PORTUGUÊS

 


 

 

1914 - França

 

2014 GAZA

 

100 anos

MENSAGEM DO COMINTERN (EH)


POR OCASIÃO DO 100º ANIVERSÁRIO


DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL



28 DE JULHO DE 1914 - 28 DE JULHO DE 2014


100 anos passaram desde o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Para nós, Estalinistas-Hoxhaists, e para todos os proletários, trabalhadores e classes exploradas e oprimidas do mundo, os acontecimentos de há cem anos, sem dúvida, merecem continuar a ser um tema central de estudo e aprendizagem. Devemos desmascarar a mídia burguesa-revisionista que espalha a ideologia do pacifismo na ocasião deste evento histórico. Pacifismo abre o caminho para a preparação ideológica de novas guerras imperialistas. É a mesma classe dominante que instigou a Primeira Guerra Mundial e que prepara novas guerras imperialistas hoje - a burguesia mundial. É necessário explicar a natureza da guerra imperialista e, portanto, a necessidade da guerra proletária mundial como meio de proferir a luta de classes proletária global.


A Primeira Guerra Mundial foi inicialmente conhecida apenas pela designação da Grande Guerra – até que 25 anos mais tarde o imperialismo-capitalismo mundial desencadeou um segundo grande conflito militar de proporções ainda maiores. A Grande Guerra foi uma guerra imperialista, foi um reflexo das rivalidades inter-imperialistas e das contradições entre as grandes potências de seu tempo. O camarada Estaline observou que:


"Você se lembra de como a Primeira Guerra Mundial surgiu. Ela surgiu a partir do desejo de voltar a dividir o mundo. (...) Há estados capitalistas que consideram que eles foram enganados na redistribuição anterior de esferas de influência, os territórios, as fontes de matérias-primas, mercados, etc, e que querem outra redivisão em seu favor. O capitalismo, na sua fase imperialista, é um sistema que considera a guerra um instrumento legítimo para a resolução de disputas internacionais, um método legal de facto, se não na lei." (Estaline, Interview Between J. Stalin and Roy Howard, 1936, traduzido da edição em Inglês)


A Primeira Guerra Mundial foi travada principalmente no continente Europeu e alterou profundamente o mapa político, levando ao colapso de quatro dos maiores impérios reaccionários que marcaram o mundo durante décadas ou mesmo séculos: o Império Austro-Húngaro, a Rússia czarista, o Império Alemão, criado após a unificação da Alemanha em 1871, e o Império Otomano. Mas, se a Primeira Guerra Mundial marcou o fim de uma época do mundo capitalista-imperialista, haveria também um evento que ocorreu durante a mesma que mudou para sempre a história da humanidade: a Grande Revolução Socialista de Outubro na Rússia, liderada pelo Partido Bolchevique dos camaradas Lenine e Estaline, e que deu origem ao primeiro estado socialista de ditadura do proletariado no mundo e o primeiro grande passo para a eliminação global das sociedades baseadas na dominação de classe, violência, opressão e exploração.


A Primeira Guerra Mundial foi um enorme massacre que durou mais de quatro anos. Embora as estimativas difiram, o número total de mortes, militares e civis, deve ter sido de cerca de 20 milhões (!). As potências imperialistas em confronto eram quase todas Europeias, os chamados "países ocidentais civilizados" como a Inglaterra, a França, a Rússia czarista e, mais tarde os EUA, de um lado; e a Alemanha, o Império Austro-Húngaro e o Império Otomano, do outro lado. As décadas que antecederam a guerra foram marcadas por um grande desenvolvimento do capitalismo e principalmente por seu avanço em direção a sua fase imperialista e monopolista. Claro, porque o imperialismo significa necessariamente guerra, tudo isso também significava que o armamento também tinha conhecido enormes avanços, tinha-se tornado mais devastador, com consequências mais mortais para os povos trabalhadores.


O imperialismo confirmou o pleno poder de sua primeira máquina de guerra moderna. Mas a descrição do horror que afectou o proletariado, os trabalhadores e outras classes exploradas e oprimidas da Europa no início do século XX viria a ser assustadoramente comum nas décadas seguintes, até aos dias de hoje e sempre, no futuro, enquanto o sistema capitalista-imperialista mundial dominado pela classe burguesa global existir.


Como já mencionado, a eclosão da Primeira Guerra Mundial teve um impacto profundo sobre o movimento operário. Por exemplo, com a traição social-chauvinista da Segunda Internacional anti-socialista, com a luta contra a oportunista e pró-Kautkyista, centrista-reconciliacionista "2 e ½ Internacional", com a subsequente formação da gloriosa III Internacional Leninista-Estalinista, e também porque ela contribuiu para a criação de condições políticas, sociais e históricas que levaram à Revolução de Outubro de 1917. Essa sequência de eventos não foi por acaso. Foi coerente e estava intrinsecamente ligada com a característica mais importante do período histórico do imperialismo - ser a véspera da revolução socialista mundial.


É no trabalho do camarada Lenine, em particular na análise do imperialismo e do processo de partilha de mundo "entre trusts capitalistas" que a imensa tragédia da Primeira Guerra Mundial encontra elementos-chave da compreensão. O camarada Lenine definiu o imperialismo, quando este já estava no fase de agressão e ocupação militar de territórios e através da análise do "grau de concentração global de capital e da produção".


Foi Lenine e o setor mais consistente do movimento dos trabalhadores ligados aos bolchevistas - que produziram uma análise mais profunda e consequente para explicar a Grande Guerra e toda a sua "barbárie civilizada". Vendo além dos meros pretextos e aparências daquela época, o camarada Lenine dá uma lição de aplicação dos conceitos teóricos fundamentais do marxismo com a realidade do seu tempo, e usa essas ferramentas teóricas para explicar o que os outros têm descrito como o "sonambulismo", das maiores potências Europeias marchando inexoravelmente para o grande conflito de 1914-18. Longe de estar dormindo, já em 1912, dois anos antes de a guerra estourou, o Congresso de Basiléia da Internacional Socialista (então ainda ligada ao movimento operário) advertiu contra o perigo real da eclosão da guerra imperialista e apelou à luta contra essa catástrofe.


Foi também durante a guerra (1916) que o camarada Lenine escreveu seu clássico trabalho "O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo", que sistematiza a análise que permite compreender a verdadeira essência dos eventos que foram então vividos. Para Lenine, a guerra era inseparável do capitalismo na sua fase imperialista. Com palavras intemporais, Lenine escreveu:


O imperialismo é o grau superior de desenvolvimento do capitalismo, atingido apenas no século XX. O capitalismo passou a sentir-se apertado nos velhos Estados nacionais, sem cuja formação ele não teria podido derrubar o feudalismo. O capitalismo desenvolveu de tal modo a concentração que ramos inteiros da indústria foram açambarcados pelos consórcios, trusts e associações de capitalistas milionários, e quase todo o globo terrestre está dividido entre esses “senhores do capital”, sob a forma de colónias ou enredando países estrangeiros com os milhares de fios da exploração financeira." (Lenin, Socialismo e Guerra, 1915, traduzido da edição em Inglês)


Mas Lenine chamou a atenção para o facto de que esta tendência para a expansão conduzirá inevitavelmente a conflitos entre as potências imperialistas, especialmente porque "a desigualdade do desenvolvimento capitalista é uma lei absoluta do capitalismo". Isto pode ser aplicado à situação da Alemanha, que tinha chegado muito tarde á unificação nacional e foi deixada para trás em termos de colonização. No entanto, era a potência imperialista que na época experimentava o desenvolvimento mais intenso em termos económicos, e exigiu o seu próprio "lugar merecido" entre as grandes potências imperialistas. A natureza das guerras imperialistas reside no facto de que o mundo já estava completamente distribuído entre grandes potências imperialistas em busca por recursos, mão-de-obra e colónias que lhes garantam lucro máximo – o objectivo final de todos os tipos de imperialismo. Naturalmente, esta pretensão da classe burguesa imperialista Alemã foi negada pelas antigas potências imperialistas, especialmente por Grã-Bretanha e França. Por isso, era inevitável que, desde então, cada redistribuição do mundo significa inevitavelmente guerra imperialista em última consequência.


Referindo-se á ideia - já então agitada por alguns - para criar um "Estados Unidos da Europa", Lenine disse:


Os Estados Unidos da Europa, no capitalismo, equivalem ao acordo sobre a partilha das colónias. Mas no capitalismo é impossível outra base, outro princípio de partilha que não seja a força. O multimilionário não pode partilhar o «rendimento nacional» de um país capitalista com quem quer que seja, a não ser numa proporção «segundo o capital» (acrescentando ainda por cima que o capital maior deve receber mais do que lhe cabe). O capitalismo é a propriedade privada dos meios de produção e a anarquia da produção. Preconizar a «justa» partilha do rendimento nesta base é proudhonismo, estupidez de pequeno burguês e filisteu. Não se pode partilhar de outra maneira que não seja «segundo a força». E a força muda no curso do desenvolvimento económico. Depois de 1871, a Alemanha fortaleceu-se umas 3-4 vezes mais rapidamente do que a Inglaterra e a França, o Japão umas 10 vezes mais rapidamente que a Rússia. Para comprovar a verdadeira força do Estado capitalista, não há nem pode haver outro meio que não seja a guerra. A guerra não está em contradição com as bases da propriedade privada, mas é um desenvolvimento directo e inevitável destas bases. No capitalismo é impossível o crescimento uniforme do desenvolvimento económico das diferentes economias e dos diferentes Estados. No capitalismo são impossíveis outros meios de restabelecimento de tempos a tempos do equilíbrio alterado que não sejam as crises na indústria e as guerras na política.” (Lenin, Sobre a Palavra de Ordem dos Estados Unidos da Europa, 1915, edição em Português)


Estes foram os motivos que levaram a um grande conflito armado em 1914-1918. Isso não quer dizer que, então como agora, a busca de pretextos para justificar guerras sejam menos hipócritas. Lenine escreveu que:


(…) a mistificação mais comum do povo pela burguesia na presente guerra é o encobrimento dos seus objectivos de pilhagem com a ideologia da “libertação nacional”. Os ingleses prometem a liberdade à Bélgica, os alemães à Polónia, etc. Na realidade, como vimos, esta é uma guerra entre os opressores da maioria das nações do mundo pelo reforço e o alargamento dessa opressão.” (Lenin, Socialismo e Guerra, 1915, traduzido da edição em Inglês)


Em outras palavras, a 1ª Guerra Mundial era uma disputa entre dois grupos de bandidos imperialistas de combate para ver quem deles teria o "direito" de realizar lucros máximos.


Apesar da clara oposição à guerra entre os trabalhadores da Europa e, apesar de que os sindicatos revolucionários e os partidos operários no momento constituíram um poderoso movimento de massas, que foram associados com milhões de trabalhadores, especialmente em grandes concentrações industriais (cujo papel foi vital, mesmo para a condução da guerra), a eclosão da Primeira Guerra Mundial, revelou a cara feia da traição reformista e oportunista social-chauvinista. Na maioria dos países, os partidos social-democratas colocaram-se ao lado de seus governos capitalistas-imperialistas burgueses votando os créditos de guerra. Lenine escreveu:


Os socialistas de todo o mundo declararam solenemente em 1912 em Basileia que consideravam a futura guerra europeia como uma empresa “criminosa” e reaccionaríssima de todos os governos, que devia acelerar a derrocada do capitalismo, gerando inevitavelmente a revolução contra ele. Começou a guerra, começou a crise. Em vez da táctica revolucionária, a maioria dos partidos sociais-democratas aplicaram uma táctica reaccionária, colocando-se ao lado dos seus governos e da sua burguesia. Esta traição ao socialismo significa a falência da II Internacional (1889-1914).” (Lenin, Socialismo e Guerra, 1915, traduzido da edição em Inglês)


Essa traição foi contestada por alguns partidos (especialmente por parte do Partido Social-Democrata Operário Russo do camarada Lenine) e por alguns elementos minoritários de esquerda radicais dos principais partidos social-democratas (como Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo no Partido Social-Democrata Alemão, que se recusaram a votar os créditos de guerra e pagaram com a sua prisão a luta anti-guerra). Foi esta batalha contra a guerra imperialista que fortificada, alguns anos mais tarde e já sob enorme influência da Revolução de Outubro de 1917, o movimento comunista internacional. Analisando as causas desta situação, Lenine escreveu:


"Durante todo o período da Segunda Internacional, uma luta estava acontecendo em todos os lugares dentro dos partidos social-democratas entre as alas revolucionárias e as alas oportunistas. Numa série de países, houve uma divisão ao longo desta linha (Inglaterra, Itália, Holanda, Bulgária). Não havia dúvida na mente de qualquer Marxista que o oportunismo expressa uma política burguesa no interior do movimento operário, que expressa os interesses da pequena burguesia e da aliança de uma secção insignificante de trabalhadores com "a sua própria" burguesia contra os interesses da massa de proletários, a massa dos oprimidos. As condições objectivas no final do século XIX eram tais que eles fortaleceram oportunismo, transformando a utilização das possibilidades legais burguesas em adoração servil do legalismo, criando uma fina camada de burocracia e aristocracia da classe operária, atraindo para as fileiras da social festas-democratas muitos "companheiros de viagem" pequeno-burgueses. A guerra acelerou o desenvolvimento, transformando o oportunismo em social-chauvinismo, transformando a aliança secreta dos oportunistas com a burguesia numa aliança aberta. Além disso, as autoridades militares decretaram por toda a parte a lei marcial e a mordaça para a massa operária, cujos velhos chefes se passaram, quase sem excepção, para a burguesia." (Lenin, Socialismo e Guerra, 1915, traduzido da edição em Inglês)


Correctamente, os bolcheviques tomaram posição contra a guerra e lutaram para a derrubada revolucionária do feudal-imperialismo czarista em primeiro lugar, estourando a cadeia do sistema imperialista mundial no seu elo mais fraco. Lenine mostrou que é a lei da desigualdade do desenvolvimento do capitalismo que dá origem a guerras imperialistas, que minam a força do imperialismo e tornam possível quebrar a frente do imperialismo em seu ponto mais fraco. Em seguida, eles foram para a destruição do governo burguês que continuou a guerra depois da derrubada do czarismo na Revolução de Fevereiro de 1917. A história tem mostrado claramente que a perspectiva revolucionária não era uma posição aventureira, mas uma avaliação correcta da principal condição objectiva de a guerra - a crise agravante de fora e dentro dos países. A partir desta crise, assassinatos e destruições através da guerra emanaram a crescente demanda das pessoas que queriam trazer o fim da guerra e que lutou pela paz contra os governos imperialistas. A vitória da Revolução de Outubro de 1917, confirmou o acerto dessa orientação e avaliação da correlação de forças criadas. O impacto da primeira construção do socialismo na história da humanidade torna esta conclusão inevitável.


Mas com o fim da guerra, as sementes de futuras crises começaram a surgir. Sob o impacto directo da Revolução de Outubro, a crise revolucionária provocada pela guerra chegou em Novembro de 1918 ao principal membro das Potências Centrais: Alemanha. No dia 5 de Novembro, a revolta dos marinheiros da marinha Alemã em Kiel começou, conselhos revolucionários de trabalhadores e soldados levantaram a bandeira vermelha em várias cidades Alemãs. No dia 9 de Novembro, em Berlim, os trabalhadores marcharam até ao quartel, desarmaram os militares e confraternizaram com os soldados - ou seja, sob a liderança do Spartacusbund de Berlim. A república Alemã foi proclamada - no entanto, foi burguesa e não proletária. O Kaiser é forçado a abdicar e, no dia 11 de Novembro, o armistício é assinado. Também na Alemanha, as classes trabalhadoras entraram em cena como protagonistas da história, colocando um fim à guerra. Mas a revolução Alemã seria esmagada pela violência anti-comunista e terror - de que os traidores social-fascistas do SPD estavam entre os principais promotores. Foi neste contexto que, também na Alemanha, o "meio ambiente" foi criado para o surgimento da forma nazi-fascista da ditadura burguesa, que, com a promoção indispensável e patrocínio dos imperialistas Alemães e mundiais, teria submergido o mundo numa segunda guerra global ainda mais mortal do que a Primeira Guerra Mundial.


Na nossa linha-geral, nota-se que é a classe burguesa em si que promove a união e acção revolucionária através da sua imposição da guerra e do fascismo:


Quanto mais o proletariado e o campesinato pobre de todos os países são suprimidos simultaneamente através do militarismo e do fascismo, maior será a luta de resistência não apenas em termos domésticos mas também em termos globais. É a burguesia mundial que faz surgir involuntariamente as forças contra as guerras imperialistas, contra a reacção e o fascismo. Isto ajuda-nos a nós, comunistas, a mobilizar e a organizar as forças de paz sob a liderança do proletariado mundial.” [Linha-Geral do Comintern (EH), Guerra imperialista e Revolução Mundial, edição em Português]


De facto, durante a Primeira Guerra Mundial, os Bolcheviques Russos com os camaradas Lenine e Estaline á cabeça conduziram com sucesso os trabalhadores Russos e transformaram a Rússia - que se tornaria mais tarde União Soviética - no centro da revolução mundial na época, capaz de revogar até mesmo a agressão lançada pelos capitalistas-imperialistas mundiais e seus lacaios Russos contra ela. Os Bolcheviques Russos transformaram isso em uma guerra civil revolucionária que os proletários, os trabalhadores e outras classes exploradas e oprimidas ganharam.


Hoje, um século após a 1ª Guerra Mundial, nós, Estalinistas-Hoxhaists, devemos ser uma eficiente vanguarda do proletariado mundial na prevenção de uma nova guerra imperialista mundial através de realização da revolução socialista mundial, a ditadura do proletariado mundial, o socialismo eo comunismo mundial mundo sempre aplicar fielmente os ensinamentos do Marxismo-Leninismo-Estalinismo-Hoxhaismo. No entanto, se não somos capazes de fazer isso, então nós temos que realizar a transformação da guerra imperialista mundial em guerra civil revolucionária mundial para a aniquilação total e definitiva do sistema globalizado escravizante burguês-capitalista-imperialista.


As guerras imperialistas emanam inevitavelmente do imperialismo. E as revoluções proletárias internacionais emana inevitavelmente das guerras imperialistas. Assim, com o 1 de Agosto de 1914, a revolução mundial emanou em 1917 a vitória da Revolução de Outubro. Foi também neste contexto que ocorreu o início da difusão da Revolução de Outubro da Rússia para todo o mundo. A Revolução de Outubro abriu o caminho para o estabelecimento da ditadura do proletariado e para a criação do campo socialista mundial. O carácter internacional e significado da Revolução de Outubro e as tácticas anti-guerra dos bolcheviques ainda são válidas para nós hoje:


"Os bolcheviques não eram meros pacifistas que suspiravam pela paz e se limitaram à propaganda de paz, como a maioria dos sociais-democratas de esquerda fez. Os bolcheviques defendiam uma luta revolucionária activa para a paz, a ponto de derrubar a dominação da burguesia imperialista belicoso. Os bolcheviques ligavam a causa da paz com a causa da vitória da revolução proletária, sustentando que a melhor forma de acabar com a guerra e garantir uma paz justa, uma paz sem anexações e indenizações, era derrubar o domínio da burguesia imperialista. Em oposição à renúncia mencheviques e socialistas-revolucionários da revolução e seu slogan traiçoeiro de preservar a "paz civil", em tempo de guerra, os bolcheviques avançaram o slogan de "converter a guerra imperialista em guerra civil." (Estaline, History of the Communist Party of the Soviet Union (Bolsheviks), Theory and Tactics of the Bolshevist Party on the Question of War, Peace and Revolution, 1938, traduzido da edição em Inglês)


Só a completa destruição do imperialismo mundial é absolutamente pré-condição para a abolição da inevitabilidade das guerras imperialistas. A nossa actual da luta de classes, a nossa guerra contra as guerras imperialistas, significar a luta pela vitória da revolução socialista mundial e o estabelecimento do socialismo mundial através da ditadura do proletariado mundial como a única garantia para a abolição da inevitabilidade das guerras imperialistas.


" O Estalinismo-Hoxhaismo – no que respeita á questão da guerra e da revolução – é a teoria e a táctica Marxista-Leninista da vitória sobre as guerras imperialistas através da revolução proletária mundial sob as condições da globalização, em geral; e é a teoria e a táctica do armamento e da defesa militar mundial da ditadura do proletariado mundial, em particular; e é – por fim – a teoria e a táctica da transição para a sociedade sem armas, pacífica e sem classes á escala global – o comunismo mundial.


O Estalinismo-Hoxhaismo é a doutrina da libertação das guerras do imperialismo mundial, é a doutrina da abolição da inevitabilidade da guerra imperialista mundial, é a doutrina da guerra de classes proletária mundial pela libertação final do domínio violento da burguesia mundial, é a doutrina da vitória do socialismo sobre a guerra imperialista á escala global, é a doutrina da protecção militar do domínio global do proletariado.” [Linha-Geral do Comintern (EH), Guerra imperialista e Revolução Mundial, edição em Português]


A vitória da revolução socialista mundial e o estabelecimento da ditadura do proletariado mundial - esta é a única forma de abolir a inevitabilidade das guerras imperialistas. Esta é a principal lição da Primeira Guerra Mundial. Como o camarada Enver Hoxha correctamente observou:


"... de que só poderá haver garantia absoluta de cessação das guerras quando o socialismo tiver triunfado em todo o mundo ou, pelo menos, em vários dos grandes países imperialistas.” (Enver Hoxha, Discurso Proferido na Conferência dos 81 Partidos Comunistas e dos Trabalhadores em Moscovo em 16 de Novembro de 1960, edições Bandeira Vermelha, 1976, edição em Português)




Classes exploradas e oprimidas do mundo – unam-se sob a liderança centralizada do Comintern (EH)!


Reforçem o espírito do internacionalismo proletário: os trabalhadores não atiram sobre trabalhadores, os povos não atiram sobre povos!


Unam-se sob a liderança do proletariado mundial na luta contra o início das guerras imperialistas e durante as guerras imperialistas pelo seu fim!


Votem contra os créditos de guerra!


Formem organizações revolucionárias ilegais nas forças armadas!


Apoiem a confraternização entre os soldados na frente, e a confraternização entre os povos á escala global!


Organizem acções globais revolucionárias dos trabalhadores e camponeses contra a guerra!


Virem as armas contra a própria burguesia em todos os países imperialistas!


Virem as armas contra a burguesia compradora nos países oprimidos que são lacaios da guerra imperialista!


Unam a luta anti-guerra do proletariado mundial com a luta de libertação dos povos oprimidos e explorados para a derrubada do inimigo comum - o imperialismo mundial!


Libertem os povos da escravidão capitalista, libertem as colónias e os países dependentes do jugo do imperialismo!


Convertam a guerra imperialista em guerra civil!


Guerra contra a guerra imperialista significa fazer a guerra do exército vermelho proletário mundial contra todos os exércitos imperialistas do mundo!


Liguem a causa da paz do mundo com a causa da vitória da revolução proletária mundial!


Para eliminar a inevitabilidade da guerra, é necessário derrubar o domínio da burguesia imperialista, tanto a do próprio país como á escala global!


Os neo-revisionistas são inimigos da revolução socialista mundial - eles são, portanto, contra o único meio de abolição das guerras imperialistas!


Abolir as guerras imperialistas significa abolir o sistema imperialista mundial!


Só o socialismo mundial garante a abolição da inevitabilidade das guerras imperialistas!

Morte ao sistema burguês-capitalista-imperialista que submerge o mundo em sangue para o máximo de lucros!


Abaixo todos os tipos de revisionismo, neo-revisionismo e anti-comunismo!


Abaixo todos os tipos de guerra, o fascismo, o capitalismo, o imperialismo, o colonialismo, exploração e opressão!


Vivam os 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo: Marx, Engels, Lenine, Estaline e Enver Hoxha!


Viva a revolução socialista proletária armada mundial!


Viva a ditadura do proletariado em todo o mundo!


Viva o socialismo mundial e o comunismo mundial!


Viva o Comintern (EH), a única organização verdadeiramente comunista no mundo, o único partido global de vanguarda do proletariado mundial!


 

 

 

A Inevitabilidade das Guerras Entre os Países Capitalistas

 

Alguns camaradas afirmam que devido ao desenvolvimento das novas condições internacionais, após a segunda guerra mundial, as guerras entre os países capitalistas deixaram de ser inevitáveis. Consideram que as contradições entre os campos do socialismo e do capitalismo são mais fortes do que as contradições entre os países capitalistas; que os Estados Unidos já dominam suficientemente os outros países capitalistas, para impedi-los de guerrear-se entre si e de enfraquecer-se mutuamente; que os homens avançados do capitalismo já estão bem instruídos pela experiência de duas guerras mundiais — guerras que causaram sérios prejuízos a todo o mundo capitalista — para outra vez permitirem que os países capitalistas sejam arrastados a uma guerra entre si e que, em vista de tudo isto, as guerras entre os países capitalistas deixaram de ser inevitáveis.

Estes camaradas estão errados. Eles vêem os fenômenos externos, que aparecem na superfície, mas não vêem as forças profundas que, embora no momento atuem imperceptivelmente, irão determinar a marcha dos acontecimentos.

Externamente parece que tudo "vai bem": os Estados Unidos puseram no regime de tutela a Europa Ocidental, o Japão e outros países capitalistas. A Alemanha (Ocidental), a Inglaterra, a França, a Itália, o Japão, nas garras dos Estados Unidos, executam obedientemente as suas ordens. Mas seria um erro supor que este "bem-estar" possa conservar-se "eternamente", que estes países suportarão para sempre a dominação e o jugo dos Estados Unidos e que não tentarão livrar-se do cativeiro americano e tomar o caminho do desenvolvimento independente.

Vejamos, antes de tudo, a Inglaterra e a França. Sem dúvida, estes países são imperialistas. Sem dúvida, a matéria-prima barata e os mercados de escoamento garantidos têm para eles uma importância de primeira ordem. Será lícito supor que esses países suportarão indefinidamente a situação atual, em que os americanos, a pretexto da "ajuda do plano Marshall", penetram na economia da Inglaterra e da França, tentando convertê-las em apêndices da economia dos Estados Unidos; em que o capital americano se apodera das matérias-primas e dos mercados de exportação coloniais anglo-franceses, preparando assim uma catástrofe para os altos lucros dos capitalistas anglo-franceses? Não seria mais certo dizer que a Inglaterra capitalista, e com ela a França capitalista, serão por fim obrigadas a escapar dos braços dos Estados Unidos e a entrar em conflito com estes a fim de garantirem uma situação independente e, naturalmente, altos lucros?

Passemos aos principais países vencidos: a Alemanha (Ocidental) e o Japão. Estes países levam hoje uma existência lastimável, sob a bota do imperialismo americano. Sua indústria e sua agricultura, seu comércio, sua política interna e externa, toda a sua vida está acorrentada pelo "regime" de ocupação americano. Mas estes países ainda ontem eram grandes potências imperialistas, que abalavam as bases do domínio da Inglaterra, dos Estados Unidos, da França, na Europa e na Ásia. Pensar que estes países não tentarão pôr-se novamente de pé, destruir o "regime" dos Estados Unidos e enveredar pelo caminho do desenvolvimento independente — significa acreditar em milagres.

Diz-se que as contradições entre o capitalismo e o socialismo são mais fortes do que as contradições entre os países capitalistas. Teoricamente isso, sem dúvida, é verdade. Isso é certo não somente agora, no momento atual, como também o era antes da segunda guerra mundial. Os dirigentes dos países capitalistas compreendiam isso, mais ou menos bem. Mas, apesar de tudo, a segunda guerra mundial foi iniciada não contra a URSS, mas com a guerra entre os países capitalistas. Por que? Porque, em primeiro lugar, a guerra contra a URSS, país do socialismo, é mais perigosa para o capitalismo do que a guerra entre os países capitalistas, visto que se a guerra entre os países capitalistas apresenta a questão apenas da supremacia de uns países capitalistas sobre outros países capitalistas, a guerra contra a URSS apresentaria, inevitavelmente, a questão da existência do próprio capitalismo. Porque, em segundo lugar, embora os capitalistas proclamem, para fins de propaganda, a agressividade da União Soviética, eles próprios não acreditam nesta agressividade, porque têm em conta a política de paz da União Soviética e sabem que a União Soviética não atacará os países capitalistas. Após a primeira guerra mundial, considerava-se também que a Alemanha havia sido definitivamente posta fora de combate, do mesmo modo como pensam atualmente alguns camaradas que o Japão e a Alemanha foram definitivamente postos fora de combate. Naquela época também se falava e se proclamava na imprensa que os Estados Unidos haviam posto a Europa no regime de tutela, que a Alemanha não poderia mais pôr-se de pé, que daí por diante não haveria mais guerra entre os países capitalistas. Apesar disso a Alemanha pôs-se de pé e elevou-se a grande potência passados 15-20 anos depois da sua derrota, libertou-se do cativeiro e tomou o caminho do desenvolvimento independente. É sintomático o fato de que a Inglaterra e os Estados Unidos tenham sido precisamente os que ajudaram a Alemanha a reerguer-se economicamente e a elevar seu potencial econômico e militar. É certo que os Estados Unidos e a Inglaterra, ajudando a Alemanha a levantar-se economicamente, tiveram em vista dirigir a Alemanha restaurada contra a União Soviética, usá-la contra o país do socialismo. A Alemanha, porém, dirigiu suas forças, em primeiro lugar, contra o bloco anglo-franco-americano. E quando a Alemanha hitlerista declarou guerra à União Soviética, o bloco anglo-franco-americano não só deixou de associar-se à Alemanha hitlerista como, pelo contrário, foi obrigada a coligar-se com a URSS, contra a Alemanha hitlerista.

Conseqüentemente, a luta dos países capitalistas pelos mercados e o desejo de esmagar os seus concorrentes mostraram-se na prática mais fortes do que as contradições entre o campo do capitalismo e o do socialismo.

Pergunta-se: que garantia pode haver de que a Alemanha e o Japão não se reerguerão novamente, que não tratarão de escapar ao cativeiro norte-americano e de viver uma vida independente? Penso que tais garantia não existem.

Daí decorre, pois, que a inevitabilidade das guerras entre os países capitalistas continua em vigor.

Diz-se que a tese de Lênin, de que o imperialismo inevitavelmente gera as guerras, deve ser considerada caduca, visto como, atualmente, desenvolveram-se poderosas forças populares que atuam em defesa da paz, contra uma nova guerra mundial. Isto não é certo.

O movimento atual pela paz tem por objetivo levantar as massas populares para a luta pela manutenção da paz, para impedir uma nova guerra mundial. Por conseguinte, não tem o objetivo de derrubar o capitalismo e estabelecer o socialismo; limita-se aos objetivos democráticos da luta pela manutenção da paz. Sob este aspecto, o atual movimento pela manutenção da paz difere do movimento realizado no período da primeira guerra mundial para transformar a guerra imperialista em guerra civil, uma vez que este último movimento ia mais além e tinha objetivos socialistas.

Pode acontecer que, dentro de certas circunstâncias, a luta pela paz se desenvolva em alguns lugares, transformando-se em luta pelo socialismo; no entanto, isto já seria, não o atual movimento pela paz, mas um movimento para a derrubada do capitalismo.

O mais provável é que o atual movimento pela paz, como movimento pela manutenção da paz, sendo bem sucedido, conseguirá evitar uma determinada guerra, adiá-la por certo tempo, manter por certo tempo uma determinada paz, afastar um governo belicista e substituí-lo por outro governo disposto a manter temporariamente a paz. Isto, naturalmente, é uma boa coisa. Uma ótima coisa, aliás. Entretanto, isso não basta para eliminar a inevitabilidade das guerras em geral, entre os países capitalistas. Não basta porque mesmo com um movimento bem sucedido em defesa da paz, o imperialismo subsiste, conserva sua força e, por conseguinte, subsiste também a inevitabilidade das guerras.

Para eliminar a inevitabilidade das guerras, é preciso destruir o imperialismo.

(Stalin)

 

 

 

 

História do Partido Comunista (Bolchevique) da URSS

Capítulo VI

— O Partido Bolchevique Durante o Período da Guerra Imperialista.

A Segunda Revolução na Rússia

( 1914 - Março de 1917 )

 

1

— Origem e causas da guerra imperialista.



A 14 (27) de julho de 1914, o governo czarista decretou a mobilização geral. A 19 de julho (1º. de agosto), a Alemanha declarou guerra à Rússia.

A Rússia entrou na guerra.

Já muito tempo antes que a guerra começasse, os bolcheviques, encabeçados por Lenin, tinham previsto que ela estalaria inevitavelmente. Nos congressos internacionais socialistas, Lenin tinha formulado propostas destinadas a traçar a linha revolucionária de conduta que os socialistas deviam adotar quando a guerra estalasse.

Lenin assinalava que a guerra era um satélite inevitável do capitalismo, a rapina de territórios estrangeiros, a apropriação e o saque das colônias, a conquista de novos mercados, tinham provocado repetidas vezes guerras de anexação dos Estados capitalistas. Para os países capitalistas, a guerra é um fenômeno tão natural e tão legítimo como a exploração da classe operária.

As guerras fizeram-se ainda mais inevitáveis em fins do Século XIX e começos do XX, ao passar o capitalismo, definitivamente, para a fase culminante e última de seu desenvolvimento: o imperialismo. Sob o imperialismo, os potentes agrupamentos (monopólios) dos capitalistas e dos bancos adquiriram uma importância decisiva na vida dos Estados capitalistas. O capital financeiro se converteu no amo dos Estados capitalistas. E o capital financeiro exigia novos mercados, a anexação de novas colônias, novas bases para a exportação de capitais e novas fontes de matérias-primas.

Mas, nos fins do Século XIX, todo o território do planeta se achava já repartido entre os Estados capitalistas. Pois bem, na época imperialista, o capitalismo se desenvolve de um modo extraordinariamente desigual e em saltos: países que antes apareciam em primeiro lugar, vêem arrefecer o ritmo relativo de desenvolvimento de sua indústria, enquanto outros, que antes eram países atrasados, dão um rápido salto, os alcançam e ultrapassam. A correlação entre as forças econômicas e militares dos Estados imperialistas tinha mudado. Manifestava-se a aspiração de proceder a uma nova partilha do mundo. A luta por uma nova partilha do mundo tinha que provocar, inevitavelmente, a guerra imperialista. A guerra de 1914 foi uma guerra por uma nova divisão do mundo e das zonas de influência. Esta guerra tinha sido longamente preparada pelos Estados imperialistas. Os imperialistas de todos os países foram culpados dela.

A guerra tinha sido preparada, em particular, pela Alemanha e a Áustria, de um lado, e de outro, pela França, a Inglaterra e a Rússia, coagida por elas. Em 1907 se havia constituído a Tríplice Entente, — aliança entre a Inglaterra, a França e a Rússia. Outra aliança imperialista existia entre a Alemanha, a Áustria-Hungria e a Itália. Mas, ao estalar a guerra de 1914, a Itália saiu desta aliança, e mais tarde aderiu à Entente. A Alemanha e a Áustria-Hungria contavam com o apoio da Bulgária e da Turquia.

A Alemanha se preparava para a guerra imperialista, ambicionando despojar a Inglaterra e a França de suas colônias, e a Rússia, da Ucrânia, Polônia e territórios do Báltico. Com a construção da estrada de ferro de Bagdá, a Alemanha ameaçava a dominação da Inglaterra no Oriente Próximo. A Inglaterra via com temor o incremento dos armamentos navais da Alemanha.

A Rússia czarista aspirava à divisão da Turquia e sonhava conquistar os estreitos que unem o Mar Negro ao Mediterrâneo (os Dardanelos) e anexar Constantinopla. Entrava também nos planos do governo czarista a anexação de Galitzia, que fazia parte da Austria-Hungria.

A Inglaterra aspirava esmagar por meio da guerra sua perigosa competidora, a Alemanha, cujas mercadorias iam desalojando cada vez mais os produtos ingleses do mercado mundial de antes da guerra. Além disso, acalentava o propósito de tirar à Turquia a Mesopotâmia e a Palestina e de se estabelecer solidamente no Egito.

Os capitalistas franceses aspiravam arrebatar à Alemanha a bacia do Sarre, rica em carvão e ferro, e as províncias de Alsácia-Lorena, das quais a Alemanha tinha despojado a França na guerra de 1870-1871.

Foram, pois, as formidáveis contradições existentes entre os dois grupos de Estados capitalistas que trouxeram a guerra imperialista.

Esta guerra de rapina, na qual se ventilava a repartição do mundo, afetava os interesses de todos os países imperialistas, razão por que se viam arrastados a ela, no transcurso de seu desenvolvimento, o Japão, os Estados Unidos e outra série de países.

A guerra adquiriu caráter mundial.

A burguesia tinha preparado a guerra imperialista, mantendo seus preparativos no mais profundo segredo, para que deles não ficassem inteirados os povos. Quando a guerra estalou, todos os governos imperialistas se esforçaram por demonstrar que não eram eles os que itacavam os países vizinhos, senão que eram vítimas da agressão destes. A burguesia enganava o povo, ocultando os verdadeiros fins da guerra, seu caráter imperialista, de anexação. Todos os governos imperialistas declararam que faziam a guerra em defesa da pátria.

Os oportunistas da Segunda Internacional ajudaram a burguesia a enganar o povo. Os social-democratas da Segunda Internacional traíram vilmente a causa do socialismo, a causa da solidariedade internacional do proletariado. Longe de se levantarem contra a guerra, o que fizeram foi ajudar a burguesia a lançar os operários e os camponeses dos Estados beligerantes uns contra os outros, sob a bandeira da defesa da pátria.

O fato da Rússia entrar na guerra imperialista, ao lado da Entente, da França e da Inglaterra, tinha sua razão de ser. Não se perca de vista que antes de 1914 os ramos mais importantes da indústria russa se achavam em mãos do capital estrangeiro, e principalmente do capital francês, inglês e belga, isto é, dos países da Entente. As fábricas metalúrgicas mais importantes da Rússia eram propriedade de capitalistas franceses. Quase três quartas partes da metalurgia russa (72 por cento) dependiam do capital estrangeiro. Outro tanto ocorria com a produção do carvão de pedra na bacia do Donetz. A metade, aproximadamente, da extração de petróleo achava-se em mãos do capital anglo-francês. Uma parte considerável dos lucros da indústria russa ia parar nos bancos estrangeiros, e principalmente nos da Inglaterra e França. Todas estas razões, às quais é preciso juntar os empréstimos de milhares de milhões feitos pelo czar na França e na Inglaterra, prendiam o czarismo ao imperialismo anglo-francês e convertiam a Rússia em tributária destes países, em uma semicolônia sua.

A burguesia russa esperava que, lançando-se à guerra, melhoraria de situação, conquistaria novos mercados, se enriqueceria com os pedidos e os fornecimentos de guerra, e ao mesmo tempo poderia, valendo-se da situação criada pela guerra, esmagar o movimento revolucionário.

A Rússia czarista entrou na guerra sem estar preparada para ela. A indústria russa achava-se muito atrasada em relação à dos outros países capitalistas. Predominavam nela as velhas fábricas com uma instalação já muito gasta. A agricultura russa com um regime semifeudal de propriedade da terra e de massas de camponeses reduzidos à mais extrema miséria, não podia oferecer uma base econômica para manter uma guerra longa.

O czar tinha seu principal apoio nos latifundiários feudais. Os grandes latifundiários das centúrias negras, coligados aos grandes capitalistas, eram os senhores do país e da Duma. Estes elementos apoiavam em bloco a política interior e exterior do governo czarista. A burguesia imperialista russa tinha todas as suas esperanças postas na autocracia czarista, no punho de ferro que lhe podia assegurar a conquista de novos mercados e de novos territórios, e além disso esmagar o movimento revolucionário dos operários e camponeses.

O Partido da burguesia liberal — os kadetes — se fazia passar por um partido de oposição, mas apoiava sem reservas a política exterior do governo czarista.

Os partidos pequeno-burgueses, social-revolucionário e menehevique, encobrindo sua conduta com a bandeira do socialismo, ajudaram a burguesia, desde o primeiro momento da guerra, a enganar o povo, a ocultar o caráter imperialista e rapace da guerra. Pregavam a necessidade de defender a "pátria" burguesa contra os "bárbaros prussianos", e apoiavam a política de "paz interior", e deste modo ajudavam o governo do czar a fazer a guerra, exatamente da mesma forma que os social-democratas alemães ajudavam o governo do kaiser a guerrear contra os "bárbaros russos".

O Partido bolchevique foi o único que permaneceu fiel à grande bandeira do internacionalismo revolucionário, mantendo-se firme nas posições marxistas e lutando resolutamente contra a autocracia czarista, contra os capitalistas e latifundiários e contra a guerra imperialista. O Partido bolchevique manteve, desde os primeiros dias de guerra, o ponto de vista de que esta não se havia desencadeado para defender a pátria, senão para se apoderar de territórios estrangeiros, para saquear outros povos no interesse dos latifundiários e capitalistas, e que os operários deviam adotar em relação a ela uma atitude de luta decidida.

A classe operária apoiava o Partido bolchevique. É certo que as fumaças patriótico-burguesas, que no começo da guerra embriagaram os intelectuais e o setor dos kulaks, contaminaram também uma parte dos operários. Mas foram principalmente, contaminados os que se encontravam entre a malandragem da "União do Povo Russo" e um setor dos operários influenciado ideologicamente pelos social-revolucionários e os mencheviques. Estes elementos não refletiam nem podiam refletir, naturalmente, o estado de espírito da classe operária. Eram os elementos que desfilavam nas manifestações chovinistas da burguesia, organizadas pelo governo czarista nos primeiros dias de guerra.



2


— Os Partidos da Segunda Internacional passaram para o lado de seus governos imperialistas.


— A Segunda Internacional se decompõe numa série de partidos social-chovinistas isolados.



Lenin repetidas vezes havia lançado o brado de alerta contra o. oportunismo da Segunda Internacional e a falta de firmeza de seus chefes. Havia afirmado sempre que os chefes da Segunda Internacional só de palavra eram contrários à guerra e que no caso da guerra estalar desertariam certamente de suas posições e passariam para o lado da burguesia imperialista, converter-se-iam com toda a certeza em defensores da guerra. O prognóstico de Lenin se confirmou desde os primeiros dias de guerra.

Em 1910, no Congresso celebrado pela Segunda Internacional em Copenhague, se havia tomado uma resolução que obrigava os socialistas a votar nos parlamentos contra os créditos de guerra. O Congresso mundial da Segunda Internacional celebrado em Basiléia, em 1912, durante a guerra dos Bálcans, declarou que os operários de todos os países consideravam um crime atirar uns contra os outros para aumentar os lucros dos capitalistas. Tal era a posição que se adotava, de palavra, nas resoluções dos Congressos.

Mas quando começaram a troar os canhões da guerra imperialista e se apresentou a necessidade de levar à prática aquelas resoluções, os chefes da Segunda Internacional se revelaram como traidores do proletariado e servidores da burguesia, passando para o campo dos defensores da guerra.

A 4 de agosto de 1914, a social-democracia alemã votou no parlamento os créditos de guerra, votou a favor da guerra imperialista. E exatamente o mesmo fizeram, em sua esmagadora maioria, os socialistas da França, da Inglaterra, da Bélgica e dos demais países.

A Segunda Internacional havia deixado de existir. Decompôs-se de fato numa série de partidos social-chovinistas isolados que faziam a guerra uns contra os outros.

Os chefes dos partidos socialistas, traindo o proletariado, passaram para a posição do social-chovinismo e abraçaram a defesa da burguesia imperialista. Ajudaram os governos imperialistas a enganar a classe operária e a inocular-lhe o veneno do nacionalismo. Sob a bandeira da defesa da pátria, estes social-traidores começaram a atiçar os operários alemães contra os franceses e os operários franceses e ingleses contra os alemães. Só uma minoria insignificante de homens dentro da Segunda Internacional se manteve na posição internacionalista, marchando contra a corrente, sem uma convicção muito firme e de um modo bastante vago, é certo, mas, apesar de tudo, marchando contra a corrente.

O Partido bolchevique foi o único que levantou desde o primeiro momento e sem vacilações a bandeira da luta decidida contra a guerra imperialista. Nas teses sobre a guerra, redigidas por Lenin no outono de 1914, se assinalava que o fracasso da Segunda Internacional não era por acaso. A Segunda Internacional, dizia Lenin, foram os oportunistas que a puseram a pique. E contra eles fazia já muito tempo que os melhores representantes do proletariado revolucionário se vinham pondo em guarda.

Os partidos da Segunda Internacional estavam contagiados de oportunismo, já antes da guerra. Os oportunistas pregavam abertamente a renúncia à luta revolucionária, a teoria da "evolução pacífica do capitalismo para o socialismo". A Segunda Internacional não queria lutar contra o oportunismo, era partidária de viver em paz com ele e o deixava fortalecer-se. E seguindo a política de conciliação com o oportunismo, acabou por se converter ela também em oportunista.

À custa dos lucros que arrancava das colônias e da exploração de que eram vítimas os países atrasados, a burguesia imperialista, mediante uma política de salários elevados e outras remunerações, corrompia sistematicamente uma minoria escolhida de operários qualificados, a chamada aristocracia operária. Deste reduzido setor operário saíam muitos dos dirigentes dos sindicatos e das cooperativas, muitos dos deputados e conselheiros, muitos dos redatores da Imprensa e dos funcionários das organizações social-democratas. Ao estalar a guerra, estas pessoas, receiosas de perderem sua posição privilegiada, fizeram-se inimigos da revolução, convertendo-se nos defensores mais raivosos de sua burguesia e de seus governos imperialistas.

De oportunistas se converteram em social-chovinistas.

Os social-chovinistas — incluindo entre eles os mencheviques e social-revolucionários russos — pregavam a paz de classes entre os operários e a burguesia dentro do país, e a guerra com os outros povos no exterior. Enganavam as massas acerca dos verdadeiros responsáveis da guerra, fazendo-as acreditar que a burguesia de seu próprio país estava livre de toda a culpa. Muitos social-chovinistas passaram a ser ministros dos governos imperialistas de seus países.

Não menos perigosa para a causa do proletariado era a posição dos social-chovinistas encobertos, dos chamados centristas. Os centristas — Kautski, Trotsky, Martov e outros — defendiam e justificavam os social-chovinistas declarados e, portanto, traíam em ligação com estes, o proletariado, encobrindo sua traição com frases "esquerdistas", a respeito da luta contra a guerra, frases destinadas a enganar a classe operária. De fato, os centristas apoiavam a guerra, pois não equivalia a outra coisa sua proposta de não votarem contra os créditos de guerra, limitando-se a se absterem desta votação. Também eles, tanto quanto os social-chauvinistas, exigiam que se renunciasse à luta de classes enquanto durasse a guerra, para não impedir seus governos imperialistas de prosseguirem a guerra. Em face dos problemas mais importantes da guerra e do socialismo, o czarista Trotsky se manifestava sempre contra Lenin, contra o Partido bolchevique.

Desde os primeiros dias da guerra, Lenin começou a agrupar forças para criar uma nova Internacional, a Terceira Internacional. A tarefa de fundar a Terceira Internacional para substituir a Segunda que havia fracassado tão vergonhosamente, aparece já no manifesto lançado contra a guerra, em novembro de 1914, pelo Comitê Central do Partido bolchevique.

Em fevereiro de 1915, celebrou-se em Londres uma conferência de socialistas dos países da Entente, na qual interveio, por diretiva de Lenin, o camarada Litivinov. Este exigiu que os socialistas (Vandervelde, Sembat, Guesde) saíssem de seus governos burgueses da Bélgica e da França e rompessem totalmente com os imperialistas, abandonando a colaboração com eles. E exigiu que os socialistas mantivessem uma luta decidida contra seus próprios governos imperialistas e condenassem quantos votassem a favor dos créditos de guerra. Mas a voz de Litivinov não encontrou o menor eco nesta conferência.

Em começo de setembro de 1915, se reuniu em Zimmerwald a primeira Conferência dos internacionalistas. Lenin dizia que esta Conferência tinha sido o "primeiro passo" no desenvolvimento do movimento internacional contra a guerra. Lenin formou nela o grupo de esquerda de Zimmerwald. Mas o único que, dentro da esquerda zimmerwaldiana, manteve uma posição acertada e conseqüente do princípio ao fim contra a guerra foi o Partido bolchevique, com Lenin à frente. A esquerda zimmerwaldiana editava em alemão um periódico intitulado "Vorbote" ("O Precursor"), onde se publicaram vários artigos de Lenin.

Em 1916, conseguiu-se reunir na pequena vila suíça de Kienthal a Segunda Conferência Internacionalista, que se conhece com o nome de Segunda Conferência zimmerwaldiana. Naquela ocasião, iam-se definindo grupos de internacionalistas em quase todos os países e se destacava já com traços acentuados a cisão entre os elementos internacionalistas e os social-chovinistas. E sobretudo, as próprias massas, sob a influência da guerra e das calamidades provocadas por ela, iam-se orientando para a esquerda. O manifesto de Kienthal foi o fruto de uma resolução entre os diversos grupos que se debateram na Conferência. Representava, em comparação com o manifesto de Zimmerwald, um passo à frente.

Mas também a Conferência de Kienthal não adotou as teses fundamentais da política bolchevique: transformação da guerra imperialista em guerra civil, derrota, na guerra, do governo imperialista do Próprio país e organização da Terceira Internacional. Não obstante, a Conferência de Kienthal tornou possível o afastamento dos elementos internacionalistas, que mais tarde haviam de formar a Terceira Internacional, a Internacional Comunista.

Lenin criticava os erros dos internacionalistas pouco conseqüentes dentro das fileiras dos social-democratas de esquerda, tais como Rosa Luxemburgo e Carlos Liebknecht, ao mesmo tempo que os ajudava a adotar uma posição acertada.



3


— Teoria e tática do Partido bolchevique sobre os problemas da guerra, da paz e da Revolução.



Os bolcheviques não eram simples pacifistas, enamorados da paz e que se contentassem em pregar a paz a todo o transe, como a maioria dos social-democratas de esquerda. Os bolcheviques eram partidários da luta revolucionária ativa pela paz, até chegarem à derrubada do Poder da burguesia imperialista causadora das guerras. Os bolcheviques vinculavam a causa da paz à causa do triunfo da revolução proletária, pois entendiam que o meio mais seguro para acabar com a guerra e conquistar uma paz justa, uma paz sem anexações nem indenizações, era a derrubada do Poder da burguesia imperialista.

Em face dos mencheviques e dos social-revolucionários, que renegavam a revolução, e em face da palavra de ordem traidora da manutenção da "paz interior", enquanto durasse a guerra, os bolcheviques lançaram a palavra de ordem de "transformação da guerra imperialista em guerra civil". Esta palavra de ordem significava que os trabalhadores, incluindo entre eles os operários e os camponeses armados, vestidos com o uniforme militar, deviam voltar as armas contra sua burguesia e derrubar o Poder desta, se queriam livrar-se da guerra e conseguir uma paz justa.

Em face da política dos mencheviques e dos social-revolucionários, política de defesa da pátria burguesa, os bolcheviques defendiam a política de "derrota do próprio governo, na guerra imperialista". Isto significava que era necessário votar contra os créditos de guerra, criar organizações revolucionárias clandestinas dentro do Exército, apoiar os atos de confraternização dos soldados nas frentes e organizar ações revolucionárias dos operários e camponeses contra a guerra, convertendô-as numa insurreição contra o governo imperialista de seu próprio país.

Os bolcheviques entendiam que o mal menor que a guerra imperialista poderia acarretar ao povo seria a derrota militar do governo czarista, pois esta derrota facilitaria o triunfo do povo sobre o czarismo e a luta vitoriosa da classe operária para emancipar-se da escravidão capitalista e das guerras imperialistas. Ao sustentar isto, Lenin entendia que esta política de derrota do próprio governo imperialista devia ser seguida não só pelos revolucionários russos, como também pelos partidos revolucionários da classe operária em todos os países beligerantes.

Os bolcheviques não eram contrários a toda guerra. Eram contrários somente à guerra de anexações, à guerra imperialista. Os bolcheviques entendiam que há duas classes de guerra:

 

1. as guerras justas, sem anexações, de libertação, que têm como finalidade defender o povo contra uma agressão exterior e contra quantos tentem escravizá-lo, ou libertar o povo da escravidão do capitalismo, ou, finalmente, emancipar as colônias e os países dependentes do jugo dos imperialistas; e

 

2. as guerras injustas, de anexações, que têm como finalidade a anexação e a escravização de países e povos estrangeiros.

Os bolcheviques apoiavam a primeira classe de guerras. Em troca propugnavam por manter uma luta decidida contra as guerras da segunda classe, chegando até a revolução e à derrubada do governo imperialista do próprio país.

Os trabalhos teóricos de Lenin durante a guerra tiveram uma importância enorme para a classe operária do mundo inteiro. Na primavera de 1916, Lenin escreveu sua obra intitulada "O imperialismo, etapa culminante do capitalismo". Neste livro Lenin esclarece que o imperialismo é a etapa culminante do capitalismo, a etapa em que este se converte em capitalismo "progressivo" em capitalismo parasitário, em decomposição; que o imperialismo é o capitalismo agonizante. Isto não quer dizer, naturalmente, que o capitalismo vá morrer por si só, sem a revolução proletária, que vá apodrecer pela raiz. Lenin ensinou sempre que não é possível derrubar o capitalismo sem a revolução da classe operária. Por isso, se bem que definindo o imperialismo como o capitalismo agonizante, Lenin aponta ao mesmo tempo, nesta obra, que "o imperialismo é o limiar da revolução social do proletariado".

Lenin ressaltava que na época do imperialismo, o jugo capitalista se faz cada vez mais duro, que sob as condições do imperialismo cresce a indignação do proletariado contra os fundamentos do capitalismo e vão amadurecendo, dentro dos países capitalistas, os elementos para uma explosão revolucionária.

Lenin ressaltava que na época do imperialismo acentua-se a crise revolucionária nos países coloniais e dependentes e vão crescendo os elementos de indignação e os elementos para a luta de libertação contra o imperialismo.

Lenin ressaltava que, sob as condições do imperialismo, se acentuam especialmente o desenvolvimento desigual e as contradições do capitalismo, e que a luta pelos mercados para dar saída às mercadorias e exportar os capitais, a luta pelas colônias e pelas fontes de matérias-primas faz com que se produzam, inevitável e periodicamente, guerras imperialistas por uma nova partilha do mundo.

Lenin ressaltava que, precisamente como conseqüência deste desenvolvimento desigual do capitalismo, surgem as guerras imperialistas, que debilitam as forças do imperialismo e tornam possível a ruptura da frente do imperialismo por seu ponto mais fraco.

E, partindo de todas estas premissas, chegava à conclusão de que era perfeitamente possível ao proletariado romper a frente imperialista por um ponto qualquer ou por vários; de que era possível o triunfo do socialismo, começando por alguns países e, inclusive, por um só isoladamente; de que o triunfo simultâneo do socialismo em todos os países era impossível, dada a desigualdade do desenvolvimento do capitalismo neles; de que o socialismo começaria triunfando somente em um ou em vários países e que os demais continuariam sendo algum tempo países burgueses.

Eis como Lenin formulava esta conclusão genial, em dois artigos diferentes, escritos durante a guerra imperialista.

 

1. "A desigualdade do desenvolvimento econômico e político é uma lei absoluta do capitalismo. Donde se deduz que é possível que o socialismo comece triunfando somente em alguns países capitalistas, ou, inclusive, num só país isoladamente. O proletariado triunfante deste país, depois de expropriar os capitalistas e de organizar a produção socialista dentro de suas fronteiras, se enfrentará contra o resto do mundo, contra o mundo capitalista, atraindo para seu lado as classes oprimidas dos demais países"... (Do artigo intitulado "Sobre a palavra de ordem dos Estados Unidos da Europa", escrito em agosto de 1915, Lenin, t. XVIII, págs. 232-233, ed. russa).

 

 

2. "O desenvolvimento do capitalismo segue um curso extraordinariamente desigual nos diversos países. Isto é uma conseqüência inevitável do regime de produção de mercadorias. Donde a conclusão imutável de que o socialismo não pode triunfar simultaneamente em todos os países. Começará triunfando em um ou em vários países, e os demais continuarão sendo, durante algum tempo países burgueses ou pré-burgueses. Isto provocará, necessariamente, não só atritos, como também a tendência aberta da burguesia dos demais países a esmagar o proletariado triunfante do Estado socialista. Em tais condições, a guerra seria, de nossa parte, uma guerra legítima e justa. Seria uma guerra pelo socialismo, para libertar da burguesia os outros povos". (Do artigo intitulado "O programa de guerra da revolução proletária", escrito no outono de 1916. Lenin, t. XIX, pág. 325, ed. russa).

Esta teoria era uma nova e acabada teoria da revolução socialista, a teoria da possibilidade do triunfo do socialismo em países isolados, das condições deste triunfo e de suas perspectivas, teoria cujas bases tinham sido esboçadas por Lenin já em 1905, em seu folheto "As duas táticas da social-democracia na revolução democrática".

Esta teoria afastava de um modo radical aquele ponto de vista em voga entre os marxistas no período do capitalismo pré-imperialista que consiste em considerar impossível o triunfo do socialismo em um só país, qualquer que fosse, admitindo que o socialismo triunfaria ao mesmo tempo em todos os países civilizados.

Lenin, baseando-se nos dados sobre o capitalismo imperialista exposto em seu notável livro "O imperialismo, etapa culminante do capitalismo", abandonou este ponto de vista teórico, segundo o qual o triunfo simultâneo do socialismo em todos os países era impossível, sendo, por outro lado, possível o seu triunfo num só país capitalista isoladamente.

A importância incalculável da teoria de Lenin sobre a revolução socialista não está somente em ter enriquecido e desenvolvido o marxismo com uma nova teoria. Sua importância consiste, além do mais, em dar uma perspectiva revolucionária aos proletários dos diferentes países, em desenvolver sua iniciativa para se lançarem ao assalto contra sua própria burguesia, em lhes ensinar o aproveitamento da situação de guerra para organizarem esta ofensiva e em fortalecer sua fé no triunfo da revolução proletária.

Tal era a posição teórica e tática dos bolcheviques quanto aos problemas da guerra, da paz e da revolução.

Tomando como base esta posição, os bolcheviques desenvolveram o seu trabalho prático na Rússia.

Apesar das furiosas perseguições policiais, os deputados bolcheviques da Duma, Badaiev, Petrovski, Muranov, Samoilov e Shagov percorreram, no começo da guerra, uma série de organizações operárias, dando informes da atitude dos bolcheviques em face da guerra e da revolução. Em novembro de 1914, a fração bolchevique da Duma organizou uma conferência para considerar.o problema da atitude que se devia seguir em face da guerra. No terceiro dia foi presa a Conferência em plena reunião. Os Tribunais condenaram todos os deputados bolcheviques, impondo-lhes a pena de inabilitação e deportando-os para a Sibéria Oriental. O governo czarista acusou de "alta traição" os deputados bolcheviques da Duma.

Neste processo, desenvolveu-se um quadro das atividades dos deputados bolcheviques que podia encher de orgulho o Partido. Os deputados bolcheviques se comportaram valentemente perante seus juízes, convertendo o julgamento em uma tribuna de onde desmascararam a política de anexações do regime czarista.

Outro foi o comportamento de Kamenev, arrolado no mesmo processo. Arrastado por sua covardia, quando se viu em perigo renegou a política do Partido bolchevique, declarando perante o Tribunal que estava em desacordo com os bolcheviques no problema da guerra e dando como testemunha em apoio de suas afirmações o menchevique Iordanski.

Os bolcheviques realizaram um grande trabalho contra os Comitês da indústria de guerra, postos a serviço desta, e contra as tentativas dos mencheviques de submeterem os operários à influência da burguesia imperialista. A burguesia estava vitalmente interessada em apresentar perante a opinião geral a guerra imperialista como uma guerra de todo o povo. Durante a guerra a burguesia conseguiu adquirir uma grande influência nos negócios do Estado, criando, com as uniões do Zemstvos e dos conselhos urbanos, uma organização própria, extensiva a toda a Rússia. Precisava também de submeter os operários à sua direção e influência. Para isso lançou mão do recurso de criar "grupos operários" anexos aos Comitês da indústria de guerra. Os mencheviques fizeram sua, esta idéia da burguesia. A esta convinha incorporar aos ditos Comitês representantes dos operários, para que se encarregassem de fazer entre as massas operárias o trabalho nas fábricas de obuses, canhões, fuzis, cartuchos e demais indústrias que trabalhavam para a guerra.

"Tudo e todos para a guerra!", tal era a palavra de ordem da burguesia. Na realidade esta palavra de ordem significava então: "Enriqueçamos à larga com os fornecimentos de guerra e com a anexação de territórios estrangeiros!" Os mencheviques participaram ativamente nesta obra pseudopatriótica empreendida pela burguesia. Ajudavam os capitalistas, fazendo um intenso trabalho de agitação entre os operários, para que estes tomassem parte nas eleições dos "grupos operários" adstritos aos Comitês da indústria de guerra. Os bolcheviques se manifestaram contra esta fraude. Preconizaram o boicote dos Comitês da indústria de guerra e mantiveram eficazmente este boicote. Não obstante, uma parte dos operários participou nas atividades daqueles Comitês, sob a direção do conhecido menchevique Gvosdiev e do provocador Abrosimov.

Quando os delegados dos operários se reuniram em setembro de 1915 para proceder à eleição definitiva dos "grupos operários" dos citados Comitês, a maioria dos delegados votou contra eles e formulou uma enérgica resolução contrária à participação nos Comitês da indústria de guerra, declarando que a tarefa que os operários tinham esboçado era a de lutar pela paz e pela derrubada do czarismo.

Os bolcheviques desenvolveram também um grande trabalho dentro do Exército e da Marinha. Explicavam às massas de soldados e marinheiros quem eram os culpados dos inauditos horrores da guerra e dos sofrimentos do povo, e lhes faziam ver que o único caminho que o povo tinha para sair da carnificina imperialista era a revolução. Criavam células bolcheviques dentro do Exército e da Marinha, nas unidades da frente e na retaguarda e distribuíam proclamações com apelos contra a guerra.

Os bolcheviques fundaram o "Grupo central da organização militar de Kronstadt" que se achava em estreito contato com o Comitê de Petrogrado do Partido. Adstrita ao Comitê de Petrogrado, criou-se uma organização militar para o trabalho entre a guarnição. Em agosto de 1910, o chefe da polícia secreta de Petrogrado informava que o "Grupo Central de Kronstadt é uma organização muito séria, de caráter conspirativo, cujos membros são todos pessoas caladas e precavidas. Esta organização tem também representantes em terra".

Na frente, o Partido bolchevique fazia trabalho de agitação em prol da confraternização entre os soldados dos exércitos beligerantes, ressaltando que o inimigo era a burguesia mundial e que só se poderia pôr fim à guerra, convertendo a guerra imperialista em guerra civil e voltando as armas cada qual contra a sua própria burguesia e o governo desta. Cada vez se amiudavam mais os casos de unidades que se negavam a atacar. Casos destes se deram já em 1915 e, sobretudo, em 1916.

Onde os bolcheviques desenvolviam um trabalho mais intenso era nos Exércitos da frente do Norte, na região do Báltico. Em começos do ano de 1917, o general Russki, general em chefe dos Exércitos da frente Norte, informava o Alto Comando a respeito do formidável trabalho revolucionário, desenvolvido pelos bolcheviques naquela frente.

A guerra impôs uma mudança radical e gigantesca na vida dos povos e na vida da classe operária internacional. Punha sobre o tapete a sorte dos Estados, a sorte dos povos, a sorte do movimento socialista. Era também, portanto, uma pedra de toque, uma prova para todos os partidos e tendências que se chamavam socialistas. Permaneceriam estes partidos e tendências fiéis à causa do socialismo, à causa do internacionalismo, ou prefeririam atraiçoar a classe operária, atirar no chão sua bandeira e arrastá-los aos pés de sua própria burguesia nacional? Tal era o problema que se apresentava.

A guerra demonstrou que os partidos da Segunda Internacional não resistiram à prova, mas que traíram a classe operária, arriando sua bandeira diante da burguesia de seu próprio país, diante da burguesia nacional, imperialista.

Não podia ser outra a conduta de partidos como aqueles que cultivavam em seu seio o oportunismo e estavam educados na política de concessões aos oportunistas, aos nacionalistas.

A guerra demonstrou que o Partido bolchevique foi o único partido que soube enfrentar com honra a prova e que permaneceu fiel até o fim à causa do internacionalismo proletário.

E era lógico que fosse assim, pois só um partido de novo tipo, só um partido educado no espírito da luta intransigente contra o oportunismo, só um partido assim podia sair vitorioso daquela grande prova e permanecer fiel à causa da classe operária, à causa do socialismo e do internacionalismo.






 


Guerra e Paz

em Inglês

 

 

 

Textos clássicos em Português

 

 

 

 

Friedrich Engels

O Papel da Violência na História

Março de 1888

 

 

 

Karl Marx

A GUERRA CIVIL EM FRANÇA

 

Friedrich Engels

Nota Prévia a «A Guerra dos Camponeses Alemães»

11 de Fevereiro de 1870

 

Friedrich Engels

Sobre a Autoridade

Outubro de 1872 - Março de 1873.

 

 

 

Friedrich Engels

As Táticas de Infantaria Derivadas a Partir de Suas Causas Materiais

1700-1870

1877

 

 

 

 

O Oportunismo e a Falência da II Internacional

Janeiro de 1916

 

 

 

 


O Programa Militar da Revolução Proletária

Setembro de 1916

 

 

 

 

Imperialismo e a Cisão do Socialismo

Outubro de 1916

 

 

 

 

 

 

Após Dois Anos


9 de Março de 1919

 

 

 

 

A Questão da Estratégia e da Tática dos Comunistas Russos

14 de Março de 1923

 

 

 

 

A Revolução de Outubro e a Tática dos Comunistas Russos

17 de dezembro de 1924

 

 

 

 

 

Três características distintivas do Exército Vermelho


Discurso pronunciado num Plenário do Soviete de Moscovo em Honra do 10 aniversário do Exército Vermelho

25 de Fevereiro de 1928

 

 

 

 

Entrevista ao Jornal "Pravda"


17 de Fevereiro de 1951

 

 

 

 


 

 


 

 

LINHA-GERAL

A

I N T E R N A C I O N A L

C O M U N I S T A

Stalinistas-Hoxhaistas

 


 

A revolução mundial

e a Guerra imperialista



1.

Definições



A questão global da Guerra e da paz só pode ser resolvida pelo proletariado mundial, pelo derrube revolucionário do imperialismo mundial

- sob a bandeira do socialismo mundial.

O que nos diz o Marxismo acerca da questão da guerra e da revolução?

Marx e Engels são os fundadores dos ensinamentos materialistas acerca da história das guerras e revoluções em geral, e os fundadores dos ensinamentos acerca da inevitabilidade das guerras e das revoluções no desenvolvimento da sociedade de classes, em particular; o Marxismo é a dialéctica da relação entre a guerra e a revolução, o Marxismo é a teoria da necessidade do armamento do movimento de libertação do proletariado, em geral, e da necessidade da defesa da sociedade socialista através da ditadura armada do proletariado, em particular; por fim, o Marxismo é a ciência da abolição da inevitabilidade do uso das armas do povo contra o povo – é a sociedade sem armas, pacífica e sem classes – o comunismo.

O que é o Leninismo acerca da questão da guerra e da revolução?

O Leninismo – acerca da questão da guerra e da revolução – é o Marxismo da época das guerras imperialistas e da revolução proletária. Mais precisamente: o Leninismo é a teoria e as tácticas da transformação da guerra imperialista na revolução proletária em geral, a teoria e a táctica do armamento da ditadura proletária, em particular.

O que é o Estalinismo acerca da questão da guerra e da revolução?

O Estalinismo – acerca da questão da guerra e da revolução – é o Marxismo-Leninismo do período da transição da guerra de classes armada para a construção do socialismo na União Soviética e para a guerra de classes pelo socialismo á escala global, em geral;

O Estalinismo – acerca da questão da guerra e da revolução – é o Marxismo-Leninismo da guerra de classes internacional durante o período da transição do socialismo na União Soviética para o comunismo na União Soviética, em particular.

O que é o Hoxhaismo acerca da questão da guerra e da revolução?

O Hoxhaismo é o Marxismo-Leninismo durante o período de transição da guerra de libertação anti-fascista para a vitória da revolução popular anti-imperialista, é a sua transformação na revolução socialista armada que conduz ao derrube da própria burguesia e que torna possível construir o socialismo nas condições da Grande Guerra Patriótica e do campo mundial do camarada Estaline;

O Hoxhaismo – acerca da questão da guerra e da revolução – é acima de tudo a teoria e a táctica Marxista-Leninista da luta armada anti-revisionista, anti-imperialista e anti-social-imperialista durante o período do revisionismo no poder, em geral, e é a teoria e a táctica da defesa nacional da ditadura do proletariado sob as condições do cerco militar capitalista-revisionista, em particular.

O que é o Estalinismo-Hoxhaismo – no que respeita á questão da guerra e da revolução – hoje?

O Estalinismo-Hoxhaismo – no que respeita á questão da guerra e da revolução – é a teoria e a táctica Marxista-Leninista da vitória sobre as guerras imperialistas através da revolução proletária mundial sob as condições da globalização, em geral; e é a teoria e a táctica do armamento e da defesa militar mundial da ditadura do proletariado mundial, em particular; e é – por fim – a teoria e a táctica da transição para a sociedade sem armas, pacífica e sem classes á escala global – o comunismo mundial.

O Estalinismo-Hoxhaismo é a doutrina da libertação das guerras do imperialismo mundial, é a doutrina da abolição da inevitabilidade da guerra imperialista mundial, é a doutrina da guerra de classes proletária mundial pela libertação final do domínio violento da burguesia mundial, é a doutrina da vitória do socialismo sobre a guerra imperialista á escala global, é a doutrina da protecção militar do domínio global do proletariado.

 



2.

Apenas o comunismo mundial garante a abolição das guerras de classe



Apenas a autoridade militar global da ditadura do proletariado mundial assegura a paz mundial entre os povos. Pela primeira vez na história da sociedade de classes, o período vindouro do socialismo mundial oferece a possibilidade de evitar as guerras de classes. Esta possibilidade não foi dada sob o socialismo “num só país”, nem sob o campo socialista mundial de Estaline porque enquanto o capitalismo mundial continuar de pé, a ameaça de guerra permanece inevitável. Assim, a revolução socialista mundial difere de todas as outras revoluções proletárias: a revolução socialista mundial transforma a inevitabilidade das guerras imperialistas na sua evitabilidade.

Toda a história do capitalismo é a história das guerras sangrentas e permanentes de conquista e de redistribuição do domínio mundial que se baseia na escravatura assalariada pela maximização dos lucros. Apenas o socialismo mundial elimina as raízes capitalistas das guerras de hoje e cria as condições para uma paz duradoura e para a segurança da população mundial. Enquanto as guerras agressivas do imperialismo e do social-imperialismo existirem, esta é a nossa principal tarefa: enfraquecer e destruir a ordem imperialista mundial e os seus frutos – as guerras imperialistas. Os principais meios para o fazer são as guerras Revolucionárias de Libertação, e a principal força motriz é o proletariado mundial. Perante a guerra imperialista, as classes oprimidas e exploradas não devem resvalar para o fatalismo. Elas não devem ser surpreendidas. Elas devem evitar ser arrastadas para a guerra imperialista. E mesmo que isto suceda, elas devem usar as suas armas revolucionárias, elas têm de transformar a guerra imperialista em guerra civil:

em primeiro lugar, de forma a acabarem com a guerra imperialista (é claro que nós comunistas lutamos para que esta termine rapidamente, mas não sem a combinação da luta revolucionária mundial. De outra forma, isto não seria um slogan proletário, mas burguês e pacifista)

em segundo lugar, de forma a derrubar o imperialismo mundial através da revolução socialista mundial,

e em terceiro lugar, de forma a construir (e a proteger) a ditadura do proletariado mundial.

Enver Hoxha realçou no seu discurso – pronunciado no Encontro dos 61 Partidos Comunistas e Operários no dia 16 de Novembro de 1961 em Moscovo:

(…) que só pode haver garantia absoluta contra a guerra quando o socialismo tiver triunfado por todo o mundo ou, pelo menos, o tenha feito num número considerável de grandes países imperialistas.”(página 138, traduzido a partir da edição em Inglês, Tirana 1969)

É uma pedra basilar do Estalinismo-Hoxhaismo o facto de que as armas revolucionárias mundiais do proletariado são indispensáveis para a paz mundial e para o cumprimento da missão do comunismo mundial pacífico. As premissas prematuras da “abolição da guerra” e da paz “duradoura” no contexto da arena de guerra internacional e das sociedades de classe mundiais significa desarmar o proletariado mundial, significa trair a revolução socialista mundial e os povos amantes da paz. A nossa teoria Marxista-Leninista da “guerra e da revolução” (nomeadamente de que a destruição completa do imperialismo mundial é uma pré-condição absoluta para a abolição da inevitabilidade das guerras imperialistas) era e é atacada explicitamente por todos os lacaios da burguesia mundial. É por isso que nós precisamos de defender incondicionalmente o Marxismo-Leninismo em palavras e em actos, com e sem armas.

O slogan pacifista do “desarmamento e da abolição das armas” – mesmo antes do período do Comunismo – é um slogan anarquista e pequeno-burguês porque a pequena-burguesia sentem-se oprimida e ameaçada tanto pelas armas do proletariado como pelas da burguesia. O pacifismo é o outro lado da moeda – é um instrumento ideológico para a preparação da próxima guerra predatória da burguesia mundial. Proclamar o desarmamento prematuramente iria distorcer a perspectiva histórica do comunismo mundial. A abolição das classes não se atinge pelo desarmamento directo e prematuro das armas proletárias, nem pela extinção das guerras de classe armadas, mas sim pela sua intensificação. A intensificação (mas não o atiçar artificial das chamas) das guerras revolucionárias é indispensável para o desaparecimento das guerras. As armas proletárias não vão permanecer se o mundo capitalista for liquidado e o mundo socialista tomar o seu lugar, se o perigo da restauração do capitalismo for liquidado, se os últimos resquícios das classes moribundas, os fragmentos dos elementos contra-revolucionários tiverem período todo o apoio para a continuação das suas actividades armadas. As mudanças económicas radicais (harmonização da relação entre as forças produtivas e as relações de produção) são a base material para a abolição das guerras imperialistas, para a base material da sociedade comunista mundial pacífica e sem classes.

O comunismo mundial – é a comunidade global sem violência de classe e onde quaisquer guerras do homem contra o homem são eliminadas para sempre.

O produto final da produção socializada de armas é em princípio a sociedade desarmada. O socialismo abole as armas burguesas através das armas proletárias. E no Comunismo, as armas proletárias já não são mais precisas. A nossa tese é esta:

Sem expropriação globalizada das armas capitalistas, não pode haver socialização globalizada das armas – e sem as armas socialistas globalizadas não pode haver abolição global das armas.

A necessidade das armas dominantes deixa de existir no momento em que o reino das classes também deixa de existir. E assim, já não é necessário para descrever os interesses de classe enquanto interesses “gerais”, os interesses das armas dominantes. O proletariado mundial domina as armas com o propósito da abolição final do domínio das armas. Lenine realçou claramente que: “ (…) do ponto de vista das ideias básicas do Marxismo, os interesses do desenvolvimento social são superiores aos interesses do proletariado, os interesses do movimento operário como um todo são superiores aos interesses de uma secção dos trabalhadores ou de etapas separadas do seu movimento.”(Lenine, Complete Works, Volume 4, página 236, traduzido a partir da edição em Inglês)

Do ponto de vista das ideias básicas do Estalinismo-Hoxhaismo, o significado do armamento globalizado de todos os povos explorados e oprimidos é superior ao armamento do proletariado mundial, e o armamento do proletariado mundial é superior ao de uma secção separada dos trabalhadores ou de etapas separadas da luta armada.

Nós, Marxistas-Leninistas, não opomos os interesses da classe proletária aos interesses humanos gerais. Nós não opomos as armas proletárias às armas da guerra de libertação dos povos oprimidos e explorados de todo o mundo. Pelo contrário, os fundadores do Marxismo realçaram a unidade de interesses dos proletários e dos povos. Eles realçaram a unidade de interesses do proletariado e dos povos. Eles realçaram o carácter humano dos interesses do proletariado, o carácter geral da luta armada proletária. O Comunismo sem classes e sem armas é tanto no interesse do proletariado mundial como no da restante comunidade mundial. O Marxismo-Leninismo ensina: Não se pode destruir o capitalismo de forma pacífica. Mas com o comunismo as coisas sucedem de forma diferente. Lenine disse uma vez:

O Comunismo não pode ser imposto pela força.” (Lenine, Complete Works, Volume 29, página 175, traduzido a partir da edição em Inglês)

Ele está certo porque:

No que respeita á questão da violência, o socialismo mundial difere fundamentalmente do comunismo mundial.

O socialismo mundial é a ditadura armada do proletariado mundial durante todo o período transicional entre o capitalismo mundial e o comunismo mundial, sendo assim um período de lutas de classe violentas e globais. Assim, uma transição armada do socialismo mundial para o comunismo mundial é impossível porque as armas desaparecem na mesma medida em que as classes desaparecem. Na transição para o socialismo mundial, as contradições antagonistas das classes ainda existem, mas a transição para o comunismo mundial é um período não-antagonista no qual todas as classes desaparecem.

Lenine ensina a impossibilidade de uma paz democrática sem uma série de revoluções.

Lenine usou expressivamente o termo paz “democrática”. Para Lenine, a luta pela paz “democrática” não era o objectivo final. Nós, comunistas, lutamos por uma paz mais elevada – a paz socialista. Assim, não devemos confundir a paz democrática com a paz socialista. Elas não podem ser igualizadas entre si nem podem ser encaradas como contrastando irreconciliavelmente uma com a outra. O pré-requisito para a paz socialista é a paz democrática. Não pode haver socialismo sem democracia, e consequentemente, não pode haver socialismo sem paz democrática (á escala global!). Enquanto comunistas, nós não rejeitamos a luta pela paz democrática porque ela é indispensável á criação da paz socialista.

Mas a diferença essencial entre a paz democrática e socialista é esta:

em primeiro lugar,

a paz democrática não pode abolir a inevitabilidade da guerra, enquanto que a paz socialista torna as guerras evitáveis. Em princípio, a paz socialista é característica da época do socialismo mundial. Enquanto o capitalismo mundial existir, havia apenas a possibilidade da paz socialista entre os países socialistas do campo socialista mundial. A paz socialista á escala mundial não é realizável antes de o cerco imperialista estar totalmente destruído;

e em segundo lugar,

uma paz democrática não é capaz de remover o sistema capitalista com as suas contradições inerentes á sociedade de classes antagonistas. Assim, a destruição revolucionária da sociedade de classes antagonistas é uma premissa da paz socialista;

em resumo:

A paz democrática é um pré-requisito para a transição da sociedade de classes antagonista para a sociedade de classes não-antagonista.

A paz socialista é um pré-requisito para a transição pacífica da sociedade de classes não-antagonista para a sociedade sem classes do comunismo.

Uma paz comunista só é possível na sociedade comunista mundial, apenas no contexto de uma sociedade sem classes. Por outras palavras, no socialismo mundial – durante todo o período de transição entre o capitalismo e o comunismo – a paz socialista só é garantida através da luta de classes mais dura por parte do proletariado mundial.

Apesar da inevitabilidade da guerra ser eliminada no socialismo mundial, a possibilidade de reconversão de uma sociedade de classes não-antagonista numa sociedade de classes antagonista vai persistir. Esta possibilidade não pode ser excluída enquanto o comunismo não existir. É óbvio: Se o capitalismo for restaurado de novo, não há paz socialista nem mesmo paz democrática que possa ser assegurada.

Se Lenine nos ensinou acerca da impossibilidade de uma paz democrática sem um série de revoluções, então segue que: Uma paz socialista é impossível sem a luta de classes do proletariado mundial, apresentando-se assim o perigo de restauração do capitalismo mundial durante todo o período do socialismo mundial.

Os oportunistas gostam de nos fazer “esquecer” a relação causal entre o capitalismo e a questão da guerra e da paz. Um não pode eliminar a guerra imperialista sem eliminar as contradições entre capital e trabalho. Se o movimento da paz limitar a sua luta exclusivamente contra a guerra, então a causa da guerra (o capitalismo) permanece intocada. “Vamos deixar o capitalismo intacto!” Esta é exactamente a missão dos oportunistas dentro do movimento da paz. A nossa resposta aos oportunistas é: Em primeiro lugar, revolução mundial e derruba do capitalismo – depois a paz mundial!

Nós, Marxistas-Leninistas, não somos adoradores da legalidade burguesa, mas dizer que um partido comunista deve ser “terrorista” é algo que sempre foi rejeitado pelos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo. Frederick Engels disse:

(…) Se não há violência revolucionária, então não podemos falar acerca dela.”(Engels, Volume 38, páginas 489 e 490, carta de Engels a Bebel, 7 de Outubro de 1892, traduzido do Inglês)

As armas do proletariado são assim dirigidas contra a burguesia em defesa da existência da sua própria classe. Sem a remoção da violência reaccionária, o proletariado não pode atingir a sua emancipação. E sem a sua própria emancipação, o proletariado não pode criar os fundamentos económicos da abolição de todas as classes. A classe operária emancipa-se a si própria, para que o trabalhador se possa libertar enquanto ser humano. Apenas então o trabalhador terá deixado de ser um “escravo assalariado” e nada mais. Apenas então ele ou ela vai criar uma sociedade na qual ele ou ela será verdadeiramente livre, e não condenado a ser mais um nos mecanismos monstruosos da sociedade de classes. Todos os seres humanos só serão iguais se deixarem para trás a existência sombria da sua classe, se eles já não forem mais obrigados a guerrearem contra esta ou contra aquela classe. E quem é que pode quebrar este círculo vicioso? Quem merece a honra da maior contribuição da história da humanidade? Essa honra pertence somente – á classe trabalhadora armada! A vitória da luta armada da classe proletária – nisto consiste o espírito e o propósito da aplicação da teoria militar do Marxismo-Leninismo. A teoria militar Marxista-Leninista prova-se a si mesma na prática a partir do momento em que o trabalhador se torna num soldado consciente do grande exército do proletariado mundial que é liderado pela Internacional Comunista.

A partir do momento em que o movimento comunista mundial afirma a necessidade do armamento da revolução socialista mundial, o armamento da luta contra a guerra imperialista, o armamento da guerra civil global (em completa harmonia e unidade com os proletários de todo os países), a partir desse momento ele irá também afirmar a nova teoria militar Marxista-Leninista global como sendo a base do desenvolvimento da estratégia e da táctica da revolução socialista mundial, da guerra anti-imperialista globalizada, da guerra civil global.

Isto significa que: o Comintern / ML vai

em primeiro lugar, propagar a inevitabilidade de um exército proletário mundial centralizado (ou criamos um exército global de operário e camponeses seguindo um disciplina estrita, ou a nossa causa estará perdida);

em segundo lugar, vamos formar o exército vermelho mundial, vamos treinar o proletariado mundial no manuseamento das armas, vamos recrutar soldados especializados e técnicos da guerra dos exércitos imperialistas e reaccionários em nosso benefício;

em terceiro lugar, vamos organizar o armamento completo de todos os povos oprimidos e explorados pela sua libertação do imperialismo mundial e das guerras imperialistas.

Na linha-geral do Comintern / ML, o armamento do proletariado e o armamento dos povos explorados e oprimidos pela sua libertação do imperialismo mundial e das guerras imperialistas está firmemente estabelecido. A burguesia mundial armada lutando contra o proletariado mundial constitui um dos maiores e mais fundamentais factos da sociedade capitalista de hoje. Assim, não pode haver revolução socialista mundial desarmada nem pode haver socialismo mundial desarmado enquanto as classes contra-revolucionárias mundiais existirem.

Lenine:

Uma classe oprimida que não tenta aprender a usar as armas e a adquirir armas só merece ser tratada como escrava.”

O nosso slogan deve ser: armar o proletariado para derrotar, expropriar e desarmar a burguesia. Estas são apenas tácticas possíveis para uma classe revolucionária, tácticas que se seguem logicamente a, e são ditadas pelo desenvolvimento objectivo do militarismo capitalista. Apenas depois de o proletariado ter desarmado a burguesia ele será capaz de, sem trair a sua missão histórica, consignar todos os armamentos à causa principal. E o proletariado vai sem dúvida fazê-lo, mas apenas quando estas condições estiverem preenchidas, e não antes disso.” (Lenine, Collected Works, Volume 23, páginas 80 e 81, traduzido a partir da edição em Inglês)

Comparativamente ao seu livro “O Estado e a Revolução”, Lenine desenvolveu as suas ideias sobre a guerra e a revolução neste artigo “A Guerra e a Revolução”:

A guerra foi provocada pelas classes dominantes e apenas uma revolução da classe operária a pode abolir.” (Lenine, Collected Works, Volume 24, página 420, traduzido a partir da edição em Inglês)

A conversão da presente guerra imperialista numa guerra civil é o único slogan proletário correcto, aquele que segue a experiência da Comuna realçada na Resolução de Basel (1912); foi ditada pelas condições de uma guerra imperialista entre os países burgueses desenvolvidos.” (Lenine, Collected Works, Volume 21, página 34, traduzido a partir da edição em Inglês)

A guerra actual é uma guerra popular. O que se segue a esta verdade não é que devamos deixar-nos ir ao sabor da corrente “nacional” do chauvinismo, mas sim que as contradições de classe que dividem as nações continuam a existir em tempo de guerra e manifestam-se nessas mesmas condições. A recusa de servir as forças, greves de guerra, etc. não fazem sentido, são expressão do sonho cobarde e miserável de uma luta desarmada contra a burguesia armada, uma esperança vã na destruição do capitalismo sem uma guerra civil desesperada ou uma série de guerras. É dever de cada socialista conduzir a propaganda da luta de classes também no exército; o trabalho dirigido a transformar a guerra de nações numa guerra civil é a única actividade socialista na época do conflito armado imperialista da burguesia de todos os países.” (Lenine, Collected Works, Volume 21, página 40, traduzido a partir da edição em Inglês)

É impossível escapar á guerra imperialista – que é engendrada pelo mundoa imperialista – (…), excepto por uma luta Bolchevique e por uma revolução Bolchevique. Deixem que a burguesia e os pacifistas, os generais e a pequena-burguesia, os capitalistas e os filistinos, os piedosos e os cavalheiros de Segunda e da Segunda e Meia Internacionais lancem a sua fúria contra a revolução. Não há abusos, mentiras ou calúnias que os tornem capazes de esconder o facto histórico de que pela primeira vez em milhares de anos os escravos responderam a uma guerra decretada pelos donos dos escravos ao proclamarem abertamente o slogan: “Convertam esta guerra entre donos de escravos pela divisão dos seus saques numa guerra dos escravos de todas as nações contra os proprietários dos escravos de todas as nações.” (Lenine, Collected Works, Quarto Aniversário da Revolução de Outubro, Volume 33, página 56, traduzido a partir da edição em Inglês)

A guerra que os capitalistas de todos os países estão a lançar não pode acabar sem uma revolução operária contra estes capitalistas. A revolução operária está a ascender em todo o mundo. Os trabalhadores de todas as nações estão destinados a triunfar.” (Lenine, Collected Works, Volume 24, página 416, traduzido a partir da edição em Inglês)

A ruína económica, os horrores da guerra, um impasse do qual não há saída – é isto que os capitalistas nos trouxeram a todos. Não há mesmo saída – excepto através da transferência do poder para as classes revolucionárias, para o proletariado revolucionário que apoiado pela maioria da população é capaz de ajudar a revolução a sair vitoriosa em todos os países beligerantes e de conduzir a humanidade a uma paz duradoura e á libertação do jugo do capitalismo.” (Lenine, Complete Works, Volume 24, página 206, traduzido a partir da edição em Inglês)

As conclusões de Lenine em “A Revolução e a Guerra” podem ser resumidas na seguinte frase:

A revolução proletária mundial é a única alternativa aos horrores do massacre mundial.” (Lenine, Collected Works, Volume 28, página 287, traduzido a partir da edição em Inglês)

Engels:

Os homens no topo de cada estado estão aterrorizados acerca da aproximação do dia em que os soldados armados se recusem a massacrar os seus pais e irmãos (…). Viva a revolução social internacional!” (Engels, MEW, Volume 22, páginas 186-187, traduzido do Inglês)

O Marxismo-Leninismo ensina-nos não apenas que a revolução emerge da guerra e que a revolução pode acabar com a guerra, mas também vice-versa, que a revolução pode evitar a guerra imperialista ainda antes do seu início. O socialismo vai acabar por prevalecer em ambos os casos. O que é que determina o início da guerra e da revolução? Isto depende da força relativa do proletariado e da burguesia. Não é uma questão nem de desenvolvimento mundial “espontâneo” nem uma questão que apenas será respondida pelas classes dominantes. O Marxismo-Leninismo determina que o proletariado mundial é a classe que decide acerca da “Guerra e da Paz” porque o proletariado mundial é invencível se fizer uso dos ensinamentos dos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo. O Marxismo-Leninismo ensina: O proletariado mundial é a única classe revolucionária que – directamente e sem falta – é capaz de derrubar o mundo capitalista e de eliminar a inevitabilidade das guerras imperialistas para sempre.

Depois de termos determinado a relação entre “o estado mundial e a revolução mundial”, neste último capítulo, nós temos também de definir as actuais relações globalizadas entre “a guerra e a revolução”. Como determina a Comintern / ML esta relação?

A guerra entre capitalistas, entre potências capitalistas decide apenas acerca da redistribuição das riquezas do mundo capitalista.

A guerra entre a revolução socialista mundial e a contra-revolução imperialista mundial, a guerra civil mundial decide acerca do fim ou da continuação da época do imperialismo mundial, a época das guerras imperialistas. O proletariado mundial vai criar o socialismo mundial através da posse e do uso das armas revolucionárias.









3.

Defesa e continuação criativa da linha-geral do

Comintern na luta contra a guerra imperialista



Em especial, o Comintern / ML será guiado pelas teses do oitavo plenário do Comité Executivo da Internacional Comunista acerca do perigo de guerra realizado no dia 29 de Maio de 1927 (extractos):

“A atitude de Lenine relativamente á guerra determina as tácticas do partido comunista durante toda uma época histórica, a época da guerra imperialista. Slogans como a “Guerra á guerra”, “Transformem a guerra imperialista numa guerra civil” ou “Pela derrota do governo burguês na guerra” são ainda hoje exemplos clássicos de genuíno internacionalismo revolucionário. Um dos méritos do Leninismo que lida com questões da guerra em termos das suas condições históricas. Define três tipos de guerra:

(a) guerras entre estados imperialistas

(b) guerras nacional-revolucionárias e guerras dos povos coloniais contra o imperialismo;

(c) guerras da contra-revolução capitalista contra a revolução proletária e contra os países onde o socialismo está a ser construído.

É tarefa do Comintern a de traduzir o tratamento geral da questão da guerra em termos concretos. O Bolchevismo foca-se na luta anti-guerra no movimento de massas e na luta de massas. A actividade entre as massas nas fábricas, nos sindicatos, no campo, no exército – esta é a tarefa dos comunistas antes e durante a guerra, é desta forma que se transforma a guerra em guerra civil. Os comunistas devem começar a luta contra a guerra … num tempo em que a guerra está a ser preparada. Tanto antes como durante a guerra, os partidos comunistas devem trabalhar persistentemente para estabelecer aparelhos ilegais para lutar contra a guerra; mas eles não devem confinar-se às acções ilegais, mas devem ganhar a liberdade pela agitação e liderar as massas nas ruas na luta para transformar a guerra imperialista numa guerra civil, para capturar o poder através do proletariado, para derrubar a burguesia e estabelecer a ditadura proletária. A luta contra a guerra não é uma acção única; requer grandes sacrifícios da classe operária, uma série de acções de massas (manifestações, greves nas fábricas de armamento, etc. …) que culminam na ascensão vitoriosa do proletariado. Os partidos Comunistas devem fazer o possível para estender estas acções de massas a uma greve geral. O Comintern percebe que em caso de guerra entre duas potências imperialistas é extremamente difícil convocar uma greve geral num momento em que a guerra eclode, mas continua a ser essencial para os partidos comunistas conduzir acções de agitação e de propaganda contínua em todos os países capitalistas tanto antes como durante a guerra. Devemos ter em mente que o momento em que fazemos do slogan da greve geral um slogan de acção depende do desenvolvimento revolucionário da situação, ou seja, quando a greve geral se torna prática. Durante o seu curso, os comunistas devem transformar a greve geral numa revolta armada. Numa guerra imperialista normal, os trabalhadores devem estar a favor da derrota do seu próprio governo. O slogan da fraternização continua a ser uma das mais importantes tarefas antimilitaristas entre os soldados e os marinheiros dos exércitos e marinhas imperialistas. Este slogan deve estar ligado às exigências dos soldados nos exércitos imperialistas que esperam o momento certo para se passarem para o lado das tropas revolucionárias.

Praticamente todas as secções do Comintern subestimaram o perigo da guerra. Todos os partidos comunistas se comportaram como se a guerra fosse questão de um futuro mais ou menos distante e não a realidade sangrenta de hoje. Objectivamente, estes “erros” são uma capitulação em favor do imperialismo. Os partidos comunistas devem explicar às massas que sem acção de massas revolucionária não é possível haver acção contra a guerra, que o pacifismo é u engano e que a luta por uma paz duradoura e evitar a guerra são coisas dependentes do derrube dos governos burgueses e do estabelecimento da ditadura proletária.

O apoio às acções do proletariado internacional contra a guerra imperialista torna obrigatório para todas as secções do Comintern o reforço do seu trabalho revolucionário entre os trabalhadores das colónias e das semi-colónias e a intensificação do seu trabalho anti-militar entre os exércitos imperialistas de ocupação.”

O 8º termo de admissão na Internacional Comunista – elaborado por Lenine e adoptado pelo 2º Congresso do Comintern – é o seguinte:

8. Os partidos dos países cuja burguesia possua colónias e oprima outras nações devem prosseguir uma política clara e bem definida no que respeita a essas colónias e nações oprimidas. Qualquer partido que deseje juntar-se á Terceira Internacional deve denunciar as maquinações colonialistas dos imperialistas do seu próprio país, e devem apoiar – e não apenas em palavras – todos os movimentos de libertação colonial, exigir a expulsão dos seus compatriotas imperialistas das colónias e inculcar nos corações dos trabalhadores uma atitude fraternal relativamente ás populações trabalhadoras das colónias e das nações oprimidas, conduzindo uma agitação sistemática entre as forças armadas contra toda a opressão dos povos coloniais.”

E nós acrescentamos a Tese 3 das Teses de Lenine acerca da Questão Nacional e Colonial – adoptada pelo Segundo Congresso do Comintern no dia 28 de Julho de 1920:

Tese 3: “A Guerra imperialista de 1914-18 revelou claramente a todas as nações e ás classes oprimidas de todo o mundo a falsidade das frases democrático-burguesas, ao demonstrar que o Tratado de Versailhes das chamadas “Democracias Ocidentais” é um acto de violência contra as nações fracas ainda mais brutal do que o Tratado de Brest-Litovsk dos Junkers Alemães e do Kaiser. A Liga das Nações e toda a política pós-guerra da Entente revelam esta verdade com clareza. Eles intensificam a luta revolucionária tanto do proletariado nos países avançados como das massas trabalhadoras nos países coloniais e dependentes. Eles acabam com as ilusões nacionalistas e pequeno-burguesas de que as nações podem viver juntas em igualdade e em paz sob o capitalismo.”

Resolução do 10º Plenário do CEIC acerca do dia internacional da luta contra a guerra imperialista:

A sessão plenária do CEIC apela aos trabalhadores das colónias e das semi-colónias para manifestarem o seu apoio vigoroso á acção do proletariado internacional contra a guerra imperialista, e torna obrigatório para todas as secções do Comintern o reforço do seu trabalho revolucionário entre os trabalhadores das colónias e das semi-colónias, bem como a intensificação do seu trabalho anti-militar entre os exércitos imperialistas de ocupação. Realçando a falta de dinamismo que algumas secções do Comintern revelaram na preparação do 1º de Agosto, a sessão plenária do CEIC observa que esta passividade é expressão das tendências oportunistas gerais ligadas á subestimação do perigo da guerra que são uma atitude fatalista em relação á guerra, uma subestimação da força proletária e do papel dos partidos comunistas nas lutas de classes do proletariado.” (Resolução do 10º Plenário d CEIC acerca do dia internacional da luta contra a guerra imperialista, Julho de 1929)

Em 1928, o VI Congresso do Comintern caracterizava a então situação internacional da época como a “época das guerras e da revolução”. O Comintern / ML confirma a correcção básica desta caracterização. Continuando-a (aplicada ao início do século XXI), o Comintern / ML fala acerca do “período das guerras globais e da revolução mundial” (tomando em consideração o desenvolvimento da globalização)

Nas minutas do Sexto Congresso do Comintern, podemos ler que:

“Este terceiro período, no qual as contradições entre o crescimento das forças produtivas e a contracção dos mercados se tornaram particularmente acentuados, é inevitável que se originem séries de guerras imperialistas: -- entre os próprios estados imperialistas; guerras dos estados imperialistas contra a URSS; guerras de libertação nacional contra o imperialismo e a intervenção imperialista e gigantescas batalhas de classe. A intensificação de todos os antagonismos internacionais… a intensificação dos antagonismos internos nos países capitalistas (a viragem á esquerda das massas trabalhadoras, a maior dureza da luta de classes), e o desenvolvimento dos movimentos coloniais (…) que tiveram lugar durante este período vão inevitavelmente levar… á severa intensificação da crise geral do capitalismo.”

O Comintern declarou em 1929:

Desmascarar a social-democracia e o seu papel na preparação da guerra da forma mais implacável, em particular a social-democracia de “esquerda”, que é a variante mais perigosa porque esconde o seu apoio às preparações militares dos países capitalistas por detrás de frases pacifistas desenhadas para que as massas proletárias se rendam.” (Resolução do 10º Plenário d CEIC acerca do dia internacional da luta contra a guerra imperialista, Julho de 1929)

Estas decisões correctas do VI Congresso Mundial acerca da luta contra o social-fascismo foram rejeitadas pelo VII Congresso Mundial – em ligação com o abandono do “Terceiro Período” Estalinista ideologicamente correcto que foi qualificado como tendo sido “sectário”.

É bem sabido que o VII Congresso Mundial fez mudanças grandes na linha-geral revolucionária do Comintern de Lenine e de Estaline, especialmente no que respeita aos desvios revisionistas na questão da guerra e da paz. Nós perguntamos: Qual a razão da dissolução do Comintern no auge da guerra anti-imperialista e anti-fascista do proletariado mundial?

No que toca á Primeira Guerra Mundial, Lenine sempre foi irreconciliável com os social-chauvinistas da Segunda Internacional, enquanto os líderes do VII Congresso Mundial assumiram uma posição reconciliatória relativamente á Segunda Internacional durante a Segunda Guerra Mundial.

A teoria Leninista revolucionária da transformação da guerra em guerra civil:

[“Todos aqueles que querem uma paz duradoura e democrática devem defender a guerra civil contra os governos e contra a burguesia.” (Lenine, Collected Works, “Socialismo e a Guerra”, Volume 21, página 316, traduzido a partir da edição em Inglês)

e a teoria de Estaline acerca da transformação do fascismo em socialismo [no campo socialista mundial] foi sacrificada em favor de uma frente unida reconciliatória com a burguesia. [ = capitulação da classe operária á burguesia = transformação da política da frente popular Marxista-Leninista numa política de frente popular revisionista, renúncia á revolução socialista mundial].

A esperança revisionista de convencer os trabalhadores da Frente Unida através das tácticas “correctas” dos reformistas e revisionistas acerca da “incompetência” das tácticas revolucionárias da guerra imperialista intensificou-se. Em contraste, o Comintern / ML precisa da frente unida porque esperamos convencer o proletariado mundial do contrário. E é a essência do neo-revisionismo que esta atitude perigosa e errada dos revisionistas seja criticada em palavras mas defendida nos actos. Os neo-revisionistas diferem dos revisionistas na questão da revolução socialista mundial armada: Os revisionistas advogam abertamente o “caminho pacífico” enquanto os neo-revisionistas se escondem por detrás da fórmula “anti-revisionista” da “luta armada” (por exemplo, a chamada “guerra popular” dos Maoistas). Estas duas agências da burguesia colaboram às escondidas do proletariado – contra a revolução socialista mundial. Assim, temos de atacar e de derrubar os centros do poder de estado do social-fascismo que ainda alimentam várias fontes do neo-revisionismo.

As guerras predatórias que são lançadas sob as condições agravadas da crise mundial aceleram o fim do capitalismo mundial e o aproximamento inevitável da revolução socialista mundial. As condições objectivas para o derrube do capitalismo global amadureceram tal como as condições objectivas para a abolição da inevitabilidade das guerras imperialistas.

A antiga história do socialismo é a história do socialismo que surge das consequências das Duas Guerras Mundiais. No entanto, o Marxismo-Leninismo ensina que o socialismo não deve resultar necessariamente e exclusivamente das guerras imperialistas mundiais. As condições globais para a reconquista do socialismo abrem-nos um caminho mais directo e fácil para o socialismo mundial. Actualmente, evitar uma terceira guerra mundial significa evitar as maquinações globalizadas das guerras locais (que os imperialistas lançaram sistematicamente desde o final da Segunda Guerra Mundial em várias intervenções militares, “guerras civis” fabricadas, etc. …de acordo com a estratégia imperialista de “dividir para reinar”). É a linha-geral do Comintern / ML que impede a estratégia imperialista global das guerras através da estratégia anti-guerra da revolução mundial, evitando a eclosão da terceira guerra mundial. A nossa política geral é baseada nas lições Marxistas-Leninistas das duas guerras mundiais, ou seja, nas experiências do proletariado mundial após as duas guerras mundiais. Assim, esta é a estratégia e a táctica do Comintern / ML para a revolução mundial e para acabar com todas as maquinações imperialistas que planeiam a destruição do mundo pelo imperialismo mundial.

Estaline disse que: “A paz pode ser mantida e fortalecida se os povos puserem a sua manutenção nas suas próprias mãos e fizerem tudo para a defenderem. A guerra pode tornar-se inevitável se os belicistas conseguirem enganar as massas com as suas mentiras.”

O Estalinismo ensina a luta necessária contra os belicistas, ensina a paz mundial através da destruição do imperialismo mundial. O Estalinismo é a ideologia do proletariado mundial que sabota as intenções dos belicistas imperialistas, dos reaccionários e dos contra-revolucionários que querem enganar as massas globais com mentiras.

O Hoxhaismo ensina que a transição de uma guerra de libertação anti-imperialista para a revolução popular e para a revolução socialista do proletariado Albanês garantiu a paz ao povo Albanês até ao último dia de existência da Albânia socialista, paz nas condições da ditadura proletária.

O Estalinismo-Hoxhaismo ensina a luta globalizada e centralizada dos povos contra os belicistas – sob a liderança do proletariado mundial e do Comintern (EH) – a transição para uma revolução popular global e a sua transição para a revolução socialista mundial é possível. A revolução mundial fornece a base para a construção pacífica do socialismo mundial. O socialismo mundial significa a evitabilidade das guerras pela primeira vez na história das sociedades de classes.



As crises capitalistas preparam o terreno para novas guerras; umas são condição das outras na base das conexões imperialistas e das relações no seio da economia e da política mundial.

No seu relatório ao 16º Congresso do Partido, Estaline definiu as contradições básicas do capitalismo mundial que aumentaram muito durante a crise económica mundial e isto significa que:

Isto significa, em primeiro lugar, que a burguesia vai tentar encontrar um caminho através da fascização na esfera da política doméstica, e vai utilizar todas as forças reaccionárias, incluindo a social-democracia, com este propósito.

Em segundo lugar, isto significa que na esfera da política estrangeira, a burguesia vai tentar encontrar um caminho através da guerra imperialista.

Por ultimo, isto significa que o proletariado, ao lutar contra a exploração capitalista e contra o perigo de guerra, vai procurar um caminho através da revolução.” (Estaline, Works, The intensification of the contradictions of capitalism, Volume 12, 2., traduzido a partir da edição em Inglês)

Foi a crise geral do sistema capitalista mundial que causou a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. E foi de novo a crise geral do sistema capitalista mundial que desde a Segunda Guerra Mundial, tem causado sistematicamente guerras em várias partes do mundo. Trata-se da estratégia de guerra do imperialismo Americano para se expandir e para manter a sua supremacia no mundo e especialmente nos mercados mundiais. A contradição entre o colapso do antigo domínio do mundo pelo imperialismo Ocidental e a emergência de novas potências imperialistas como a China intensifica-se rapidamente e leva consigo o germe da terceira guerra mundial – que re-dividirá o mundo. Com o agravamento da crise global, a globalização da guerra torna-se mais provável. Se não conseguirmos para esta tendência da globalização das guerras, isto significa que a burguesia mundial vai impor uma guerra civil global, demorada e sangrenta ao proletariado mundial e aos povos. Se o proletariado mundial não conseguir evitar uma nova Guerra mundial através da revolução, então a guerra civil internacional inevitável será transformada na ditadura mundial vitoriosa do proletariado. A nossa política geral diz qual é o caminho mais curto e directo para a revolução socialista mundial. É o caminho da concretização do socialismo mundial com o menor número de vítimas. Assim, a luta do proletariado mundial pela paz mundial é indispensável para a vitória da revolução mundial. A luta pela paz mundial com base no Marxismo-Leninismo – aplicado às presentes condições da globalização – é parte central da linha-geral do Comintern / ML.

O imperialismo e a luta pela hegemonia económica no mundo são a fonte burguesa das guerras imperialistas. A globalização do imperialismo significa a globalização do poder imperialista armado com o propósito de:

a) estabelecer a contra-revolução globalizada e armada em termos internos e

b) estabelecer a subjugação e a pilhagem militar globalizada em termos externos.

O conflito antagonista entre as relações de produção imperialistas globais e as forças produtivas materiais da sociedade mundial está a agravar-se inevitavelmente, especialmente durante as guerras imperialistas. Assim, é a guerra imperialista que destrói mais rapidamente as forças produtivas e que prejudica radicalmente a única fonte das relações mundiais de produção imperialista. E o resultado torna-se visível através da Revolução de Outubro na Rússia, onde as relações de produção socialistas tomaram o lugar das relações de produção capitalistas. E o mesmo vai acontecer através da revolução socialista mundial. As crises e a guerra serão removidas através do desenvolvimento das relações de produção socialistas globalizadas que tomarão o lugar das relações de produção imperialistas globalizadas.

As armas globalizadas do capital que servem a propriedade privada dos meios de produção não se podem unir de maneira sustentada. As armas imperialistas estão condenadas á derrota porque a defesa global da propriedade privada dos meios de produção significa simultaneamente a sua destruição á escala global. As classes exploradoras têm o sangue das classes exploradas nas suas mãos; o capitalismo torna os capitalistas numas bestas. “Toda a história do capital é feita de violência e roubo, sangue e corrupção.” (Lenine, Collected Works, Volume 21, página 105, traduzido a partir da edição em Inglês)

Mas o trabalho une-se! As armas globais do proletariado unir-se-ão vitoriosamente contra as armas do capital global. E com cada vitória contra o inimigo comum, o proletariado mundial reforça-se através de todas as classes oprimidas e exploradas do mundo.

A mera presença da propriedade privada dos meios de produção é um roubo. E um exército globalizado que protege a monopolização da propriedade privada nas mãos de uma minoria de ricos não é mais do que um exército genocida sangrento. Não há capital sem guerra pelo capital. A existência do capital mundial é impossível sem guerra mundial. A guerra é inerente á propriedade privada dos meios de produção. E o proletariado mundial conduz a sua guerra de classe com o objectivo de abolir a inevitabilidade das guerras pela propriedade privada dos meios de produção.

A burguesia enfraquece-se devido ao facto de que ela tem de lançar guerras em defesa dos interesses de acumulação do capital mundial. E simultaneamente as suas forças estão ligadas á contra-revolução contra o proletariado mundial. Isto é um teste crucial para a burguesia mundial. E na verdade, a história provou mais do que uma vez que a guerra entre os capitalistas enfraquece-os a um tal grau que eles se tornam perecíveis. Assim, os imperialistas colocam-se num estado crítico no qual eles dão as suas armas ao proletariado mundial de forma involuntária – o que torna a vitória do proletariado mundial não apenas possível, mas sobretudo inevitável.



4.

O Marxismo-Leninismo é o guia da nossa estratégia e da nossa táctica contra as guerras imperialistas



Lenine:

Os socialistas sempre condenaram a guerra entre nações como sendo bárbara e brutal. Mas a nossa atitude relativamente á guerra é fundamentalmente diferente da dos pacifistas burgueses (apoiantes e defensores da paz) e dos Anarquistas. Nós diferenciamo-nos porque nós compreendemos a ligação inevitável entre as guerras e a luta de classes em cada país; nós compreendemos que a guerra não pode ser abolida a menos que as classes sejam abolidas e que o socialismo seja criado; nós também nos diferenciamos na medida em que nós encaramos a guerra civil, ou seja, guerras levadas acabo pelas classes oprimidas contra as classes opressoras, as dos escravos contra os donos dos escravos, as dos servos contra os senhores e dos assalariados contra a burguesia como sendo legítimas, progressistas e necessárias. Nós Marxistas diferenciamo-nos tanto dos pacifistas como dos anarquistas na medida que vemos como sendo historicamente necessário (do ponto de vista do materialismo dialéctico de Marx) estudar cada guerra separadamente.” (Chapter I: The Present War is An Imperialist War, traduzido a partir da versão em Inglês)

O Comintern / ML é guiado pela linha-geral de Lenine acerca das tácticas Bolcheviques na luta contra o terrorismo, por um lado, e contra o oportunismo, por outro lado:

Lenine:

Em todos os eventos, nós estamos convencidos de que a experiência da revolução e da contra-revolução na Rússia provou a correcção da táctica da luta contra o terrorismo que o nosso Partido tem levado a cabo durante 20 anos. No entanto, não devemos esquecer que esta luta esteve intimamente ligada a uma luta dura contra o oportunismo que repudiava o uso da violência pelos oprimidos contra os opressores. Nós sempre fomos a favor do uso da violência na luta de massas e em ligação com ela. Em segundo lugar, nós ligamos a luta contra o terrorismo com muitos anos de propaganda, desde muito antes de Dezembro de 1905, em favor de uma revolta armada. Nós temos encarado a revolta armada não apenas como o melhor meio pelo qual o proletariado pode retaliar contra a política do governo, mas também como o resultado inevitável do desenvolvimento da luta de classes pelo socialismo e pela democracia. Em terceiro lugar, nós não nos limitamos a aceitar a violência como princípio e a fazer propaganda pela revolta armada. Por exemplo, quatro anos antes da revolução, nós apoiámos o uso da violência pelas massas contra os seus opressores, particularmente nas manifestações de rua. Nós tentámos ensinar ao país uma lição por cada manifestação que organizamos. Nós começámos a dedicar mais tempo e atenção á organização de uma resistência de massas sustentável e sistemática contra a polícia e o exército, para conseguirmos ganhar uma parte desse mesmo exército para o lado do proletariado na sua luta contra o governo, e para induzir o campesinato e o exército a adoptarem uma posição consciente neste luta. Estas são as tácticas que temos aplicado na luta contra o terrorismo.” (Lenine, Collected Works, Volume 23, página 123, traduzido a partir da edição em Inglês)

Os socialistas não devem ajudar os ladroes mais jovens e recentes a roubar os ladroes mais velhos e antigos. Os socialistas devem tirar proveito desta luta para os derrubarem a todos. Para conseguirem isto, os socialistas devem em primeiro lugar dizer a verdade ao povo, nomeadamente, que esta guerra é uma guerra entre os donos dos escravos para consolidar a escravatura. Para fortalecer a escravização das colónias através de uma distribuição “mais justa” e de uma “exploração concertada”; em segundo lugar, para fortificar a opressão de outras nações dentro das “grandes” potências para que elas mantenham o seu domínio através dessa opressão, intensificando-a através da guerra; e em terceiro lugar, para fortificar e prologar a escravatura assalariada, para suprimir o proletariado agravando os preconceitos nacionais, fazendo fortunas com a guerra e intensificando a reacção que levantou a sua cabeça em todos os países, até mesmo nos mais livres e republicanos.” (Lenine, Collected Works, The Attitude of Socialists Towards Wars, in: „Socialism and War“ - Chapter I: War Between the Biggest Slave-Owners for Preserving and Fortifying Slavery, Volume 21, traduzido a partir da edição em Inglês)

O carácter da Guerra (revolucionário ou reaccionário) não depende de quem é o agressor, ou em que país está estacionado o inimigo; depende de qual classe lança a guerra, e sobre que base política esta guerra está a ser travada. Se a guerra for uma guerra reaccionária e imperialista, ou seja, se ela estiver a ser travada pela burguesia predatória e reaccionária, então todas as burguesias (mesmo as dos países pequenos) se tornam em participantes do saque, e o meu dever como representante do proletariado revolucionário é preparar a revolução proletária mundial como sendo a única saída para os horrores do massacre mundial. Devo argumentar… do ponto de vista da minha parte na preparação, na propaganda e na aceleração da revolução proletária mundial. É isto que significa o internacionalismo e é este o dever de todos os internacionalistas.” (Lenine, Collected Works, Proletarian Revolution and Renegade Kautsky, Volume 28, páginas 286-287, traduzido a partir da edição em Inglês)

Lenine colocou a questão fundamentalo carácter de classe da guerra:

O que causou a Guerra, as classes que a travam e que condições históricas e económicas lhe deram origem ….”Do ponto de vista do Marxismo, ou seja, do socialismo científico moderno, a principal questão em qualquer discussão dos socialistas acerca de como encarar a guerra e qual a atitude a adoptar relativamente a ela é esta: porque é que a guerra está a ser travada, que classes a dirigem. Nós Marxistas não pertencemos a esse género de pessoas que são oponentes indefectíveis da guerra. Nós dizemos: o nosso objective é atingir uma sociedade socialista que, ao eliminar a divisão da humanidade em classes, ao eliminar a exploração do homem pelo homem e das nações entre si, vai inevitavelmente eliminar a possibilidade da guerra. Mas na guerra para concretizar este sistema socialsocialista, devemos encontrar condições sob as quais a luta de classes dentro de cada nação possa opor-se a uma guerra entre diferentes nações, uma guerra condicionada pela própria luta de classes. Assim, não podemos excluir a possibilidade das guerras revolucionárias, ou seja, das guerras que surgem da luta de classes, das guerras travadas pelas classes revolucionárias que tenham um significado revolucionário directo e imediato.” (Lenine, Collected Works, Volume 24, páginas 398 e 399, traduzido a partir da edição em Inglês)

Como podemos então definir a “essência” de uma guerra? A guerra é a continuação da política. Consequentemente, devemos examinar a política prosseguida antes da guerra, a política que conduziu á guerra. Se foi uma política imperialista, ou seja, uma política designada para defender e servir os interesses do capital financeiro e para roubar e oprimir as colónias e os países estrangeiros, então a guerra que provém desta política é imperialista. Se foi uma política de libertação nacional, ou seja, uma que exprima o movimento de massas contra a opressão nacional, então a guerra que emerge desta política é uma guerra de libertação nacional.” (Lenine, Collected Works, Volume 23, página 33, traduzido a partir da edição em Inglês)

No que respeita á relação entre guerra e paz, Lenine disse que:

As alianças pacíficas preparam o terreno para as guerras, e surgem de guerras; uma condiciona a outra, produzindo formas alternadas de luta pacífica e armada sobre uma única base de conexões e ligações imperialistas dentro da economia e da política mundial.” (Lenine, Collected Works, Imperialism, the Highest Stage of Capitalism, Volume 22, capítulo IX, página 295, traduzido a partir da edição em Inglês)

Lenine elaborou as “Propostas submetidas pelo Comité Central do RSDLP á Segunda Conferencia Socialista” em 1916:

1. Tal como todas as guerras não são mais do que uma continuação por meios violentos das políticas que os estados beligerantes e as suas classes dominantes têm conduzido durante muitos anos, às vezes décadas, antes da eclosão da guerra, por isso as guerras não são mais do que uma consideração das mudanças actuais trazidas em relação às forças durante e como resultado da guerra.

2. Enquanto os fundamentos das presentes relações sociais e burguesas se mantenham intactas, uma guerra imperialista pode conduzir apenas a uma paz imperialista, a uma opressão mais intensa exercida pelo capital financeiro sobre os países mais fracos que atinge proporções gigantescas não apenas durante o período antes da guerra, mas também durante a guerra. O conteúdo objectivo das políticas prosseguidas pela burguesia e pelos governos de ambos os grupos de Potências antes e durante a guerra conduz á opressão económica intensificada, á escravatura nacional e á reacção política. Assim, dado que o sistema social burguês permanece, a paz que se segue á guerra vai perpetuar este agravamento das condições económicas e políticas das massas.

Assumir que uma paz democrática pode surgir de uma guerra imperialista é, em teoria, substituir as frases vulgares por um estudo histórico das políticas conduzidas antes e durante a guerra. Na prática, é enganar as massas esconder a sua consciência política cobrindo-a e petrificando as verdadeiras políticas prosseguidas pelas classes dominantes para prepararem o terreno para a vinda da paz, ao ocultarem das massas que a paz democrática é impossível sem uma nova série de revoluções.

3. Os socialistas não recusam a luta pelas reformas. Mesmo agora, por exemplo, eles votam nos parlamentos pela melhoria das condições das massas, para auxiliar os habitantes das áreas desvastadas, para diminuir a opressão nacional, etc. Mas é um engano burguesa defender que as reformas são a solução para todos os problemas para os quais a história e a situação política exigem soluções revolucionárias. Este é precisamente o tipo de problemas que a actual guerra apresentou. Estas são as questões fundamentais do imperialismo, ou seja, a existência da sociedade capitalista, as questões do adiamento do colapso do capitalismo através de uma re-divisão do mundo que corresponda á nova relação de forças entre as “Grandes” Potências que nas últimas décadas se têm desenvolvido não apenas a uma velocidade fantástica mas – e isto é o mais importante – de uma forma extremamente desigual entre si. A verdadeira actividade política que produza uma mudança na relação das forças sociais e que não se limite a enganar as massas só é agora possível numa de duas formas – ou ajudamos a nossa própria burguesia nacional a roubar outros países (e chamar a isto “defesa da pátria” ou “salvar a nação”), ou auxiliamos a revolução proletária e socialista incentivando o seu início no seio das massas em todos os países beligerantes, organizando greves e manifestações, etc.… transformando estas expressões um tanto ou quanto frágeis da luta revolucionária das massas num ataque proletário geral para derrubar a burguesia.” (Lenine, Collected Works, Volume 22, páginas 169 e 170, traduzido a partir da edição em Inglês)

Estaline definiu as guerras dos capitalistas como sendo inerentes á lei económica básica do capitalismo. Ele declarou que:

O assegurar dos lucros máximos capitalistas através da exploração, ruína e empobrecimento da maioria da população de um dado país através da escravização e do roubo sistemático dos povos de outros países, especialmente de países atrasados e através de guerras e da militarização da economia nacional que são utilizadas para a obtenção de lucros máximos. (…) Nas colónias, ao subjugarem os povos e ao engendrarem guerras, os magnatas do capitalismo monopolista moderno tentam assegurar (…) os lucros máximos que são a força motriz do capitalismo monopolista. É precisamente a necessidade de assegurar os lucros máximos que conduz o capitalismo monopolista a empreendimentos tão arriscados tais como a escravização e o roubo sistemático das colónias e de outros países atrasados, a conversão de países independentes em dependentes, a organização de novas guerras – que para os magnatas é o “negócio” melhor adaptado á extracção de lucros máximos – e, por fim, as tentativas de ganhar supremacia mundial.”(Estaline, Works, Problemas Económicos do Socialismo na URSS, Moscovo 1952, versão em Português)

Lenine:

O monopólio do capital financeiro moderno está a ser desafiado; a época das guerras imperialistas começou.” (Lenine, Collected Works, Volume 23, página 116, traduzido a partir da edição em Inglês)

Lenine:

O capital ganha com a bancarrota de uma nação capitalista rival, porque desta maneira o capital torna-se mais concentrado. Assim, quanto mais intensa for a competição económica, ou seja, a competição em direcção á bancarrota, mais os capitalistas lutam para pressionar militarmente de forma a conduzir o rival para essa direcção. Quanto menos países houver para onde o capital possa ser exportado tais como colónias ou países dependentes (…) mais dura será a luta pela subjugação e divisão (…). É isto que a teoria económica revela acerca do período do capital financeiro e do imperialismo.” (Lenine, Collected Works, The collapse of the Second International, Volume 21, páginas 229 e 230, traduzido a partir da edição em Inglês)

Lenine:

O capitalismo … desenvolveu as forças produtivas a um tal grau que a humanidade enfrenta a alternativa a de ou avançar para o socialismo ou sofrer anos e talvez décadas de luta armada entre as potências que defendem a preservação artificial do capitalismo através das colónias, monopólios, privilégios e opressão nacional.” (Lenine, Collected Works, The Attitude of Socialists Towards Wars, in: Socialism and War, Volume 21, capítulo I, traduzido a partir da edição em Inglês)

Lenine:

A tendência imperialista em direcção aos grandes impérios é inteiramente realizável, e na prática é atingida [sublinhado pelo Comintern / ML], na forma de uma aliança imperialista de estado soberanos e politicamente independentes. Tal aliança é possível e encontra-se não só nas fusões económicas do capital financeiro dos dois países, mas também na forma de “cooperação” militar na guerra imperialista. A luta nacional, a insurreição nacional são perfeitamente atingíveis sob o imperialismo. Elas são até mais pronunciadas porque o imperialismo não favorece o crescimento de tendências económicas e do capitalismo entre as massas da população. Pelo contrário, ele acentua o antagonismo entre as suas aspirações democráticas e a tendência anti-democrática dos monopólios.” (Lenine, Collected Works, Volume 23, páginas 50 e 51, traduzido a partir da edição em Inglês)



Lenine:

A questão da Guerra e da paz é relevante tanto no Ocidente como no Extremo Oriente porque existem duas tendências [sublinhado pelo Comintern / ML]; uma torna a aliança com os imperialistas inevitável; a outra coloca os imperialistas em oposição entre si – duas tendências, das quais nenhuma tem qualquer tipo de fundamento firme.” (Lenine, Collected Works, Volume 27, página 369, traduzido a partir da edição em Inglês)

Assim, Lenine descobriu a lei universal das guerras imperialistas.

Esta lei universal pode ser definida como se segue:

A guerra imperialista é a redistribuição periódica inevitável do mundo através da continuação da política imperialista por meios militares.

Por outras palavras:

A guerra imperialista é a sequela inevitável da luta política dos imperialistas pelo domínio do mundo por meios militares.

Duas tendências determinam o período das guerras imperialistas sobre a redistribuição do mundo:

1. Uma tendência é a redistribuição do mundo entre vários países imperialistas, ou entre os seus blocos, entre superpotências, etc. Eles lutam uns contra os outros pelo domínio do mundo que é a essência da política e das guerras imperialistas.

Lenine:

Os capitalistas … não podem evitar lutar se querem preservar o capitalismo, porque sem uma redistribuição forçada das colónias os novos países imperialistas não conseguem obter os privilégios usufruídos pelas potências imperialistas mais antigas e mais fracas.” (Lenine, Collected Works, Imperialism and the split in socialism, Volume 23, página 114, traduzido a partir da edição em Inglês)

A luta competitiva pelo domínio do mundo é conduzida por duas forças opostas:

(a) a substituição das esferas de influência de uns imperialistas (alianças, blocos, etc.) pelas esferas de influência de outros imperialistas (alianças, blocos, etc.).

(b) a manutenção e a defesa das suas próprias esferas de influência de uns contra os outros.

2. A segunda tendência é a de “por tudo junto”, colocar a ordem imperialista mundial e “funcionar”; é a tendência do “consenso pronto” para a redistribuição do mundo entre os imperialistas (através da sua diplomacia secreta). É uma necessidade inerente e é no interesse comum de todos os imperialistas evitar o risco de não conseguirem manter a existência do sistema imperialista. Esta tendência é caracterizada na medida em que os imperialistas são forçados a impor restrições neles próprios. Qualquer transgressão será inevitavelmente perigosa não apenas para a existência dos imperialistas, mas para toda a ordem imperialista.

Esta segunda tendência cresce rapidamente através da condições intensificadas da guerra e das crises que ganham importância a um tal grau que o proletariado mundial e os povos vão fortalecer a luta pela sua libertação do imperialismo mundial – em resumo, a segunda tendência está a ganhar importância com o nível de maturidade da revolução socialista mundial.

Ambas as tendências coexistem. Elas permanecem efectivas por todo o período no qual as guerras imperialistas são inevitáveis.

A primeira tendência prevalece na fase inicial, e depois durante o período do imperialismo mundial.

A segunda tendência prevalece durante o período final, no período no qual todos os imperialistas são forçados a tentarem salvar o seu sistema moribundo.

O proletariado mundial e os povos vão aprender a tirar proveito das contradições entre ambas estas tendências, especialmente no que respeita ás presentes condições de globalização.

A optimização da interacção das contradições antagonistas destas duas tendências da guerra imperialista – esta é a táctica anti-imperialista do Marxismo-Leninismo.

O imperialismo mundial é caracterizado pela contradição antagonista entre estas duas tendências, e é assim incapaz de evitar as guerras imperialistas ou de assegurar a paz mundial duradoura.

Estaline:

Para o comunismo … estas tendências são dois lados da mesma causa – a causa da emancipação dos povos oprimidos do jugo do imperialismo; porque o comunismo sabe bem que a união dos povos num único sistema económico mundial só é possível com base na confiança mútua e na concordância voluntária.” (Estaline, Works,The foundations of Leninism,” - Capítulo IV, - “The National Question”, traduzido a partir da edição em Inglês)

Isto reflecte o espírito do internacionalismo proletário, nomeadamente a unidade sólida de todas as forças na guerra anti-imperialista. A guerra anti-imperialista dos povos oprimidos e explorados é uma alavanca essencial da revolução socialista mundial. Porquê?

A guerra imperialista assumiu formas globalizadas, e fundiu globalmente as lutes de libertação de todos os povos. Consequentemente, o (dantes limitado) contexto nacional das guerras de libertação não pode permanecer intocado. A lei universal de Lenine é que o carácter nacional da guerra anti-imperialista predomina nas primeiras fases do seu desenvolvimento. Na fase final da globalização, a Guerra revolucionária contra a Guerra imperialista será determinada pelos elementos globalizados. A globalização da guerra imperialista também significa a globalização de todas as forças contra a guerra imperialista.

É a conexão da frente anti-guerra proletária com a frente da libertação nacional dos povos oprimidos e explorados em direcção a uma frente unida mundial contra a guerra imperialista que vai ser posta em prática de forma bem-sucedida através da lei universal da guerra anti-imperialista.

A contradição entre nações opressoras e oprimidas não pode ser resolvida dentro do âmbito do capitalismo mundial – nem em termos pacíficos nem em termos violentos. As nações só podem coexistir pacificamente no socialismo se o socialismo tiver sido vitoriosa á escala mundial. Tudo isto não pode acabar sem uma guerra de classes, é uma questão de luta armada revolucionária. Toda a história das nações é uma história de lutas de classe armadas.

O Estalinismo-Hoxhaismo determina tanto a lei universal da guerra imperialista como a lei universal da guerra anti-imperialista como expressão dos processos objectivos da luta de classes global que toma lugar independentemente da vontade do povo. Isto não significa que não teríamos influência no que respeita á substituição de uma lei universal por outra. É claro que podemos aprender a controlar estas leis, ou seja, podemos restringir e enfraquecer os efeitos da lei universal das guerras imperialistas, por um lado, e promover e fortalecer a lei universal da guerra anti-imperialista, por outro lado. A vitória da nossa luta pelo socialismo mundial depende de quão longe nós consigamos ser bem sucedidos na harmonização entre a nossa luta pelo socialismo e a lei universal da guerra anti-imperialista.

Mas o que é a lei universal da guerra anti-imperialista?

Nós derivamos a lei universal da guerra anti-imperialista da lei universal de Lenine acerca da guerra imperialista – da seguinte forma:

A Guerra anti-imperialista é uma Guerra contra a redistribuição inevitável e periódica do mundo imperialista através da continuação da luta de todas as forças anti-imperialistas por meios militares – em geral.

A guerra anti-imperialista do proletariado mundial é a sequela inevitável da luta política do proletariado mundial pelo domínio do mundo através de meios militares – em particular.

A guerra anti-imperialista é a guerra para abolir a inevitabilidade da re-divisão imperialista do mundo, é a forma marcial da transformação da redistribuição imperialista do mundo em distribuição socialista do mundo.

Duas tendências determinam todo o período das guerras anti-imperialistas:

A primeira tendência:

O despertar da luta proletária contra a guerra imperialista em vários países imperialistas e a incipiente luta de libertação anti-imperialista dos vários povos nas colónias, semi-colónias e países dependentes. A guerra anti-imperialista do socialismo “num só país”, a defesa do socialismo na pátria, o apoio militar tanto á luta anti-guerra do proletariado como á dos povos nos países oprimidos. A ruptura da cadeia imperialista e o quebrar do elo mais fraco dessa cadeia. A unificação do proletariado, os camponeses pobres e os soldados de uma nação contra a união dos imperialistas domésticos e estrangeiros. A vitória da revolução socialista “num só país” que surge da guerra anti-imperialista.

A segunda tendência:

A guerra anti-imperialista torna-se um efeito colateral inevitável do colapso do imperialismo mundial. O colapso global do imperialismo mundial engloba toda uma época histórica, uma era de várias guerras e revoluções – as guerras imperialistas, a guerra civil, a complexidade destas guerras á escala global, as guerras nacionais e as guerras de libertação das nações. Os imperialistas transformam as instituições das Nações Unidas em instrumentos dos seus propósitos de guerra predatórios; eles formam grupos globais, monopólios massivos de capitalismo de estado, alianças militares globais e unidades contra-revolucionárias especiais. Esta época é uma era de tremendos choques, de decisões militares de consequências globais, uma era de crises de natureza global. A partir daqui desenvolve-se a frente mundial proletária contra a guerra imperialista. A frente global dos povos contra a guerra imperialista desperta. A frente anti-guerra do proletariado mundial une-se á Frente de Libertação Popular numa aliança invencível. Operários, camponeses e soldados vão unir-se globalmente – para evitarem e eliminarem as guerras imperialistas. A guerra imperialista mundial torna-se numa guerra civil global. Toda a cadeia do imperialismo mundial vai quebrar-se. As forças económicas e militares dos imperialistas mundiais ficarão exaustas. A capitulação imperialista global é inevitável. O proletariado mundial vai desarmar a burguesia mundial. A segunda tendência é coroada pela vitória da revolução socialista mundial.

A primeira tendência prevalece na fase inicial, a segunda tendência prevalece na fase final da época da guerra anti-imperialista.

Contrariamente a estas duas tendências antagonistas da lei universal das guerras imperialistas, a lei universal da guerra anti-imperialista é efectiva através da interacção não-antagonista de ambas as tendências.

Para nós comunistas, estas duas tendências são dois lados da mesma coisa: ultrapassagem e abolição da inevitabilidade das guerras imperialistas. Porque nós comunistas sabemos que os povos se podem libertar só por meios pacíficos e devem criar condições para o mundo comunista. O mundo dos povos não pode ser pacífico nem comunista enquanto houver perigo de guerra no mundo.

Um suposto “socialismo mundial” no qual um país socialista trava guerra contra outro país socialista nunca pode ser um verdadeiro mundo socialista. E vice-versa: Um país socialista que não sirva a paz mundial por todos os meios nunca poderá ser um verdadeiro país socialista amante da paz.

A natureza da luta do proletariado sem propriedade é a destruição revolucionária do capitalismo, enquanto os trabalhadores no socialismo trabalham como se fossem uma classe proprietária. O proletariado mundial armado luta pela protecção global das relações socialistas de produção.

Na época do socialismo mundial, o proletariado mundial armado vai proteger não apenas a sua própria propriedade como também a propriedade comum dos povos. Apenas o proletariado mundial armado é capaz de abolir a sua própria propriedade e todas as propriedades em redor do mundo. E isto inclui a abolição do seu próprio armamento e de quaisquer propriedades de armas.

A s acções violentas para manter a contradição entre o capital e o trabalho vêem da luta de classes armada da burguesia. Disto, o proletariado mundial induz a contra-acção pela libertação das forças produtivas das garras das relações capitalistas de produção, e da abolição revolucionária da contradição capitalista entre capital e trabalho. Com a luta de classes armada, o proletariado não pode emancipar-se a si próprio sem abolir as suas antigas condições de vida. A luta armada da classe proletária é apenas a execução do julgamento que a propriedade privada impôs a si própria, porque a propriedade privada produziu o proletariado. Em contraste, a propriedade privada armada é o sistema penal violento que o trabalho assalariado impôs sobre si, ao gerar a riqueza da burguesia e a sua própria miséria.

Lenine cita Marx e Engels (do livro “A Sagrada Família”):

“Quando o proletariado é vitorioso, ele não se torna no senhor absoluto da sociedade apenas por ser vitorioso, mas apenas através da abolição de si mesmo e do seu oposto. Então, o proletariado desaparece bem como o oposto que o engendra – a propriedade privada.”(Lenine, Collected Works, Philosophical Notebooks, Volume 38, página 27, traduzido a partir da edição em Inglês)

Isto exprime a dialéctica da unidade dos opostos na luta armada entre o proletariado e a burguesia, entre a guerra civil e a guerra imperialista.

Isto também pode ser aplicado ao armamento do proletariado que desaparece bem como o oposto que o engendra – a propriedade privada e as armas.

É a transformação dialéctica da guerra imperialista no seu oposto – na guerra anti-imperialista, na guerra civil. É o “salto qualitativo” da velha sociedade imperialista das guerras e o surgimento da sociedade socialista mundial sem guerras imperialistas.











5.

A política de paz do Camarada Estaline

- Pedra basilar do Estalinismo e parte vital da linha-geral do Comintern / ML

 

A política de paz da União Soviética de Lenine e de Estaline foi crucial contra a política de guerra do imperialismo, ela lançou o início da revolução socialista mundial. A política de paz do camarada Estaline não foi apenas uma base indispensável para a construção do campo socialista e do comunismo na União Soviética, mas também criou a inevitabilidade da paz mundial anti-imperialista. O Estalinismo foi a bandeira vitoriosa da paz mundial sob as condições do socialismo “num só país” e do campo socialista mundial. A paz Estalinista serviu o progresso da revolução mundial proletária e socialista. A política de paz de Estaline inclui a vitória da guerra civil do proletariado mundial que se seguirá inevitavelmente a uma nova guerra imperialista mundial.

Estaline ensinou que:

Os trabalhadores Ingleses em 1918 e 1919, durante o ataque armado da burguesia Inglesa contra a União Soviética, organizaram a sua luta contra a guerra sob o slogan “Fora da Rússia!”, e isto foi um apoio acima de tudo á luta do seu próprio povo pela paz e também um apoio á União Soviética. (…) A qualidade especial do apoio actual pode ser explicada na medida em que os interesses do nosso Partido não apenas não estão contra os interesses dos povos amantes da paz, mas pelo contrário, reforçam-nos. (Aplauso) No que respeita á União Soviética, o interesse na paz mundial não pode ser separada da causa da paz em todo o mundo.” (Estaline, Works, Volume 16, Discurso pronunciado no 19º Congresso do PCUS, 14 de Outubro de 1952, traduzido a partir da edição em Inglês)

Aqueles que tentam colocar a política de paz Estalinista em oposição ao papel da pátria do proletariado mundial são anti-Estalinistas.

Aqueles que tentam separara a Grande Guerra Patriótica do centro da revolução mundial do proletariado mundial são anti-Estalinistas.

Aqueles que tentam separar a Grande Guerra Patriótica do centro da revolução mundial não são internacionalistas proletários.

Aqueles que não confiam no Estalinismo – esse instrumento para abolir a inevitabilidade das guerras imperialistas – são defensores do status quo e da inevitabilidade das guerras imperialistas.

Todos estes elementos – quer gostem quer não – são lacaios dos belicistas imperialistas e social-imperialistas, eles são social-chauvinistas e nacionalistas mas nunca serão Estalinistas!

O Estalinismo é a doutrina da vitória do proletariado na transição para o socialismo mundial. Munida com as armas do Estalinismo, a ditadura proletária ganha uma vitória internacional sobre a ditadura fascista da burguesia! Os exércitos proletários demonstraram historicamente que eles são disciplinados e estão prontos a fazer sacrifícios muito mais do que os exércitos imperialistas. Milhões de camponeses lutaram heroicamente ao lado do proletariado. E finalmente, houve soldados dos exércitos imperialistas que trocaram de lado e lutaram pela revolução mundial. A aliança militante do proletariado, dos camponeses e soldados trouxe a vitória da Revolução de Outubro e provou ser bem-sucedida na guerra civil, provou ser invencível na Grande Guerra Patriótica – que será essencial para o derrube do imperialismo mundial – o Estalinismo ensina-nos tudo isto. O Estalinismo na presente luta pela revolução mundial pretende estabelecer o exército proletário mundial consistindo em destacamentos de proletários de todos os países, destacamentos de camponeses de todos os países e de soldados rebeldes e revolucionários recrutados de entre os destacamentos do exército imperialista mundial. Martelo, foice e arma – unidos á escala global – são a combinação invencível das armas que garantem a derrubada do imperialismo mundial e a abolição das guerras imperialistas.

O Estalinismo provou que a vitória é impossível sem a utilização das armas do inimigo e sem tirar proveito das fraquezas e contradições dentro do campo imperialista mundial.

O Estalinismo ensina que o imperialismo mundial não foi capaz de derrotar o proletariado socialista e os seus aliados no campo de batalha. As armas proletárias triunfaram sobre as armas da burguesia. No entanto, foram os agentes imperialistas dentro do campo da ditadura proletária – os revisionistas modernos – que finalmente derrotaram e desarmaram o proletariado mundial.

Nós Estalinistas defendemos que:

com a Grande Guerra Patriótica, Estaline continuou de forma bem-sucedida a revolução mundial e manteve vivo o trabalhão começado por Marx, Engels e Lenine.

A Grande Guerra Patriótica foi uma forma específica de processo avançado da revolução mundial. Nas condições históricas específicas, Estaline transformou a segunda guerra imperialista mundial numa guerra mundial anti-imperialista.

A Grande Guerra Patriótica foi uma forma especial de revolução Bolchevique – com o objectivo de fazer triunfar o campo socialista mundial.

A Grande Guerra Patriótica foi uma forma especial de luta pela transformação do primeiro período do socialismo no segundo período do socialismo.

A Grande Guerra Patriótica foi uma guerra revolucionária á escala mundial que abriu o caminho em direcção ao socialismo mundial.

O Estalinismo é assim o desenvolvimento da doutrina da revolução socialista mundial, a transformação das suas formas nacionais em formas internacionais e por isso foi a continuação da Revolução de Outubro a um nível mais elevado, á escala internacional. Na nossa linha-geral nós realçamos o carácter internacionalista da Grande Guerra Patriótica para traçar a necessária linha de demarcação daqueles que abusam e reduzem o Estalinismo a ser uma expressão do chauvinismo Russo. Os grandes méritos do povo Soviético, o seu heroísmo glorioso, a sua elevada consciência internacionalista, a sua confiança na vitória e a sua vontade fazer sacrifícios pela vitória do fascismo de Hitler – todas estas características socialistas foram pré-condição para a vitória na Grande Guerra Patriótica que justificam completamente a correcção do termo “Grande Guerra Patriótica”. O patriotismo Soviético não pode ser colocado em oposição ao seu carácter internacionalista.

Os oportunistas não apenas criticam o Pacto de Não Agressão que a União Soviética assinou com a Alemanha Nazi, mas também a coligação de Estaline com o imperialismo Anglo-Americano durante a Segunda Guerra Mundial. Em contraste, estes são os nossos argumentos:

Em primeiro lugar, esta não foi uma coligação no sentido de “associação de ideias”, mas sim um pacto feito com inimigos do comunismo que se baseou no 5 princípios Marxistas-Leninistas da coexistência pacífica;

Em segundo lugar, é bem sabido que este pacto não foi ratificado antes, mas sim durante a Segunda Guerra Mundial;

Em terceiro lugar, foi um acordo justo para unir e fortalecer as forças na guerra contra o fascismo de Hitler;

Em quarto lugar, Estaline nunca apelou á união com a burguesia, nem relativamente aos trabalhadores nem aos povos oprimidos;

Em quinto lugar, Estaline apoiou os povos contra os ocupantes fascistas e contra os traidores que sabotam a luta de libertação nacional e social;

Em sexto lugar, nem Estaline nem o Partido Comunista alimentaram ilusões acerca dos objectivos dos EUA e da Grã-Bretanha, que foram forçados a lutar contra o fascismo pela União Soviética.

A doutrina da libertação revolucionária dos povos do fascismo de Hitler foi um a doutrina internacionalista, tinha um carácter internacionalista porque foi criada pelo camarada Estaline – o líder do proletariado mundial. A Grande Guerra Patriótica foi uma guerra travada pela pátria do proletariado mundial, pelo centro da revolução mundial. Defender o Estalinismo hoje é: O proletariado mundial recebe a sua força da vitória imortal na Grande Guerra Patriótica, usando-a como um guia para a luta revolucionária mundial contra as guerras imperialistas e para coroar a vitória da Grande Guerra Patriótica com a vitória da Grande Revolução Socialista Mundial.

O significado dos ensinamentos da Grande Guerra Patriótica para a linha-geral do Comintern / ML é que estes ensinamentos são não apenas uma base para a vitória na guerra anti-imperialista á escala global, mas também são uma garantia para a vitória em cada país. A vitória na Grande Guerra Patriótica criou as condições favoráveis para a libertação dos povos do mundo. A luta anti-imperialista de libertação e a revolução popular na Albânia são ainda hoje um grande exemplo para o proletariado mundial.

No que respeita á política de paz da URSS, Estaline realçou no seu relatório acerca dos resultados do XII Congresso do RCP (B) no campo das relações externas:

Que o congresso levou o Partido a continuar a sua política de paz, a sua política de luta determinada contra a guerra, de denúncia incansável de todos e de cada um dos defensores dos novos armamentos e conflitos.” (Estaline, Works, Volume 6, páginas 246 a 273, capítulo: Foreign Affairs, traduzido a partir da edição em Inglês)

E no seu relatório ao XVII Congresso do Partido, Estaline realçou os quatro pontos principais da luta pela paz da URSS:

Não se pode duvidar do facto de que uma segunda guerra contra a URSS vai conduzir á derrota completa dos agressores e á revolução num grande número de países na Europa e na Ásia, bem como á destruição dos governos burgueses nesses países. Enquanto a burguesia escolhe o caminho da guerra, a classe operária dos países capitalistas – conduzida ao desespero por quatro anos de crise de e desemprego – está a começar a tomar o caminho da revolução. Isto significa que uma crise revolucionária está a amadurecer e vai continuar a fazê-lo. E quanto mais a burguesia se afunda nos seus esquemas de guerra, mais frequentemente ela recorre aos métodos terroristas de luta contra a classe operária e contra o campesinato e mais rapidamente a crise revolucionária se irá desenvolver.

O que fez a URSS confiar nesta luta complicada pela paz?

(a) A sua força política e económica.

(b) O seu apoio moral ás amplas massas da classe operária de todos os países que estão interessadas na manutenção da paz.

(c) A prudência dos países que por um ou por outro motivo não estão interessados em perturbar a paz e que querem desenvolver relações comerciais com um cliente pontual como a URSS.

(d) Finalmente – o nosso exército glorioso que está pronto a defender o nosso país dos ataques externos.” (Estaline, Works, Volume 13, Report to the Seventeenth Party Congress on the Work of the Central Committee of the C.P.S.U. (B.), 26 de Janeiro de 1934, traduzido a partir da edição em Inglês)

Estaline defendeu os resultados da política de paz da URSS no seu discurso pronunciado no encontro do Plenário Conjunto do Comité Central e da Comissão Central de Controlo do PCUS (B):

Nós não estamos em Guerra apesar das profecias de Zinoviev e de outros – este é o facto fundamental perante o qual todo o histerismo da nossa oposição se rende. E isto é importante para nós, porque apenas nas condições de paz podemos promover a construção do socialismo no nosso país da forma que desejamos.

O propósito da nossa política externa – no que respeita às relações diplomáticas com os estados burgueses – é manter a paz. Nós conseguimos que – apesar do cerco capitalista, apesar das actividades hostis dos governos capitalistas, apesar das acções de provocação – apesar de tudo isto nós não nos deixámos provocar e fomos bem sucedidos na causa da paz.” (Estaline, Works, Volume 10, The Trotskyist Opposition Before and Now, 23 de Outubro de 1927, traduzido a partir da edição em Inglês)

Simultaneamente, Estaline lutou contra as ilusões perigosas que foram espalhadas sob a guisa da política de paz do socialismo “num só país”. Ele levantou sempre o problema da vigilância do proletariado mundial sobre o facto de que a inevitabilidade das guerras entre os países capitalistas e entre os países capitalistas e os países socialistas permanece em força. Com a sua política de paz, o proletariado não pode abandonar o seu braço armado contra a burguesia, porque a paz é só um intervalo entre as guerras imperialistas enquanto estas permanecem inevitáveis. Só com o derrube do imperialismo mundial, a possibilidade das guerras imperialistas pode ser eliminada. Antes disto, não se pode falar de paz para a humanidade – esta era a linha-geral de Estaline. E esta linha-geral de Estaline, a política de paz da União Soviética de Lenine e de Estaline, deve ser necessariamente seguida pelo proletariado mundial no seu caminho para o socialismo mundial. Todos os outros caminhos conduzem ás armas do imperialismo mundial e ás mortíferas guerras imperialistas.

Estaline:

A inevitabilidade das guerras entre os países capitalistas permanece em força.

É dito que a tese de Lenine de que o imperialismo engendra inevitavelmente a guerra deve ser vista como ultrapassada, uma vez que as forças populares tomaram a dianteira na luta pela defesa da paz e contra outra guerra mundial. Isto não é verdade.

O objectivo do actual movimento pela paz é levar as massas do povo a lutar pela preservação da paz e contra outra guerra mundial. Consequentemente, o propósito deste movimento não é derrubar o capitalismo e estabelecer o socialismo – limita-se ao objectivo democrático de preservar a paz. Neste respeito, o actual movimento da paz difere do movimento da época da Primeira Guerra Mundial pela conversão da guerra imperialista em guerra civil, já que este último tinha objectivos socialistas.

É possível que numa conjuntura bem definida de circunstâncias a luta pela paz se desenvolva e se torne numa luta pelo socialismo aqui ou ali. Mas então já não haverá movimento pela paz; será um movimento pelo derrube do capitalismo.

O mais provável é que o movimento de paz actual – enquanto movimento pela preservação da paz – consiga evitar uma determinada guerra, o seu adiamento temporário, ou uma preservação temporária de uma paz em particular, ou a resignação de um governo mais belicista e a sua substituição por outro disposto a manter a paz por mais algum tempo. Isto será positivo. Mas ao mesmo tempo, não será suficiente para eliminar a inevitabilidade das guerras entre os países capitalistas em geral. Não será suficiente porque apesar de todos os sucessos do movimento pela paz, o imperialismo continuará – e por isso a inevitabilidade das guerras continuará também.

Para eliminar a inevitabilidade das guerras, é necessário abolir o imperialismo.” (Estaline, Works, Problemas Económicos do Socialismo na URSS, Capítulo 6: A inevitabilidade das Guerras entre os Países Capitalistas, traduzido a partir da edição em Inglês)

Estaline nunca considerou ou praticou a luta contra a guerra e o fascismo como um fim em si mesma. Ele sempre aplicou a luta pela paz e pela democracia como uma alavanca da revolução mundial, como parte imanente do derrube da burguesia mundial e do estabelecimento da ditadura do proletariado mundial. Par Estaline, a conexão da guerra anti-imperialista e da guerra anti-fascista (particularmente na frente unidade anti-fascista!!) com o socialismo foi sempre o objectivo principal. Estaline sempre sujeitou a luta pela paz e pela democracia á luta pelo socialismo – e não vice-versa, como defendem os revisionistas modernos. Estaline dava muita importância á luta popular pela paz e pela democracia. Para ele, este era o maior baluarte contra a agressão do imperialismo mundial. No entanto, ele considerava primariamente isto como sendo uma fonte exaustiva para o recrutamento e para a mobilização das novas forças socialistas pelo derrube do capitalismo. Não foi por acaso que o último discurso de Estaline (ao 19º Congresso, no dia 14 de Outubro de 1952) terminou com slogans: “Viva a paz entre os povos! Abaixo os beligerantes!” Este slogan era direccionado aos imperialistas anglo-americanos. Eles começaram a guerra civil contra a URSS desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

A inevitabilidade das guerras imperialistas existe enquanto o imperialismo mundial dominar o mundo. Isto está intimamente relacionado com a lei básica do desenvolvimento desigual dos países imperialistas.

Estaline:

Diz-se que as contradições entre o capitalismo e o socialismo são mais fortes do que as contradições entre os países capitalistas. Em teoria, isto é verdade. E não o é apenas hoje, já o era antes da Segunda Guerra Mundial. E isto foi compreendido pelos líderes dos países capitalistas. E mesmo assim a Segunda Guerra Mundial não começou como uma guerra contra a URSS, mas sim como uma guerra entre países capitalistas. Porquê? Em primeiro lugar, porque a Guerra contra a URSS enquanto país socialista é mais perigosa do que a guerra entre países capitalistas; pois enquanto a guerra entre os países capitalistas é uma mera questão de supremacia de uns sobre os outros, a guerra contra a URSS deve certamente colocar em jogo a própria existência do capitalismo. Em segundo lugar, porque os capitalistas sabem muito bem que, apesar das suas afirmações acerca da “agressividade” da União Soviética, a política do nosso país é pacífica e não vai atacar os países capitalistas.” (Estaline, Works, Problemas Económicos do Socialismo na URSS, Capítulo 6: A inevitabilidade das Guerras entre os Países Capitalistas, traduzido a partir da edição em Inglês)

A União Soviética invencível de Lenine e de Estaline mostrou ao proletariado mundial que o socialismo derrotou o imperialismo mundial de forma bem-sucedida. E o socialismo demonstrou também como enfrentar o imperialismo mundial – mesmo no caso de um país pequeno como a Albânia de Enver Hoxha. Hoje em dia, já não existem duas formas de sociedade antagonistas. A contradição entre a antiga formação dos campos socialista e capitalista já não existe. A linha-geral do Comintern / ML declara que temos de liderar a luta pela paz sem a existência de países socialistas, sob as condições das guerras globalizadas do imperialismo mundial. A situação mundial é caracterizada pela guerra e pelo fascismo. A União Soviética de Lenine e de Estaline, o campo socialista mundial e a Albânia socialista – o último bastião da paz no mundo – foram vandalizados e o mundo mergulhou na escuridão da reacção. Sob a liderança do Comintern / ML, o proletariado mundial deve tirar proveito do processo objectivo do domínio auto-destrutivo da burguesia mundial, por um lado, e da sua própria força revolucionária, por outro lado.

Em primeiro lugar:

É a própria burguesia mundial que perece nas suas guerras predatórias; que gasta as suas energias nas guerras e que se enfraquece devido á desmoralização das forças armadas por causa das suas derrotas sem fim, que passa o tempo a transformar o mundo numa sociedade militarista e fascista globalizada, por causa das suas dívidas astronómicas de gastos militares, por causa da necessidade de produzir sempre novas técnicas, sistemas de armas, dos esforços de guerra, do aumento da dependência das forças armadas de todos os países do mundo, das contradições internas de interesses entre as superpotências e as outras “grandes” potências imperialistas, a burguesia nacional, a pequena-burguesia, etc. Quanto mais complexo for o sistema mundial de exploração e opressão, mais contradições vão surgir e mais vulnerável e frágil ele vai ser. A burguesia mundial por duas vezes quase se auto-destruiu ao provocar guerras mundiais – com sérias consequências para o seu próprio domínio. Não é preciso ser grande adivinho para perceber que a burguesia mundial está a cavar o seu próprio túmulo cada vez mais através das aventuras militares e de novas guerras imperialistas.

Em segundo lugar:

Quanto mais o proletariado e o campesinato pobre de todos os países são suprimidos simultaneamente através do militarismo e do fascismo, maior será a luta de resistência não apenas em termos domésticos mas também em termos globais. É a burguesia mundial que faz surgir involuntariamente as forças contra as guerras imperialistas, contra a reacção e o fascismo. Isto ajuda-nos a nós, comunistas, a mobilizar e a organizar as forças de paz sob a liderança do proletariado mundial. O que é uma “expedição punitiva” militar contra um governo desobediente, o que é uma guerra contra uns quantos “terroristas” ou contra um ditador rebelde neste ou naquele país em comparação com uma guerra de classes global contra todo o proletariado mundial, incluindo todos os seus aliados? O poder da burguesia mundial vai entrar em colapso como um castelo de cartas quando o exército proletário mundial entrar em acção.

Nós lidamos hoje com um sistema globalizado de beligerantes, tendo á cabeça o beligerante nº 1 – o imperialismo Americano. O que significa isto no que respeita aos princípios do Leninismo-Estalinismo na questão da inevitabilidade das guerras entre os países capitalistas? Quem vai agora tirar proveito desta contradição global no campo capitalista de forma a destruí-la – sem a União Soviética de Estaline e sem a Albânia Socialista de Enver Hoxha?

O Comintern / ML defende a tese de que apenas uma Internacional Comunista será capaz de aplicar a política Estalinista-Hoxhaista da paz global ás condições globalizadas de hoje. O slogan de utilização das contradições entre os países capitalistas, para derrotar o mundo capitalista de forma a eliminar a inevitabilidade da guerra é o slogan do Comintern / ML: “Proletários de todo o mundo – unam todos os países contra a guerra imperialista!” A luta pela paz mundial baseia-se na luta de classes internacional. Nós conduzimos a nossa guerra contra a guerra imperialista com o objectivo de fazer triunfar a revolução mundial. Não se trata apenas da paz actual neste ou naquele país sem tocar a existência do sistema capitalista. Acima de tudo, é o nosso objectivo de criar um mundo de paz no qual a inevitabilidade das guerras imperialistas seja eliminada para sempre, destruindo completamente o imperialismo mundial. Só a perspectiva revolucionária da remoção do imperialismo mundial a luta pela paz vai deixar de ser uma ilusão pacifista e uma falsa frase “revolucionária”.

Lenine e Estaline ensinaram-nos: a paz (a coexistência pacífica) é um pré-requisito indispensável para a construção do socialismo “num só país”. A União Soviética de Lenine e de Estaline e o campo socialista mundial foi o principal bastião da defesa da paz mundial. A paz não é apenas um intervalo entre guerras, mas sim um período necessário para preparar a revolução mundial. A coexistência pacífica do Estalinismo não era mais do que criar condições favoráveis para a vitória do socialismo á escala mundial, o que é impossível de concretizar sem a vitória do proletariado mundial. Após o colapso do domínio mundial da burguesia e através do estabelecimento do socialismo mundial, a coexistência pacífica entre duas formações sociais diferentes já não é necessária. Esta é a consequência lógica dos ensinamentos de Lenine e de Estaline no que respeita á coexistência pacífica. O domínio absoluto do capitalismo aboliu todas as condições que ainda existiam no primeiro período do socialismo, como a coexistência entre estados com formações sociais opostas. No que respeita ao actual capitalismo mundial globalizado, ele só pode ser transformado em socialismo mundial. A economia globalizada e o modo de produção global tornaram a coexistência pacífica entre estados com formações sociais antagonistas impossível – e assim é através da globalização das forças produtivas que será aberta a porta á época do socialismo mundial. Se o modo de produção já estiver globalmente organizado, é impossível restaurar o antigo modo de produção como era válido para os estados com diferentes formações sociais. Consequentemente, não pode haver coexistência pacífica nem no capitalismo globalizado nem no socialismo globalizado. A existência de um estado socialista no sistema económico capitalista é tão impossível quanto a existência de um estado capitalista num sistema económico socialista globalizado. A restauração do capitalismo criou condições para a globalização completa do capital. A globalização do capital cria por sua vez as condições para a globalização do socialismo e para a restauração do socialismo ao seu mais elevado nível de desenvolvimento. Esta transformação não pode ser concretizada através de meios pacíficos. A eliminação da inevitabilidade da re-divisão do domínio capitalista mundial é impossível sem a luta armada do proletariado mundial.

A vitória ou a derrota das guerras anti-imperialistas decidem acerca do prolongamento do velho mundo e a criação do novo mundo. Este é o significado actual da questão da guerra anti-imperialista.

Para examinar a força presente do proletariado mundial, não há melhor maneira do que a revolução socialista mundial armada, do que a guerra civil revolucionária global, do que a guerra de classes entre o exército mundial do proletariado e o exército mundial da burguesia. Assim, tal como a guerra imperialista emana directamente e inevitavelmente das relações de produção capitalistas globalizadas, ela vai terminar directamente e inevitavelmente graças á socialização globalizada dos meios de produção. Tal como a guerra imperialista será transformada numa guerra anti-imperialista, as relações de produção capitalistas e globalizadas serão transformadas em relações de produção socialistas e globalizadas. Isto é totalmente consistente com os ensinamentos históricos do Marxismo-Leninismo. A Segunda Guerra Mundial imperialista foi transformada numa guerra anti-imperialista e terminou com a criação de relações socialistas de produção no novo Campo Estalinista Mundial.







6.

Vamos lutar sob a gloriosa bandeira Hoxhaista da Guerra anti-imperialista!

 

Baseada na linha-geral de Estaline e do Comintern, o PTA desenvolveu a sua própria estratégia e táctica vitoriosa da guerra anti-imperialista aplicada ás condições particulares do seu país. Durante o período da ocupação fascista, a linha-geral do Partido Comunista da Albânia era: “Libertação nacional dos Albaneses das garras do fascismo!”

A revolta armada contra o fascismo era a única linha política real e fiável. O estabelecimento do Exército de Libertação Nacional era o principal elo da cadeia da luta armada. Sem um verdadeiro exército popular que pudesse atacar o inimigo e destruir o seu aparato político e militar – a revolta armada seria impensável, a independência não poderia ser concretizada e nunca existira um governo democrático e popular. O Exército de Libertação Nacional surgiu do rápido desenvolvimento da luta de guerrilha e foi organizado e liderado pelo PCA encabeçado por Enver Hoxha. Nas condições específicas da Albânia, a revolta armada não foi uma simples “escaramuça de rua”, mas tomou a forma de uma resistência popular corajosa e duradoura. A Luta de Libertação Nacional Albanesa foi parte da Segunda Guerra Mundial anti-fascista e baseou-se na aliança militar da coligação anti-fascista. Nesta coligação anti-fascista, a União Soviética de Estaline desempenhou um papel de líder a nível internacional, e os movimentos de libertação dos outros povos Balcânicos também desempenhou um papel importante, especialmente no que respeitou á sua cooperação contra um inimigo comum. O factor externo principal da vitória histórica do povo Albanês foi a Grande Guerra Patriótica da União Soviética e a sua grande vitória sobre o fascismo. O glorioso Exército Vermelho criou excelentes condições com a sua vitória sobre a Alemanha Nazi para que o povo Albanês se levantasse como um só e conquistasse a sua independência através da luta heróica estabelecendo o poder Popular.

Os Conselhos de Libertação Nacional que se formaram durante o processo da luta de libertação representaram a ditadura democrática das forças revolucionárias, tanto no que respeita às suas tarefas como no que toca ao conteúdo de classe – e estavam sob a liderança directa e isolada do Partido Comunista. A vitória da revolução popular conduziu á libertação completa do fascismo na Albânia no dia 29 de Novembro de 1944. A classe operária desempenhou um papel preponderante na luta de libertação nacional. A classe trabalhadora teve como líder o PCA que foi o inspirador e o organizador da vitoriosa luta Anti-fascista de Libertação Nacional. Já antes do fim da guerra de libertação, o poder político estava nas mãos do PCA. O campesinato foi a principal fonte e a principal força armada da luta de libertação nacional, e foi o aliado mais sólido da classe operária e do PCA. Com a luta pela reconstrução do país destruído pela guerra, a classe operária Albanesa sob a liderança do PCA avançou em direcção á construção socialista. Finalmente, foi assim que a Albânia transformou a Guerra anti-imperialista na revolução socialista e na construção do socialismo.

Enver Hoxha:

Se a guerra imperialista de agressão não puder ser evitada, será tarefa dos revolucionários e do proletariado a de a transformarem numa guerra de libertação.”

E de facto, o povo Albanês e os Comunistas Albaneses opuseram-se corajosamente aos ocupantes anti-Nazis e aos seus lacaios na Albânia, e então eles transformaram a guerra imperialista numa guerra revolucionária de libertação.

O significado especial da guerra anti-fascista e anti-imperialista Albanesa foi que ela teve lugar no contexto da guerra de libertação nacional, tanto em termos de conteúdo como em termos de carácter – porque o Partido Comunista desempenhou e papel principal nesta guerra. No que respeita às condições globalizadas de hoje, é a Internacional Comunista que vai assumir o papel de líder da guerra anti-fascista e anti-imperialista.

Na questão da guerra e da paz, o Partido do Trabalho da Albânia apoiou os povos e os proletários de todos os países na sua luta revolucionária contra a guerra – no espírito do internacionalismo proletário. Acima de tudo, o PTA lutou contra as guerras das duas superpotências e da burguesia monopolista local que as apoiava. O PTA compreendeu que as causas políticas, económicas e sociais que conduziram às duas guerras imperialistas continuam a existir. No entanto, a competição imperialista e a rivalidade nos mercados mundiais e o saque das nações aumentou ainda mais,

em primeiro lugar, pela restauração da economia dos países capitalistas e imperialistas que foram destruídos durante a Segunda Guerra Mundial – (com a ajuda do imperialismo Americano) – e

em segundo lugar, através da chegada ao poder do revisionismo e da restauração do capitalismo na União Soviética. Isto levou á formação de um segundo centro do imperialismo, á agressão e á contra-revolução internacional e a uma nova série de contradições e de tensões globais.

Enver Hoxha:

Quando as superpotências não conseguem satisfazer os seus interesses rapaces por meios económicos, ideológicos e diplomáticos, quando as contradições se aguçam ao máximo e já não podem ser resolvidas com acordos e «reformas», começa então a guerra entre elas.”

As superpotências imperialistas de que falamos acima continuarão a ser imperialistas e belicosas e mais cedo ou mais tarde arrastarão o mundo para uma grande guerra atómica.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, edição em Português)

"As superpotências são o principal inimigo do socialismo, da liberdade e da independência das nações – quer individualmente, quer em conjunto – eles são a maior força na defesa dos sistemas dos opressores e dos exploradores. O perigo de uma terceira guerra mundial emana principalmente deles.” (Enver Hoxha, Report to the VII. Party Congress, traduzido a partir da edição em Inglês)

O PTA lutou contra aqueles que prepararam a guerra – os Estados Unidos e a União Soviética – contra a OTAN e o Tratado de Varsóvia enquanto instrumentos de guerra rivais. O PTA uniu todos os factores que se opunham ás potências imperialistas e á sua preparação para a guerra. O PTA tentou isolar as superpotências o mais possível e fez uso das contradições inter-imperialistas em favor da revolução e da libertação dos povos.

O PTA esteve contra as posições dos revisionistas modernos que rejeitavam a necessidade da libertação revolucionária e nacional na luta pela prevenção da guerra. Os revisionistas modernos favoreceram a reconciliação das classes, fizeram concessões aos inimigos e renderam-se a eles. Em particular, o PTA discordou dos revisionistas Chineses que duvidavam da força do socialismo, do proletariado mundial e dos povos. Alegadamente, estas forças seriam incapazes de evitar uma nova guerra. O PTA aplicou a teoria Estalinista que afirma que o proletariado mundial e os povos do mundo podem evitar a guerra mundial agressiva por todos os meios. Eles são fortes o suficiente para evitar que os imperialistas e os social-imperialistas ponham o mundo em chamas.

Na sua luta revolucionária contra a guerra, o proletariado – cuja liderança é assegurada – confia na luta anti-imperialista dos povos explorados e oprimidos. Esta foi sempre a atitude revolucionária e Leninista do PTA.

O VII Congresso do PTA defendeu incondicionalmente o apoio ás guerras de libertação dos povos. O camarada Enver Hoxha realçou:

Com todo o seu poder e riqueza, com todas as suas armas modernas, as superpotências não são capazes de subjugar os povos e os países, nem sequer os pequenos se eles estiverem determinados a lutar até ao fim e a fazer sacrifícios. Confirma-se a tese de que a liberdade e a independência são ganhas e defendidas através das armas da luta, que a estratégia da guerra de libertação popular é uma estratégia que assegura a vitória.

O proletariado e todos aqueles que lutam pela revolução e pelo socialismo devem ligar a sua luta á luta dos povos pela liberdade e independência. Isto só pode ser feito através da luta firme contra a burguesia de cada país, lutando contra o imperialismo e a sua guerra predatória. Isto é também a ajuda mais directa e efectiva que o proletariado pode dar ao movimento de libertação dos povos.

A República Popular da Albânia não aceita e denuncia a teoria que defende a necessidade de preservar o “equilibro entre superpotências” como meio para evitar a guerra e defender a paz.

O nosso partido defende a tese de que tanto quando ambas as superpotências trabalham juntas como quando eles lutam, são os outros que pagam. A rivalidade entre as superpotências são dois lados da mesma realidade contraditória, são expressões da mesma estratégia imperialista para roubar aos povos a sua liberdade e dominarem o mundo. Eles colocam o mesmo perigo, e por isso são os maiores e principais inimigos dos povos. É por isso que nunca devemos confiar num imperialismo para escapar a outro.

Nós temos de nos basear na mobilização e na força dos povos, na unidade de todos aqueles que querem acabar com o jugo imperialista e revisionista. Nós defendemos a unidade do proletariado e todas as forças anti-imperialistas e progressistas que – através da sua luta – vão esmagar os planos agressivos dos belicistas imperialistas e social-imperialistas.

Consistente com a sua linha Marxista-Leninista, o Partido do Trabalho da Albânia e o povo Albanês estiveram e estão contra ambas as superpotências, contra a guerra imperialista predatória e contra a burguesia monopolista e a reacção internacional. Assim, no futuro eles não vão poupar esforços e vão lutar juntamente com todos os outros povos anti-imperialistas e anti-social-imperialistas, com todos os partidos Marxistas-Leninistas, com todos os revolucionários e o proletariado mundial e com todos os povos progressistas para destruir os planos dos inimigos e assegurar o triunfo da causa da liberdade e a segurança dos povos.

A cada momento o nosso país vai estar ao lado dos povos cuja liberdade e independência são ameaçadas e cujos direitos são violados. Nós declarámos muitas vezes tanto nas épocas pacíficas como nas épocas perigosas que os povos do mundo podem estar certos de que a Albânia socialista está com eles e não teme os sacrifícios.” (Enver Hoxha, Report to the VII. Party Congresso of the PLA, capítulo V: The international situation and the foreign policy of the PRA, Tirana, 2006, traduzido a partir da edição em Inglês)

O Comintern / ML defende incondicionalmente esta correcta linha Hoxhaista anti-imperialista também no que respeita á China social-imperialista – a nova superpotência de hoje.

Os revisionistas Chineses – os Maoistas – começaram a substituir sistematicamente o social-imperialismo Soviético com o apoio do imperialismo Americano. Os Maoistas tentaram justificar as suas ambições social-imperialistas e social-fascistas de domínio do mundo com fraseologia Marxista-Leninista. A Albânia recusou-se a colaborar com os Maoistas e continuou com a luta Marxista-Leninista contra ambas as superpotências – os EUA e a URSS. Mais tarde, os revisionistas Chineses fizeram cair a sua máscara “pacífica” e levantaram a sua cabeça social-imperialista. Os Maoistas criaram a chamada “Teoria dos Três Mundos” para enganar a Albânia Socialista, para enganar o movimento mundial Marxista-Leninista, o proletariado mundial e os povos amantes da paz. Os Maoistas necessitaram da sua “Teoria dos Três Mundos” para implementarem os seus planos agressivos e belicistas.

Com a derrota da Albânia socialista – o último bastião do socialismo – as condições da estratégia e da táctica da luta contra a guerra imperialista mudaram fundamentalmente. Não há mais países socialistas contra os quais os imperialistas devem lançar uma guerra. Os países socialistas são os baluartes mais fortes sem os quais a paz mundial não pode existir. Isto significa que:

em primeiro lugar: Sem a presença dos países socialistas, os imperialistas mundiais lançam as suas guerras muito mais facilmente.

em segundo lugar: Sem a presença de um pai socialista, as forças imperialistas e contra-revolucionárias mundiais destroem o movimento comunista mundial muito mais facilmente.

em terceiro lugar: Sem a presença dos países socialistas, os imperialistas mundiais destroem as guerras de libertação dos povos muito mais facilmente.

Esta nova realidade deve ser absolutamente clara.

E nós também tomamos por garantido que os estados social-fascistas e as suas frentes internacionais de lacaios revisionistas estão do lado dos imperialistas mundiais na luta contra o proletariado mundial e contra os povos. Assim, os revisionistas Albaneses não apenas restauraram o capitalismo, mas também obrigaram o povo Albanês a submeter-se á OTAN – foi Nexhmije Hoxha, a esposa do camarada Enver Hoxha, que defendeu a entrada da Albânia para a OTAN.

Com o colapso da Albânia socialista, a burguesia mundial roubou todas as armas que o proletariado mundial usava em defesa da paz mundial. Agora, os inimigos da classe operária global têm todas as armas globais nas suas mãos.

Nós precisamos de um novo centro contra a preparação e a ameaça de uma nova guerra imperialista mundial, um novo bastião mundial anti-imperialista, uma nova frente Comunista mundial contra a guerra imperialista – guiada pela Internacional Comunista.

Não pode haver restauração do socialismo sem a restauração das armas socialistas.

Nós precisamos de formar o Exército Vermelho do proletariado mundial para resolvermos a questão da guerra e da paz á escala global.

As armas imperialistas através das quais o mundo imperialista reprime o proletariado mundial e os povos do mundo têm de ser transformadas nas armas da libertação revolucionária mundial!







7.

A transformação da guerra imperialista na guerra civil global,

a revolução mundial dos povos e a revolução socialista mundial do proletariado



A transformação da guerra imperialista em guerra civil com o objectivo de fazer triunfar a revolução socialista é parte essencial das tácticas Bolcheviques da revolução socialista mundial.

Virem as armas contra os belicistas!” – Este é o slogan revolucionário concreto da luta de libertação de todas as classes exploradas e oprimidas do mundo, e do proletariado em particular.

Historicamente, a Comuna de Paris demonstrou a correcção deste princípio. A Comuna de Paris foi a primeira transformação bem-sucedida da guerra dos povos em guerra civil que foi coroada pela primeira ditadura proletária. A história do movimento operário e comunista é prova de que uma guerra imperialista mundial causa inevitavelmente uma situação revolucionária e que mesmo as maiores guerras imperialistas terminam sempre com a vitória do comunismo e com a libertação de muitos povos do jugo do colonialismo:

Em primeiro lugar: O proletariado Russo ganhou a paz na Primeira Guerra Mundial graças ao apoio do proletariado mundial e da perspectiva da revolução socialista mundial – a grande União Soviética de Lenine e de Estaline foi estabelecida.

Em segundo lugar: A Segunda Guerra Mundial foi transformada na Grande Guerra Patriótica e terminou com a vitória do genial Marechal Estaline – formava-se o campo Estalinista mundial que se espalhou pelo globo. Só os revisionistas modernos evitaram a vitória do socialismo mundial.

Em terceiro lugar: O Comintern / ML espera que no caso de a Terceira Guerra Mundial não poder ser evitada, ela vai abrir as portas á época do socialismo mundial. É provável que a revolução socialista mundial se inicie o mais tardar com a Terceira Guerra Mundial. Ou vai abolir a ameaça de novas guerras imperialistas ou vai sair vitoriosa das guerras imperialistas. O novo sistema socialista mundial vai emergir da luta contra as guerras globais. O desenvolvimento da revolução socialista mundial está em relação dialéctica com a globalização das guerras imperialistas mundiais, por um lado, e com a globalização da guerra civil, por outro lado:

Lenine:

O desenvolvimento de uma Guerra civil internacional é (…) o produto legítimo da luta de classes sob o capitalismo e um passo em frente em direcção á vitória da revolução proletária internacional.” (Lenine, Collected Works, Volume 29, páginas 129 e 130, traduzido a partir da edição em Inglês)

Marx ensina que todas as guerras de conquista são geralmente associadas á supressão do movimento revolucionário e principalmente do movimento de libertação do proletariado. A burguesia precisa da guerra para evitar a revolução.

Karl Marx:

As grandes questões da vida das nações só são resolvidas pela força. As classes reaccionárias são as primeiras a recorrer á violência e á guerra civil; elas são as primeiras a “colocar as armas na agenda”. (Marx, MEW, Volume 5, página 40 – traduzido a partir da versão em Inglês)

Isto é especialmente verdade á escala mundial. Lenine ensinou que o imperialismo vê a guerra como um meio para distrair a atenção dos trabalhadores do clima de descontentamento no interior do país e para suprimir o movimento revolucionário.

Lenine:

A conquista do território e a subjugação de outras nações, a ruína das nações rivais e o saque das suas riquezas, distrair a atenção das classes trabalhadoras das crises políticas internas na Rússia, na Alemanha, na Inglaterra e noutros países, separar os trabalhadores em termos nacionalistas e exterminar a sua vanguarda de modo a enfraquecer o movimento revolucionário do proletariado – este é o conteúdo actual, a importância e o significado da presente guerra.” (Lenine, Collected Works, Volume 21, página 27, traduzido a partir da edição em Inglês)

Um Marxista baseia-se na luta de classes e não na paz social. Em certos períodos de aguda crise económica e política, a luta de classes torna-se numa guerra civil, ou seja, numa luta armada entre dois grupos de pessoas. Nesses períodos, um Marxista é obrigado a ser a favor da guerra civil. Qualquer condenação da guerra civil é intolerável do ponto de vista do Marxismo.” (Lenine, Collected Works, Volume 11, página 219, traduzido a partir da edição em Inglês)

A guerra civil é uma guerra como qualquer outra. Quem aceita a luta de classes não pode deixar de aceitar a guerra civil que é – em todas as sociedades de classes – a continuação natural e inevitável da intensificação da luta de classes. Isto foi confirmado por todas as grandes revoluções. Repudiar a guerra civil ou esquecê-la é cair no oportunismo mais extremo e renunciar á revolução socialista.” (Lenine, Collected Works, Volume 21, páginas 78 e 79, traduzido a partir da edição em Inglês)

É dever de cada socialista o de conduzir a propaganda da luta de classes no exército; trabalhar no sentido de transformar a guerra entre nações numa guerra civil é a única actividade socialista na época dos conflitos armados imperialistas da burguesia de todas as nações.” (Lenine, Collected Works, Volume 21, página 40, traduzido a partir da edição em Inglês)

Dissemos que o surgimento desta guerra pode significar uma guerra revolucionária (…) É claro que a guerra revolucionária também é guerra, ela é tão sanguinária e dolorosa como qualquer outra. E quando a revolução se desenvolve á escala mundial, ela inevitavelmente levanta a questão da resistência á mesma escala.” (Lenine, Collected Works, Volume 29, página 343, traduzido a partir da edição em Inglês)

A Guerra civil é uma luta armada do proletariado contra a burguesia (…). A miséria das massas que foi criada pela guerra não pode deixar de evocar sentimentos e movimentos revolucionários. O slogan da guerra civil deve servir para coordenar e dirigir estes sentimentos e movimentos.”(Lenine, Collected Works, Volume 21, página 160, traduzido a partir da edição em Inglês)

A guerra civil é mais dura e cruel que qualquer outra guerra. (…) Uma revolução é uma luta desesperada entre classes que atingiu o ponto mais alto da sua ferocidade. A luta de classes é inevitável. Ou rejeitamos a revolução ou aceitamos o facto de que a luta contra as classes proprietárias vai ser mais dura do que todas as outras.” (Lenine, Collected Works, Volume 29, página 371, traduzido a partir da edição em Inglês)

Aquilo que é internacional não é necessariamente antinacional; nós defendemos o direito das nações se auto-determinarem; nós somos contra o terror exercido sobre as nações fracas. (…) Não se pode ser “nacional” numa guerra imperialista sem se ser um político socialista, ou seja, sem se reconhecer o direito das nações oprimidas á libertação, á secessão em relação ás Grandes Potências que as oprimem. Na época do imperialismo, não pode haver outra salvação para a maior parte das nações do mundo para além da acção revolucionária levada a cabo pelo proletariado das Grandes Potências, espalhando-se para além das barreiras da nacionalidade, esmagando essas fronteiras e derrubando a burguesia internacional. Até que a burguesia seja derrubada, as “Grandes Potências” vão permanecer, ou seja, a opressão vai continuar a existir sobre 9 décimos das nações do mundo. O derrube da burguesia vai acelerar a queda das divisões nacionais de todos os tipos, tudo isto sem esquecer que a humanidade se “diferencia” de milhares de maneiras no que respeita á riqueza, á variedade de vida espiritual e ás tendências ideológicas.” (Lenine, Collected Works, Volume 21, página 274, traduzido a partir da edição em Inglês)

Na guerra civil, qualquer poder vitorioso só pode ser uma ditadura. A questão é, no entanto, se essa ditadura é exercida por uma minoria sobre a maioria, ou seja, se é exercida pelos oficiais da polícia sobre o povo; ou se é a ditadura da imensa maioria do povo sobre um punhado de tiranos, ladroes e usurpadores do poder popular.” (Lenine, Collected Works, Volume 31, página 347, traduzido a partir da edição em Inglês)

Lenine:

Está-se a tornar cada vez mais claro que a revolução socialista iminente em todo o mundo não vai ser somente a vitória do proletariado de cada país sobre a sua própria burguesia. Isso só seria possível se as revoluções fossem algo fácil e tranquilo. Sabemos que os imperialistas nunca o permitirão, que todos os países estão armados contra o Bolchevismo interno e que o seu único pensamento é como derrotar Bolchevismo. É por isso que em cada país germina uma Guerra civil na qual os traidores ao socialismo estarão do lado da burguesia. Assim, a revolução socialista não vai ser somente – nem sequer maioritariamente – uma luta dos proletários revolucionários de cada país contra a burguesia – ela será sim uma luta de todos as colónias e países oprimidos pelo imperialismo, de todas as nações dependentes contra o imperialismo internacional. Caracterizando a aproximação da revolução social mundial no Programa de Partido que adoptámos em Março passado, dissemos que a guerra civil do povo trabalhador contra os imperialistas e os exploradores em todos os países avançados está a começar a ser combinada com as guerras nacionais contra o imperialismo internacional. Isto é confirmado pelo curso da revolução e será cada vez mais confirmado á medida que o tempo passa. E o mesmo vai acontecer no Oriente.” (Lenine, Collected Works, Volume 30, página 159, 22 de Novembro de 1919, traduzido a partir da edição em Inglês)

A revolução mundial que emana da guerra imperialista mundial é uma guerra civil á escala global. Hoje falamos acerca do exército internacional da guerra civil que é dirigido não só contra o inimigo interno em cada país, mas também contra o inimigo em todos os outros países. É um exército global da guerra civil que não é apenas dirigido contra os exércitos da burguesia nacional, mas contra todo o exército da burguesia mundial. Não é a própria guerra civil que desorganiza e desmoraliza os activistas do movimento revolucionário global, mas sim a fraqueza da Internacional Comunista se ela não for capaz de controlar a espontaneidade da guerra civil global.

Actualmente, as lições básicas de Lenine acerca do movimento nacional são de significado geral:

Lenine:

Um movimento nacional exprime as necessidades objectives de todo o país e pretende dirigir os seus golpes contra as forças do inimigo que se opõem ao desenvolvimento do país. Um movimento nacional tem a simpatia da maioria da população.” (Lenine, Collected Works, Volume 18, página 472, traduzido a partir da edição em Inglês)

Se um movimento popular conseguir transformar a velha sociedade, se conseguir colocar a questão do poder na agenda do dia, se se opuser de forma veemente, aberta, imediata e directa á ditadura das classes exploradoras, se se opuser ao governo, se lutar pela sua queda, pela sua destruição, e em benefício do governo popular, então o movimento popular assumiu a forma de revolução popular. Uma revolução popular é a tomada do poder armada e revolucionária por parte da vasta maioria da população contra a minoria dominante. Uma revolução global dos povos é a tomada do poder armada e revolucionária contra as minorias dominantes de todas as nações.

Lenine:

O socialismo não pode ser implementado por uma minoria, nem pelo Partido. Ele só pode ser implementado pelas dezenas de milhões que aprenderam a sua necessidade.

A revolução não é o produto de uma decisão do Partido, mas sim o produto inevitável de qualquer movimento que Marx tenha qualificado como “popular”, ou seja, uma revolução só o é quando nela as massas criarem os seus próprios slogans e fizerem os seus próprios esforços que não sejam uma repetição do programa da velha república burguesa.” (Lenine, Collected Works, Volume 27, página 135, traduzido a partir da edição em Inglês)

A base da nossa táctica socialista é que a classe mais avançada, o proletariado, marcha á cabeça da Revolução Popular.

Nós, Comunistas, apoiamos cada movimento popular em cada país do mundo que lute contra os seus inimigos internos e externos. Nós, Comunistas, apoiamos especialmente as forças revolucionárias do proletariado dentro da Revolução Popular. A classe mais avançada da sociedade deve seguir o caminho da luta tenaz, e deve apoiar apenas aqueles que realmente lutam e só na medida do quanto é que eles lutam. Um partido proletário puro é indispensável para liderar as massas para o socialismo – não importa em que condição a revolução popular se vai desenvolver. Se a revolução popular global não for bem-sucedida a destruir o poder armado do capital mundial através da força armada dos povos, se os governos reaccionários não forem derrotados e substituídos por governos revolucionários, se a Internacional Comunista na liderar esta luta ou se demonstrar ser demasiado fraca – então qualquer “representação dos povos” será apenas uma representação das classes que partilham o poder – contra os povos. O final de uma revolução popular depende de o proletariado mundial desempenhar ou não o papel de liderança. O proletariado mundial apenas vai estar á cabeça das revoluções populares se ele liderar a luta armada, se ele organizar a revolta global, se ele construir um exército revolucionário mundial, se ele estabelecer um governo popular mundial, se ele criar uma democracia proletária global. O desfecho das revoluções populares decide acerca da transição para a revolução socialista mundial. A revolução contra a ocupação fascista da Albânia, por exemplo, foi também uma revolução popular – á escala nacional. Nela também participaram forças que não lutavam por objectivos socialistas nem pela revolução socialista na Albânia. Sem a inclusão destes elementos não-socialistas não teria sido possível nem libertar a Albânia do fascismo, nem obter a vitória da Revolução Popular nem muito menos transformar a revolução popular numa revolução socialista. O princípio da indispensabilidade da inclusão de elementos não-socialistas também é globalmente válido relativamente às revoluções populares e á revolução socialista mundial. No entanto, apesar de tudo, nós nunca podemos esquecer a nossa luta de classes contra a burguesia e contra a pequena-burguesia que tentam influenciar os nossos apoiantes progressistas (não-socialistas).

Se o povo se revolta contra a reacção no seu próprio país, então a burguesia local calunia isto como sendo “elementos subversivos ao serviço de potências estrangeiras que se levantam contra o governo”. E os imperialistas mundiais fomentam ódios políticos, sociais, étnicos, religiosos ou militares, bem como alegadas “revoluções” (=contra-revoluções) com o propósito de derrubar os velhos fantoches e substituí-los por outros. Nós também devemos realçar os crimes dos governantes social-imperialistas e social-fascistas que afogaram em sangue a resistência revolucionária das massas populares com o pretexto de supostamente “protegerem os interesses socialistas”.

Ao longo da história, as classes dominantes sempre alimentaram conflitos e instigaram “guerras de libertação” e “guerras civis” – desta maneira eles conseguiam controlar melhor as lutas de libertação e as guerras civis das classes oprimidas. A burguesia mundial tenta enganar o proletariado mundial através de manobras nojentas. Entretanto, a contra-revolução internacional faz grandes esforços para apagar o movimento revolucionário e a luta anti-imperialista. A contra-revolução fez muitas experiências para prejudicar o movimento comunista mundial. A burguesia sabe bem como controlar todo o processo revolucionário – desde a fase inicial do planeamento até á execução. No entanto, o proletariado mundial não se vai deixar iludir pela contra-revolução. Através dos ensinamentos do Marxismo-Leninismo, vamos saber distinguir entre as verdadeiras guerras de libertação e as falsas “guerras de libertação” que são instigadas pela contra-revolução para manter o proletariado mundial longe da revolução socialista mundial e para esmagar as revoltas dos povos. Nós tiramos proveito das guerras entre os nossos inimigos através da mobilização, do fortalecimento e da liderança da nossa própria revolução – e nós não vamos tolerar ser enganados por ninguém.

Enver Hoxha:

De maneira a criar confiança na vitória da Revolução, é essencial organizar as amplas massas do povo para fazer o proletariado consciente da firme liderança do seu partido Marxista-Leninista, porque de outra forma elas podem envolver-se em acções de aventura e comprometerem assim a vitória da revolução. Os comunistas e as massas oprimidas do povo compreenderam que o imperialismo e o capitalismo mundial têm grande experiência em oprimir as massas e em organizar a contra-revolução. Assim, as tácticas e a estratégia dos nossos inimigos devem ser também compreendidas, até porque a nossa ideologia, a nossa política, a nossa estratégia e a nossa táctica são mais poderosas do que qualquer inimigo porque elas servem uma causa justa – a causa do comunismo.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, último capítulo: A defesa do Marxismo-Leninismo – dever de todos os verdadeiros revolucionários, edição em Português)









8.

Viva a frente globalmente unida em cada país contra todos os inimigos do proletariado mundial e dos povos do mundo!

 

As perspectivas para a eliminação do risco das guerras imperialistas mundiais aumentam na medida dos sucessos do proletariado mundial e da sua Internacional Comunista no que respeita á união dos proletários de todos os países na revolução mundial. O desenvolvimento das forces revolucionárias da globalização não é o resultado da sua própria unificação, mas sim da unificação da contra-revolução internacional. E a globalização das forças de paz é em primeiro lugar uma consequência da estratégia e da táctica globalizada dos belicistas, isto antes de a frente unida se desenvolver como uma força independente e poderosa globalmente organizada. Apenas através do uso das suas armas globalizadas é que a burguesia mundial cria as pré-condições para a globalização da união das classes oprimidas e exploradas e para o tomada das armas hostis com o propósito de evitar ou de terminar as guerras imperialistas.

Os inimigos da revolução e dos povos triunfaram sobre o comunismo, e agora eles intensificaram as suas guerras á escala mundial – e de uma forma globalizada. O capital financeiro internacional estabeleceu uma rede de alta tecnologia dedicada á guerra internacional com o apoio das forças políticas dispostas a defender os interesses do capital financeiro por meios militares. Os inimigos estrangeiros fomentam a guerra dos inimigos internos do proletariado e dos povos e vice-versa. O proletariado mundial e os povos lideram a sua luta de libertação global tanto contra os inimigos internos como contra os inimigos externos em todas as nações do mundo.

Hoje em dia, os imperialistas e os social-imperialistas usam os partidos políticos e os governos corruptos para expandirem a sua influência nos países e para consolidarem as suas vantagens sobre os imperialistas e os social-imperialistas rivais. O capital financeiro internacional oferece “ajudas” escravizantes para penetrar nestes países. Ele provoca conflitos e guerras através da diplomacia secreta e da propaganda belicista. Durante a crise e a guerra, no estado da desorganização da sociedade capitalista mundial, a harmonia de classes é substituída pelo ódio de classe e pelo racismo – estes são os dois lados da moeda ideológica da burguesia mundial!

Aqueles países que não podem ser subjugados através de créditos e de investimentos são ocupados pela força das armas. Os imperialistas põem as nações a lutar contra outras e depois intervêm para incitar guerras locais. Estas guerras locais servem a manutenção da hegemonia do capital mundial que pretende subjugar ainda mais o mundo.

A burguesia mundial, a burguesia monopolista das superpotências – em particular os elementos mais reaccionários do capital financeiro – exercem poder militar sobre o mundo tanto em termos de base económica como de superestrutura. A burguesia mundial é capaz de assegurar – para além de todas as fronteiras nacionais – o seu acesso aos mercados, ás fontes de energia e ás recursos estratégicos. Em cada país, os imperialistas possuem as suas próprias bases militares a influenciam as forças armadas domésticas. Graças á ONU – o seu instrumento de guerra – eles têm acesso ao uso de todos os exércitos do mundo em todos os locais. Tudo aquilo que é necessário para conduzir as guerras predatórias e a contra-revolução está centralmente coordenado em todo o mundo. A burguesia mundial globalizou todos os instrumentos da luta de classes e é por isso capaz de estabilizar qualquer contra-revolução e de desestabilizar qualquer revolução em qualquer sítio do planeta.

O sistema de estados está nas mãos do capital financeiro internacional, está nas mãos da burguesia multinacional monopolista. Especialmente depois do 11 de Setembro de 2001, os lobbys das armas e as companhias privadas de mercenários aumentaram a sua influência no Pentágono graças ao pretexto lucrativo de “combater os terroristas” e os “estados bandidos”. Isto é expressão da privatização da contra-revolução e das guerras imperialistas, da destruição das finanças públicas dos países através dos monopólios internacionais e especialmente da globalização da produção de guerra. As forças de produção de nações inteiras são especificamente destruídas para que as multinacionais imperialistas beneficiem com a sua reconstrução. E apesar disto, a escravização das nações é acelerada pelo capital monopolista estrangeiro.

Entretanto, a OTAN levou a cabo uma remodelação global enquanto aliança militar dos países imperialistas Ocidentais – após os estados do Pacto de Varsóvia terem desaparecido. A OTAN está hoje equipada para lançar guerras predatórias em todo o mundo e para expandir o maior e mais perigoso exército do imperialismo Ocidental. Todos os países – oprimidos pelos imperialistas Ocidentais – são forçados a contribuir para os destacamentos armados da NATO e são obrigados a tomar parte nas guerras predatórias. Por outro lado, os imperialistas Russos ainda são perigosos e também a nova superpotência Chinesa busca o domínio mundial. O perigo de uma Terceira Guerra Mundial é maior do que nunca. Este perigo caracteriza-se pela escalada das guerras locais em períodos cada vez mais curtos e pela sua transição suave para a forma de guerras globalizadas.

As guerras globalizadas e as geograficamente limitadas são interdependentes entre si e não podem ser consideradas isoladas das várias posições de classe existentes. Nós, comunistas, defendemos e apoiamos tanto as guerras globalizadas como as “nacionalmente limitadas”, mas apenas na medida em que elas beneficiem a libertação do homem da exploração e da opressão. Acima de tudo, nós defendemos e apoiamos a fusão global unificada, organizada e generalizada de todas as Guerras Revolucionárias e de Libertação.

Se a exploração e a opressão forem caracterizadas pela globalização do capitalismo mundial, então as novas guerras revolucionárias são também caracterizadas pela sua própria globalização. O Comintern / ML assume que as futuras guerras revolucionárias serão levadas a cabo e decididas nos campos de batalha globais. Assim, é essencial e indispensável desenvolver uma nova estratégia e táctica especial para as futuras guerras revolucionárias – uma que se adapte perfeitamente á sua dimensão global. Este será o assunto central do futuro programa militar do Comintern / ML.

Nós defendemos os válidos princípios Leninistas de que o desenvolvimento político-económico desigual entre os estados capitalistas pode produzir a guerra entre eles. Há cada vez mais contradições entre os países desenvolvidos (guerras entre as superpotências e os seus aliados), por um lado, e simultaneamente aumentam as contradições entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos, entre as nações opressoras e as nações oprimidas. Durante o curso da tendência crescente da globalização, as contradições á escala global e á escala nacional polarizaram-se mais rapidamente e existe uma tendência para elas colidirem – com a consequência da bancarrota das nações mais fracas e do início de diferentes tipos de guerra. O domínio do capital global produz não apenas a resistência á escala nacional, mas também á escala global. Há também a resistência das forças contra-revolucionárias da burguesia local, regional e nacional contra os monopólios das multinacionais, e particularmente contra os interesses super poderosos do capital financeiro internacional.

A guerra é uma questão de poder explorador á escala global, a guerra consiste em decidir quem vai poder explorar um determinado país. Aqueles que decidem acerca da guerra e da paz á escala mundial decidem também sobre a guerra e a paz á escala de cada país.

Nós, comunistas, não tomamos lado nem do capital global nem do capital nacional. Nós apoiamos as lutas de libertação que sejam dirigidas contra ambos estes inimigos do proletariado mundial. É errado misturar a resistência revolucionária e a contra-revolucionária num dado país contra o capital global. Só o capitalismo beneficiaria com isto, e isso não seria aceitável nem para a revolução socialista mundial nem peara a revolução socialista nos países individuais. Em princípio, só são verdadeiramente revolucionárias as guerras que são dirigidas contra todos os inimigos do proletariado mundial – sem excepção. Nós não fazemos guerra contra a globalização. Nós travamos a nossa guerra internacionalista e proletária contra o capital globalizado. Nós não travamos a guerra contra a nacionalização, mas sim contra o capital nacional. Nós vamos para a guerra a favor da libertação nacional e internacional do trabalho, tanto contra o capital nacional como contra o capital globalizado, tanto contra o domínio da burguesia mundial á escala global como contra o domínio da burguesia nacional á escala nacional. Ultimamente, trata-se de uma única guerra do proletariado internacional unido, nomeadamente uma guerra de classe contra o reino contra-revolucionário do capital interno e externo, bem como contra os seus lacaios em todo o mundo.

Se a burguesia monopolista multinacional expandir o seu poder às custas da burguesia nacional, enquanto o capital globalizado cresce às custas do capital nacional, então as contradições entre a burguesia nacional e internacional vão intensificar-se. Assim chegam as guerras pela questão do poder: Quem explora e oprime que classes, em que medida e em que país? A burguesia nacional sacrificou os interesses nacionais do povo aos interesses do capital. A burguesia mundial sacrificou os interesses da população mundial em benefício dos interesses do capital.

Na questão da guerra, a burguesia mundial tenta usar as forças do internacionalismo proletário em favor de objectivos imperialistas no interesse da maximização dos lucros. Igualmente, a burguesia nacional tenta “conquistar” o proletariado para a causa da guerra no interesse do nacionalismo burguês. E os revisionistas não são excepção. Já muito sangue dos povos e do proletariado mundial foi derramado em benefício dos interesses dos social-imperialistas e dos social-fascistas. O nacionalismo e o cosmopolitismo estão entre a espada e a parede. Eles são dois lados da moeda das guerras reaccionárias. Consequentemente, o internacionalismo proletário nunca ganhará a guerra contra o cosmopolitismo imperialista se ele estiver subordinado á ideologia do nacionalismo burguês. E vice-versa, o internacionalismo proletário nunca vai ganhar ao nacionalismo burguês se estiver subordinado ao cosmopolitismo imperialista.

A linha-geral do Comintern / ML – no que respeita á luta entre cosmopolitismo e nacionalismo é esta: Eles são iguais no seu carácter burguês e reaccionário, e portanto são ambos instrumentos ideológicos da guerra contra a ideologia do proletariado mundial. É impossível transformar a guerra imperialista em guerra civil, e a vitória da revolução socialista mundial é impossível se o cosmopolitismo e o nacionalismo burguês não forem completamente derrotados. O socialismo só é possível nos países oprimidos e explorados se o proletariado tiver triunfado tanto na guerra anti-imperialista como na guerra contra a burguesia nacional. Por outro lado, o socialismo só é possível nos países opressores e exploradores se o proletariado derrotar a burguesia imperialista que instiga, lidera e apoia as guerras nacionalistas e imperialistas. A revolução socialista mundial só é possível através da união vitoriosa do proletariado das nações exploradas e opressoras com o proletariado das nações exploradas e oprimidas – no espírito do internacionalismo proletário guiado pelos ensinamentos dos 5 Clássicos do Marxism-Leninismo.

Esta demarcação ideológica é clara e distinta, mas a verdade é que a frente mundial anti-imperialista, a frente contra as guerras imperialistas e reaccionárias continua dividida. Isto torna impossível a vitória nas guerras revolucionárias, tanto á escala nacional como á escala global. Só com base no Marxismo-Leninismo e na sua luta contra o oportunismo podemos ultrapassar esta situação precária. Os revisionistas são contra as guerras imperialistas e reaccionárias em palavras, mas são a favor dessas guerras nos actos.

As forças revisionistas querem desviar o proletariado dos seus verdadeiros inimigos internos e externos. Alguns deles até negam a existência de um inimigo principal. Os revisionistas espalham a confusão e tentam salvaguardar as classes contra as quais devem ser desferidos os maiores golpes, tanto á escala nacional como á escala mundial. Os revisionistas apontam um inimigo só com o propósito de defenderem outro – só com o propósito de promoverem o desarmamento do proletariado mundial e dos povos.

O inimigo de classe do proletariado mundial e o principal inimigo dos povos é o imperialismo mundial, são as potências imperialistas mundiais e os seus lacaios. Actualmente, a superpotência dominante são os EUA é os seus velhos aliados imperialistas Ocidentais. Na luta contra o imperialismo Americano e os seus aliados, nós não ficamos ao lado desta ou daquela potência imperialista rival, nem desta ou daquela secção da burguesia nacional. Depois de o imperialismo Americano ter posto o social-imperialismo Russo fora de combate, o domínio global do imperialismo Americano parecia ser absoluto. Mas entretanto, a superpotência emergente – a China – tornou-se tão forte que nós estamos prestes a atravessar uma situação semelhante àquela que sucedeu na época do camarada Enver Hoxha: O principal inimigo da revolução mundial divide-se em duas superpotências belicistas. No mundo contemporâneo, as crises e as guerras do capitalismo mundial agravaram-se com todas as suas consequências. Por outras palavras, a actual rivalidade entre as superpotências é muito mais favorável á revolução mundial do que o era nos tempos de Enver Hoxha. Na luta contra os revisionistas Chineses, o camarada Enver Hoxha realçou:

A questão de saber se um imperialismo é mais forte do que o outro, ou se um imperialismo é mais agressivo do que outro não é Marxista-Leninista.” (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Capítulo II, edição em Português)

E colocar a questão de saber se os imperialistas do “mundo civilizado” são “piores” do que os reaccionários dos países “incivilizados” também não é uma atitude Marxista-Leninista. Para os comunistas, não pode haver “solidariedade” com os “pequenos criminosos” contra os “grandes criminosos”, nem unidade com os inimigos de “esquerda” contra os inimigos de direita. Só se pode ser um verdadeiro internacionalista anti-imperialista se combatermos tanto a burguesia estrangeira como a burguesia do nosso próprio país. Num conflito predatório entre o imperialismo mundial e a burguesia nacional, não devemos aliar-nos nem com os imperialistas globais sanguinários nem com a burguesia nacional reaccionária que explora e oprime brutalmente o seu próprio povo, que espalha nas ruas o sangue dos trabalhadores. O Comintern / ML luta contra TODA a exploração e opressão – tanto contra a exploração e opressão interna como externa. Em princípio, a frente anti-imperialista de cada país deve ser dirigida contra os inimigos internos e externos.

Lenine:

Especular sobre a vitória de uma ou de outra burguesia imperialista equivale a tornarmo-nos seus lacaios.” (Lenine, Collected Works, Volume 23, página 57, traduzido a partir da edição em Inglês)

A burguesia nacional não muda esta verdade Leninista, porque ela acaba por ser lacaia desta ou daquela burguesia imperialista.

Expressivamente, nós traçamos uma linha de demarcação contra a frente do imperialismo mundial: - as forças do imperialismo mundial (lideradas pela oligarquia financeira global e pelos estados imperialistas com o seu aparato terrorista interno e externo), por um lado E os estados reaccionários e fascistas da burguesia nacionalista, por outro lado. Todas as forças do imperialismo, da reacção e da guerra dirigem a sua luta contra a revolução mundial em geral, e contra a revolução em cada país, em particular. A revolução mundial tem de combater todos os imperialistas, os reaccionários e os nacionalistas de todo 0o mundo – SEM EXCEPÇÃO – não importa se alguns dos seus membros ou blocos cooperam uns com os outros ou se travam guerras entre si. No seu conjunto, eles são os inimigos de 99% da população mundial.

Nós temos de analisar o inimigo de classe á escala mundial e á escala nacional.

Há uma frente global entre as classes opressoras e exploradoras, por um lado, e as classes oprimidas e exploradas, por outro lado. A polarização global entre classes antagonistas está inevitavelmente sob a influência das crises e das guerras imperialistas. As guerras imperialistas e as guerras civis estão ligadas tanto a nível nacional como a nível global. Ambos os tipos de guerras são expressão dos antagonismos globais provenientes da contradição entre trabalho e capital durante a época do imperialismo mundial e da revolução mundial. Inevitavelmente, isto vai fortalecer e desenvolver a unificação das forças revolucionárias de todo o mundo contra o imperialismo, a reacção e a guerra.

Travar uma guerra em duas frentes significa confiar nas próprias forças e combater corajosamente os inimigos internos e externos – ou seja, combater ao lado de 99% da população mundial! Quando os ocupantes estrangeiros (e/ou os seus lacaios) ou o exército da burguesia nacional pegarem em armas para afogarem o povo em sangue – esse é o momento em que as armas burguesas devem ser derrotadas pela revolução. As pessoas só podem ser livres numa luta de libertação que seja dirigida contra todos os inimigos e que seja guiada pelo proletariado e pela sua vanguarda. Isto aplica-se a todos os países e á escala global.

Uma frente unida com todas as forças que colaboram com um ou com outro inimigo – mesmo que elas jurem estar do lado da guerra revolucionária – é absolutamente inaceitável. Uma frente unida revolucionária e anti-imperialista será inevitavelmente derrotada se os inimigos operarem no seu seio.

Os imperialistas mundiais instrumentalizam a burguesia nacional para explorar e oprimir os povos e para esmagar as suas revoltas e revoluções. Se necessário, eles substituem os governos burgueses através de dependência económica e de pressões militares.

A dialéctica da guerra entre as superpotências está sempre ligada aos objectivos da superpotência mais antiga, que quer defender os seus domínios contra uma nova superpotência emergente, mesmo que para isso tenha de usar a burguesia nacional. Por outro lado, ela está também ligada aos propósitos da nova superpotência que pretende ocupar a posição hegemónica da superpotência mais antiga – esta nova superpotência também não se importa de recorrer á burguesia nacional como meio para tingir os seus fins. A guerra inevitável pela re-divisão do domínio capitalista mundial enfraquece o sistema imperialista – inclusivamente o sistema da burguesia nacional, que de novo produz condições favoráveis para a revolução mundial em geral, e para a revolução socialista em cada país, em particular.

Lenine:

O proletariado deve exigir a autodeterminação das colónias e das nações oprimidas pela sua própria burguesia. De outra maneira, o internacionalismo proletário de nada valerá. Por outro lado, os socialistas das nações oprimidas devem defender e implementar a unidade – incluindo a unidade organizacional – incondicional entre os trabalhadores da nação oprimida e os da nação opressora. Sem isto é impossível defender a política proletária independente e a sua solidariedade de classe com os proletários dos outros países perante todas as intrigas e traições da burguesia. A burguesia das nações oprimidas utiliza persistentemente os slogans da libertação nacional para enganar os trabalhadores; na sua política interna, ela usa estes slogans com propósitos reaccionários e em acordo com a burguesia da nação dominante; na sua política externa, eles tentam chegar a acordo com uma das potências imperialistas rivais com o objectivo de implementar os seus planos predatórios.” (Lenine, Collected Works, Volume 22, página 148, traduzido a partir da edição em Inglês)

Enver Hoxha:

Os imperialistas e os social-imperialistas têm como aliados próximos a burguesia reacionária de cada país onde eles exercem a sua influência. Eles usam estes aliados para fazerem o “trabalho sujo” e mantêm-nos com o propósito de os conservar como força de reserva no caso de um conflito mundial e contra os povos que se levantem para a revolução contra os seus opressores internos e externos. Assim, estas duas forças não podem ser separadas entre si. Se não combatermos uma, também não é possível combater a outra, se não combatermos as forças reacionárias internas até as derrubarmos, também não será possível combater o inimigo externo e evitar a guerra. É preciso destruir todas as bases que as superpotências estabeleceram e criaram nos países, porque desta forma estamos a enfraquecer a influência mundial e a força na qual eles se baseiam para escravizar os povos e os países.” (Enver Hoxha, Selected Works, Volume 5, Report to the VII. Congress of the PLA, traduzido a partir da edição em Inglês)

Lenine:

Se nós não queremos trair o socialismo, nós temos de apoiar todas as revoltas contra o nosso inimigo - a burguesia dos estados mais poderosos – desde que esta não seja uma revolta de uma classe reacionária.” (Lenine, Collected Works, Volume 22, página 333, traduzido a partir da edição em Inglês)

Tem havido uma certa reaproximação entre a burguesia dos países exploradores e a burguesia das colónias, por isso muitas vezes – pode mesmo suceder que seja na maioria dos casos – a burguesia dos países oprimidos, enquanto não apoiar o movimento nacional, está em acordo total com a burguesia imperialista, ou seja, luta ao lado dela contra todos os movimentos e classes revolucionários. Nós, Comunistas, devemos e vamos apoiar os movimentos burgueses de libertação nas colónias, mas apenas quando eles forem genuinamente revolucionários e quando não prejudiquem o nosso trabalho de educar e organizar os camponeses e as massas exploradas no espírito revolucionário. Se estas condições não existirem, os Comunistas destes países devem combater a burguesia reformista, a quem pertencem também os “heróis” da Segunda Internacional.” (Lenine, Collected Works, Volume 31, página 242, traduzido a partir da edição em Inglês)

Nós não vamos apoiar classes reacionárias na sua luta contra o imperialismo. Nós não vamos apoiar as revoltas das classes reacionárias contra o imperialismo e o capitalismo. É isto que Lenine nos ensina.

Nós devemos apoiar incondicionalmente todas as guerras revolucionárias sem nunca nos esquecermos de lutar contra as guerras reacionárias (incluindo as guerras reacionárias que são alegadamente “revolucionárias”, mas que na realidade foram desencadeadas pela contra-revolução para enganar o povo!). A restrição da luta contra o capitalismo no nosso próprio país ou a sua exclusão da luta anti-imperialista universal é uma atitude tão revisionista como a da restrição da luta anti-imperialista á escala global e a da exclusão da luta contra o capitalismo no nosso próprio país. A luta anti-imperialista á escala global e a luta contra o capitalismo no nosso próprio país são inseparáveis entre si. O anti-imperialismo provém da combinação da guerra civil com a guerra de libertação nacional. A guerra de libertação nacional de um povo oprimido é a continuação da sua política de libertação nacional anti-imperialista através de outros meios. A luta de libertação nacional dos povos oprimidos é a continuação da política da libertação global anti-imperialista através de outros meios. Uma é impossível sem a outra.

É nosso dever transformar as guerras reacionárias e imperialistas numa guerra civil do proletariado contra a burguesia e pelo socialismo em todos os países – sem excepção.

Só há um verdadeiro internacionalismo: o nosso trabalho dedicado ao desenvolvimento do movimento revolucionário e da sua luta armada nos nossos próprios países e o apoio armado dessa luta (e apenas dela!) em todos os outros países – sem excepção.

Nós nunca vamos virar as nossas armas revolucionárias contra as classes oprimidas e exploradas, mas apenas contra as classes opressoras e exploradoras, contra os governos burgueses e reaccionários e contra os partidos políticos e os exércitos contra-revolucionários de todo o mundo.

As armas revolucionárias só vão conseguir vencer as armas contra-revolucionárias se nós as purificarmos e limparmos de todo e qualquer tipo de contaminação oportunista.

Esta é uma posição genuinamente Marxista-Leninista e é a linha-geral do Comintern / ML.