Abaixo o Neo-Revisionismo Brasileiro!


 

A 25 de Março de 1922, a secção Brasileira da Internacional Comunista foi fundada. Tal como muitos outros partidos comunistas que se formaram durante este período histórico, a fundação do Partido Comunista do Brasil (PCB) foi inspirada pela Grande Revolução de Outubro que tinha acontecido 5 anos antes.


Em 1922, o Brasil era governado por um regime burguês e conservador conhecido por “República” e que tinha sido estabelecido em 1889. A “República” representava os oligarcas Brasileiros pró-imperialistas e pró-capitalistas que conseguiam lucros imensos através da exploração do povo Brasileiro em benefício dos monopólios Americanos e Britânicos. O regime também defendia os interesses dos grandes latifundiários e da ponderosa hierarquia Católica que exercia uma influência decisiva sobre todos os aspectos da vida política e social do país. Apesar da existência de um suposto “parlamento representativo” e das outras instituições enganadoras que fazem parte de todas as “democracias” burguesas de maneira a enganarem as massas trabalhadoras, a verdade é que durante os seus primeiros anos a “República” Brasileira nunca hesitou em usar a repressão armada contra os sindicatos e contra as greves organizadas pelo proletariado Brasileiro que vivia (e ainda vive…) na miséria mais abjecta.


No entanto, com o passar do tempo, as classes dominantes Brasileiras sentiram que o seu poder estava suficientemente consolidado e permitiram alguma “abertura” relativamente a certas tendências “progressistas”. De facto, esta pretensa “abertura” integra-se perfeitamente no esquema democrático-burguês que consiste em dar ás classes trabalhadoras uma falsa impressão de “liberdade” enquanto esconde o carácter de classe explorador do estado. E foi durante este período de “abertura” que o PCB nasceu. Ao princípio, as classes dominantes reaccionárias que governavam o Brasil não ficaram muito preocupadas com a existência do PCB. Afinal, o PCB era um partido muito pequeno com uma influência entre as massas também muitíssimo reduzida. Além disso, a falta de desenvolvimento do capitalismo em muitas áreas do país e a influência enorme e retrógrada que a Igreja Católica exercia sobre as classes trabalhadoras Brasileiras impediam que a ideologia Marxista-Leninista se expandisse e se fortalecesse. E a estas limitações externas, temos de adicionar a existência de tendências anti-Marxistas dentro do PCB, nomeadamente as influências Trotskistas que eram sentidas um pouco por todo o movimento comunista. Também havia correntes anarquistas que impediam que o partido tomasse um caminho correcto do ponto de vista do Marxismo-Leninismo.


De facto, algumas tendências erróneas manifestaram-se nas conclusões dos primeiros Congressos do partido, em especial durante o seu Segundo Congresso que teve lugar em 1925 e no qual foi considerado que a principal questão com a qual os comunistas Brasileiros tinham de lidar era a contradição entre o capitalismo agrário de tendências feudais e o capitalismo industrial moderno. É claro que os líderes do PCB estavam certos ao chamarem a atenção para esta contradição bem real. No entanto, os líderes do partido cometeram um erro quando eles ignoraram completamente a quase total dependência do Brasil em relação ao imperialismo estrangeiro e a situação do país enquanto protectorado Americano de estilo neo-colonial:


O imperialismo dos Estados Unidos empregou o slogan «A América para os americanos», encarnado na doutrina Monroe», para instaurar seu domínio exclusivo em todo o hemisfério ocidental. A penetração económica dos Estados Unidos no hemisfério processou-se tanto através da força militar e da chantagem política como também da diplomacia do dólar, por meio do porrete e do engano. Dessa forma, os investimentos de capitais norte-americanos e ingleses se igualaram em 1930, enquanto após a II Guerra Mundial os Estados Unidos se tornaram nos verdadeiros donos da economia desta parte do globo terrestre. Os seus grandes monopólios se apoderaram dos sectores-chave da economia latino-americana.


Os países do Continente (América Latina) integraram-se no império «invisível» do imperialismo norte-americano, que começou a fazer a lei em todos eles, a instalar e destituir chefes de Estado e de governo, a ditar-lhes a sua política económica e militar, interna e externa. As empresas monopolistas dos Estados Unidos arrancavam lucros fabulosos da exploração dos ricos recursos naturais e do trabalho, do suor e do sangue dos povos latino-americanos: recebiam de 4 a 5 dólares por cada dólar investido nos diversos países do Continente. Esta situação prossegue nos nossos dias.


Embora as inversões de capitais dos Estados imperialistas na América Latina tenham levado à implantação de certa indústria moderna, especialmente a de extração e também a indústria leve e alimentícia, emperraram enormemente o desenvolvimento econômico global desses países. Os monopólios estrangeiros e a política neocolonialista dos Estados imperialistas imprimiram ao desenvolvimento económico dos países latino-americanos uma forma monstruosa, unilateral, um carácter monoprodutor, convertendo-os em simples fornecedores especializados de matérias primas: a Venezuela de petróleo, a Bolívia de estanho, o Chile de cobre, o Brasil e a Colômbia de café, Cuba, Haiti e República Dominicana de açúcar, o Uruguai e a Argentina de produtos pecuários, o Equador de bananas e assim por diante.


O carácter unilateral tornou as economias desses países totalmente instável, absolutamente incapaz de um desenvolvimento rápido e geral, colocou-as na dependência total das conjunturas e das oscilações de preços do mercado capitalista mundial. Qualquer queda na produção e qualquer manifestação de crise econômica nos Estados Unidos e nos demais países capitalistas reflectiam-se necessariamente, de maneira negativa e inclusive em maior escala, na economia dos países latino-americanos.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português).


Mas mesmo com este tipo de erros, o PCB era capaz de adoptar uma linha relativamente correcta de acordo com as directivas da Internacional Comunista. Naquele tempo, os líderes do PCB permaneciam fiéis aos princípios da ideologia comunista e a actividade do partido era explicitamente baseada nos ensinamentos de Marx, Engels, Lénine e Estaline. Precisamente por causa da sua aderência e lealdade ao Marxismo-Leninismo e ao Camarada Estaline, o PCB estava a crescer em força e influência entre as massas trabalhadoras Brasileiras. O PCB tinha deixado de ser aquele pequeno partido do tempo da sua fundaçao e tinha-se tornado num partido em expansao e cuja ideologia atría grande número de trabalhadores Brasileiros.


Vendo isto, as classes dominanates Brasilerias reagiram. Aproveitando a onda fascista que estava a ocorrer na Europa, a burguesia Brasileira organizou um golpe de Estado de inspiraçao fascista e impôs aos trabalhadores Brasileiros uma tirania feroz e cruel. O novo regime que foi instaurado iria durar 8 anos (1937-1945) e era baseado no fascismo Português. Tomando isto em consideração, é fácil de ver que tempos difícies estavam a chegar para os comunistas Brasileiros. De facto, durante os anos 30 e 40, muitos regimes autoritários do mesmo tipo do do Brasil foram implementados em muitos países da América do Sul, como por exemplo o regime de Perón na Argentina. Estes regimes políticos possuíam muitas das características dos fascismos Europeus, especialmente no que respitava ao anti-comunismo. No entanto, havia também algumas diferenças que iriram complicar a expansao do Marxismo-Leninismo no Brasil e nos outros países Sul-Americanos. A principal diferença entre os fascismos Europeus e os fascismos Sul-Americanos da primeira metade do século XX reside no intenso carácter populista dos últimos. É verdade que os fascismos Europeus também possuíam uma certa componente populista, mas eles nunca atingiram o grau de populismo dos fascismos Sul-Americanos. O regime que foi instalado no Brasil até adoptou uma fraseologia “anti-imperialista”, o que era devido ao facto de que o golpe de Estado de 1937 foi aoiado pela burguesia nacional Brasileria contra os interesses da burguesia pró-Americana e pró-Britânica.


Isto exerceu um influência extremamente negativa sobre o PCB principalmente por duas razões: em primeiro lugar, o partido foi imediatamente ilegalizado e os comunistas Brasileiros foram implacavelmente reprimidos pelo novo regime fascista-populista. O PCB sofreu muito devido aos ataques armados que os fascistas Brasileiros lançaram contra o partido e muitos comunistas Brasileiros morreram na prisão ou foram assassinados pelas forças fascistas (apesar disto, o PCB nunca abandonou a luta revolucionária e permaneceram fieis aos princípios do internacionalismo proletário. Por exemplo, durante a Segunda Guerra Mundial, muitos comunistas Brasileiros foram para Itália com o prpósito de ajudar a luta contra as forças nazi-fascistas, naquilo que foi um esforço para contrabalançar a posição pró-Eixo do regime fascista-populista Brasileiro).


A segunda razão prendia-se com motivos ideológicos e derivava da já mencionada natureza populista do novo regime. De facto, juntamente com a repressão militar violenta do movimento comunista Brasileiro, o regime fascista-populista também usou o velho método das venenosas influências ideológicas contra-revolucionárias. Por exemplo, o regime “popular” (ler fascista) lançou a sua propaganda dizendo que tinha “nacionalizado” os “principais sectores da economia” aparentemente “em favor dos interesses do povo Brasileiro”. É claro que isto não era mais do que um monte de mentiras pavorosas. As falsas “nacionalizações” feitas pelo regime fascista-populista brasileiro tinham como única intenção beneficiar os interesses da burguesia nacional Brasileira que agora controlava o poder estatal.


Além disto, os fascistas-populistas Brasileiros tentaram mascarar-se com disfarçes “democráticos” para darem a impressão de que os membros da burguesia nacional Brasileira estavam muito preocupados com o bem-estar dos trabalhadores Brasileiros esfomeados. Para atingir este objectivo, eles distribuíram alimentos e providenciaram serviços médicos de graça á população. Eles também implementaram o chamado “salário mínimo” e um sistema de “segurança social” bastante imperfeito. O que a grande maioria dos trabalhadores Brasileiros não compreendeu foi que tudo isto foi realizado com o dinheiro dos impostos pagos pelas classes trabalhadoras exploradas. A burguesia nacional Brasileira usou este tipo de farsas para conseguir espalhar ilusoes entre as massas sofredoras sem ter de sacrificar praticamente nada dos seus lucros.

É claro que o principal propósito dos fascistas-populistas Brasileiros era o de desviar as classes oprimidas e exploradas do caminho da revolução Marxista-Leninista, do caminho do socialismo e do comunismo, e infelizmente houve muitos trabalhadores Brasileiros que foram totalmente enagnados por este novo regime fascista-populista devido precisamente ás suas alegadas políticas “populares” e retórica “anti-imperialista”, tendo muitos desses trabalhadores abandonado qualquer aderência ao Marxismo-Leninismo.


Quando o Camarada Estaline faleceu e o revisionismo Krushchevista começou a espalhar as suas influências degeneradas capitalistas e burguesas, o PCB estava ainda a recuperar das profundas perdas que o regime fascista-populista tinha infligido ao partido. No entanto, as teses ultra-revisionistas do 20º Congresso do PCUS deram origem a um grande debate dentro do partido que conduziu á formação de duas tendências opostas. A primeira foi aquela que adoptou o revisionismo Khrushchevista, negando assim o brilhante legado do Marxismo-Leninismo e do Camarada Estaline. Esta primeira tendência representou aqueles que traíram irremediavelmente a revolução socialista e que escolheram ficar ao lado da burguesia social-imperialista soviética. A segunda tendência era aparentemente a tendência do anti-revisionismo, era a tendência dos comunistas Brasileiros que supostamente se recusaram a seguir o caminho da traição Khrushchevista.


Em 1960, teve lugar o 5º Congresso do PCB. Por essa altura, todos os membros do partido sabiam que a cisão era inevitável. Durante o Congresso, o ambiente foi explosivo. Os representantes da segunda tendência lutaram bravamente contra a maioria revisionista, mas não conseguiram evitar que o PCB adoptasse a Declaração de Março de 1958, cujas “teses” aceitavam plenamente as teorias anti-Marxistas elaboradas pelo revisionismo soviético:


A Declaração e as Teses indicam o seguinte caminho: lutar pela ampla união de forças políticas e sociais, nestas incluindo latifundiários, para se opor ao imperialismo norte-americano e conquistar, dentro do regime actual, um governo nacionalista e democrático. “Este governo – dizem as Teses – poderá ser conseguido pela pressão pacífica das massas (nesta menção á pressão pacífica das massas, nós conseguimos aperceber-nos facilmente da influências que aqui exerce a teoria Khrushchevista da “transição pacífica para o socialismo”) e das correntes anti-imperialistas orientada no sentido de fortalecer e ampliar o sector nacionalista do actual governo (isto é, o sector burguês, J.A.), com o afastamento do poder de todos os entreguistas e sua substituição por elementos nacionalistas”. Sob a pressão das massas e dentro do regime actual, este governo começará a realizar reformas de carácter democrático e anti-imperialista (…).


Em essência, esta é a linha política do Partido.

Ela só pode conduzir o proletariado e as massas trabalhadoras a um beco sem saída; a depositar suas esperanças no desenvolvimento do capitalismo e na burguesia; a acreditar na possibilidade de reformas profundas e consequentes dentro do regime actual; a descrer na necessidade da revolução. É uma linha de apologia do capitalismo, de ilusões na burguesia e de subordinação do proletariado aos seus interesses. Seguindo por este caminho o povo brasileiro não conseguirá livrar o país da dependência ao imperialismo e das sobrevivências feudais, não limpará o terreno para o socialismo no Brasil.” (João Amazonas, Uma Linha Confusa e de Direita, 16 de Junho de 1960).

A política adoptada pelo Partido, com a Declaração de Março, e agora com as Teses, lamentavelmente, corresponde mais às posições da burguesia do que às do proletariado consciente. Sob o pretexto de combate ao dogmatismo, abandonamos de fato as reivindicações radicais e ficamos unicamente nas reformas, nas denominadas “soluções positivas” e na luta pela conquista de um governo nacionalista e democrático, nos limites do actual regime. Os objectivos básicos da actual etapa da revolução, como a questão do poder anti-imperialista e anti-feudal, sob a direcção da classe operária; o confisco e nacionalização das empresas e capitais norte-americanos; ou mesmo a reforma agrária radical desapareceram, praticamente, dos documentos e da actividade do Partido. Nossa orientação se confunde com a da burguesia reformista, tornando-se difícil, ou mesmo impossível, ganhar as massas para a influência do Partido.” (João Amazonas, A Linha Atual e as Reformas, 23 de Junho de1960).

Além do mais, os revisionistas Brasileiros liderados por Carlos Prestes mudaram ilegalmente os estatutos e o programa do partido sem o conhecimento dos militantes anti-revisionistas. É claro que os militantes Marxistas-Leninistas que ainda estavam no partido criticaram duramente esta atitude, mas a verdade é que a cisão já estava consumada. A facção revisionista mudou o nome do partido para “Partido Comunista Brasileiro” para se distinguir da secção anti-revisionista que continuou a usar o nome “Partido Comunista do Brasil”. Foi durante este período que João Amazonas surgiu como um dos principais líderes da facção superficialmente anti-revisionista do PCB.

Desde inícios dos anos 60 até meados dos anos 70, o PCB adoptou o Maoismo como sua ideologia oficial. Esta situação deveu-se á aparente oposição entre Mao Zedong e Khrushchev, e os principais líderes do PCB, incluindo João Amazonas, viajavam frequentemente até Pequim onde eram recebidos pelo próprio Mao Zedong. Noutros artigos, nós analisámos as causas, características e consequências do revisionismo Maoista, e concluímos que a “luta anti-revisionista” que Mao Zedong supostamente liderou contra o revisionismo Khrushchevista foi completamente falsa (ver: Declaração de Guerra aos Maoistas do Comintern (EH) – primeira e segunda parte).

Por isso, nós vamos apenas chamar a atenção para o facto de que a aplicação das tácticas e dos princípios anti-socialistas do Maoismo fez com que muitos partidos e militantes comunistas cometessem erros graves. O PCB não foi excepção a esta regra. Com a formalização da aderência do partido ao Maoismo, os líderes do PCB seguiram o princípio Maoista tristemente famoso da “guerra popular” e do “cerco da cidade pelo campo”. Este princípio Maoista conduz á negação do papel insubstituível, essencial e decisivo do proletariado na revolução socialista. Com o objectivo explícito de iniciar a formação de um “exército camponês”, os líderes do PCB transferiram muitos quadros do partido para as zonas rurais.

Entretanto, a tragédia do fascismo estava de novo a bater á porta do povo Brasileiro. Desde o fim do regime fascista-populista em 1945, o país tinha sido governado através de regimes democrático-burgueses mais ou menos avançados. Em 1961, a presidência do país foi assumida por João Goulart, um político burguês de tendências progressistas que tentou implementar algumas medidas democráticas tais como a reforma agrária ou a expansão dos direitos políticos e sociais. No entanto, os imperialistas Americanos temiam que o democrata-burguês João Goulart fizesse com que o Brasil seguisse um curso político e económico mais independente. Consequentemente, eles começaram a conspirar e uniram-se ás secções mais retrógradas do exército Brasileiro. É óbvio que este medo dos imperialistas americanos era totalmente infundado. Goulart não era mais do que um político burguês-progressista cujas reformas tímidas nunca poderiam ultrapassar os limites do sistema capitalista. No entanto, havia sempre a possibilidade de Goulart se aliar ao principal rival do imperialismo Americano – a União Soviética social-imperialista.

Por esta razão, João Goulart foi expulso da presidência em 1964 através de um golpe de Estado ordenado pelos generais Brasileiros mais reaccionários e pró-fascistas que eram directamente apoiados por Washington. Os comunistas Brasileiros já tinham sofrido na pele os efeitos do fascismo durante o período entre 1937 e 1945. Mas este novo regime fascista que foi estabelecido em 1964 era muito mais feroz e sangrento do que o anterior. Contrariamente ao regime fascista-populista que representava os interesses da burguesia nacional Brasileira, o novo regime militar subordinou totalmente o país a Washington em favor da burguesia pró-Americana que arrecadou lucros inimagináveis durante este período. A burguesia Brasileira pró-Americana vendeu os imensos recursos naturais do Brasil ás multinacionais Americanas e promoveu a entrada de créditos estrangeiros, acentuando assim o controlo capitalista-imperialista sobre os ramos mais cruciais da economia Brasileira.

É verdade que desde a sua independência de Portugal em 1822, o Brasil foi sempre um dos países mais endividados do mundo, quase completamente infiltrado e dependente dos créditos estrangeiros, situação que se tem agravado ainda mais desde a segunda metade do século XX:

Após a II Guerra Mundial, as metrópoles imperialistas começaram a fazer grandes investimentos directos em diferentes ramos da indústria, da mineração, da agricultura, a comprar empresas nacionais, etc. Dominaram setores inteiros da produção e aprofundaram ao máximo a pilhagem da América Latina. Ao mesmo tempo, incrementaram a concessão de empréstimos e financiamentos gravados por altas taxas de juros, ligando ainda mais esses países ao domínio estrangeiro e em primeiro lugar ao dos Estados Unidos. Somente o Brasil tem uma dívida de quase 40 bilhões de dólares junto aos bancos estrangeiros. A dívida do México é de quase 30 bilhões.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português).

É também verdade que o Brasil sempre teve (e ainda tem…) uma das sociedades mais desiguais do mundo. No entanto, durante o regime militar, estas características forma levadas a´te extremos insurpotáveis. A já muitíssimo elevada dívida do país aumentou ainda mais e o regime militar-fascista começou a aplicar um programa económico de tipo neo-liberal, de acordo com os interesses da burguesia imperialista Americana. Este programa económico de inspiraçao social-Darwinista acentuou a situaçao do Brasil como não sendo nada mais do que uma mera neo-colónia Americana, colocando o proletariado Brasileiro á beira da penúria mais absoluta:

Na dependência da política económica e da interferência directa do imperialismo, criou-se na América Latina uma oligarquia, uma grande burguesia monopolista bastante poderosa, que controla o poder juntamente com os grandes senhores de terra e, sempre com o apoio do imperialismo norte-americano e juntamente com ele, oprime e explora impiedosamente a classe operária, o campesinato e as demais camadas trabalhadoras, que vivem na miséria.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português).


De facto, segundo fontes burguesas, durante o regime militar o salário médio de um trabalhador Brasileiro sofreu um acentuado declínio e a destribuição da riqueza era escandalosamente desporporcional. Era comum observar os indigentes esqueletonizados a implorarem por esmolas perto das entradas sumptuosas dos palácios espectaculares onde a burguesia pró-Americana e os generais fascista viviam. Devido ás teorias e ideologias racistas que estiveram invariavelmente presentes ao longo da história do Brasil (e que são ainda usadas pelas classes dominantes brancas com o propósito de provocar divisões baseadas na raça entre as classes exploradas Brasileiras), não é surpreendente notar que a grave pioria das condições de vida que ococrreu durante a ditadura militar afectou particularmente o proletariado negro e indígena, cuja situação social e económica era equivalente (ou até pior) áquela que os seus antepassados tinham vivido nos tempos da escravatura negra e indígena.

Esta ditadura de extrema-direita pró-fascista duraria 21 anos e iria submeter os trabalhadores Brasileiros em geral e os comunistas Brasileiros em particular a um reino de terror. Não é exagero afirmar que a grande maioria das vítimas mortais da ditadura militar-fascista foram militantes do PCB, e isto é compreensível porque o PCB fundou e liderou o mais relevante movimento armado de resistência contra a ditadura fascista – a guerrilha do Araguaia, que estave activa desde o final dos anos 60 até ao início/meados dos anos 70. A guerrilha do Araguaia nasceu do já mencionado propósito do PCB de construir um “exército camponês” de acordo com as linhas Maoistas. A intenção da guerrilha era aparentemente revolucionária, o seu objectivo era derrubar o regime fascista através da luta armada. No entanto, a guerrilha do Araguaia cometeu erros desde o princípio e esses erros derivaram maioritariamente principalmente das influências anti-Marxistas do Maoismo que eram dominantes dentro do partido.


Em primeiro lugar, o quartel-general da guerrilha do Araguaia foi instalado na selva Amzónica porque os líderes do partido consideraram que este era o local mais adequado não apenas para se esconderem dos ataques do exército fascista, mas principalmente para servir como centro do futuro desenvolvimento e expansão do “exército camponês”. Como podemos notar, o papel primário e fundamental que o proletariado deve desempenhar em todas as verdadeiras revoluções socialistas é totalmente rejeitado pela guerrilha do Araguaia organizada em torno do PCB. Na realidade, os líderes do PCB pensaram que a guerrilha usufruiria de um cresimento exponencial através do recrutamento dos camponeses indígenas da Amazónia. Mas eles enganaram-se. Apesar da opressão e pobreza extrema na qual os camponeses nativos viviam, a grande maioria deles rejeitou qualquer tipo de envolvimento com a guerrilha do Araguaia. Isto pode ser explicado se tivermos em consideração o facto de que estes camponeses indígenas viviam (e ainda vivem...) num primitivismo quase total. É provável que eles não tivessem sequer completa consciência da pobreza na qual viviam e da exploração a que estavam submetidos, até porque grande parte deles tinham muito poucos contactos com aquilo que nós comummente denominamos “civilização”. Além do mais, nós devemos também sublinhar a natureza vacilante e hesitante que é inerente ao campesinato. De facto, os Clássicos do Marxismo-Leninismo ensinam-nos que é o proletariado que deve conquistar o campesinato para o lado da revolução e do socialismo e não contrário. O proletariado é a única classe genuinamente revolucionária; é a única classe verdadeiramente crucial para o sucesso da revolução proletária. É óbvio que isto não invalida o facto de que, devido á exploração e á opressão a que se encontra sujeito, o campesinato pobre é a classe melhor preparada para levar a cabo o papel de melhor aliado do proletariado na revolução. Assim, o PCB e a guerrilha do Araguaia sofreram dos mesmos males ideológicos Maoistas que foram apontados pelo Camarada Enver Hoxha:


Mao Tsetung não se baseava na teoria marxista-leninista, que nos ensina que o campesinato, a pequena burguesia em geral, é vacilante. Naturalmente, o campesinato pobre e médio joga um papel importante na revolução e deve tornar-se um íntimo aliado do proletariado. Mas a classe camponesa, a pequena burguesia, não pode dirigir o proletariado na revolução. Pensar e pregar o contrário significa opor-se ao marxismo-leninismo. Aí reside outra das principais fontes dos pontos de vista anti-marxistas de Mao Tsetung, que influenciaram negativamente toda a revolução chinesa.


A experiência atesta que o campesinato só pode desempenhar o seu papel revolucionário quando actua em aliança com o proletariado e sob a sua direcção. Isto também ficou provado no nosso país durante a Luta de Libertação Nacional. O campesinato albanês era a força principal da nossa revolução, e apesar disso, a nossa classe operária, mesmo numericamente reduzida, dirigiu o campesinato, já que a ideologia marxista-leninista, a ideologia do proletariado, encarnada no Partido Comunista, hoje Partido do Trabalho, vanguarda da classe operária, era a guia da revolução. Por isso triunfámos não só na Luta de Libertação Nacional, mas também na construção do socialismo.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português).


Nos seus escritos, Mao expressou e continua a expressar que “de entre as forças nas quais a revolução se deve basear, o campesinato é a força mais revolucionária”. Contrariamente á teoria Marxista, Mao coloca o papel decisivo do proletariado na revolução em segundo, senão mesmo em terceiro lugar. “Foi assim que a revolução Chinesa foi levada a cabo, portanto esta teoria deve prevalecer” diz ele. “Viva Marx!” diz Mao Zedong, mas para ele, a teoria de Marx acerca do papel de liderança da classe ooerária não é válida. Por outras palavras, de acrodo com Mao, é impossível para a classe operária liderar a revolução e é também impossível que o campesinato pobre e médio sejam os seus aliados na revolução. Segundo Mao, é o oposto que deve acontecer: o campesinato deve liderar a revolução e a classe operária deve ser o seu aliado.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, January 1, 1976, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).


Deve ser sublinhado que Mao realçava o papel principal do campesinato na revolução, e neste sentido é óbvio que ele não concordava com o papel hegemónico, de liderança da classe operária. As suas ideias vacilantes, como por exemplo as suas teorias acerca do campesinato, fazem-se sentir ao longo de toda a linha liberal de Mao Zedong.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, October 12, 1976, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).


Se nós analisarmos a composição da guerrilha do Araguaia de acordo com a classe a que os seus membros pertenciam, nós iremos notar que também nesse sentido ela seguia os princípios erróneos do “Pensamento Mao Zedong” social-fascista. Na verdade, a maioria dos “soldados” que faziam parte da guerrilha do Araguaia eram estudantes universitários burgueses, muitos deles influenciados pelas teorias aventureiristas e foquistas que romantizam o “exército camponês”. Estes estudantes “revolucionários”, cuja formação “anti-revisionista” deixava muito a desejar, estavam a tentar seguir o exemplo dos “Guardas Vermelhos” fascistas durante a Revolução Cultural Maoista, que eram também maioritariamente estudantes. O que estes “soldados revolucionários” da guerrilha do Araguaia não conseguiram ou não quiseram compreender foi que os “Guardas Vermelhos” não tiveram absolutamente nada que ver com o Marxismo-Leninismo ou com o anti-revisionismo. Os “Guardas Vermelhos” não eram nada mais do que o exército privado de Mao na luta que ele liderou com o propósito de reconquistar o seu poder pessoal tirânico dentro do Partido “Comunista” Chinês. Os “Guardas Vermelhos” actuavam sem qualquer tipo de directivas verdadeiramente revolucionárias ou Marxistas-Leninistas; eles actuavam de uma forma anarquista em benefício exclusivo da facção de Mao no interior do PCC, que manipulava estes estudantes através das noções ideológicas fascistas do Maoismo em favor dos interesses imperialistas da burguesia nacional Chinesa.


As influências Guevaristas e Castroistas eram também muito sentidas nas fileiras da guerrilha do Araguaia. De facto, desde finais dos anos 50, o movimento comunista e revolucionário na América Latina tem sofrido limitações graves e sérias por causa destas influências traiçoeiras cujo propósito é enganar as classes exploradas através das teorias social-burguesas:


Quem foi Che Guevara? (…) Ele foi um rebelde, um revolucionário, mas não um Marxista-leninista, como alguns o tentam apresentar. (…) Eu penso que ele foi um lutador esquerdista. O seu esquerdismo era de pendor burguês e pequeno-burguês e era combinado com algumas ideias que eram progressistas, mas também anarquistas e que, em última análise, conduzem ao aventureirismo. (…)


As posições de Che Guevara e de quem quer que se apresente como Marxista e reclame a paternidade das ideias de Che Guevara nunca tiveram nem têm nada a ver com o Marxismo-Leninismo.” (Enver Hoxha, The Fist of the Marxist-Leninist Communists Must Also Smash Left Adventurism, the Offspring of Modern Revisionism (From a conversation with two leaders of the Communist Party (Marxist-Leninist) of Ecuador), 21 de Outubro de 1968, traduzido a partir da edição em Inglês).


Estas citações do Camarada Enver Hoxha indicam correctamente o carácter anti-Marxista da ideologia Guevarista que influenciava grande parte dos estudantes que participou na guerrilha do Araguaia. Além disso, a guerrilha do Araguaia também admitiu explicitamente que as suas actividades eram também inspiradas na “revolução” burguesa-liberal Cubana de 1959, que o camarada Enver criticou de maneira resoluta:


Nós defendemos a revolução Cubana porque ela era dirigida contra o imperialismo Americano. Enquanto Marxistas-Leninistas, nós devemos reflectir um pouco acerca deste episódio e acerca das ideias que o orientaram. A revolução Cubana não se iniciou com base no Marxismo-Leninismo e não foi levada a cabo com base nas leis da revolução proletária e do partido Marxista-Leninista. Após a libertação do país, Castro não seguiu um caminho Marxista-Leninista, mas pelo contrário, ele continuou a seguir as suas ideias liberais. Que os participantes nesta revolução pegaram em armas e foram para as montanhas é um facto que ninguém pode negar, mas que eles não lutaram como Marxistas-Leninistas também é um facto inegável. Eles eram lutadores que combatiam a clique de Batista e triunfaram sobre ela precisamente porque essa clique era um elo fraco do capitalismo. (…)


Na América Latina, o Castroismo, disfarçado de Marxismo-Leninismo, está a conduzir os povos, e até mesmo os revolucionários, para o aventureirismo esquerdista. Esta tendência parece estar em contradição com o revisionismo moderno. Aqueles que são ideologicamente imaturos pensam assim, mas esta forma de pensar não corresponde á realidade. Os Castroistas não se opõem aos revisionistas modernos. Pelo contrário, eles estão ao serviço do revisionismo moderno. Os caminhos distintos que cada um deles segue conduzem-nos ao mesmo ponto.” (Enver Hoxha, The Fist of the Marxist-Leninist Communists Must Also Smash Left Adventurism, the Offspring of Modern Revisionism (From a conversation with two leaders of the Communist Party (Marxist-Leninist) of Ecuador), 21de Outubro de1968, traduzido a partir da edição em Inglês).


Devemos também chamar a atenção para o facto de que a maioria dos trabalhadores Brasileiros nem sequer sabia da existência da guerrilha do Araguaia devido á censura fascista. Isto limitou severamente a expansão e o crescimento das actividades da guerrilha e os líderes do PCB nunca conseguiram ultrapassar esta censura, o que constitui mais uma prova das sérias deficiências e fraquezas que afectavam as ligações entre a guerrilha do Araguaia e o proletariado Brasileiro.


Nós estamos a tentar realçar os principais erros cometidos pelo PCB durante a sua fase Maoista porque isto é importante para compreender a degeneração neo-revisionista do partido. Como vamos ver, o carácter pequeno-burguês das tendências Maoistas e os erros ideológicos por elas causados nunca foram totalmente ultrapassados, nem sequer após a denúncia aparentemente feita pelo partido contra a teoria Maoista dos “três mundos” e consequente adopção da linha Albanesa. Na verdade, a ideologia Maoista favorece os interesses das burguesias nacionais dos países neo-coloniais (como o Brasil) que queriam explorar os seus respectivos povos sem interferências e sem terem de dividir os lucros com as burguesias imperialistas estrangeiras. Estas burguesias nacionais em ascensão desejam ocupar um lugar melhor dentro do mercado capitalista mundial, aliás, muitas destas burguesias têm até ambições imperialistas, como acontece com a burguesia nacional Brasileira por exemplo. No entanto, em vez de compreenderem isto e de tentarem eliminar definitivamente as correntes Maoistas dentro do partido, assumindo assim uma linha Marxista-Leninista pura e correcta, os líderes do PCB escolheram o caminho da traição neo-revisionista, eles escolheram o lado da burguesia nacional Brasileira.


De facto, as derrotas que o PCB sofreria devido á incapacidade dos seus líderes para ultrapassar as tendências social-fascistas do Maoismo começaram a ser sentidas durante o curso da guerrilha do Araguaia. Tal como já mencionámos, a guerrilha do Araguaia desenvolveu-se durante o período da ditadura militar fascista no Brasil; e a partir do momento em que os generais fascistas Brasileiros foram informados de que um movimento armado que lutava em nome do comunismo estava activo na selva Amazónica, eles deram imediatamente início ás manobras de repressão. Entre 1972 e 1976, os generais enviaram 3 expedições de 25.000 homens cujo único objectivo era exterminar a guerrilha do Araguaia. Em conjunto, estas três expedições esmagaram totalmente a guerrilha. Aliás, quase todos os líderes do partido foram mortos durante este período nas emboscadas preparadas pelos fascistas Brasileiros. Além disto, o PCB foi privado de muitos dos seus militantes que também pereceram nos combates contra o exército.


É óbvio que os recursos militares da guerrilha eram muito mais limitados do que os do exército fascista Brasileiro. No entanto, isto não serve como desculpa para o fracasso total e completo sofrido pela guerrilha do Araguaia. De facto, esta derrota pode ser atribuída aos muitos desvios ideológicos que afectaram o PCB em geral e a guerrilha do Araguaia em particular. A adopção do Maoismo contribuiu decisivamente para a derrota da guerrilha, porque os seus membros nunca puderam basear-se numa ideologia verdadeiramente proletária e comunista de maneira a expandir a guerrilha para outras regiões e, acima de tudo, de maneira a fazer com que o proletariado Brasileiro se tornasse na principal força do movimento. A experiência histórica ensina-nos que quando um partido segue fielmente uma linha Marxista-Leninista correcta e leal, então não existem obstáculos inultrapassáveis para esse partido. Pelo contrário, é precisamente quando um partido abandona o Marxismo-Leninismo que os erros e os enganos de toda a espécie começam a surgir e a conduzir o partido em direcção á sua capitulação e derrota frente ás ideologias, influências e forças burguesas.


Por exemplo, nos inícios da Luta de Libertação Nacional na Albânia verificava-se também uma grande desproporcionalidade de forças. Os exércitos nazi-fascistas que invadiram a Albânia possuíam recursos e armamentos que eram incomparavelmente superiores áqueles que possuía o Exército de Libertação Nacional organizado pelo Partido Comunista da Albânia sob a liderança do Camarada Enver Hoxha. E apesar disto, as forças comunistas Albanesas foram bem-sucedidas; elas ultrapassaram todas as dificuldades e derrotaram as forças do Eixo que queriam subjugar a Albânia. Os partisans Albaneses passaram por dificuldades inenarráveis, muitas vezes eles combateram contra os seus inimigos num estado de total pobreza e destituição. Os partisans Albaneses tiveram de derrotar os ataques ferozes dos exércitos do Eixo durante o cerco do Inverno de 1943. Este foi um Inverno gelado, e os comunistas Albaneses tiveram de liderar a luta nas montanhas em condições horríveis. Mas apesar de tudo isto, os partisans Albaneses atingiram o seu objectivo de derrotarem as forças que os cercavam, após o que eles lançaram a ofensiva final que conduziria á destruição total das forças nazi-fascistas e que abriria as portas á implementação da ditadura proletária Albanesa com o Partido do Trabalho da Albânia como o seu partido Marxista-Leninista de vanguarda.

É claro que os comunistas Albaneses só conseguiram tudo isto porque a linha seguida por eles eram uma correcta linha Marxista-Leninista, isenta de qualquer tipo de oportunismos:


Nós tivemos sucessivos êxitos, apesar das incontáveis dificuldades que nos pontilharam a caminhada. Alcançámos estes êxitos em primeiro lugar porque o Partido assimilou bem a essência da teoria de Marx e Lênin, compreendeu o que era a revolução, quem a fazia e quem deveria dirigi-la, compreendeu que devia haver um partido de tipo leninista à frente da classe operária em aliança com o campesinato. Os comunistas asseguraram-se de que tal partido não devia ter apenas o nome de comunista e sim ser um partido que aplicasse a teoria Marxista-Leninista da revolução e da construção do partido às condições de nosso país, que se lançasse ao trabalho pela criação da nova sociedade socialista a exemplo da construção do socialismo na União Soviética do tempo de Lenine e Estaline. Esta atitude deu ao nosso Partido a vitória, deu ao país a grande força política, económica e militar de que dispõe hoje. Caso tivéssemos actuado distintamente, caso não tivéssemos aplicado consequentemente estes princípios da nossa grande teoria, não se poderia construir o socialismo num pequeno país como o nosso, cercado por inimigos.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português).


É sempre importante relembrar que os partisans Albaneses eram maioritariamente camponeses, mas isto não impediu os comunistas Albaneses de colocarem o proletariado Albanês á frente da luta de libertação nacional e da construção do socialismo:


O campesinato albanês era a força principal da nossa revolução, e apesar disso, nossa classe operária, mesmo numericamente reduzida, dirigiu o campesinato, já que a ideologia marxista-leninista, a ideologia do proletariado, encarnada no Partido Comunista, hoje Partido do Trabalho, vanguarda da classe operária, era a guia da revolução. Por isso triunfámos não só na Luta de Libertação Nacional, mas também na construção do socialismo.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português).



Tal como já referimos, aconteceu o contrário com a guerrilha do Araguaia, cujos líderes não foram capazes de rejeitar o princípio Maoista anti-Marxista que nega o papel do proletariado enquanto absolutiza o papel de uma classe tão hesitante como o campesinato. Em Agosto de 2001, João Amazonas publicou um livro intitulado “Memórias do Araguaia” no qual ele afirma que:


Foi justa uma luta como a do Araguaia? Foi justa; e mais, foi heróica. (...) A Guerrilha do Araguaia teve grande importância no processo de derrota do regime militar e na redemocratização do país.” (João Amazonas, Memórias do Araguaia, 2001).


Lendo esta citação, nós concluímos que João Amazonas considera que a guerrilha do Araguaia como tendo sido um movimento “justo” e até “heróico”. Mas o que é que o adjectivo “heróico” significa neste caso? Ser “heróico” não é sinónimo de ser Marxista-Leninista. Os estudantes burgueses que participaram na guerrilha do Araguaia talvez tenham por vezes agido heroicamente quando lutavam contra as forças do exército fascista. Mas isso não significa que por causa disto eles se tenham automaticamente livrado da sua natureza burguesa e se tenham tornado Marxistas-Leninistas autênticos. Aliás, eles continuaram a ser burgueses porque as influências Castroistas e Maoistas que eram dominantes no interior da guerrilha do Araguaia não deixaram que eles atingissem um nível mais elevado de luta e de consciência nem permitiram que eles adquirissem um discernimento verdadeiramente proletário e comunista. Na realidade, estas influências também nunca possibilitaram que o PCB se tornasse num partido Marxista-Leninista genuíno, e a melhor prova que nós temos para confirmar estas afirmações é precisamente o facto de que, apesar das declarações de João Amazonas, é óbvio que a guerrilha do Araguaia terminou num fracasso total e nunca conseguiu concretizar o seu objectivo de “derrotar o regime militar Brasileiro” Isto nunca teria acontecido se o PCB e a guerrilha do Araguaia tivessem adoptado e seguido uma linha Marxista-Leninista exacta e honesta.


Por volta de meados dos anos 70, a guerrilha do Araguaia tinha acabado definitivamente e o PCB estava num estado de fraqueza muito grave. Tal como já dissemos, o partido tinha perdido a imensa maioria dos antigos quadros e estava internamente desorganizado. O número dos seus militantes tinha também diminuído drasticamente devido á repressão fascista que era dirigida não apenas contra a guerrilha do Araguaia, mas também contra as estruturas muito frágeis que o PCB ainda tinha nalgumas áreas urbanas.


Uma vez mais, a experiência histórica traz-nos lições valiosas a partir das quais todos os Marxistas-Leninistas deveriam aprender. E uma das lições mais relevantes indica-nos que um partido fraco que sofreu perdas tremendas está muito mais vulnerável ás tendências e ás ideologias burguesas e anti-socialistas do que um partido Marxista-Leninista forte e bem organizado. Foi isto que aconteceu com o PCB. Após a derrota da guerrilha do Araguaia, parecia que o PCB estava aparentemente numa decadência imparável. No entanto, o partido recuperou porque quase todos os membros de uma organização chamada Acção Popular Marxista-Leninista (APML) decidiram juntar-se ao PCB. Mas que organização era esta? De facto, de “Marxista-Leninista” a APML só tinha mesmo o nome. Esta era uma organização que tinha as suas origens na chamada “esquerda Católica”, mas que tinha também adoptado muitos dos princípios do Maoismo. Em poucas palavras, a APML era uma organização meio-Maoista e meio-religiosa (Católica).


Não é difícil ter noção da enorme quantidade de ideologias e princípios anti-comunistas, anti-Marxistas, burgueses e social-fascistas que a entrada dos membros do APML no interior das fileiras do PCB representou. E nós devemos sublinhar o facto de que não foram apenas um ou dois membros do APML que foram aceites no PCB. Não. Um artigo académico intitulado “O impacto da crise do socialismo no PCB, 1988-1992” refere que:


O PC do B só pôde se recuperar organicamente da derrota, em grande parte, graças à adesão ao partido da maioria dos membros da Acção Popular (AP), grupo de origem cristã que se convertera ao maoísmo, aproximando-se do PC do B. (…) os egressos da AP comporiam cerca de metade (!!!) do novo Comité Central do PC do B.” (Ridenti, O impacto da crise do socialismo no PCB, 1988-1992, Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo, 1995, página 78).


Ao ler este parágrafo, torna-se claro que os órgãos mais importantes do PCB estavam sob a influência dos antigos membros da APML. Devido ás suas origens religiosas, a APML estava ligada ao movimento dos “Católicos de esquerda”. Mas em que é que consiste este movimento? Os “Católicos de esquerda” não são mais do que uma manobra traiçoeira posta em prática pela hierarquia Católica com o propósito de enganar os trabalhadores, fazendo-os crer que a Igreja Católica ultra-reaccionária e pró-fascista é “progressista” e até “revolucionária”. Tal como qualquer outro movimento burguês, o objectivo dos “Católicos de esquerda” é evitar que o proletariado adira e adopte a ideologia Marxista-Leninista, a única ideologia que é isenta de influências burguesas e que é capaz de conduzir o proletariado mundial em direcção ao comunismo. O movimento dos “Católicos de esquerda” está intimamente ligado á famosa Teologia da “Libertação” que procura “reconciliar” o Marxismo e a religião. Este tipo de movimentos político-religiosos têm grande influência na América Latina e eles tentam negar o princípio Marxista-Leninista segundo o qual toda e qualquer religião é um ópio que envenena as mentes dos trabalhadores explorados e que defende o conformismo e a aceitação do sistema burguês-capitalista. Estes movimentos tentam inculcar a ideia de que a religião pode desempenhar um papel social “progressivo” e pode ajudar as massas oprimidas a ultrapassarem os seus infortúnios. Aliás, muitos dos apoiantes destas “teorias” até afirmam que o propósito desta religião “progressista” é estabelecer o “socialismo”. É óbvio que isto não é mais do que um monte de mentiras ridículas. Este tipo de “movimentos” e de “teorias” fazem lembrar o velho “socialismo Cristão” que foi refutado pelo próprio Marx. Apesar da sua falsa máscara “socialista”, os “Católicos de esquerda” e a Teologia da “Libertação” continuam a defender a existência de um mundo metafísico que é governado por um “Deus” omnipotente. Os Marxistas-Leninistas sabem que todas as teorias que aceitam a existência de seres sobrenaturais ou de mundos alegadamente “para além da compreensão humana” são sempre retrógradas e reaccionárias porque de acordo com a ideologia comunista não há mais nada para além do mundo material.


Todas as “teorias” que tentam fabricar “Deuses” ou “criaturas divinas” pretende desviar a atenção do proletariado da opressão e da exploração que sofre diariamente ás mãos das classes dominantes. Todas as “teorias” que sejam directa ou indirectamente inspiradas na religião tentam justificar a ordem exploradora socio-económica existente e “aliviar” as tragédias e as misérias das classes trabalhadoras através de falsas promessas de pós-vidas paradisíacos.

No entanto, com o passar do tempo, as classes exploradas começaram a perceber que a religião não era mais do que um instrumento usado pelas classes dominantes com o objectivo de validar e consolidar o seu poder de classe tirânico e opressivo. Esta tendência acentuou-se ainda mais com o desenvolvimento do capitalismo, e a religião começou a ser rejeitada pelos trabalhadores mais conscientes. Com a Revolução de Outubro de 1917 e com a expansão da ideologia materialista do Marxismo-Leninismo, a religião entrou em severo declínio. De maneira a reverter esta tendência, as forças religiosas inventaram uma nova face “progressista” para esconder o carácter ultra-reaccionário das suas ideologias. Isto é particularmente verdade no que respeita á religião Católica. Afinal, o Catolicismo é um dos sistemas religiosos mais retrógrados e anti-comunistas. O Camarada Enver Hoxha disse uma vez que o Vaticano é um dos principais centros da contra-revolução internacional e isto é totalmente verdade. O Vaticano apoiou todo o tipo de fascismos e de reacção com o objectivo de aniquilar o Bolchevismo, mas isto desmascarou a sua natureza anti-socialista mesmo em frente aos olhos das massas oprimidas e exploradas. Grupos como os “Católicos de esquerda” são uma tentativa para manter o poder perverso que a Igreja Católica ainda detém sobre as mentes e o pensamento do proletariado de muitos países da América Latina como o Brasil.


É interessante notar que a APML combinava influências religiosas/Católicas com influências Maoistas. Isto constitui mais uma prova de que o reaccionarismo inevitavelmente atrai mais reaccionarismo. A verdade é que esta combinação do Catolicismo com o Maoismo não é assim tão estranha; aliás, é até muito natural. Afinal, o Maoismo também tem origens religiosas porque o “Pensamento Mao Zedong” é baseado no Confucionismo que, por sua vez, tem as suas raízes na religião Budista. E acima de tudo, tanto o Catolicismo como o Maoismo têm o mesmo propósito: manter o proletariado mundial em estado de escravatura para que este possa ser mais facilmente explorado pela burguesia que pretende a maximização dos seus lucros e a perpetuação eterna dos seus privilégios de classe escandalosos.


A única maneira de conseguir a libertação do proletariado é através da aplicação dos princípios da ideologia Marxista-Leninista-Estalinista-Hoxhaista em direcção á construção de uma sociedade sem classes e sem estado. Não há outro caminho. Para além do movimento Marxista-Leninista-Estalinista-Hoxhaista não existem movimentos “revolucionários” ou “progressistas”. Todas as outras “teorias” e “pensamentos”, sejam eles religiosos ou não, são necessariamente reaccionários porque todos eles defendem o sistema capitalista-imperialista de uma forma ou de outra. Todos os verdadeiros revolucionários sabem disto. No entanto, os líderes do PCB autorizaram alegremente a entrada dos membros da APML no partido.


Como temos visto, o PCB cometeu vários erros e sofreu a influência negativa de muitas tendências anti-Marxistas e contra-revolucionárias. Mas esta situação piorou muito com a aceitação dos membros da APML. João Amazonas (praticamente o único dos antigos líderes que conseguiu sobreviver á repressão) era o líder mais prestigiado do partido e ele podia ter tentado evitar esta aderência em massa mas o certo é que não o fez. Um dos principais argumentos usados pelos líderes do PCB foi que sem a aderência dos membros da APML, o PCB poderia ter desaparecido. Mas este argumento não é convincente. Ao longo da sua luta pela concretização da ditadura proletária, é normal que o partido Marxista-Leninista sofra golpes duros infligidos pelas forças reaccionárias. No entanto, se o partido for verdadeiramente revolucionário e Marxista-Leninista, ele encontrará sempre maneira de ultrapassar as situações de fraqueza através do estabelecimento de contactos próximos com o proletariado e com as outras classes oprimidas e exploradas, através do fortalecimento das suas actividades militantes, através de reorganizações internas que poderão ter lugar no partido e, mais importante que tudo, permanecendo completamente fiel aos princípios da ideologia Marxista-Leninista. Aliás, as situações em que o partido está a recuperar das perdas que a contra-revolução lhe infligiu podem ser ocasiões perfeitas para se corrigirem os erros tácticos e os desvios ideológicos que têm estado a afectar esse mesmo partido.


Concluindo, o PCB estava numa situação difícil porque os desvios ao Marxismo-Leninismo durante a guerrilha do Araguaia motivaram a sua derrota; mas em vez de tentarem reconstruir o partido e corrigir os erros ideológicos baseando-se nos ensinamentos dos Clássicos do Marxismo-Leninismo, os líderes do PCB decidiram fazer concessões á ideologia burguesa-religiosa e autorizar abertamente a sua infiltração dentro de um partido que deveria ser a vanguarda do proletariado Brasileiro. Eles queriam fortalecer o partido, mas eles só lhe trouxeram mais fraqueza porque a verdadeira força de um partido proletário reside na sua fidelidade inquebrantável ao Marxismo-Leninismo.


Depois de termos analisado as tendências regressivas que exerciam influência dentro do PCB, nós vamos agora voltar-nos para outro episódio da história do partido – o seu suposto abandono do Maoismo e alegada adopção da linha Albanesa. Em meados dos anos 70, as relações entre o PCB e o Partido Comunista da China tinham esfriado de forma significativa. Apesar das correntes burguesas que existiam no PCB, o caminho revisionista que o PCC estava a seguir era tão flagrantemente social-imperialista que os líderes do PCB decidiram “romper” superficialmente com o Maoismo, que até então tinha sido a ideologia oficial do partido.

Á primeira vista, o PCB criticou a “teoria dos três mundos” Maoista, qualificou-a correctamente como sendo revisionista e aproximou-se do Partido do Trabalho da Albânia. Foi durante este período que o PCB se tornou numa das secções do movimento mundial Marxista-Leninista liderado pelo Camarada Enver Hoxha.


A Albânia Socialista do camarada Enver Hoxha era uma ditadura proletária que permaneceu fiel ao Marxismo-Leninismo enquanto combatia de forma consistente o mundo capitalista-imperialista (incluindo a China Maoista); e o PTA era um valente e orgulhoso partido de tipo Estalinista que nunca vacilou no seu objectivo de eliminar todas as classes e tendências burguesas através da violência proletária de forma a construir uma sociedade socialista e, mais tarde, comunista. Além do mais, o movimento mundial Marxista-Leninista era o único movimento mundial genuinamente revolucionário e proletário que levantava bem alto o glorioso estandarte dos Clássicos do Marxismo-Leninismo em luta contra o revisionismo.


Assim, esta ruptura com o Maoismo concretizada pelos líderes do PCB foi aparentemente uma atitude muito correcta. De facto, nós poderíamos pensar que esta aderência ao movimento mundial Marxista-Leninista poderia representar a correcção de todos aqueles erros e enganos causados pelas tendências burguesas e pequeno-burguesas dentro do PCB durante a fase Maoista e a guerrilha do Araguaia e que tinham trazido tanto sofrimento e tantas derrotas ao partido. Afinal, não devemos esquecer que quando o Krushchevismo conquistou o poder na União Soviética e o revisionismo dominava o movimento Comunista, o PCB escolheu o lado do anti-revisionismo e defendeu a oposição a Khrushchev, entrando em ruptura com as facções pró-revisionistas do movimento Comunista Brasileiro. Consequentemente, faz sentido presumir que se o PCB seguiu a Albânia Socialista durante a ruptura Sino-Albanesa em 1976-1978, isto poderia ser interpretado como um regresso do partido ás suas raízes anti-revisionistas. Mas será que esta suposição corresponde á realidade? Será que a aliança do PCB com o movimento mundial Marxista-Leninista do Camarada Enver Hoxha significou uma verdadeira rectificação da linha do partido em favor do anti-revisionismo? Pensamos que não. Na nossa opinião, a aderência do PCB ao movimento mundial Marxista-Leninista do Camarada Enver Hoxha foi algo meramente externo e superficial, não foi algo consequente no que respeita á situação interna do partido que continuou a ser dominada pelas tendências pró-capitalistas e anti-comunistas.

É muito interessante ouvir aquilo que a burguesia tem a dizer relativamente a este assunto:


A adopção da linha Albanesa não significou a radicalização política do PCB. Em 1978, toda a esquerda tinha acção institucional através do MDB, a oposição moderada ao governo militar (…).(Wikipedia, Partido Comunista do Brasil).


Isto é o que a Wikipedia, uma fonte de informação burguesa, pró-capitalista e pró-imperialista mundialmente famosa, afirma. Já se sabe que quando a burguesia imperialista qualifica um certo partido como sendo “radical”, isso pode não querer dizer muito. Por exemplo, entre um partido Guevarista e um partido autenticamente Marxista-Leninista, a burguesia imperialista não tem qualquer problema em qualificar ambos como “radicais”. No entanto, quando essa mesma burguesia declara explicitamente que um determinado partido que se auto-denomina como comunista não é radical, isso já quer dizer alguma coisa. Isso significa que o partido em questão, apesar do seu nome “comunista”, está tão perfeitamente integrado dentro do status quo “politicamente correcto” do sistema capitalista que a burguesia já nem sequer se incomoda em considerá-lo “radical”. Tudo isto indica que, por detrás da sua designação “comunista” ou até mesmo “Hoxhaista”, o PCB permaneceu sob a influência contra-revolucionária das ideologias burguesas. Aliás, desde o fim da guerrilha do Araguaia que o PCB se estava a aproximar cada vez mais do legalismo burguês. Em vez de incitar o proletariado Brasileiro a pegar em armas e a lançar-se numa luta armada e violenta contra os fascistas Brasileiros com o propósito de estabelecer a ditadura proletária no Brasil, o PCB conformou-se cobardemente ao parlamentarismo burguês. A conversa fiada acerca do suposto “papel desempenhado pelo PCB na derrota do regime militar” não corresponde á realidade. Pelo contrário, não apenas o sucesso representado pela derrota da guerrilha do Araguaia fortaleceu o poder dos fascistas Brasileiros, como também as correntes anti-Marxistas no interior do PCB fizeram com que o partido fizesse exactamente aquilo que a burguesia queria durante o período da falsa “democratização” que marcou o fim da forma fascista de domínio burguês no Brasil.


Apesar do seu reaccionarismo feroz e do seu anti-comunismo doentio, os imperialistas Americanos e os fascistas Brasileiros depressa compreenderam que o Brasil não poderia ser governado através de métodos fascistas para sempre. Eles tinham a noção de que o fascismo envolve sempre o risco de causar a aquisição de uma consciência revolucionária pelo proletariado, e de que a forma “democrática” do domínio burguês é mais favorável no que respeita a enganar as classe trabalhadoras e a espalhar ilusões entre os proletários com o objectivo de os fazer renunciar á revolução socialista e á construção da sociedade comunista. Com isto em mente, os imperialistas Americanos e os fascistas Brasileiros começaram a preparar o enganoso “processo de democratização” que iria manter as massas exploradas Brasileiras submetidas á escravatura capitalista. Nas suas obras, o Camarada Enver Hoxha desmascarou totalmente estes planos reaccionários e mencionou expressamente a situação do Brasil:


Os imperialistas norte-americanos, juntamente com os capitalistas locais, empregam duas vias principais para prevenir as revoluções. Uma é a via da instauração de regimes militar-fascistas por meio de um «pronunciamento militar», quando vêem as suas posições sob ameaça iminente. Fizeram assim no Brasil, no Chile, no Uruguai, na Bolívia e noutros países. A outra via é a organização de regimes democrático-burgueses, com acentuadas limitações e grandes lacunas nas liberdades fundamentais, como na Venezuela, México, ou como estão fazendo agora no Brasil, procurando assim atenuar as tensões revolucionárias e dar a impressão de que a burguesia desses países e mais ainda a administração e o presidente dos Estados Unidos se preocupam com os “direitos humanos”.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português).


Em primeiro lugar, as forças reaccionárias organizaram uma “oposição” ainda durante o período do regime militar fascista. Esta “oposição” surgiu de meados a finais dos anos 70, denominava-se “Movimento Democrático Brasileiro” (MDB) e era completamente controlada pelas forças anti-comunistas. O MDB era uma organizaçao pró-capitalista que uniu as facções da burguesia “liberal” e “progressista” Brasileira que estava interessada na substituição da forma fascista de domínio capitalista por uma “democracia” burguesa. É óbvio que os fascistas Brasileiros permitiram de forma intencional a existência do MDB de forma a usá-lo como instrumento para evitar a emergência de partidos socialistas e anti-fascistas fortes e influentes que poderiam representar uma verdadeira ameaça para os desejos burgueses de “transição pacífica para a democracia”. Através do MDB, a burguesia Brasileira liderava e orientava a oposição “anti-fascista” em direcção a mudanças puramente formais que não iriram afectar a perpetuação do horrendo sistema capitalista enquanto davam a impressão de que “o caminho do regresso do Brasil á democracia está a ser prepararado”. Na verdade, a “oposição anti-fascista” era uma ficção total; ela era composta pelos memebros da burguesia Brasileira que compreenderam que a forma “democrática” de domínio burguês poderia ser mais benéfica para o capitalismo do que a sua forma fascista.


A luta contra o fascismo é uma prioridade para todos os verdadeiros partidos Marxistas-Leninistas. No entanto, ela deve ser conduzida e realizada de acordo com os ensinamentos dos Clássicos do Marxismo-Leninismo, de acordo com os princípios da ideologia proletária e comunista, e não através da participação na falsa “oposição” que foi fabricada pelos próprios fascistas. De facto, o PCB tinha participado no MDB desde finais dos anos 70, num momento no qual o partido já era um asecção do movimento mundial Marxista-Leninista do Camarada Enver Hoxha. Tal como os revisionistas Brasileiros admitem:


(…) antes de voltarmos á legalidade em 1985, nós já elegíamos deputados federais pela legenda do MDB.” (Documentos do PCB, A Política de Estruturação do PCB – Documentos Básicos, 2006, página 227).


Assim, o PCB elogiava a ditadura proletária Albanesa enquanto simultaneamente colaborava comos movimentos burgueses sob o controle fascista cujo propósito era manter a estabilidade do sistema de exploração capitalista. É claro que João Amazonas desempenhou um papel decisivo durante todos estes acontecimentos. Enquanto líder indisputável do PCB, ele não só estava informado acerca destas posições contra-revolucionárias adoptadas pelo partido como era também um dos princiapis responsáveis por elas.


Actualmente, o presidente dos neo-revisionistas Brasileiros afirma que:


Notadamente nos últimos 25 anos, o PCdoB elevou sua contribuição à política nacional. Teve papel destacado nas grandes jornadas pela redemocratização do país, como na campanha pelas Directas Já, que levou à derrota da ditadura militar no Colégio Eleitoral.” (Renato Rabelo, Textos para o debate político atual, 2010, página 8).


Esta afirmação é uma prova clara do caminho ultra-revisionista que foi seguido pelo PCB. Democratização do país? A transição da forma fascista de ditadura capitalista para a forma “democrática” de ditadura capitalista não tem absolutamente nada a ver com a verdadeira democracia.


Os comunistas não devem apenas lutar contra a forma fascista da ditadura burguesa, mas também contra a sua forma “democrática”, até porque ambas as formas de ditadura burguesa têm o mesmo objectivo: perpetuar a exploração capitalista. E devemos também notar a completa aceitação do parlamentarismo burguês mais abjecto quando o autor do parágrafo se refere à “derrota da ditadura militar no Colégio Eleitoral.” Como se o fascismo pudesse ser eliminado através das eleições burguesas!!! O fascismo é um produto directo do capitalismo e vai existir enquanto o capitalismo existir. Enquanto o sistema capitalista-burguês não for aniquilado, há sempre a possibilidade da implementação do domínio fascista. A ditadura militar no Brasil só poderia ter sido verdadeiramente derrotada se o PCB tivesse conquistado o poder político, instalado a ditadura proletária e tivesse liderado o proletariado Brasileiro em direcção á construção de uma sociedade sem classes e sem estado. Apenas nesta situação se poderia falar acerca da “derrota da ditadura militar” porque só a revolução socialista remove a inevitabilidade do fascismo. De outra maneira, a forma fascista da ditadura burguesa é sempre possível, de acordo com os desejos da classe burguesa que pode ter mais ou menos interesses em usar a forma fascista do seu domínio. Só alguém que abandonou totalmente o Marxismo-Leninismo e está mergulhado num delírio ultra-revisionista pode afirmar o contrário.


Na verdade, longe de contribuir para a democratização do país, o PCB fez exactamente aquilo que a burguesia Brasileira queria que o partido fizesse. Durante o “processo de transição para a democracia” que foi completamente organizado pelos imperialistas Americanos e pela burguesia Brasileira, o PCB desempenhou o papel da “oposição comunista”. O regime militar era conhecido pelo seu anti-comunismo fervoroso, por isso a burguesia Brasileira tinha de incluir um partido “comunista” na oposição “anti-fascista” do MDB. Com isto, pretendia-se dar um aspecto mais “progressista” e “revolucionário” ao MDB pró-capitalista de maneira a enganar os trabalhadores acerca da verdadeira natureza de classe da falsa “oposição anti-fascista”. Afinal, se até o partido “comunista” estava a participar no MDB e estava a eleger representantes para os órgãos burgueses que eram autorizados pelos fascistas Brasileiros é claro que os trabalhadores em geral e o proletariado em particular sentir-se-iam tentados a pensar que o MDB era realmente um genuíno movimento anti-fascista cujo propósito era a “democratização do país”. E devemos ainda sublinhar que a fraseologia “anti-revisionista” do PCB só serviu para iludir o proletariado Brasileiro ainda mais. De facto, nos países nos quais os partidos “comunistas” são abertamente revisionistas, a burguesia tem mais dificuldades em usá-los para enganar o proletariado de forma a concretizar os seus interesses reaccionários de classe, porque o proletariado sabe a verdade acerca da traição revisionista, o proletariado sabe o que é que os revisionistas querem e quem é que eles favorecem.

Pelo contrário, no caso do PCB, o revisionismo e oportunismo do partido eram muito mais difíceis de desmascarar porque na época em que a “transição Brasileira para a democracia” teve lugar, o PCB ainda usava uma máscara “anti-revisionista” e mesmo “Estalinista”. Superficialmente, os líderes do partido ainda consideravam o camarada Estaline como sendo um dos Clássicos do Marxismo-Leninismo.

Hoje em dia, sabemos que o facto de um determinado partido ou organização política considerar o camarada Estaline como um dos Clássicos do Marxismo-Leninismo não quer necessariamente dizer que o partido ou a organização em questão sejam realmente anti-revisionistas. De facto, há muitos partidos e organizações revisionistas, burgueses e pró-capitalistas que usam o nome do camarada Estaline para realizarem as suas intenções perversas de iludir o proletariado mundial.


No entanto, durante o referido período do “processo democrático do Brasil” nos inícios e meados dos anos 80, as coisas não eram assim tão claras e muitos trabalhadores pensaram que o PCB era um partido verdadeiramente proletário e socialista que tentava estabelecer a ditadura do proletariado Brasileiro. E quem é que os pode criticar? Afinal, o PCB era um membro do movimento mundial Marxista-Leninista liderado pelo camarada Enver Hoxha. As posições externas do partido eram correctas e revolucionárias porque correspondiam ás da Albânia Socialista. Mas no que respeitava ás posições internas do partido, podemos afirmar que se o Maoismo tinha deixado de ser a ideologia oficial do partido, isso não significou que o revisionismo Maoista tivesse deixado de exercer uma influência dominante no interior do partido. Isto pode ser provado se analisarmos as posições do partido relativamente á burguesia nacional Brasileira. De facto, a classe que estava a desempenhar o papel mais importante na transição Brasileira para a “democracia” burguesa foi precisamente a burguesia nacional Brasileira, que via o regime militar como sendo um produto dos interesses da burguesia Brasileira pró Americana, cujas ligações ao imperialismo Americano estavam a impedir que a burguesia nacional Brasileira se tornasse na principal classe dominante no país.


A burguesia nacional Brasileira já estava a preparar a transformação do Brasil numa potência imperialista e é por isso que tentou conquistar o poder através deste falso “processo de democratização”. Este propósito da burguesia nacional Brasileira é muito semelhante ao da burguesia nacional Chinesa, cujo percurso nós já analisámos noutros artigos e cujos interesses eram representados pelo “Pensamento Mao Zedong” social-fascista. Tal como a burguesia nacional Chinesa, também a burguesia nacional Brasileira se quer livrar da influência das potências imperialistas tradicionais de maneira a abrir o caminho em direcção a um Brasil imperialista. E o PCB apoiou inteiramente os planos e os propósitos da burguesia nacional Brasileira que desejava a substituição do regime fascista ao serviço do imperialismo Americano e da burguesia Brasileira pró-Americana por um regime igualmente odioso e opressivo que espalharia ilusões entre o proletariado Brasileiro graças aos seus aparentes “traços democráticos” enquanto defenderia os interesses de classe da burguesia nacional Brasileira cujo sonho é liderar a transformação do Brasil numa potência imperialista, o que permitiria que essa mesma classe pudesse explorar o proletariado Brasileiro sem ter de partilhar os lucros com ninguém, nem sequer com o imperialismo Americano ou com as facções da burguesia Brasileira a ele ligadas.


Em 1985, o regime militar e fascista termina e em 1986 o PCB foi oficialmente legalizado (apesar de ter elegido deputados e a participar na “oposição” permitida e controlada pela burguesia Brasileira desde finais dos anos 70). Em 1989, o PCB estava incluído na coligação política “Frente Popular do Brasil” que era completamente organizada e dominada pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Mas que tipo de partido é o PT? Que classe representa? Apesar do seu nome “esquerdista”, o Partido dos Trabalhadores não tem absolutamente nada a ver com a classe trabalhadora. É um partido inteiramente burguês que representa as pretensões burguesia nacional Brasileira que deseja prosseguir com a transição do Brasil para o imperialismo. O PT domina a cena política Brasileira desde os anos 90 e a sua fraseologia “progressista” constitui um instrumento valioso usado pela burguesia imperialista Brasileira para fazer avançar os interesses do imperialismo Brasileiro e para impedir a revolução socialista dando ao proletariado Brasileiro algumas migalhas dos super lucros capitalistas.


Na verdade, a burguesia nacional Brasileira depressa compreendeu que a miséria e a pobreza horríveis que afectavam e ainda afectam as classes trabalhadoras Brasileiras poderiam ser um perigo para a manutenção do sistema capitalista, até porque a “transição democrática” não tinha modificado as estruturas sociais e de classe do país; o Brasil continuava a ser um país altamente endividado com enormes desigualdades. Por isso, a burguesia nacional Brasileira tentou disfarçar-se com roupagem “de esquerda” porque isso seria muito benéfico para conquistar o apoio das massas trabalhadoras durante a transformação do país em potência imperialista. A ascensão do PT inclui-se na chamada “viragem á esquerda da América Latina” e a sua essência é comparável á dos processos semelhantes que ocorreram em países como a Venezuela, a Bolívia e o Equador. É claro que a “viragem á esquerda da América Latina” e as “revoluções Bolivarianas” não possuem o menor vestígio de socialismo, elas são apenas tentativas das burguesias dos países mencionados para se livrarem da influência monopolista e exclusiva do imperialismo Americano enquanto se colocam sob o controlo e domínio do social-imperialismo Chinês (apesar da situação no Brasil ser diferente porque grande parte da poderosa burguesia nacional Brasileira tem as suas próprias ambições imperialistas e não quer estar sob o jugo da burguesia monopolista Chinesa). Este é um tema que nós iremos desenvolver mais tarde neste artigo e iremos tentar desmascarar o carácter reaccionário, burguês e social-imperialista dos governos do PT que é cuidadosamente escondido por detrás da fraseologia “socializante” e que é deliberadamente aceite pelos neo-revisionistas do PCB.


Por agora, vamos apenas realçar o facto de que em 1989, três anos antes da destruição final da ditadura proletária Albanesa, o PCB já estava a apoiar abertamente a facção “progressista” da burguesia nacional Brasileira. É muito importante notar que o envolvimento e a contribuição directa do PCB para a defesa dos interesses da burguesia imperialista Brasileira e para a perpetuação da opressão e exploração capitalistas começaram muito antes da “crise do movimento anti-revisionista”, começaram muito antes do famoso 8º Congresso do PCB em 1992. Foi apenas depois do referido Congresso que os líderes do PCB negaram frontalmente o legado do Camarada Estaline e assumiram abertamente posições ultra-revisionistas, assumindo assim a sua opção em favor do anti-comunismo e da reacção externa e interna.


De facto, antes do 8º Congresso, o PCB ainda mantinha posições externas correctas. Por exemplo, o partido considerou a Perestroika de Gorbatchev como sendo a consequência lógica da via pró-capitalista que a União Soviética tinha vindo a seguir desde a morte do camarada Estaline, como não sendo nada mais do que a realização do objectivo final do revisionismo Soviético que é a restauração do capitalismo clássico. Segundo os artigos publicados pelo PCB durante os finais dos anos 80 e inícios dos anos 90, quando o social-imperialismo Soviético e os seus satélites social-fascistas estavam em pleno colapso, a União Soviética tinha conhecido duas fases distintas: a primeira tinha durado até á morte de Estaline e era genuinamente socialista, enquanto que a segunda fase começou com a tomada do poder por Khrushchev e caracterizou-se por ser uma fase anti-socialista e revisionista. Podemos notar que esta análise feita pelo PCB era certa e era Marxista-Leninista porque, devido á sua aliança com o Movimento Mundial Marxista-Leninista, o PCB ainda defendia posições revolucionárias no que respeitava aos assuntos internacionais. No entanto, esta situação mudou totalmente com o desaparecimento dos últimos traços de socialismo na Albânia em 1992.


A tomada do poder pelos revisionistas Albaneses começou logo após a morte do camarada Enver, quando eles se sentiram suficientemente confiantes para destruírem a ditadura proletária Albanesa. Enquanto o camarada Enver foi vivo, eles não se atreveram sequer a tentar concretizar as suas intenções perversas porque se o tivessem feito o Camarada Enver e os leais Marxistas-Leninistas Albaneses tê-los-iam esmagado imediata e implacavelmente. Foi por isso que eles tiveram de esperar até á morte de Enver para poderem por em prática os seus planos. A degeneração da Albânia Socialista ás mãos dos detestáveis revisionistas Albaneses causou grande tristeza e desapontamento entre os verdadeiros anti-revisionistas de todo o mundo que durante mais de 4 décadas tinham visto como a Albânia Socialista do camarada Enver invariavelmente adoptava posições correctas e Marxistas-Leninistas relativamente ás principais questões revolucionárias de cada época, tinham visto como a Albânia Socialista do camarada Enver estava a construir o socialismo e o comunismo de uma maneira honesta e isenta de todo o tipo de oportunismos e de influências burguesas quer de direita, quer de “esquerda”. A maneira corajosa como o camarada Enver e os Marxistas-Leninistas Albaneses defenderam o camarada Estaline, como eles lutaram corajosamente contra a reacção internacional e contra todas as espécies de revisionismo, desde o Titoismo e o Krushchevismo até ao Maoismo, e a independência intrépida que a Albânia Socialista manteve em relação a ambas as superpotências imperialistas (os EUA e a União Soviética) inspiraram muitos comunistas honestos que se demarcaram dos cursos revisionistas e pró-capitalistas que estavam a ser seguidos pelos partidos comunistas dos seus respectivos países. Para todos estes militantes anti-revisionistas, a Albânia Socialista liderada pelo camarada Enver era um verdadeiro farol que os guiava em direcção á sociedade socialista e ao mundo comunista. A morte do camarada Enver mergulhou o movimento anti-revisionista num luto profundo, mas em geral, os militantes anti-revisionistas tinham esperança de que o correcto curso Marxista-Leninista-Estalinista seguido pela Albânia Socialista iria continuar sem interrupções. Infelizmente, poucos anos após o falecimento do camarada Enver, tornou-se evidente que o traidor Ramiz Alia e os revisionistas Albaneses (com o apoio do imperialismo e do social-imperialismo mundiais) tinham negado completamente os ensinamentos do camarada Enver Hoxha e estavam a conduzir a Albânia por um caminho social-fascista que acabou por causar a queda do último verdadeiro estado socialista do mundo nos início dos anos 90.


É claro que isto originou muitos problemas no interior do movimento anti-revisionista, mas em vez de resolverem estes problemas reafirmando a sua confiança na ideologia Marxista-Leninista, a verdade é que muitos líderes e membros proeminentes de partidos que se auto-qualificavam como “Marxistas-Leninistas”, “anti-revisionistas” e “Hoxhaistas” escolheram a via d traição e do engano, eles escolheram abandonar os princípios Marxistas-Leninistas-Estalinistas, eles escolheram abandonar o caminho da revolução e da sociedade socialista e comunista. Em poucas palavras, eles escolheram a via do neo-revisionismo, e o PCB também seguiu a mesma tendência social-fascista.


No entanto, como nós temos tentado demonstrar a longo deste artigo, a adopção do neo-revisionismo pelos líderes do PCB não foi algo que tenha acontecido de repente. Pelo contrário, foi a culminação de um longo processo de erros ideológicos e de concessões oportunistas em relação a múltiplas influências e ideologias anti-Marxistas e pró-capitalistas. É verdade que o PCB teve uma atitude correcta durante a traição Khrushchevista em finais dos anos 50 e inícios dos anos 60, escolhendo o lado da oposição ao revisionismo soviético. É também verdade que o partido adoptou uma posição muito acertada durante a ruptura Sino-Albanesa, apoiando a Albânia Socialista do camarada Enver Hoxha. Mas apesar destas posições correctas e honrosas, a realidade é que as tendências anti-socialistas que se tinham desenvolvido no interior do partido acabaram por prevalecer sobre as origens anti-revisionistas do PCB. Ao longo de toda a história do PCB, é perceptível um contraste profundo entre a correcção socialista das posições externas/internacionais do partido enquanto secção do movimento mundial Marxista-Leninista e o carácter pró-burguês e até reaccionário das posições do PCB em relação aos assuntos internos do Brasil.


No 7º Congresso do PCB que teve lugar em 1988, o camarada Estaline ainda surgia lado a lado com Marx, Engels e Lenine. No entanto, no tristemente famoso 8º Congresso do PCB em 1992, o camarada Estaline já não estava presente e os neo-revisionistas Brasileiros consideraram Marx, Engels e Lenine como os únicos Clássicos do Marxismo-Leninismo, o que constituía uma postura tipicamente revisionista. Além disso, os líderes do partido criticaram o camarada Estaline utilizando as mesmas mentiras e calúnias que já tinham sido usadas pelos Krushchevistas. Em 1978, João Amazonas tinha afirmado no jornal do PCB “Classe Operária” que:


"As obras e os ensinamentos de Stalin continuam vivos na consciência dos povos." (João Amazonas, Classe Operária, 1978).


Mas em 1992, o camarada Estaline foi injustamente acusado de ter alegadamente “exagerado o seu papel de líder máximo do PCUS” e por “ter responsabilidades na tomada do poder pelos revisionistas na união Soviética”. Os neo-revisionistas Brasileiros tentam culpar o camarada Estaline por supostamente “não ter feito o suficiente para impedir a conquista do poder pelos revisionistas e a consequente derrota do socialismo”. Isto é totalmente falso. O camarada Estaline dedicou a sua vida á luta contra o revisionismo. Aliás, um dos principais méritos do camarada Estaline é precisamente o de ter mantido o PCUS numa linha ideológica correcta e Marxista-Leninista, isenta tanto do oportunismo de direita como do oportunismo de “esquerda”. Basta recordar as lutas lideradas pelo camarada Estaline contra as várias facções anti-socialistas que existiam no interior do PCUS, desde a facção Trotskista até á facção Boukharinista. Na verdade, o camarada Estaline foi traído pelos seus próprios “camaradas” após a sua morte. Numa entrevista, o camarada Enver Hoxha declarou:


Pergunta: Porque é que, na sua opinião, Estaline não preparou a sucessão?


Resposta: Estaline pensou acerca disso. No 19º Congresso ele alargou o Comité Central e os órgãos políticos de forma a consolidar a liderança do Partido após a sua morte. Mas ele estava cercado (…) por inimigos camuflados que lhe forneciam constantemente relatórios falsos. Ele dizia-lhes: “Após a minha morte vocês vão vender a União Soviética”, mas ele não conseguiu combatê-los a tempo. Estaline era um grande homem. Eu conheci-o pessoalmente. Eu tive cinco encontros com ele. Ele era um homem inteligente e com uma grande sensibilidade. Ele lutou contra os inimigos da União Soviética e do comunismo.

Antes e depois da Segunda Guerra Mundial, Estaline consolidou a posição da União Soviética politicamente, economicamente e militarmente. Ele apercebeu-se de que o seu país estava a ser danificado de forma grave. Khrushchev e Mikoyan chegaram a dizer-me que tinham organizado um atentado contra Estaline, que tinham tido a intenção de o matarem num golpe de Estado mas que tinham recuado por medo do povo. Eis o tipo de assassinos e de criminosos que eles eram. Mesmo após a morte de Estaline eles continuaram a gritar: “Viva Estaline!” e a dizer: “Estaline foi um grande homem”. Mas, a certa altura, depois de terem consolidado as suas posições, eles lançaram contra ele o seu famoso ataque. Eles acusaram Estaline de todos os crimes e erros que eles próprios tinham cometido. Nós nunca aceitámos isso e declarámo-lo abertamente no encontro dos 81 Partidos Comunistas em Moscovo em 1960. É por isso que eles nos acusam de sermos Estalinistas. Mas nós somos Marxistas-Leninistas-Estalinistas e levamos a cabo tudo o que é bom para o socialismo na Albânia.” (Albanian Life, nº 32, An Interview with Enver Hoxha, Tirana, Dezembro de 1984, traduzido a partir da edição em Inglês).


No principal documento do 8º Congresso do PCB intitulado “O Socialismo Vive”, os revisionistas Brasileiros negam os princípios mais essenciais da ideologia Marxista-Leninista-Estalinista-Hoxhaista:


O que o Brasil necessita é passar ao socialismo, criar um governo socialista, dirigido pelas forças mais avançadas da sociedade, por partido ou partidos, que tenham por base uma teoria cientifica, revolucionaria... Em termos de estratégia política – esse é o objectivo maior que persegue o Partido Comunista do Brasil, PC do B, na atualidade. (Documentos do PCB, O socialismo vive, 1992, p.31).


Neste parágrafo, é o princípio revolucionário da necessidade do partido único durante o socialismo que está a ser negado. Uma vez mais, vemos as semelhanças entre o revisionismo Brasileiro e o social-fascismo Maoista, que também defende a existência de vários partidos e classes sob o “socialismo” de maneira a promover a manutenção do domínio da exploração burguesa:


No escrito «Sobre a Nova Democracia», Mao Tsetung preconizava que se instaurasse na China, após a vitória da revolução, um regime apoiado na aliança das «classes democráticas», onde ele incluía além do campesinato e do proletariado também a pequena burguesia urbana e a burguesia nacional. «Tal como todos devem compartir a comida que há afirmava ele não se permite que um só partido, um só grupo ou uma só classe se aproprie do poder».(Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português).


Durante o 8º Congresso do PCB, foi também afirmado que “Estaline deu prioridade ao partido sobre o Estado” e que “Estaline ordenou muitas vagas de repressão contínuas e desnecessárias.” Estas frases constituem provas irrefutáveis da febre ultra-revisionista que afecta o PCB. Aquilo que os revisionistas Brasileiros qualificam como “repressão desnecessária” e como “o domínio do estado pelo partido” tem um nome: ditadura proletária.


Todos os Marxistas-Leninistas sabem que as medidas adoptadas pelo camarada Estaline durante o tempo em que ele foi o líder do PCUS foram absolutamente e indiscutívelmente necessárias. Aliás, mais do que necessárias, elas froam positivas porque eram a expressao da ditadura proletária Soviética cujo propósito era destruir totalmente os próprios fundamentos do sistema capitalista e das influências reaccionárias e burguesas. Os neo-revisionistas Brasileiros estão muito irritados com o facto de ter havido “repressão na época de Estaline”. Mas claro que houve repressão na época de Estaline. Quando o camarada Estaline se tornou no líder do PCUS, a burguesia Russa era ainda muito poderosa e estava longe de ser eliminada. Mesmo muitos membros do PCUS eram fortemente influenciados pela velha ideologia feudal-capitalista. Nestas condições, a repressao proletária era deseperadamente necessária, até porque só através do exercício da violência revolucionária é que o proletariado aprende a derrotar a burguesia e a construir uma sociedade socialista, e mais tarde comunista. A verdade é que a ditadura proletária implica lutas sangrentas entre as forces revolucionárias e as forças reaccionárias, ela implica a expropriação e a colectivização rápida e completa dos meios capitalistas de produção em favor do proletariado e das outras classes trabalhadoras e oprimidas, implica o estabelecimento de uma economia planificada, pressupõe um combate resoluto e feroz contra tudo o que esteja relacionado com o velho sistema de exploração capitalista e burguês e sim, a ditadura proletária também envolve necessariamente a eliminação física dos oponentes anti-comunistas. Como afirmou o camarada Lenine:


(…) este período (a ditadura do proletariado) é inevitavelmente um período de uma luta de classes de um encarniçamento sem precedentes, sem precedentes na agudeza das suas formas. E, consequentemente, o Estado deste período deve necessariamente ser um Estado democrático de uma maneira nova (para os proletários e para os não possidentes em geral) e ditatorial de uma maneira nova (contra a burguesia).” (Lenine, O Estado e a Revolução, edições Avante, 1977, edição em Português).


Os revisionistas consideram estas posições como “extremistas”, mas são eles quem, de forma consciente e intencional, defendem um sistema socio-económico que tem assassinado biliões de pessoas desde o seu começo, que condena a imensa maioria da população do mundo a viver vidas miseráveis sob condições inenarráveis, que provoca constantemente guerra mortíferas, que impõe uma repressão sanguinária a centenas de milhões de pessoas e que mantém as classes trabalhadoras e oprimidas sob a influência nociva de uma ideologia reaccionária e retrógrada cujo único objectivo é aumentar os já fabulosos lucros que a burguesia mundial rouba e acumula através da exploração do proletariado mundial. E enquanto apoiam a perpetuação de todos estes males revoltantes, os revisionistas ainda se atrevem a acusar os Marxistas-Leninistas de serem “extremistas”!


Os revisionistas Brasileiros qualificam o seu abandono explícito do camarada Estaline como sendo uma “crítica corajosa”, mas eles estão totalmente enganados. A verdadeira coragem não reside na capitulação cobarde frente ao sistema capitalista-burguês. Pelo contrário, ela reside na resistência firme contra o revisionismo e na defesa resoluta da ideologia comunista que é representada pelo brilhante legado proletário e revolucionário do camarada Estaline:

E os neo-revisionistas Brasileiros vão ainda mais longe com o seu anti-comunismo:


Rechaçamos a propaganda insidiosa da reação. Não somos Stalinistas. Tampouco, somos anti-stalinistas. Avaliamos a figura de Stalin no plano histórico. (…) Nesses embates, a par dos méritos incontestáveis, mostrou falhas e deficiências, cometeu erros que prejudicaram a causa do proletariado.” (Documentos do PCB, O socialismo vive, 1992, páginas 49-50).


Não somos Stalinistas. Tampouco, somos anti-stalinistas.” Esta frase é incrivelmente oportunista e traiçoeira porque aquilo que não é revolucionário é necessariamente contra-revolucionário. Se alguém não é Estalinista, isso significa que esse alguém é necessariamente e inevitavelmente anti-Estalinista. O Estalinismo foi o factor vital e decisivo que permitiu a sobrevivência da ditadura proletária na União Soviética. Negar a ideologia Estalinista significa negar a possibilidade da revolução socialista bem sucedida; e a negação da possibilidade da revolução socialista bem sucedida é sinónimo de considerar o comunismo como uma utopia irrealizável porque a concretização do comunismo está dependente do sucesso da edificação do socialismo e da severidade revolucionária da ditadura do proletariado.


O camarada Estaline representa o lado mais glorioso da revolução socialista. Ele simboliza a abnegação revolucionária e a força comunista. A liderança proletária do camarada Estaline foi uma sucessão ininterrupta de conquistas assombrosas; desde a luta contra as tentativas Trotskistas para destruir o socialismo na URSS até á maneira heróica através da qual o camarada Estaline liderou o processo de industrialização e de colectivização dos meios de produção, isto para não falar da vitória sobre o Nazismo, da qual o PCUS guiado pelo camarada Estaline foi o principal arquitecto. Contrariamente ao que os revisionistas Brasileiros afirmam, o período Estalinista não foi uma época de terror e de dogmatismo durante a qual o Marxismo-Leninismo esteve estagnado. De facto, foi o exacto oposto disto. Foi uma época na qual as massas oprimidas soviéticas usufruíam da maior liberdade, elas vivam numa verdadeira democracia proletária e estavam a construir o socialismo de forma bem sucedida. O Estalinismo representa um desenvolvimento insubstituível e inestimável da teoria Marxista-Leninista, e negar a contribuição do camarada Estaline significa negar a própria revolução socialista.


Os revisionistas Brasileiros tentam esconder a sua traição por detrás de frases ocas acerca dos “méritos incontestáveis de Estaline”. Mas isto não é mais do que conversa fiada. E principalmente, devemos compreender que estas “críticas” execráveis que os neo-revisionistas Brasileiros dirigem contra o camarada Estaline devem ser consideradas como sendo igualmente dirigidas contra o camarada Enver Hoxha porque ele foi o mais fiel seguidor do camarada Estaline, e enquanto ele liderou o PTA, a Albânia Socialista era um verdadeiro bastião Estalinista que desafiava o campo capitalista-revisionista degenerado e que mostrava ao proletariado mundial que a construção bem sucedida da sociedade socialista não só é possível, como é acima de tudo uma necessidade histórica.


Na verdade, para falar com franqueza, no que respeita ao passado do PCB enquanto apoiante da Albânia Socialista do camarada Enver Hoxha, os neo-revisionistas Brasileiros decidiram habitualmente manter um silencia total acerca desse assunto. No entanto, houve algumas excepções a esse silêncio generalizado. Uma delas foi um artigo escrito por João Amazonas nos primeiros meses de 1991 na revista “Princípios” (a revista ideológica do PCB). Por essa altura, o PTA já estava a seguir um curso abertamente pró-capitalista, mas em vez de reafirmar a sua confiança nos ensinamentos do camarada Enver Hoxha e no Marxismo-Leninismo, João Amazonas afirmou o seguinte:


"Pode um pequeno país, atrasado, sozinho, construir o socialismo e avançar para o comunismo? Somos de opinião que, do ponto de vista teórico, isso é inconcebível. (…) A tese da possibilidade de "vitória do socialismo num único país só é aplicável num país de grande porte, ainda que medianamente desenvolvido, e contando com o ascenso do movimento revolucionário mundial" (João Amazonas, “Princípios”, 1991, páginas 41-42).


Se ainda existissem dúvidas acerca do carácter neo-revisionista do PCB em geral e de João Amazonas em particular, este parágrafo dá-nos a resposta final. Esta declaração nega directamente os ensinamentos mais fundamentais do camarada Enver Hoxha enquanto Clássico do Marxismo-Leninismo. Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, consideramos que os ensinamentos dos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo (Marx, Engels, Lenine, Estaline e Enver Hoxha) devem ser analisados e compreendidos como um todo. E isto é totalmente verdade, mas nós também temos de tomar em conta que cada um dos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo deu a sua contribuição especial para a ideologia comunista no contexto de um determinado período histórico, no contexto de uma determinada etapa do socialismo. E nós podemos dizer que uma das principais contribuições do camarada Enver Hoxha para o Marxismo-Leninismo consiste precisamente na possibilidade, representada pela Albânia Socialista, de que mesmo um país atrasado e semi-feudal sem indústria pesada e cujo proletariado ainda se encontra numa fase embrionária é capaz não apenas de resistir ao cerco e ás influências capitalistas e revisionistas, mas também de construir o socialismo e o comunismo de forma bem-sucedida apoiando-se nas suas próprias forças. O camarada Enver e os Marxistas-Leninistas Albaneses sempre sublinharam que o factor interno prevalece sobre o factor externo (pelo menos na etapa do socialismo durante a qual a Albânia Socialista existiu). De acordo com as palavras do Camarada Enver:


A construção completa da sociedade socialista está intimamente ligada á compreensão e á implementação do princípio da auto-suficiência em cada aspecto e em cada esfera da vida. Este grande princípio Marxista-Leninista de profundo conteúdo revolucionário não é apenas uma lei da construção do socialismo mas também, nas presentes condições, uma necessidade urgente para que o nosso país consiga resistir aos bloqueios e cercos do inimigo.

O princípio da auto-suficiência tem sido sempre um princípio guia do nosso Partido e do nosso povo desde o tempo da Guerra de Libertação Nacional, quando nós lutámos sob o slogan “A liberdade não é doada, mas sim conquistada pelo próprio povo”. Da mesma maneira, na luta pela construção do socialismo e pela defesa da Pátria, o Partido segue e implementa este princípio de maneira consistente. A liberdade ganha, todos os sucessos que foram conseguidos até agora, a nossa vida socialista e independente constituem a verificação prática de que a auto-suficiência, o factor interno, é o factor decisivo tanto na luta pelo triunfo da revolução e pela conquista do poder como na luta pela construção do socialismo e pela defesa da Pátria.

O nosso partido sempre defendeu o princípio segundo o qual a auto-suficiência não é uma política temporária imposta pelas circunstâncias, mas sim uma necessidade objectiva para cada país grande ou pequeno, desenvolvido ou não, é um princípio que se aplica tanto nas guerras de libertação e na revolução proletária como na construção do socialismo e na defesa da Pátria.” (Enver Hoxha, Report to the 7th Congress of the PLA, Tirana, 1976,traduzido a partir da edição em Inglês).


A experiência Albanesa prova que mesmo um pequeno país atrasado materialmente e tecnicamente pode experimentar um grande desenvolvimento económico e cultural, pode assegurar a sua independência e pode também derrotar os ataques do capitalismo mundial e do imperialismo se esse país for liderado por uma verdadeiro partido Marxista-Leninista e se estiver decidido a lutar até ao fim pelos seus ideais confiando sempre na sua realização.” (Enver Hoxha, Report to the VIII Congress of the PTA, Tirana, 1981, traduzido a partir da edição em Inglês).


Concluindo, a citação mencionada do neo-revisionista João Amazonas nega um dos principais ensinamentos do Camarada Enver Hoxha, Tal como nós Marxistas-Leninistas sabemos, a negação dos ensinamentos de um dos Clássicos do Marxismo-Leninismo significa a negação dos ensinamentos de todos eles em conjunto. E a negação dos ensinamentos dos Clássicos do Marxismo-Leninismo significa a negação da ideologia Comunista.


Em Fevereiro de 1992, um encontro de “partidos comunistas e organizações revolucionárias” teve lugar em Brasília, a capital do Brasil. Conforme já notámos, este encontro ocorreu durante um período muito complicado para o movimento comunista e anti-revisionista internacional. Afinal, 1992 foi precisamente o ano no qual o revisionismo Albanês concretizou o seu propósito de destruir os últimos traços de socialismo na Albânia e de finalmente abrir as portas do país ao capitalismo clássico.


Foi também no início dos anos 90 que a ultra-revisionista “Declaração de Quito” foi publicada pela organização social-fascista ICMLPO com o objectivo de negar as imensas e inestimáveis virtudes Marxistas-Leninistas-Estalinistas da Albânia Socialista liderada pelo camarada Enver Hoxha e de envenenar a mente do proletariado com a ideologia capitalista e burguesa de forma a evitar a revolução socialista mundial. A organização anti-comunista ICMLPO até inclui uma “secção” Brasileira que é constituída por um partido chamado Partido Comunista Revolucionário (PCR). O PCR foi fundado em 1966 e os seus membros vêm maioritariamente de um movimento chamado “Liga Camponesa”. Obviamente que este partido também adoptou a “teoria” revisionista Maoista que defende a primazia do papel do campesinato sobre o do proletariado durante revolução. Desde o fim da ditadura militar-fascista Brasileira, o PCR tem estado próximo das organizações pequeno-burguesas que apoiam o social-fascista Lula. Essencialmente, trata-se de um partido anti-comunista que, tal como o PCB, tenta perpetuar o capitalismo e abrir alas para a ascensão imperialista da burguesia nacional Brasileira.


Mas vamos regressar á nossa análise acerca do percurso histórico e ideológico do PCB.

Um dos momentos mais emblemáticos do referido encontro em Brasília aconteceu quando João Amazonas fez a sua intervenção através de um discurso intitulado “Pela unidade do movimento comunista”. Neste discurso, João Amazonas confirma o curso abertamente pró-capitalista que o PCB tinha estado a seguir e que se manteve até aos dias de hoje. Este discurso é de grande importância se quisermos compreender o processo de transformação do PCB num partido explicitamente social-fascista, e por isso decidimos analisá-lo de maneira profunda. Afinal, não foi por acaso que em Abril de 2011 o secretário do partido responsável pelas relações internacionais do PCB qualificou publicamente o mencionado discurso de Amazonas como sendo “um clássico”. E isto é verdade. Sem dúvida que o discurso “Pela unidade do movimento comunista” da autoria de João Amazonas é um clássico. É um clássico do neo-revisionismo e da traição anti-socialista.


Ao longo do discurso, nós observamos que há uma preocupação constante com a “luta contra as posições sectárias e retrógradas” e com a recusa de “atitudes dogmáticas”. É claro que não há nada de errado acerca de lutar contra o sectarianismo e o dogmatismo desde que esta luta seja travada a partir de posições Marxistas-Leninistas correctas, mas ao mesmo tempo, a experiencia prática diz-nos que é mau sinal quando alguém que é supostamente “comunista” insiste demasiado acerca da “luta contra o sectarianismo”. Nós, Marxistas-Leninistas, devemos estar sempre de pé atrás com este tipo de “camaradas”.


Em primeiro lugar, João Amazonas começa o seu discurso dizendo que: “O nosso debate é livre e aberto”. Mas esta afirmação não foi mais do que conversa fiada. Nunca houve um verdadeiro debate durante o encontro, que foi “livre e aberto” só para as correntes neo-revisionistas e social-burguesas que se tinham tornado dominantes dentro do anteriormente revolucionário movimento anti-revisionista. Pelo contrário, a ideologia Marxista-Leninista e a autêntica luta socialista foram cuidadosamente mantidas fora deste “debate livre” e nunca foram autorizadas a defender os méritos do movimento comunista mundial liderado pelo Camarada Enver Hoxha.

João Amazonas menciona a “questão fundamental da unidade do movimento comunista” e após ter dito de forma oportunista que “O conteúdo da luta pela unidade da classe operária não muda. Mas a maneira de abordar esta questão assume formas variadas.” ele fez a seguinte declaração:


Por ocasião do último Congresso da III Internacional, uma mudança estratégica no que respeitava á questão da unidade foi decidida tendo em consideração as mudanças que ocorreram na situação internacional. Com o propósito de reforçar a unidade da classe operária, o Congresso recomendou que o movimento comunista se deveria aproximar da esquerda dos partidos socialistas e mesmo do partido radical-socialista. O Congresso conseguiu esta importante mudança apoiando-se no relatório de Dimitrov que combatia as posições retrógradas e sectárias e a incompreensão do facto de que o processo da luta pela unidade mundial da classe operária passa por uma série de transformações antes de atingir o seu objectivo final.” (João Amazonas, Pour l'unité du mouvement communiste, 10 e 11 de Fevereiro de 1992, traduzido a partir da edição em Francês).


Como podemos observar, Amazonas elogia abertamente o Congresso de 1935, afirmando que este representou “uma mudança estratégica”, supostamente feita “com o propósito de reforçar a unidade da classe operária”. É importante notar que Amazonas também menciona o tristemente célebre relatório de Dimitrov que foi apresentado durante o Congresso de 1935, afirmando que este relatório tinha sido muito útil na luta contra “as posições retrógradas e sectárias e a incompreensão do facto de que o processo da luta pela unidade mundial da classe operária passa por uma série de transformações antes de atingir o seu objectivo final.”

Durante muitos anos, o relatório de Dimitrov foi algo “intocável” para a grande maioria dos militantes comunistas, até porque tinha sido levado a cabo durante o tempo do camarada Estaline.


No entanto, com o passar do tempo e com o desenvolvimento do movimento anti-revisionista, muitos partidos e militantes Marxistas-Leninistas começaram a questionar-se acerca da verdadeira natureza do relatório de Dimitrov e concluíram que este relatório era de carácter revisionista.


O relatório de Dimitrov surgiu durante um momento difícil para o movimento comunista. Em 1935, o fascismo tinha-se espalhado perigosamente pela Europa e os Marxistas-Leninistas Soviéticos sabiam que, devido á própria natureza do fascismo, seria só uma questão de tempo até que as potencias fascistas lançassem um ataque militar fortíssimo contra a URSS, como de facto veio a acontecer. O relatório de Dimitrov defendeu a aliança entre os partidos comunistas revolucionários e as outras forças “anti-fascistas” burguesas com o alegado intuito de evitar que o fascismo se expandisse ainda mais.


Em primeiro lugar, as maneiras segundo as quais Dimitrov propõe que o objectivo de “evitar o fascismo” deve ser realizado são altamente questionáveis porque o fascismo é um produto directo do capitalismo e nunca será totalmente e irreversivelmente derrotado enquanto o sistema capitalista-imperialista existir. Assim, as forças burguesas e pró-capitalistas com as quais Dimitrov recomenda que os partidos comunistas se devem aliar são da mesma natureza do próprio fascismo; essas forças burguesas e o fascismo derivam do capitalismo. Concluindo, Dimitrov argumenta que os partidos comunistas se devem coligar com forças que, apesar da sua falsa fraseologia “anti-fascista”, estão ao serviço do mesmo sistema socio-económico que criou o fascismo com o propósito de lutarem contra esse mesmo fascismo!


Se o fascismo resulta directamente do sistema capitalista-burguês, a solução lógica seria a de que, para combater o fascismo de forma eficiente, os partidos comunistas deveriam lutar contra todas as forças e influências que estejam relacionadas com o sistema económico e ideológico que deu origem ao fascismo. É claro que esta solução é totalmente incompatível com as “sugestões” de Dimitrov que “aconselham” a aliança entre os partidos Marxistas-Leninistas revolucionários e as forças pró-capitalistas que se auto-qualificam como “anti-fascistas” com o objectivo de enganar o proletariado oprimido acerca do verdadeiro carácter de classe do fascismo.


A aplicação prática das conclusões do relatório de Dimitrov causou algumas dos piores desvios anti-Marxistas que ocorreram num grande número de partidos comunistas, isto sem falar do facto de que desde o Congresso de 1935 o relatório de Dimitrov se tornou num dos principais “argumentos” usados pelos revisionistas para “confirmar” as suas teorias revisionistas. De facto, as posições anti-socialistas de Dimitrov (que negaram a independência essencial que deve existir entre o partido proletário e as forças pequeno-burguesas) são comummente utilizadas por todos os tipos de revisionistas de maneira a esconderem a sua traição por detrás de um suposto “relatório histórico que foi aprovado até nos tempos de Estaline”. E João Amazonas não é excepção a esta regra. Ele elogia Dimitrov porque as teorias que ele defendia estão em total acordo com as alianças capitulacionistas que o PCB fez e continua a fazer com as mais variadas forças social-imperialistas e social-fascistas. Na verdade, tal como Dimitrov advoga uma “união” contra-revolucionária com as forças “progressistas” (ou seja, burguesas) com o falso pretexto de “derrotar o fascismo”, os neo-revisionistas Brasileiros também defendem a sua própria “união” reaccionária com o Partido dos Trabalhadores, que eles qualificam como sendo “socialista” (quer dizer, social-imperialista), com o falso pretexto de “derrotar a reacção”.


Mas regressemos ao discurso de Amazonas.

Depois de ter gabado Dimitrov, Amazonas diz que “A derrota do socialismo na União Soviética, em 1956-1957, criou uma situação difícil dentro do movimento revolucionário (…). O movimento comunista dividiu-se profundamente. Esta divisão (…) prejudicou terrivelmente o movimento revolucionário. A destruição da unidade realizada anteriormente trouxe graves problemas. (…) Os eventos na União Soviética e na Europa de Leste (…) criaram uma situação nova. Se nós não compreendermos isto, nós seremos incapazes de lutar correctamente em favor da construção da unidade.” (João Amazonas, Pour l'unité du mouvement communiste, 10 e 11 de Fevereiro de 1992, traduzido a partir da edição em Francês).


Nestas citações, Amazonas lamenta a “divisão dentro do movimento comunista mundial” que ocorreu após a traição Khrushchevista na União Soviética. Amazonas fala acerca dos males causados por esta divisão “esquecendo-se” de dizer que se esta divisão alguma vez aconteceu, tal foi exclusivamente devido á traição revisionista que obrigou os autênticos partidos anti-revisionistas e Maxistas-Leninistas a demarcarem-se dos partidos anti-socialistas e pró-burgueses.


Tomando isto em consideração, é como se João Amazonas estivesse a insinuar que os partidos anti-revisionistas nunca se deveriam ter demarcado dos partidos revisionistas porque essa distinção “prejudicou” o movimento comunista. O que o neo-revisionista João Amazonas não diz é que se os partidos anti-revisionistas e os verdadeiros militantes comunistas não tivessem tido a coragem de recusar o curso pró-capitalista e social-imperialista que estava a ser seguido pela União Soviética e pelos seus aliados, o mais provável é que o movimento comunista digno desse nome tivesse simplesmente desaparecido porque esse foi sempre o propósito dos revisionistas e dos neo-revisionistas: liquidar o movimento e a ideologia comunista.

É perigoso pensar que os partidos e os militantes anti-revisionistas deveriam ter tentado resolver as coisas “a partir de dentro”, não apenas porque a expansão do vírus revisionista tornou isto impossível, mas também porque a permanência dos partidos e dos militantes anti-revisionistas no interior do movimento “comunista” dominado pelos Krushchevistas, pelos Titoistas, etc.… teria aumentado exponencialmente o risco de contágio revisionista dos verdadeiros partidos e militantes Marxistas-Leninistas.


Assim, concluímos que, contrariamente ao que Amazonas sugere, a divisão entre revisionistas e anti-revisionistas que aconteceu durante os anos 50 e 60 foi algo positivo se pensarmos no que teria acontecido ao movimento comunista se os autênticos partidos e militantes Marxistas-Leninistas não se tivessem separado dos partidos e militantes pró-capitalistas.


Como se isto não fosse suficiente, Amazonas afirma que:


Se nós fizermos uma síntese, nós concluímos que as forças que se organizam contra o revisionismo estão pouco desenvolvidas. (…) Elas também cometeram erros. Hoje em dia, nós temos de encarar o problema da unidade do movimento operário a partir de outro ângulo. Nós devemos considerar que estamos num período de transição. (…) nós devemos aprender como actuar em benefício da unidade da classe operária mundial. Não seria correcto aproximarmo-nos das posições anteriores sem termos em consideração as mudanças que tiveram lugar. Nós sofremos uma derrota histórica. Nós devemos procurar as medidas concretas através das quais nós podemos construir a unidade do proletariado. (…). Face á nova situação (o desaparecimento do social-imperialismo Soviético), os partidos que tinham seguido o PCUS têm feito certas reavaliações no que respeita aos terrenos ideológicos. Como devemos nós lidar com esta questão? (…) Nós não podemos falar acerca da unidade da classe operária sem considerarmos que os partidos que seguiram o PCUS incluem muitos grupos de militantes que não podemos acusar indiscriminadamente de oportunismo. (…) nós pensamos que devemos procurar estabelecer contactos com estes partidos.” (João Amazonas, Pour l'unité du mouvement communiste, 10 e 11 de Fevereiro de 1992, traduzido a partir da edição em Francês).


Neste parágrafo, é perceptível que Amazonas defende a teoria tipicamente revisionista da “unidade a qualquer custo”. Esta teoria é um exemplo perfeito do desprezo total que os revisionistas sentem por tudo o que está relacionado com os princípios Marxistas-Leninistas. O neo-revisionista Amazonas sugere que, devido á extinção da União Soviética social-imperialista, a situação internacional terá supostamente “mudado” e por isso é necessário “de encarar o problema da unidade do movimento operário a partir de outro ângulo.” O Camarada Enver Hoxha escreveu uma vez uma frase que se aplica inteiramente á “argumentação” de Amazonas acerca da “crise do Marxismo” e acerca das “mudanças que tiveram lugar”:


Rejeitando o Marxismo-Leninismo, os social-democratas afirmam que “os problemas de hoje não podem ser resolvidos através dos velhos conceitos”. Seguindo as mesmas pegadas, os revisionistas especulam com as novas condições e com os novos fenómenos e, com o pretexto de lutarem contra o “dogmatismo” e de defenderem “o desenvolvimento criativo do Marxismo” dizem que muitas coisas devem ser encaradas de uma maneira crítica, que o que era certo há 30 anos já não o é, (…), que aquele que adopta as teses básicas de Marx e de Lenine (…) é um dogmático que não toma em consideração as mudanças que ocorreram no mundo, e aquele que consulta as obras clássicas dos Marxistas-Leninistas de forma a analisar e a explicar o actual processo histórico tem a mania das citações, etc. Assim, também para os revisionistas o Marxismo-Leninismo está ultrapassado, ele já não se adequa ás novas condições, e deve ser “enriquecido” com novas ideias e com novas conclusões. Tal como todos os velhos oportunistas e reformistas, também os revisionistas retiram ao Marxismo o seu espírito crítico e revolucionário e estão a tentar que, de uma arma nas mãos da classe operária, o Marxismo passe a ser uma arma nas mãos da burguesia para ser usada contra a classe operária.(Enver Hoxha, The Modern Revisionists on the Way to Degenerating Into Social-Democrats and to Fusing with Social-Democracy, 7 de Abril de1964, traduzido a partir da edição em Inglês).


É também interessante notar que, ao longo do seu discurso, Amazonas apenas se refere á queda do União Soviética imperialista (que o camarada Enver tinha previsto no início dos anos 70), e nunca menciona a queda da Albânia Socialista, a última ditadura proletária do mundo. Isto é de sublinhar porque foi o desaparecimento completo do socialismo na Albânia ás mãos dos revisionistas Albaneses que afectou os Marxistas-Leninistas do mundo. Pelo contrário, os revisionistas pró-soviéticos lamentaram a extinção do social-imperialismo soviético que constituía a sua principal referência externa, e João Amazonas segue-lhes o exemplo.


Amazonas usa a “nova situação internacional” como pretexto para justificar a enorme traição ao Marxismo-Leninismo que está incluída na “conclusão” de Amazonas de que o PCB se deveria aproximar dos partidos ultra-revisionistas que escolheram seguir o social-imperialismo Soviético. Esta “conclusão” representa a rejeição mais abjecta dos princípios comunistas genuínos.

João Amazonas afirma que “as forças que se organizam contra o revisionismo estão pouco desenvolvidas. (…) Elas também cometeram erros.” Nesta frase, podemos observar que Amazonas desdenha desavergonhadamente do papel desempenhado pelos partidos e organizações Marxistas-Leninistas na luta contra o revisionismo. É verdadeiramente revoltante ver a maneira como Amazonas está tão preocupado acerca dos “erros” alegadamente cometidos pelas organizações anti-revisionistas enquanto aponta os partidos social-fascistas como um exemplo a ser seguido.

Na verdade, ao lermos o discurso de Amazonas, ficamos com a impressão de que os partidos e os militantes anti-revisionistas são um monte de idiotas sectários que adoptam “posições retrógradas” e que “cometem erros”.


Amazonas afirma de forma falaciosa que não podemos qualificar todos aqueles que militam nos partidos revisionistas como sendo oportunistas. De facto, talvez seja verdade que alguns militantes desses partidos estejam a ser enganados pela ideologia social-burguesa. Talvez seja verdade que haja alguns militantes desses partidos que pensem honestamente que estão a militar num partido verdadeiramente revolucionário e que sejam sinceramente a favor do socialismo. Mas a solução para ganharmos esses militantes para o nosso lado anti-revisionista não pode ser concretizada através da aproximação traiçoeira aos partidos social-fascistas.


Pelo contrário, a melhor estratégia para conquistar esses militantes é através da demarcação entre a nossa luta honesta e a traição revisionista, é através da expansão da nossa ideologia Marxista-Leninista-Estalinista-Hoxhaista, é através da melhoria da qualidade das nossas actividades revolucionárias de maneira a provarmos a superioridade inquestionável da ideologia comunista relativamente á ideologia capitalista-burguesa-revisionista. Mas para realizarmos isto, é necessário sermos totalmente fiéis ao socialismo proletário, é necessário aumentar continuadamente a luta contra todos os tipos de revisionismo. Mas Amazonas sugere exactamente o oposto. Ele argumenta que as organizações e os militantes anti-revisionistas devem abdicar dos seus princípios Marxistas-Leninistas com o propósito de procurar estabelecer “contactos” com os partidos ultra-revisionistas.


Como já tínhamos concluído, o PCB tinha estado a seguir um curso anti-socialista e pró-capitalista desde há muito tempo. As ideologias e influências burguesas nunca foram eficientemente combatidas e, consequentemente, elas estão sempre presentes no interior do PCB.

No entanto, até 1992, os neo-revisionistas Brasileiros nunca se tinham atrevido a ir tão longe ao ponto de defenderem directa e abertamente a degeneração do movimento anti-revisionista através da sua união com os partidos social-fascistas. O exemplo dado por Amazonas do tipo de partidos com os quais o PCB se deveria aliar abertamente constitui uma prova clara do quão anti-comunista e oportunista é a linha seguida pelo PCB. Amazonas afirma de forma chocante que, de maneira a “construir a unidade do proletariado”, o PCB se deveria aproximar do Partido “Comunista” Português liderado por Cunhal:


(…), o Partido Comunista Português de Álvaro Cunhal está a fazer uma reorientação ideológica de esquerda. Entre o Partido Comunista Português Reconstruído (Marxista-Leninista) e o partido de Cunhal, a diferença é muito grande. Mas o partido que detém uma influência quase decisiva sobre a classe operária Portuguesa é o partido de Cunhal.” (João Amazonas, Pour l'unité du mouvement communiste, 10 e 11 de Fevereiro de 1992, traduzido a partir da edição em Francês).


Esta frase é uma mentira total e completa. Os autênticos Marxistas-Leninistas sabem muito bem que falar acerca de uma “reorientação ideológica de esquerda” do PCP durante o período do desaparecimento da superpotência imperialista Soviética é simplesmente ridículo. Desde a sua adopção do Krushchevismo, as posições e as actividades do PCP e de Cunhal foram sempre reaccionárias e social-fascistas. Aquilo que João Amazonas qualifica como a “reorientação ideológica de esquerda” do PCP não foi mais do que uma tentativa dos líderes revisionistas Portugueses para esconderem a sua traição anti-socialista no contexto da extinção da União Soviética social-imperialista e dos seus satélites coloniais.

Os revisionistas Portugueses foram sempre os mestres do engano. Contrariamente a outros revisionistas, (como os revisionistas Espanhóis, por exemplo), os revisionistas Portugueses possuem a astuta capacidade de esconderem o seu reaccionarismo por detrás de uma fraseologia “esquerdista” e “Marxista” durante certos momentos críticos como o que aconteceu com a queda do império Soviético que era a principal referência externa do PCP. Esta capacidade é uma arma muito poderosa usada pelos líderes do PCP com o propósito de fazer com que os trabalhadores explorados e oprimidos esqueçam o crime traiçoeiro e repugnante que eles perpetram contra a revolução proletária, contra o Marxismo-Leninismo e contra o socialismo e o comunismo. Assim, esta falsa “reorientação ideológica de esquerda” dos revisionistas Portuguesas é uma mera ficção que nunca iludirá os autênticos Marxistas-Leninistas.


Além disto, nós devemos também notar a traição imperdoável que os neo-revisionistas Brasileiros cometem contra o movimento Marxista-Leninista Português. De facto, ao lermos o parágrafo acima mencionado, nós concluímos facilmente que Amazonas defende que o PCB deve deixar de apoiar o PCP (R) e deve passar a apoiar o PCP social-fascista de Cunhal. É claro que esta atitude cobarde e nojenta revela claramente a opção ideológica feita dos neo-revisionistas Brasileiros: eles finalmente abandonam o PCP (R) “dogmático” e “sectário”, aliando-se abertamente com o PCP que supostamente “detém uma influência quase decisiva sobre a classe operária Portuguesa”, segundo Amazonas.

Mas o que quer Amazonas dizer quando fala acerca da alegada “influência decisiva” do PCP sobre a classe operária Portuguesa? É verdade que infelizmente o PCP ainda detém uma influência muito poderosa sobre as classes trabalhadoras Portuguesas, mas esta influência é uma influência evidentemente nociva e anti-comunista cujo objectivo é evitar que os trabalhadores Portugueses adiram ao Marxismo-Leninismo e façam a revolução socialista.

Consequentemente, a influência intrinsecamente reaccionária exercida pelo PCP sobre as massas trabalhadoras Portuguesas deve ser implacavelmente combatida por todos os verdadeiros Marxistas-Leninistas. No entanto, o neo-revisionista João Amazonas faz exactamente o oposto. Ele pensa erradamente que se o PCP de Cunhal detém uma influência decisiva sobre a classe operária Portuguesa, isso significa necessariamente que esse partido segue uma linha correcta. É óbvio que esta maneira de pensar é completamente capitulacionista, até porque a “influência decisiva” do PCP é devida principalmente ao tratamento privilegiado que o partido recebe nos media burgueses de Portugal que compreendem que as classes dominantes e o social-fascista PCP têm um propósito comum: manter o proletariado Português num estado de total escravidão através da perpetuação eterna do capitalismo.


E esta traição é particularmente odiosa porque o PCP (R) foi fundado tendo o PCB como principal exemplo, como principal inspiração. De facto, podemos afirmar que talvez uma das principais razões pelas quais o PCP (R) acabou por fracassar no seu objectivo prende-se com o facto de que o partido seguiu um mau exemplo desde o início.

Com isto, nós não queremos minimizar a responsabilidade dos Marxistas-Leninistas Portugueses que não foram capazes de evitar o desaparecimento total do PCP (R) em 1992. É verdade que desde os anos 80, o PCP (R) sofria de sérios desvios anti-socialistas pró-burgueses que eram maioritariamente causados pelas fortes influências Maoistas que sempre se fizeram sentir no interior do partido. E também é verdade que os Marxistas-Leninistas Portugueses deveriam ter feito mais esforços de forma a ter sucesso na luta não apenas para manter o PCP (R) vivo, mas também para corrigir os profundos erros ideológicos e as tendências capitulacionistas que iriam acabar por guiar o partido á sua liquidação.

Mas isto não exclui o facto de que a atitude dos neo-revisionistas Brasileiros em geral, e de João Amazonas em particular constituiu um acto de traição cometido durante um período no qual o movimento Marxista-Leninista Português estava muito vulnerável e estava á beira da sua extinção; em 1992 os Marxistas-Leninistas Portugueses tiveram de suportar o desaparecimento do socialismo na Albânia, a extinção do PCP (R) ás mãos dos liquidatários internos e externos, e como se isto ainda não fosse suficiente, eles também tiveram de enfrentar a traição repulsiva dos neo-revisionistas Brasileiros que não apenas assumiram a sua ideologia pró-capitalista como também começaram a apoiar explicitamente o PCP social-fascista (situação que se mantém até hoje; o site do neo-revisionista PCB está repleto de referencias lisonjeiras e de textos elogiosos acerca do fascista P “C” P, cujo carácter ultra-reaccionário, social-imperialista, pró-burguês e pró-capitalista nós tentámos desmascarar noutros artigos).


Continuando com a nossa análise do discurso, nós observamos que após ter defendido a unidade com os partidos revisionistas reaccionários e pró-capitalistas, Amazonas não hesita em aplaudir os regimes anti-comunistas da China, do Vietname, da Coreia do Norte e de Cuba.

No que respeita á China, Amazonas declara que:


(…) Nós apoiámos o Partido Comunista Chinês durante muitos anos. Depois disso, nós dizémos-lhe muitas críticas (…) Nós não podíamos concordar com a “teoria dos três mundos” (…). No entanto, nós reconhecemos de maneira auto-crítica que o nosso partido não seguiu com atenção a evolução da situação na China. A China passou por muitas tempestades, tais como a Revolução Cultural, que causou muitos danos ao partido. O país conheceu muitos zig-zags durante a sua história recente. Mas a China fez esforços para se manter na via revolucionária. (…) A China desempenha um papel importante na situação internacional. É por isso que o PCB tenta compreender o que se passa na China, qual é a verdadeira situação naquele país. E nós fazemos isto de maneira amigável. Nós não temos qualquer intenção de dar conselhos ou de ditar a linha política de um partido tão poderoso e experiente como o Partido Comunista Chinês.” (João Amazonas, Pour l'unité du mouvement communiste, 10 e 11 de Fevereiro de 1992, traduzido a partir da edição em Francês).



Ao lermos esta frase, poderíamos sentir-nos tentados a afirmar que os neo-revisionistas Brasileiros abandonaram a luta contra o revisionismo Maoista. Mas isto não é verdade. Os neo-revisionistas Brasileiros só poderiam ter abandonado a luta contra o Maoismo se eles a tivessem alguma vez levado a cabo. Mas tal nunca aconteceu. Eles nunca abandonaram a luta contra o Maoismo simplesmente porque eles nunca lutaram verdadeiramente contra ele.


Amazonas refere a aparente “discordância” entre o PCB e o Partido Comunista Chinês relativamente á “teoria dos três mundos”, mas esta “divergência” foi apenas superficial. O PCB nunca combateu realmente contra a ideologia anti-socialista do Maoismo, e esta foi uma das principais causas das posições e estratégias erróneas que o PCB adoptou sistematicamente desde a sua fundação. Amazonas diz escandalosamente que, apesar de alguns “zig-zags”, a China conseguiu “manter-se na via revolucionária” (?!!!). Esta afirmação é atroz porque em 1992, a China já era uma das potências imperialistas mais poderosas e perigosas. Assim, em palavras os neo-revisionistas Brasileiros gritam acerca da “luta contra o imperialismo”, mas em actos eles apoiam ardentemente esse mesmo imperialismo. É muito chocante observar que Amazonas considera estar a seguir um “curso revolucionário” um partido (o PCC) que desde os seus inícios tem usado o Marxismo-Leninismo como uma máscara para enganar as classes trabalhadoras Chinesas e para ocultar a natureza contra-revolucionária do revisionismo Maoista cujo principal propósito é fortalecer o poder de classe da burguesia nacional monopolista Chinesa de maneira a abrir o caminho para a transformação da China numa superpotência imperialista que oprime e explora o proletariado mundial em geral, e o proletariado Chinês em particular. De facto, quando Amazonas declara que “nós reconhecemos de maneira auto-crítica que o nosso partido não seguiu com atenção a evolução da situação na China.”, isto pode ser interpretado como uma espécie de pedido de desculpas feito pelos neo-revisionistas Brasileiros á burguesia monopolista e imperialista chinesa. Eles estão a lamentar até mesmo a “oposição anti-Maoista” meramente superficial e inconsequente que o PCB aparentemente levou a cabo no contexto da ruptura Sino-Albanesa em 1976-1978.


Igualmente escandalosa é a afirmação de que “o PCB tenta compreender o que se passa na China, qual é a verdadeira situação naquele país. E nós fazemos isto de maneira amigável.” Maneira amigável? Todos os Marxistas-Leninistas sabem que não podem haver “maneiras amigáveis” relativamente a um partido tão reaccionário, imperialista e pró-capitalista como o PCC nem relativamente a uma classe tão perigosa, traiçoeira, pró-fascista e sanguinária como a burguesia monopolista Chinesa, e muito menos relativamente a uma ideologia tão anti-socialista, anti-comunista, anti-Marxista, pró-burguesa e ultra-revisionista como o Maoismo.


A burguesia social-imperialista Chinesa que governa e controla o aparelho de estado fascista da China baseada no “Pensamento Mao Zedong” contra-revolucionário merece balas e não “maneiras amigáveis”.

E o neo-revisionista Amazonas diz ainda que: “Nós não temos qualquer intenção de dar conselhos ou de ditar a linha política de um partido tão poderoso e experiente como o Partido Comunista Chinês.” Ao lermos esta frase, é notória a total falta de coragem revolucionária do seu autor. O neo-revisionista João Amazonas capitula cobardemente e abertamente perante o social-fascismo Chinês.(No discurso, João Amazonas até elogia o Maoista e ultra-revisionista Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) porque este partido se “opôs” aparentemente á perestroika de Gorbatchev, mas esta falsa “oposição” não apenas não modifica o carácter pró-capitalista do PCI (ML) como é também altamente questionável; de facto, a “oposição” á perestroika de Gorbatchev foi mais uma tentativa dos Maoistas para esconderem a natureza social-fascista da sua ideologia por detrás de uma falsa máscara “revolucionária” e “Leninista ortodoxa”. A verdade é que os partidos Maoistas, o PCB e a perestroika de Gorbatchev têm todos o mesmo propósito: maximizar os lucros da burguesia mundial através do impedimento da revolução socialista mundial).


Esta posição ultra-oportunista está em total contraste com a atitude sincera e heróica adoptada pelo PTA liderado pelo camarada Enver Hoxha que não apenas nunca hesitou em criticar o PCC e Mao Zedong a partir de uma perspectiva autenticamente Marxista-Leninista, como também preferiu conscientemente escolher um caminho verdadeiramente proletário e socialista sem a falsa “ajuda” dos social-imperialistas Chineses quando chegou a hora o confronto aberto com o revisionismo Maoista.

Quando o camarada Enver elaborou as conclusões definitivas e finais acerca do verdadeiro carácter do Maoismo, ele nem sequer vacilou antes de cortar imediatamente todas as relações ideológicas com a China Maoista e social-fascista, porque para o PTA liderado pelo camarada Enver a defesa da pureza dos princípios revolucionários do Marxismo-Leninismo estava acima de tudo. Se o camarada Enver Hoxha tivesse pensado da mesma maneira oportunista que João Amazonas e que os neo-revisionistas Brasileiros, ele nunca se teria atrevido a criticar e a lutar contra “um partido tão poderoso e experiente como o Partido Comunista Chinês.” Mas o camarada Enver nunca teve medo de denunciar o social-imperialismo Chinês nem de desmascarar a natureza contra-revolucionária do Maoismo porque o camarada Enver sabia muito bem que aquilo que faz um partido ser mais ou menos poderoso é o seu maior ou menor nível de aderência e de lealdade á ideologia proletária comunista. O PTA liderado pelo camarada Enver era infinitamente mais poderoso do que o PCC porque enquanto o PCC não é mais do que um partido capitalista-burguês, o PTA foi o mais resoluto defensor da ideologia revolucionária mais brilhante e virtuosa de todos os tempos: o Marxismo-Leninismo. Tal como o camarada Enver disse uma vez:


O Marxismo-Leninismo é uma necessidade, tal como o ar que respiramos e os alimentos que comemos.” (Enver Hoxha, From a contribution at the meeting of the Secretariat of the CC of the PLA (26 de Abril de 1982), Selected Works, Volume VI, Tirana, 1987, traduzido a partir da edição em Inglês).


Além do mais, é indiscutível que a época de “dar conselhos” ao PCC já passou. Desde 1978, a única atitude correcta que o movimento comunista e anti-revisionista mundial deve adoptar em relação ao Maoismo e ao social-imperialismo Chinês é a da luta violenta e directa contra eles.


Depois disto, Amazonas começa a sua apologia do regime monárquico e fascista da Coreia do Norte:


A Coreia do Norte (...) sempre esteve sob a ameaça do imperialismo. O país fez muitos esforços para construir uma nova sociedade e para reunificar o país dividido pelos imperialistas Americanos. Quanto a se o país escolheu ou não o melhor caminho apara atingir estes objectivos, é um problema que deve ser considerado tendo em conta a opinião do Partido dos Trabalhadores da Coreia, porque este é um partido que foi testado em múltiplos combates. (...) Nós pensamos que a Coreia do Norte está incluída no nosso campo revolucionário e anti-imperialista.” (João Amazonas, Pour l'unité du mouvement communiste, 10 e 11 de Fevereiro de 1992, traduzido a partir da edição em Francês).


Desde o fim da Guerra da Coreia em 1953, a península Coreana tem estado dividida em dois estados: a Coreia do Sul, um estado capitalista-burguês de tipo clássico com ambições imperialistas regionais mas sob influência Americana; e a Coreia do Norte, um estado capitalista-burguês de tipo revisionista que durante várias décadas foi um satélite do social-imperialismo soviético e que está agora sob o domínio do social-imperialismo Chinês. Desde o princípio que o “Partido dos Trabalhadores” Norte-Coreano cometeu graves erros anti-Marxistas. E isto não é surpreendente porque um partido que representa e defende os interesses da burguesia nacional Norte Coreana nunca pode adoptar simultaneamente uma linha proletária e comunista correcta; pelo contrário, um partido tão anti-socialista e pró-capitalista vai necessariamente sofrer o agravamento da sua própria degeneração. É este o caso do “Partido dos Trabalhadores” Norte Coreano. Na sua obra “Os Krushchevistas” , o camarada Enver relembra:


A 7 de Setembro (de 1956) chegámos a Pyongyang. Eles organizaram uma esplêndida cerimónia de boas-vindas com pessoas, com gongos, com flores, e com retratos de Kim Il Sung por todo o lado. Era preciso procurar muito para se encontrar algum retrato de Lenine esquecido nalgum canto escuro. (...) aqui também, a febre revisionista tinha começado a espalhar o seu veneno.”(Enver Hoxha, The Khrushchevists, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Inglês).


Assim, podemos observar que uma das principais características do Kim-Il-Sungismo (a variedade Norte Coreana de revisionismo) já estava presente: o intenso culto da personalidade organizado em redor de Kim Il Sung com a consequente subestimação dos verdadeiros Clássicos do Marxismo-Leninismo como Lenine. No seu livro genial intitulado “Reflexões sobre a China”, o camarada Enver Hoxha descreveu adequadamente Kim Il Sung como sendo um “revisionista vacilante e megalómano” e disse expressamente que:


Kim Il Sung, (...) é um pseudo-Marxista.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 21 de Agosto de 1975, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).


Com o passar do tempo, o Kim Il Sungismo provou ser uma das formas de revisionismo mais nojentas e reaccionárias, cuja traição foi claramente compreendida pelo Camarada Enver:


Os líderes do Partido Comunista da China traíram o socialismo. Também na Coreia, nós vemos que os líderes do Partido dos Trabalhadores da Coreia fizeram o mesmo.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 7 de Junho de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).


Quando os revisionistas Soviéticos conquistaram o poder e começaram a espalhar o seu veneno anti-comunista, os revisionistas Norte Coreanos tentaram dar uma imagem de “Marxistas leais” e afirmaram ser “totalmente contra o revisionismo”. Mas isto não passava de conversa fiada. Durante muitos anos, a Coreia do Norte esteve completamente dependente do social-imperialismo Soviético e dos créditos capitalistas estrangeiros. O Camarada Enver percebeu isto e por ocasião da visita de Tito á Coreia do Norte ele analisou que:


(...) Tito vai á Coreia para levar a cabo negociações com Kim Il Sung em benefício do imperialismo Americano e não para conseguir créditos, porque não existe a mínima possibilidade de ele aí os conseguir. A Coreia está tão endividada que nem sequer consegue cumprir os seus próprios pagamentos.” (Enver Hoxha, Reflections on China, Volume II, 7 de Junho de 1977, Tirana, 1979, traduzido a partir da edição em Inglês).



Com a queda do império Soviético em 1989-1991, a Coreia do Norte continuou a ser um país altamente endividado que está actualmente a ser invadido pelos créditos imperialistas Chineses. A dívida externa Norte Coreana é de muitos milhões de dólares e a balança comercial do país sofre de um déficit sistemático. Esta situação é totalmente oposta á da Albânia Socialista do camarada Enver Hoxha que se baseava nas suas próprias forças e nunca esteve dependente das “ajudas” e dos créditos estrangeiros. Os Marxistas-Leninistas Albaneses lutaram para manter a balança comercial do país sempre positiva e eles foram bem sucedidos nesta tarefa. Até mesmo os ideólogos burgueses ficavam impressionados pela maneira como um país minúsculo (em termos territoriais) como a Albânia não apenas era plenamente auto-suficiente como também se recusava efectivamente a ser integrado no mercado capitalista mundial. Na verdade, todos os verdadeiros países socialistas no contexto do cerco capitalista-revisionista (como era o caso da Albânia Socialista) têm de lutar pela sua auto-suficiência porque de outra forma o imperialismo internacional invadiria imediatamente o país através dos créditos capitalistas, impedindo e destruindo assim a construção do socialismo. Tal como o camarada Enver Hoxha afirma claramente:

Para disfarçar a exportação de capitais, as potências imperialistas praticam também a concessão de créditos. Através desses ditos créditos ou ajuda, os grandes consórcios capitalistas e os Estados aos quais pertencem exercem grande pressão e mantêm sob seu controlo os Estados e povos que os aceitam. (...) Por outro lado, os créditos que os grandes monopólios concedem aos países do chamado terceiro mundo servem na prática às classes feudal-burguesas que ali dominam. Os créditos contraídos pelos jovens Estados servem como elos da cadeia imperialista que acorrenta seus povos. (...)


O capitalismo jamais pode investir no exterior, fornecer empréstimos, exportar capitais sem calcular antecipadamente os lucros que lhe advirão. (...) Há também outras formas de concessão de créditos, praticadas em relação aos Estados pseudo-socialistas que procuram disfarçar a via capitalista que vêm trilhando. Esses créditos são fornecidos em grandes proporções, sob a forma de créditos comerciais, e naturalmente deverão ser pagos dentro de um curto período. São oferecidos conjuntamente por vários Estados capitalistas, que calcularam de antemão os benefícios económicos e também políticos que arrancarão do Estado que recebe os créditos, levando em conta tanto seu potencial económico como a sua capacidade de pagar. Os capitalistas nunca oferecem tais créditos para construir o socialismo, mais sim para o destruir. Portanto, um pais verdadeiramente socialista jamais aceita créditos, sob qualquer forma, de um país capitalista, burguês ou revisionista.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português).


Esta posição honesta e Marxista-Leninista está nos antípodas da adoptada pelo regime capitalista-burguês da Coreia do Norte. Aliás, as classes dominantes anti-socialistas Norte-Coreanas até “oficializaram” a dependência total do seu país relativamente aos créditos estrangeiros imperialistas:


O Estado deve encorajar as instituições, empresas ou associações da RPDC a estabelecerem sociedades empresariais e a operarem com corporações ou indivíduos de países estrangeiros dentro de uma zona económica especial.” (Artigo 37 da Constituição da RPDC, Setembro de 1998, traduzido a partir da edição em Inglês).


Como podemos ver, os social-fascistas que dominam a Coreia do Norte nem sequer tentam esconder a sua completa aderência e subordinação ao imperialismo mundial, pelo contrário, eles assumem isso de maneira aberta e clara na sua própria Constituição. Este artigo da Constituição da RPDC afirma o oposto daquilo que o artigo 28 da Constituição da Albânia Socialista estatui:


A outorga de concessões a, e a criação de empresas económicas e financeiras estrangeiras ou de outras instituições formadas em conjunto com os monopólios e os estados capitalistas e revisionistas, bem como a obtenção de créditos deles são proibidos na República Popular Socialista da Albânia.” (Artigo 28 da Constituição da República Popular Socialista da Albânia, Dezembro de 1976, traduzido a partir da edição em Inglês).


Perante isto, é incrível como é que algumas pessoas que se auto-qualificam como “comunistas” e como “Marxistas-Leninistas” ainda se atrevem a afirmar que a Coreia do Norte ultra-reaccionária é “um país socialista”! O regime Norte Coreano não tem absolutamente nada a ver com o socialismo. As estruturas de poder na Coreia do Norte são semelhantes ás dos estados capitalistas-feudais. Quando Kim Il Sung morreu, o seu filho Kim Jong Il sucedeu-lhe e hoje já se sabe que o filho de Kim Jong Il substituirá um dia o seu pai no trono Norte Coreano. Sim, trono é a palavra mais apropriada porque o sistema político e económico da Coreia do Norte pode ser correctamente definido como uma monarquia fascista que oprime e explora os trabalhadores Norte Coreanos enquanto a burguesia monárquica-fascista vive luxuosamente.


Por exemplo, no início dos anos 90, a Coreia do Norte enfrentou uma fome terrível causada pela extrema fraqueza da economia capitalista do país. Esta crise foi uma consequência do desaparecimento do social-imperialismo Soviético do qual a Coreia do Norte estava totalmente dependente. E enquanto grandes números de trabalhadores Norte Coreanos morriam literalmente de fome, Kim Il Sung, o seu filho e os outros membros da burguesia monárquica-fascista organizavam festas opulentas que incluíam banquetes magníficos onde eles recebiam os representantes dos partidos revisionistas e neo-revisionistas. E estes representantes dos partidos revisionistas e neo-revisionistas são aqueles capazes de afirmar sem corar que a Coreia do Norte é um “país que está a construir o comunismo”. Dizer que a Coreia do Norte é um país socialista, que é o “último estado Estalinista do mundo” significa insultar directamente o Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo, significa tentar desacreditar a ideologia comunista com o propósito de manter o domínio mundial tirânico e totalitário do capitalismo. Actualmente não existem países socialistas no mundo; esta é a verdade quer os revisionistas gostem dela ou não.


Os ideólogos pró-Americanos adoram afirmar que a Coreia do Norte é um país “isolacionista”, mas isto é totalmente falso. Estes ideólogos pró-Americanos usam este tipo de mentiras com o objectivo de lutarem contra a competição do social-imperialismo Chinês que á agora o principal apoiante do regime burguês Norte Coreano. Apenas um neo-revisionista fervoroso como João Amazonas pode dizer que a Coreia do Norte é um país “anti-imperialista” e “revolucionário” porque, como já observámos, longe de estar “isolada”, a Coreia do Norte está totalmente integrada nos mecanismos do sistema capitalista-imperialista globalizado.



No discurso, Amazonas também menciona o Vietname, um país que, de acordo com Amazonas, está “a tentar ultrapassar os obstáculos e a avançar em direcção á construção de uma vida nova”.

Sem queremos subestimar a luta heróica que o povo Vietnamita travou contra os imperialistas Franceses e Americanos, temos de notar que o Vietname nunca foi um país verdadeiramente socialista. Desde o início, o Partido “Comunista” do Vietname sempre adoptou uma ideologia que está infinitamente mais próxima do nacionalismo burguês anti-imperialista do que do Marxismo-Leninismo. Hoje em dia, o Vietname revisionista está completamente submetido ao domínio do imperialismo mundial em geral e do social-imperialismo Chinês em particular. Este já era o caso em 1992, mas João Amazonas negou totalmente esta situação.


A burguesia Vietnamita que controla o país está preocupada em fazer a maior quantidade possível de lucros capitalistas, e não em “avançar em direcção á construção de uma vida nova”, contrariamente ao que Amazonas afirma.


Finalmente, Amazonas fala acerca da Cuba Castroista reaccionária:


E também há Cuba. Um país que sempre mereceu a nossa simpatia e que, com o desaparecimento da União Soviética, enfrenta actualmente problemas sérios. Cuba nunca renunciou á revolução e está a lutar heroicamente (…). A solidariedade com Cuba é o dever de todos os revolucionários.” (João Amazonas, Pour l'unité du mouvement communiste, 10 e 11 de Fevereiro de 1992, traduzido a partir da edição em Francês).


Ao longo da nossa análise, já tínhamos percebido que este discurso de João Amazonas é revisionista até ao osso. No entanto, este parágrafo acerca de Cuba é talvez uma das passagens mais reaccionárias incluídas no discurso. Em primeiro lugar, João Amazonas confirma com as suas próprias palavras aquilo que nós temos estado a dizer desde o princípio deste artigo acerca das influências nocivas que a Cuba Castroista sempre exerceu sobre o PCB e que contribuíram significativamente para os erros e desvios anti-Marxistas que caracterizaram a linha ideológica do partido mesmo durante a sua alegada fase “anti-revisionista” e “Estalinista”. Amazonas assume que os revisionistas Brasileiros sempre viram a Cuba ultra-revisionista com “simpatia”, ou seja, como um exemplo a seguir.


Depois disto, ele diz que Cuba está a enfrentar problemas graves desde a extinção do social-imperialismo Soviético. O que Amazonas não refere é a razão pela qual Cuba está a ter tantos problemas com a queda do império Soviético. A verdade é que desde a sua “revolução” anti-socialista e pró-liberal em 1959, a Cuba Castroista tinha sido uma verdadeira colónia Soviética. A Cuba Castroista fornecia a União Soviética e os seus satélites social-fascistas principalmente com açúcar e em troca os social-imperialistas Soviéticos literalmente submergiam o país nos seus créditos capitalistas, tornando a economia Cubana em nada mais do que um mero apêndice da economia Soviética, no que constituía uma relação tipicamente colonialista.


Os social-imperialistas Soviéticos tinham total controlo sobre os assuntos políticos e económicos de Cuba e consequentemente, os únicos ramos da economia Cubana que se desenvolveram foram aqueles que eram susceptíveis de trazer lucros á burguesia social-fascista Soviética. Neste contexto, é óbvio que as origens dos “problemas sérios” que afectavam Cuba residiam na completa dependência do país em relação aos créditos e investimentos social-imperialistas (e estes problemas ainda hoje afectam o país, porque o sistema económico capitalista fundado por Castro nunca foi capaz de recuperar totalmente do desaparecimento da União Soviética, apesar da recente aproximação de Cuba ao social-imperialismo Chinês). É claro que esta situação constitui prova suficiente do carácter reaccionário e pró-capitalista do regime Castroista.

Amazonas também afirma no seu discurso que “Cuba nunca renunciou á revolução”. E nós dizemos que isto é totalmente verdade porque só se pode renunciar a alguma coisa depois de termos apoiado essa coisa. Nós só poderíamos dizer que a Cuba Castroista renunciou á revolução se ela alguma vez a tivesse defendido. Por exemplo, nós podemos afirmar que a União Soviética renunciou á revolução (após a traição Khrushchevista) porque ela já tinha lutado anteriormente a favor dessa mesma revolução (nos tempos dos camaradas Lenine e Estaline). Renunciar significa rejeitar alguma coisa que em tempos defendemos e apoiámos. Por isso, é correcto afirmar que a Cuba Castroista nunca renunciou á revolução no sentido de que ela nunca a defendeu nem apoiou a revolução e, portanto, ela nunca poderia ter renunciado a essa mesma revolução.


Desde o início, a “revolução” Cubana nada teve que ver com o socialismo. Tal como o camarada Enver Hoxha declarou:


Os povos latino-americanos alimentaram muitas esperanças, tiveram muitas ilusões na vitória do povo cubano, que se tornou um alento e um encorajamento na luta para sacudir o jugo dos capitalistas e latifundiários dominantes e dos imperialistas norte-americanos. Mas essas esperanças e esse encorajamento desvaneceram-se rapidamente, quando eles viram que a Cuba castrista não se desenvolveu no caminho do socialismo, mas no do capitalismo de tipo revisionista, e, mais ainda, quando esse país se tornou vassalo e mercenário do social-imperialismo Soviético.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português).


Fidel Castro e os outros “revolucionários” Cubanos eram os representantes da secção “radical” da burguesia Cubana que queria ocupar um lugar masi favorável dentro do mercado capitalista mundial, uma intenção cuja realização estava a ser impedida pelo regime fantoche p´ro-Americano de Batista. É importante relembrar uma frase muito famosa feita pelos revisionistas Cubanos em finais dos anos 50 na qual eles afirmam que o seu movimento social-fascista “não é comunista nem capitalista, mas sim humanista”. Esta afirmação é tao explicitamente reaccionária que até dispensa os nossos comentários. Ela fala por si própria e diz tudo acerca da natureza não apenas do detestável reviisonismo Cubano mas também de todos aqueles falsos “Marxistas-Leninistas” que, tal como João Amazonas, sempre insistiram e continuam a insistir que a Cuba capitalista é um “país socialista”.

Amazonas diz que “A solidariedade com Cuba é o dever de todos os revolucionários.” mas esta frase é totalmente falaciosa. Enquanto o “dever” dos neo-revisionistas como Amazonas é defender os interesses do regime anti-comunista e contra-revolucionário Cubano, o dever de todos os Marxistas-Leninistas (que são os únicos verdadeiros revolucionários) é apoiar as classes trabalhadoras Cubanas, que estão a ser oprimidas e exploradas pela burguesia social-fascista Cubana, com o objectivo de as fazer perceber que a única maneira de derrotar a tirania Castroista é a revolução socialista, é o estabelecimento da ditadura do proletariado que vai abrir o caminho para a sociedade comunista sem classes e sem estado.


Nós devemos entender que é perfeitamente compreensível que o neo-revisionista João Amazonas elogie a Cuba Castroista no seu discurso abertamente anti-socialista. Afinal, Fidel Castro e João Amazonas partilham as mesmas opiniões e posições reaccionárias. Eles são gémeos ideológicos. Ambos tentam enganar as classes trabalhadoras através do uso de fraseologia “revolucionária” e “progressista” que serve como disfarce para os seus propósitos perversos de perpetuação do sistema imperialista que massacra e reprime o proletariado mundial em favor dos super-lucros capitalistas. De facto, tanto Castro como Amazonas defendem ardentemente o anti-comunismo burguês e isto pode ser observado na forma como eles insultam o genial legado proletário do camarada Estaline.

Em 1992, Castro deu uma entrevista ao jornal Guardian na qual ele não fez o mais pequeno esforço para esconder o seu anti-Estalinismo fascista e afirmou abertamente que “Estaline cometeu enormes abusos de poder” que terão causado “tremendas perdas económicas e humanas”.


Seguindo a mesma linha ideológica pró-capitalista e anti-Estalinista, Amazonas declara que:


Os revolucionários do mundo inteiro estão a tentar explicar o que é que aconteceu com o socialismo na URSS e nos outros países. (…) Nós pensamos que é indispensável ir á essência destes fenómenos. E, na nossa opinião, a essência crise do Marxismo deriva do facto de que, num determinado período da construção do socialismo na União Soviética, encabeçado por Estaline e pelo PCUS, essa vanguarda não esteve á altura teórica necessária para interpretar os novos fenómenos que nascem durante o processo de desenvolvimento da construção socialista. A teoria entrou numa fase de estagnação. (…) Foi criado um espaço vazio na teoria revolucionária dos nossos dias que deve ser preenchido.” (João Amazonas, Pour l'unité du mouvement communiste, 10 e 11 de Fevereiro de 1992, traduzido a partir da edição em Francês).


Portanto, segundo Amazonas, o responsável por todos os problemas que existem no movimento comunista internacional não é o revisionismo burguês (quer apareça sob a forma de oportunismo de direita ou de sectarismo “de esquerda”), mas sim o camarada Estaline que, supostamente, não apenas “não esteve á altura teórica necessária para interpretar os novos fenómenos que nascem durante o processo de desenvolvimento da construção socialista.” como também alegadamente criou “um espaço vazio” que causou uma “fase de estagnação”. Por outras palavras, Amazonas está a acusar o camarada Estaline de dogmatismo, uma acusação que lhe é feita por todos os tipos de revisionistas. É claro que estas acusações falsas e anti-socialistas têm como único objectivo enganar o proletariado mundial de forma a afastá-lo do caminho verdadeiramente Marxista-Leninista pelo qual o camarada Estaline lutou corajosamente.


Concluindo, o discurso de João Amazonas que nós tentámos analisar nos seus aspectos gerais é um discurso completamente reaccionário e neo-revisionista que nega os princípios mais essenciais da ideologia comunista. Tal como já referimos várias vezes, este discurso não deve ser encarado apenas em si mesmo, mas sim como o culminar de um longo processo de degeneração revisionista que estava a germinar no interior do PCB desde a sua fundação e que se foi gradualmente acentuando ao longo do percurso histórico do partido devido ás sucessivas concessões a favor da ideologia capitalista-burguesa e também devido ás múltiplas tendências anti-socialistas e contra-revolucionárias (desde o Maoismo e do Guevarismo até ao Catolicismo “de esquerda”) que impediram o partido de adoptar posições autenticamente proletárias relativamente ás tarefas que o PCB teve de enfrentar durante cada período. Assim, nós afirmamos que o PCB nunca foi a verdadeira vanguarda do proletariado Brasileiro; o partido nunca foi capaz de liderar as classes exploradas Brasileiras em direcção ao estabelecimento da ditadura proletária, em direcção á construção da sociedade socialista e comunista.


Portanto, o anti-comunismo que está reflectido no discurso de Amazonas não foi algo temporário ou momentâneo. Pelo contrário, ele constitui a actual linha ideológica do PCB. Por exemplo, no que respeita á defesa dos regimes ultra-revisionistas da China, Cuba, Coreia do Norte, Vietname, etc..., os neo-revisionistas Brasileiros afirmam no seu programa de partido que:


Com pertinácia, reformas e renovações, ao modo de cada um, China, Vietname, Cuba, República Popular Democrática da Coreia e Laos tiveram capacidade para resistir e manter hasteada a bandeira do socialismo. (…) Destaca-se ainda o fértil regime democrático da África do Sul.” (Documentos do PCB, Programa Socialista para o Brasil, Dezembro de 2009).


Neste excerto, podemos observar que, para além do facto de apoiarem todos os regimes social-fascistas ainda existentes, os neo-revisionistas Brasileiros também defendem abertamente a tristemente famosa teoria reaccionária do “caminho nacional para o socialismo de acordo com as condições particulares de cada país” que é tão querida aos Titoistas, ao Maoistas, aos revisionistas de todas a espécie e que foi desmascarada pelo camarada Enver Hoxha:


A experiência da edificação do socialismo num grande número de países provou a correcção da teoria Marxista-Leninista acerca da existência de certos princípios gerais que são infalivelmente aplicáveis a todos os países que se estejam a desenvolver na via do socialismo. O nosso país e os outros países socialistas obtiveram vitórias precisamente por causa da aplicação correcta destes princípios gerais da construção socialista (...). (Enver Hoxha, Relatório da Actividade do Comité Central do Partido do Trabalho da Albânia apresentado ao IV Congresso do PTA, 13 de Fevereiro de 1961, traduzido a partir da edição em Francês).


Além do mais, nós também observamos que os neo-revisionistas Brasileiros consideram o regime Sul-Africano retrógrado e imperialista como sendo uma “democracia fértil”. Em muitos sentidos, o Brasil e a África do Sul são dois países com muitas semelhanças entre si. Tanto a burguesia nacional Brasileira como a burguesia nacional Sul-Africana transformaram os seus respectivos países em potências imperialistas. E tanto a burguesia imperialista Brasileira como a burguesia imperialista Sul-Africana usaram e continuam a usar o racismo para dividir as classe trabalhadoras, evitando assim a revolução proletária e socialista (o racismo e o capitalismo estão sempre juntos. Eles misturam-se, aliás, é o capitalismo que origina intencionalmente o racismo para evitar o comunismo, e consequentemente, a única maneira de eliminar o racismo é através da aniquilação do capitalismo).

Contrariamente ao que muitos pensam, as estruturas socio-económicas do Apartheid permaneceram praticamente intactas após a falsa “transição para a democracia multirracial” promovida pelo fervoroso pró-capitalista Nelson Mandela em aliança com os supremacistas brancos e com os imperialistas estrangeiros que tinham feito tudo o que podiam para perpetuar o Apartheid mas que acabaram por perceber que uma fachada “democrática” seria mais vantajosa para a manutenção do capitalismo em geral e para os interesses da oligarquia Sul-Africana em particular. Actualmente, a imensa maioria da população negra Sul-Africana vive numa pobreza extrema e é implacavelmente explorada pela burguesia plutocrática Sul-Africana que detém um poder absoluto sobre o país. Nas cidades Sul-Africanas, existem muitos locais onde a segregação racial ainda está em vigor na prática, apesar das mentiras burguesas acerca do suposto “fim definitivo do Apartheid”. De maneira a esconder esta realidade, a burguesia branca que domina a África do Sul permitiu a criação de uma burguesia negra sob o seu controlo que ocupa as posições chave do governo e que tenta dar uma aparência “multirracial” á plutocracia racista Sul-Africana. É claro que por detrás destes falsos “governos negros”, o verdadeiro poder está inteiramente nas mãos dos latifundiários e dos industriais brancos cujo propósito é manter o país numa espécie de Apartheid oculto que lhes permite não apenas continuar a oprimir e a explorar o proletariado Sul-Africano, mas também a consolidar a posição da África do Sul como potência imperialista.

Mas em vez de compreenderem as óbvias analogias que existem entre a situação na África do Sul e a situação no Brasil, em vez de tentarem incentivar a união entre o proletariado Sul-Africano e o proletariado Brasileiro de forma a combaterem contra o imperialismo mundial em geral e os imperialismos dos seus respectivos países em particular, os neo-revisionistas Brasileiros qualificam a plutocracia Sul-Africana racista e imperialista como “o fértil regime democrático da África do Sul.”


De facto, desde 1992, a já explícita via neo-revisionista do PCB tem vindo a ser cada vez mais realçada por causa do apoio fervoroso do partido ás ambições da burguesia imperialista Brasileira que é representada pelo Partido dos Trabalhadores pró-capitalista.


Nos anos 90, o Brasil foi governado pelos representantes da burguesia pró-Americana. Esta burguesia pró-Americana aplicou uma política tipicamente neo-liberal, seguindo fielmente a linha dos programas económicos praticados pela ditadura militar-fascista. É claro que estes governos pró-Americanos eram escandalosamente subservientes a Washington, eles realizavam obedientemente os desejos da burguesia imperialista Americana que queria ter total controlo sobre a economia do Brasil. Obviamente, esta situação representou uma severa limitação para as aspirações da burguesia nacional Brasileira, que se queria livrar da influência de Washington de maneira a aproveitar os imensos recursos naturais do Brasil com o objectivo de favorecer o desenvolvimento do mercado interno do país e a acumulação de lucros para facilitar a transformação do país numa potência imperialista.


Para conseguir isto, a burguesia nacional Brasileira escondeu os seus objectivos por detrás de uma máscara “revolucionária” e “progressista”, porque a burguesia nacional Brasileira depressa percebeu o quão perigoso é revelar a sua natureza de classe reaccionária em frente dos olhos das massas trabalhadoras, ela percebeu que a estabilidade e a manutenção do sistema capitalista está em grave perigo a partir do momento em que o proletariado explorado adquire uma consciência autenticamente revolucionária. De maneira a evitar que isso aconteça, a burguesia nacional Brasileira lutou para substituir a burguesia pró-Americana nas posições chave do estado capitalista Brasileiro, e nas eleições burguesas de 2002 ela tentou conquistar o apoio “popular” através da apresentação de um candidato “esquerdista radical” que iria consolidar e avançar os seus interesses imperialistas (um fenómeno semelhante ocorreu em muitos países da América Latina, cujas burguesias nacionais também queriam escapar á influência asfixiante do imperialismo Americano de forma a obter uma parte maior dos lucros capitalistas. Hugo Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia e Rafael Correa no Equador são alguns dos exemplos mais famosos de como os representantes das burguesias nacionais latino-americanas usam disfarces “esquerdistas”, “anti-neoliberais” e até “socialistas” para enganarem o proletariado oprimido e as massas trabalhadoras dos seus respectivos países em benefício da manutenção do sistema socio-económico de exploração.

No entanto, contrariamente ao que acontece com a burguesia imperialista Brasileira que segue as suas próprias políticas independentes; nos outros países da América Latina a burguesia luta contra o controlo do imperialismo Americano apenas para o substituir pelo do social-imperialismo Chinês que está a penetrar profundamente nestes países. Os revisionistas tentam convencer o proletariado de que os regimes capitalistas-burgueses de Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa são “revolucionários” porque são atacados pelos imperialistas Americanos. Mas este argumento não convence. A burguesia imperialista Americana sabe muito bem que estes governos não têm nada a ver com a “revolução” e ainda menos com o “socialismo”. No entanto, eles tentam derrubar estes regimes por causa da sua aliança com o principal rival do imperialismo Americano – a China social-imperialista. Quase todos os países Latino-Americanos como a Venezuela e a Bolívia possuem vastos recursos naturais como petróleo, metais preciosos, etc…Consequentemente, é fácil de perceber porque é que as multinacionais Americanas se recusam a ficar de braços cruzados vendo as riquezas dos países Latino-Americanos a escapar-lhes por entre os dedos em favor da burguesia monopolista Chinesa que disputa o domínio do mundo com a burguesia imperialista Americana. O camarada Enver Hoxha notou este facto há muito tempo atrás:


Fiel como sempre à política de ter a América Latina como seu feudo, do qual extrai colossais superlucros, o imperialismo norte-americano manobra por todos os meios, militares, subversivos, demagógicos e fraudulentos para impedir o predomínio de qualquer outro imperialismo, para assegurar que a revolução não se desencadeie nem triunfe em país algum. Deseja, dessa forma, manter nos países latino-americanos tanto a completa dependência aos Estados Unidos como também o sistema burguês-latifundiário.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português).


Portanto, em muitos países Latino-Americanos como a Venezuela, a Bolívia, o Equador, etc… a tradicional burguesia “patriótica” deixou de existir. Em vez disso, temos duas facções opostas da burguesia de tipo compradore: uma que favorece o imperialismo Americano e outra que favorece o social-imperialismo Chinês).


Tal como tudo o que está relacionado com a odiosa e traiçoeira “democracia” burguesa, as eleições burguesas de 2002 no Brasil foram uma palhaçada ridícula. Elas foram um mero concurso entre duas secções rivais da burguesia Brasileira; de um lado estava o “candidato” da burguesia pró-Americana que queria manter o Brasil sob o domínio exclusivo de Washington, e do outro lado estava o “candidato” que favorecia as políticas imperialistas da burguesia nacional. Este último “candidato” era Lula da Silva, um antigo operário totalmente corrompido e vendido aos interesses do imperialismo Brasileiro.


Lula da Silva era o líder do pró-capitalista Partido dos Trabalhadores (PT), cujo objectivo é embustear o proletariado Brasileiro através da utilização de fraseologia “socializante” que tenta disfarçar o controlo total que a burguesia imperialista Brasileira exerce sobre o partido. Os neo-revisionistas Brasileiros qualificam de maneira oportunista o PT como sendo um “partido que pertence às classes trabalhadoras”. De facto, o PT é um instrumento usado pela burguesia imperialista Brasileira com o objectivo de paralisar a luta de classes e de conquistar o apoio dos trabalhadores Brasileiros em benefício dos seus propósitos fascistas e imperialistas através da propagação de mentiras e de ilusões acerca das origens “populares” do governo de Lula (o mesmo pode ser dito acerca dos sindicatos Brasileiros que são completamente dominados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) burguesa e contra-revolucionária que, por sua vez, é totalmente controlada pelo PT. O objectivo da CUT é evitar o surgimento no Brasil de um movimento sindical verdadeiramente proletário e socialista, mantendo assim os trabalhadores Brasileiros submetidos á escravatura exploradora do capitalismo. Os líderes social-fascistas do PCB estão intimamente ligados á CUT ultra-reaccionária e assumem explicitamente esta colaboração a favor da perpetuação da escravatura assalariada:


Nas duas últimas décadas, o Partido (…) actuou intensamente no movimento sindical e ingressou na Central Única dos Trabalhadores (CUT) (…).” (Documentos do PCB, Política de Estruturação do PC do Brasil, Junho de 2006).


Os lacaios revisionistas da burguesia que colaboram com os sindicatos social-fascistas como a CUT Brasileira foram corajosamente criticados e denunciados pelo camarada Enver:


A burguesia teme a organização revolucionária e a unidade do proletariado, que (…) permanece sendo a principal força motriz revolucionária da nossa época. Por isso, ela tenta estabelecer um controlo constante sobre as organizações sindicais, sobre os centros de sindicatos que podem ser numerosos nos países capitalistas, que podem ter nomes e programas que parecem distintos entre si, mas sem que na realidade que existam diferenças essenciais entre eles. Através dos partidos burgueses e revisionistas e das suas próprias estruturas de estado, a burguesia tem encorajado como nunca antes o papel dos sindicatos por eles controlados enquanto promotores de manobras de diversão.

Como os factos demonstram, os sindicatos deste tipo integraram-se completamente e tornaram-se mesmo apêndices da organização económica estatal do capitalismo. A colaboração cada vez mais aberta entre os sindicatos e as classes dominantes, o capital financeiro e os governos burgueses é um facto notório. Como se sabe, o movimento sindical não põe em causa o capitalismo, pelo contrário, ele opera em seu benefício e tenta subjugar o proletariado restringindo e danificando a sua luta contra o capitalismo.” (Enver Hoxha, Eurocommunism is Anti-communism, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Inglês).


No entanto, apesar dos esforços dispendidos pela burguesia imperialista do Brasil para esconder o carácter reaccionário do PT, o social-fascista Lula da Silva fez em tempos uma afirmação que revela claramente os verdadeiros interesses de classe por detrás do aparente aspecto “esquerdista” do PT. Lula declarou que “O que é preciso não é acabar com os ricos, mas sim acabar com os pobres”. Esta frase tornou-se numa das mais famosas da história política do Brasil e simbolizou a “intenção” demagógica de Lula de abolir a pobreza no Brasil. Mas acima de tudo, é uma prova da ideologia anti-comunista e contra-revolucionária do PT e do “Movimento Lula”.


A teoria Marxista-Leninista ensina-nos que existe uma relação directa e necessária entre a riqueza e a pobreza; é precisamente a riqueza colossal de uma ínfima minoria que origina a pobreza abjecta da imensa maioria. E vice-versa, a pobreza abjecta da imensa maioria é que sustém a riqueza colossal de uma ínfima minoria. Esta regra foi cientificamente provada pelos Clássicos do Marxismo-Leninismo e faz parte do ABC da ideologia comunista. Negar este princípio básico significa estar completamente do lado da burguesia, significa estar totalmente mergulhado numa alucinação pró-fascista e anti-socialista.

A erradicação da pobreza no Brasil e no resto do mundo só é possível através da realização da revolução socialista mundial, seguida pela implementação da ditadura do proletariado mundial e pela construção do socialismo mundial e do comunismo mundial. E contrariamente ao que o fascista Lula afirma, apenas o uso da violência revolucionária contra a minoria rica permite a eliminação da pobreza que afecta a maioria; porque só desta maneira é que a escravatura assalariada pode ser removida e a riqueza mundial pode ser distribuída de forma justa. Negar isto significa ser um inimigo irredutível da revolução proletária e socialista mundial.

Tomando isto em consideração o percurso ultra-revisionista e anti-comunista do PCB, é fácil prever que os neo-revisionistas Brasileiros iriam apoiar abertamente o social-fascista Lula, tal como de facto aconteceu. O PCB defende explicitamente os interesses da burguesia nacional Brasileira quando declara que:


A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva para presidente da República, em 2002, é um marco na história recente. Abriu novo ciclo político no país, com o ascenso ao centro do poder de forças democráticas e progressistas. (…) a resistência ao neoliberalismo passou a se realizar em melhores condições. (…) a democracia floresceu, a soberania foi fortalecida e o povo obteve conquistas. (…) O governo teve de superar a grave crise que herdou. Ele livrou o país do projeto neocolonizador da Alca e pôs fim à tutela do FMI sobre o país. Essa tomada de posição permitiu-lhe retomar o desenvolvimento, (…) a ampliação da democracia, distribuição de renda e integração da América do Sul.” (Documentos do PCB, Programa Socialista para o Brasil, Dezembro de 2009).


Este parágrafo é um monte de mentiras vergonhosas. Em primeiro lugar, a eleição de Lula da Silva nunca poderia ser “progressista” ou “democrática” porque a verdadeira democracia não pode ser conquistada através das eleições burguesas. Ela só pode ser atingida através da revolução socialista violenta chefiada pelo proletariado sob a liderança do seu partido Marxista-Leninista-Estalinista-Hoxhaista. Não há outra maneira de conquistar a autêntica democracia, que apenas é realizável na sociedade socialista.


A vitória de Lula e do PT foi uma simples consolidação do poder de classe da burguesia nacional Brasileira. Os neo-revisionistas Brasileiros falam muito acerca da “resistência contra o neo-liberalismo”, acerca do “aumento da democracia” e acerca das “vitórias do povo” mas isto não passa de ficção.


Por exemplo, no Brasil há cerca de 300.000 a 350.000 camponeses sem terra que vivem na pobreza mais absoluta e que são selvaticamente explorados pelos grandes latifundiários. Durante o período da eleição de Lula, os neo-revisionistas Brasileiros fartaram-se de gritar acerca da “reforma agrária radical” que Lula iria alegadamente promover. E de facto, Lula prometeu solenemente que daria terra aos camponeses sem terra assim que fosse eleito. Mas claro que as promessas de lula têm o mesmo valor das promessas de qualquer outro político capitalista-burguês, ou seja, não valem nada. Pedro Stedile, um secretário-geral do Movimento dos Sem Terra afirmou em Dezembro de 2004 que Lula tinha repetidamente quebrado as suas promessas e que não tinha sido realizada reforma agrária nenhuma. O regime de Lula também ignorou e desprezou sistematicamente os apelos dos camponeses sem terra Brasileiros, que ainda hoje vivem em tendas miseráveis sem qualquer tipo de condições sanitárias e de higiene enquanto enfrentam os mortíferos ataques armados dos grandes proprietários (só em 2003, cerca de 100 activistas camponeses foram assassinados pelo exércitos privados dos latifundiários).


Sobretudo, devemos notar que esta “reforma agrária” prometida por Lula não era mais do que uma reforma agrária puramente burguesa, ela consistia apenas em dar aos camponeses sem terra pequenas quantidades de terra cultivável sem tocar praticamente nas propriedades gigantescas dos latifundiários ultra-reaccionários. É uma mera questão de distribuição da pequena propriedade privada que não representaria qualquer tipo de perigo dentro dos limites do sistema capitalista. Não teria nada a ver com as reformas agrárias verdadeiramente revolucionárias realizadas na União Soviética dos camaradas Lenine e Estaline e na Albânia Socialista do camarada Enver Hoxha e que envolveram a colectivização de toda a propriedade privada, grande ou pequena, tornando o solo em propriedade do estado proletário. No entanto, a verdade é que a distribuição de terra aos camponeses em terra afectaria os lucros dos latifundiários porque uma parte bastante significativa da força de trabalho explorada nas áreas rurais provém dos camponeses sem terra. Assim, os latifundiários têm um interesse enorme em manter estes camponeses não apenas sem terra, mas também em mantê-los na penúria mais extrema de forma a poderem continuar a beneficiar da mão-de-obra barata que os camponeses sem terra lhes fornecem. Foi por isso que Lula não realizou nem sequer a “reforma agrária” estritamente burguesa que tinha prometido. Ele não o fez simplesmente porque isso iria afectar os interesses perversos dos poderosos latifundiários Brasileiros.

Portanto, contrariamente ao que os neo-revisionistas do PCB afirmam acerca da “natureza progressista” do governo de Lula, a verdade é que este nem sequer concretizou as exigências populares mais tímidas, quanto mais as verdadeiras aspirações revolucionárias e socialistas do povo Brasileiro.


E há mais.


Longe de aliviar a pobreza horrível na qual as massas trabalhadoras Brasileiras vivem, o regime de Lula reduziu os salários de grandes números de trabalhadores e até o “salário mínimo”, que é tão querido dos revisionistas hipnotizados pelas “maravilhas” do estado providência burguês, foi afectado porque o governo de Lula determinou que este “salário mínimo” não aumentaria mais de 1% em dois anos. Se tivermos em conta que o Brasil sofre de uma inflação enorme, isto significa a agravação da pauperização das secções mais exploradas das classes trabalhadoras Brasileiras. Dentro do PT, houve alguns membros do partido que começaram a criticar as políticas abertamente reaccionárias e anti-populares do regime de Lula. É claro que estes membros do PT não estavam nem um pouco preocupados acerca das miseráveis condições de vida do proletariado Brasileiro. Eles simplesmente compreenderam que, sem a mascara “esquerdista” e “socializante”, seria muito mais difícil, senão mesmo impossível, enganar as classes trabalhadoras Brasileiras de maneira a fazê-las apoiar a burguesia imperialista Brasileira. No entanto, o regime de Lula não estava disposto a tolerar nem mesmo as críticas mais inofensivas e esta situação conduziu á expulsão de um senador e de três membros do Congresso Brasileiro que se atreveram a discordar das políticas socio-económicas de Lula. A expulsão destes 4 membros do PT revela claramente a natureza fascista e ultra-autoritária do governo de Lula que não parou diante de nada em favor dos interesses do capitalismo predatório. E é a isto que os neo-revisionistas do PCB chamam “a ampliação da democracia”, para usar as suas próprias palavras!


No que respeita á muito publicitada mas totalmente falsa campanha de Lula contra á fome, ela constitui mais uma prova do carácter anti-socialista e pró-capitalista não apenas do regime de Lula, mas também de todos aqueles que o apoiam. Desde os inícios da sua “presidência” que Lula e os seus apoiantes (incluindo o PCB, claro) lançaram uma “cruzada social para eliminar a fome” que se saldou num fracasso total e completo. No Brasil, há dezenas de milhões de pessoas que sofrem de fome e de desnutrição sistemáticas; no entanto, de acordo com as fontes oficiais, a distribuição de comida grátis só atingiu cerca de 10% de todas as pessoas que dela necessitavam.

Frei Betto, amigo pessoal de Lula e um dos principais responsáveis pela aplicação da campanha, demitiu-se do seu posto político após numerosos escândalos de corrupção e nepotismo que revelaram que o dinheiro que deveria servir para pagar a comida dos pobres estava na verdade a ser desviado para os bolsos e contas privadas de muitos apoiantes proeminentes de Lula.


O fracasso deste falso programa “anti-fome” não é de todo surpreendente. Em primeiro lugar, a corrupção é algo inerente ao capitalismo, onde quer que haja capitalismo também há necessariamente corrupção.

Em segundo lugar, este tipo de programas não são mais do que caridade burguesa e apenas servem para iludir o proletariado acerca verdadeira natureza de classe do sistema socio-económico. Os promotores destas campanhas tentam convencer os trabalhadores oprimidos que não há necessidade de lutar pela sociedade socialista e comunista, nem de seguir o Marxismo-Leninismo pois o “magnífico” estado capitalista e até capaz de lhes fornecer comida de graça. É óbvio que esta estratégia abjecta nunca poderá enganar os trabalhadores mais conscientes, mas ela é muitíssimo eficiente nas fileiras esfomeadas do lumpenproletariado Brasileiro.


Os neo-revisionistas Brasileiros afirmam falsamente que “Ele (o regime de Lula) livrou o país do projeto neocolonizador da Alca”. Mas de facto aconteceu o oposto. Lula apoiou a implementação da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas, um acordo cujo principal propósito é fortalecer e consolidar a forma monopolista do capitalismo no continente Americano através da eliminação da pequena e média burguesia provocada pela implacável competição inter-capitalista que é promovida pelo acordo e da qual apenas as grandes multinacionais monopolistas são capazes de tirar lucros fabulosos) e assegurou que o Brasil se lhe juntaria. Quando os neo-revisionistas Brasileiros dizem que “Lula se opôs á ALCA”, eles estão a referir-se aos “desacordos” inter-imperialistas entre os imperialistas Americanos que controlam a ALCA e o governo de Lula que acusou a plutocracia Americana de ser demasiado proteccionista em relação ás exportações do Brasil. Estas acusações são compreensíveis porque o regime de Lula representava a burguesia imperialista Brasileira que pretende desenvolver o mercado interno do país em seu próprio proveito e aumentar as exportações que contribuem para que esta burguesia concretize as suas políticas imperialistas enquanto minimiza a competição da burguesia imperialista Americana.


Portanto, contrariamente ao que os neo-revisionistas Brasileiros declaram, estes “desacordos” entre Lula e a ALCA pró-Americana estão totalmente relacionados com as rivalidades e contradições entre as potências imperialistas tradicionais como os EUA, por um lado; e as novas potências imperialistas em ascensão como o Brasil, por outro lado. E devemos notar que, após as mencionadas “discrepâncias”, o regime capitalista-imperialista Americano e o regime capitalista-imperialista Brasileiro chegaram a um acordo no qual eles tentaram resolver as suas “divergências” de maneira a realizar um “acordo especial” dentro da ALCA que só se aplicaria ao Brasil. Todos estes factos estão bem documentados, e só o seu reaccionarismo cego pode fazer os neo-revisionistas Brasileiros dizer o contrário.


No que respeita ao pró-imperialista FMI (Fundo Monetário Internacional), as asserções dos neo-revisionistas Brasileiros de que a administração Lula “pôs fim à tutela do FMI sobre o país” também não têm qualquer fundamento. Pelo contrário, a atitude do regime de Lula no que respeitou ao FMI foi tão subserviente que até podemos afirmar que as políticas da burguesia imperialista Brasileira sofreram uma derrota neste sentido.

O regime de Lula não apenas reconheceu e reafirmou todas as enormes dívidas do país em relação ao FMI como também reduziu drasticamente as pensões dos trabalhadores mais pobres com o propósito (nunca atingido) de pagar as obrigações assumidas aos credores imperialistas, pondo assim em causa a sua imagem “esquerdista”, “progressista” e “anti-imperialista” mesmo em frente aos olhos das classes trabalhadoras Brasileira oprimidas e exploradas.


De facto, devemos observar que a burguesia nacional Brasileira está a ser menos bem sucedida do que a burguesia nacional Chinesa no que toca á habilidade para transformar os seus respectivos países em potências imperialistas. Apesar das intenções da burguesia nacional Brasileira de fortalecer o mercado interno do país e de se livrar da influência do imperialismo Americano, a verdade é que ela ainda não foi capaz de o fazer de uma maneira completa. A principal razão para isto reside no facto de que, apesar do território gigantesco e dos vastos recursos naturais e demográficos do Brasil, a burguesia nacional Brasileira ainda não foi capaz de desenvolver inteiramente uma indústria pesada e diversificada de meios de produção que iria assegurar ao Brasil um lugar definitivo entre as potências imperialistas mundiais. Por isso, enquanto o imperialismo Chinês atingiu uma escala mundial, o imperialismo Brasileiro está ainda limitado a uma escala mais regional.


No entanto, apesar destas profundas contradições inter-imperialistas, devemos notar que a burguesia imperialista Brasileira está disposta a colaborar com as potências imperialistas tradicionais se isso trouxer benefícios para os seus interesses. Por exemplo, em 2004, o regime de Lula mobilizou o exército Brasileiro com o propósito de juntar forças com as tropas Americanas que estavam a invadir o Haiti para derrubar o governo democrático-burguês de Aristide e substituí-lo por um regime fantoche mais favorável aos interesses da burguesia imperialista Americana.

O novo regime fascista pró-Washington impôs um verdadeiro reino de terror sobre o povo Haitiano com a ajuda das tropas estrangeiras (nas quais se incluía o exército Brasileiro) apenas para maximizar os lucros das multinacionais Americanas e da burguesia pró-Americana do Haiti.


É claro que a burguesia imperialista Brasileira não auxiliaria o seu principal rival sem nada em troca. Ela colaborou com os imperialistas Americanos porque a burguesia imperialista Brasileira precisa do apoio deles para conquistar um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, algo que a burguesia imperialista Brasileira deseja há muito tempo de maneira a aumentar a sua influência sobre os assuntos internacionais, o que seria vantajoso para as suas políticas imperialistas.


É muito importante sublinhar que o PCB social-fascista apoiou prontamente todos estes crimes capitalistas cometidos pelas classes dominantes Brasileiras contra o proletariado mundial em geral, e contra o proletariado Brasileiro em particular. Tentado justificar a sua traição anti-socialista, os neo-revisionistas Brasileiros dizem que:



Lula é um líder político de origem operária (…). Os trabalhadores e trabalhadoras Brasileiros se identificaram com Lula, enxergando nele um defensor dos seus interesses (…)”. (Documentos do PCB, Política de Estruturação do PC do Brasil, Junho de 2006).


Tomando em consideração aquilo que temos estado a analisar, esta afirmação é simplesmente chocante. Os neo-revisionistas Brasileiros qualificam o lacaio da burguesia imperialista Brasileira, o principal executor dos projectos de afirmação imperialista desta classe como sendo “o defensor dos interesses dos trabalhadores Brasileiros”! Mesmo o “argumento” acerca das “origens proletárias de Lula” é ridículo. O facto de Lula já ter sido operário não significa necessariamente que ele esteja do lado da classe operária. Muito pelo contrário, o percurso de Lula revela claramente que ele escolheu o lado da burguesia e que decidiu dedicar a sua vida á perpetuação do capitalismo.


Na verdade, as descrições dos membros do regime de Lula denunciam nitidamente esta opção; as posições chave do governo de Lula foram ocupadas por membros proeminentes da burguesia Brasileira; por exemplo, o Ministério do Comércio e do Desenvolvimento foi liderado pelo milionário Luiz Fernando Furlan que está intimamente ligado á multinacional agrária Sandia, uma das mais importantes corporações Brasileiras que é firmemente controlada pelos latifundiários reaccionários cuja imensa riqueza provém principalmente da exploração dos camponeses sem terra que já mencionámos neste artigo.


Outro exemplo era o Ministério da Agricultura que era liderado por Roger Rodrigues, outro membro das classes exploradoras Brasileiras que usou as suas posições políticas para acelerar a destruição da selva Amazónica (o que constitui um horrível crime capitalista contra o meio ambiente) de forma a favorecer os interesses agro-industriais bilionários da multinacional Brasileira Monsanto, da qual ele é um associado bem conhecido. As antigas áreas da selva estão agora a ser utilizadas pela multinacional Monsanto para plantar culturas geneticamente modificadas que podem ser nocivas para a saúde humana, mas que são incrivelmente lucrativas para as corporações controladas pela burguesia imperialista Brasileira. É este é o “governo da classe operária” que os neo-revisionistas Brasileiros tanto gabam!


Estes são apenas dois exemplos da natureza social-fascista e pró-capitalista do regime de Lula que, longe de defender os interesses do proletariado Brasileiro, intensificou a sua exploração em favor das classes dominantes Brasileiras.


Mais recentemente, a linha contra-revolucionária e anti-comunista do PCB foi reafirmada uma vez mais quando o partido deu o seu apoio explícito a Dilma Roussef, uma fiel lacaia da burguesia imperialista Brasileira que está a continuar a aplicar as medidas anti-populares do governo de Lula. Os neo-revisionistas Brasileiros fazem muito alarde do facto de Roussef ser “a primeira mulher presidenta na história do Brasil”, como se isto pudesse alterar o carácter ultra-reaccionário do governo de Dilma como instrumento ao serviço da manutenção do capitalismo mundial em geral, e do capitalismo Brasileiro em particular.


O apoio que o PCB deu e continua a dar aos regimes social-fascistas de Lula e de Dilma é lógico se recordarmos que o PCB não é mais do que um partido pró-burguês completamente degenerado. Nos estatutos do partido, os neo-revisionistas Brasileiros tentam iludir o proletariado ao afirmarem de forma demagógica e enganosa que:


O Partido Comunista do Brasil (…)tem como objetivo superior o comunismo.” (Documentos do PCB, Estatutos do PC do Brasil, São Paulo, Novembro de 2009).


Mas se analisarmos o programa e os estatutos, concluímos que a ditadura do proletariado não é mencionado uma única vez. Isto constitui uma prova irrefutável do carácter anti-socialista do PCB. Não é possível atingir o comunismo sem a ditadura do proletariado e sem o uso da violência revolucionária que lhe é inerente.


Portanto, a afirmação falaciosa dos neo-revisionistas Brasileiros acerca dos alegados propósitos do PCB em construir o comunismo são uma mentira total e nada mais do que isso, porque só aqueles que estão completamente mergulhados num delírio pequeno-burguês é que podem pretender realizar o comunismo sem a ditadura proletária. Os Clássicos do Marxismo-Leninismo ensinam-nos que a aceitação e a defesa da necessidade da ditadura do proletariado constitui uma das principais linhas de demarcação entre os comunistas autênticos e os revisionistas de toda a espécie. Na sua obra intitulada “O proletariado e a sua ditadura”, o camarada Lenine diz que:


Aqueles que não compreendem a necessidade da ditadura de cada classe revolucionária para se atingir a vitória não compreenderam absolutamente nada acerca da história das revoluções ou não querem saber nada sobre este assunto.” (Lenine, Le prolétariat et sa dictature, traduzido da edição em Francês).


É claro que os neo-revisionistas Brasileiros recusam a ditadura proletária porque eles são os mais fervorosos defensores dos interesses da burguesia imperialista Brasileira, porque eles sempre rejeitaram os princípios mais básicos da ideologia comunista. E como se isto não fosse suficiente, eles ainda se atrevem a usar o nome do camarada Lenine para tentarem justificar a sua linha ideológica social-fascista:


Avulta antes de tudo a educação que Lênin imprimiu ás fileiras comunistas quanto á (...) firmeza de (...) propósitos revolucionários, combinada com ampla flexibilidade dos caminhos e meios em persegui-los. Isso, (...) implica o proletariado ter de estabelecer acordos e compromissos (...) os quais se expressam em alianças, sempre necessárias (...).” (Documentos do PCB, Questões de Partido, Maio de 2006).


É verdade que, em certos momentos, o proletariado tem de fazer acordos com a burguesia com o propósito de fazer avançar os interesses da revolução. No entanto, deveria ser sempre claro que, mesmo nesses momentos críticos, o partido comunista nunca pode permitir que os princípios fundamentais do Marxismo-Leninismo sejam traídos ou desprezados sob o pretexto da suposta “necessidade de fazer acordos e compromissos”. Mas os neo-revisionistas Brasileiros fazem exactamente o oposto quando apoiam os governos reaccionários e pró-capitalistas de Lula e de Dilma Roussef que favorecem a exploração do proletariado Brasileiro pela burguesia imperialista Brasileira. De facto, o percurso anti-comunista do PCB conduziu o partido á mais cobarde capitulação perante o abjecto “patriotismo” burguês e, consequentemente, á minimização e á eliminação do papel revolucionário do proletariado e das classes trabalhadoras e sua substituição por noções ultra-oportunistas acerca dos “movimentos anti-imperialistas e democráticos-nacionais”. Em 1992, os neo-revisionistas Brasileiros já diziam que:


(…) o surgimento de um amplo e poderoso agrupamento antiimperialista e democrático-nacional que reúna não somente as massas populares e o movimento operário, mas também a intelectualidade progressista, representantes da economia autenticamente nacional, (…) personalidades destacadas da vida nacional, em suma, todos os que amam a pátria e não querem transformar-se em meros agregados, em vassalos da superpotência norte-americana.” (Documentos do PCB, O socialismo vive, 1992, página 32).


Neste parágrafo, podemos observar que os líderes do PCB não apenas admitem explicitamente o seu apoio pela burguesia imperialista Brasileira, como está patente na menção acerca dos “representantes da economia nacional”, como também consideram que os membros da burguesia imperialista Brasileira podem desempenhar um papel decisivo naquilo que os neo-revisionistas Brasileiros chamam “o surgimento de um amplo e poderoso agrupamento antiimperialista e democrático-nacional” que iria alegadamente impedir que o Brasil se tornasse numa neo-colónia Americana.


De facto, esta falsa fraseologia “progressista” e “anti-imperialista” usada pelos neo-revisionistas Brasileiros está em total concordância com os objectivos da burguesia imperialista Brasileira que frequentemente oculta as suas políticas fascistas por detrás da máscara da “luta contra o imperialismo Americano”. Isto é fácil de explicar se tivermos em consideração que o imperialismo Americano é um dos principais obstáculos á concretização dos propósitos de hegemonia capitalista da burguesia imperialista Brasileira.


Além do mais, também compreendemos o quão longe foi o processo de degeneração anti-socialista do PCB quando notamos o elogia do individualismo burguês que está contido na frase acerca das “personalidades destacadas da vida nacional” que também devem ser incluídas na “sopa” intragável e reaccionária que é o movimento “democrático-nacional” proposto pelos neo-revisionistas Brasileiros e cujo propósito, apesar do se nome “democratizante”, é preservar a brutal e sanguinária ditadura burguesa. E não interessa se esta ditadura é exercida pela burguesia pró-Americana ou pela burguesia nacional “patriótica” porque o resultado é sempre o mesmo: a manutenção do sistema capitalista-imperialista que oprime economicamente, politicamente, socialmente, militarmente, culturalmente e ideologicamente o proletariado mundial.


Mas sejamos sinceros, o que poderíamos nós esperar de um partido “comunista” que está tão enterrado nos conceitos fascistas do Maoismo ao ponto de afirmar no seu próprio programa político que:


Por surgir das entranhas do modo de produção capitalista e das suas instituições, a transição para a nova sociedade (socialista) ainda terá uma economia mista, heterogênea, com múltiplas formas de propriedade estatal, pública, privada, mista, incluindo vários tipos de empreendimentos, como as cooperativas. Poderá contar com a existência de formas de capitalismo de Estado (…). Todavia, progressivamente devem prevalecer as formas de propriedade social sobre os principais meios de produção.” (Documentos do PCB, Programa Socialista para o Brasil, Dezembro de 2009).


Se este parágrafo não estivesse incluído no programa do PCB publicado em 2009, sentir-nos íamos tentados a pensar que talvez tivesse sido escrito pelo próprio Mao, porque as noções pequeno-burguesas e pró-capitalistas que caracterizam o revisionismo Maoista estão presente em toda a sua extensão.


Tal como Mao, os neo-revisionistas Brasileiros utilizam o facto da sociedade socialista emergir da sociedade capitalista como desculpa para negarem a possibilidade dessa mesma sociedade socialista de maneira a perpetuarem o capitalismo. Os Clássicos do Marxismo-Leninismo ensinam-nos que a única maneira de realizar a sociedade socialista reside na implementação da ditadura proletária. E a ditadura proletária implica a expropriação e colectivização rápida, firme, total e completa de todos os meios de produção, porque o poder de classe da burguesia baseia-se precisamente na possessão dos meios de produção que constituem a base material do seu sistema de opressão. Por isso, se após a revolução socialista o proletariado não expropriar e colectivizar os meios de produção que até então estavam nas mãos da classe capitalista exploradora, isso é equivalente a permitir intencionalmente que a burguesia mantenha o seu domínio porque se os fundamentos materiais do seu poder de classe explorador não forem retirados á burguesia, esta classe vai sempre deter o seu controlo e a sua supremacia sobre toda a sociedade, impedindo assim a abolição da escravatura assalariada e o avanço em direcção ao socialismo e ao comunismo.


Nestas condições, a ditadura do proletariado não está sequer instalada porque a ditadura proletária significa poder proletário; mas se a burguesia não for privada dos seus meios de opressão e de exploração sobre o proletariado é óbvio que não podemos afirmar que a ditadura do proletariado está a ser exercida, não podemos afirmar que as classes oprimidas e exploradas estão no poder.


Em contradição directa com os ensinamentos do Marxismo-Leninismo, os neo-revisionistas Brasileiros permitem e até incentivam a existência de “múltiplas formas de propriedade estatal, pública, privada, mista” durante o processo de transição para a “sociedade socialista”, o que nos faz recordar a teoria Maoista que defende o “governo conjunto da burguesia e do proletariado” e o “capitalismo controlado” e cujo objectivo é manter a burguesia opressora no poder enquanto engana o proletariado com mentiras acerca da sua suposta “participação no poder” que é de facto inexistente.


Outra coisa que é absolutamente incompatível com a sociedade socialista é a existência de capitalismo de estado cujo aspecto “socializante” ilude o proletariado e origina uma nova burguesia exploradora (tal como aconteceu na União Soviética social-imperialista após a traição Khrushchevista e nas “democracias populares” social-fascistas da Europa de Leste), mas os líderes do PCB afirmam alegremente que podemos contar com “a existência de formas de capitalismo de Estado”. Aqui podemos notar a defesa que os neo-revisionistas Brasileiros fazem da teoria anti-comunista e reaccionária que considera o capitalismo de estado como uma etapa necessária do processo de transição para o socialismo. Isto revela claramente que o que os neo-revisionistas Brasileiros realmente querem é evitar a revolução proletária e socialista através da realização de um “capitalismo moderado”, através da implementação deste capitalismo de estado que iria promover a “estabilização das relações de classe” (quer dizer, a reconciliação impossível entre a burguesia e o proletariado), que iria servir como uma espécie de “centro de gravidade do sistema”. No seu livro “O Eurocomunismo é Anti-comunismo”, o camarada Enver desmascarou a verdadeira natureza do capitalismo de estado que é tão querido a todos os revisionistas e neo-revisionistas:


Tal como a experiência já provou, o capitalismo de estado é apoiado e desenvolvido pela burguesia não para construir os alicerces da sociedade socialista, como pensam os revisionistas, mas sim para fortalecer os fundamentos da sociedade capitalista e do seu estado burguês de forma a explorar e a oprimir ainda mais o povo trabalhador.” (Enver Hoxha, Eurocommunism is Anti-communism, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Inglês).


Na mesma obra, Enver também sublinhou que:


(…) as empresas privadas Chinesas, as empresas privadas de capital conjunto Chinês e estrangeiro, as empresas privada puramente estrangeiras, os sectores cooperativos, etc., existem lado a lado com o sector capitalista de estado na China. Esta situação concorda inteiramente com a “terceira via”, com o “socialismo” que os Eurocomunistas defendem.(Enver Hoxha, Eurocommunism is Anti-communism, Tirana, 1980, traduzido a partir da edição em Inglês).


Assim, não só a realidade da China social-imperialista coincide inteiramente com a “transição para o socialismo” proposta pelos neo-revisionistas Brasileiros, como também a ideologia pró-capitalista do PCB está em total acordo com as “teorias” ultra-reaccionárias do Eurocomunismo.


Depois de terem negado a possibilidade da conquista do poder pelo proletariado e a importância crucial de uma economia centralizada e planificada durante o processo da construção do socialismo, os neo-revisionistas Brasileiros são capazes de serem hipócritas o suficiente para dizerem que Todavia, progressivamente devem prevalecer as formas de propriedade social sobre os principais meios de produção”.


Esta afirmação não tem valor nenhum. Se seguirmos a linha ideológica dos neo-revisionistas Brasileiros, chegaremos á conclusão de que a expropriação e a colectivização da propriedade privada da burguesia e das outras classes exploradoras pelo proletariado através da violência revolucionária nem sequer serão concretizadas; as “teorias” anti-comunistas dos neo-revisionistas Brasileiros retratam a transformação da propriedade privada dos meios de produção em propriedade social dos meios de produção como sendo algo de impossível porque, como já explicámos, se após a revolução socialista a burguesia não for imediatamente desprovida dos meios de produção que constituem a principal base do seu poder de classe, não poderemos falar acerca de ditadura proletária nem acerca da construção socialista; consequentemente, nestas condições, é óbvio que a ditadura capitalista repressiva, despótica, totalitária e exploradora é completamente mantida.


Esperamos que seja agora perfeitamente claro que o PCB é na verdade um partido ultra-revisionista que serve fielmente os interesses do imperialismo mundial em geral e do imperialismo Brasileiro em particular. A sua principal tarefa é manter vivo o sistema capitalista-imperialista de maneira a perpetuar a exploração assalariada e a “vestir” a forma “democrática” da ditadura burguesa com roupagem “radical” e até mesmo “comunista” com o objectivo de impedir que o proletariado Brasileiro adquira uma consciência verdadeiramente revolucionária que conduziria ao preenchimento do factor subjectivo (da revolução socialista mundial) num dos principais elos fracos da cadeia do imperialismo mundial – a América Latina, na qual se inclui o Brasil.


O camarada Enver Hoxha analisou correctamente que:


(…) na América Latina o campesinato e a classe operária surgida das fileiras deste têm ricas tradições de combate revolucionário, conquistadas em lutas incessantes pela liberdade, pela terra, por trabalho e pão, tradições que se desenvolveram ainda mais nas batalhas contra a oligarquia interna e contra os monopólios estrangeiros, contra o imperialismo norte-americano. Os povos da América Latina encontram-se entre os que mais se lançaram em sangrentos confrontos com os opressores e exploradores internos e externos. As suas vitórias nesses embates não foram poucas nem pequenas, mas o completo triunfo das liberdades democráticas, a eliminação da exploração, a conquista da independência e da soberania nacional ainda não foram alcançados em nenhum país. (…)


A América Latina também apresenta muitas vantagens para a preparação do factor subjectivo da revolução, devido a uma consciência bastante elevada e à disposição das amplas massas populares de lutar contra a opressão e a exploração internas e externas, pela liberdade, a democracia e o socialismo. Mas a plena preparação desse factor é obstruída, dificultada e combatida com todas as forças, não só pelos imperialistas, sobretudo norte-americanos, juntamente com a reacção interna, mas também pelos revisionistas locais e outros servidores oportunistas do capitalismo, assim como pelos revisionistas (…) chineses.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português).


Mas os neo-revisionistas Brasilerios nunca conseguirão evitar a revolução socialista mundial.

É dever de todos os Marxistas-leninistas Brasileiros em particular e dos Marxistas-Leninistas de todo o mundo em geral o de lutarem contra o neo-revisionismo Brasileiro e de estabelecerem no Brasil um novo partido verdadeiramente Marxista-Leninista-Estalinista-Hoxhaista que siga e aplique fielmente os ensinamentos dos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo e que deve ser não só a vanguarda do proletariado revolucionário Brasileiro, mas deve também incentivar a formação da divisão Brasileira do exército proletário mundial com o propósito de derrubar o sistema mundial capitalista-imperialista globalizado, de implementar a ditadura do proletariado mundial e, finalmente, de realizar o socialismo mundial e o comunismo mundial.


Para conseguirem isto, os Marxistas-Leninistas e o proletariado Brasileiro podem contar com o apoio sincero e honesto do Comintern (EH), o único verdadeiro defensor da ideologia Comunista.


O Comintern (EH) gostaria de terminar este artigo com a seguinte conclusão:


O PCB tornou-se num partido totalmente guiado pelo espírito social-chauvinista da Segunda Internacional e serve completamente o imperialismo Brasileiro.


A burguesia nacional no Brasil transformou-se numa burguesia tipicamente imperialista, que se caracteriza não só pela exploração e pela opressão no seu próprio país, mas também pelo aumento da exploração e da opressão do proletariado de todo o continente Latino-Americano. Portanto, é impossível libertar a América Latina das potências imperialistas externas sem a sua libertação das potências imperialistas internas, sem a sua libertação do imperialismo Brasileiro.


Quem quer que negue isto, quem quer que tente defender o imperialismo Brasileiro contra outra potência imperialista e chame a isso um acto “anti-imperialista” está no caminho da traição oportunista da Segunda Internacional, torna-se num inimigo do Comintern (EH) e do proletariado revolucionário mundial.


É tarefa do proletariado revolucionário de todo o continente Latino-Americano tirar proveito das contradições existentes entre as potências imperialistas internas e externas.


Na época da globalização, o imperialismo Brasileiro está totalmente integrado no imperialismo mundial e é por isso não apenas um inimigo dos Trabalhadores da América Latina, mas também um novo desafio para todo o proletariado mundial.


A revolução mundial tem não apenas de concretizar a tarefa de garantir a vitória dos Trabalhadores da América Latina sobre os imperialistas estrangeiros, mas também de assegurar a sua vitória contra os imperialistas do próprio continente Latino-Americano – em particular contra os imperialistas Brasileiros.


Os novos partidos Estalinistas-Hoxhaistas que têm de ser fundados na América Latina devem tornar-se em destacamentos da Internacional Comunista (Estalinista-Hoxhaista) que lidera o proletariado mundial até á revolução socialista vitoriosa!


Sem as acções conjuntas dos novos partidos Estalinistas-Hoxhaistas, os proletários dos países isolados nunca se conseguirão livrar do imperialismo na América Latina.



Não pode haver socialismo no Brasil sem um novo partido Estalinista-Hoxhaista!


Não pode haver socialismo na América Latina sem novos partidos Estalinistas-Hoxhaistas!


Não pode haver socialismo mundial sem a Internacional Comunista (Estalinista-Hoxhaista)!



Trabalhadores Brasileiros, uni-vos!


Desmascarem o P”C”B social-fascista!



Lutem contra os neo-revisionistas Brasileiros com todas as vossas forças!



Lutem contra a “democracia” burguesa ilusória que apenas serve para manter os trabalhadores explorados e oprimidos na servidão!


Não se deixem iludir pela falsa fraseologia “anti-imperialista”, “radical” e “esquerdista” usada pela burguesia imperialista Brasileira para esconder as suas políticas fascistas!


Lutem contra o imperialismo Brasileiro que é um dos mais perigosos inimigos do proletariado mundial!


Implementem a ditadura do proletariado no Brasil e contribuam para a sua realização em todo o mundo!


Não hesitem em fazer uso da violência revolucionária que é essencial para derrubar a ordem burguesa exploradora!


Fundem o vosso próprio partido Marxista-Leninista-Estalinista-Hoxhaista que vos irá conduzir á vossa libertação da escravatura assalariada e da tirania totalitária do capitalismo!


Vivam os 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo: Marx, Engels, Lenine, Estaline e Enver Hoxha!


Viva o Comintern (EH), o único defensor dos autênticos princípios proletários e socialistas!


Viva a Revolução Socialista Mundial!


Viva o Socialismo Mundial e o Comunismo Mundial!






 

 

 

 

 

 

 

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