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125 anos

Segunda Internacional

14 de Julho de 1889 – 14 de Julho de 2014

 

 

 

Março de 2011

Nota introdutória

do Comintern (EH)


Até agora nós temos apresentado combinações de dois Clássicos do Marxismo-leninismo com o objective de expressar o significado histórico da sua obra comum:

 

Marx e Engels

Lenine e Estaline

Estaline e Enver Hoxha

E agora:

 

Engels e Lenine


Engels e Lenine aparecem juntos neste site pela primeira vez na história do comunismo.

Porquê?

Em primeiro lugar:

O período da Segunda Internacional tem um significado ideológico muito importante – trata-se do período transicional do Marxismo para o Leninismo. Durante a vida de Engels, a Segunda Internacional foi guiada pelo Marxismo. A III Internacional já foi guiada pelo Marxismo-Leninismo.

Em segundo lugar:

O período da Segunda Internacional tem um significado organizacional também importantíssimo – trata-se do período transicional da Associação Internacional dos Trabalhadores para a Internacional Comunista.

 Em terceiro lugar:

O período da Segunda Internacional traduziu-se no ímpeto da internacionalização do movimento revolucionário proletário – o período transicional entre a Comuna de Paris e a Revolução de Outubro, o período transicional do movimento socialista mundial dos trabalhadores para o movimento comunista do proletariado mundial.


Lenine:


A Primeira Internacional construiu os alicerces da luta proletária e internacional pelo socialismo.

A Segunda Internacional marcou um período no qual o terreno estava pronto para a expansão do movimento num grande número de países. A segunda Internacional (1889-1914) foi uma organização internacional do movimento proletário que experimentou um grande crescimento ás custas de um retrocesso temporário ao nível revolucionário, ás custas de um fortalecimento temporário do oportunismo que no final conduziu ao lamentável colapso desta Internacional.

A Terceira Internacional recolheu os frutos da obra da Segunda Internacional, rejeitou as suas tendências oportunistas, social-chauvinistas, burguesas e pequeno-burguesas e começou a implementar a ditadura do proletariado.” (Lenine: "The Third International and its place in history", 15 de Abril de 1919, traduzido da edição em Inglês)

 Engels e Lenine ocupam ambos um lugar de honra graças aos seus grandes méritos no que respeita ao seu trabalho em favor do alinhamento Marxista da Segunda Internacional. Engels e Lenine foram – um após o outro – os líderes do movimento comunista e operário internacional durante o período histórico da Segunda Internacional. Neste período, Lenine desenvolveu o Marxismo = o Marxismo do período inicial do imperialismo e da revolução proletária é o Leninismo.

Na luta contra o revisionismo, sob as novas condições do imperialismo tais como o social-chauvinismo e o social-patriotismo, o Marxismo-Leninismo tornou-se na ideologia do proletariado revolucionário internacional.

Este facto histórico é frequentemente ignorado de forma injusta. Nós, Estalinistas-Hoxhaistas, não podemos falar acerca da primeira e da Terceira Internacional sem falarmos acerca do significado histórico da Segunda Internacional.

Até 1914, a Segunda Internacional foi dominada pelo espírito do Marxismo, apesar de a Segunda Internacional não ter podido evitar a sua própria decadência – causada pela traição dos oportunistas e dos revisionistas. No entanto, e apesar de tudo a “Resolução de 1912” ainda continha elementos revolucionários que iriam inevitavelmente desfazer-se em pedaços em consequência da guerra imperialista. Esta lei correspondia exactamente aos ensinamentos do Marxismo.

O nosso partido mundial Estalinista-Hoxhaista deve aprender não apenas a partir dos ensinamentos e das experiências da Primeira e da Terceira internacional, mas também das experiências revolucionárias da Segunda Internacional e sobretudo do seu processo de decadência oportunista.

Se defendemos a Segunda Internacional, nós defendemos primeiramente a obra de Engels e de Lenine, em particular a sua luta contra os traidores da Segunda Internacional.

Engels foi quem implantou o espírito Marxista revolucionário da Segunda Internacional – desde o início e até á sua morte em 1895. E – alguns anos depois – foi Lenine quem defendeu e desenvolveu este espírito Marxista revolucionário enquanto líder da Segunda Internacional.

Infelizmente, estes dois Clássicos não trabalharam juntos pessoalmente, mas a sua obra revolucionária que concretizaram na Segunda Internacional deve ser considerada como uma grande, magnífica e imortal obra comunista.

 

O Comintern (EH)

Março de 2011

 

 

 

 

Engels

e a Segunda Internacional


 

Friedrich Engels desempenhou um papel crucial na preparação de todos os Congressos desde 1889 até 1893.


 

 

1889

 

Engels esteve envolvido no esboço e na implementação do Programa da Segunda Internacional.




1893

 

Engels tomou parte no Congresso de Zurique da Segunda Internacional como presidente honorário.


Engels não foi apenas o melhor e mais famoso guia da Segunda Internacional mas também o líder ideológico indisputado do movimento socialista operário internacional depois da morte de Karl Marx.


A liderança de Engels no movimento operário internacional intensificou-se muito com a fundação da Segunda Internacional. A sua luta pela fusão da nova associação internacional dos partidos socialistas e operários com base no Marxismo e a disseminação do comunismo científico entre os proletários de todos os países reflecte-se em muitas das suas cartas e obras.

No final dos anos 80, os partidos e as organizações proletárias lutaram pelo fortalecimento da unidade internacional de maneira a juntarem as suas forças para o derrube do capitalismo. As condições para a criação de uma nova organização internacional do proletariado tinham amadurecido. No dia 4 de Janeiro de 1888, Engels escreveu ao Social-Democrata Romeno Nadejde: “Estes progressos são tão grandes que a adopção de uma política comum e internacional se tornou possível e necessária, pelo menos para os partidos Europeus.”

Durante os primeiros dias da Segunda Internacional, Friedrich Engels lutou corajosamente pela defesa do Marxismo contra o oportunismo. Ele espalhou o comunismo científico no seio do movimento operário internacional e fortaleceu os partidos socialistas que desde 1889 se tinham juntado á Segunda Internacional. Ele deu conselhos importantes á Segunda Internacional para preparar a sua estratégia e a sua táctica. Ele também forneceu apoio material aos partidos e aos operários dos vários países nas suas greves e campanhas contra a burguesia. Tudo isto dentro do espírito da solidariedade internacional.


 

 

Congresso Fundador da Segunda Internacional

em Paris

 

 

Engels reconheceu o perigo que advinha do facto de o desejo dos trabalhadores de se fundirem internacionalmente pudesse ser manipulado pelos oportunistas que queriam assumir a sua liderança no topo do movimento operário internacional. Isto fez com que ele interrompesse o seu trabalho científico, incluindo a publicação do terceiro volume do “Capital”. E assim ele esteve activamente envolvido na preparação do Congresso de Paris de 1889.

Engels (que então tinha 68 anos de idade) entrou pela porta como um jovem,” escreveu mais tarde Lenine acerca dessa época (Lenine, Volume 12, página 367).

Engels era confrontado com a tarefa importantíssima de assegurar a unidade internacional do proletariado com base no comunismo científico, e ele fez todos os esforços para garantir a vitória das forces Marxistas e para frustrar as maquinações dos oportunistas – os Possibilistas em França e os líderes da Federação Social-Democrata na Inglaterra.

As cartas para Paul Lafargue nos dias 21, 23 e 25 de Março de 1889 e para Wilhelm Liebknecht, nos dias 4, 5 e 17 de Abril de 1889 demonstram com que vigor Engels guiava as preparações do Congresso de Paris em 1889.

O próprio Engels forneceu um extenso trabalho organizacional e apoiou os Marxistas Franceses na preparação do Congresso através de vários conselhos e sugestões. Ele avisou Paul Lafargue para adoptar o apelo da Convenção do Congresso e para assegurar que os camaradas estrangeiros o assinassem. Ele reescreveu-o e traduziu-o para Inglês e para Alemão. Juntamente com Eleanor Marx, ele contribuiu para a publicação e para a disseminação do apelo. Os esforços de Engels foram coroados pelo sucesso. No dia 17 de Julho de 1889, ele escrevia o seguinte ao seu amigo Friedrich Adolph Sorge:

"O nosso Congresso excedeu as expectativas e tornou-se num sucesso brilhante.”

O Congresso Socialista Operário Internacional de Paris em 1889 foi o congresso fundador da Segunda Internacional.

Este Congresso baseia-se – em todos os aspectos e desde o início – no Marxismo. O Congresso orientou o movimento operário internacional na luta contra o militarismo e a guerra, pela formação e fortalecimento dos partidos operários e das organizações sindicais de massas em todos os países. Este Congresso apelou á luta pelos direitos democráticos, usando todos os meios legais de luta e realçando sempre o propósito final do movimento operário: a conquista do poder político.

Engels descreveu a Decisão de manifestar solidariedade internacional no 1º de Maio de 1890 e a Decisão acerca do dia de trabalho de oito horas como tendo sito “a melhor coisa que o nosso Congresso já fez”.

Com esta Decisão, nasceu o grande feriado operário mundial e o dia de luta da classe trabalhadora internacional. A decisão da celebração do 1º de Maio adoptada na Congresso de fundação da Segunda Internacional foi – como Engels não se cansava de repetir – de grande importância para a mobilização das massas e para o fortalecimento da solidariedade proletária internacional. No prefácio da quarta edição Alemã do “Manifesto do Partido Comunista” (1890), Engels afirmava com orgulho que o apelo: “Proletários de todos os países – uni-vos!” que tinha sido espalhado por todo o mundo por Marx e por Engels em 1848 tinha encontrado a aprovação dos trabalhadores de todas as nações. Isto ficou provado pelas grandes manifestações em Maio de 1890. Nas suas mensagens de saudações (“Aos trabalhadores Austríacos no 1º de Maio de 1893”, “Aos trabalhadores Alemães no 1º de Maio de 1893”, “Apesar de tudo!” [mensagem de saudações aos trabalhadores franceses no 1º de Maio de 1893] …e muitos outros) – escritas por ocasião das manifestações do 1º de Maio – Engels apelava para que o proletariado internacional fizesse com que cada 1º de Maio fosse uma demonstração da força crescente do exército proletário mundial. Esta demonstração mostra a firmeza da consolidação do internacionalismo proletário.

 A sua extensa correspondência com os líderes do movimento operário internacional foi necessária para generalizar a experiência do movimento dos trabalhadores revolucionários de vários países e para explicar as suas consequências. As cartas de Engels mostram o quanto Engels lutou pelo fortalecimento ideológico e organizacional dos partidos, e o quanto ele recusou terminantemente todas as espécies de oportunismo. Por outro lado, ele ajudou os líderes a ultrapassarem os erros dogmáticos e sectários.

De maneira consistente e honesta, Engels defendeu a doutrina do partido revolucionário da classe operária e a necessidade de uma política independente da classe proletária. Engels realçou que a unidade ideológica de todos os partidos e a sua disciplina são baseados na consciencialização e na actividade internacionalista dos seus membros, são baseados na participação de cada membro dos partidos no desenvolvimento das políticas internacionalistas e das tácticas dos partidos.

Engels alertou todos os partidos socialistas para a necessidade de aplicar criativamente a teoria Marxista. As plataformas teóricas

são inúteis se não servirem as verdadeiras exigências do povo.”

O Marxismo Internacional é uma “teoria viva da acção que trabalho juntamente com a classe operária em cada possível etapa do seu desenvolvimento.”

O Marxismo não é “uma colecção de dogmas que são memorizados como numa oração.”

A correcta aplicação da teoria Marxista requer, como sublinhou Engels, a elaboração das tácticas dos partidos proletários internacionais com base na situação histórica concreta em cada país e de forma a generalizar cientificamente a experiência da luta revolucionária das massas.

No dia 4 de Setembro de 1892, ele escreveu a Karl Kautsky: “ Nas nossas tácticas, há uma coisa que é indispensável para todos os países e para todas as épocas: convencer os trabalhadores a criarem o seu próprio partido em oposição a todos os partidos burgueses.”

A força motriz em todas as cartas de Engels é o seu combate apaixonado pela unidade e pela solidariedade internacional da classe trabalhadora. Engels assumiu que é necessário e possível atingir o melhor consenso no que respeita às questões fundamentais da luta de classes no seio do movimento operário internacional. Ele trabalhou incansavelmente pela cooperação dos partidos socialistas e pela sua educação no espírito do internacionalismo proletário. Ele sempre realçou que as tarefas nacionais dos movimentos operários devem estar inseparavelmente ligadas às tarefas gerais e internacionalistas.

Engels conseguiu consolidar a Segunda Internacional e assegurar a unidade internacional dos trabalhadores numa base Marxista. Com esta intenção, ele tomou parte activa na preparação dos Congressos socialistas internacionais. As suas cartas a Paul Lafargue de 12 a 28 de Junho de 1891, a Laura Lafargue de 20 de Julho a 17 de Agosto de 1891, e a Friedrich Adolph Sorge de 9 a 11 de Agosto de 1891 - entre outras - são prova da grande atenção dada por Engels ás preparações do Congresso Internacional dos Trabalhadores Socialistas em Bruxelas (que teve lugar de 16 a 22 de Agosto de 1891).

 


Congresso Internacional dos Trabalhadores Socialistas em Bruxelas 

(16 a 22 de Agosto de 1891)

 

 Engels também está muito envolvido na preparação do próximo Congresso da Segunda Internacional em Bruxelas, em 1891. Algumas cartas reflectem o seu apoio aos partidos Marxistas no desenvolvimento das tácticas mais correctas para organizar o Congresso. Ele isolou os oportunistas e assegurou a vitória dos seguidores do Marxismo (ver as cartas para Paul Lafargue de 15 a 19 de Setembro de 1890, e para Friedrich Adolph Sorge de 27 de Setembro de 1890 para Leo Frankel em 25 de Setembro de 1890, etc.).

Na sua obra “Acerca da Convenção de Bruxelas e da situação na Europa”, o papel proeminente de Engels enquanto líder do proletariado internacional tornou-se evidente.

Ele opôs-se a todas as tentativas dos oportunistas, especialmente dos Possibilistas que minavam a unidade do movimento operário internacional. Aos líderes Marxistas, ele deu instruções específicas para corrigirem os erros que foram cometidos durante a preparação. Os esforços de Engels e das outras forças Marxistas do movimento operário internacional resultaram finalmente no Congresso de Bruxelas que desde o início sempre se baseou no Marxismo. O Congresso de Bruxelas – que apelava aos trabalhadores de todos os países para que estes se opusessem á escalada belicista e para que estes exigissem legislação laboral mais protectora, entre outras decisões importantes – tudo isto foi de grande valor para o desenvolvimento do movimento operário internacional. Engels deu as boas-vindas aos resultados do Congresso. No dia 2 de Setembro de 1891, ele disse ao seu amigo Friedrich Adolph Sorge: “Os Marxistas triunfaram em toda a linha – tanto de acordo com os princípios como de acordo com as tácticas…”



Congresso Internacional dos Trabalhadores Socialistas em Zurique 

(16 - 12 de Agosto de 1893)

 

 Mesmo durante a preparação do Congresso Internacional dos Trabalhadores Socialistas em Zurique, Engels tomou a iniciativa quando foi preciso enfrentar as tentativas dos oportunistas para dividirem a unidade operária internacional. Quando ele soube que o Congresso dos Sindicatos tinha decidido (em Glasgow) declinar o convite para o Congresso Internacional dos Trabalhadores Socialistas em Zurique e - em vez disso – tinha preferido criar o seu próprio congresso separatista acerca da questão do dia de trabalho de oito horas, Engels desenvolveu um plano que frustrou a realização desta decisão traiçoeira. Ele recomendou a adopção de resoluções de protesto que não deveriam vir apenas dos partidos socialistas, mas também dos sindicatos. Esta foi – escreveu ele a August Babel no dia 11 de Setembro de 1892 – “uma magnífica oportunidade para fazer os Ingleses compreender que o proletariado consciente não tem intenções de se deixar subordinar á linha daqueles para quem o sistema assalariado é algo eterno e indestrutível.”

Os esforços de Engels e os esforços das forças revolucionárias do movimento operário internacional foram bem-sucedidos. Os trabalhadores da Alemanha, da França, de Espanha e de outros países europeus recusaram o convite dos líderes reformistas dos Sindicatos. O Congresso planeado pelos oportunistas não chegou a acontecer.

Um dos momentos altos do Congresso de Zurique foi a última aparição de Engels num discurso público. Ele discursou apaixonadamente e realçou a necessidade de acordos para fortalecer a unidade do proletariado internacional. No seu discurso de encerramento do Congresso Internacional dos Trabalhadores Socialistas em Zurique, Engels disse:

Nós temos de tolerar o debate – de outra forma nós tornar-nos-íamos numa seita. No entanto, as posições comuns devem ser respeitadas.”

As suas impressões do Congresso de Zurique reflectem-se nas cartas a Laura Lafargue (21 de Agosto de 1893) e a Friedrich Adolph Sorge (7 de Outubro de 1893) e em muitas outras.

 Engels dedicou uma atenção especial ao desenvolvimento e ao fortalecimento das relações internacionais entre os socialistas dos vários países. Ele considerava que o câmbio de informações entre os vários partidos socialistas acerca das suas actividades e o seu apoio mútuo na imprensa como um meio importante para promover a fusão do movimento operário internacional. Engels apelava para a troca de experiências – o mais objectivamente possível. Ele criticou muitas vezes o "Vorwärts", o órgão central da Social-Democracia Alemã, por causa da sua cobertura inadequada e superficial do movimento operário na França e em Inglaterra. Para Paul Lafargue, August Babel e outros líderes do movimento operário, eles escreveu extensivamente acerca da necessidade de seleccionar cuidadosamente os correspondentes estrangeiros dos jornais socialistas.

Também os contactos pessoais entre os líderes dos partidos socialistas contribuíram significativamente para o fortalecimento da cooperação internacional. O próprio Engels foi o iniciador de uma série de encontros internacionais de Socialistas. Engels costumava realçar o importante que é para os representantes dos partidos irmãos frequentarem as actividades e os congressos nos outros países.

Na sua carta para Laura Lafargue, no dia 20 de Junho de 1893, Engels disse explicitamente que as relações entre os partidos socialistas só podem ser baseadas no princípio da igualdade direitos.

Uma “organização internacional só pode existir entre nações cuja existência, autonomia e independência nos assuntos internos estejam já incluídas no conceito de internacionalismo.”

 Mas ele virou-se firmemente contra as pretensões á hegemonia dentro do movimento operário internacional levantadas por diversos partidos naquele tempo.  Engels explicou que não são os desejos subjectivos dos seus líderes que determinam a posição deste ou daquele partido no movimento operário internacional, mas sim o papel objectivo que cada partido desempenha na luta de libertação da classe operária. Engels não negou que os partidos individuais pudessem formar a vanguarda revolucionária do movimento internacional num ou noutro momento da luta, mas ele sublinhou que o derrube do capitalismo á escala internacional não pode de forma nenhuma ser concretizado por um partido individual.

“…Nem os Franceses, nem os Alemães, nem os Ingleses,” explicou ele a Paul Lafargue no dia 27 de Junho de 1893, “vão usufruir individualmente da fama de terem derrubado o capitalismo; …A libertação do proletariado só pode ser concretizada através de uma acção internacional…”


Engels estava alerta para o facto de que o movimento operário tinha atingido um tal nível que as acções comuns das diferentes formações nacionais da classe operária eram já possíveis. No entanto, ele realçou que estes passos teriam de ser discutidos por todos os participantes e levados a cabo só através de cooperação voluntária.

 “A condição absoluta para qualquer acção internacional,” escreveu ele a Paul Lafargue, “ tem de ser feita com base em acordos realizados com antecedência acerca do conteúdo e da forma. Parece-me inadmissível que uma nacionalidade tome a iniciativa – por si própria – e que diga ás outras para a seguirem.”

 Engels chamava frequentemente a atenção para o grande erro que era separar a solução dos problemas do movimento operário em qualquer país das tarefas colectivas do proletariado internacional no seu todo. Ele apelou a que os Socialistas pensassem sempre acerca da necessidade de que cada passo individual também é importante para os irmãos de classe dos outros países. Cada partido deve tomar isto em consideração.

 Engels sublinhou que a actividade de um partido afecta inevitavelmente as actividades de todos os outros partidos – que…

“…um sucesso conquistado por um país provoca uma reacção poderosa em todos os outros.”

Com base nisto, Engels recomendou que os partidos socialistas devem coordenar as suas tácticas em conjunto.

 Ele condenou aqueles Socialistas que não compreendem que o movimento operário nem sempre se desenvolve de acordo com as suas noções subjectivas e descobriu por exemplo que nos Estados Unidos da América a luta da classe operária diverge em muitos sentidos daquela que ocorre no continente Europeu, e que numerosos líderes do Partido dos Trabalhadores Socialistas da América do Norte não tinham ainda notado as diferentes condições de desenvolvimento – com a consequência de afastarem as massas da luta proletária.

Engels dava grande valor ao fortalecimento das relações proletárias internacionais, nos congressos e nas conferências internacionais, mas acima de tudo ele atendia aos contactos directos e aos encontros entre os representantes dos partidos. Ele considerava como sendo particularmente importante o estabelecimento de ligações permanentes entre os dois maiores departamentos da classe operária da Europa – os Socialistas Franceses e os Social-Democratas Alemães. Ele via esta ligação como uma forte barreira contra as aspirações das forças reaccionárias e chauvinistas em ambos os países, e também como um baluarte contra o oportunismo crescente. Nos partidos socialistas, principalmente na Social-Democracia Alemã – o partido mais influente da Segunda Internacional – surgiram correntes oportunistas e reformistas em finais do século XIX sob a forma de revisionismo que negava abertamente os princípios da teoria revolucionária Marxista.

Engels e os outros Marxistas revolucionários levaram a cabo a tarefa mais importante, a de propagandearem o Marxismo, a de defendê-lo contra as distorções e a vulgarização, a da luta contra as classes dominantes na Europa que tentaram decompor e dividir o movimento operário internacional com a ajuda dos oportunistas.

Apesar da sua idade avançada, Engels contribuiu com um enorme apoio teórico e político em benefício do movimento operário internacional. A publicação do terceiro volume do “Capital” – no final do ano 1894 – foi acima de tudo uma poderosa arma ideológica nas mãos dos partidos socialistas.

 Engels nunca se cansou de apelar aos partidos da Segunda Internacional par defenderem e continuarem as tradições revolucionárias e a herança da primeira Internacional.

 Ele incentivou os Socialistas da Segunda Internacional a estudarem e a aplicarem as experiências revolucionárias da Primeira Internacional. Engels esperava que a Segunda Internacional enriquecesse as experiências da Primeira Internacional.

 No entanto, a Segunda Internacional não cumpriu as expectativas de Engels.

 Durante os primeiros anos da sua existência, ela foi realmente uma aguerrida organização internacionalista genuinamente Marxista – isto enquanto Engels esteve ao seu lado dando conselhos e fazendo críticas acertadas.

Mas após a morte de Engels – e no decurso do desenvolvimento imperialista do capitalismo – os reformistas e os revisionistas, os oportunistas ocultos e os centristas foram paulatinamente aumentando a sua influência.

 Em 1914, este oportunismo acabou por conduzir ao colapso da Segunda Internacional.

 No entanto, as obras de Engels que expandiram o Marxismo e o internacionalismo proletário no seio do movimento operário corporizaram a prosperidade ideológica da Segunda Internacional nos seus anos iniciais.

 A Segunda Internacional foi uma contribuição para a educação dos elementos verdadeiramente revolucionários nos partidos de muitos países que levantaram a bandeira do Marxismo e do internacionalismo proletário.

- especialmente Lenine e a ala revolucionária da social-democracia Russa.

E foi Lenine quem afirmou:

 “A Segunda Internacional está morta, ela foi destruída pelo oportunismo. Abaixo o oportunismo e viva a Terceira Internacional!” (Lenine)  



 

 

 

Lenin sobre a Segunda Internacional:

 

O Oportunismo e a Falência da II Internacional

Janeiro de 1916

 

 

 

 


O Programa Militar da Revolução Proletária

Setembro de 1916

 

 

 

 

Imperialismo e a Cisão do Socialismo

Outubro de 1916

 

 

 

 

 

A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky

Novembro de 1918