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Karl Marx, Friedrich Engels

e August Willich

 

Dos Refugiados Prussianos para o Editor do "The Sun"

 

15 de Junho de 1850

 

 

The Spectator, 15 de junho de 1850


Marx-Engels Collected Works, volume 10, p.378

 



Senhor,

Já por algum tempo, nós, os refugiados políticos alemães residentes em Londres aqui abaixo-assinados, temos a oportunidade de admirar a atenção a nós dispensada não apenas pela Embaixada Prussiana, mas também pelo Governo Britânico. Nós não fizemos muito alarde disso, já que ficamos intrigados se isso entraria em colisão com o que a Alien Bill [Lei dos Estrangeiros] chama de “preservação da paz e da tranqüilidade do reino”, mas como nós lemos nos jornais sobre as ordens dadas ao Embaixador prussiano em insistir na extradição da Inglaterra dos mais perigosos refugiados e como também estamos, por volta de uma semana, sob próxima vigilância dos policiais ingleses, nós acreditamos que devemos contar o nosso caso ao público.

Sem dúvida, o Governo Prussiano busca a aplicação da Alien Bill contra nós. Mas por quê? Porque nós interferimos na política inglesa? Seria impossível provar que nós fizemos isso. Então por quê? Porque o Governo Prussiano quer acreditar que o tiro contra o Rei em Berlim foi o resultado de uma ampla conspiração centrada em Londres.

Agora, vamos observar os fatos desse caso. Pode o Governo Prussiano negar que Sefeloge, o autor do atentado, além de ser um louco notório, é membro da ultra-realista sociedade Treubund? Podem negar que ele é registrado nos livros dessa sociedade como o membro nº 133 na seção nº 2 em Berlim? Podem negar que ele recebeu, não há muito tempo, uma ajuda pecuniária dessa sociedade? Podem negar que seus documentos foram deixados na casa do Major Kunowski, um ultra-realista empregado no Escritório Real de Guerra?

É realmente ridículo acreditar que, diante de tais fatos, o Partido revolucionário esteja envolvido com o atentado. O Partido revolucionário não tem interesse em ver o Príncipe da Prússia chegar rapidamente ao trono, mas os ultra-realistas têm. E mesmo assim o Governo Prussiano está fazendo a Oposição Radical pagar pelo atentado tal como é demonstrado pela nova lei contra a liberdade de imprensa e pela atividade da Embaixada Prussiana em Londres.

Nós devemos declarar que, às portas do atentado, pessoas que acreditamos ser agentes prussianos, se apresentaram a nós, tentando nos envolver nas conspirações contra o Rei. Nós, sem dúvida, não nos envolvemos nessas tentativas.

Se o Governo Britânico deseja qualquer informação a nosso respeito, nós sempre iremos prontamente dá-las. As mesmas que ele acredita conseguir ao mandar espiões em nosso encalço.

A Sagrada Aliança, agora reconstruída sob a égide da Rússia, também ficaria satisfeita se ela conseguisse convencer a Inglaterra, a única pedra no caminho, a adotar uma política reacionária interna. O que seria do sentimento anti-russo inglês, das notas diplomáticas e das asserções parlamentares do Governo de sua Majestade, se comentadas à luz de um uso da Alien Bill destinado apenas para saciar a vingança da Sagrada Aliança, da qual a Prússia faz parte?

Os Governos da Sagrada Aliança, acreditamos, não terão sucesso em enganar o Governo Britânico de tal maneira para conseguirem medidas do Home Office que afetariam seriamente a reputação há muito alcançada pela Inglaterra como o asilo mais seguro para os refugiados de todos os partidos e de todos os países.

 

Cordiais saudações,

Karl Marx, Friedrich Engels - Editores do Neue Rheinische Zeitung de Colônia


August Willich - Coronel no Exército Insurgente em Baden
64 Dean Street, Soho Square, 14 de junho de 1850

 

 

 

 

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