Mensagem do Comintern (EH)


por ocasião do 125º aniversário


da II Internacional


 

14 de Julho de 1889 – 14 de Julho de 2014


Hoje, há 125 anos, quando o 100º aniversário da "Tempestade da Bastilha" foi celebrado, a Segunda Internacional foi fundada em Paris. Como seu próprio nome indica, seguiu-se á Primeira Internacional (1864-1876), que tinha sido fundada pelos camaradas Marx e Engels. A Segunda Internacional foi organizada já depois da morte do camarada Marx, mas contou com a ajuda do camarada Engels.

Durante os seus primeiros anos, a Segunda Internacional tentou a realização de seus fins. Foi um valioso instrumento de revolução socialista, uma vez que promoveu a união das classes exploradas e oprimidas de todos os países através de fronteiras internacionais lançadas para dividir a classe trabalhadora. No entanto, após a morte do camarada Engels e com a intensificação da luta de classes no início do século XX, as divisões explícitas entre Marxistas e reformistas começaram a aparecer claramente. Esta divisão foi consumada quando a Primeira Guerra Mundial começou em 1914.

O fracasso da Internacional em se opor à guerra imperialista foi correctamente percebido pelos Marxistas autênticos como uma prova de seu carácter pró-burguês degenerado. Na verdade, em vez de se opor à guerra, pedindo a derrubada de seus próprios capitalistas e organizando greves e revoltas armadas contra ela, as várias secções internacionais na França, Alemanha e Grã-Bretanha, por exemplo, votaram os créditos de guerra com sua própria classe capitalista numa guerra cuja única finalidade era determinar que grupo de imperialistas acumularia mais lucros através da exploração da força de trabalho e da pilhagem de recursos dentro e fora da Europa. Na época, os denunciantes mais coerentes desta traição chauvinista e revisionista foram os Bolcheviques Russos com os camaradas Lenine e Estaline á sua cabeça.

Durante e após a Primeira Guerra Mundial, a "Segunda Internacional" tornou-se uma organização pró-capitalista de forma aberta e anti-comunista interessada apenas em enganar os trabalhadores para mantê-los sob a escravidão assalariada facultando-lhes algumas esmolas ridículas ("bem estar social", etc.) dadas pela burguesia para convencê-las de que "não há necessidade de aniquilar o capitalismo, é possível humanizá-lo" - evitando, assim, a adesão dos trabalhadores ao Marxismo-Leninismo e prevenindo a revolução socialista e a ditadura do proletariado.

O colapso da Segunda Internacional tornou-se inevitável e surgiu a questão de mantê-la viva ou dar-lhe um golpe mortal e criar a Internacional Comunista sobre as suas ruínas.
Os Bolcheviques, com Lenine á cabeça defenderam a última, e assim, a única atitude Marxista genuína. Lenine lutou com sucesso contra a reconciliação centrista Kautskista entre o Marxismo e o reformismo-revisionismo - ou seja, contra a chamada "segunda e meia Internacional".

Mas a "Segunda e meia Internacional" não era o único problema. Todos os internacionalistas da Conferência de Zimmerwald e de Kienthal de 1916 subestimaram o perigo do centrismo Kautskista que era o equivalente a abster-se de uma luta implacável contra o oportunismo. Portanto, eles não aceitaram a linha Bolchevique. No entanto, Lenine criticou os erros dos internacionalistas inconsistentes entre os sociais-democratas de esquerda, como Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, mas ao mesmo tempo ele os ajudou a tomar a posição Bolchevique correcta. Três anos depois, em 1919, a Terceira Internacional, a Internacional Comunista dos camaradas Lenine e Estaline, foi fundada.

Após a vitória sobre o jogo duplo entre os oportunistas abertos e ocultos, a Terceira Internacional continuou a luta pela revolução socialista e a ditadura do proletariado á escala global. Hoje em dia, o cumprimento desta necessidade histórica é assegurado pelo Comintern (EH), que luta contra o jogo duplo entre o revisionismo aberto e oculto, contra a reconciliação neo-revisonista com os revisionistas abertos - o que chamamos de "quatro cabeças e meia" ao estilo da "Segunda e meia Internacional".

No entanto, Friedrich Engels e Lenine desempenharam um papel revolucionário dentro da II Internacional, que já foi uma Internacional Marxista e que deve ser defendida por nós, Estalinistas-Hoxhaistas, até ao seu Congresso de Basileia, que adoptou a última resolução correcta sobre a revolução proletária como o único meio consequente contra a guerra.

O período da II. Internacional é de importante significado ideológico - o período de transição do Marxismo ao Leninismo. Nos tempos de vida de Engels a II. Internacional foi guiada pelo Marxismo. A III. Internacional foi guiada pelo Marxismo-Leninismo.
O período da II. Internacional é de grande importância organizacional - o período de transição de Associação de Trabalhadores internacionais na Internacional Comunista.
O período da II. Internacional tem um significado importante da amplitude de internacionalização do movimento proletário revolucionário - o período de transição entre a Comuna de Paris e a Revolução de Outubro, o período de transição do movimento mundial dos trabalhadores socialistas ao movimento comunista do proletariado mundial.


Proletários e outras classes trabalhadoras exploradas e oprimidas mundiais – vamos lutar contra todos os desvios reformistas e chauvinistas!

Abaixo a traição da Segunda Internacional!

Abaixo todos os tipos de revisionismo, neo-revisionismo e anti-comunismo!

Apenas o Comintern (EH) é o continuador fiel do espírito militante e revolucionário do glorioso Comintern (Terceira Internacional) dos camaradas Lenine e Estaline!

Abaixo todos os tipos de exploração e opressão!


Viva o Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo!


Viva a revolução socialista mundial!


Viva a ditadura do proletariado mundial!


Viva o socialismo mundial e o comunismo mundial!


Viva o Comintern (EH), a única organização verdadeiramente comunista no mundo, o único partido de vanguarda do proletariado mundial!

 

 

 


Fotos da II Internacional

 

 

 

História do Partido Comunista (Bolchevique) da URSS

 

Comissão do Comitê Central do PC(b) da URSS 1938

 

Capítulo VI — O Partido Bolchevique Durante o Período da Guerra Imperialista. A Segunda Revolução na Rússia (1914- Março de 1917)

 


2

— Os Partidos da Segunda Internacional passaram para o lado de seus governos imperialistas. — A Segunda Internacional se decompõe numa série de partidos social-chovinistas isolados.

 

 

 


Lenin repetidas vezes havia lançado o brado de alerta contra o. oportunismo da Segunda Internacional e a falta de firmeza de seus chefes. Havia afirmado sempre que os chefes da Segunda Internacional só de palavra eram contrários à guerra e que no caso da guerra estalar desertariam certamente de suas posições e passariam para o lado da burguesia imperialista, converter-se-iam com toda a certeza em defensores da guerra. O prognóstico de Lenin se confirmou desde os primeiros dias de guerra.

Em 1910, no Congresso celebrado pela Segunda Internacional em Copenhague, se havia tomado uma resolução que obrigava os socialistas a votar nos parlamentos contra os créditos de guerra. O Congresso mundial da Segunda Internacional celebrado em Basiléia, em 1912, durante a guerra dos Bálcans, declarou que os operários de todos os países consideravam um crime atirar uns contra os outros para aumentar os lucros dos capitalistas. Tal era a posição que se adotava, de palavra, nas resoluções dos Congressos.

Mas quando começaram a troar os canhões da guerra imperialista e se apresentou a necessidade de levar à prática aquelas resoluções, os chefes da Segunda Internacional se revelaram como traidores do proletariado e servidores da burguesia, passando para o campo dos defensores da guerra.

A 4 de agosto de 1914, a social-democracia alemã votou no parlamento os créditos de guerra, votou a favor da guerra imperialista. E exatamente o mesmo fizeram, em sua esmagadora maioria, os socialistas da França, da Inglaterra, da Bélgica e dos demais países.

A Segunda Internacional havia deixado de existir. Decompôs-se de fato numa série de partidos social-chovinistas isolados que faziam a guerra uns contra os outros.

Os chefes dos partidos socialistas, traindo o proletariado, passaram para a posição do social-chovinismo e abraçaram a defesa da burguesia imperialista. Ajudaram os governos imperialistas a enganar a classe operária e a inocular-lhe o veneno do nacionalismo. Sob a bandeira da defesa da pátria, estes social-traidores começaram a atiçar os operários alemães contra os franceses e os operários franceses e ingleses contra os alemães. Só uma minoria insignificante de homens dentro da Segunda Internacional se manteve na posição internacionalista, marchando contra a corrente, sem uma convicção muito firme e de um modo bastante vago, é certo, mas, apesar de tudo, marchando contra a corrente.

O Partido bolchevique foi o único que levantou desde o primeiro momento e sem vacilações a bandeira da luta decidida contra a guerra imperialista. Nas teses sobre a guerra, redigidas por Lenin no outono de 1914, se assinalava que o fracasso da Segunda Internacional não era por acaso. A Segunda Internacional, dizia Lenin, foram os oportunistas que a puseram a pique. E contra eles fazia já muito tempo que os melhores representantes do proletariado revolucionário se vinham pondo em guarda.

Os partidos da Segunda Internacional estavam contagiados de oportunismo, já antes da guerra. Os oportunistas pregavam abertamente a renúncia à luta revolucionária, a teoria da "evolução pacífica do capitalismo para o socialismo". A Segunda Internacional não queria lutar contra o oportunismo, era partidária de viver em paz com ele e o deixava fortalecer-se. E seguindo a política de conciliação com o oportunismo, acabou por se converter ela também em oportunista.

À custa dos lucros que arrancava das colônias e da exploração de que eram vítimas os países atrasados, a burguesia imperialista, mediante uma política de salários elevados e outras remunerações, corrompia sistematicamente uma minoria escolhida de operários qualificados, a chamada aristocracia operária. Deste reduzido setor operário saíam muitos dos dirigentes dos sindicatos e das cooperativas, muitos dos deputados e conselheiros, muitos dos redatores da Imprensa e dos funcionários das organizações social-democratas. Ao estalar a guerra, estas pessoas, receiosas de perderem sua posição privilegiada, fizeram-se inimigos da revolução, convertendo-se nos defensores mais raivosos de sua burguesia e de seus governos imperialistas.

De oportunistas se converteram em social-chovinistas.

Os social-chovinistas — incluindo entre eles os mencheviques e social-revolucionários russos — pregavam a paz de classes entre os operários e a burguesia dentro do país, e a guerra com os outros povos no exterior. Enganavam as massas acerca dos verdadeiros responsáveis da guerra, fazendo-as acreditar que a burguesia de seu próprio país estava livre de toda a culpa. Muitos social-chovinistas passaram a ser ministros dos governos imperialistas de seus países.

Não menos perigosa para a causa do proletariado era a posição dos social-chovinistas encobertos, dos chamados centristas. Os centristas — Kautski, Trotsky, Martov e outros — defendiam e justificavam os social-chovinistas declarados e, portanto, traíam em ligação com estes, o proletariado, encobrindo sua traição com frases "esquerdistas", a respeito da luta contra a guerra, frases destinadas a enganar a classe operária. De fato, os centristas apoiavam a guerra, pois não equivalia a outra coisa sua proposta de não votarem contra os créditos de guerra, limitando-se a se absterem desta votação. Também eles, tanto quanto os social-chauvinistas, exigiam que se renunciasse à luta de classes enquanto durasse a guerra, para não impedir seus governos imperialistas de prosseguirem a guerra. Em face dos problemas mais importantes da guerra e do socialismo, o czarista Trotsky se manifestava sempre contra Lenin, contra o Partido bolchevique.

Desde os primeiros dias da guerra, Lenin começou a agrupar forças para criar uma nova Internacional, a Terceira Internacional. A tarefa de fundar a Terceira Internacional para substituir a Segunda que havia fracassado tão vergonhosamente, aparece já no manifesto lançado contra a guerra, em novembro de 1914, pelo Comitê Central do Partido bolchevique.

Em fevereiro de 1915, celebrou-se em Londres uma conferência de socialistas dos países da Entente, na qual interveio, por diretiva de Lenin, o camarada Litivinov. Este exigiu que os socialistas (Vandervelde, Sembat, Guesde) saíssem de seus governos burgueses da Bélgica e da França e rompessem totalmente com os imperialistas, abandonando a colaboração com eles. E exigiu que os socialistas mantivessem uma luta decidida contra seus próprios governos imperialistas e condenassem quantos votassem a favor dos créditos de guerra. Mas a voz de Litivinov não encontrou o menor eco nesta conferência.

Em começo de setembro de 1915, se reuniu em Zimmerwald a primeira Conferência dos internacionalistas. Lenin dizia que esta Conferência tinha sido o "primeiro passo" no desenvolvimento do movimento internacional contra a guerra. Lenin formou nela o grupo de esquerda de Zimmerwald. Mas o único que, dentro da esquerda zimmerwaldiana, manteve uma posição acertada e conseqüente do princípio ao fim contra a guerra foi o Partido bolchevique, com Lenin à frente. A esquerda zimmerwaldiana editava em alemão um periódico intitulado "Vorbote" ("O Precursor"), onde se publicaram vários artigos de Lenin.

Em 1916, conseguiu-se reunir na pequena vila suíça de Kienthal a Segunda Conferência Internacionalista, que se conhece com o nome de Segunda Conferência zimmerwaldiana. Naquela ocasião, iam-se definindo grupos de internacionalistas em quase todos os países e se destacava já com traços acentuados a cisão entre os elementos internacionalistas e os social-chovinistas. E sobretudo, as próprias massas, sob a influência da guerra e das calamidades provocadas por ela, iam-se orientando para a esquerda. O manifesto de Kienthal foi o fruto de uma resolução entre os diversos grupos que se debateram na Conferência. Representava, em comparação com o manifesto de Zimmerwald, um passo à frente.

Mas também a Conferência de Kienthal não adotou as teses fundamentais da política bolchevique: transformação da guerra imperialista em guerra civil, derrota, na guerra, do governo imperialista do Próprio país e organização da Terceira Internacional. Não obstante, a Conferência de Kienthal tornou possível o afastamento dos elementos internacionalistas, que mais tarde haviam de formar a Terceira Internacional, a Internacional Comunista.

Lenin criticava os erros dos internacionalistas pouco conseqüentes dentro das fileiras dos social-democratas de esquerda, tais como Rosa Luxemburgo e Carlos Liebknecht, ao mesmo tempo que os ajudava a adotar uma posição acertada.

 

 

 


3

— Teoria e tática do Partido bolchevique sobre os problemas da guerra, da paz e da Revolução.

 


Os bolcheviques não eram simples pacifistas, enamorados da paz e que se contentassem em pregar a paz a todo o transe, como a maioria dos social-democratas de esquerda. Os bolcheviques eram partidários da luta revolucionária ativa pela paz, até chegarem à derrubada do Poder da burguesia imperialista causadora das guerras. Os bolcheviques vinculavam a causa da paz à causa do triunfo da revolução proletária, pois entendiam que o meio mais seguro para acabar com a guerra e conquistar uma paz justa, uma paz sem anexações nem indenizações, era a derrubada do Poder da burguesia imperialista.

Em face dos mencheviques e dos social-revolucionários, que renegavam a revolução, e em face da palavra de ordem traidora da manutenção da "paz interior", enquanto durasse a guerra, os bolcheviques lançaram a palavra de ordem de "transformação da guerra imperialista em guerra civil". Esta palavra de ordem significava que os trabalhadores, incluindo entre eles os operários e os camponeses armados, vestidos com o uniforme militar, deviam voltar as armas contra sua burguesia e derrubar o Poder desta, se queriam livrar-se da guerra e conseguir uma paz justa.

Em face da política dos mencheviques e dos social-revolucionários, política de defesa da pátria burguesa, os bolcheviques defendiam a política de "derrota do próprio governo, na guerra imperialista". Isto significava que era necessário votar contra os créditos de guerra, criar organizações revolucionárias clandestinas dentro do Exército, apoiar os atos de confraternização dos soldados nas frentes e organizar ações revolucionárias dos operários e camponeses contra a guerra, convertendô-as numa insurreição contra o governo imperialista de seu próprio país.

Os bolcheviques entendiam que o mal menor que a guerra imperialista poderia acarretar ao povo seria a derrota militar do governo czarista, pois esta derrota facilitaria o triunfo do povo sobre o czarismo e a luta vitoriosa da classe operária para emancipar-se da escravidão capitalista e das guerras imperialistas. Ao sustentar isto, Lenin entendia que esta política de derrota do próprio governo imperialista devia ser seguida não só pelos revolucionários russos, como também pelos partidos revolucionários da classe operária em todos os países beligerantes.

Os bolcheviques não eram contrários a toda guerra. Eram contrários somente à guerra de anexações, à guerra imperialista. Os bolcheviques entendiam que há duas classes de guerra:

  1. as guerras justas, sem anexações, de libertação, que têm como finalidade defender o povo contra uma agressão exterior e contra quantos tentem escravizá-lo, ou libertar o povo da escravidão do capitalismo, ou, finalmente, emancipar as colônias e os países dependentes do jugo dos imperialistas; e

  2. as guerras injustas, de anexações, que têm como finalidade a anexação e a escravização de países e povos estrangeiros.

Os bolcheviques apoiavam a primeira classe de guerras. Em troca propugnavam por manter uma luta decidida contra as guerras da segunda classe, chegando até a revolução e à derrubada do governo imperialista do próprio país.

Os trabalhos teóricos de Lenin durante a guerra tiveram uma importância enorme para a classe operária do mundo inteiro. Na primavera de 1916, Lenin escreveu sua obra intitulada "O imperialismo, etapa culminante do capitalismo". Neste livro Lenin esclarece que o imperialismo é a etapa culminante do capitalismo, a etapa em que este se converte em capitalismo "progressivo" em capitalismo parasitário, em decomposição; que o imperialismo é o capitalismo agonizante. Isto não quer dizer, naturalmente, que o capitalismo vá morrer por si só, sem a revolução proletária, que vá apodrecer pela raiz. Lenin ensinou sempre que não é possível derrubar o capitalismo sem a revolução da classe operária. Por isso, se bem que definindo o imperialismo como o capitalismo agonizante, Lenin aponta ao mesmo tempo, nesta obra, que "o imperialismo é o limiar da revolução social do proletariado".

Lenin ressaltava que na época do imperialismo, o jugo capitalista se faz cada vez mais duro, que sob as condições do imperialismo cresce a indignação do proletariado contra os fundamentos do capitalismo e vão amadurecendo, dentro dos países capitalistas, os elementos para uma explosão revolucionária.

Lenin ressaltava que na época do imperialismo acentua-se a crise revolucionária nos países coloniais e dependentes e vão crescendo os elementos de indignação e os elementos para a luta de libertação contra o imperialismo.

Lenin ressaltava que, sob as condições do imperialismo, se acentuam especialmente o desenvolvimento desigual e as contradições do capitalismo, e que a luta pelos mercados para dar saída às mercadorias e exportar os capitais, a luta pelas colônias e pelas fontes de matérias-primas faz com que se produzam, inevitável e periodicamente, guerras imperialistas por uma nova partilha do mundo.

Lenin ressaltava que, precisamente como conseqüência deste desenvolvimento desigual do capitalismo, surgem as guerras imperialistas, que debilitam as forças do imperialismo e tornam possível a ruptura da frente do imperialismo por seu ponto mais fraco.

E, partindo de todas estas premissas, chegava à conclusão de que era perfeitamente possível ao proletariado romper a frente imperialista por um ponto qualquer ou por vários; de que era possível o triunfo do socialismo, começando por alguns países e, inclusive, por um só isoladamente; de que o triunfo simultâneo do socialismo em todos os países era impossível, dada a desigualdade do desenvolvimento do capitalismo neles; de que o socialismo começaria triunfando somente em um ou em vários países e que os demais continuariam sendo algum tempo países burgueses.

Eis como Lenin formulava esta conclusão genial, em dois artigos diferentes, escritos durante a guerra imperialista.

  1. "A desigualdade do desenvolvimento econômico e político é uma lei absoluta do capitalismo. Donde se deduz que é possível que o socialismo comece triunfando somente em alguns países capitalistas, ou, inclusive, num só país isoladamente. O proletariado triunfante deste país, depois de expropriar os capitalistas e de organizar a produção socialista dentro de suas fronteiras, se enfrentará contra o resto do mundo, contra o mundo capitalista, atraindo para seu lado as classes oprimidas dos demais países"... (Do artigo intitulado "Sobre a palavra de ordem dos Estados Unidos da Europa", escrito em agosto de 1915, Lenin, t. XVIII, págs. 232-233, ed. russa).

  2. "O desenvolvimento do capitalismo segue um curso extraordinariamente desigual nos diversos países. Isto é uma conseqüência inevitável do regime de produção de mercadorias. Donde a conclusão imutável de que o socialismo não pode triunfar simultaneamente em todos os países. Começará triunfando em um ou em vários países, e os demais continuarão sendo, durante algum tempo países burgueses ou pré-burgueses. Isto provocará, necessariamente, não só atritos, como também a tendência aberta da burguesia dos demais países a esmagar o proletariado triunfante do Estado socialista. Em tais condições, a guerra seria, de nossa parte, uma guerra legítima e justa. Seria uma guerra pelo socialismo, para libertar da burguesia os outros povos". (Do artigo intitulado "O programa de guerra da revolução proletária", escrito no outono de 1916. Lenin, t. XIX, pág. 325, ed. russa).

Esta teoria era uma nova e acabada teoria da revolução socialista, a teoria da possibilidade do triunfo do socialismo em países isolados, das condições deste triunfo e de suas perspectivas, teoria cujas bases tinham sido esboçadas por Lenin já em 1905, em seu folheto "As duas táticas da social-democracia na revolução democrática".

Esta teoria afastava de um modo radical aquele ponto de vista em voga entre os marxistas no período do capitalismo pré-imperialista que consiste em considerar impossível o triunfo do socialismo em um só país, qualquer que fosse, admitindo que o socialismo triunfaria ao mesmo tempo em todos os países civilizados.

Lenin, baseando-se nos dados sobre o capitalismo imperialista exposto em seu notável livro "O imperialismo, etapa culminante do capitalismo", abandonou este ponto de vista teórico, segundo o qual o triunfo simultâneo do socialismo em todos os países era impossível, sendo, por outro lado, possível o seu triunfo num só país capitalista isoladamente.

A importância incalculável da teoria de Lenin sobre a revolução socialista não está somente em ter enriquecido e desenvolvido o marxismo com uma nova teoria. Sua importância consiste, além do mais, em dar uma perspectiva revolucionária aos proletários dos diferentes países, em desenvolver sua iniciativa para se lançarem ao assalto contra sua própria burguesia, em lhes ensinar o aproveitamento da situação de guerra para organizarem esta ofensiva e em fortalecer sua fé no triunfo da revolução proletária.

Tal era a posição teórica e tática dos bolcheviques quanto aos problemas da guerra, da paz e da revolução.

Tomando como base esta posição, os bolcheviques desenvolveram o seu trabalho prático na Rússia.

Apesar das furiosas perseguições policiais, os deputados bolcheviques da Duma, Badaiev, Petrovski, Muranov, Samoilov e Shagov percorreram, no começo da guerra, uma série de organizações operárias, dando informes da atitude dos bolcheviques em face da guerra e da revolução. Em novembro de 1914, a fração bolchevique da Duma organizou uma conferência para considerar.o problema da atitude que se devia seguir em face da guerra. No terceiro dia foi presa a Conferência em plena reunião. Os Tribunais condenaram todos os deputados bolcheviques, impondo-lhes a pena de inabilitação e deportando-os para a Sibéria Oriental. O governo czarista acusou de "alta traição" os deputados bolcheviques da Duma.

Neste processo, desenvolveu-se um quadro das atividades dos deputados bolcheviques que podia encher de orgulho o Partido. Os deputados bolcheviques se comportaram valentemente perante seus juízes, convertendo o julgamento em uma tribuna de onde desmascararam a política de anexações do regime czarista.

Outro foi o comportamento de Kamenev, arrolado no mesmo processo. Arrastado por sua covardia, quando se viu em perigo renegou a política do Partido bolchevique, declarando perante o Tribunal que estava em desacordo com os bolcheviques no problema da guerra e dando como testemunha em apoio de suas afirmações o menchevique Iordanski.

Os bolcheviques realizaram um grande trabalho contra os Comitês da indústria de guerra, postos a serviço desta, e contra as tentativas dos mencheviques de submeterem os operários à influência da burguesia imperialista. A burguesia estava vitalmente interessada em apresentar perante a opinião geral a guerra imperialista como uma guerra de todo o povo. Durante a guerra a burguesia conseguiu adquirir uma grande influência nos negócios do Estado, criando, com as uniões do Zemstvos e dos conselhos urbanos, uma organização própria, extensiva a toda a Rússia. Precisava também de submeter os operários à sua direção e influência. Para isso lançou mão do recurso de criar "grupos operários" anexos aos Comitês da indústria de guerra. Os mencheviques fizeram sua, esta idéia da burguesia. A esta convinha incorporar aos ditos Comitês representantes dos operários, para que se encarregassem de fazer entre as massas operárias o trabalho nas fábricas de obuses, canhões, fuzis, cartuchos e demais indústrias que trabalhavam para a guerra.

"Tudo e todos para a guerra!", tal era a palavra de ordem da burguesia. Na realidade esta palavra de ordem significava então: "Enriqueçamos à larga com os fornecimentos de guerra e com a anexação de territórios estrangeiros!" Os mencheviques participaram ativamente nesta obra pseudopatriótica empreendida pela burguesia. Ajudavam os capitalistas, fazendo um intenso trabalho de agitação entre os operários, para que estes tomassem parte nas eleições dos "grupos operários" adstritos aos Comitês da indústria de guerra. Os bolcheviques se manifestaram contra esta fraude. Preconizaram o boicote dos Comitês da indústria de guerra e mantiveram eficazmente este boicote. Não obstante, uma parte dos operários participou nas atividades daqueles Comitês, sob a direção do conhecido menchevique Gvosdiev e do provocador Abrosimov.

Quando os delegados dos operários se reuniram em setembro de 1915 para proceder à eleição definitiva dos "grupos operários" dos citados Comitês, a maioria dos delegados votou contra eles e formulou uma enérgica resolução contrária à participação nos Comitês da indústria de guerra, declarando que a tarefa que os operários tinham esboçado era a de lutar pela paz e pela derrubada do czarismo.

Os bolcheviques desenvolveram também um grande trabalho dentro do Exército e da Marinha. Explicavam às massas de soldados e marinheiros quem eram os culpados dos inauditos horrores da guerra e dos sofrimentos do povo, e lhes faziam ver que o único caminho que o povo tinha para sair da carnificina imperialista era a revolução. Criavam células bolcheviques dentro do Exército e da Marinha, nas unidades da frente e na retaguarda e distribuíam proclamações com apelos contra a guerra.

Os bolcheviques fundaram o "Grupo central da organização militar de Kronstadt" que se achava em estreito contato com o Comitê de Petrogrado do Partido. Adstrita ao Comitê de Petrogrado, criou-se uma organização militar para o trabalho entre a guarnição. Em agosto de 1910, o chefe da polícia secreta de Petrogrado informava que o "Grupo Central de Kronstadt é uma organização muito séria, de caráter conspirativo, cujos membros são todos pessoas caladas e precavidas. Esta organização tem também representantes em terra".

Na frente, o Partido bolchevique fazia trabalho de agitação em prol da confraternização entre os soldados dos exércitos beligerantes, ressaltando que o inimigo era a burguesia mundial e que só se poderia pôr fim à guerra, convertendo a guerra imperialista em guerra civil e voltando as armas cada qual contra a sua própria burguesia e o governo desta. Cada vez se amiudavam mais os casos de unidades que se negavam a atacar. Casos destes se deram já em 1915 e, sobretudo, em 1916.

Onde os bolcheviques desenvolviam um trabalho mais intenso era nos Exércitos da frente do Norte, na região do Báltico. Em começos do ano de 1917, o general Russki, general em chefe dos Exércitos da frente Norte, informava o Alto Comando a respeito do formidável trabalho revolucionário, desenvolvido pelos bolcheviques naquela frente.

A guerra impôs uma mudança radical e gigantesca na vida dos povos e na vida da classe operária internacional. Punha sobre o tapete a sorte dos Estados, a sorte dos povos, a sorte do movimento socialista. Era também, portanto, uma pedra de toque, uma prova para todos os partidos e tendências que se chamavam socialistas. Permaneceriam estes partidos e tendências fiéis à causa do socialismo, à causa do internacionalismo, ou prefeririam atraiçoar a classe operária, atirar no chão sua bandeira e arrastá-los aos pés de sua própria burguesia nacional? Tal era o problema que se apresentava.

A guerra demonstrou que os partidos da Segunda Internacional não resistiram à prova, mas que traíram a classe operária, arriando sua bandeira diante da burguesia de seu próprio país, diante da burguesia nacional, imperialista.

Não podia ser outra a conduta de partidos como aqueles que cultivavam em seu seio o oportunismo e estavam educados na política de concessões aos oportunistas, aos nacionalistas.

A guerra demonstrou que o Partido bolchevique foi o único partido que soube enfrentar com honra a prova e que permaneceu fiel até o fim à causa do internacionalismo proletário.

E era lógico que fosse assim, pois só um partido de novo tipo, só um partido educado no espírito da luta intransigente contra o oportunismo, só um partido assim podia sair vitorioso daquela grande prova e permanecer fiel à causa da classe operária, à causa do socialismo e do internacionalismo.


 

Publicações em Inglês:

 

Frederick Engels

Possibilist Credentials

August 10, 1889

 

 

 

"NEW YORK TIMES"

 

On the first congress of the Second International

Paris 1889

 

On the second congress of the Second International

Bruxelles 1891

 

On the third congress of the Second International

Zurich - August 9-13, 1893

 

 

 

 

 

 

Eleonor Marx

Report from Great Britain and Ireland to the Delegates of the Brussels

International Congress, 1891.

 

 

 

 

em francês

 

 

Report of the Second Congress

of the

Second International

 

Bruxelles, August 16 - 23, 1891

 

 

 

 

 

 

em Inglês

Delegates Report.

America at the International Socialist Congress at Zurich

1893

 

 

 

 

 

 

 

 

Report

Copenhagen Congress

of the Second International

 

August 1910

 

 

 

 

 

 

 

Report to the Congress in Copenhagen

from the Swedish Socialdemocratic Labour Party

1910

 

 

 

 

 

 

Report of Socialist Party of the United States to the International Socialist Congress

at Copenhagen - 1910

 

 

 

 

 

 

 

Second International Conference

of Socialist Women

Copenhagen 1910

 

 

 

em Inglês

Lenin sobre a Segunda Internacional:

Lenin


THE STRUGGLE AGAINST REFORMISM ON THE QUESTION
OF CO-OPERATIVE SOCIETIES

THE COPENHAGEN AND BASLE
CONGRESSES

THE COLLAPSE OF THE

SECOND INTERNATIONAL

COLLECTED WORKS

VOLUME 21

August 1914 - December 1915