelo "sectarismo estalinista". Esta posição pode ser compreendida se tomarmos em conta as semelhanças entre o revisionismo de Dimitrov e revisionismo Maoista, particularmente no que respeita à defesa que ambos fazem da unidade com a burguesia sob o pretexto de "lutar contra o inimigo comum" (no caso do revisionismo de Dimitrov, o papel desse inimigo comum foi desempenhado pelo fascismo, enquanto que no revisionismo de Mao, o inimigo comum era o imperialismo - pelo menos, durante os estágios iniciais do Maoismo). Ao perpetuar o capitalismo, estes dois tipos de revisionismo favorecem os inimigos que fingem combater: as “teorias” de Dimitrov acerca da "frente unida" visam supostamente lutar contra o fascismo, mas ao apoiarem a união entre o proletariado e a burguesia (que será sempre uma classe inerentemente exploradora, não importa se estamos a referir-nos ás suas secções abertamente pró-fascistas ou às suas secções "progressistas" e "anti-fascistas”), o revisionismo de Dimitrov garante que a luta contra o fascismo nunca terá um carácter verdadeiramente socialista e Marxista-Leninista, garantindo que essa luta anti-fascista nunca vai colocar em risco o sistema capitalista, evitando assim a abolição da inevitabilidade do fascismo, porque o fascismo vai sempre existir enquanto o capitalismo existir. Da mesma forma, o falso "anti-imperialismo" de Mao nunca foi baseado numa ideologia socialista autêntica, mas apenas pretendia abrir o caminho para os próprios objectivos imperialistas da burguesia nacional chinesa. Ao defender e promover a "unidade de todas as classes revolucionárias" (incluindo a burguesia "anti-imperialista"), o revisionismo Maoista impediu que a luta anti-imperialista dos trabalhadores chineses adquirisse uma verdadeira natureza comunista, ele impediu que a luta anti-imperialista ultrapassasse os limites do sistema capitalista. Isto fez com que Mao evitasse a abolição da inevitabilidade do imperialismo, porque o imperialismo vai sempre existir enquanto o capitalismo existir – o que permitiu a realização dos propósitos predatórios e imperialistas da burguesia nacional chinesa, cujos interesses Mao serviu fielmente.


Consequentemente, ao negar a supremacia do proletariado e ao apoiar automaticamente o domínio da ordem opressora sócio-económica-ideológica burguesa, tanto o revisionismo de Dimitrov como o revisionismo Maoista cumprem as suas tarefas de defesa dos interesses de classe dos capitalistas. Perante isto, não admira que os Maoístas louvem tanto Dimitrov! Eles sabem muito bem que as metas e objectivos das “teorias” de Dimitrov são exactamente os mesmos dos do "pensamento Mao Zedong".

Além disso, os Maoistas Alemães também afirmam apoiar um "socialismo" que, alegadamente, esteja de acordo com as "condições específicas" de cada país. Eles ainda acrescentam que o P “C” C teria aplicado este "princípio" de "forma exemplar":


"Isto apelava (...) aos partidos independentes dispostos e capazes de concretizar a teoria do Marxismo-Leninismo aplicando o método dialéctico para a prática revolucionária nos seus países e concretizando a estratégia e as tácticas de acordo com as condições específicas de cada nação. De forma exemplar, o Partido Comunista da China sob a liderança de Mao Tsé-Tung conseguiu alcançar este objectivo (...).” (ICMLPO, International Newsletter, n º 33, Julho de 2007, edição em Inglês)

Claro que, sendo reaccionários e social-fascistas, os Maoistas Alemães não poderiam deixar de elogiar a "teoria do socialismo nacional" que tem sido defendida por todos os tipos de revisionistas: desde o tristemente famoso "caminho Jugoslavo para o socialismo" advogado por Tito ao não menos famoso socialisme á la française fabricado pelos social-chauvinistas do Partido "Comunista" Francês sem esquecer o "socialismo com características chinesas" inventado por Mao. Todas estas "teorias" de "socialismos específicos" nada mais são do que tentativas perversas para esconder o carácter pró-capitalista e burguês dos seus autores. Como já tínhamos destacado na DWM II:


"Isto está (...) intimamente relacionado com o que os revisionistas chineses chamam "socialismo com características chinesas". Como todas as correntes revisionistas, o revisionismo Maoista também propaga o seu próprio "socialismo chinês" (...). No entanto, o camarada Estaline e o camarada Enver Hoxha sempre sublinharam que essas especificidades são sempre limitadas a aspectos menores e secundários da edificação socialista e nunca podem ser entendidas como constituindo as suas características essenciais, porque a edificação socialista e comunista deve seguir uma certa linha invariável de acordo com os ensinamentos dos clássicos e independentemente do local em que o socialismo seja construído.” (Documentos do Comintern (Estalinista-Hoxhaista), Neo-revisionism or Leninism?, 2004, traduzido a partir da edição em Inglês)


Finalmente, os Maoistas Alemães não hesitam em insistir nas velhas mentiras acerca da suposta luta “anti-revisionista” do P “C”C e acerca da alegada natureza “socialista da “Revolução Cultural” de Mao:


Começando em 1963, o PC da China conduziu uma polémica contra a traição revisionista. (…) A Grande Revolução Proletária Cultural de 1966 foi o avanço criativo da estratégia e da táctica da luta de classes no socialismo, foi um movimento de massas bem-sucedido cujo objectivo era controlar o perigo de degeneração revisionista do PC da China e a restauração do capitalismo na China.” (ICMLPO, International Newsletter, n º 33, Julho de 2007, edição em Inglês)


Nas anteriores DWM I e II, nós já tínhamos analisado este assunto e tentámos denunciar o “combate anti-revisionista” de Mao como a mascarada total que era. Assim, direccionamos os nossos leitores para as referidas DWM I e II.

Relativamente aos argumentos dos Maoistas Alemães de que a “Revolução Cultural” Maoista foi um exemplo de “luta de classes sob o socialismo” e um “movimento de massas bem-sucedido para prevenir o perigo de degeneração revisionista”, nós vamos apenas relembrar as palavras do camarada Enver:


A Grande Revolução Cultural Proletária” não foi uma revolução cultural (foi dirigida contra a cultura defendida por Marx e por Lenine). Foi uma revolução política que não seguiu o caminho Marxista-Leninista mas que foi sim uma revolução anarquista sem programa e contra a classe operária e o seu partido, porque de facto o papel de liderança da classe operária e do seu partido foram liquidados. (…)


Durante esta revolução caótica e anarquista, o partido foi alegadamente reformado. E quantos foram expulsos após todo este tumulto e barulho? Só três ou quatro pró cento. No entanto, este número não indica que o partido tivesse decaído, mas implica que Mao e alguns dos sues seguidores não tinham confiança no partido. Que outros benefícios é que a Revolução Cultural trouxe? Nenhuns!” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês)


Após tudo isto, pensamos que não são necessários mais comentários. A natureza pró-capitalista, ultra-reaccionária e social-fascista do MLPD Maoista já está inteiramente provada e confirmada.



 

 

3.3 – Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses



O P"C"TP (em Português: Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses) é a principal organização Maoista em Portugal. O seu objectivo é enganar os trabalhadores Portugueses, apresentando o revisionismo Maoista como sendo a solução para todos os seus problemas. Em muitos sentidos, o P "C" T P tem um ar mais "ortodoxo" do que os outros partidos Maoistas europeus que são analisados ​​neste artigo. Por exemplo, nos seus estatutos, os Maoistas Português traiçoeiramente afirmam que:


"O Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses é o partido político do proletariado Português (...). A sua linha geral consiste na derrubada da burguesia, na substituição da ditadura da burguesia pela ditadura do proletariado. O objectivo final do PWCP é implementar uma sociedade sem classes e sem exploração, é implementar o comunismo.” (Documentos da PCTP, Estatutos do PCTP, edição em Português)


Como pode ser observado, em comparação com o P “C” GB ("ML"), a fraseologia utilizada pelos Maoistas Portugueses soa muito mais "socialista" do que a utilizada pelos Maoistas Britânicos, por exemplo. No entanto, esta máscara "comunista" só é capaz de enganar quem quer ser enganado. A verdade é que o P "C" T P é uma organização social-fascista que serve os interesses das classes exploradoras Portuguesas. Por exemplo, actualmente os Maoistas Portugueses estão a lançar uma campanha intitulada: "Nós não vamos pagar!". Nesta campanha, eles defendem que os Portugueses se devem unir com os outros povos sul-europeus e recusarem-se a pagar a dívida do país a instituições imperialistas como o FMI e os bancos europeus. À primeira vista, isto pode parecer apelativo, mas a verdade é que os Maoistas Portugueses parecem "esquecer" que as dívidas externas são o resultado inevitável da dominação de alguns países sobre os outros. E a dominação de alguns países sobre os outros é algo intrínseco ao sistema capitalista-imperialista que governa o mundo. Portanto, a única forma de abolir a inevitabilidade das dívidas dos países é por meio da destruição total e completa da ordem capitalista-imperialista. Mas, ao abraçar o revisionismo Maoista, os social-fascistas do P “C” T P estão automaticamente a rejeitar qualquer possibilidade de remoção eficaz do sistema capitalista-imperialista e explorador e de todos os males a ele inerentes (como a opressão de alguns países por outros que origina enormes dívidas externas, por exemplo).

Na verdade, se pesquisarmos os documentos dos Maoistas Portugueses, veremos como o seu disfarce "proletário" se desmorona completamente e revela todas as tendências ideológicas contra-revolucionárias e pró-capitalistas que são inerentes ao Maoismo.

Em 1997, Arnaldo Matos, o ex-líder dos Maoistas Portugueses, deu uma entrevista na qual ele não fez o menor esforço para esconder a natureza burguesa do P "C" T P:

"Estaline (...) estava enganado quando disse que estava construindo o socialismo num único país. (...). Ele estava enganado quando pensou (...) ter realizado o socialismo no campo. (...) Portanto, quando nós criticamos Estaline, estamos a criticar um indivíduo que cometeu erros.” (Arnaldo Matos, Questões da Revolução, Janeiro de 1997, edição em Português)


Estas declarações são assustadoramente revisionistas. É óbvio que os Maoistas Portugueses abraçam totalmente as mentiras e calúnias burguesas sobre o glorioso período durante o qual o camarada Estaline conduziu o proletariado soviético no processo de construção do socialismo contra a pressão dos reaccionários internos e externos. É importante notar que, tal como acontece com todos os outros revisionistas, também os Maoistas Portugueses pretendem "levar em conta tanto os acertos como os erros de Estaline", mas isto é uma mentira ridícula. Eles não estão interessados ​​nas vitórias nem nas realizações inestimáveis ​​do camarada Estaline. Sob a desculpa de "destacar os sucessos de Estaline, bem como os seus erros", os Maoistas repetem calúnias capitalistas contra o camarada Estaline. Na verdade, se formos acreditar nos Maoistas Portugueses, concluímos que quase todas as acções do camarada Estaline foram erros, quando a verdade é que os erros do camarada Estaline foram praticamente inexistentes. Na verdade, as brilhantes obras e acções do camarada Estaline constituem o núcleo essencial do seu legado insubstituível. Sabemos que não existem "comunistas perfeitos", mas Estaline foi, sem dúvida, um dos camaradas que estiveram mais próximos da infalibilidade revolucionária.

No que respeita às específicas "acusações" feitas pelos social-fascistas do P “C”TP, podemos observar que elas são irremediavelmente falaciosas. Relativamente à sua afirmação de que "a construção do socialismo num único país foi um erro", é claro que os Maoistas Portugueses adoptam os "argumentos" de Trotsky contra os camaradas Lenine e Estaline, cuja tenacidade manteve vivo o socialismo soviético. Esta "argumentação" corresponde ao objectivo principal dos Maoistas: impedir a construção do socialismo. Este também foi o principal objectivo dos Trotskistas que defendiam a capitulação da ditadura proletária soviética supostamente em favor da "revolução mundial" num momento em que ainda não havia condições para realizá-la. Portanto, é fácil de ver as semelhanças assustadoras entre os Maoistas e os Trotskistas: ambos tentam derrotar o socialismo, defendendo a sua capitulação em benefício do sistema capitalista-imperialista mundial. O camarada Lenine e camarada Estaline sabiam muito bem que seguir estes "argumentos" contra-revolucionários significaria baixar as armas em favor dos inimigos internos e externos, isso significaria o abandono da luta pelo socialismo na União Soviética. Esta foi a razão pela qual o Trotskismo teve de ser duramente combatido, porque a sua vitória seria sinónimo de derrota da ditadura proletária soviética. Tal como o Trotskismo foi combatido com êxito pelos trabalhadores soviéticos liderados pelos camaradas Lenine e Estaline, também hoje os sucessores ideológicos dos Trotskistas - os Maoistas - devem ser resolutamente aniquilados.

Além disso, os Maoistas Portugueses também criticam o camarada Estaline ao afirmarem depreciativamente que ele não colocou o campesinato soviético no caminho socialista. Vamos responder a esta acusação infame dizendo que tudo depende do que entendemos por "socialismo". Se nós abraçarmos o conceito de "socialismo" tal como é fabricado pelos Maoistas social-fascistas, então os Maoistas Portugueses estão totalmente certos quando dizem que o campo soviético sob a liderança do camarada Estaline nunca foi "socialista":

Zonas rurais Soviéticas sob o verdadeiro socialismo do camarada Estaline


Zonas rurais Chinesas sob o “socialismo” falso e reaccionário de Mao

- abolição total da propriedade privada e da burguesia enquanto classe

- preservação da propriedade privada, incluindo os latifúndios

- eliminação da exploração e da miséria que afectavam os camponeses

- perpetuação da exploração dos camponeses e da sua repressão pelos senhores da terra

- os órgãos do poder Soviético no campo estavam ao serviço da ditadura proletária e eram firmemente controlados pelos heróicos Marxistas-Leninistas Soviéticos que lideravam o PCUS (B)

- as “comunas populares” Maoistas estavam ao serviço da burguesia nacional Chinesa que controlava o poder estatal

- as quintas colectivas Soviéticas usufruíam de um elevado nível técnico e os camponeses vivam na abundância

- as “comunas populares” Maoistas permaneceram tecnicamente atrasadas e sofriam frequentemente de fomes severas e falta de materiais e meios básicos (como ocorreu durante a terrível fome do “Grande Salto em Frente”)


- as quintas colectivas Soviéticas eram provas vivias de democracia socialista e da aliança entre o campesinato e o proletariado sob a liderança deste último. Juntas, estas duas classes lutaram contra os elementos burgueses em benefício do socialismo autêntico seguindo fielmente os ensinamentos imortais do Marxismo-Leninismo

- a burguesia nacional Chinesa exercia o seu domínio de classe sobre estas “comunas populares” ao enviar “delegados do partido” que eram meros lacaios pró-capitalistas que ajudavam a burguesia nacional Chinesa a manter os camponeses na servidão. A maior parte das vezes, estes “delegados do partido” viviam uma vida de luxo ás custas da escravatura assalariada á qual o campesinato Chinês continuou a estar sujeito durante o governo de Mao


 
Assim, se nós adoptarmos a noção Maoista de "socialismo", como fazem os social-fascistas do P "C" T P, então estamos certos quando dizemos que o campo soviético estalinista nunca atingiu o "socialismo". Pelo contrário, se permanecermos fieis aos ensinamentos imortais do Marxismo-Leninismo, se defendermos os princípios da ideologia comunista genuína, então nós sabemos muito bem que o campo estalinista foi um dos exemplos mais maravilhosos de construção socialista, então sabemos muito bem que o campo estalinista era um lugar de heróica luta de classe contra os últimos resquícios da opressão e da exploração material e espiritual burguesa-capitalista.


Mas estes tipos de posições Anti-Estalinistas e anti-comunistas não são surpreendentes se tivermos em conta as inclinações ideológicas dos líderes do P "C" T P. Por exemplo, o actual secretário-geral do P "C" T P - um advogado burguês - está intimamente ligado a algumas das figuras mais terríveis da direita Portuguesa. Recentemente, ele escreveu um livro sobre "temas políticos actuais", cujo prefácio foi escrito pelo seu amigo Freitas do Amaral que é o líder histórico dos "democratas-cristãos" Portugueses. Os crimes cometidos pelos chamados "democratas-cristãos" (que nada mais são do que meros fascistas) contra o movimento comunista não só em Portugal mas também em muitos outros países são numerosos em quantidade e sinistros em qualidade, mas eles não pertencem ao âmbito deste texto. Nós apenas notamos que este tipo de “amizades” contra-revolucionárias revela a verdadeira natureza de classe dos Maoistas Portugueses. Na verdade, até mesmo o ultra-reaccionário Durão Barroso (presidente da "Comissão Europeia" e um dos principais lacaios da burguesia imperialista europeia) já foi membro do P “C” T P!

Mas vamos ser sinceros, se o próprio Mao foi amigo de bandidos fascistas como Pinochet, Franco, Kissinger, Rockefeller e muitos outros, então por que é que os Maoistas Portugueses se deveriam abster de também serem amigos dos fascistas?
Estes exemplos fornecem prova suficiente de que o social-fascismo Maoista está intimamente relacionado com o fascismo clássico.


Além disso, o P "C" T P também defende explicitamente o pluralismo burguês:


"Dentro do partido, ninguém deve ser perseguido por ter opiniões que estão em oposição ás dominantes. (...) Toda a gente tem o direito de defender pontos de vista opostos. Este é um direito que deve ser absolutamente preservado. E isso deve acontecer não só no partido, mas também em todo o Estado. (...). A expressão de opiniões deve ser sempre livre.” (Arnaldo Matos, Questões da Revolução, Janeiro de 1997, edição em Português)


Claro que este tipo de posições ultra-revisionistas estão em total acordo com o apelo de Mao: "deixai que cem flores desabrochem, deixai que cem escolas contendam”. O objectivo deste apelo é encorajar a aceitação das ideologias e influências pró-capitalistas, reforçando assim a exploração burguesa e mantendo os trabalhadores longe do socialismo revolucionário. Como o camarada Enver Hoxha correctamente afirmou:


"Mao, que é apresentado como um «grande Marxista-Leninista» não é senão um eclético, um pragmático, e como tal, um oportunista. A teoria de «deixar que cem flores desabrochem e que cem escolas contendam” é precisamente a essência do pragmatismo mais oportunista que conduz ao pluralismo de partidos com o propósito de minar o papel de liderança do Partido Comunista da China na revolução e a construção do socialismo, e portanto, de beneficiar a restauração do capitalismo.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês)


E os Maoístas Portugueses estão longe de serem os únicos que adoptam esta "teoria" nauseabunda. Como veremos, também os Maoistas Gregos apoiam abertamente o "pluralismo" burguês em defesa da tirania capitalista.








3.4 - Comités de Apoio à Resistência pelo Comunismo (CARC) e (novo) Partido Comunista Italiano



O CARC (em italiano: Comitati di Appoggio alla Resistenza per il Comunismo) é uma organização Maoista afiliadA com o neo-revisionista Novo Partido Comunista Italiano (em italiano: Partito Comunista Italiano nuovo), que alegadamente pretende "reconstruir o movimento comunista italiano". Na verdade, é uma organização social-burguesa que tenta evitar a formação de um partido verdadeiramente Marxista-Leninista na Itália. Temendo que os proletários Italianos poderiam adquirir uma consciência verdadeiramente revolucionária, as classes exploradoras Italianas fabricaram o CARC e o (n) P "C" I, a fim de afastar os trabalhadores Italianos do caminho da revolução socialista mundial. Mas estes propósitos da burguesia Italiana não vão conseguir manter os proletários Italianos longe do Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo. Na verdade, um simples olhar superficial ao "relatório nacional” apresentado pelos Maoistas Italianos na 7 ª Conferência da ICMLPO revela o seu carácter social-fascista:


"Em Outubro de 2004, foi fundado o (novo) Partido Comunista Italiano ((n) PCI) (...) O PCI (n) declarou que a sua missão era retomar o caminho iniciado pelo antigo Italiano Partido Comunista Italiano (PCI, o partido de Antonio Gramsci), constituído em 1921 (…) e que realizou uma heróica resistência contra o fascismo (...).


O nascimento do (n) PCI iniciou um debate dentro do CARC, que terminou na Primavera de 2005. O CARC reconheceu o PCI (n) como o embrião da futura liderança da classe operária, e deu a este partido a sua total confiança." (ICMLPO, International Newsletter, n º 33, Julho de 2007, traduzido a partir da edição em Inglês)


Como se pode constatar, os Maoistas Italianos admitem explicitamente o seu anti-Marxismo quando afirmam ser a favor da continuação do "partido de Antonio Gramsci". Esta afirmação não poderia ser mais clara. Os Maoistas estão elogiando Gramsci que – muito antes de Togliatti - foi o principal fundador do revisionismo italiano. O P "C" I nascido em 1921 nunca foi um partido verdadeiramente comunista, ele foi revisionista desde o seu início precisamente devido aos pontos de vista anti-socialistas e pró-capitalistas de Gramsci. Na verdade, Gramsci substitui a luta de classes pelo conceito ultra-revisionista da "luta cultural". Segundo o Marxismo-Leninismo, o que define uma determinada classe é a sua posição relativamente aos principais meios de produção, mas Gramsci nega esta verdade irrefutável, reduzindo tudo a uma simples "questão cultural". Gramsci também nega abertamente a ditadura do proletariado, substituindo-a pela "hegemonia cultural proletária" - um conceito muito enigmático cujo único objectivo é confundir os trabalhadores, fazendo-os renunciar à criação de um verdadeiro poder proletário. Portanto, se seguirmos as “teorias” de Gramsci, concluiremos que a transição completa do capitalismo para o socialismo não tem nada a ver com o domínio do proletariado, nem com o uso da violência revolucionária contra os exploradores capitalistas, mas com uma "luta cultural" em que o proletariado finalmente alcança a "supremacia cultural" sobre os opressores. Escusado será dizer que as “ideias” de Gramsci são totalmente opostas ao Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo. O proletariado só pode alcançar a supremacia cultural se privar a burguesia da propriedade privada dos meios de produção, se ele detiver o controle absoluto sobre a base produtiva e material da sociedade. E isto só pode ser conseguido através da implementação da ditadura do proletariado com a finalidade de reprimir violentamente os exploradores e de aniquilar o sistema capitalista opressor. Mas Gramsci rejeita tudo isto. Na verdade, não foi por acaso que as obras de Gramsci nunca foram publicadas na União Soviética estalinista. Elas nunca foram publicadas porque o camarada Estaline entendeu a verdadeira natureza social-burguesa das “teorias” de Gramsci tal como também entendeu a verdadeira natureza social-burguesa das “ideias” de Mao. E não é difícil perceber porquê. O revisionismo Maoista e o revisionismo de Gramsci têm tudo em comum: ambos negam a ditadura do proletariado (um dos principais ensinamentos ideológicos e objectivos do MLEH), substituindo-o por conceitos abstractos cujo objectivo é disfarçar a perpetuação da escravidão assalariada e da tirania burguesa que estes revisionismos defendem (o Maoismo utiliza o conceito de "nova democracia", enquanto o revisionismo de Gramsci utiliza o conceito de "hegemonia cultural proletária"). Também ambos estes revisionismos tentam cobrir os seus conteúdos ideológicos pró-capitalistas com alguns slogans “socialistas” a fim de enganar as massas trabalhadoras oprimidas. Portanto, não é de todo surpreendente que os Maoistas Italianos retratem o P “C”I de Gramsci como um exemplo a ser seguido, argumentando que ele "levou a cabo uma heróica resistência contra o fascismo" e tentando apresentar-se como sendo os continuadores desse "heróico antifascismo". No entanto, os seus disfarces ridículos nunca enganarão o proletariado, nem na Itália nem em qualquer outro lugar do mundo. A verdade é que o revisionismo Maoista e o revisionismo de Gramsci têm exactamente as mesmas origens e propósitos do fascismo: são instrumentos ideológicos fabricados pela burguesia a fim de preservar eternamente o seu totalitarismo capitalista explorador.


Além disto, os Maoistas Italianos também apresentam uma síntese dos objectivos de seu partido, na qual dizem que:


(O) (...) partido (...) trouxe comunistas que entraram novamente no campo que foi domínio exclusivo dos partidos burgueses e revisionistas durante anos, o campo da luta política burguesa. Esta era uma tarefa específica dentro da luta geral realizada pelo PCI (n) (...). O CARC acredita ser necessário realizar o trabalho nesta frente da luta onde os comunistas estão quase completamente ausentes (...). É o campo das campanhas eleitorais, da actividade do Parlamento e de outras Assembleias electivas, das campanhas de orientação da opinião pública, das manifestações e das greves organizadas pelas organizações burguesas.” (ICMLPO, International Newsletter, n º 33, Julho de 2007, Edição em Inglês)

Como se pode concluir, os Maoistas Italianos estão a defender a participação na vida política burguesa, incluindo nas eleições burguesas e nos sindicatos burgueses. Eles argumentam que é importante que o CARC e o (n) P "C" I participem na vida política burguesa porque, de acordo com eles, este é um campo "onde os comunistas estão quase completamente ausentes". À primeira vista, sentir-nos-íamos tentados a pensar que esta posição seria correcta se não fosse pelo fato de que os Maoistas do CARC e do (n) P "C" I não são comunistas. Na verdade, o seu carácter anti-comunista pode ser observado na forma com que desprezam completamente a necessidade do trabalho ilegal: procurámos em todo o seu odioso "relatório nacional", mas não conseguimos encontrar uma única palavra sobre a indispensabilidade do trabalho e da actividades ilegal. E isto enquanto eles exibem tantas preocupações sobre "a necessidade de entrar na luta política burguesa", ou seja, sobre a necessidade do trabalho legal. É óbvio que isto não é surpreendente porque só os autênticos partidos Maxistas-Leninistas são capazes de adoptar e aplicar os ensinamentos dos 5 clássicos do Marxismo-Leninismo relativamente ao trabalho ilegal. Sendo Maoistas, o CARC e o (n) P "C" I são automaticamente organizações revisionistas e pró-capitalistas que, portanto, nunca poderiam adoptar posições correctas relativamente a este assunto. No seu livro "O Imperialismo e a Revolução", o camarada Enver Hoxha reflecte não apenas sobre a necessidade do trabalho ilegal, mas também sobre a relação que deve existir entre o trabalho ilegal e legal dentro de um verdadeiro partido comunista:


"Os partidos Marxistas-Leninistas são partidos da revolução. Contrariamente às teorias e ás práticas dos partidos revisionistas, que estão totalmente imersos na legalidade burguesa e no "cretinismo parlamentar", eles não reduzem a sua luta ao trabalho legal, nem o encaram isso como sendo a sua actividade principal. (...) Eles devem atribuir especial importância à combinação do trabalho legal com o trabalho ilegal, dando prioridade a este último como algo decisivo para a derrubada da burguesia e para a garantia real da vitória.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


Assim, o camarada Enver não só concebe o trabalho ilegal como sendo uma parte essencial das actividades de todos os verdadeiros Marxistas-Leninistas, mas ele até afirma expressamente que o trabalho ilegal deve ter primazia sobre o trabalho legal. Isto faz muito sentido porque os autênticos partidos Marxistas-Leninistas são partidos da revolução socialista violenta, eles são partidos da ditadura do proletariado e não da "democracia" burguesa. No entanto, os Maoistas Italianos estão nos antípodas desta posição consistente e revolucionária, e eles nem sequer aceitam a necessidade do trabalho ilegal (e muito menos reconhecem a sua prioridade sobre trabalho legal).


Concluindo, o CARC e o (n) P "C" I nada mais são do que organizações contra-revolucionárias, cujo reformismo patológico vem directamente da sua ideologia Maoista. Eles constituem sem dúvida uma prova muito instrutiva do estado deplorável do movimento "comunista" no Sul da Europa, cuja decadência está intimamente relacionada ao revisionismo Maoista.






3.5 - Organização Comunista da Grécia (KOE)



Agora é a vez da Organização "Comunista" da Grécia (em grego: Kommunistiki organosi Elladas). Decidimos incluir esta organização na DWM III porque ela fornece um exemplo ilustrativo do movimento Maoista num país - a Grécia - que tem vindo a fazer as manchetes dos principais jornais em quase todos os países europeus. Na verdade, se a Grécia está hoje à beira da falência, ela não foi colocada neste estado de coisas por artes mágicas. A Grécia é um dos países mais explorados da Europa, é talvez o país europeu que mais sofre com a pressão dos credores estrangeiros capitalistas (bancos, etc. ...). Além disso, o proletariado grego sofreu horrores inimagináveis ​​às mãos dos imperialistas. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Grécia foi ocupada pelas forças do Eixo que assassinaram um grande número de trabalhadores Gregos. Quando finalmente a Segunda Guerra Mundial terminou, a ocupação do Eixo foi substituída pela do imperialismo anglo-americano, que causou a guerra civil grega (1946-1949). Esta guerra foi uma luta entre os monárquicos e fascistas que estavam do lado do imperialismo anglo-americano e as forças progressistas e comunistas que estavam do lado do povo grego. O objectivo dos exploradores anglo-americanos era impedir os comunistas Gregos (que tinham sido os principais organizadores da luta contra o Eixo) de chegar ao poder. Finalmente, os imperialistas anglo-americanos saíram vitoriosos desta guerra e instalaram um regime fantoche fascista que impôs uma exploração selvagem sobre os proletários Gregos durante muitas décadas.


A verdade é que esta derrota dos comunistas Gregos na Guerra Civil teve muito a ver com os graves erros ideológicos e tácticos cometidos por eles. De fato, durante a Guerra Civil Grega, o Partido Comunista da Grécia estava completamente infiltrado por tendências revisionistas e por elementos pró-burgueses que foram os grandes responsáveis ​​pela sua derrota. Mas se a Guerra Civil Grega sucedeu lutaram durante a vida do camarada Estaline, que tipo de revisionismo poderia ter afectado o PCG? Como veremos, o Maoismo constituiu um grave obstáculo á vitória do PCG e, sem dúvida, desempenhou um papel essencial na sua derrota.


Os anos após o triunfo reaccionário na Guerra Civil Grega foram caracterizados por um reino de terror anti-comunista. Milhares de comunistas Gregos foram perseguidos e muitas das ilhas gregas foram transformadas em campos de concentração onde eles foram torturados até à morte. Mas apesar de tudo isto, os “comunistas” Gregos nunca conseguiram aprender com as experiências proporcionadas tanto pela derrota na Guerra Civil como pela repressão fascista - na verdade, o "movimento comunista" grego continuou a ter um carácter social-burguês.


Na década de 50, com a ascensão do revisionismo na União Soviética, enquanto o P “C”G abraçou totalmente a traição de anti-Estalinista de Khrushchev, alguns grupos começaram a supostamente "denunciar" o social-imperialismo soviético, a qualificar-se como "anti-revisionistas" e a seguir abertamente o "Pensamento de Mao Zedong". Escusado será dizer que estes grupos foram os antecessores da O “C”G, que se formou no início dos anos 80, quando a forma fascista de domínio burguês na Grécia já havia sido substituída pela sua forma "democrática".

Como já dissemos, a Grécia tem sido notícia em toda a Europa e muitas pessoas que se dizem "revolucionárias" e até "comunistas" exibem um enorme entusiasmo sobre a "situação grega", afirmando que esta pode dar origem a uma "revolução europeia". Mas esta é uma ideia falsa. É um fato irrefutável que a Grécia pode ser considerada como um dos elos mais fracos da cadeia imperialista europeia, e que os factores objectivos estão totalmente prontos para a revolução socialista no país. Infelizmente, a revolução socialista não precisa apenas de factores objectivos. Também precisa igualmente do factor subjectivo que ainda está em falta entre o proletariado grego. Isto pode ser explicado devido à natureza pró-capitalista e revisionista-anarquista do movimento "revolucionário" grego. Um dos melhores exemplos disso é precisamente a O “C”G. Como em muitos outros países, também na Grécia o Maoismo foi um sério obstáculo ao cumprimento do factor subjectivo da revolução socialista.


No seu site oficial, os Maoistas Gregos afirmam que:


"A Organização Comunista da Grécia (KOE) é uma organização popular, democrática e militante".

(http://www.international.koel.gr/index.php?option=

com_content&view=article&id=31:who-we-are&catid=5:about-the-koe&Itemid=14, Sobre o KOE, traduzido a partir da versão em Inglês)


Como pode ser observado, os Maoistas Gregos assumem claramente o carácter reformista da sua organização. Com isto, queremos dizer que os outros partidos Maoistas são geralmente mais engenhosos em esconder o seu reaccionarismo, definindo-se como "Marxistas-Leninistas", "anti-revisionistas", etc. ... (por exemplo, a UOC Colombiana até afirmou ser "uma organização exclusivamente proletária"). Mas os Maoistas Gregos nem sequer desperdiçam o seu tempo tentando esconder o seu social-fascismo. Eles afirmam ser "democráticos" e "populares", mas a que tipo de "democracia" é que eles se estão referindo? Tomando em consideração as características inerentes ao Maoismo, só podemos concluir que eles se estão a referir a uma "democracia" burguesa e revisionista em que os trabalhadores seriam explorados "popularmente" explorados maneiras. Esta corresponde inteiramente á "nova democracia" de Mao, que excluía o socialismo genuíno.


Depois disso, os Maoistas Gregos afirmam que:


"As nossas raízes estão no Movimento Comunista da Grécia (...)."(http://www.international.koel.gr/index.php?option=

com_content&view=article&id=31:who-we-are&catid=5:about-the-koe&Itemid=14, Sobre o KOE, traduzido a partir da versão em Inglês)


É interessante notar que os Maoistas Gregos afirmam isto como se ter o Movimento "comunista" grego como fonte de inspiração fosse uma garantia irrefutável de fiabilidade ideológica. Como já tínhamos explicado, o Movimento "comunista" grego foi infiltrado por elementos e correntes social-capitalistas tanto no que respeita à estratégia como á táctica. Durante a Guerra Civil grega, o Movimento "comunista" grego foi um exemplo do que não deve ser feito. O Camarada Enver Hoxha entendeu isso e destacou as diferenças abismais entre a luta Marxista-Leninista do PLA e a capitulação revisionista dos "comunistas" Gregos:


"Apesar das inúmeras dificuldades que encontramos no nosso caminho, nós alcançámos um sucesso após o outro. E alcançámos estes sucessos, em primeiro lugar, porque o Partido dominou completamente a essência da teoria de Marx e de Lenine, entendia o que a revolução era e o que estava fazendo, entendeu que á cabeça da classe operária, em aliança com o campesinato, tinha de haver um partido de tipo leninista. (...)


Esta posição deu ao nosso Partido a vitória, deu ao país a grande força política, económica e militar que tem hoje. Se tivéssemos agido de forma diferente, se não tivéssemos aplicado consistentemente estes princípios da nossa grande teoria, o socialismo não poderia ter sido construído num pequeno país cercado de inimigos como é o nosso.


Mesmo se tivéssemos conseguido tomar o poder por um momento, a burguesia teria saído vitoriosa novamente, como aconteceu na Grécia, onde antes de a luta estar ganha, o Partido Comunista grego entregou as suas armas á burguesia reaccionária local e ao imperialismo britânico.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


Como tínhamos observado, a influência Maoista desempenhou um papel crucial nesta atitude capitulacionista do Partido "Comunista" grego. De fato, num artigo intitulado "A influência da Revolução Chinesa no Movimento Comunista da Grécia", os Maoistas Gregos declaram que:


"Entre os comunistas Gregos nasceu a convicção de que o Exército Vermelho chinês era invencível. Durante a ocupação [da Grécia, 1941-1944] e depois, o CPC, o seu Exército, assim como Mao tornaram-se ainda mais populares.

Durante o verão de 1946 até ao início de 1947, quando o Terror Branco [na Grécia] estava em pleno andamento, o Rizospastis [o jornal ainda legal do CPG] publicou os princípios da guerrilha que foram formulados por Mao na sua obra Uma única faísca pode iniciar um incêndio na pradaria ("quando o inimigo avança, retiro nós" etc.).” (http://www.international.koel.gr/index.php?option=

com_content&view=article&id=22:the-influence-of-the-chinese-revolution-on-the-communist-movement-of-greece-may-2006&catid=6:communist-movement&Itemid=6, A influência da Revolução Chinesa sobre o Movimento Comunista da Grécia, 2006, traduzido a partir da versão em Inglês)

Diante dos enormes erros anti-socialistas que acabaram por conduzir os "comunistas" Gregos á sua derrota na Guerra Civil Grega, podemos dizer que o reconhecimento do facto de que eles estavam sendo influenciados pelo social-fascismo de Mao certamente explica muito sobre as razões por trás dessa derrota. Afinal, como o apontou a camarada Enver, apenas um partido autenticamente Marxista-Leninista pode triunfar contra as forças do capital e da reacção. A partir do momento em que foi contaminado pelo Maoismo, o Partido "Comunista" da Grécia não tinha a menor hipótese de liderar o povo grego em direcção ao socialismo e ao comunismo. E isto porque Mao promove a "teoria das duas linhas" (a linha proletária e a linha burguesa) que, segundo ele, devem coexistir dentro dos partidos e organizações “comunistas”:


"A existência de "duas linhas" é um produto das “ideias Mao Tsetung” e totalmente incompatível com um partido Marxista-Leninista que se baseia na linha única proletária. As "Ideias Mao Tse-Tung" ensinam a unidade com o inimigo, dando-lhe uma mão e lutando contra ele com a outra. Estas ideias são diametralmente opostas ao partido comunista Leninista vanguardista, que tem apenas uma linha monolítica e apenas uma unidade de pensamento e acção.” (Documentos do Comintern (Estalinista-Hoxhaista), Neo-revisionism or Leninism?, 2004, traduzido a partir da edição em Inglês)


Além disso, o perverso movimento Maoista das "cem flores" também defende a tolerância sem escrúpulos relativamente a teorias anti-socialistas e contra-revolucionárias. Portanto, não é difícil compreender a íntima correlação entre a influência Maoista no movimento "comunista" grego e a sua derrota durante a Guerra Civil. O veneno social-fascista Maoista promoveu a capitulação ideológica e táctica dos "comunistas" Gregos em benefício dos monárquicos e fascistas. Como disse o camarada Enver, os "comunistas" Gregos entregaram as suas armas, ou seja, eles abandonaram voluntariamente a luta armada contra os opressores imperialistas-fascistas. Este acto de entrega das suas armas aos capitalistas é altamente simbólico. Ao fazer isto, os "comunistas" Gregos renunciaram à possibilidade de implementar a ditadura do proletariado na Grécia, o que também corresponde ao sonho de Mao de banir a violência proletária armada para sempre. Infelizmente para os Maoistas, não há força na terra que possa impedir o advento do socialismo e do comunismo. Se os Maoistas pensam que vão ser capazes de convencer os proletários do mundo a entregar as suas armas aos capitalistas como fizeram os "comunistas" Gregos, eles estão completamente equivocados.

Depois de analisar como o revisionismo Maoista desempenhou um papel importante na derrota das forças anti-fascistas durante a Guerra Civil Grega, vamos agora concentrar-nos numa outra afirmação notável feita pelos Maoistas Gregos:


"A nossa base teórica é o marxismo revolucionário, fundado por Marx e Engels e enriquecido pelo Leninismo e pelas obras de Mao Zedong". (http://www.international.koel.gr/index.php?option=

com_content&view=article&id=31:who-we-are&catid=5:about-the-koe&Itemid=14, Sobre o KOE, traduzido a partir da versão em Inglês)


Assim, de acordo com os Maoistas Gregos, o "marxismo revolucionário" é composto pelos ensinamentos de Marx, Engels, Lenine e Mao. O Camarada Estaline é completamente ignorado e desprezado por eles, que o substituem pelo fascista Mao. Isto é um insulto terrível para o nome glorioso do camarada Estaline, para o seu brilhante trabalho como líder da ditadura heróica do proletariado soviético e do movimento comunista mundial. O camarada Estaline - o 4º clássico do Marxismo-Leninismo - é insubstituível. Os seus ensinamentos geniais são um tesouro inestimável, sem os quais a ideologia comunista está irremediavelmente incompleta e incapaz de conduzir o proletariado mundial á vitória definitiva sobre o totalitarismo capitalista-imperialista. Todos aqueles que negam o legado do camarada Estaline são pró-capitalistas, pró-imperialistas e anti-socialistas. Na verdade, eles rejeitam o Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo na sua totalidade, porque negar um clássico significa negar todos os clássicos.


Claro que os Maoistas Gregos não poderiam agir de outra forma porque o Maoismo é a negação do estalinismo, o objectivo final da ideologia Maoista é destruir e aniquilar a ideologia estalinista. O Maoismo está relacionado com o Estalinismo, do mesmo modo que o capitalismo está relacionado com o socialismo: eles são opostos irreconciliáveis ​​- onde há Maoismo não pode haver Estalinismo, assim como onde há capitalismo, não pode haver socialismo.


Também é interessante notar que no contexto da actual situação na Grécia, os social-fascistas da O “C” G falam muito sobre a "luta contra o dikat da Alemanha". No entanto, ao negar o camarada Estaline, os Maoistas Gregos estão renunciando a um combate eficaz contra o imperialismo alemão. E isto porque o camarada Estaline foi o combatente contra o imperialismo alemão mais bem sucedido de todos os tempos, ele foi o arquitecto da derrota nazi. Não é possível combater eficazmente o imperialismo alemão recusando os ensinamentos gloriosos do camarada Estaline, mas os Maoistas Gregos estão totalmente alheios a esta verdade inquestionável. Na verdade, eles fingem combater um imperialismo enquanto dependem de outro, porque o Maoismo é a ideologia da fundação e desenvolvimento do imperialismo chinês, que está hoje à beira de dominar o mundo. Portanto, todos aqueles que defendem o Maoismo são também inevitavelmente apoiantes do social-imperialismo chinês, porque este é a consequência lógica e inevitável do Maoismo social-fascista.


E os Maoistas Gregos continuam com o seu anti-comunismo fervoroso:


"Aquilo pelo qual lutamos:


- Para a Grécia ser independente do imperialismo e do jugo de todos os organismos internacionais que impõem a miséria e a guerra. Pela a saída da Grécia da NATO e da UE, pela a dissolução de todas as organizações imperialistas, incluindo o FMI, OMC, etc. (...).


 - Contra as políticas de pobreza, desemprego e dependência aplicada por ambos os partidos de direita (...). Pelos direitos sociais e democráticos do nosso povo, contra o ataque neoliberal e da legislação "anti"-terrorista.


- Pela orientação anti-imperialista/anti-capitalista do movimento de massas contra a globalização imperialista e a guerra (...).


- Contra o nacional chauvinismo e o racismo (...)
".


(http://www.international.koel.gr/index.php?option=

com_content&view=article&id=31:who-we-are&catid=5:about-the-koe&Itemid=14, Sobre o KOE, traduzido a partir da versão em Inglês)


Como se pode concluir, os Maoistas Gregos fingem estar muito preocupados com coisas como "a luta contra o neo-liberalismo e a guerra", "a luta contra o racismo e o chauvinismo", "a luta contra a pobreza e o desemprego", "a dissolução de todas as organizações imperialistas ", etc. ... Mas isto é tudo uma fantochada enorme, porque todas estas coisas vão sempre existir enquanto o capitalismo existir. Portanto, a única forma de abolir definitivamente estes males é através da destruição do capitalismo. Só desta forma a sua inevitabilidade pode ser evitada. Mas para destruir o capitalismo e todos os danos que lhe são inerentes, é necessário seguir fielmente e aplicar a ideologia Marxista-Leninista-Estalinista-Hoxhaista que os Maoistas Gregos negam inteiramente.


Além disso, devemos notar também a posição dos Maoistas Gregos relativamente á globalização. Eles afirmam ser "contra a globalização imperialista, encarando a globalização como sendo nada mais do que uma ocorrência prejudicial que apenas beneficia o imperialismo. Mas isto não é verdade. Embora possa ser altamente nociva na sua forma capitalista actual, a globalização é a chave que permitirá ao proletariado mundial abrir as portas da revolução socialista mundial em direcção ao socialismo e ao comunismo mundial. Como a plataforma programática do Comintern (SH) afirma:


"Somos a favor ou contra a globalização? Nós somos contra a globalização capitalista, no entanto, somos absolutamente a favor da globalização socialista (reforçando a tendência segundo a lei universal do socialismo).

A nossa luta anti-capitalista não se limita á luta contra os abusos do capitalismo globalizado. Nós somos revolucionários mundiais e não reformistas mundiais! Nós lutamos em primeira linha pela destruição do capitalismo, não pelo reformismo capitalista. (...)

Como Estalinistas-Hoxhaistas, nós diferimos fundamentalmente de todos os outros adversários da globalização, ou seja, nós lutamos contra a inevitabilidade do capitalismo. Esta é uma diferença enorme e fundamental.” (Documentos do Comintern (EH), Plataforma - Declaração programática mundial, Novembro de 2009, edição em Português)


Dizer que a globalização é algo puramente negativo é abraçar visões nacionalistas pequeno-burguesas que estão em total oposição à ideologia verdadeiramente revolucionária Estalinista-Hoxhaista.

Além disso, os Maoístas Gregos também apoiam a teoria das "100 flores e das 100 escolas" de Mao:


"Dizemos não ao marxismo de “estufa”. Os marxistas não têm medo de confrontar ideias erradas. Somente através deste confronto pode o Marxismo ser forjado, revigorado e prevenir o “congelamento” da revolução." (http://www.international.koel.gr/index.php?option=

com_content&view=article&id=22:the-influence-of-the-chinese-revolution-on-the-communist-movement-of-greece-may-2006&catid=6:communist-movement&Itemid=6, A influência da Revolução Chinesa sobre o Movimento Comunista da Grécia, 2006, traduzido a partir da versão em Inglês)

Com esta declaração, é óbvio que os social-fascistas da O “C” G estão a tentar justificar a existência e a preservação das ideologias e visões burgueso-revisionistas. Eles apresentar a coerente e consistente luta Marxista-Leninista contra as ideologias pró-capitalistas como sendo "marxismo de estufa". Em vez disso, eles defendem que é positivo que as ideias anti-Marxistas continuem a existir e a espalhar-se entre os trabalhadores, e que o marxismo deve entrar em confronto com essas ideias. Esta é uma posição totalmente oportunista. Sob a ditadura do proletariado, sob o socialismo genuíno, não pode haver "confronto de ideias", como defendem os ideólogos pluralistas burgueses. Pelo contrário, só pode haver uma ideologia: o Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo, e esta ideologia revolucionária deve exercer um domínio absoluto sobre cada aspecto da vida e da consciência dos trabalhadores. Quanto mais absoluto for o controle que o Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo detém sobre as mentes e as acções dos trabalhadores, mais difícil será a restauração capitalista-revisionista. É precisamente por isto que os Maoistas propõem este tipo de lixo pluralista burguês: porque eles apoiam ardentemente a degeneração capitalista-revisionista, porque eles querem condenar o socialismo ao fracasso ao evitarem que os proletários se livrem das influências reaccionárias e anti-comunistas. No seu livro "O Imperialismo e a Revolução", o camarada Enver faz uma crítica que se adapta perfeitamente ás posições dos Maoistas Gregos:


As concepções revisionistas de Mao Tsetung baseiam-se na política de colaboração e aliança com a burguesia, constantemente aplicada pelo Partido Comunista da China. Esta é também a fonte da orientação antimarxista e antileninista do «florescimento de cem flores e concorrência de cem escolas», expressão direta da coexistência de ideologias contrárias.


Segundo Mao Zedong (…) tal orientação seria indispensável ao desenvolvimento do marxismo, à abertura de debates, à liberdade de opinião. Na realidade, ela foi um esforço para dotar de uma base teórica a política de colaboração com a burguesia e coexistência com a ideologia burguesa.


Mao Tsetung dizia que «...proibir as pessoas de entrar em contacto com o que é falso, pernicioso e hostil, com o idealismo e a metafísica, que se conheça as ideias de Confúcio, Lao Tse e Chiang Kai-chek, seria uma política perigosa. Conduziria à regressão do pensamento, ao unilateralismo e tornaria as pessoas incapazes de resistir às provas da Vida...» (Mao Tsetung, Obras Escolhidas, vol. V, pag. 397, versão francesa, Pequim, 1977). Mao Tsetung conclui daí que o idealismo, a metafísica e a ideologia burguesa existirão eternamente e, portanto, além de não deverem ser proibidos, devem ter possibilidade de florescer, de vir à tona e concorrer. Essa postura de conciliação com tudo que é reaccionário vai tão longe que qualifica de inevitável as desordens na sociedade socialista e de errónea a proibição da actividade dos inimigos.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


E como se tudo isto não bastasse, os Maoistas Gregos ainda nos oferecessem um outro "presente": uma admissão explícita das tendências anarquistas que se encontram em todo o revisionismo Maoista:

"O revisionismo moderno é permeado pelo estatismo. Ele reproduz a superstição de adorar o estado, algo que não tem nada em comum com a visão Marxista-Leninista do poder proletário. É o medo da mobilização e da espontaneidade das massas, é a desconfiança nas massas e na classe trabalhadora. Isto aumenta a dependência relativamente a métodos burocráticos e administrativos, aumentando a distância entre os mecanismos e as massas."

(http://www.international.koel.gr/index.php?option=

com_content&view=article&id=22:the-influence-of-the-chinese-revolution-on-the-communist-movement-of-greece-may-2006&catid=6:communist-movement&Itemid=6, A influência da Revolução Chinesa sobre o Movimento Comunista da Grécia, 2006, traduzido a partir da versão em Inglês)

Esta alegada "luta contra a adoração do Estado", esta "defesa da espontaneidade das massas" são tipicamente anarquistas. Toda a gente sabe que os anarquistas gostam de gritar contra o "estatismo Estalinista" e contra o "despotismo burocrático Leninista" que supostamente "negam a liberdade das massas". Estes slogans pró-capitalistas nojentos são utilizados por eles na sua luta contra o bolchevismo revolucionário. Portanto, tal como acontece com os anarquistas, também podemos facilmente perceber os ataques odiosos que os Maoistas Gregos lançam contra a necessidade de um poder proletário firme liderado por um partido autenticamente Marxista-Leninista de acordo com as regras da disciplina proletária e do centralismo democrático. Mas isto já era previsível. Tanto o Maoismo como o anarquismo partilham características que revelam a verdade sobre sua natureza social-fascista – tal como o anarquismo, o Maoismo também nega:


 - A ditadura do proletariado:


"Assim como todos devem partilhar o alimento que existe, também não deve haver monopólio do poder por um único partido, grupo ou classe." (Mao Tsetung, Obras Escolhidas, vol. 3, p. 235, edição Albanesa, traduzido do Inglês)


- E a liderança absoluta e exclusiva do partido comunista:


"Nós achamos que devemos seguir o princípio da coexistência a longo prazo e do controle mútuo entre o Partido Comunista e os partidos e grupos democráticos." (Liou Chao Chi, Rapport politique du Comité Central du Parti Communiste chinois au VIIIe Congrès National du PCC, Pékin, 1956, traduzido do Francês)


(...) O controle mútuo não é unilateral, o Partido Comunista vai controlar os partidos democráticos e os partidos democráticos irão igualmente controlar o Partido Comunista." (Mao Tsé-tung, De la juste solution des contradictions au sein du peuple, Textes choisis, Pékin, 1972, p. 509, traduzido do Francês)


Relativamente a estes aspectos do social-fascismo Maoista, o camarada Enver camarada observou:


"Ao contrário do que diz a teoria de Lenine relativamente às relações entre o centro e as massas, Mao Tsetung abriu campos para a acção espontânea das massas em geral e da classe trabalhadora em particular. Como se sabe, Lenine não permitia a espontaneidade das massas enquanto acção contrária aos princípios Marxistas. Segundo Lenine, as acções das massas e da classe devem ser orientadas e dirigidas pelo partido Marxista. Mao adoptou a posição de que as próprias massas, sem a liderança da classe operária e do seu partido, e desconsiderando os princípios do centralismo democrático, devem construir o seu próprio caminho." (...)


"As visões políticas e ideológicas não-marxistas, ecléticas e burguesas de Mao Tsetung deram á China liberta uma superestrutura instável, uma organização caótica do estado e da economia que nunca alcançou a estabilidade. A China esteve sempre em desordem contínua e anárquica que foi incentivada por Mao Tsetung com o slogan «as coisas devem primeiro ser agitadas, a fim de serem depois esclarecidas».” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês)


A "Revolução Cultural" de Mao foi uma das épocas em que as influências anarquistas inerentes ao Maoismo apareceram com mais clareza. Em 1966, quando este golpe ultra-reaccionário estava no seu auge, o Comité Central do Partido "Comunista" da China afirmou:


(...) Só as massas podem libertar-se a si mesmas e nunca devemos querer agir em seu lugar." (Decisão do Comité Central do PCC sobre a Grande Revolução Cultural Proletária, 08 de Agosto de 1966, Beijing, traduzido do Francês)

Como se pode concluir, as semelhanças entre esta afirmação e as palavras dos Maoistas Gregos sobre a "mobilização e a espontaneidade das massas" saltam á vista. E os social-fascistas da O “C” G também defendem abertamente a "Revolução Cultural" ultra-revisionista:

"Hoje em dia, não pode haver Marxismo revolucionário sem Maoismo e sem a Grande Revolução Cultural Proletária. Honramos Mao Tsetung e a luta dos comunistas chineses, honramos o Grande Revolução Cultural Proletária (...).” (http://www.international.koel.gr/index.php?option=

com_content&view=article&id=22:the-influence-of-the-chinese-revolution-on-the-communist-movement-of-greece-may-2006&catid=6:communist-movement&Itemid=6, A influência da Revolução Chinesa sobre o Movimento Comunista da Grécia, 2006, traduzido a partir da versão em Inglês)

Perante esta afirmação dos Maoistas Gregos, não pode haver resposta melhor do que aquela que se encontra dentro de nossa própria ideologia Estalinista-Hoxhaista:


"E sobre Mao e sua "Revolução Cultural"? Esta revolução não foi nem socialista nem proletária e é contrária à Revolução de Outubro e aos ensinamentos de Marx, Engels, Lenine e Estaline. Ela não foi dirigida por um partido bolchevique, nem pelo próprio proletariado. Foi um movimento anarquista de uma parte do exército e dos estudantes contra o proletariado chinês." (Documentos do Comintern (Estalinista-Hoxhaista), Neo-revisionism or Leninism?, 2004, traduzido a partir da edição em Inglês)


A verdade é que tempos difíceis esperam não só os Maoistas Gregos, mas também todos os Maoistas de todo o mundo. Nós, os Estalinistas-Hoxhaistas, vamos-lhes fazer a vida num verdadeiro inferno. O social-fascismo Maoista representa um grave perigo para a revolução socialista mundial e para a ditadura proletária mundial e, portanto, não vamos descansar até que tanto o Maoismo como os Maoistas estejam definitivamente mortos e enterrados.








3.6 - Partido dos Trabalhadores da Bélgica e Partido Comunista Unido da Rússia (Bolcheviques)



Primeiro que tudo, devemos salientar que o P “T” B (em francês: Parti du Travail de Belgique) não é um partido explicitamente Maoista. No entanto, é na verdade uma organização pró-maoísta que tem um papel de liderança a nível internacional líder e que uniu mais de 25 partidos (!) em todo o mundo (inclusive no continente Africano).

Apesar do fato de o P “T” B não ser expressamente Maoista, nós nunca poderíamos deixar de o mencionar neste artigo, porque os partidos Maoistas "tiram proveito" de todos aqueles que fazem os partidos Maoistas passar por partidos Marxistas-Leninistas. Este é obviamente um reforço da posição dos Maoistas e uma enfraquecimento para os Hoxhaistas no que respeita á nossa luta contra o Maoismo. Assim, o P “T” B apoia o Maoismo, nem que seja indirectamente.


Isto faz, na nossa opinião, parte das tácticas de todos os revisionistas que se unem contra nós Estalinistas-Hoxhaistas na nossa luta contra o Maoismo em particular, e contra o revisionismo em geral. Se declaramos guerra contra os Maoistas, então é nosso dever declarar a guerra também aos partidos que ajudam os Maoistas na sua luta contra nós.

A verdade é que qualquer reconciliação do camarada Enver Hoxha com o revisionista Mao Tsetung é uma defesa do Maoismo e um ataque contra o Hoxhaismo, e um partido como o P “T”B que une 50 (!) partidos em todo o mundo sob a égide da sua linha revisionista de reconciliação constitui um grande apoio internacional para todas as organizações Maoístas na sua luta contra o Hoxhaismo. Os partidos filiados ao social-fascista P “T”B assinaram a resolução de 1999 em que decidiram não atacar as "diferentes tendências anti-revisionistas", inclusivamente o Maoismo. Esta é a mesma linha que o ICOR Maoista tem seguido. Mas ela não pode ser tolerada pelos verdadeiros Marxistas-Leninistas.

Concluindo, o P “T” B é um partido revisionista que tenta conciliar o revisionismo com o Marxismo-Leninismo sob o disfarce de "anti-revisionismo". Esta é originalmente a base do revisionismo chinês, uma ideologia do ecletismo das “ideias de Mao Tsetung”. Esta é, em essência, a unidade na base da linha-geral revisionista chinesa do movimento comunista mundial (ver: Polémicas, Julho de 1963).


Como afirmou o famoso líder do P “T” B, Ludo Martens:


"Hoje, como resultado da restauração do capitalismo sob Gorbachov, a “tendência pró-soviética” desintegrou-se em inúmeras correntes. Na década de sessenta, uma tendência “pró-chinesa surgiu, mas dividiu-se após a morte de Mao. Houve uma tendência "pró-albanesa" que também se dividiu após o colapso do socialismo na Albânia, e uma tendência "pró-cubana" que se verifica principalmente na América Latina. Alguns partidos, por fim, mantiveram uma posição "independente" em relação às tendências mencionadas. Seja qual for a opinião de cada um sobre a sua correcção ou sobre a necessidade de estas tendências se dividirem, hoje é possível superar essas divisões e unir os partidos Marxistas-Leninistas." (Documentos do PTA, Proposal for the unification of the international communist movement, traduzido a partir da edição em Inglês)


Como se esta posição oportunista e anti-socialista de "unidade com todos a qualquer custo" não fosse suficiente para provar a natureza ultra-reacionária do P “T” B, na Declaração de 1999 do Seminário Comunista Internacional, os líderes deste partido neo-revisionista declararam que “Mao Tse Tung, Enver Hoxha e outros eminentes líderes comunistas como Kim Il Sung, Che Guevara e Ho Chi Minh, deram a sua contribuição para a luta contra o revisionismo e a sua luta anti-revisionista preparou o terreno para uma renovação do movimento comunista sobre bases verdadeiramente revolucionárias.”


Eles referiram também as "vitórias internacionais da classe trabalhadora e do socialismo na era de Lenine, Estaline e Mao (!!!)" – mas não disseram um palavra acerca da era do camarada Enver Hoxha, o quinto Clássico do Marxismo-Leninismo.


Os social-fascistas do P “T”B fingem "reconhecer" a luta anti-revisionista heróica do camarada Enver em palavras, mas eles negam-na e desprezam-na nos actos!


Na verdade, o revisionista Ludo Martens sempre foi um crítico ferrenho do camarada Enver. Um dos livros de Enver contra o qual Martens mais dirigia o seu ódio pró-capitalista era - sem surpresa - "Reflexões sobre a China". Martens não perdia uma única oportunidade para desacreditar a correcta posição Marxista-Leninista do camarada Enver contra o Maoismo e uma vez declarou que "enquanto criticava os desvios oportunistas do PC da China", o camarada Enver alegadamente adoptaria uma "fraseologia ultra-esquerdista igualmente perigosa". Mas o camarada Enver, o quinto Clássico do Marxismo-Leninismo estava bem à frente de todos os Martens deste mundo, e por isso ele já tinha previsto há muito tempo que este tipo de "argumentos" seria usado pelos revisionistas. Portanto, no mesmo livro "Reflexões sobre a China", o camarada Enver respondeu a este tipo de pseudo-argumentos com bravura Leninista:


"Eu tentei ser objectivo e correcto nas minhas análises, independentemente dos termos fortes que eu às vezes usei. Mas eu acho que as coisas devem ser chamadas pelos seus nomes. (...)


Nas minhas anotações eu escrevi ao longo do tempo sobre muitas questões, algumas delas em termos duros. A julgar pelo ângulo Marxista-Leninista, a partir da experiência teórica e prática e da organização Leninista do nosso partido, muitas questões políticas, ideológicas ou de organização do Partido Comunista da China, de Mao Tsetung, do Comité Central do Partido Comunista da China, a revolução chinesa e os golpes contra vários desviacionistas nunca me pareceram muito claras, e muitas vezes usei termos duros sobre elas. Eu fiz isto porque a minha consciência comunista, a experiência do Partido e o estudo das obras dos clássicos do Marxismo-Leninismo não me permite usar termos mais suaves perante muitas situações confusas e incertas. Então, cheio de raiva quando vi e li todas essas coisas que estavam sendo feitas contra o Marxismo-Leninismo e a causa do proletariado, eu não pude evitar expressar os sentimentos neste meu diário (...).” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês)


No que respeita ao Partido Comunista Unido da Rússia (Bolcheviques) (o Vsesoyuznaya Kommunisticheskaya Partiya Bol'shevikov liderado por Nina Andrejewna), esta é uma organização que tem laços estreitos com o P “T”B. O PCUR (B) tem muita influência sobre outros partidos Maoistas na Europa e em todo o mundo, e é conhecido pelo seu apoio inabalável á liderança social-fascista da Coreia do Norte. O PCUR (B) é inclusivamente a principal organização que tenta restaurar o social-imperialismo e o social-fascismo na Rússia e também a que exerce maior influência nos países da antiga União Soviética.


É um facto irrefutável que as declarações de guerra contra o Maoismo são inúteis se não combatermos simultaneamente todas os partidos que se tentam reconciliar com o Maoismo. Consequentemente, o Comintern (EH) declara guerra a todas as forças de todo o mundo que tentem conciliar o Maoismo com o Hoxhaismo. Este princípio é parte indispensável e imanente da nossa declaração de guerra contra o Maoismo.












4 - Continente Asiático



A Ásia é talvez o continente mais afectado pelo revisionismo Maoista. Isto não é nada de surpreendente, já que a Ásia é o continente onde o Maoismo apareceu pela primeira vez. Na verdade, a influência do social-fascismo Maoista sobre o proletariado asiático é tão intensa que podemos afirmar que o Maoismo é um dos principais - senão o principal - obstáculo á revolução socialista na Ásia. Esta é uma situação muito grave porque a Ásia é a região mais populosa do mundo, é uma fonte quase infinita de militantes proletários para a futura revolução socialista mundial.


Se analisarmos a história recente da Ásia há tantos exemplos das actividades contra-revolucionárias dos Maoistas que é difícil saber por onde começar. Em primeiro lugar, temos o Partido "Comunista" da China e a "revolução" Maoista Chinesa de 1949, cujas origens, causas e consequências já foram analisadas na DWM I e na DWM II. Portanto, vamos apenas dizer que a "revolução" chinesa de 1949 continua a enganar os trabalhadores devido à sua falsa máscara "socialista". É claro que os trabalhadores Asiáticos estão entre aqueles que são mais iludidos por esta falsa "revolução", até porque o oportunismo Maoismo afirma ser "Marxismo-Leninismo adaptado às condições da Ásia". Portanto, é perfeitamente compreensível que muitos trabalhadores e movimentos Asiáticos caiam sob o domínio do Maoismo anti-socialista. Isto é o que acontece por exemplo com os Naxalitas indianos e com os guerrilheiros Maoistas que operam nas Filipinas, isto para não mencionar os crimes sanguinários cometidos no Camboja pela organização Maoista contra-revolucionária "Khmer Rouge" e que são ainda hoje utilizados pela burguesia mundial para desacreditar a nossa gloriosa ideologia comunista. Infelizmente, os trabalhadores que apoiam estes movimentos terroristas ainda pensam que estão a seguir organizações genuinamente revolucionárias.


Obviamente, não há falta de partidos e organizações Maoistas na Ásia. Só na Índia há dezenas deles. Os Maoistas Asiáticos estão totalmente dedicados a afastar os trabalhadores Asiáticos dos caminhos verdadeiramente revolucionários, e eles até já declararam publicamente ser contra a formação de uma nova Internacional Comunista:

"Devemos recordar que o Partido Comunista Chinês nunca defendeu a formação de uma Internacional (...). A história lembra que, apesar dos sucessos do PCC no tempo de Mao, este partido não avançou para o estabelecimento da Internacional Comunista ou para o estabelecimento de uma organização internacional. Em vez disso, realçou que os Partidos Comunistas devem aplicar as verdades universais do Marxismo-Leninismo á situação concreta do seu país. Ele enfatizou que os outros países não devem copiar a experiência Chinesa, mas sim adaptá-la ás suas sua próprias condições.


A principal razão para a cautela do PCC foi perceber a formação de novos regimes de neo-coloniais que só poderiam ser combatidos por um partido comunista nativo pronto para analisar e avaliar tais situações. Uma força externa não podia compreender a realidade concreta de cada nação. Assim, o PCC respeitou a necessidade de independência política do Partido Comunista de cada país."

(http://democracyandclasstruggle.blogspot.com/

2011_12_01_archive.html, A New Communist International? The thoughts of Comrade Harsh Thakor, Dezembro de 2011, traduzido a partir da edição em Inglês)


Como pode ser observado, os Maoistas Asiáticos usam o pretexto da "independência de cada Partido Comunista" e da "situação concreta em cada país" para negar a necessidade da formação de uma nova Internacional Comunista. Claro que estes argumentos utilizados pelos Maoistas não são minimamente válidos. É verdade que cada país tem as suas próprias condições específicas que devem ser levadas em consideração pelo Partido Comunista. No entanto, os princípios gerais e os grandes fundamentos do Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo, as lições e regras científicas fornecidas pela experiência da União Soviética dos camaradas Lenine e Estaline e pela Albânia socialista do camarada Enver Hoxha são aplicáveis ​​e devem ser realizadas em todos os lugares, em todas as países e regiões sem excepção. É claro que com este ataque os Maoistas Asiáticos estão a tentar desacreditar a formação da nossa Internacional Comunista (EH). Mas não há obstáculos que possam impedir que nós, Estalinistas-Hoxhaistas, consigamos provar às massas trabalhadoras Asiáticas que o Maoismo não é mais do que uma ideologia pró-capitalista. Nós faremos o nosso melhor para conquistar os trabalhadores Asiáticos para o lado da nossa ideologia proletária e anti-revisionista. Não pouparemos esforços para libertar o proletariado da Ásia da influência nociva da ideologia Maoista. Com isto em mente, esperamos sinceramente que as nossas reflexões sobre o Maoismo Asiático sejam capazes de servir este nobre propósito.






4.1 - Partido Bolchevique do Curdistão do Norte – Turquia



O "B" PT é uma das principais organizações Maoistas na Turquia. O seu nome - o que inclui a palavra "bolchevique" - é uma clara intenção de enganar os trabalhadores Turcos, tentando convencê-los de que o P “B” T é um verdadeiro partido comunista. Além disso, como a Turquia é um estado fascista cuja burguesia ilegalizou a P “B” T, isso contribui para dar os Maoistas Turcos uma aparência "anti-fascista" e "radical". Esta é uma situação muito grave porque a imensa maioria dos trabalhadores Turcos não têm consciência nem formação socialista. Desta forma, eles facilmente acreditam nos charlatães Maoistas que alegam ser "Maxistas-Leninistas". Na verdade, se dermos uma olhada á "participação" dos Maoistas Turcos na 7 ª Conferência da ICMLPO vamos concluir que, longe de ser um partido verdadeiramente bolchevique, o P “B” T não é nada mais do que uma organização anti-Marxista e social-fascista. Os Maoistas Turcos começam por descrever algumas das características do seu país, após o que eles apresentam os seus pontos de vista ultra-revisionistas:


"Na sua primeira etapa, a revolução na Turquia / Curdistão do Norte será uma revolução anti-imperialista, anti-fascista, uma revolução da nova democracia." (ICMLPO, International Newsletter, n º 33, Julho de 2007, edição em Inglês)


Como pode ser constatado, os Maoistas Turcos não hesitam antes de defender a teoria das “duas revoluções” de Mao. Segundo Mao, a "revolução" divide-se em duas fases: a fase anti-imperialista burguesa e a fase "socialista". Claro que o objectivo da primeira fase é garantir que a segunda fase nunca vai acontecer, porque Mao apoia explicitamente o desenvolvimento de elementos capitalistas de exploração durante a primeira fase "democrática", permitindo assim a formação, consolidação e preservação da ditadura burguesa. E Mao ainda tenta apresentar esta teoria ultra-revisionista como sendo uma "lei marxista":

Não é possível alcançar o socialismo sem passar pela fase democrática (leia-se: burguesa): esta é uma lei marxista.” (Mao Zedong, Du gouvernement de coalition, Oeuvres choisies, Pékin, 1968, t. III, p. 246, traduzido a partir da edição em Francês)


Relativamente a esta "teoria das duas revoluções", o camarada Enver observou que:

"Mao Tsetung nunca foi capaz de compreender e explicar correctamente as relações estreitas que existem entre a revolução democrático-burguesa e a revolução proletária. Ao contrário da teoria Marxista-Leninista, que provou cientificamente que não há nenhuma muralha da China entre a revolução democrático-burguesa e a revolução socialista, que estas duas revoluções não têm de ser separadas uma da outra por um longo período de tempo, Mao Tsetung afirmou: «A transformação da nossa revolução em revolução socialista é uma questão do futuro... Pode demorar muito tempo. Não devemos discorrer sobre essa transição até que todas as condições políticas e económicas necessárias estejam presentes e até que isso seja vantajoso e não prejudicial para a esmagadora maioria do nosso povo”. Mao Tsetung aderiu a este conceito anti-marxista que não favorece a transformação da revolução democrático-burguesa em revolução socialista (...).”(Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


Afirmar que é impossível fazer uma revolução socialista e construir o socialismo sem passar por uma fase capitalista significa defender a preservação da exploração capitalista. O camarada Lenine ensinou que:


(...) Com a ajuda do proletariado dos países avançados, os países atrasados também ​​podem construir o regime soviético e (...) uma sociedade comunista, evitando o estágio capitalista." (Lenine, IIIe Congrès de l'Internationale communiste, Oeuvres, volume 31, p. 252, traduzido da língua Francesa)


Na verdade, os Maoistas afirmam falsamente que "a primeira fase não vai levar á perpetuação do capitalismo porque apenas serão permitidas pequenas / médias empresas capitalistas". Este argumento é completamente falacioso. Os clássicos do Marxismo-Leninismo ensinam que a pequena propriedade inevitavelmente origina a propriedade monopolista e que o chamado "pequeno capitalismo" inevitavelmente origina o capitalismo monopolista. Este foi certamente o que sucedeu na China Maoista onde, após ter derrotado a burguesia de tipo comprador, a burguesia nacional Chinesa conseguiu transformar-se numa burguesia monopolista do tipo social-fascista que controla o estado revisionista Chinês.

Concluindo, quando os Maoistas Turcos dizem que a "revolução" deve passar por uma fase "anti-imperialista e democrática", isto quer dizer que eles são contra a revolução socialista, que eles vão fazer o possível para manter o capitalismo por meio da preservação do poder do Estado nas mãos da burguesia "patriótica". Isto é o que os Maoistas Turcos querem dizer quando ridiculamente se referem à "revolução anti-imperialista".
Depois disto, os social-fascistas do P “T” B afirmam que:


"Ainda é um facto:


* Que o imperialismo dos EUA é agressivo e expansionista;


* Que ele age como um polícia do mundo;


* Que invade e ocupa países como no Afeganistão e o Iraque;


* Que constrói novas bases militares em todos os lugares - no Oriente Médio, nas Filipinas, no Afeganistão, etc. - para colocar os seus planos da hegemonia mundial em acção;

O imperialismo Americano é, sem dúvida, a maior potência imperialista actual no que respeita ao poder económico e também ao poder político e militar. Para além disto, ele luta para ganhar a hegemonia mundial absoluta."
(ICMLPO, International Newsletter, n º 33, Julho de 2007, edição em Inglês)


Esta afirmação era verdade há alguns anos, mas hoje em dia o imperialismo dos EUA compartilha o papel de principal potência imperialista com o social-imperialismo chinês, cujas origens podem ser encontradas precisamente no Maoismo. Os Maoistas Turcos admitem que o "imperialismo chinês está a crescer", mas afirmam isto insinuando que o social-imperialismo Chinês não tem nada a ver com o "pensamento de Mao Zedong". Mas tal não é verdade. A ascensão do imperialismo Chinês é a consequência lógica da ideologia de Mao e dos princípios que sustentam que a burguesia deve ter liberdade de acção e deve continuar a dominar a ordem política, económica e social. Como o objectivo final de toda burguesia é maximizar os lucros, não é difícil entender por que a burguesia Chinesa lutava para controlar o poder do Estado e transformar a China numa superpotência imperialista. Negar isto significa estar totalmente submerso num delírio anti-comunista.
Assim, os Maoistas Turcos não apenas negam que o social-imperialismo Chinês é hoje um dos principais inimigos dos trabalhadores do mundo e que está a um nível militar e económico equivalente ao do imperialismo Americano, como também tentam traiçoeiramente apresentar o Maoismo como não tendo nada a ver com esta situação.


E como se isto não bastasse, os Maoistas Turcos tentam criar uma contradição artificial entre a luta contra o imperialismo estrangeiro e da luta contra o Estado fascista turco:

"A Turquia é um país cliente do imperialismo (…) principalmente dos EUA e da Alemanha. Não é ocupada pelas potências imperialistas (...). Do nosso ponto de vista, é errado retratar o imperialismo dos EUA como sendo o inimigo número 1 entre as potências imperialistas dominantes na Turquia, como o inimigo principal. Na Turquia / Curdistão do Norte o principal inimigo dos povos é o Estado fascista turco.
(...) Nas suas lutas, os trabalhadores e camponeses são confrontados com a máquina estatal turca e não com a máquina de estado dos EUA, não por militares dos EUA, etc. O fascismo na Turquia não é praticado pelo imperialismo Americano, mas sim pelo Estado Turco!"
(ICMLPO, International Newsletter, n º 33, Julho de 2007, edição em Inglês)


Portanto, os Maoistas Turcos afirmam que a Turquia é um estado capitalista de tipo fascista, que é dependente do imperialismo estrangeiro, mas também declaram que o principal inimigo do povo turco é o estado fascista turco. Eles tentam fabricar uma contradição entre as lutas contra ambos estes inimigos como se eles não tivessem absolutamente nenhuma ligação entre eles, como se o imperialismo estrangeiro não tivesse nada a ver com o domínio da burguesia fascista Turca. Na verdade, os Maoistas Turcos apresentam a situação como se os trabalhadores Turcos tivessem de fazer uma opção: ou lutar contra o imperialismo estrangeiro ou lutar contra a burguesia fascista Turca. Esta visão é completamente falsa e contra-revolucionária. Actualmente, a burguesia que governa a Turquia através de meios fascistas pertence ao tipo comprador. Ela vende os recursos da Turquia aos imperialismos estrangeiros em troca de alguns lucros e privilégios. Portanto, o combate contra a burguesia fascista Turca e a luta contra o imperialismo dos EUA e da Alemanha são inseparáveis entre si. Ambas as lutas formam uma única unidade. Uma não pode existir sem a outra, porque os imperialismos estrangeiros suportam as classes dominantes fascistas Turcas e estas últimas dependem desses imperialismos para se manterem no poder. Como o camarada Enver Hoxha firmemente declarou:


"A direcção revisionista chinesa esquece que a unidade desses estados nacionais só pode ser assegurada através da luta do proletariado e das massas trabalhadoras de cada país contra o imperialismo externo que penetrou naquele país, mas também contra o capitalismo interno e reacção." (...).”(Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


Estas palavras de Enver relativamente aos revisionistas Chineses adequam-se perfeitamente aos Maoistas Turcos. De facto, os trabalhadores Turcos devem combater simultaneamente o imperialismo americano e a burguesia fascista Turca. E é isso que os Maoistas do P “B” T deveriam defender se eles fossem verdadeiros revolucionários e não meros social-fascistas.


Quanto às alegações falsas dos Maoistas Turcos de que o seu partido é ilegal por causa do seu suposto "socialismo anti-fascista", não é difícil ver a verdadeira razão por trás da ilegalização do P “B” T pelo Estado fascista Turco: a burguesia compradore que controla esse estado reconhece o P “B” T como representante de outro sector da burguesia Turca que rivaliza com ela pelo domínio do poder político-económico no país. Os Maoistas Turcos são os representantes da burguesia nacional Turca que quer derrubar a burguesia pró-imperialista que actualmente governa o país. Consequentemente, as reivindicações dos Maoistas Turcos de que o seu partido é ilegal porque "é um partido verdadeiramente Marxista-Leninista" que, alegadamente, desafia o "fascismo Turco" são totalmente falsas.

E, finalmente, os social-fascistas do P “B” T ainda se referem á revolução socialista mundial do seu ponto de vista Maoista. Eles afirmam que:


(...) O processo revolucionário mundial é a soma de revoluções socialistas não simultâneas nos países imperialistas e de revoluções democrático-burguesas anti-imperialistas nos países oprimidos." (ICMLPO, International Newsletter, n º 33, Julho de 2007, edição em Inglês)


Esta declaração é muito semelhante a uma afirmação feita pelos Maoistas Chilenos e Norte-americanos no documento conjunto que analisámos anteriormente neste artigo. Portanto, vamos apenas repetir que para manter as relações e os elementos capitalistas numa parte do actual mundo globalizado (os chamados países oprimidos) significa negar o carácter socialista da "revolução mundial" Maoista. As conversas dos Maoistas Turcos sobre a "revolução socialista nos países desenvolvidos" são mentira. A natureza capitalista-burguesa das revoluções da “Nova Democracia” que ocorrem nas nações oprimidas invalida a segurança e a definitividade da construção do socialismo no resto do mundo (nos chamados países desenvolvidos). Pelo menos, é este o caso no contexto da globalização actual.


Além disso, notamos que os Maoistas Turcos rejeitam o ensinamento Hoxhaists que declara que mesmo um país oprimido e semi-feudal pode efectivamente avançar rumo à revolução socialista e á construção de uma sociedade socialista sem ter que passar por uma etapa capitalista-burguesa de "Nova Democracia”:


"A experiência albanesa prova que mesmo um país pequeno com uma base técnica e material atrasada pode experimentar um grande desenvolvimento geral económico e cultural, pode ganhar a sua independência e também pode derrotar os ataques do capitalismo mundial e do imperialismo, se o país for conduzido por uma partido Marxista-Leninista genuíno, se o país estiver decidido a lutar até o fim pelos seus ideais e tiver confiança na sua realização." (Enver Hoxha, Report to the VIII Congress of the PTA, Tirana, 1981, traduzido a partir da edição em Francês)


Esta verdade inquestionável é um dos princípios fundamentos do Hoxhaismo. Ao recusá-lo, os Maoistas Turcos estão a rejeitar o Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo na sua totalidade, porque negar os ensinamentos de um dos Clássicos significa negar os ensinamentos de todos os outros Clássicos do Marxismo-Leninismo, e isso significa negar a ideologia comunista no seu conjunto. Mas é isto mesmo que os Maoista Turcos fazem, revelando assim plenamente o seu carácter de classe.


Por todas estas razões, está na hora de os trabalhadores Turcos em geral e do proletariado Turco em particular despertarem e rejeitarem o social-fascismo Maoista, compreendendo assim que a fundação de um partido verdadeiramente Estalinista-Hoxhaista na Turquia é a única forma de abolir definitivamente todos os males que são inerentes á ordem capitalista-imperialista mundial.







4.2 - Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista)



O Partido "Comunista" da Índia ("Marxista-Leninista") é um dos mais famosos partidos Maoistas em todo o mundo devido às suas dimensões e também devido às suas estreitas relações com o movimento anarco-terrorista Naxalita, cujas actividades são utilizadas pelo burguesia mundial em geral e pela burguesia indiana em particular como pretexto para desacreditar a ideologia comunista perante as massas trabalhadoras. Na verdade, o P “C” I ("ML") tem uma enorme influência no seio do movimento Maoista mundial – como pode ser provado pelas suas actividades dentro do ICOR.


Tal como acontece com muitos outros partidos Maoistas, o P “C” I ("ML") tem uma aparência muito "revolucionária" e "marxista" que se desmorona completamente quando reflectimos sobre os princípios ideológicos do partido.


Na verdade, a natureza revisionista e social-burguesa do P “C” I ("ML") pode ser facilmente percebida nos documentos do partido:


"Sob o regime neo-liberal, milhares de unidades industriais foram encerradas, as empresas do sector público foram totalmente (ou quase) privatizadas, (...) a educação, saúde, etc., foram privatizadas e que têm agora um custo que as coloca fora do alcance das pessoas comuns, para além de que os preços dos produtos essenciais estão a subir em flecha (...).


Nesta situação, apenas as forças comunistas revolucionários que intransigentemente se opõem a todas as políticas da classe dominante, incluindo a globalização imperialista, podem conduzir a liderança da luta contra o imperialismo, contra as classes burguesas burocráticos e contra as classes senhoriais e os partidos políticos que as representam." (ICMLPO, International Newsletter, n º 33, Julho de 2007, edição em Inglês)


Esta declaração é tipicamente reformista e social-democrata. Assim, de acordo com os Maoistas da Índia, o neo-liberalismo, as privatizações, etc. ... são os únicos inimigos. Aqui vemos a tendência inerente ao Maoismo de manter as exigências populares dentro dos limites de um Estado social-burguês, de manter a luta dos trabalhadores confinada a algumas esmolas dadas pela burguesia. Os Maoistas Indianos não estão minimamente preocupados com a destruição definitiva e completa do capitalismo. Tudo o que eles querem é fingir "combater" uma única forma de capitalismo: o neo-liberalismo. E as suas afirmações sobre os "cuidados de saúde", "os preços altos", etc. ... revelam os verdadeiros objectivos dos Maoistas: eles querem estabelecer um capitalismo "civilizado" com uma máscara "socialista" apenas para enganar os trabalhadores, convencendo-os que há não há necessidade de aderir a uma ideologia autenticamente socialista e revolucionária: afinal, neste capitalismo "domesticado" projectado pelos Maoistas os trabalhadores teriam "tudo": cuidados de saúde, os preços baixos, etc. ... É claro que a escravidão assalariada e a exploração continuariam sob disfarces "esquerdistas". De fato, é interessante notar a posição dos Maoistas Indianos relativamente à propriedade privada, porque eles gritam contra a "privatização" como se pudesse haver propriedade social genuína num estado capitalista como o que actualmente governa a Índia. Sob o capitalismo, a propriedade é sempre privada, não importa se o é assumidamente ou se pertence à burguesia capitalista estatal e usa um disfarce "público". Este tipo de propriedade aparentemente “pública” mas que na verdade está sob o controle privado da burguesia capitalista estatal é defendido pelos Maoistas. Esta propriedade "pública" é muito mais enganosa e traiçoeira do que a propriedade abertamente privada, porque cria no proletariado a falsa impressão de que a propriedade privada capitalista foi abolida quando a verdade ela continua viva e de boa saúde. De qualquer forma, não é de todo surpreendente que os Maoistas Indianos critiquem as privatizações. Eles fazem-no porque eles relacionam as privatizações com os interesses dos imperialismos estrangeiros na Índia e com os interesses da burguesia indiana de tipo comprador, isto é, relacionam-nas com os interesses do sector da burguesia que visam combater. Na verdade, os Maoistas tentar dar uma cor "progressista" e mesmo "esquerdista" as estes intentos, procurando assim inculcar nos trabalhadores Indianos a falsa ideia de que os interesses da burguesia nacional da Índia são também os seus próprios interesses, e que eles devem exclusivamente centrar-se sobre a luta contra o "imperialismo neoliberal estrangeiro". Esta situação é muito grave, até porque esta mesma burguesia nacional Indiana consolida de forma bem-sucedida a ascensão da Índia como uma nova potência imperialista.


E os Maoistas Indianos continuam com o seu zelo anti-comunista:


"O P “C” I (“ML”), que defende o Marxismo-Leninismo e o pensamento de Mao Tse Tung (...) compromete-se a completar a Revolução da Nova Democracia. A tarefa do partido durante a etapa da Revolução da Nova Democracia é derrubar o Estado burocrático da burguesa latifundiária que serve o imperialismo e substituir o presente estado reaccionário Indiano pelo estado da Nova Democracia Popular liderado pelo proletariado (...)." (ICMLPO, International Newsletter, n º 33, Julho de 2007, edição em Inglês)


É claro que as conversas fiadas dos Maoistas Indianos sobre a suposta "liderança do proletariado" na "nova revolução democrática" não são mais do que slogans revisionistas. A preservação do domínio burguês e da ditadura e exploração capitalista são inerentes ao conceito Maoista de "Nova Democracia" porque de acordo com o próprio Mao, a burguesia nacional continuará a ter total liberdade para controlar os principais meios de produção e utilizar o "estado da Nova Democracia" como um instrumento do seu despotismo de classe:


"Mao Zedong era pelo desenvolvimento livre e irrestrito do capitalismo na China durante o período do estado do tipo da «Nova Democracia». (...). No 7 º Congresso do PCC, ele disse, "Alguns pensam que os comunistas são contra o desenvolvimento da iniciativa privada, contra o desenvolvimento do capital privado, contra a protecção da propriedade privada. Na realidade, isso não é verdade. A tarefa da ordem da Nova Democracia, que estamos a criar, é precisamente a de garantir a possibilidade de desenvolvimento livre da iniciativa privada na sociedade e da economia privada capitalista.” (Enver Hoxha, O Eurocomunismo é Anticomunismo, Tirana, 1980, edição em Português)

A partir do momento em que a dominação burguesa-capitalista não é abolida, o proletariado e os trabalhadores nunca poderão implementar o verdadeiro socialismo nem na Índia nem na China nem em qualquer lugar ao redor do mundo. E os Maoistas Indianos ainda se atrevem a apoiar explicitamente a união dos proletários indianos com as políticas imperialistas da burguesia nacional indiana:


"A frente única estratégica de todas as classes e forças revolucionárias (...), bem como tácticas de frentes unidas tácticas necessárias devem ser desenvolvidas de forma a promover o movimento popular revolucionário." (ICMLPO, International Newsletter, n º 33, Julho de 2007, edição em Inglês)


Esta afirmação dos social-fascistas do P “C” I ("ML") corresponde, quase palavra por palavra, a uma declaração muito famosa de Mao:


Não interessa que classes, partidos ou indivíduos se juntam á revolução num país oprimido, e não interessa se eles próprios estão conscientes do que sucede ou não; desde que se oponham ao imperialismo, a sua revolução torna-se parte da revolução mundial proletária e socialista e eles tornam-se seus aliados.” (Mao Zedong, New Democracy, Janeiro de 1940, traduzido a partir da edição em Inglês)


Estas declarações revelam claramente as tentativas dos Maoistas para impedir a revolução socialista, promovendo a subjugação dos trabalhadores em favor da burguesia com o objectivo de salvaguardar a propriedade privada capitalista perpetuando assim a ordem político-económica de exploração. Nisto consiste o verdadeiro carácter do odioso "movimento revolucionários dos povos " Maoista.


Além disso, há ainda a questão Naxalita. Na DWM II, nós já tínhamos reflectido sobre o carácter anti-comunista dos Naxalitas Indianos. Vamos apenas acrescentar que o movimento Naxalita está intimamente relacionado com o P “C” I ("ML"), porque o movimento Naxalita foi fundado pelos líderes deste partido e, portanto, os posicionamentos ideológicos social -capitalistas do P “C” I ("ML") são os mesmos dos Naxalitas. A verdade é que os Naxalitas não são mais do que a secção armada da burguesia nacional da Índia que tenta derrotar as influências da burguesia Indiana de tipo comprador. Os Maoistas indianos afirmam que "os Naxalitas são compostos por trabalhadores das classes mais baixas", mas mesmo que isto seja verdade tal não muda nada. Pelo contrário, só mostra que o Maoismo Indiano exerce uma influência nociva sobre os sectores mais explorados de massa trabalhadoras Indianas, isto é, sobre aqueles que deveriam constituir a vanguarda das classes oprimidas da Índia. Em vez de seguir o Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo e de preparar o proletariado Indiano para ser um valoroso destacamento do futuro Exército Vermelho proletário mundial, os trabalhadores Indianos ultra-explorados estão a ser enganados e atraídos pelo social-fascismo Maoista em benefício dos interesses imperialistas da burguesia nacional da Índia.

Esta situação é insuportável e constitui um grave obstáculo para a revolução socialista mundial, porque a Índia é uma das maiores fontes mundiais de força de trabalho proletária, e é também um país altamente desigual onde as massas trabalhadoras indígenas vivem na miséria mais abjecta. Portanto, a Índia é sem dúvida uma das regiões sobre as quais nós, Estalinistas-Hoxhaistas, devemos centrar o nosso trabalho revolucionário com o propósito de conquistar os proletários Indianos para a nossa ideologia anti-revisionista.


Mas para conseguir isto, temos de fazer os trabalhadores Indianos entender que o P “C” I ("ML") e os Naxalitas são organizações social-fascistas e social-burguesas cujo único objectivo é beneficiar e promover os interesses imperialistas da burguesia nacional Indiana, mantendo assim os proletários indígenas submetidos à mais dura exploração através da utilização de pretextos "anti-imperialistas" e "progressistas" com o único propósito de os afastar do autêntico caminho comunista e da verdadeira revolução socialista. Desejamos sinceramente que esta breve análise do carácter reaccionário do P “C” I ("ML") ajude os proletários da Índia a livrarem-se das influências anti-comunistas dos Maoistas Indianos.






4.3 - Partido Comunista das Filipinas



O Partido "Comunista" das Filipinas é um dos partidos Maoistas mais enganosos de todo o mundo. Na verdade, os Maoistas das Filipinas conseguiram fabricar uma aura "revolucionária" em seu redor devido ao facto de que o P “C” F está envolvido numa luta armada contra o governo pró-Americano do país. Esta situação engana muito os trabalhadores do mundo em geral, e os trabalhadores Filipinos em particular, que vêem o P “C” F como um verdadeiro partido socialista. A burguesia mundial também desempenha um papel importante na apresentação do P “C” F como um "grupo comunista de linha dura", inculcando assim no proletariado a falsa ideia de que os Maoistas Filipino são autênticos revolucionários anti-capitalistas. Isto é completamente falso. Tal como acontece com os outros partidos Maoistas, o P “C” F é uma mera organização contra-revolucionária e anti-socialista que visa manter os trabalhadores Filipinos sujeitos á escravidão e ao despotismo burguês.

O arquipélago das Filipinas está entre os países mais pobres e explorados de todo o planeta. Depois de ter sido uma colónia Espanhola, as Filipinas tornaram-se numa neo-colónia dos imperialistas Norte-Americanos que dominavam e continuam a dominar o sistema político-económico do país em benefício das monstruosas multinacionais Americanas que obtêm super-lucros imensos graças á exploração dos recursos e da mão de obra das Filipinas. Um dos melhores exemplos dessa dominação foi a imposição da ditadura fascista de Ferdinand Marcos, que exerceu uma repressão atroz sobre o proletariado das Filipinas enquanto acumulava uma fortuna pessoal incalculável ao servir os interesses dos plutocratas americanos. No final dos anos 80, a clique de Marcos foi derrubada mas os seus continuadores ainda dominam as Filipinas em favor dos interesses da burguesia comprador pró-Americana. Claro que, como acontece em muitos outros países, também nas Filipinas os Maoistas representam os interesses da burguesia nacional Filipina que se encontra privada do controle dos principais meios de produção por causa do domínio da burguesia pró-Americana. Perante isto, os Maoistas Filipinos fazem o possível para esconder o facto de que, longe de lutarem pelo derrube de toda a ordem opressiva, eles só pretendem substituir um determinado ramo dos exploradores por outro. Com este propósito, os social-fascistas do P “C” F tentam retratar a sua defesa da burguesia nacional das Filipinas como sendo "anti-imperialista":


"Este programa político deve servir para alcançar a mais ampla unidade das forças progressistas para isolar o imperialismo dos EUA e os reaccionários da burguesia de tipo compradore (...)."(http://www.philippinerevolution.net/documents/rectify-errors-rebuild-the-party, Rectify Errors, Rebuild the Party!, Dezembro de 1968, traduzir a partir da edição em Inglês)


"Vamos ampliar a nossa frente unida revolucionária e lutar contra o imperialismo dos EUA e do regime de Aquino."

(http://www.philippinerevolution.net/statements/broaden-our-ranks-and-advance-the-revolutionary-armed-struggle-against-us-imperialism-and-the-aquino-regime, Persevere in advancing the NDFP 12-Point Program, the only viable alternative to the anti-people program of the US-Aquino regime, Abril de 2012, traduzido a partir da edição em Inglês)



"4. (...) A luta armada revolucionária e o movimento de massas em Mindanao combatem contra a brutal (...) campanha de supressão do regime Aquino ao serviço dos EUA e contra as empresas multinacionais que impedem as pessoas de realizarem as suas aspirações á reforma agrária e á industrialização nacional." (http://www.philippinerevolution.net/statements/broaden-our-ranks-and-advance-the-revolutionary-armed-struggle-against-us-imperialism-and-the-aquino-regime, Persevere in advancing the NDFP 12-Point Program, the only viable alternative to the anti-people program of the US-Aquino regime, Abril de 2012, traduzido a partir da edição em Inglês)


Estas declarações têm claramente como objectivo apresentar o imperialismo Americano e as corporações multinacionais estrangeiras como sendo os únicos inimigos do povo Filipino. Com isso, os social-fascistas do P “C” F tentam conquistar as massas trabalhadoras Filipinas para o lado da burguesia nacional, porque o imperialismo Americano detém um controle quase exclusivo sobre as Filipinas. Por conseguinte, promovendo e incentivando a luta contra o imperialismo estrangeiro, em geral, e contra o imperialismo americano, em particular, os Maoistas das Filipinas estão mais uma vez fazendo o máximo para cobrir as intenções predatórias da burguesia nacional Filipina com máscaras "anti-imperialistas" e mesmo "progressistas". Eles fazem isso para que os trabalhadores Filipinos esqueçam que todos os sectores da burguesia são igualmente exploradores e repressivos, e que todos eles, sem excepção, devem ser totalmente eliminados incluindo a burguesia nacional "patriótica", como é óbvio.


Além disso, o P “C” F defende explicitamente as teorias mais anti-Marxistas e contra-revolucionárias apresentadas por Mao:


"O Partido Comunista das Filipinas deve confiar nas bases camponesas revolucionárias para derrotar o poder do Estado reaccionário no campo antes de capturar as cidades. O camarada Mao Tsetung demonstrou genialmente na teoria e na prática como o campo pode cercar as cidades (...). A verdade universal da teoria de usar o campo para cercar a cidade é invencível.


A teoria da guerra popular é universal e aplica-se às condições das Filipinas. (...) As cidades são realmente os bastiões do poder do Estado burguês antes das forças populares democráticas conseguirem desenvolver a capacidade de capturá-las. O exército contra-revolucionário deve primeiro ser derrotado no campo.” (http://www.philippinerevolution.net/documents/rectify-errors-rebuild-the-party, Rectify Errors, Rebuild the Party!, Dezembro de 1968, traduzir a partir da edição em Inglês)


Os conceitos Maoistas da "guerra camponesa revolucionária" e do "cerco das cidades pelo campo" foram já explicados e desmascarados na DWM I e II. Eles são expressões de da negação de Mao do papel hegemónico do proletariado na revolução e da sua substituição pelo campesinato. Portanto, vamos apenas lembrar as palavras dos autênticos Marxistas-Leninistas sobre:


- a “revolução” camponesa de Mao:


"Mao Tsé-Tung sempre se opôs, na teoria e na prática, á ideia Leninista que durante a época do imperialismo, em cada revolução – seja democrática, anti-imperialista, de libertação nacional ou socialista – a liderança deve pertencer ao proletariado. Mao baseou a luta contra os ocupantes Japoneses no campesinato. Da mesma forma, ele não viu o novo regime da nova democracia como sendo o poder da classe trabalhadora, mas sim dos camponeses. Após a libertação, em 1949, e durante a fase em que o socialismo deveria ter sido construído na China, o proletariado foi, invariavelmente, privado do seu papel hegemónico (...).” (Naun Guxho, La Pensée MaoTseToung, theorie et pratique antiproletariennes, 1979, traduzido da edição em Francês)


"Nos seus escritos teóricos, Mao Tsetung diz que a China não poderia ter sido liberada sem a liderança do campesinato, que a revolução na China foi uma revolução camponesa. Segundo ele, o campesinato era a classe mais revolucionária, ele teve de liderar a revolução «e liderou de facto a revolução». Este é um grande erro teórico por parte de Mao Tsetung e mostra que ele não era um Marxista-Leninista, mas sim um eclético e um democrata-burguês. Mao Tsetung, como democrata progressista que era, favoreceu uma revolução democrático-burguesa, e quando a China foi libertada ele defendeu aos mesmos pontos de vista. De acordo com as suas posições, o campesinato era a força principal e a classe operária deveria ser o seu aliado (...). Mao Tsetung quis transformar essa teoria democrático-burguesa numa teoria universal e, de fato, esta "teoria" foi chamada «pensamento Mao Tsetung».” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês)



- a teoria de Mao do "cerco da cidade pelo campo":


"Mao formulou e defendeu teses não-marxistas como a que está expressa no seu obituário: "O campo deve cercar a cidade”. O seu obituário salienta que, «sem agir desta forma a revolução não pode ser realizada»! Isto significa que o campesinato tem de liderar a revolução proletária. Esta tese é anti-Leninista. (...)


Desde há muito tempo atrás que nós não estamos de acordo com as opiniões de Mao Tsetung, especialmente com a sua teoria de que «o campo deve cercar a cidade». Nós, como Marxistas-Leninistas, nunca aceitámos esta visão de Mao Tsetung, pois desta forma Mao Tsetung considera o campesinato como a classe mais revolucionária. Esta é uma visão anti-Marxista. A classe mais revolucionária da sociedade é o proletariado, portanto ele deve liderar a revolução em aliança com o campesinato, que é o aliado mais fiel do proletariado.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês)


"A tese de Mao Tsé-tung sobre o cerco das cidades pelo campo não é simplesmente a descrição do curso das operações militares na guerra de libertação da China. Pelo contrário, é uma cobertura para teorias anti-Marxistas-Leninistas bem definidas que negam a hegemonia do proletariado e o papel das cidades na revolução. O "caminho de Mao" que defende o cerco das cidades pelo campo é uma teoria diabólica de desconfiança no proletariado que substitui a hegemonia da classe operária na revolução pela do campesinato. Esta teoria de que na China a revolução poderia ser feita sem o proletariado urbano e que a revolução não tem de ser organizada nas cidades em simultâneo com o trabalho no campo constitui outra manifestação do oportunismo do pensamento de Mao Zedong. O “caminho de Mao” não era iluminado pelo Marxismo-Leninismo. Muito pelo contrário. (...)