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A Primeira Revolução Russa

1905 - 1907

 

 

V. I. Lenine

A Revolução na Rússia

10 (23) de Janeiro de 1905

Genebra, 10 (23) Janeiro

A classe operária, que há muito parecia manter-se afastada do movimento de oposição burguês, levantou a voz. As largas massas operárias alcançaram, num relâmpago, a sua vanguarda, os social-democratas conscientes. O movimento operário de Petersburgo avançou nestes últimos dias com verdadeiros passos de gigante. As reivindicações económicas dão lugar às reivindicações políticas. A greve torna-se geral, o que prefigura uma manifestação nunca vista; o prestígio do título imperial afunda-se para sempre. A insurreição estalou. A força responde à força. Combate-se nas ruas, levantam-se barricadas, os tiros crepitam, os canhões troam. Por todo o lado, rios de sangue; a guerra civil pela liberdade teve início. Moscovo, o Sul, o Cáucaso e a Polónia estão prontos para se juntarem ao proletariado de Petersburgo. A palavra-de-ordem dos operários passou a ser: a morte ou a liberdade!
Muitas coisas ficarão decididas hoje e amanhã. A situação evolui de hora a hora. O telégrafo traz notícias exaltantes e as palavras parecem incapazes de dar conta da intensidade dos acontecimentos vividos. Cada um deve estar pronto a cumprir o seu dever de revolucionário e de social-democrata.

Viva a revolução!

Viva o proletariado insurrecto!

 

V. I. Lenine

Relatório Sobre a Revolução de 1905

22 de Janeiro de 1917

 

 

O Começo da Revolução na Rússia

25 (12) de Janeiro de 1905  

 

 

Novas Tarefas e Novas Forças

8 de Março (23 de Fevereiro) de 1905

 

 

A Ditadura Democrática Revolucionária do Proletariado e do Campesinato

12 de Abril (30 de Março) de 1905

 

 

Duas Tácticas da Social-Democracia na Revolução Democrática

 Julho de 1905

 

 

A Comuna de Paris e as Tarefas da Ditadura Democrática

17 de Julho de 1905


A Revolução Educa

26 (13) de Julho de 1905

 

 

Do artigo: A Greve Política e a Luta de Rua em Moscou

17 (4) de Outubro de 1905

 

 

A Greve Política de Toda a Rússia

13 (26) de Outubro de 1905

 

 

O Exército e a Revolução

15 de Novembro de 1905

 

 

Decisão do Comitê Executivo do Soviete de Deputados Operários de Petersburgo Sobre a Luta Contra o Lockout

14 (27) de Novembro de 1905

 

 

O Partido Socialista e o Revolucionarismo sem Cunho Partidário

2 de Dezembro de 1905

 

 

O Socialismo e a Religião

3 de Dezembro de 1905

 

 

 

Da Plataforma Tática para o Congresso de Unificação

20 de Março de 1906

 

As Lições da Insurreição de Moscovo

29 de Agosto de 1906

 

 

A Guerra de Guerrilhas

30 de Setembro de 1906

 

Prefácio à Tradução Russa das Cartas de K. Marx a L. Kugelmann

5 de Fevereiro de 1907

 

 

no idioma Inglês

V I. Lenin

Primeira Revolução Russa 1905 - 1907

NOVO LIVRO !!!

EDITOR:

Comintern (SH)

publicado no 21 de janeiro, 2015

Coleção de obras

- organizado por Wolfgang Eggers -

 

 

História do

Partido Comunista (Bolchevique) da URSS

Comissão do Comitê Central do PC(b) da URSS 1938

Capítulo III

— Os Mencheviques e os Bolcheviques no Período da Guerra Russo - Japonesa e da Primeira Revolução Russa ( 1904 – 1907 )

 

1

— A guerra russo-japonesa.

— O movimento revolucionário da Rússia segue sua marcha ascendente.

— Greves em Petersburgo.

— Manifestação dos operários diante do Palácio de Inverno a 9 de janeiro de 1905.

— As tropas fazem fogo contra os manifestantes.

— Começa a revolução.


Em fins do Século XIX, os Estados imperialistas começaram a lutar energicamente pelo predomínio no Oceano Pacífico e pela partilha da China. Nesta luta a Rússia czarista também tomara parte. Em 1900, as tropas czaristas, em união com as tropas japonesas, alemãs, inglesas e francesas, reprimiram com indizível crueldade uma insurreição popular que estalara na China e que se dirigia contra os imperialistas estrangeiros. Anteriormente a isto, o governo czarista obrigara a China a entregar à Rússia a península de Liao-tung, com a fortaleza de Porto-Artur. A Rússia arrancou, além disso, o direito de construir estradas de ferro em território e estendeu, no Norte da Mandchúria, uma linha férrea: a estrada de ferro da China Oriental, enviando tropas russas para defendê-la. A Mandchúria do Norte foi ocupada militarmente pela Rússia czarista. O czarismo ia se aproximando cautelosamente da Coréia. A burguesia russa maquinava planos destinados a criar uma "Rússia Amarela" na Mandchúria.

Em suas anexações no Extremo-Oriente, o czarismo chocou com outra ave de rapina, o Japão, que se convertera rapidamente num país imperialista e que também aspirava cravar sua garra no continente asiático, estendendo seus domínios, sobretudo, à custa da China. O Japão ambicionava também, como a Rússia czarista, apoderar-se da Coréia e da Mandchúria. Sonhava, além disso, já por aquela época, apoderar-se da ilha de Sakhalina e do Extremo-Oriente. A Inglaterra, que não via com bons olhos a consolidação da Rússia czarista no Extremo-Oriente, se inclinava secretamente para o lado do Japão. Estava-se gestando a guerra russo-japonesa. O governo czarista via-se empurrado para ela pela grande burguesia, ávida de novos mercados, e pelas camadas mais reacionárias dos latifundiários.

Sem aguardar que o governo czarista declarasse a guerra, o Japão se lançou a ela. Pelas informações do excelente serviço de espionagem que tinha montado na Rússia, calculava que havia de enfrentar-se com um adversário pouco preparado. Em janeiro de 1904, sem declaração prévia de guerra, o Japão atacou inesperadamente a fortaleza russa de Porto-Artur, infringindo duras perdas à frota russa, que guarnecia esse porto.

Assim começou a guerra russo-japonesa.

O governo czarista especulava com a idéia de que a guerra o ajudaria a firmar sua situação política e conter a revolução. Porém seus cálculos resultaram falhos: a guerra sacudiu ainda mais as bases do czarismo.

O Exército russo, mal armado e mal instruído, dirigido por generais incapazes e corrompidos, começou a sofrer uma derrota após outra.

A guerra servia para enriquecer os capitalistas, os altos funcionários e os generais. O latrocínio florescia de um modo exuberante. As tropas tinham poucas munições. Justamente quando não havia bastante cartucho, enviavam-se à frente, como por burla, vagões inteiros carregados de imagens. "Os japoneses nos atiram balas, nós os atacamos com "imagens", diziam amargamente os soldados. Em vez de evacuar os feridos, os trens especiais transportavam para a retaguarda os objetos roubados pelos generais czaristas.

Os japoneses cercaram e logo depois tomaram a fortaleza de Porto-Artur. Depois de inflingir uma série de derrotas ao Exército czarista, destruíram-no perto de Mukden. O Exército czarista, que constava de 300.000 homens, teve, neste revés, cerca de 120.000 baixas entre mortos, feridos e prisioneiros. Pouco tempo depois, sobreveio a derrota total e o afundamento no estreito de Tsusima da esquadra russa que havia sido enviada do Mar Báltico em socorro de Porto-Artur sitiado. O desastre de Tsusima representava uma catástrofe completa: dos vinte e dois barcos de guerra, enviados pelo czar, foram postos a pique e destruídos treze, e quatro caíram em poder do inimigo. A guerra estava definitivamente perdida para a Rússia czarista.

O governo do czar viu-se obrigado a concertrar uma paz ignominiosa com o Japão. Este anexou a Coréia e despojou a Rússia de Porto-Artur e da metade da ilha de Sakhalina.

As massas populares não queriam aquela guerra e se inteiravam do dano que havia de causar à Rússia. O povo pagava muito caro o atraso da Rússia czarista.

Bolcheviques e mencheviques adotaram uma atitude diferente frente a esta guerra.

Os mencheviques, incluindo Trotsky, desceram às posições do defensismo, vale dizer, abraçaram a defesa da "pátria" do czar, dos latifundiários e dos capitalistas.

Em troca, os bolcheviques, encabeçados por Lenin, entendiam que a derrota do governo czarista naquela guerra de rapina seria benéfica, pois conduziria ao enfraquecimento do czarismo e ao fortalecimento da revolução.

As derrotas das tropas czaristas puseram a nu ante as mais extensas massas do povo toda a podridão do czarismo. O ódio contra o regime czarista, entre as massas populares, era cada dia maior. A queda de Porto-Artur marca o começo da queda da autocracia, escreveu Lenin.

O czar havia querido estrangular a revolução com a guerra. Porém conseguiu o contrário. O que a guerra russo-japonesa fez foi acelerar a revolução.

Na Rííssia czarista, a opressão capitalista se reforçava com a opressão do czarismo. Os operários não eram vítimas somente da exploração capitalista, dos trabalhos forçados ao serviço do capital, senão também da privação de direitos que pesava sobre todo o povo. Por isso, os operários conscientes aspiravam pôr-se à frente do movimento revolucionário de todos os elementos democráticos da cidade e do campo contra o czarismo. Os camponeses viviam asfixiados pela falta de terra e pelas numerosas sobrevivências do feudalismo; neles, se cravavam as garras dos latifundiários e do kulak. As nacionalidades que povoavam a Rússia czarista, gemiam sob um duplo jugo: o de seus próprios latifundiários e capitalistas e o dos latifundiários e capitalistas russos. A crise econômica de 1900 a 1903 havia acentuado as calamidades das massas trabalhadoras, e a guerra veio aumentá-las ainda mais. As derrotas sofridas na guerra recrudesciam o ódio das massas contra o czarismo. A paciência do povo ia se esgotando.

Como se vê havia causas mais que suficientes para a revolução.

Em dezembro de 1904, estalou uma grande greve dos operários de Bakú, muito bem organizada e mantida sob a direção do Comitê bolchevique daquela cidade. Esta greve terminou com o triunfo dos operários, graças ao qual se concertou entre estes e os patrões da indústria petrolífera o primeiro contrato coletivo de trabalho que a história do movimento operário russo registra.

A greve de Bakú foi o começo do auge revolucionário na Transcaucásia e numa série de regiões da Rússia.

"A greve de Bakú — disse Stalin — foi o sinal para as gloriosas ações de janeiro e fevereiro em toda a Rússia".

Esta greve foi, em vésperas da grande tempestade revolucionária, como o raio que precede a tormenta.

Os acontecimentos do 9 (22) de janeiro de 1905 em Petersburgo desencadearam a tempestade revolucionária.

A 3 de janeiro de 1905 havia estalado uma greve na fábrica mais importante da capital, a fábrica Putilov (hoje "Kirov"). Esta greve teve sua origem na exclusão de quatro operários. O movimento grevista cresceu rapidamente, juntando-se a ele outras fábricas e empresas de Petersburgo. Breve se converteu em greve geral. O governo czarista decidiu liquidar no próprio começo o movimento, que se desenvolvia de um modo alarmante.

Já em 1904, antes da greve da fábrica Putilov, a polícia criara entre os operários, com ajuda de um provocador, o padre Gapone, uma organização policial intitulada "Associação dos operários fabris russos". Esta organização tinha seções em todos os distritos de Petersburgo. Ao estalar a greve, o padre Gapone propôs nas assembléias desta sociedade um plano de provocação: a 9 de janeiro, todos os operários se congregariam, para acudir em procissão pacífica, diante do Palácio de Inverno, com estandartes e retratos do czar, com o objetivo de lhe entregar uma petição na qual se exporiam suas necessidades. O czar sairia para receber o povo, e escutaria e satisfaria suas petições. Gapone se prestou a servir de instrumento às manobras da "okhrana" czarista: tratava-se de escarmentar os operários e afogar em sangue o movimento proletário. Porém o plano policial se voltou contra o governo do czar.

A petição foi discutida nas assembléias de operários, introduzindo-se nela algumas emendas e modificações. Nestas assembléias, os bolcheviques intervieram também, sem apresentar-se abertamente como tais. Foram eles que conseguiram que se juntassem à petição as reivindicações seguintes: liberdade de Imprensa e de palavra, liberdade de associação para os operários, convocação de uma Assembléia Constituinte para mudar a fornia de governo da Rússia, igualdade de todos perante a lei, separação da Igreja do Estado, terminação da guerra, implantação da jornada de 8 horas e entrega da terra aos camponeses.

Em suas intervenções nestas assembléias, os bolcheviques faziam ver aos operários que a liberdade não se conseguia com suplicas ao czar, senão que se devia conquistá-la com as armas na mão. Preveniram de que se faria fogo contra os operários. Porém não lograram evitar a manifestação em frente ao Palácio de Inverno. Uma parte considerável dos operários ainda acreditava que o czar os ajudaria. O movimento se havia apoderado das massas com uma força enorme. Na petição dos operários petersburguenses se dizia:

"Nós, operários de Petersburgo, recorremos a ti, Senhor, com nossas mulheres, nossos filhos e nossos anciãos e inválidos, para implorar de ti a verdade e tua ajuda. Vivemos na miséria, nos oprimem, nos sobrecarregam com um trabalho esgotador, mofam de nós, não nos tratam como homens... Temos sofrido tudo com paciência, porém nos empurram cada vez mais para a borda da miséria, da escravidão e da ignorância-, o despotismo e a tirania nos sufocam... Nossa paciência se esgotou. Chegamos a esse momento terrível em que se prefere morrer a continuar suportando tormentos irresistíveis..."

Nas primeiras horas da manhã de 9 de janeiro de 1905, os operários marchavam em procissão para o Palácio de Inverno, onde o czar tinha sua residência. Iam acompanhados de suas famílias, mulheres, crianças e anciãos, e desfilavam com retratos do czar e estandartes de confrarias, entoando canções religiosas, e sem armas. No total, se reuniram nas ruas de Petersburgo, naquele dia, mais de 140.000 homens.

Nicolau II os recebeu com maneiras muito pouco corteses. Deu ordens de disparar sobre os operários inermes. Mais de mil operários caíram mortos ante os fuzis das tropas czaristas e mais de dois mil ficaram feridos. As ruas de Petersburgo ficaram empapadas de sangue proletário.

Os bolcheviques desfilaram com os operários. Muitos deles caíram mortos ou foram detidos. Ali mesmo, sobre as ruas banhadas em sangue proletário, explicaram às massas quais eram os responsáveis por aquela matança espantosa e como necessário lutar contra eles.

O 9 de janeiro começou a chamar-se "Domingo sangrento". Foi uma lição sangrenta a que os operários receberam nesse dia. A 9 de janeiro a fé dos operários no czar morreu fuzilada. Compreenderam que só lutando podiam conquistar seus direitos. Ao anoitecer daquele dia, nos bairros operários se começaram a levantar as primeiras barricadas. "Já que o czar nos recebeu a tiros, lhe pagaremos na mesma moeda!", diziam os operários de Petersburgo.

A horrível notícia do crime sangrento do czar correu como um rastilho de pólvora por toda a Rússia. A ira e a indignação se apoderaram de toda a classe operária, de todo o país. Não houve cidade onde os operários não se declarassem em greve em sinal de protesto contra o crime do czar e onde não formulassem reivindicações políticas. Agora, os operários se lançavam à rua com a consigna de "Abaixo a autocracia!" No mês de janeiro, o número de grevistas atingiu a cifra de 440.000. Num só mês, puseram-se em greve mais operários que nos dez anos anteriores juntos. O movimento operário se elevou a uma altura formidável.

Havia começado a revolução na Rússia.

 

2

— Greves políticas e manifestações operárias.

— Intensifica-se o movimento revolucionário dos camponeses.

— A sublevação do couraçado "Potemkim".


A partir de 9 de janeiro, a luta revolucionária dos operários toma um caráter mais agudo e mais político. Das greves econômicas e de solidariedade, os operários passam às greves políticas, às manifestações e, em alguns lugares, à resistência armada contra as tropas czaristas. Em Petersburgo, Moscou, Varsóvia, Riga, Bakú e em outras grandes cidades, onde se concentravam massas consideráveis de operários, as greves se revestiram de um caráter mais tenaz e mais organizado. A frente do proletariado em luta marchavam os operários metalúrgicos. Com suas greves, os destacamentos operários de vanguarda arrastavam as camadas operárias menos conscientes e lançavam toda a classe operária à luta. A influência da social-democraeia crescia rapidamente.

As manifestações de 1º. de Maio deram origem, em diversos lugares a choques com a polícia e as tropas. Em Varsóvia, os manifestantes foram recebidos a tiros e houve várias centenas de mortos e feridos. Os operários de Varsóvia responderam ao chamado da social-democracia polaca, responderam à matança com uma greve geral de protesto. Durante todo o mês de maio, as greves e manifestações não cessaram. Mais de 200 mil operários tomaram parte, na Rússia, nas greves de maio. A greve geral se estendeu aos operários de Bakú, Lodz e Ivanovo-Vosnesensk. Os choques entre os operários grevistas e as tropas do czar eram cada vez mais freqüentes. Choques destes se produziram mima série de cidades, como Odessa, Varsóvia, Riga, Lodz, etc.

No grande centro industrial da Polônia, Lodz, a luta assumiu um caráter especialmente agudo. Os operários de Lodz encheram as mas desta cidade, de barricadas, nas quais lutaram contra as tropas czaristas durante três dias (de 22 a 24 de junho de 1905). Aqui, a ação armada se fundiu com a greve geral. Lenin considerava este combate como a primeira ação armada dos operários na Rússia.

Entre as greves produzidas durante o verão, se destaca principalmente a dos operários de Ivanovo-Vosnesensk. Esta greve durou desde fins de maio até começos de agosto de 1905, ou seja cerca de dois meses e meio. Tomaram parte nela cerca de 70.000 operários, entre os quais figuravam muitas mulheres. O Comitê bolchevique da região Norte dirigiu essa greve. Nos arrabaldes da cidade, às margens do rio Talka, milhares de operários se reuniam quase diariamente... Nestas assembléias discutiam seus problemas e suas necessidades. Nelas, os bolcheviques faziam uso da palavra. Para liquidar a greve, as autoridades czaristas ordenaram às tropas dissolver os operários, fazendo fogo contra eles. Várias dezenas de operários caíram mortos, e houve, centenas de feridos. Foi proclamado o estado de guerra na cidade de Ivanovo. Porém os operários se mantinham firmes, sem reatar o trabalho. Passavam fome com suas famílias, porém não cediam. Só o esgotamento mais extremo os obrigou novamente a trabalhar. Esta greve temperou os operários. Revelou exemplos maravilhosos de valentia, de firmeza, de abnegação e de solidariedade por parte da classe operária. Serviu de verdadeira escola de educação política para os operários de Ivanov-Vosncsensk.

Durante esta greve, os operários de Ivanov criaram um Soviet de delegados que foi, de fato, um dos primeiros Soviets de deputados operários da Rússia.

As greves políticas puseram todo o país de pé.

Atrás da cidade, o campo começou a levantar-se. Os camponeses começaram a agitar-se na primavera de 1905. Marchavam em grandes multidões contra os senhores de terra, destruindo suas possessões, suas fábricas de açúcar e suas destilarias, botando fogo nos palácios e casas senhoriais. Numa série de comarcas, os camponeses se apoderaram das terras dos latifundiários, procederam à derrubada em massa dos bosques e exigiram que as terras senhoriais lhes fossem adjudicadas. Os camponeses confiscaram o trigo e outros produtos armazenados pelos latifundiários e os repartiram entre os famintos. Os latifundiários, aterrorizados, fugiram para a cidade. O governo czarista enviou os soldados e os cossacos para sufocar as insurreições camponesas. As tropas disparavam contra os camponeses, detinham, espancavam e torturavam seus "instigadores". Porém os camponeses não retrocediam em sua luta.

O movimento camponês começou a estender-se por todo o centro da Rússia, pela região do Volga e pela Transcaucásia, principalmente na Geórgia.

Os social-democratas iam cada vez mais penetrando no campo. O Comitê Central do Partido lançou uma proclamação encabeçada assim: "Camponeses, escutai nossa palavra!". Os Comitês social-democratas de Tver, Saratov, Poltava, Chernigov, Ekaterinoslav, Tiflis e muitas outras províncias dirigiram manifestos aos camponeses. Os social-democratas organizavam "meetings" e círculos políticos nas aldeias, e criavam Comitês de camponeses. Greves de operários agrícolas, organizadas por social-democratas, estalaram numa série de comarcas, no verão de 1905.

Porém, isto só era o começo da luta no campo. O movimento camponês só se arraigara em 85 distritos, o que representava a sétima parte, aproximadamente, dos distritos da Rússia européia czarista.

O movimento operário e camponês, unido à série de derrotas das tropas russas na guerra russo-japonesa, repercutiu sobre o Exército. Este baluarte do czarismo começou a cambalear.

Em junho de 1905 estalou uma sublevação na esquadra do Mar Negro, a bordo do couraçado "Potemkin". Por aqueles dias o "Potemkin" estava fundeado não longe de Odessa, onde os operários haviam declarado a greve geral. Os marinheiros sublevados ajustaram as contas com os oficiais mais odiados por eles, e rumaram para Odessa. O "Potemkin" se passou para o campo da revolução.

Lenin atribuía uma importância muito grande a esta sublevação. Reputava necessário que os bolcheviques dirigissem este movimento e o ligassem ao movimento dos operários, dos camponeses e das guarnições locais.

O czar enviou contra o "Potemkin" vários barcos de guerra, porém a tripulação destes se negou o disparar contra seus camaradas sublevados. Durante vários dias a bandeira vermelha da revolução ondulou no couraçado "Potemkin". Porém naqueles tempos, em 1905, o Partido bolchevique não era ainda o partido único que dirigia o movimento, como mais tarde, em 1917. No "Potemkin" havia não poucos mencheviques, social-revolucionários e anarquistas. Por isso, ainda que alguns social-democratas tomassem parte na sublevação, os sublevados não tiveram uma direção segura e suficientemente experiente. Uma parte dos marinheiros vacilava nos momentos decisivos. Os demais navios da esquadra do Mar Negro não se uniram à sublevação. Por falta de carvão e de provisões, o couraçado revolucionário foi obrigado a retirar-se para as costas da Rumânia e entregar-se às autoridades deste país.

A insurreição dos marinheiros do "Potemkin" terminou com uma derrota. Os marinheiros sublevados, que mais tarde caíram nas mãos do governo czarista, foram entregues aos Tribunais. Parte deles foram executados e outros enviados à prisão. Porém o simples fato da sublevação teve uma importância extraordinária. A insurreição do Potemkin loi a primeira ação revolucionária de massas que se produziu no Exército e na frota, a primeira grande unidade de tropas czaristas que se passou para o lado da revolução. Esta sublevação fez que os operários, os camponeses e, sobretudo, as próprias massas de soldados e marinheiros vissem mais clara e mais próxima a idéia da passagem do Exército e da Marinha para o lado da classe operária, para o lado do povo.

A passagem dos operários às greves políticas e às manifestações de massas, o recrudescimento do movimento camponês, os choques armados do povo com a polícia e as tropas e, finalmente, a sublevação na esquadra do Mar Negro: tudo indicava que as condições para a insurreição armada do povo estavam amadurecendo. Isto obrigou a burguesia liberal a pôr-se energicamente de pé. Alarmada ante a revolução, porém ao mesmo tempo assustando o czar com ela, pretendeu chegar a um acordo com o czar contra a revolução e pleitear a necessidade de decretar algumas pequenas reformas "em favor do povo" para "aplacar" a este, semear a discórdia entre as forças da revolução e atalhar com isso os "horrores da revolução". "É necessário retalhar terras para os camponeses, pois de outro modo nos retalharão o pescoço", diziam os senhores de terra liberais. A burguesia liberal se dispunha a compartilhar o Poder com o czar. Enquanto o proletariado luta, a burguesia pretende acercar-se cautelosamente do Poder, escrevia Lenin naqueles dias, referindo-se à tática da classe operária e a da burguesia liberal.

O governo czarista continuava esmagando o movimento operário e camponês com uma violência brutal. Porém não podia desconhecer que com os simples meios repressivos era impossível sufocar a revolução. Por isso, sem abandonar a repressão, começou a recorrer às manobras de rodeios. Por uma parte, com ajuda de seus agentes provocadores, começou a açular os povos da Rússia uns contra os outros, organizando progroms judeus e matanças entre armênios e tártaros. De outro lado, prometeu convocar uma "Assembléia representativa" — na forma de "Zemski Sobor" ou Duma do Estado, — encarregando o ministro Buliguin para que redigisse o projeto desta Assembléia, porém com a condição de que não tivesse faculdades legislativas. Todas estas medidas visavam semear a discórdia entre as forças da revolução e apartar desta, as camadas moderadas do povo.

Os bolcheviques declararam o boicote à Duma buliguiniana, propondo-se como objetivo jogar por terra esta caricatura de representação popular.

Ao contrário, os mencheviques concordaram em não fazer fracassar a Duma e consideraram necessário participar dela.


3

— Divergências táticas entre os bolcheviques e os mencheviques.

— O III Congresso do Partido.

— O livro de Lenin "As duas táticas da social-democracia na revolução democrática".

— Fundamentos táticos do Partido marxista.


A revolução pôs em movimento todas as classes da sociedade. A viragem provocada pela revolução na vida política do país, fê-las sair de suas velhas posições de estagnação e as obrigou a reagrupar-se de acordo com a nova situação. Cada classe, cada partido, esforçava-se em traçar sua tática, sua linha de conduta, sua relação com as demais classes e com o governo. Até o governo czarista se viu obrigado a elaborar, coisa insólita nele, uma nova tática, consistente em prometer a convocação de uma "Assembléia representativa", a Duma buliguiniana.

Também o Partido social-democrata se viu na necessidade de traçar sua linha tática. Assim o exigia a marcha ascendente da revolução. Assim o exigiam também os problemas práticos impostergáveis que se apresentavam ante o proletariado: organização da insurreição armada, derrubada do governo czarista, instauração de um governo provisório revolucionário, participação da social democracia neste governo, relações com os camponeses e com a burguesia liberal, etc. Era necessário traçar a tática marxista da social-democracia, uma tática única e bem meditada. Porém, graças ao oportunismo e ao trabalho divisionista dos mencheviques, a social-democracia russa se achava, naqueles momentos, cindida em duas frações. Ainda não se podia considerar consumada a cisão, porém, ainda que formalmente estas duas frações não fossem dois partidos distintos, de fato se pareciam muito a dois partidos, cada qual com seus próprios organismos centrais e seus próprios órgãos na Imprensa.

Contribuía para aprofundar a cisão o fato de que às velhas divergências dos mencheviques com a maioria do Partido em matéria de organização, vieram somar-se outras divergências novas, que afetavam os problemas táticos. A falta de um Partido unido traduzia-se na falta de unidade quanto à sua tática.

Cabia resolver a situação, convocando imediatamente o III Congresso ordinário do Partido, para estabelecer nele uma tática única, obrigando a minoria a aplicar honradamente as resoluções do Congresso e submeter-se às decisões da maioria. Esta solução foi, com efeito, a que os bolcheviques propuseram aos mencheviques. Porém estes não queriam nem ouvir falar do Congresso. Em vista disto e considerando como um crime continuar-se mantendo o Partido sem uma tática sancionada por seu órgão supremo e obrigatório para todos seus membros, os bolcheviques decidiram tomar em suas mãos a iniciativa de convocar o III Congresso.

Foram convidadas a enviar delegados a ele todas as organizações do Partido, tanto as bolcheviques como as mencheviques. Porém os mencheviques se negaram a participar do Congresso e decidiram convocar outro por sua conta. Não o chamaram congresso, senão conferência, pelo reduzido número de delegados que a ele acudiram, porém, na realidade foi um congresso, o congresso do partido menchevique, cujas resoluções se consideravam obrigatórias para todos os mencheviques.

Em abril de 1905, se reuniu em Londres o terceiro Congresso do Partido Social-democrata da Rússia. Assistiram a ele 24 delegados em nome de 20 Comitês bolcheviques. Todas as grandes organizações do Partido achavam-se representadas nele.

O Congresso condenou os mencheviques, considerando-os como "uma parte que se havia separado do Partido", e passou aos problemas da ordem do dia, que versavam sobre a tática do Partido.

Ao mesmo tempo se reunia em Genebra a conferência dos mencheviques.

"Dois congressos, dois partidos", tais eram os termos com que Lenin julgava a situação.

Tanto o congresso como a conferência examinavam, no fundo, os mesmos problemas táticos, porém as resoluções que recaíram sobre estes problemas foram diametralmente opostas. As duas diferentes séries de resoluções votadas no congresso e na conferência punham a descoberto, em toda sua profundidade, as divergências táticas existentes entre o III Congresso do Partido e a Conferência menchevique, entre os bolcheviques e os mencheviques.

Eis aqui os pontos fundamentais destas divergências:

Linha tática do III Congresso do Partido. O Congresso achava que, apesar do caráter democrático-burguês da revolução que se estava desenvolvendo e apesar de que esta não podia, naqueles momentos, sair do marco das medidas compatíveis com o capitalismo, seu triunfo total interessava de um modo primordial ao proletariado, pois o triunfo desta revolução lhe daria a possibilidade de organizar-se, de educar-se politicamente, de adquirir experiência e hábitos de direção política das massas trabalhadoras, e de passar da revolução burguesa à revolução socialista.

A tática do proletariado, visando o triunfo total da revolução democrático-burguesa, só podia ser apoiada pelos camponeses, já que estes não conseguiriam desembaraçar-se dos senhores de terra e obter suas terras senão com o triunfo completo da revolução. Os camponeses eram, pois, os aliados naturais do proletariado.

A burguesia liberal não estava interessada no triunfo completo dessa revolução, já que necessitava do Poder czarista como látigo contra os operários e os camponeses, aos quais temia mais que a nenhuma outra coisa, pelo que se esforçaria em manter o czarismo, embora restringindo um pouco suas prerrogativas; portanto, a burguesia liberal procuraria encerrar o assunto mediante um acordo com o czar, na base de uma monarquia constitucional.

A revohição só poderá triunfar se o proletariado se põe à frente dela, se este, como chefe da revolução, sabe assegurar sua aliança com os camponeses, se se isola a burguesia liberal, se a social-democracia toma parte ativa na organização da insurreição popular contra o czarismo, sé, como resultado de uma insurreição triunfante, se instaura um governo provisório revolucionário, capaz de extirpar as raízes da contra-revolução e de convocar uma Assembléia Constituinte de todo o povo, e se a social-democracia não recusa, em condições propícias, participar neste governo provisório revolucionário para levar a revolução o seu termo.

Linha tática da conferência menchevique. Posto que se trata de uma revolução burguesa, só pode ter como chefe a burguesia liberal. O proletariado tem que se aproximar dela e não dos camponeses. Para isto, o mais importante é não assustar a burguesia liberal com atitudes revolucionárias e não dar-lhe pretexto para voltar as costas à revolução, a qual se debilitará, se a burguesia liberal se desvia dela.

É possível que a insurreição triunfe, porém a social-democracia, depois do triunfo da insurreição, deverá ficar à margem para não atemorizar a burguesia liberal. É possível que, como resultado da insurreição, se instaure um governo provisório revolucionário, porém a social-democracia não deverá participar nele de modo algum já que este governo não será, por seu caráter, um governo socialista, e, sobretudo, porque a participação nele da social-democracia e sua atitude revolucionária poderiam assustar a burguesia liberal e solapar com isso a revolução.

Do ponto de vista das perspectivas da revolução seria melhor convocar qualquer assembléia representativa, um "Zemski Sobor" ou uma Duma de Estado, a qual se poderia submeter a pressão da classe operária, de fora, para convertê-la em uma Assembléia Constituinte ou forçá-la a convocar esta.

O proletariado tem seus interesses próprios e peculiares, interesses puramente operários, com os quais deve preocupar-se sem tentar erigir-se em chefe da revolução burguesa, que é uma revolução política geral e que afeta, portanto, a todas as classes e não ao proletariado somente.

Tais eram, em breves palavras, as duas táticas das duas frações do Partido Operário Social-Democrata da Rússia.

Em seu histórico livro intitulado "As duas táticas da social-democracia na revolução democrática", Lenin faz a crítica clássica da tática menchevique e fundamenta de um modo genial a tática bolchevique.

Este livro apareceu em julho de 1905 ou seja dois meses após o III Congresso do Partido. A julgar pelo título da obra, poder-se-ia crer que Lenin só examina nela os problemas táticos do período da revolução democrático-burguesa, e que sua crítica se refere unicamente aos mencheviques russos. Porém, na realidade, ao criticar a tática dos mencheviques, põe também a nu a tática do oportunismo internacional e ao fundamentar a tática marxista no período da revolução burguesa e traçar as diferenças entre esta e a revolução socialista, formula também os fundamentos da tática do marxismo no período de transição da revolução burguesa à revolução socialista.

Eis aqui as teses táticas fundamentais desenvolvidas por Lenin em sua obra "As duas táticas da social-democracia na revolução democrática":

1) A tese tática fundamental de que trata a obra de Lenin é a idéia de que o proletariado pode e deve ser o chefe da revolução democrático-burguesa, o dirigente da revolução democrático-burguesa na Rússia.

Lenin reconhecia o caráter burguês desta revolução, visto que, segundo ele assinalou,

"não estava em condições de sair imediatamente do estado de uma transformação puramente democrática".

Porém entendia que não era um movimento de cima, senão uma revolução popular, que punha em movimento todo o povo, toda a classe operária e todos os camponeses. Por isso, reputava como uma traição aos interesses do proletariado as tentativas dos mencheviques de diminuir a importância da revolução burguesa para a classe operária, de menoscabar o papel do proletariado nela e dela descartar as forças proletárias.

"O marxismo — escrevia Lenin — não ensina o proletariado a ficar à margem da revolução burguesa, a não participar nela, a entregar sua direção à burguesia, mas, pelo contrário, ensina que deve participar do modo mais enérgico e mais decidido na luta pelo democratismo proletário conseqüente, na luta para levar a revolução ao fim". (Lenin, t. VIII, pág. 58, ed. russa).

"Não devemos esquecer — escrevia Lenin mais adiante — que nestes momentos não há nem pode haver outro meio de se aproximar do socialismo que a liberdade política completa, a República democrática". (Obra citada, pág. 104).

Lenin previa dois possíveis desenlaces para a revolução.

1. ou a revolução terminava com o completo triunfo sobre o czarismo, com a derrubada deste e a instauração da República democrática, ou

2. se a revolução não era bastante forte, podia terminar com um acordo entre o czar e a burguesia à custa do povo, com qualquer Constituição minguada, ou melhor dito, com qualquer caricatura constitucional.

O proletariado achava-se interessado em que a solução fosse a melhor, a saber: a do triunfo decisivo sobre o czarismo. Porém, para que esta solução fosse possível, era necessário que o proletariado soubesse converter-se em chefe, em dirigente da revolução.

"O desenlace da revolução — escrevia Lenin — depende do papel que a classe operária desempenha nela: de que se limite a ser um mero auxiliar da burguesia, ainda que seja um auxiliar poderoso pela intensidade de seu impulso contra a autocracia, porém politicamente impotente, ou de que assuma o papel de dirigente da revolução popular" (Obra citada, pág. 32).

Lenin entendia que o proletariado contava com todas as possibilidades necessárias para deixar de ser auxiliar da burguesia e converter-se em dirigente da revolução democrático-burguesa. Estas possibilidades se cifravam, segundo Lenin, no seguinte:

Em primeiro lugar, "o proletariado, sendo como é por sua situação, a classe mais avançada e a única conseqüentemente revolucionária, está chamado, por isso, a desempenhar o papel dirigente no movimento geral democrático revolucionário na Rússia" (Lenin, t. VIII, pág. 75, ed. russa).

Em segundo lugar, o proletariado se acha mais interessado no triunfo decisivo da revolução que a burguesia, já que "em certo sentido, a revolução burguesa é mais benéfica para o proletariado que para a burguesia" (Obra citada, pág. 75).

"A burguesia — escrevia Lenin — convém apoiar-se em algumas das sobrevivências do velho regime contra o proletariado, por exemplo, na monarquia, no Exército permanente, etc. À burguesia convém que a revolução burguesa não varra demasiado resolutamente todas as sobrevivências do velho regime, senão que deixe de pé algumas delas; isto é, que esta revolução não seja de todo conseqüente, não seja levada até o fim, não seja decidida e implacável... À burguesia convém mais, que as mudanças necessárias num sentido democrático-burguês se estabeleçam lentamente, gradualmente, prudentemente, de um modo cauto, por meio de reformas e não por via da revolução... que estas mudanças desenvolvam o menos possível a independência, a iniciativa e a energia revolucionária do povo simples, isto é, dos camponeses e principalmente dos operários, pois, de outro modo a estes últimos lhes será tanto mais fácil "mudar o fuzil de um ombro para o outro", como dizem os franceses, isto é, dirigir contra a própria burguesia a arma que a revolução burguesa põe em suas mãos, a liberdade que esta lhes dá, as instituições democráticas que brotam no terreno limpo do feudalismo. Pelo contrário, à classe operária convém mais que as mudanças necessárias num sentido democrático-burguês se introduzam não por meio de reformas, senão pela via revolucionária, pois o caminho reformista é o caminho dos adiamentos, dos estabelecimentos de prazo, da agonia dolorosa e lenta dos membros podres do organismo social e os que mais e primordialmente sofrem com este processo de agonia, são o proletariado e os camponeses. Em troca o caminho revolucionário é o único caminho que consiste na operação mais rápida e menos dolorosa para o proletariado, na eliminação direta dos membros podres, o caminho de mínimas concessões e cautelas com respeito à monarquia e a suas instituições repelentes, ignominiosas e podres, que envenenam a atmosfera com sua decomposição". (Obra citada, págs. 57-58).

"Precisamente por isso — continua Lenin — o proletariado luta na vanguarda pela República, rechaçando com desprezo os conselhos nécios e indignos dele, dos que lhe dizem que tenha cuidado para não assustar a burguesia". (Obra citada, pág. 94).

Para que a possibilidade de que o proletariado dirija a revolução se converta em realidade, para que o proletariado se erija de fato em chefe, em dirigente da revolução burguesa, duas condições, pelo menos, têm que se dar, segundo Lenin.

Em primeiro lugar, é necessário que o proletariado conte com um aliado que se ache interessado no triunfo decisivo sobre o czarismo e que esteja disposto a colocar-se sob a direção do proletariado. Esta exigência vai implicar na própria idéia de direção, pois o dirigente deixa de o ser quando não tem a quem dirigir e o chefe, quando não tem a quem mandar. Eram os camponeses — segundo Lenin — este aliado.

Em segundo lugar, é necessário que a classe, que se acha em luta com o proletariado por dirigir a revolução, por erigir-se em seu único dirigente, seja eliminada da luta pela direção e isolada. Também isto vai implícito na própria idéia de direção, que exclui a possibilidade de admitir dois dirigentes da revolução. Esta classe era, segundo Lenin, a burguesia liberal.

"Só o proletariado — escrevia Lenin — pode ser um lutador conseqüente pelo democratismo. Porém, só pode lutar vitoriosamente pelo democratismo com a condição de que as massas camponesas se unam à sua luta revolucionária". (Obra citada, pág. (35).

E mais adiante:

"Entre os camponeses há, ao lado dos elementos pequeuo-burgueses, uma massa de elementos semiproletários. Isto lhes faz ser também instáveis, obrigando o proletariado a fundir-se num partido rigorosamente de classe. Porém a instabilidade dos camponeses é radicalmente diferente da instabilidade da burguesia; pois neste momento concreto os camponeses se acham menos interessados em que se mantenha indene a propriedade privada do que em arrebatar aos latifundiários suas terras, que são uma das principais formas daquela propriedade. Sem se converterem por isso em socialistas nem deixarem de ser pequenos burgueses, os camponeses são suscetíveis de atuar como os mais perfeitos e radicais defensores da revolução democrática. Os camponeses procederão inevitavelmente assim, sempre e quando a marcha dos acontecimentos revolucionários que iluminam seu caminho não se interromper bruscamente pela traição da burguesia e da derrota do proletariado. Os camponeses se converterão inevitavelmente sob tal condição, num baluarte da revolução e da República; já que só uma revolução plenamente vitoriosa pode dar ao camponês tudo em matéria de reforma agrária, tudo quanto o camponês quer, com o que sonha e o que realmente necessita". (Obra citada, páginas 94-95).

Analisando as objeções dos mencheviques, que afirmavam que semelhante tática, a traçada pelos bolcheviques, "obrigará as classes burguesas a voltar as costas à revolução, com o que reduzirá o alcance desta", e caracterizando-a como "uma tática de traição à revolução", como a "tática de converter o proletariado num lamentável apêndice às classes burguesas", Lenin escrevia:

"Quem compreender verdadeiramente qual é o papel dos camponeses na revolução russa vitoriosa, será incapaz de dizer que o alcance da revolução se reduz se a burguesia lhe volta as costas, pois, na realidade, a revolução russa não começará a adquirir seu verdadeiro alcance, não começará a adquirir a maior envergadura revolucionária possível na época da revolução democrático-burguesa, até que a burguesia não lhe volte as costas e o elemento revolucionário ativo não seja a massa camponesa, em união com o proletariado. Para ser levada conseqüentemente a término, nossa revolução democrática deve apoiar-se em forças capazes de contrabalançar a inevitável inconsequência da burguesia, isto é, capazes precisamente de "obrigá-la a voltar as costas". (Obra citada, págs. 95-96).

Tal é a tese tática fundamental sobre o proletariado como chefe da revolução burguesa, a tese tática fundamental sobre a hegemonia (papel dirigente) do proletariado na revolução burguesa, desenvolvida por Lenin em sua obra "As duas táticas da social-democracia na revolução democrática".

Com isso, o partido marxista se situava num ponto de vista novo ante os problemas da tática na revolução democrático-burguesa, ponto de vista que se distinguia profundamente das posições táticas que até então figuravam no arsenal marxista. Anteriormente, o problema se reduzia a que, nas revoluções burguesas, por exemplo, nas dos países ocidentais, o papel dirigente ficasse em mãos da burguesia, vendo-se o proletariado reduzido, na melhor das hipóteses ao papel de auxiliar, e os camponeses convertidos em reserva da burguesia. Os marxistas consideravam esta combinação como algo mais ou menos inevitável, fazendo no ato a reserva de que o proletariado devia defender, neste transe, o mais possível, suas reivindicações imediatas de classe e ter seu partido político próprio. Agora, dentro da nova situação histórica, o problema era colocado, de acordo com o ponto de vista de Lenin, de um modo novo: o proletariado passava a ser a força dirigente da revolução burguesa, a burguesia era deslocada da direção do movimento revolucionário, e os camponeses se convertiam na reserva do proletariado.

A crença de que Plekhanov "era também partidário" da hegemonia do proletariado, responde a um equívoco. Plekhanov "coqueteava" com a idéia da hegemonia do proletariado, embora seja certo que a reconhecia de palavra, de fato era contrário à essência desta idéia. A hegemonia do proletariado implica no papel dirigente deste na revolução burguesa, com uma política de aliança entre o proletariado e os camponeses e uma política de isolamento da burguesia liberal, sendo assim que Plekhanov era, como sabemos, contrário a esta política de isolamento da burguesia liberal, partidário de uma política de acordo com esta burguesia e contrário à política de aliança entre o proletariado e os camponeses. Na realidade, o ponto de vista tático de Plekhanov era o ponto de vista menchevique, que consistia em negar a hegemonia do proletariado.

2) Lenin considerava como meio mais importante para derrubar o czarismo e conquistar a República democrática, a insurreição armada vitoriosa do povo. Entendia, ao contrário dos mencheviques, que

"o movimento revolucionário democrático geral propunha já a necessidade da insurreição armada", que "a organização do proletariado para a insurreição" já "estava na ordem do dia, como uma das tarefas essenciais, fundamentais e necessárias do Partido", que era necessário "tomar as medidas mais enérgicas para armar o proletariado e assegurar-lhe a possibilidade de tomar em suas mãos a direção imediata da insurreição" (Lenin, t. VIII, pág. 75, ed. russa).

Para levar as massas à insurreição e fazer esta extensiva a todo o povo, Lenin considerava necessário lançar às massas as consignas, os chamados adequados para desenvolver sua iniciativa revolucionária, para organizá-las com vistas à insurreição e desorganizar o aparelho do Poder do czarismo. Estas consignas eram, segundo ele, as resoluções táticas do III Congresso do Partido em cuja defesa se consagrava sua obra: "As duas táticas da social-democracia na revolução democrática".

Eis aqui quais eram estas consignas:

1. Emprego das "greves políticas de massas, que podem ter grande importância no começo e no próprio transcurso da insurreição". (Obra citada, pág. 75).

2. "Implantação imediata, pela via revolucionária, da jornada de 8 horas e outras reivindicações imediatas da classe operária". (Obra citada, pág. 47).

3. "Organização imediata de Comitês camponeses revolucionários para implantar" pela via revolucionária, "todas as mudanças democráticas" até chegar à confiscação das terras dos latifundiários. (Obra citada, pág. 88).

4. Armamento do proletariado.

Dois pontos interessa especialmente destacar aqui:

Em primeiro lugar, a tática da implantação revolucionária da jornada de 8 horas na cidade e das mudanças democráticas no campo; isto é, sua implantação sem contar com as autoridades, sem contar com a lei, prescindindo das autoridades e da legalidade, destroçando as leis vigentes e instaurando uma nova ordem pela própria força das massas, por sua própria vontade. Era este um novo meio tático cuja aplicação paralisava o aparelho de Poder do czarismo e libertava a atividade e a iniciativa criadora das massas. Na base desta tática surgiram os comitês revolucionários de greve na cidade e os comitês revolucionários de camponeses no campo, que haviam de converter-se mais tarde nos Soviets de deputados operários e nos Soviets de deputados camponeses, respectivametite.

Em segundo lugar, o emprego das greves políticas de massas, o emprego das greves políticas gerais, que mais tarde, no transcurso da revolução, haviam de desempenhar um papel de primeira ordem para a mobilização revolucionária das massas. Era esta uma arma nova e importantíssima nas mãos do proletariado, arma desconhecida até então na atuação dos partidos políticos marxistas e que havia de adquirir mais tarde carta de cidadania.

Lenin entendia que, como resultado da insurreição vitoriosa do povo, o governo czarista haveria de ser substituído por um governo provisório revolucionário. A missão deste governo provisório revolucionário consistiria em garantir as conquistas da revolução, em esmagar a resistência da contra-revolução e em realizar o programa mínimo do Partido Operário Social-Democrata da Rússia. Lenin entendia que sem isto era impossível conseguir um triunfo decisivo sobre o czarismo. E, para cumprir esta missão e lograr um triunfo decisivo sobre o czarismo, o governo provisório revolucionário devia ser, não um governo como outro qualquer, senão o governo da ditadura das classes vitoriosas, dos operários e camponeses, a ditadura revolucionária do proletariado e dos camponeses. Referindo-se à conhecida tese de Marx, segundo a qual

"a estrutura provisória de todo Estado depois da revolução exige a ditadura, e uma ditadura enérgica",

Lenin chegava à conclusão de que, se se queria assegurar o triunfo decisivo sobre o czarismo, o governo provisório revolucionário só podia ser a ditadura do proletariado e dos camponeses.

"O triunfo decisivo da revolução sobre o czarismo — escrevia Lenin — é a ditadura revolucioiiário-democrático do proletariado e dos camponeses... Este triunfo será, precisamente, uma ditadura; isto é, deverá apoiar-se inevitavelmente na força das armas, nas massas armadas, na insurreição, e não nestas ou naquelas instituições criadas "pela via pacífica". Só pode ser uma ditadura, porque a implantação das mudanças imediata e absolutamente necessárias para o proletariado e os camponeses provocará uma resistência desesperada por parte dos latiiundiários, da grande burguesia e do czarismo. Sem ditadura, será impossível esmagar esta resistência, rechaçar as tentativas contra-revolucionárias. Porém, não será, naturalmente, uma ditadura socialista, senão uma ditadura democrática. Esta ditadura não poderá tocar (sem passar por toda uma série de graus intermediários de desenvolvimento revolucionário) nas bases do capitalismo. Poderá, no melhor dos casos, introduzir mudanças radicais na distribuição da propriedade da terra a favor dos camponeses, implantar um democratismo conseqüente e completo, até chegar à República, desarraigar não só dos costumes camponeses, como também dos hábitos fabris, todos os traços asiáticos e servis, iniciar um melhoramento sério na situação dos operários e elevar seu nível de vida, e finalmente — o último na ordem, porém não em importância — atear a fogueira revolucionária na Europa. Semelhante triunfo não converterá ainda, e longe disso, nossa revolução burguesa em socialista; a revolução democrática não sairá imediatamente do estado das relações econômico-sociais burguesas, porém não obstante isto, terá uma importância gigantesca para o futuro desenvolvimento da Rússia e do mundo inteiro. Nada elevará a tal altura a energia revolucionária do proletariado mundial, nada encurtará tão consideravelmente o caminho que conduz à sua vitória total, como este triunfo decisivo da revolução que já se iniciem na Rússia". (Obra citada, págs. 62-68).

No tocante à atitude da social-democracia ante o governo provisório revolucionário e à possibilidade de que aquela participasse nele, Lenin defendia integralmente a correspondente resolução do III Congresso do Partido, que dizia assim:

"De acordo com a correlação de forças e outros fatores que não é possível fixar com precisão de antemão, é admissível a participação de representantes de nosso Partido no governo provisório revolucionário, com o fim de lutar implacavelmente frente a todas as tentativas contra-revolucionárias e defender os interesses próprios e peculiares da classe operária; condição necessária para esta participação é o controle rigoroso do Partido sobre seus representantes e a manutenção inquebrantável da independência da social-democracia, que aspira à revolução socialista completa e é, portanto, irreconciliavelmente inimiga de todos os partidos burgueses; independentemente de que seja ou não possível a participação da social-democracia no governo provisório revolucionário, deve propagar-se entre as mais extensas camadas do proletariado a idéia de que é necessário que o proletariado armado, dirigido pela social-democracia, pressione constantemente o governo provisório, com o fim de manter, consolidar e estender as conquistas da revolução". (Obra citada, pág. 37).

Às objeções dos mencheviques de que o governo provisório seria, apesar de tudo, um governo burguês e de que não era possível admitir a participação dos social-democratas em semelhante governo, a menos que se quisesse cometer o mesmo erro que o socialista francês Millerand cometera ao fazer parte do governo da burguesia francesa, Lenin contestava, fazendo ver que os mencheviques confundiam aqui duas coisas diferentes e revelavam incapacidade para abordar o problema como marxistas: na França, tratava-se da participação dos socialistas num governo burguês reacionário e numa época em que não existia uma situação revolucionária dentro do país, o que obrigava os socialistas a não participarem naquele governo; em troca, na Rússia, tratava-se da participação dos socialistas num governo burguês revolucionário, que lutava pelo triunfo da revolução, num momento em que esta se achava em seu apogeu, circunstância que tornava admissível, e, sob condições próprias, obrigada, a participação dos social-democratas nele, para dar batalha à contra-revolução, não só "de baixo" e de fora, senão também, "de cima" e de dentro do governo.

3) Ao lutar pelo triunfo da revolução burguesa e pela conquista da República democrática, Lenin não pensava, e longe disso, deter-se na etapa democrática e reduzir o alcance do movimento revolucionário à consecução dos objetivos democrático-burgueses. Pelo contrário, entendia que, imediatamente depois de conseguidos os objetivos democráticos, ter-se-ia de começar a luta do proletariado e das demais massas exploradas, pela revolução socialista. Lenin sabia isto e considerava dever da social-democracia tomar todas as medidas destinadas a que a revolução democrático-burguesa começasse a transformar-se em revolução socialista. Se Lenin reputava necessária a ditadura do proletariado e dos camponeses, não era para pôr fim à revolução depois de coroada a vitória sobre o czarismo, senão para prolongar o mais possível o estado de revolução, para destruir integralmente os vestígios da contra-revolução, para fazer que a chama da revolução se estendesse à Europa e, depois de lograr que, durante este tempo, o proletariado se educasse politicamente e se organizasse num grande exército, começar a passar diretamente para a revolução socialista.

Referindo-se ao alcance da revolução burguesa e ao caráter que o partido marxista deve dar-lhe, Lenin escrevia:

"O proletariado deve levar acabo a revolução democrática, atraindo para si a massa dos camponeses, para esmagar pela força a resistência da autocracia e paralisar a instabilidade da burguesia. O proletariado deve consumar a revolução socialista, atraindo para si a massa dos elementos semiproletários da população, para destroçar pela força a resistência da burguesia e paralisar a instabilidade dos camponeses e da pequena burguesia. Tais são as tarefas do proletariado, que os neo-iskristas (isto é, os mencheviques, N. da R.) representam de um modo tão mesquinho em todas as suas argumentações e resoluções sobre o alcance da revolução" (Lenin, t. VIII, pág. 96, ed. russa).

E mais adiante:

"À frente de todo o povo, e em particular, dos camponeses, pela liberdade total, pela revolução democrática conseqüente, pela República! À frente de todos os trabalhadores e explorados pelo socialismo! Tal deve ser, na prática, a política do proletariado revolucionário, esta e a consigna de classe que deve indicar e determinar a solução de todos os problemas táticos, de todos os passos práticos do Partido operário durante a revolução". (Obra citada, pág. 105).

Para que não ficasse nenhuma dúvida, dois meses depois de aparecer seu livro "As duas táticas", em seu artigo intitulado "A atitude da social-democracia frente ao movimento camponês", Lenin expunha:

"Da revolução democrática começaremos a passar imediatamente, na medida de nossas forças, das forças do proletariado consciente e organizado, à revolução socialista. Nós somos partidários da revolução ininterrupta. Não ficaremos na metade do caminho". (Obra citada, pág. 186).

Era este um novo ponto de vista a respeito do problema das relações entre a revolução burguesa e a revolução socialista, uma nova teoria da reagrupação de forças em torno do proletariado, ao terminar a revolução burguesa, para passar diretamente à revolução socialista, a teoria da transformação da revolução democrático-burguesa em revolução socialista.

Ao traçar este novo ponto de vista, Lenin se apoiava, em primeiro lugar, na conhecida tese de Marx sobre a revolução ininterrupta, tese que figura na "Circular da Liga dos Comunistas", redigida em fins da década de 40 do século passado, e em segundo lugar, na conhecida idéia de Marx, sobre a necessidade de combinar o movimento revolucionário camponês com a revolução proletária, expressada numa carta dirigida a Engels em 1856, na qual diz:

"Todo o problema, na Alemanha, dependerá da possibilidade de apoiar a revolução proletária com uma espécie de segunda edição da guerra camponesa".

Estas idéias geniais de Marx não foram desenvolvidas mais tarde por Marx e Engels, e os teóricos da Segunda Internacional tomaram todas as medidas para sepultá-las e enterrá-las no esquecimento. Coube a Lenin a tarefa de trazer de novo à luz estas teses esquecidas de Marx e de restaurá-las em toda a sua plenitude. Porém, em sua obra de restauração destas teses, não se limitou, nem podia limitar-se, pura e simplesmente, a repeti-las, mas as desenvolveu e as elaborou numa teoria harmônica da revolução socialista, juntando, como aspecto obrigado desta, um novo fator: o da aliança do proletariado e dos elementos semiproletários da cidade e do campo, como condição para o triunfo da revolução proletária.

Este ponto de vista fez em pedaços as posições táticas da social-democracia dos países ocidentais, que partia da suposição de que depois da revolução as massas camponesas, sem excluir as massas pobres do campo, se apartariam necessariamente da revolução, pelo que a revolução burguesa viria forçosamente seguida de um longo período de trégua; de um longo período "pacífico", que duraria de 50 a 100 anos ou mais e durante o qual o proletariado seria explorado "pacificamente" e a burguesia se enriqueceria "legitimamente" até que chegasse o momento da nova revolução, da revolução socialista.

Era esta uma nova teoria da revolução socialista realizada, não pelo proletariado isolado contra toda a burguesia, senão pelo proleta-riado-dirigente, aliado aos elementos semiproletários da população, representados pelos milhões das "massas trabalhadoras exploradas".

Segundo esta teoria, a hegemonia do proletariado na revolução burguesa, mediante a aliança do proletariado e dos camponeses, devia converter-se gradualmente na hegemonia do proletariado na revolução socialista, mediante a aliança do proletariado e das demais massas trabalhadoras e exploradas, e a ditadura democrática do proletariado e dos camponeses prepararia o terreno para a ditadura socialista do proletariado.

Este ponto de vista deitou por terra a teoria em voga dos social-democratas europeus ocidentais, que negavam as possibilidades revolucionárias das massas semiproletárias da cidade e do campo e partiram da suposição de que

"fora da burguesia e do proletariado, não vemos outras forças sociais nas quais as combinações oposicionistas e revolucionárias de nosso país possam apoiar-se" (Palavras de Plekhanov típicas dos social-democratas da Europa Ocidental).

Os social-democratas da Europa Ocidental entendiam que na revolução socialista o proletariado estaria só contra toda a burguesia, sem aliados, frente a todas as classes e camadas não proletárias. Não queriam levar em conta o fato de que o capital não explora somente os proletários, mas explora também milhões de homens das camadas semiproletárias da cidade e do campo, asfixiados pelo capitalismo e suscetíveis de se converterem em aliados do proletariado na luta por emancipar a sociedade do jugo capitalista. Por isso, os social-democratas europeus ocidentais opinavam que na Europa não haviam amadurecido ainda as condições para a revolução socialista e que estas condições só podiam considerar-se maduras quando o proletariado representasse a maioria dentro da nação, a maioria dentro da sociedade, como resultado do ulterior desenvolvimento econômico desta.

Este ponto de vista podre e antiproletário dos social-democratas da Europa Ocidental era o que a teoria da revolução socialista preconizada por Lenin vinha deitar por terra.

Na teoria de Lenin não se chegava ainda diretamente à conclusão que era possível o triunfo do socialismo num só país separadamente. Porém, todos ou quase todos os elementos fundamenteis necessários para chegar, mais cedo ou mais tarde à dita conclusão, já se continham nela.

Como é sabido, Lenin chegou a esta conclusão em 1915, isto é, dez anos mais tarde.

Tais são as teses fundamentais sobre tática, desenvolvidas por Lenin, em sua histórica obra "As duas táticas da social-democracia na revolução democrática".

A importância histórica deste livro consiste, antes de tudo, em que veio destruir ideologicamente o ponto de vista tático pequeno-burguês dos mencheviques, armando a classe operária da Rússia com as armas necessárias para o desenvolvimento futuro da revolução democrático-burguesa, para a nova acometida contra o czarismo, e dando aos social-democratas russos uma perspectiva clara sobre a transformação necessária da revolução burguesa na revolução socialista.

Porém a importância da obra de Lenin não se reduz a isto. Seu valor inapreciável reside em haver enriquecido o marxismo com uma nova teoria da revolução e em haver assentado as bases da tática revolucionária do Partido bolchevique, graças ao que pôde o proletariado de nosso país, em 1917, triunfar sobre o capitalismo.


4

— A revolução prossegue sua marcha ascendente.

— A greve política geral de outubro de 1905 em toda a Rússia.

— Recuo do czarismo.

— A mensagem do czar.

— Aparecem os Soviets de deputados operários.


Para o outono de 1905, o movimento revolucionário se estendeu a todo o país, adquirindo, além disso, um impulso esmagador.

A 19 de setembro estalou em Moscou uma greve dos operários tipógrafos. De Moscou se estendeu a Petersburgo e a outras cidades. Em Moscou, foi apoiada pelos operários de outras indiístrias e se converteu numa greve geral de caráter político.

Nos primeiros dias de outubro começou a greve na estrada de ferro de Moscou a Kazan. No dia seguinte, estavam em greve os operários de todo o centro ferroviário de Moscou. Rapidamente a greve se estendeu a todas as ferrovias do país. Pararam também os empregados dos Correios e Telégrafos. Os operários de diversas cidades da Rússia se reuniram em grandes meetings e concordaram em abandonar o trabalho. A greve ia-se estendendo de uma fábrica a outra, de uma empresa a outra, de uma cidade a outra e de uma a outra região. Faziam causa comum com os operários grevistas os pequenos empregados, os estudantes, os intelectuais, advogados, engenheiros, médicos, etc.

A greve política geral de outubro se estendeu a toda a Rússia, se comunicou a quase todo o país, até as comarcas mais remotas, e arrastou quase todos os operários, até as camadas mais atrasadas. Nesta greve geral de caráter político tomaram parte cerca de um milhão de homens, contando somente os operários industriais sem incluir os ferroviários, os empregados dos Correios e Telégrafos, nem outros ramos de trabalho, que deram também contingente de grevistas. Toda a vida do país licou paralisada. O governo via-se atado de pés e mãos.

A consigna dos bolcheviques sobre a greve política de massas dava seus frutos.

A greve geral de outubro evidenciou a força, a potência do movimento proletário, e obrigou o czar, morto de medo, a lançar sua mensagem de 17 de outubro de 1905. Nesta mensagem, o czar prometia ao povo "as bases irremovíveis das liberdades políticas: inviolabilidade efetiva da personalidade, liberdade de consciência, de palavra, de reunião e de coalizão". Prometia, além disso, convocar uma Duma legislativa, concedendo direitos eleitorais a todas as classes da população.

A força da revolução se encarregou, pois, de varrer a Duma puramente consultiva de Bulguin. A tática bolchevique de boicote contra esta caricatura de parlamento fora acertada. Entretanto, a mensagem de 17 de outubro era uma manobra para enganar as massas do povo, um engodo do czar, uma espécie de respiro de que necessitava para aturdir os incautos, ganhar tempo, forças e logo depois descarregar um golpe contra a revolução. O governo czarista, ainda que prometesse de palavra conceder a liberdade, não dava nada de substancial ao povo. De momento, os operários e camponeses não haviam recebido do governo outra coisa senão promessas. Em vez da grande anistia política que se esperava, a 21 de outubro foram anistiados somente um punhado de presos políticos. Ao mesmo tempo, com o objetivo de semear a discórdia entre as forças do povo, o governo organizou uma série de sangrentos progroms de judeus, nos quais pereceram milhares e milhares de seres, criou vários grupos policiais, como a "União do povo russo", a "Liga do Arcanjo S. Miguel", etc, destinadas a reprimir a revolução. Estas organizações, nas quais predominavam os latifundiários e comerciantes reacionários, os popes e alguns elementos dignos de cadeia por vadiagem, foram batizados pelo povo com o nome de "Centúrias Negras". Os indivíduos destes grupos, em colaboração com a polícia, espancavam e assassinavam impunemente os operários avançados, intelectuais e estudantes revolucionários, botavam fogo nos locais e dissolviam a tiros os meetings e as manifestações. A isto se reduziam, no momento, os resultados tangíveis da mensagem do czar. Entre o povo circulava então esta quadra:

"O czar todo assustado,

lançou uma mensagem:

liberdade aos mortos,

os vivos ao cárcere".

Os bolcheviques faziam ver às massas que a mensagem do czar era uma cilada. Fustigavam como uma provocação a conduta do governo depois de dar a mensagem. Chamavam os operários às armas, a preparar a insurreição armada.

Os operários dedicavam-se ainda mais energicamente a formar suas milícias armadas. Compreendiam claramente que aquela primeira vitória de 17 de outubro, arrancada pela greve política geral, os obrigava a continuar desenvolvendo seus esforços, a continuar lutando pela derrocada do czarismo.

Lenin, julgando a mensagem de 17 de outubro, caracterizava-a como um monumento de certo equilíbrio provisório de forças, no qual o proletariado e os camponeses, havendo arrancado do czar aquela mensagem, não tinham ainda força para derrubar o czarismo, porem este já não podia governar exclusivamente com os meios antigos e via-se obrigado a prometer de palavra "liberdades políticas" e uma Duma "legislativa".

Nos dias agitados da greve política de outubro, sob o fogo da luta contra o czarismo, a iniciativa criadora revolucionária das massas operárias forjou uma nova e poderosa arma: os Soviets de deputados operários.

Os Soviets de deputados operários, assembléias de delegados de todas as fábricas e empresas industriais, eram uma organização política de massa da classe operária, sem precedente no mundo. Estes Soviets, que aparecem pela primeira vez em 1905, haviam de ser o protótipo do Poder Soviético, criado pelo proletariado, sob a direção do Partido bolchevique, em 1917. Os Soviets eram uma nova forma revolucionária, fruto da invenção popular. Foram criados exclusivamente pelas camadas revolucionárias da população, saltando por cima de todas as leis e normas do czarismo. Foram obra da iniciativa própria das massas, lançados à luta contra o regime czarista.

Os bolcheviques viam nos Soviets o gérmen do Poder revolucionário. E entendiam que a força e a importância dos Soviets dependiam da força e dos êxitos da insurreição.

Os mencheviques não consideravam os Soviets nem como órgãos incipientes do Poder revolucionário nem como órgãos da insurreição. Viam neles simplesmente, órgãos de autonomia local, uma espécie de juntas urbanas democratizadas.

A 13 (26) de outubro de 1905, efetuaram-se em todas as fábricas e empresas industriais de Petersburgo as eleições ao Soviet de deputados operários. Pela noite se celebrou a primeira sessão do Soviet. Pouco depois do de Petersburgo, se organizou o Soviet de deputados operários de Moscou.

O Soviet de deputados operários de Petersburgo, por ser o do centro industrial e revolucionário mais importante da Rússia, o da capital do Império czarista, estava chamado a desempenhar um papel decisivo na revolução de 1905. Porém sua má direção, que estava nas mãos dos mencheviques, o impediu de cumprir com sua missão. Como é sabido, por aquela época Lenin ainda não se achava em Petersburgo; continuava no estrangeiro. Os mencheviques, aproveitando-se de sua ausência, se infiltraram no Soviet de Petersburgo e se apoderaram da sua direção. Nestas condições, não é de se estranhar que os mencheviques Yruslatiev, Trotsky, Parvus e outros conseguissem pôr o Soviet de Petersburgo contra a política da insurreição. Em vez de aproximar os soldados do Soviet e incorporá-los à luta geral, exigiram que fossem afastados de Petersburgo. Em vez de armar os operários e prepará-los para a insurreição, o Soviet dava voltas e mais voltas sem mover-se do lugar e adotava uma atitude negativa frente à preparação do movimento insurrecional.

Totalmente diferente foi o papel que desempenhou na revolução o Soviet de deputados operários de Moscou. O Soviet de Moscou levou a cabo desde os primeiros dias de sua existência uma política revolucionária conseqüente. A direção deste Soviet estava nas mãos dos bolcheviques. Graças a isto, surgiu em Moscou, ao lado do Soviet de deputados operários, um Soviet de deputados soldados. O Soviet de Moscou se converteu no órgão da insurreição armada.

Durante os meses de outubro a dezembro de 1906, criaram-se Soviets de deputados operários numa série de grandes cidades e em quase todos os centros operários. Houve tentativas de organização de Soviets de deputados, de soldados e marinheiros e de fusão destes com os deputados operários. Em alguns lugares, surgiram Soviets de deputados operários e camponeses.

A influência dos Soviets era imensa. Apesar de que com freqüência brotavam de um modo espontâneo, sem estarem estruturados nem terem uma composição coerente, atuavam como Poder. Os Soviets implantaram por via de fato a liberdade de Imprensa e a jornada de 8 horas e se dirigiram ao povo incitando-o a não pagar os impostos ao governo czarista. Em alguns casos, procediam ao confisco do dinheiro do erário czarista e o invertiam nas necessidades da revolução.

 

 

5

— A insurreição armada de dezembro.

— É derrotada a insurreição.

— A revolução recua.

— A primeira Duma.

— O IV Congresso (de unificação) do Partido.


A luta revolucionária das massas continuou desenvolvendo-se com uma força enorme durante os meses de outubro e novembro de 1905. O movimento de greves continuava seu curso.

No outono de 1905, a luta dos camponeses contra os latifundiários tomou amplas proporções. O movimento camponês abarcava já mais de uma terça parte dos distritos de todo o país. Nas províncias de Saratov, Tamboy, Chernigov, Tiflis, Kutais e algumas outras se desenvolveu uma verdadeira insurreição camponesa. Apesar disto, as massas camponesas não tinham ainda o suficiente "élan". O movimento camponês sofria de falta de organização e de direção.

Crescia também a agitação entre as massas de soldados numa série de cidades como Tiflis, Vladivostok, Tashkent, Samarkanda, Kursk, Sukhum, Varsóvia, Kiev e Riga. Estalou também uma sublevação entre os marinheiros de Kronstadt e na esquadra do Mar Negro, em Sebastopol (novembro de 1905). Porém estas sublevações, isoladas, foram esmagadas pelo czarismo.

Em algumas unidades do Exército e da frota, o motivo que dava origem às sublevações, era, não poucas vezes, a grosseria dos oficiais, a má qualidde do rancho ("revoltas do feijão"), etc.

A massa dos marinheiros e soldados sublevados não tinha ainda clara consciência da necessidade de derrubar o governo czarista e de prosseguir energicamente a luta armada. Os soldados e marinheiros sublevados ainda abrigavam um espírito demasiado pacífico e generoso: com freqüência, cometiam o erro de pôr em liberdade os chefes e oficiais detidos, ao estalar a sublevação, deixando-se levar por promessas e pelos subterfúgios do comando.

A revolução entrava de cheio na fase da insurreição armada. Os bolcheviques haviam chamado as massas à insurreição armada contra o czar e os latifundiários, explicando-lhes a inevitável necessidade de acudir a ela. Sem um momento de descanso, puseram-se a preparar a insurreição armada. Desenvolvendo seu trabalho revolucionário entre os soldados e os marinheiros, criaram dentro do Exército organizações militares do Partido. Numa série de cidades se formaram milícias armadas de operários, ensinando-se a seus componentes a manejar as armas. Foi organizada a compra de armas no estrangeiro e o transporte clandestino para a Rússia. Nestas atividades tomaram parte prestigiosos militantes do Partido.

Em novembro de 1905, Lenin regressou à Rússia. Ocultando-se dos gendarmes e espiões czaristas, tomou pessoalmente parte, durante aqueles dias na preparação da insurreição armada. Seus artigos, publicados no periódico bolchevique "Novaia Zhisn" ("Vida Nova"), o camarada Stalin desenvolvia um formidável trabalho revolucionário na Transcaucásia. Derrotava os mencheviques e os desmascarava como inimigos da revolução e da insurreição armada, e preparava tenazmente os operários para a luta decisiva contra a autocracia. Num meeting celebrado em Tiflis no dia em que foi publicada a mensagem do czar, Stalin disse aos operários:

"Que necessitamos para conseguir um verdadeiro triunfo? Necessitamos de três coisas: armamento, armamento e mais armamento".

Em dezembro de 1905, se reuniu em Tammerfors (Finlândia) a conferência dos bolcheviques. Embora formalmente bolcheviques e mencheviques participassem do mesmo partido, do Partido social-democrata, de fato representavam dois partidos diferentes, cada qual com seus órgãos centrais correspondentes. Foi nesta conferência que Lenin e Stalin se conheceram pessoalmente. Até então, se mantiveram constantemente em relações, por meio de cartas ou através de camaradas.

Entre as resoluções de Tammerfors devem-se assinalar aqui duas: uma, sobre o restabelecimento da unidade do Partido, cindido de fato em dois, e outra, sobre o boicote à primeira Duma de Witte.

Como por aqueles dias já havia estalado em Moscou a insurreição armada, a conferência, por conselho de Lenin, se apressou em terminar suas tarefas e os delegados regressaram a suas respectivas localidades, para tomarem parte pessoalmente na insurreição.

Porém o governo czarista não dormia. Também ele se preparava para a luta decisiva. Depois de concertar a paz com o Japão, aliviando com isso sua difícil situação, o governo czarista passou à ofensiva contra os operários e os camponeses. Proclamou o estado de guerra numa série de províncias às quais a insurreição camponesa afetava, deu ordens brutais — "nada de prisioneiros!", "não poupar cartuchos!" — e ordenou a detenção dos dirigentes do movimento revolucionário e a dissolução dos Soviets de deputados operários.

Os bolcheviques de Moscou e o Soviet de deputados operários desta capital, dirigido por eles e vinculado a grandes massas operárias, resolveram em vista disto levar a cabo a preparação imediata da insurreição armada. A 5 (18) de dezembro, o Comitê de Moscou tomou a resolução de propor ao Soviet declarar a greve geral de caráter político, para logo depois no transcurso da luta, convertê-la em insurreição. Esta resolução foi apoiada por comícios operários de massas. O Soviet de Moscou, submetendo-se à vontade da classe operária, decidiu por unanimidade a greve geral.

O proletariado de Moscou contava, ao começar a insurreição, com sua própria milícia: cerca de mil homens, mais da metade dos quais eram bolcheviques. Existiam também milícias numa série de fábricas de Moscou. O número total de milicianos de que dispunham os revolucionários era de cerca de dois mil. Os operários contavam que poderiam neutralizar e dividir as tropas da guarnição, fazendo passar para seu campo uma parte delas.

A 7 (20) de dezembro começou a greve política em Moscou. Não se conseguiu, entretanto, que a greve se estendesse a todo o país; em Petersburgo, não se encontrou o apoio necessário, o que contribuiu para debilitar, desde o primeiro momento, as possibilidades de êxito da insurreição. A ferrovia de Nicolau, hoje de Outubro, achava-se em mãos do governo czarista. O tráfico nesta linha ferroviária não se paralisou, e o governo pôde transportar de Petersburgo a Moscou os regimentos da Guarda para esmagar a insurreição.

A guarnição de Moscou estava vacilante. Os operários se haviam lançado ao movimento insurrecional, confiando, em parte, no apoio da guarnição. Porém os revolucionários perderam tempo, e o governo czarista pôde triunfar das revoltas na guarnição.

A 9 (22) de dezembro se levantaram em Moscou as primeiras barricadas. A seguir foram cobertas de barricadas as mas da cidade. O governo czarista pôs a artilharia em ação. Concentrou tropas, cujo número excedia numa proporção arrasadora o das forças dos revolucionários. Durante nove dias, uns quantos milhares de operários armados mantiveram uma luta heróica. Para sufocar a insurreição, o czarismo viu-se obrigado a trazer tropas de Petersburgo, de Tver e do território Oeste. Os órgãos dirigentes do movimento tinham sido, em parte detidos e, em parte isolados na véspera do dia em que a luta começou. O Comitê bolchevique de Moscou foi detido. A ação armada se converteu numa insurreição de distritos soltos, sem conexão entre si. Carentes de um centro de direção e sem um plano geral de luta em toda a cidade, os distritos lutavam, fundamentalmente, na defensiva. E esta foi, como mais tarde havia de fazer notar Lenin, uma das razões fundamentais da debilidade da insurreição de Moscou e uma das causas de seu fracasso.

A insurreição adquiriu um caráter especialmente tenaz e encarniçado na barricada de Krasnaia Presnia em Moscou. Esta barricada era a fortaleza principal, o centro da insurreição. Era ali onde as melhores milícias, dirigidas pelos bolcheviques, estavam concentradas. Porém foi submetida a sangue e fogo, afogada em sangue e reduzida a escombros pelos incêndios provocados pela artilharia. A insurreição de Moscou foi esmagada.

A insurreição não ficou circunscrita a Moscou. O movimento revolucionário insurrecional se estendeu também a outras cidades e regiões, como Krasnoyarsk, Motovilika (Perm), Novorosisk, Sormov, Sebastopol e Kronstadt.

Tomaram também parte na luta armada as nacionalidades oprimidas da Rússia. A insurreição desencadeou-se em quase toda a Geórgia. Estalou também uma grande insurreição na Ucrânia, na bacia do Donetz: em Gorlovka, Alexandrovsk e Lugansk (hoje Voroshilovgrad). Na Letônia, a luta foi encarniçada. Na Finlândia, os operários criaram sua guarda vermelha e se lançaram também à insurreição.

Porém, todas estas insurreições foram, do mesmo modo que a de Moscou, esmagadas com uma crueldade desumana pelo czarismo.

Os mencheviques e os bolcheviques julgaram de um modo diverso a insurreição armada de dezembro.

O menchevique Plekhanov lançou ao Partido, depois da insurreição armada, esta censura: Não se devia ter empunhado as armas. Os mencheviques expunham que a insurreição era desnecessária e prejudicial, que nas resoluções se pode prescindir da insurreição e que o êxito não se obtém com insurreições armadas, senão por meios pacíficos de luta.

Os bolcheviques estigmatizaram este julgamento como uma traição. Eles entendiam que a experiência da insurreição armada de Moscou não fazia mais que confirmar a necessidade de uma luta armada vitoriosa da classe operária. Contestando a censura de Plekhanov, quando dizia que "não se devia ter empunhado as armas", Lenin escreveu:

"Pelo contrário, o que se devia fazer era empunhar as armas mais resolutamente, com mais energia e maior combatividade explicar às massas a impossibilidade de uma greve puramente pacífica e a necessidade de uma luta armada intrépida e implacável" (Lenin, t. pág. 50, ed. russa).

A insurreição de dezembro de 1905 marca o ponto culminante da revolução. Em dezembro, a autocracia czarista inflingiu à insurreição uma derrota. Depois do processo da insurreição de dezembro, começou o recuo gradual da revolução. A marcha ascendente desta cessou, começando seu descenso gradual.

O governo czarista se apressou em aproveitar-se desta demita para estrangular a revolução. Os verdugos e os carcereiros czaristas começaram sua tarefa sangrenta. Na Polônia, na Letônia, na Estônia, na Transcaucásia, na Sibéria, por todas as partes, expedições punitivas fizeram estragos.

Porém a revolução ainda não estava esmagada. Os operários e os camponeses revolucionários recuavam pouco a pouco e lutando. Novas camadas de operários eram arrastadas à luta. O número de operários grevistas foi, em 1906, de mais de um milhão, em 1907, 740.000. No primeiro semestre do ano de 1906, o movimento camponês se estendia a cerca da metade dos distritos da Rússia czarista: no segundo semestre do dito ano, a uma quinta parte. A agitação dentro do Exército e da armada continuava.

Em sua luta contra a revolução, o governo czarista não se limitou à simples repressão. Depois de alcançar os primeiros êxitos pela via repressiva, decidiu assestar um novo golpe na revolução, mediante a convocação de uma Duma "Legislativa". Com esta manobra, aspirava desviar os camponeses da revolução, fazendo-a assim fracassar. Em dezembro de 1905, o governo czarista baixou uma lei sobre a convocação de uma Duma "Legislativa", e diferente da antiga Duma "consultiva" de Buliguin, que fracassara graças ao boicote dos bolcheviques. A lei eleitoral czarista era, naturalmente, antidemocrática. As eleições não tinham caráter geral. Ficava privada, absolutamente, de voto mais da metade da população, por exemplo: as mulheres e mais de dois milhões de operários. O voto não era igual. Os eleitores se classificavam em quatro "cúrias", como se dizia na linguagem da época: a agrária (latifundiários), a urbana (burguesia), a camponesa e a operária. As eleições não eram diretas, senão de vários graus. De fato, o voto não era secreto. A lei eleitoral garantia um predomínio formidável na Duma a um punhado de latifundiários e capitalistas sobre os milhões de operários e camponeses.

Com a Duma, o czar pretendia desviar as massas da revolução. Uma parte considerável dos camponeses acreditava, naquele tempo, na possibilidade de obter a terra por meio da Duma. Os kadetes, os mencheviques e os social-revolucionários enganavam os operários e os camponeses, fazendo-lhes crer que era possível conseguirem o regime que o povo necessitava sem insurreição e sem revolução. Para lutar contra este engano de que o povo era vítima, os bolcheviques declararam e levaram a cabo a tática de boicotar a primeira Duma, em cumprimento da resolução tomada na Conferência de Tammerfors.

Os operários, empenhados na luta contra o czarismo, exigiam, ao mesmo tempo, a unidade das forças do Partido, a unificação do Partido do proletariado. Os bolcheviques, armados com a resolução de unidade, tomada na Conferência de Tammerfors, que já conhecemos, apoiaram esta aspiração dos operários e propuseram aos mencheviques convocar um congresso de unificação do Partido. Sob a pressão das massas operárias, os mencheviques não tiveram outro remédio senão aceder à unificação.

Lenin era partidário da unificação, porém de uma unificação na qxial não se ocultassem as divergências referentes aos problemas da revolução. Causavam grande dano ao Partido os conciliadores (Bogdanov, Krassin e outros), com seus esforços por demonstrar que entre os bolcheviques e os mencheviques não existiam divergências importantes. Lutando contra os conciliadores, Lenin exigia que os bolcheviques se apresentassem no Congresso com sua própria plataforma, para que os operários pudessem ver claramente quais eram as posições dos bolcheviques e sobre que bases se operava a unificação. Os bolcheviques formularam esta plataforma e a puseram em discussão entre os membros do Partido.

Em abril de 1906, reuniu-se em Estocolmo (Suécia) o IV Congresso do P.O.S.D.R., que se conhece com o nome de Congresso de Unificação. Tomaram parte neste Congresso 111 delegados com voz e voto, representando 57 organizações de base do Partido. Além disso, assistiram a ele representantes de alguns partidos social-democratas nacionais: 3 do "Bund", 3 do Partido social-democrata polaco e 3 da organização social-democrática da Letônia.

Em conseqüência da repressão que se desencadeou contra as organizações bolcheviques durante a insurreição de dezembro e depois dela, nem todas puderam enviar seus delegados ao Congresso. Além disso, os mencheviques haviam acolhido em suas fileiras, durante os "dias da liberdade" do ano de 1905, uma massa de intelectuais pequeno-burgueses, que não tinham a menor afinidade com o marxismo revolucionário. Basta indicar que os mencheviques de Tiflis (onde havia poucos operários industriais) enviaram ao Congresso o mesmo número de delegados que a organização proletária mais forte que era a de Petersburgo. Assim se explica que no Congresso de Estocolmo, os mencheviques contassem, embora em proporção insignificante, com a maioria.

Esta composição do Congresso determinou o caráter menchevique das resoluções tomadas por ele com respeito a toda uma série de problemas.

Neste Congresso se estabeleceu uma unificação puramente formal. No fundo, bolcheviques e mencheviques continuaram mantendo suas idéias e suas organizações próprias e independentes.

Os problemas mais importantes, discutidos no IV Congresso foram: o problema agrário, a apreciação do momento e das tarefas de classe do proletariado, a atitude ante a Duma e os problemas de organização.

Apesar de ter maioria no Congresso, os mencheviques viram-se obrigados, para não se enfrentar com os operários, a reconhecer a fórmula de Lenin quanto ao primeiro artigo dos estatutos, sobre a condição de membro do Partido.

No problema agrário, Lenin defendeu a nacionalização da terra, porém só a considerava possível se triunfasse a revolução, se se derrubasse o czarismo. Nestas condições, a nacionalização da terra facilitaria ao proletariado, aliado aos camponeses pobres, a passagem'à revolução socialista. A nacionalização da terra exigia a expropriação sem indenização (confiscação) de toda a terra dos latifundiários em proveito dos camponeses. O programa agrário dos bolcheviques chamava os camponeses à revolução contra o czar e os latifundiários.

Outras eram as posições dos mencheviques. Estes defendiam o programa da municipalização. Segundo este programa, as terras dos latifundiários não se adjucariam às coletividades de camponeses, nem sequer se entregariam em usufruto a estes, mas se poriam à disposição das municipalidades (isto é, dos organismos locais ou Zemstvos). Os camponeses que quisessem terra teriam que arrendá-la, cada qual de acordo com seus próprios meios.

O programa menchevique da municipalização era um programa oportunista e, por isso, pernicioso para a revolução. Não podia mobilizar os camponeses para uma luta revolucionária, não tinha em vista a supressão completa da propriedade feudal da terra. O programa menchevique implicava numa solução bastarda da revolução. Os mencheviques não queriam levar os camponeses à revolução.

O Congresso aprovou por maioria de votos o programa menchevique.

Porém, onde os mencheviques puseram mais a nu seu fundo antiproletáiio oportunista foi ao discutir a resolução apresentada sobre a apreciação do momento e sobre a Duma. O menchevique Martinov se manifestou francamente contra a hegemonia do proletariado na revolução. Respondendo aos mencheviques, o camarada Stalin colocou o problema categoricamente:

"Ou hegemonia do proletariado ou hegemonia da burguesia democrática: assim é como está colocado o problema dentro do Partido e nisto é onde residem nossas divergências". Quanto à Duma, os mencheviques a preconizavam em sua resolução como o melhor meio para resolver os problemas da revolução e para libertar o povo do czarismo. Ao contrário, os bolcheviques consideravam a Duma como um apêndice impotente do czarismo, como um biombo para encobrir as misérias do regime czarista e que este trataria de retirá-lo logo que começasse a incomodá-lo.

Do Comitê Central do Partido eleito no IV Congresso, tomavam parte 3 bolcheviques e 6 mencheviques. Para a redação do órgão central foram eleitos exclusivamente mencheviques.

Era evidente que a luta intestina do Partido continuaria. A luta entre bolcheviques e mencheviques recrudesceu ainda mais depois do IV Congresso. Nas organizações locais, formalmente unificadas, era muito corrente que o informe acerca do Congresso corresse a cargo de dois oradores, um bolchevique e outro menchevique. Como resultado da discussão das duas linhas, a maioria dos filiados à organização votava, na maior parte dos casos, com os bolcheviques.

A realidade se encarregava de demonstrar cada vez mais a razão dos bolcheviques. O Comitê Central menchevique eleito no IV Congresso ia revelando cada vez mais claramente seu oportunismo e sua total incapacidade para dirigir a luta revolucionária das massas. Durante o verão e o outono de 1906, a luta revolucionária das massas voltou a recrudescer. Em Kronstadt e em Sveaborg, se sublevaram os marinheiros. Estalou a luta dos camponeses contra os latifundiários. E o C. C. menchevique dava consignas oportunistas, que não eram seguidas pelas massas.


6

— Dissolução da primeira e convocação da segunda Duma.

— O V Congresso do Partido.

— Dissolução da segunda Duma.

— Causas da derrota da primeira revolução russa.


Como a primeira Duma não foi suficientemente dócil, o governo czarista procedeu à sua dissolução no verão de 1906. O governo recrudesceu ainda mais a repressão contra o povo, enviou por todo o país expedições punitivas, que semeavam o terror por toda parte, e proclamou sua decisão de convocar em breve prazo a segunda Duma. O governo czarista mostrava já claramente sua insolência. Já não temia a revolução, pois via que esta ia em declínio.

Os bolcheviques tiveram que decidir-se acerca do problema de tomar parte na segunda Duma ou boicotá-la. E ao falar de boicote, não se referiam meramente à simples abstenção eleitoral, senão a uma campanha de boicote ativo. Viam neste boicote ativo um meio revolucionário para pôr o povo em guarda contra as tentativas do czar de desviá-lo do caminho revolucionário para trazê-lo ao caminho "constitucional" czarista, o meio de fazer fracassar estas tentativas e de organizar uma nova acometida contra o czarismo.

A experiência do boicote contra a Duma buliguiniana evidenciara que o boicote

"era a única tática acertada confirmada plenamente pelos acontecimentos". (Lenin, t. X, pág. 27, ed. russa).

Aquele boicote fora coroado de êxito, pois não só puseram o povo em guarda contra os perigos que o espreitavam pelo caminho constitucional czarista, senão que conseguira fazer fracassar a Duma antes de nascer. Teve êxito, porque se puseram em prática na etapa ascendente da revolução e apoiando-se em seus avanços, e não na etapa do descenso revolucionário pois só sob as condições de auge da revolução era possível fazer fracassar a Duma.

O boicote contra a Duma de Witte, ou seja contra a primeira Duma, se aplicou depois do fracasso da insurreição de dezembro, quando já o czar havia saído vencedor, isto é, quando já se devia supor que a revolução declinava.

"Porem, é evidente — escrevia Lenin — que este triunfo (o do czar, N. da R.) não se podia considerar naquela época, como decisivo. A insurreição de dezembro de 1905 foi seguida de toda uma série de insurreições no Exército, desarticuladas e parciais, e de greves, que se produziram durante o verão de 1906. A consigna de boicote contra a Duma de Witte era uma consigna de luta destinada a concentrar e generalizar estas insurreições". (Lenin, t. XII, pág. 20 ed. russa).

O boicote contra a Duma de Witte não logrou fazê-la fracassar, ainda que solapasse consideravelmente a autoridade da Duma e quebrantasse a fé de uma parte da população nela. E não logrou fazê-la fracassar, porque este boicote fora levado a cabo, como depois se viu claramente, na etapa do descenso da revolução. Eis por que o boicote contra a primeira Duma, estabelecido em 1906, não teve êxito. No célebre folheto intitulado "O esquerdismo, doença infantil do comunismo", diz Lenin, referindo-se àquele boicote:

"O boicote dos bolcheviques contra o "parlamento" no ano de 1905 enriqueceu o proletariado revolucionário com uma experiência política extraordinariamente preciosa, fazendo-o ver que, na combinação das formas legais e ilegais, das formas parlamentares e extraparlamentares de luta, é, às vezes, conveniente e até obrigatório saber renunciar às formas parlamentares... O que constituía já um erro, ainda que não grande e facilmente corrigível, foi o boicote pelos bolcheviques da Duma em 1906... Da política e dos partidos se pode dizer — com as vaiiações correspondentes — o mesmo que dos indivíduos. Não é inteligente quem não comete erros. Homens que não cometem erros, não os há nem pode haver. Inteligente é quem comete erros que não são muito graves e sabe corrigi-los bem e prontamente". (Lenin, t. XXX, págs. 182-183, ed. russa).

Pelo que se refere à segunda Duma, Lenin entendia que, tendo em conta a nova situação e o descenso do movimento revolucionário, os bolcheviques

"deviam submeter à revisão o problema do boicote da Duma" (Lenin, t. X, pág. 28, ed. russa).

"A história ensina — escrevia Lenin — que quando se reúne a Duma, é preciso desenvolver uma agitação proveitosa em seu seio e em torno dela, que dentro da Duma é possível levar a cabo a tática da aproximação dos camponeses revolucionários contra os kadetes" (Obra citada, pág. 29).

De tudo isso se depreendia que é necessário, não só saber avançar resolutamente e na primeira linha, quando a revolução se acha em sua etapa ascendente, senão também saber recuar com acerto e averiguando o terreno, quando cessa a etapa ascendente da revolução, mudando de tática de acordo com as mudanças operadas na situação: e recuar não em desordem, porém de um modo organizado, com serenidade, sem pânico, aproveitando até as menores possibilidades para salvar os quadros da fúria da contra-revolução, reorganizando-se, acumulando forças e se preparando para um novo ataque contra o inimigo.

Os bolcheviques decidiram participar nas eleições à segunda Duma.

Porém não iam a ela para intervir nas tarefas orgânicas "legislativas", coligados aos kadetes, como o fizeram os mencheviques, senão para utilizá-la como tribuna ao serviço da revolução.

Em troca, o Comitê Central menchevique fez um chamado para que se pactuassem acordos eleitorais com os kadetes e os apoiassem na Duma, considerando esta como um organismo legislativo, capaz de pôr um freio ao governo czarista.

A maioria das organizações do Partido se manifestaram contra a política do C. C. menchevique. Os mencheviques exigiram que se convocasse um novo Congresso do Partido.

Em maio de 1907 se reuniu em Londres o V Congresso do Partido. Naquela época, o P.O.S.D.R. (em união com as organizações social-democráticas nacionais) contava já com 150.000 filiados. Assistiram ao Congresso, no total, 336 delegados dos quais, 105 bolcheviques e 97 mencheviques. Os restantes representavam as organizações social-democráticas nacionais: a social-democracia polaca e letã e o "Bund" que foram admitidos dentro do P.O.S.D.R. no Congresso anterior.

Trotsky tentou formar neste Congresso seu grupinho centrista, isto é, semimenchevique, como grupo a parte, porém ninguém se prestou a segui-lo.

Como os bolcheviques arrastavam com ele os polacos e os letões, dispunham de uma sólida maioria no Congresso.

Um dos problemas fundamentais sobre os quais girou a luta no Congresso foi o das relações com os partidos burgueses. Este problema já fora objeto de luta entre os bolcheviques e os mencheviques no II Congresso. O congresso julgou com o critério bolchevique todos os partidos não proletários — centúrias negras, outubristas, kadetes e social-revolucionários — e traçou frente a eles uma tática bolchevique.

O Congresso aprovou a política dos bolcheviques, e tomou a resolução de manter uma luta implacável, tanto contra os partidos das centúrias negras — a "União do povo russo", os monárquicos, o Conselho da nobreza unificada — como contra a "União do 17 de Outubro" (outubristas), o partido comercial-industrial e o partido da "Revolução pacífica" que eram todos partidos nitidamente contra-revolucionários.

A respeito da burguesia liberal, do partido kadete, o Congresso preconizou uma luta irreconciliável de desmascaramento dele. Resolveu que era necessário desmascarar o "democratismo" hipócrita e farisaico do partido kadete e lutar contra as tentativas da burguesia liberal de pôr-se â frente do movimento camponês.

No que se refere aos partidos chamados populistas ou de trabalho (socialistas populares, agrupação de trabalho e social-revolucionário), o Congresso recomendava que se desmascarassem suas tentativas de se disfarçarem de socialistas. Ao mesmo tempo, admitia a possibilidade de estabelecer acordos concretos com estes partidos para lutar conjunta e simultaneamente contra o czarismo e contra a burguesia kadete, já que aqueles partidos eram, naquele tempo, democráticos e refletiam os interesses da pequena-burguesia da cidade e do campo.

Já antes de celebrar-se o Congresso, os mencheviques haviam lançado a proposta de convocar um chamado "Congresso operário". O plano menchevique consistia em convocar um congresso no qual os social-revolucionários e os anarquistas tomassem parte com os social-democratas. Pretendia-se que o tal Congresso "operário" criasse uma espécie de "partido sem partido" ou uma espécie de "amplo" partido operário pequeno-burguês sem nenhum programa. Lenin desmascarou esta perniciosa tentativa dos mencheviques, que visava liquidar o Partido Operário Social-Democrata e diluir o destacamento de vanguarda da classe operária entre a massa pequeno-burguesa. O Congresso condenou energicamente a consigna menchevique do "Congresso operário".

Nas deliberações do V Congresso do Partido ocupou um lugar especial o problema dos sindicatos. Os mencheviques defendiam a "neutralidade" dos sindicatos, isto é, manifestavam-se contra o papel dirigente do Partido no movimento sindical. O Congresso rechaçou a proposta dos mencheviques e aprovou a resolução apresentada pelos bolcheviques sobre os sindicatos. Nesta resolução se assinalava que se devia lutar para que a direção ideológica e política dos sindicatos estivesse em mãos do Partido.

O V Congresso marcou um grande triunfo dos bolcheviques no movimento operário. Porém os bolcheviques não se deixaram levar pelo êxito nem dormiram sobre os louros. Não era isto o que Lenin lhes ensinava. Sabiam que teriam de prosseguir lutando continuamente contra os mencheviques.

Em seu artigo "Apontamentos de um delegado", publicado em 1907, o camarada Stalin assim julgava os resultados do Congresso:

"A unificação efetiva dos operários mais avançados de toda a Rússia num único partido extensivo a todo o país, sob a bandeira da social-democracia revolucionária: eis aqui o sentido do Congresso de Londres, seu caráter geral".

Neste artigo, o camarada Stalin aduz dados sobre a composição do Congresso. Os delegados bolcheviques representavam, fundamentalmente, os grandes centros industriais (Petersburgo, Moscou, Ural, Ivauovo-Vosnesensk e outros). Em troca, os mencheviques compareceram ao Congresso, representando as regiões de pequena produção, nas quais predominavam os operários artesãos, os semiproletários, assim como uma série de regiões puramente camponesas.

"É evidente — expunha o camarada Stalin, fazendo o balanço do Congresso, que a tática dos bolcheviques é a tática dos proletários da grande indústria, a tática das regiões onde as contradições de classe aparecem mais nítidas, e a luta de classes é mais categórica. O bolchevismo é a tática dos autênticos proletários. E, de outra parte, não é menos evidente que a tática dos mencheviques é, predominantemente, a tática dos operários artesãos e dos semiproletários camponeses, a tática daquelas regiões em que os antagonismos de classe aparecem velados e a luta de classes, dissimulada. O menchevismo é a tática dos elementos semiburgueses do proletariado. Assim o indicam os números (Atas do V Congresso do P.O.S.D.R., págs. XI e XII, 1935).

Depois de dissolver a primeira Duma, o czar acreditou ter na segunda um instrumento mais dócil. Porém tampouco esta satisfez suas esperanças. Em vista disso, decidiu dissolver também esta Duma e convocar a terceira, restringindo ainda mais os direitos eleitorais, na esperança de ter nela um instrumento mais submisso.

Pouco depois do V Congresso do Partido, o governo czarista deu o chamado golpe de Estado de 3 de junho, dissolvendo a segunda Duma. A fração social-democrata da Duma, composta de 65 deputados, foi detida e deportada para a Sibéria. Baixou-se uma nova lei eleitoral. O direito de voto dos operários e camponeses sofreu novas restrições. O governo czarista continuava atacando.

O ministro czarista Stolypin desenvolvia sua sangrenta repressão contra os operários e camponeses. Milhares de operários e camponeses revolucionários morriam fuzilados ou enforcados pelos destacamentos de castigo. Nos calabouços czaristas eram torturados e martirizados milhares de revolucionários. As organizações operárias, sobretudo, as de tendência bolchevique, eram perseguidas com uma crueldade especial. Os esbirros czaristas buscavam o rastro de Lenin, que vivia clandestinamente na Finlândia. Queriam cravar sua garra sangrenta no chefe da revolução. Em dezembro de 1907, afrontando um perigo enorme, Lenin logrou trasladar-se de novo ao estrangeiro, para o exílio.

Começaram os terríveis anos da reação stolypiniana. A primeira revolução russa havia terminado, pois, com uma derrota.

Para isso contribuíram as causas seguintes:

1) A revolução não contava ainda com uma sólida aliança dos operários e camponeses contra o czarismo. Os camponeses puseram-se de pé para a luta contra os latifundiários, contra os quais estavam decididos a aliar-se aos operários. Porém ainda não compreendiam que era impossível derrocar os latifundiários sem derrocar o czarismo, não compreendiam que este fazia causa comum com aqueles, e havia uma parte considerável de camponeses que ainda acreditava no czar e que cifrava suas esperanças na Duma czarista. Por isso, muitos camponeses não quiseram aliar-se aos operários para derrubar o czarismo. Os camponeses tinham mais fé no partido oportunista dos social-revolucionários que nos verdadeiros revolucionários, nos bolcheviques. Como resultado disto, a luta dos camponeses contra os latifundiários não chegou a adquirir a suficiente organização. Lenin escrevia:

"... os camponeses atuaram demasiado dispersos, demasiado desorganizadamente e pouco na ofensiva, sendo esta uma das causas cardiais do fracasso da revolução" (Lenin, t. XIX, pág. 354, ed. russa).

2) A resistência de uma parte considerável dos camponeses em marchar de acordo com os operários pela derrocada do czarismo se fez sentir também na conduta do Exército, formado, em sua maioria, por filhos de camponeses vestidos com o uniforme militar. Em algumas unidades do Exército czarista se produziram princípios de rebeldia e sublevações, porém a maioria dos soldados continuou ajudando o czar a sufocar as greves e as insurreições dos operários.

3) Tampouco os operários atuaram com a necessária unanimidade. Os destacamentos de vanguarda da classe operária desenvolveram em 1905 uma heróica luta revolucionária. Porém as camadas mais atrasadas — os operários das províncias menos industriais e os que viviam nas aldeias — se punham em movimento mais lentamente. Sua participação na luta revolucionária se intensificou especialmente em 1906, porém então já a vanguarda da classe operária se achava enfraquecida.

4) Ainda que a classe operária fosse a força de vanguarda, a força fundamental da revolução, dentro das fileiras do Partido da classe operária não existiam a unidade e a coesão necessárias. O P.O.S.D.R., o partido da classe operária achava-se cindido em dois grupos: o dos bolcheviques e o dos mencheviques. Os bolcheviques mantinham uma linha conseqüentemente revolucionária e chamavam os operários à derrubada do czarismo. Os mencheviques, com sua tática oportunista, freiavam a revolução, semeavam o confusionismo entre uma parte considerável dos operários e cindiam o proletariado. Por isso, os operários não atuavam sempre na revolução de um modo unânime, e a classe operária, por carecer ainda de unidade dentro de suas próprias fileiras, não pôde erigir-se em verdadeiro chefe da revolução.

5) A autocracia czarista contava, para sufocar a revolução de 1906, com a ajuda dos imperialistas do Ocidente da Europa. Os capitalistas estrangeiros temiam por seus capitais investidos na Rússia e por seus fabulosos lucros. Temiam que, se triunfasse a revolução na Rússia, os operários de outros países se lançassem também a ela. Eis o que moveu os imperialistas da Europa Ocidental a ajudar o czar verdugo. Os banqueiros da França lhe concederam um grande empréstimo para esmagara revolução. O imperador da Alemanha tinha preparado um Exército de muitos milhares de homens para intervir em ajuda do czar da Rússia.

6) Uma ajuda importante para o czar foi a paz com o Japão, concertada em setembro de 1905. Sua denota na guerra e os avanços ameaçadores da revolução obrigaram o czar a apressar a assinatura da paz. A derrota na guerra russo-japonesa havia quebrantado o czarismo, porém a assinatura da paz fortaleceu a situação do czar.

Resumo

A primeira revolução russa representa toda uma etapa histórica no desenvolvimento da Rússia. Esta etapa histórica consta de dois períodos. No primeiro período, a revolução, aproveitando-se do enfraquecimento do regime czarista derrotado nos campos da Mandchúria, segue sua marcha ascendente e passa à greve geral de caráter político, à insurreição armada, em dezembro, varre a Duma buliguiniana e arranca do czar uma concessão após outra. No segundo período, o czar, depois de refazer-se, graças à assinatura da paz com o Japão, aproveita-se do medo da burguesia liberal para com a revolução e das vacilações dos camponeses, atira-lhe como uma esmola a Duma de Witte e passa à ofensiva contra a classe operária e a revolução.

Os três anos que, pouco mais ou menos, durou a revolução (1905 a 1907) foram, para a classe operária e os camponeses, uma escola tão fecunda de educação política como não teriam podido sê-lo trinta anos de evolução pacífica e normal. O que não haviam conseguido fazer ver dezenas e dezenas de anos de desenvolvimento pacífico fizeram-no ver claramente esses poucos anos de revolução.

A resolução evidenciou que o czarismo era o inimigo jurado do povo, um mal que só se podia curar com o túmulo.

A revolução ensinou que a burguesia liberal não buscava seu aliado no povo senão no czar; que era uma força contra-revolucionária; e que pactuar com ela equivalia a atraiçoar o povo. A revolução ensinou que o chefe da revolução democrático-burguesa só podia ser a classe operária, que só ela era capaz de desalojar a burguesia liberal, os kadetes, de emancipar os camponeses de sua influência, de esmagar os latifundiários, de levar a termo a revolução e de aplainar o caminho para o socialismo.

A revolução ensinou, finalmente, que, apesar de suas vacilações, os camponeses trabalhadores são a única força importante capaz de aliar-se à classe operária.

Durante a revolução lutaram dentro do P.O.S.D.R. duas linhas políticas: a dos bolcheviques e a dos mencheviques. Os bolcheviques se orientavam para o desencadeamento da revolução, a deirocada do czarismo pela via da insurreição armada, a hegemonia da classe operária, o isolamento da burguesia kadete, a aliança com os camponeses, a formação de um governo provisório revolucionário com representantes dos operários e camponeses, o desenvolvimento da revolução até a vitória final. Pelo contrário, o roteiro que os mencheviques seguiam era o do estrangulamento da revolução. Em vez da derrocada do czarismo pela insurreição, preconizavam a reforma e "melhoramento"; em vez da hegemonia do proletariado, a hegemonia da burguesia liberal; em vez da aliança com os camponeses, a aliança com a burguesia kadete, em vez de um governo provisório revolucionário, a Duma, como centro das "forças revolucionárias" do país.

Assim foi como os mencheviques se afundaram no charco do reformismo, convertendo-se em veículo da influência burguesa sobre a classe operária e passando a ser, de fato, agentes da burguesia no campo proletário.

Os bolcheviques demonstraram ser a única força marxista revolucionária que havia no Partido e no país.

Como é lógico, depois de produzir-se divergências tão graves, o P.O.S.D.R. apareceu, de fato, cindido em dois partidos, o partido bolchevique e o partido menchevique. O IV Congresso não fez mudar em nada a situação de fato existente dentro do Partido. Não fez mais que manter e firmar um pouco sua unidade formal. O V Congresso representou um passo avançado no sentido da unificação efetiva do Partido, unificação que, além disso, se levou a efeito sob a bandeira bolchevique.

Fazendo o balanço do movimento revolucionário, o V Congresso do Partido condenou a linha menchevique, como linha reformista, e aprovou a linha bolchevique como a linha marxista revolucionária. Com isto confirmou, mais uma vez, o que já fora confirmado por toda a marcha da primeira revolução russa.

A revolução evidenciou que os bolcheviques sabem avançar, quando assim o exige a situação, e que têm aprendido a avançar na vanguarda levando com eles o povo ao assalto. Porém salientou, do mesmo modo, que os bolcheviques também sabem recuar ordenadamente, quando a situação toma um caráter desfavorável, quando a revolução declina, e têm aprendido a recuar acertadamente sem pânico e sem precipitação, para manter indenes seus quadros, acumular forças e, depois de refazer-se de acordo com a nova situação, lançar-se de novo ao ataque contra o inimigo.

Não é possível vencer o inimigo, se não se sabe atacar acertadamente.

Não é possível evitar um descalabro em caso de derrota, se não se sabe retroceder acertadamente, recuando sem pânico e em perfeita ordem.



 

 

Lenin - Revolution 1905

(VIDEO - Russian language)

 

 

 

J. V. Stálin

Aos Cidadãos.

Viva a Bandeira Vermelha!

15 de Fevereiro de 1905

Grandes esperanças e grandes desilusões! Em vez de hostilidade nacional, amizade e confiança recíproca! Em vez do pogromo fratricida, uma demonstração grandiosa contra o tzarismo culpado pelos pogromos! Ruiram as esperanças do governo tzarista; tanto isso é verdade, que ele não conseguiu nem mesmo lançar umas contra as outras as nacionalidades de Tíflis!...

De há muito tempo o governo do tzar se esforça por incitar os proletários uns contra os outros, de há muito tempo se esforça por desarticular o movimento geral do proletariado. Com esse fim organizou os pogromos de Gomei, de Kichniov e de outras localidades. Com o mesmo objetivo desencadeou em Baku uma guerra fratricida. E eis que, finalmente, os olhos do governo tzarista se voltaram para Tíflis. Aqui, no centro do Cáucaso, propunha-se ele a encenar uma tragédia sangrenta e a estendê-la, depois, à província! E não se trata de uma ninharia! Atiçar umas contra as outras as nacionalidades do Cáucaso e afogar no próprio sangue o proletariado do Cáucaso! O governo tzarista esfregava as mãos de alegria. Já espalhara proclamações com o incitamento: agora aos armênios! E contava com o sucesso. De repente, a 13 de fevereiro, uma multidão de vários milhares de armênios, georgianos, tártaros e russos, por assim dizer, a despeito do governo do tzar, reúne-se no recinto da catedral de Vank e faz o juramento de auxílio mútuo "na luta contra o demônio que semeia a discórdia entre nós". A unanimidade é completa. São pronunciados discursos com a palavra de ordem: "união". A massa aplaude os oradores. Distribuem-se os nossos apelos (3.000 exemplares). A massa acolhe-os com entusiasmo. Aumenta a tensão da massa. A despeito do governo, decide reunir-se no dia seguinte no recinto da mesma catedral, para, mais uma vez, jurar "amarem-se uns aos outros".

14 de fevereiro. Todo o recinto da catedral e as ruas adjacentes estão cheias de povo. Nossos apelos são distribuídos e lidos com toda a liberdade. A massa subdivide-se em grupos e discute o conteúdo dos apelos. Pronunciam-se discursos. Aumenta a tensão da massa. Ela decide realizar uma demonstração nos arredores da sinagoga e da mesquita, "jurar amarem-se uns aos outros", parar no cemitério persa, jurar mais uma vez e dispersar-se. A massa executa sua decisão. No caminho, próximo à mesquita e ao cemitério persa, pronunciam-se discursos, distribuem-se nossos apelos (nesse dia foram espalhados 12.000 exemplares). Continua aumentando a tensão da massa. Explode a energia revolucionária acumulada. A multidão decide percorrer, em manifestação, a rua Dvortsovaia, a avenida Golovinski e só se dispersar depois disso. Nosso comitê aproveita a ocasião e organiza imediatamente um pequeno núcleo dirigente. Este núcleo, tendo à testa os operários mais conscientes, ocupa um ponto central e defronte do próprio palácio do governo hasteia uma improvisada bandeira vermelha. O porta-bandeira, carregado nos braços dos manifestantes, pronuncia um discurso nitidamente político, no qual, antes de tudo, pede aos companheiros que não se importem com o fato de não trazer a bandeira uma palavra de ordem social-democrática. "Não, não! — respondem os manifestantes — trazemo-la em nosso coração!". Ele, então, explica o significado da bandeira vermelha, critica, do ponto de vista da social-democracia, os oradores que o precederam, desmascara o caráter equívoco de seus discursos, indica a necessidade de destruir o tzarismo e o capitalismo e conclama os manifestantes à luta sob a bandeira vermelha da social-democracia. "Viva a bandeira vermelha!" — responde a massa. Os manifestantes prosseguem em direção à catedral de Vank. Durante o trajeto, param três vezes para ouvir o porta-bandeira. Este chama novamente os manifestantes à luta contra o tzarismo, e os convida a jurar que marcharão para a insurreição unânimes como estão agora na manifestação. "Juramos!" — responde a multidão. Em seguida, os manifestantes chegam à catedral de Vank e, após um pequeno choque com os cossacos, dissolvem-se.

Foi assim que se desenrolou a "demonstração de 8.000 cidadãos de Tíflis".

Foi assim que os cidadãos de Tíflis responderam à política farisaica do governo tzarista. Foi assim que se vingaram de um governo vil, pelo sangue dos cidadãos de Baku. Honra e glória aos cidadãos de Tíflis.

Perante uma multidão de muitos milhares de cidadãos de Tíflis que se haviam unido sob a bandeira vermelha e pronunciado várias vezes a sentença de morte contra o governo tzarista, os vis lacaios de um governo vil foram obrigados a recuar. E renunciaram ao pogromo.

Mas, cidadãos, isto significa, porventura, que o governo tzarista não tentará, no futuro, organizar pogromos? Certamente, não! Enquanto viver e na medida em que for perdendo terreno, com freqüência sempre maior ele recorrerá aos pogromos. O único meio de extirpar os pogromos é a destruição da autocracia tzarista.

Prezais a vossa vida e a vida do vosso próximo? Amais vossos amigos, vossos parentes e não quereis pogromos? Sabei então cidadãos, que somente com a destruição do tzarismo é que os pogromos serão liquidados e com eles o derramamento de sangue que os acompanha!

A derrubada da autocracia tzarista, eis o que. antes de tudo, deveis obter.

Quereis a destruição de todo ódio nacional? Aspirais à plena solidariedade dos povos? Sabei então, cidadãos, que só com a destruição da desigualdade, só com a eliminação do capitalismo é que se destruirá toda discórdia nacional!

A vitória do socialismo: eis, em suma, o que deveis alcançar!

Mas quem varrerá da face da terra as ordens infames do tzarismo, quem vos libertará dos pogromos? O proletariado dirigido pela social-democracia.

E quem destruirá a ordem capitalista, quem instaurará sobre a terra a solidariedade internacional? O mesmo proletariado, dirigido pela mesma social-democracia.

O proletariado, e apenas o proletariado, eis quem conquistará para vós a liberdade e a paz.

Cerrai, portanto, fileiras compactas em torno do proletariado e alistai-vos sob a bandeira da social-democracia!

Sob a bandeira vermelha, cidadãos!

Abaixo a autocracia tzarista!

Viva a república democrática!

Abaixo o capitalismo!

Viva o socialismo!

Viva a bandeira vermelha!

 

 

 

A Insurreição Armada e a Nossa Tática

15 de julho de 1905

 

 

 

 

Dois Choques

(A propósito do 9 de janeiro)

7 de Janeiro de 1906

 

 

Marx e Engels Sobre a Insurreição

13 de julho de 1906

 

 

 

 

A Burguesia Prepara a Armadilha

15 de outubro de 1905


Realizou-se, em meados de setembro, o congresso dos "representantes das cidades e dos zemstvos". Nesse congresso foi fundado um novo "partido"(1), tendo à frente um comitê central e órgãos locais nas diversas cidades. O congresso aprovou o "programa", determinou a "tática" e, na mesma ocasião, elaborou um apelo que esse "partido", mal saído da casca, deve lançar ao povo. Numa palavra, os "representantes das cidades e dos zemstvos" fundaram um partido próprio.

Quem são esses "representantes" e como se chamam?

Liberais burgueses.

Quem são os liberais burgueses?

Representantes conscientes da burguesia abastada.

A burguesia abastada é nosso implacável inimigo. A sua riqueza funda-se em nossa miséria, a sua alegria em nossa dor. É claro que seus representantes conscientes serão nossos inimigos jurados, que tentarão conscientemente desbaratar-nos.

Formou-se, assim, um "partido" de inimigos do povo, que tem a intenção de dirigir um apelo ao povo.

Que pretendem esses senhores, que dizem no seu apelo?

Eles não são socialistas, odeiam o movimento socialista. Isto significa que consolidam a ordem burguesa e travam uma luta de morte contra o proletariado. Esse o motivo por que desfrutam de grandes simpatias nos ambientes burgueses.

Eles não são sequer democratas, odeiam a república democrática. Isto significa que consolidam o trono do tzar e lutam com ardor também contra os martirizados camponeses. Eis por que Nicolau II "lhes concedeu" permissão para realizar reuniões e os autorizou a convocar o congresso do "partido". Eles pretendem somente reduzir um pouco as prerrogativas do tzar, e isso sob a condição de que essas prerrogativas passem às mãos da burguesia. O tzarismo, segundo eles, deve necessàriamente permanecer o baluarte seguro da burguesia abastada, que o utiliza na luta contra o proletariado. Para isso, dizem em seu "projeto de constituição" que "o trono dos Romanov deve permanecer inviolável" querem, assim, uma constituição mutilada, com uma monarquia não absoluta.

Os senhores burgueses liberais "nada têm a opor" a que também ao povo sejam concedidos direitos eleitorais, mas só com a condição de que a Câmara dos representantes do povo seja subordinada à Câmara dos ricos, que se empenhará, pela força das circunstâncias, em corrigir e modificar as deliberações da Câmara dos representantes do povo. Por isso é que eles dizem em seu programa: "É preciso duas câmaras".

Os senhores burgueses liberais ficarão "muito contentes" se for concedida a liberdade de palavra, de imprensa e de associação, desde que seja limitada a liberdade de greve. Eis por que falam tanto em "direitos do homem e do cidadão", enquanto nada dizem de preciso quanto à liberdade de greve, a não ser os seus hipócritas balbucios a respeito de vagas "reformas econômicas".

Esses estranhos senhores não regateiam seus favores nem mesmo aos camponeses; eles "nada têm a opor" a que a terra da nobreza fundiária passe para as mãos dos camponeses, desde que os camponeses comprem essas terras aos proprietários e não "as recebam gratuitamente". Como são bons, esses mesquinhos "políticos"!

Se eles sobreviverem até a realização de todas estas aspirações seguir-se-á daí, então, que os direitos do tzar passarão para as mãos da burguesia e a autocracia tzarista se transformará gradualmente em autocracia da burguesia. Eis para onde nos arrastam os "representantes das cidades e dos zemstvos". Por isso, até em sonhos têm medo da revolução popular e falam tanto em "pacificação da Rússia".

Depois disso, não é de admirar que esses "representantes" falidos tenham depositado grandes esperanças na chamada Duma de Estado. Como é sabido, a Duma tzarista é a negação da revolução popular, o que é muito cômodo para os nossos burgueses liberais. A Duma tzarista, conforme ninguém ignora, constitui um "determinado" campo de ação para a burguesia abastada, coisa tão necessária aos nossos burgueses liberais. Eis por que constroem todo o seu programa, desenvolvem toda a sua atividade contando com a existência da Duma; com a derrota da Duma ruem também, inevitàvelmente, todos os seus "planos". É por esse motivo que os apavora o boicote da Duma, é por esse motivo que nos aconselham a entrar para a Duma. "Será um grande erro se não participarmos da Duma tzarista" - dizem eles, pela boca de seu chefe Iakuchkin. E, na realidade, isso seria um "grande erro" mas para quem? Para o povo ou para seus inimigos? Eis o problema.

Qual é a função da Duma tzarista, que dizem a esse respeito os "representantes das cidades e dos zemstvos".

"... A primeira e principal tarefa da Duma é a transformação da própria Duma" - eis o que dizem em seu apelo... "Os eleitores de primeiro grau devem obrigar seus delegados a eleger candidatos que queiram, antes de tudo, transformar a Duma", dizem no seu apelo.

Em que consiste essa "transformação"? Em dar à Duma"voto deliberativo na elaboração das leis e no exame das receitas e das despesas estatais... e o direito de controlar a atividade dos ministros." Os eleitores de segundo grau devem, portanto, exigir antes de tudo a ampliação dos direitos da Duma. Eis, ao que parece, no que consiste a "transformação" da Duma. Quem entrará para a Duma? Na maior parte, a grande burguesia. É claro que a extensão dos direitos da Duma significa um fortalecimento político da grande burguesia. E os "representantes das cidades e dos zemstvos" aconselham o povo a eleger para a Duma os burgueses liberais e a lhes confiar antes de tudo a tarefa de favorecer o fortalecimento da grande burguesia! Devemos, ao que parece, preocupar-nos antes de mais nada e sobretudo em fortalecer com as nossas próprias mãos os nossos inimigos, eis o conselho que nos dão agora os senhores burgueses liberais. Conselho muito "amistoso" não se pode negar! Bem, mas com os direitos do povo, quem se ocupará? Oh, nem se duvide: os senhores burgueses liberais não esquecerão o povo. Prometem que quando fizerem parte da Duma, quando ali estiverem fortalecidos, reivindicarão direitos também para o povo. E graças a esse farisaísmo, os "representantes das cidades e dos zemstvos" esperam alcançar seu objetivo... Eis por que, ao que tudo indica, eles nos aconselham a ampliar antes de mais nada os direitos da Duma...

Bebel dizia: o que o inimigo nos aconselha é nocivo para nós. O inimigo aconselha: "Participai da Duma" é evidente que a participação na Duma nos é nociva. O inimigo aconselha: "Ampliai os direitos da Duma" é evidente que a ampliação dos direitos da Duma nos é nociva. Minar a confiança na Duma e desacreditá-la aos olhos do povo, eis o que nos compete fazer. Em vez de ampliação dos direitos da Duma, ampliação dos direitos do povo, isto é o de que precisamos. E se, ao mesmo tempo, esse mesmo inimigo nos diz palavrinhas doces e nos promete certos "direitos", isto significa que nos prepara a armadilha e quer construir pelas nossas próprias mãos uma fortaleza para si mesmo. Não podemos esperar coisa melhor por parte dos burgueses liberais.

Mas, que dizer de alguns "social-democratas" que nos pregam a tática dos burgueses liberais? Que dizer da "minoria" do Cáucaso, que repete literalmente os pérfidos conselhos dos nossos inimigos? Eis, por exemplo, a "minoria" do Cáucaso que diz: "Reconhecemos ser necessário participar da Duma de Estado" (vide a Segunda Conferência, pág. 7). Exatamente como "o reconhecem necessário" os senhores burgueses liberais.

Essa mesma "minoria" nos aconselha:

"Se a comissão de Buliguin... conceder o direito de eleger apenas aos ricos, deveremos, então, intervir nessas eleições e obrigar, por meios revolucionários, os eleitores a elegerem candidatos de vanguarda e a pedirem, no Zemski Sobor, a Assembléia Constituinte. Em suma obrigar, por todos os meios possíveis... o Zemski Sobor a convocar a Assembléia Constituinte, ou então a se proclamar como tal"(vide Sotzial-Demokrat, n.º 1).

Isto é, mesmo que só os ricos tenham o direito de voto, mesmo que a Duma seja composta apenas de ricos, ainda assim deveremos reclamar que a essa assembléia de ricos sejam conferidos os poderes de Assembléia Constituinte! Mesmo que os direitos do povo sejam reduzidos, deveremos esforçar-nos ainda por ampliar ao máximo possível os poderes da Duma! É supérfluo dizer que a eleição dos candidatos de "vanguarda" não passará de palavras ocas, se os direitos eleitorais forem conferidos apenas aos ricos.

Como verificamos acima, essas mesmas coisas são as que nos pregam os burgueses liberais.

Das duas uma: ou os burgueses liberais se menchevizaram, ou a "minoria" do Cáucaso se liberalizou.

Num ou noutro caso, não há dúvida de que o "partido" dos burgueses liberais mal saído da casca prepara hàbilmente a sua armadilha...

Destruir essa armadilha, torná-la visível a todos, lutar impiedosamente contra os inimigos liberais do povo, eis o de que precisamos agora.


 

 

 

Fortalece-se a Reação


15 de Outubro de 1905

 

 

A Todos os Operários

19 de outubro de 1905


Marcha a revolução! O povo revolucionário da Rússia sublevou-se e ronda o governo tzarista para assaltá-lo! Desfraldam-se ao vento as bandeiras vermelhas, erguem-se as barricadas, o povo empunha armas e investe contra as instituições estatais. Ressoou novamente o apelo dos destemidos, novamente despertou a vida que se havia aquietado. A nau da revolução içou as velas e singra para a liberdade. Essa nau é conduzida pelo proletariado da Rússia.

Que pretendem os proletários da Rússia, para onde vão eles?

Derrubaremos a Duma tzarista, elegeremos a Assembléia Constituinte de todo o povo: eis o que dizem hoje os proletários da Rússia. O proletariado não pedirá ao governo pequenas concessões, não lhe pedirá o fim do "estado de sítio" e das "execuções" em algumas cidades e aldeias; o proletariado não se rebaixará a tais mesquinharias. Quem pede concessões ao governo não crê na morte do governo, e o proletariado vive dessa fé. Quem espera "favores" do governo 'não crê na força da revolução, e o proletariado vive dessa fé. Não! O proletariado não gastará suas energias em reivindicações insensatas. Ele só tem uma reivindicação a respeito da autocracia tzarista: abaixo a autocracia, morte à autocracia! E nos espaços ilimitados da Rússia, ressoa cada vez mais audaz o grito revolucionário dos operários: Abaixo a Duma de Estado! Viva a Assembléia Constituinte de todo o povo! Eis o que pretende hoje o proletariado da Rússia.

O tzar não dará a Assembléia Constituinte de todo o povo, o tzar não destruirá sua própria autocracia, isto ele não fará! A "constituição" capenga que ele "dá" é uma concessão provisória, uma promessa farisaica do tzar, e nada mais! Compreende-se que utilizaremos essa concessão, que não impediremos que a noz caia para o corvo, a fim de em seguida quebrar-lhe a cabeça com essa mesma noz. Mas permanece o fato de que o povo não pode contar com a promessa do tzar; deve contar apenas consigo mesmo, e deve confiar apenas em suas próprias forças; a libertação do povo deve ser realizada pelas mãos do próprio povo. Somente sobre os cadáveres dos opressores é que se poderá erigir a liberdade do povo, somente com o sangue dos opressores é que se poderá adubar o terreno para a soberania do povo! Só quando o povo armado atacar, tendo à frente o proletariado, levantando a bandeira da insurreição geral, só então poderá ser derrubado o governo tzarista, que se apóia nas baionetas. Nada de frases vazias, nada de um imenso "auto-armamento", mas o armamento efetivo e a insurreição armada; eis para onde se dirigem hoje os proletários de toda a Rússia.

A insurreição vitoriosa levará à derrota do governo. Mas não é raro que os governos vencidos se tenham novamente posto de pé. Entre nós também o governo pode tornar a se pôr de pé. As forças obscurantistas que durante a insurreição se escondem pelos cantos, no dia seguinte à insurreição sairão de seus covis e procurarão pôr novamente o governo de pé. Assim, os governos derrotados ressurgem da morte. O povo deve reprimir sem trégua essas forças obscuras, deve aniquilá-las! Mas, para fazer isso, é necessário que no dia seguinte à insurreição, todo o povo vitorioso se arme, que imediatamente se transforme em exército revolucionário e esteja sempre preparado para defender com as armas nas mãos os direitos conquistados.

Só quando o povo vitorioso se tiver transformado em exército revolucionário, só então estará capacitado a destruir definitivamente as forças que se tenham escondido. Só o exército revolucionário pode dar forças à ação do governo provisório, só o governo provisório poderá convocar a Assembléia Constituinte de todo o povo, que deve instaurar a república democrática, o exército revolucionário, e o governo revolucionário provisório, eis quais são hoje os objetivos dos proletários da Rússia.

Este é o caminho em que se colocou a revolução russa. Este caminho conduz à soberania do povo e o proletariado convida todos os amigos do povo a marchar por esse caminho.

A autocracia tzarista barra o caminho à revolução popular; com seu manifesto de ontem ela pretende frear este grande movimento. É claro que as torrentes revolucionárias tragarão e varrerão a autocracia tzarista...

Ódio e desprezo a todos os que não trilham o caminho do proletariado; eles estão traindo vilmente a revolução! Infâmia àqueles que trilharam de fato esse caminho, mas em palavras se exprimem de modo diferente: esses pusilânimes temem a verdade!

Nós não tememos a verdade, nós não tememos a revolução! Ribombe com mais força o trovão, desencadeie-se mais violenta a tempestade! A hora da vitória se aproxima!

Lancemos, pois, com entusiasmo as palavras de ordem do proletariado da Rússia:


 

 

 

Cidadãos!

Outubro de 1905


Um poderoso gigante, o proletariado de toda a Rússia, pôs-se novamente em marcha… Um vasto movimento geral de greves abrange toda a Rússia. Como a um sinal de uma vara de condão, a vida parou de repente em toda a imensa extensão da Rússia. Só em Petersburgo e nas suas ferrovias entraram em greve mais de um milhão de operários. Moscou – a antiga, plácida capital, imóvel, fiel aos Romanov – está toda ela ardendo no incêndio revolucionário, Khárkov, Kiev, Iekaterinoslav e os outros centros industriais e culturais, toda a Rússia central e meridional, toda a Polônia e, finalmente, todo o Cáucaso se imobilizaram e fitam ameaçadoramente a autocracia.

Que acontecerá? Com ânsia e frêmito a Rússia espera uma resposta a esta pergunta. O proletariado lança um desafio ao maldito monstro de duas cabeças: seguir-se-á a este desafio a peleja real e verdadeira, transformar-se-á a greve em aberta insurreição armada, ou acabará "pacificamente" e "se acalmará" como as primeiras greves?

Cidadãos! Qualquer que seja a resposta a esta pergunta, acabe como acabar a presente greve, uma só coisa deve ficar certa e clara para todos: encontramo-nos às vésperas da insurreição de todo o povo de toda a Rússia e a hora dessa insurreição está próxima. A greve política geral atualmente em curso, greve sem precedentes, sem par pela sua grandiosidade, não só na história da Rússia, mas na de todo o mundo, poderá talvez terminar hoje sem desembocar na insurreição de todo o povo, mas isso apenas para sacudir novamente amanhã e com maior força o país, e desembocar nessa grandiosa insurreição armada que deve decidir a luta secular do povo russo com a autocracia tzarista e esmagar a cabeça desse monstro abominável.

A insurreição armada de todo o povo, eis a conclusão fatal a que conduz com inelutabilidade histórica todo o conjunto dos acontecimentos desenrolados na vida social e política do nosso país nestes últimos tempos! A insurreição armada de todo o povo, eis a grande tarefa que se apresenta hoje perante o proletariado da Rússia e imperiosamente exige solução!

Cidadãos! Para a eliminação de um punhado de aristocratas das finanças e da terra, é do vosso interesse unir-vos ao grito de incitamento do proletariado, e, juntamente com ele, apressar essa insurreição salvadora de todo o povo.

A criminosa autocracia tzarista conduziu nosso país à beira do abismo. A ruína de uma massa de cem milhões de camponeses da Rússia, a condição de opressão e de miséria da classe operária, as enormes dívidas estatais e os pesados impostos, a população inteira privada de direitos, os infinitos arbítrios e a violência que reinam em todas as esferas da vida, finalmente, a absoluta precariedade da vida e dos bens dos cidadãos: eis o quadro terrível que a Rússia hoje nos oferece! Não é possível continuar assim por muito tempo! A autocracia, que criou todos esses horrores tenebrosos, deve ser destruída! E será destruída! A autocracia está consciente disso e quanto mais consciente vai ficando, mais tenebrosos se tornam esses horrores, mais pavorosa se faz a dança infernal que ela organiza em torno de si. Além das centenas e dos milhares de pacíficos cidadãos que ela assassinou nas ruas da cidade, além das dezenas de milhares de operários e de intelectuais – os melhores filhos do povo – que definham nos cárceres e na deportação, além dos assassinatos e das contínuas violências que os esbirros do tzar cometem nos campos, entre os camponeses, em toda a extensão da Rússia, a autocracia inventou por fim novos horrores. Começou a. semear a inimizade e o ódio o próprio povo e a lançar umas contra as outras camadas inteiras do povo e nacionalidades inteiras. Armou e açulou arruaceiros russos contra os operários e os intelectuais russos, as massas obscurantistas e esfomeadas dos russos e dos moldávios na Bessarábia contra os judeus e, finalmente, a massa ignorante e fanática dos tártaros contra os armênios. Servindo-se dos tártaros, destruiu um centro revolucionário da Rússia, o centro mais revolucionário do Cáucaso, Baku, e conservou longe da revolução toda a província armênia. Transformou todo o Cáucaso, com seus habitantes de origens diversas, num campo de batalha, onde a população espera ataques a cada instante, não só por parte da autocracia., mas ainda por parte dos habitantes vizinhos, vítimas infelizes da autocracia. Continuar assim não é mais possível! E só a revolução é que pode dar fim a isso!

Seria estranhável e ridículo esperar que a autocracia, que suscitou todos esses horrores infernais, queira e possa, ela mesma, fazê-los cessar. Nenhuma reforma, nenhum remendo da autocracia – do gênero da Duma de Estado, dos zemstvos, etc. – a que se quer limitar o partido liberal, poderia dar fim a esses horrores. Ao contrário, todas as tentativas nesse sentido e todas as ações contra o impulso revolucionário do proletariado contribuirão para agravar esses horrores.

Cidadãos! O proletariado, a classe mais revolucionária da nossa sociedade, que até o dia de hoje carregou sobre os ombros todo o peso da luta contra a autocracia de quem é, até o âmago, o adversário mais decidido e sem reservas, prepara-se para a ofensiva armada aberta. E ele vos convida, a todas as classes da sociedade, a ajudá-lo e apoiá-lo. Armai-vos, ajudai-o a armar-se e preparai-vos para o combate decisivo.

Cidadãos! Aproxima-se a hora da insurreição! É necessário que a enfrentemos com todas as armas! Só neste caso, só mediante uma insurreição armada geral e simultânea em todas as localidades poderemos vencer nosso inimigo abominável, a maldita autocracia tzarista, e erigir sobre suas ruínas a livre república democrática de que necessitamos.

 

Abaixo a autocracia! Viva a insurreição armada geral!

Viva a República Democrática!

Viva o Proletariado da Rússia em luta!

 

 

 


 

A grande revolução russa já começou!

Tíflis, 20 de Novembro de 1905


A grande revolução russa já começou! Já vivemos o terrível primeiro ato dessa revolução, que terminou formalmente com o manifesto de 17 de outubro. O tzar autocrata "pela graça de Deus" inclinou sua "cabeça coroada" perante o povo revolucionário e lhe prometeu as "bases indestrutíveis da liberdade civil"...

Mas isto é apenas o primeiro ato. É somente o princípio do fim. Estamos às vésperas de grandes acontecimentos, dignos da grande revolução russa. Estes acontecimentos movem-se em nossa direção com a severidade inexorável da história, com férrea inelutabilidade. O tzar e o povo, a autocracia do tzar e a soberania do povo são dois princípios hostis, diametralmente opostos. A derrota de um e a vitória do outro só podem ser conseqüência de um conflito decisivo entre um e outro, de uma luta desesperada, de uma luta de morte. Ainda não houve essa luta. Ela ainda está para vir. E o poderoso titã da revolução russa, o proletariado de toda a Rússia, prepara-se para ela com todas as suas forças, com todos os seus meios.

A burguesia liberal procura evitar essa batalha fatal. Acha que já é tempo de acabar com a "anarquia" e começar o pacífico trabalho "construtivo", o trabalho da "edificação do Estado". Tem razão; basta-lhe aquilo que o proletariado já arrancou ao tzarismo com sua primeira ação revolucionária. Agora, ela pode ousadamente estreitar uma aliança, em condições vantajosas, com o governo tzarista e, conjugando forças, marchar contra o o inimigo comum, contra o seu próprio "coveiro", o proletariado revolucionário. A liberdade burguesa, a liberdade de exploração já está assegurada, e isto é quanto basta à burguesia. A burguesia russa, que nunca foi revolucionária, nem por um instante, já se coloca abertamente ao lado da reação. Boa viagem! Não nos afligiremos muito com essa circunstância. O destino da revolução nunca esteve nas mãos do liberalismo. A marcha e o êxito da revolução russa dependem inteiramente do comportamento do proletariado revolucionário e dos camponeses revolucionários.

O proletariado revolucionário urbano, dirigido pela social-democracia, e os camponeses revolucionários, nas suas pegadas, apesar de todas as manobras dos liberais, continuarão firmemente sua luta até a derrubada completa da autocracia e a edificação sobre suas ruínas da livre república democrática.

Esta é a tarefa política imediata do proletariado socialista, este o seu objetivo na revolução atual, e, apoiado pelos camponeses, alcançará este objetivo custe o que custar.

O caminho que deve conduzí-lo à república democrática foi também por ele traçado de modo claro e preciso.

  1. O conflito decisivo, desesperado, de que falamos acima;

  2. o exército revolucionário organizado no curso desse "conflito";

  3. a ditadura democrática do proletariado e dos camponeses, personalizada pelo governo revolucionário provisório, surgido em seguida ao "conflito" vitorioso;

  4. a Assembléia Constituinte por ele convocada à base do sufrágio universal, direto, igual e secreto;

São estas as etapas que deve percorrer a grande revolução russa antes de alcançar sua meta cobiçada.

Nenhuma ameaça do governo, nenhum manifesto tzarista com grandes promessas, nenhum governo provisório, tipo governo Witte, inventado pela autocracia para sua própria salvação, nenhuma Duma de Estado, mesmo eieita à base do sufrágio universal, etc, convocada pelo governo do tzar, podem desviar o proletariado de seu único caminho revolucionário, que deve conduzí-lo à republica democrática.

Bastam ao proletariado suas forças para prosseguir nesse caminho até o fim, bastam-lhe essas forças para sair com honra dessa luta gigantesca, sangrenta, que se lhe apresenta nesse caminho?

Sim, bastam!


O próprio proletariado pensa assim, e prepara-se com audácia e decisão para a batalha.


 

 

 

 

 

"Bloody Sunday"

January 9, 1905

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Eternal glory to The Potemkin.

 

Eisenstein - Video - Russian Revolution 1905

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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VIDEOS

The first revolution of 1905

(Video)

 

Heroic Presnya .1905

(Video - Historical and Memorial Museum "Presnya".)

 

The first revolution of 1905

(pictures - video)

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Bloody Sunday January 9, 1905

(pictures - video

 

 

 

em língua alemã

 

WOLFGANG EGGERS

Os ensinamentos sobre a revolução na Rússia em 1905


escrito em 6 de março de 2005

 


Trecho do livro didático

Sobre os

fundamentos marxistas-

leninistas de

Ciência Militar


Über die Frage des Aufstandes muss man ernsthaft, ohne liberales Gekicher sprechen, wie Lenin sich einmal ausdrückte.

Einer offenen Behandlung der Frage des Aufstandes auszuweichen – das ist von jeher und stets das Bestreben unserer Opportunisten gewesen“ (Lenin, Band 11, Seite 147).

Der Aufstand

Der Marxismus-Leninismus untersucht die Frage des Aufstandes methodisch mit Hilfe des dialektischen und historischen Materialismus. Er analysiert die Bedingungen des wirklichen Aufstandes, wie er geführt wurde und geführt wird. Wer nimmt den Aufstand in Angriff und wer vollzieht ihn? Die marxistisch-leninistische Methode verlangt festzustellen, welche Interessen welcher Klassen den Umsturz erfordern, welche materiellen Bedingungen den revolutionären Aufstand hervorrufen, welche Zusammenhänge und Beziehungen zwischen dem „zu Stürzenden“ und den „Stürzenden“ bestehen. Man darf das ABC des Marxismus-Leninismus nicht vergessen und muss zuallererst auf Grund der tatsächlich vorhandenen revolutionären Bewegung festzustellen versuchen, welche Klassen durch den Gang der revolutionären Bewegung selbst, häufig unabhängig von ihrem „Bewusstsein“ gezwungen werden, die Machtinstitutionen zu stürzen, die ihnen im Wege stehen. Die Geschichte der Aufstände in allen Ländern der Welt enthält genügend Beispiele wie dort die Machtinstitutionen gestürzt wurden und die uns also verallgemeinernd dabei hilft, über den weltrevolutionären, völligen Sturz der zentralen Macht des Weltimperialismus nachzudenken und die richtigen Schlussfolgerungen und Lehren zu ziehen. Die marxistisch-leninistische militärische Wissenschaft beschäftigt sich also mit den militärischen Gesetzen internationaler Aufstände.

Lenin lehrte: Es ist einer Arbeiterpartei unwürdig, mit dem Aufstand zu spielen“; „Zum Aufstand aufzurufen, ohne sich militärisch ernsthaft auf ihn vorzubereiten, ohne an ihn zu glauben, wäre ein unwürdiges Spiel mit dem Aufstand“ (Lenin, Band 10, Seite 134 und 135).

Vorzeitige Aufstandsversuche wären der Gipfel der Unvernunft. Die proletarische Avantgarde muss begreifen, dass die grundlegenden Voraussetzungen für einen reichtzeitigen – d.h. siegreichen – bewaffneten Aufstand in Russland die Unterstützung der Arbeiterklasse durch die demokratische Bauernschaft und die aktive Beteiligung der Armee sind. (...) Ohne eine illegale Partei lässt sich diese Arbeit nicht durchführen und hat es gar keinen Zweck darüber zu sprechen. (...) Das Anwachsen der Massenstreiks, die Einbeziehung anderer Klassen in den Kampf, der Zustand der Organisationen, die Stimmung der Massen – all das wird von selbst den Moment zeigen, da sich alle Kräfte im einmütigen, entschlossenen, offensiven, rückhaltlos kühnen Vorstoß der Revolution gegen die Zarenmonarchie werden vereinigen müssen. Ohne siegreiche Revolution wird es in Russland keine Freiheit geben. Ohne Sturz der Zarenmonarchie durch den Aufstand des Proletariats und der Bauernschaft wird es in Russland keine siegreiche Revolution geben“ (Lenin, Band 18, Seite 98/99).

Aufstand – das ist ein sehr großes Wort. Die Aufforderung zum Aufstand ist eine äußerst ernste Aufforderung. Je komplizierter die Gesellschaftsordnung wird, je höher die Organisation der Staatsmacht und je vollkommener die Militärtechnik ist, desto unzulässiger ist es, eine solche Losung leichtsinnig auszugeben. Und wir haben mehr als einmal gesagt, dass die revolutionären Sozialdemokraten die Aufstellung dieser Losung seit langem vorbereitet, sie aber als direkte Aufforderung erst dann ausgegeben haben, als es keinen Zweifel mehr geben konnte über den Ernst, die Breite und die Tiefe der revolutionären Bewegung, keinen Zweifel darüber, dass die Dinge im wahren Sinne dieses Wortes ihrer Entscheidung zutreiben. Mit großen Worten muss man behutsam umgehen. Die Schwierigkeiten, sie in große Taten umzusetzen, sind kolossal. Doch eben deshalb wäre es unverzeihlich, wollte man über die Schwierigkeiten mit Phrasen hinweggehen (...)“ (Lenin, Band 9, Seite 366). „Diese Losung darf nicht ausgegeben werden, solange die allgemeinen Bedingungen des Umsturzes nicht herangereift sind, solange die Erregung und die Bereitschaft der Massen zur Tat nicht klar zu Tage getreten sind und solange die äußeren Umstände nicht zu einer offenkundigen Krise geführt haben. Ist aber eine solche Losung erst einmal aufgestellt, so wäre es geradezu schmählich, vor ihr wieder zurückzuschrecken und sich wieder mit der moralischen Kraft, mit einer der Bedingungen, die dem Aufstand den Boden bereiten, mit einem der `möglichen Übergänge`[Lenin meint hier die friedlichen, opportunistischen Übergänge – Anmerkung des Verfassers] usw.usf. zu begnügen. Nein, sind die Würfel einmal gefallen, so muss man alle Ausflüchte beiseite lassen, so muss man den breitesten Massen direkt und offen erklären, welches jetzt die praktischen Bedingungen des erfolgreichen Umsturzes sind“ (Lenin, Band 9, Seite 367-368).

Lenin definiert den Aufstand ( u.a.) als die energischste, die einheitlichste und zweckmäßigste `Antwort` des gesamten Volkes an die Regierung“ (Lenin, Band 5, Seite 537)... „im Augenblick der größten Kopflosigkeit der Regierung, im Augenblick der größten Erregung des Volkes“ (Lenin, Band 8, Seite 11). Lenin bezeichnete den bewaffneten Aufstandals die von der Bewegung erreichte höchste Form des Kampfes“ (Lenin, Band 10, Seite 135). Lenin definierte die Formen des Aufstandes als besondere Formen der Revolution (siehe Lenin, Band 11, Seite 342). Ferner:Aufstand ist Bürgerkrieg, ein Krieg aber erfordert eine Armee“ (Lenin, Band 9, Seite 214). „Die Losung des Aufstandes bedeutet, dass die Frage durch die materielle Kraft entschieden wird (...) nur die militärische Kraft“ (Lenin, Band 9, Seite 367). Welche Kräfte sind es aber, die zusammen die revolutionäre Armee bilden? Lenin zählte auf, woraus 1905 die militärischen Kräfte des Volkes bestanden:

1. aus dem bewaffneten Proletariat und der bewaffneten Bauernschaft, 2. aus den organisierten Vortrupps der Vertreter dieser Klassen, 3. aus den Truppenteilen, die bereit sind, auf die Seite des Volkes überzugehen. Das alles macht zusammen die revolutionäre Armee aus“ (Lenin, Band 9, Seite 365). Hier haben wir also die klassische marxistisch-leninistische Definition der Zusammensetzung der revolutionären Armee: Hammer, Sichel und Gewehr!!! Und davon lassen sich heute noch die marxistisch-leninistischen Parteien, die Kommunistische Internationale leiten, das ist in allen wichtigen Dokumenten ausgedrückt und hundertfach wiederholt worden: Wir können und dürfen die Hoffnung nicht aufgeben, dass es schließlich gelingen wird, die drei einzelnen Ströme von Aufständen – der Arbeiter, der Bauern und des Militärs – zum einheitlichen siegreichen Aufstand zusammenfließen zu lassen“ (Lenin, Band 10, Seite 106).

Der Aufstand pocht an die Tore, wenn die Revolution bereits herangereift ist, wenn die Offensive mit Volldampf eingesetzt hat und die Heranziehung der Reserven an die Avantgarde die entscheidende Bedingung für den Erfolg ist (Stalin, Band 6, Seite 138). Der Aufstand tritt in Erscheinung auf einer hohen Stufe der Entwicklung der Revolution, wenn die Stärke der revolutionären Kräfte einen solchen Höhepunkt erreicht haben, dass sie sich gewaltsam entladen müssen. Alle bisherigen Kampfformen, wie die wachsende Zahl und Größe von Massendemonstrationen in immer kürzeren Abständen und schließlich in Steigerung ihrer unmittelbaren Aufeinanderfolgen, ökonomische und politische Massenstreiks, Überschreitungen der Legalität, Zusammenstöße mit der Konterrevolution im ganzen Land ( Konzentration auf den Höhepunkt, Sammlung der Kräfte, ohne sich vorher schon von den Provokationen der Konterrevolution aufreiben zu lassen, Festsetzen von Teilaufständen, Herausbildung eines aufständischen Zentrums, Aufstand wächst in die Tiefe und in die Breite; einzelne Ausbrüche fügen sich zu dem Bild einer auflodernden Feuersbrunst zusammen!) , Generalstreik usw. usf. kulminieren, erhitzen sich, verschmelzen ineinander, um in ihren höchsten Aggregatzustand der Revolution, in den bewaffneten Volksaufstand direkt überzugehen und damit in eine qualitativ neue, auf dem Spitzpunkt des Klassenkampfes sprungartig umzuschlagen von einer Kraft, die sich schon nicht mehr ausschließlich auf das Abschütteln des unerträglich gewordenen Jochs, auf die Befreiungsbewegung von den alten Fesseln der Lohnsklaverei und des Massenelends, in eine Kraft, die sich im selben Moment ganz von selbst auf die Tagesordnung stellt: die neuen revolutionären Macht der Diktatur des Proletariats. Ob dieses Macht nun siegen oder wieder fallen wird, ist eine andere Frage, die von vielen Bedingungen abhängt. Entscheidend aber wird auf jeden Fall sein, wie das Proletariat seine Macht organisiert, worauf es sich stützt, wie es seine Macht festigt, inwieweit es sich eine Atempause gönnen kann, um seine enorm verausgabten Kräfte wieder zu reaktivieren und wie weit es auf der anderen Seite dem Gegener gelingt oder nicht gelingt, den Aufstand durch Sammlung und Konzentrierung seiner Kräfte und Reserven wieder niederzuschlagen. Das Schicksal der Weltgeschichte hängt in solchen dramtischen Situationen für den Bruchteil einer Sekunde sozusagen wie ein Zünglein an der Waage.

Niemand kann sich unbedingt verbürgen, dass er [Lenin meint hier den unvorbereiteten, spontanen, zersplitterten Aufstand – Anmerkung des Verfassers] bis zum umfassenden und einheitlichen bewaffneten Volksaufstand voranschreiten wird, denn das hängt sowohl vom Zustand der revolutionären Kräfte ab ( die man nur im Kampfe selbst ganz ermessen kann) als auch von der Haltung der Regierung und der Bourgeoisie sowie von einer Reihe anderer Umstände, die nicht genau errechnet werden können“ (Lenin, Band 9, Seite 57). Und Lenin betonte ferner,dass sich der revolutionäre Augenblick von den gewöhnlichen, alltäglichen, vorbereitenden historischen Zeitabschnitten eben dadurch unterscheidet, dass die Stimmung, die Erregung, die Überzeugung der Massen in der Aktion in Erscheinung treten müssen und tatsächlich in Erscheinung treten. Der vulgäre Revolutionarismus versteht nicht, dass auch das Wort eine Tat ist; dieser Grundsatz ist unbestreitbar in seiner Anwendung auf die Geschichte überhaupt oder auf jene Epochen der Geschichte, wenn es keine offene politische Aktion der Massen gibt, die ja durch keinerlei Putsch ersetzt oder künstlich hervorgerufen werden kann. Die Revolutionäre der Nachtrabpolitik verstehen nicht, dass zu einer Zeit, da der revolutionäre Augenblick angebrochen ist, da der alte `Überbau` in allen Fugen kracht, da die offene politische Aktion der Klassen und Massen, die sich einen neuen Überbau schaffen, zur Tatsache geworden ist, da der Bürgerkrieg begonnen hat – dass es dann Lebensfremdheit, Todesstarre, Räsoniererei oder aber Verrat an der Revolution und Fahnenflucht ist, wenn man sich wie in alter Zeit auf das `Wort` beschränkt, ohne die direkte Losung des Übergangs zur `Tat` auszugeben“ (Lenin, Band 9, Seite 58-59).

Der dialektische Prozess der Entwicklung bringt wirklich schon im Schoße des Kapitalismus Elemente der neuen Gesellschaft hervor, sowohl materielle als auch geistige Elemente“ (Lenin, Band 9, Seite 370). Genauso bringt umgekehrt die sozialistische Gesellschaft in ihrem Schoß Elemente der alten Gesellschaft, kapitalistisch-revisionistische Elemente hervor, sowohl materielle als auch geistige Elemente. Heute müssen wir Marxisten-Leninisten es verstehen, die Stückchen vom Ganzen zu unterscheiden, müssen das Ganze und nicht das Stückchen als Losung aufstellen. So ist auchDas ist auch auf den Sozialismus in einem Land

Zu unterstreichen ist das historische Moment der äußersten Zuspitzung des Kampfes bestimmter Klassen als Voraussetzung des Aufstandes. Hervorzuheben ist dabei der Charakter des bewaffneten Aufstandes als eine besondere Art der Massenbewegung, als besondere Art des proletarischen Klassenkampfes. Zu untersuchen ist ferner die Rolle der einzelnen Klassen, die Abhängigkeit der Bewegung in den Truppenverbänden von dem sozialen Kräfteverhältnis, die Unabtrennbarkeit der politischen Seite des Aufstandes von seiner militärischen, die Bedeutung breiter Organisationen der Volksmassen als Voraussetzung für eine provisorische revolutionäre Regierung, die aus dem Aufstand unmittelbar hervorgehen wird. In der vom III. Parteitag der SDAPR verabschiedeten Resolution heißt es: d) den bewaffneten Widerstand gegen die Aktionen der Schwarzhunderter und überhaupt aller von der Regierung angeleiteten reaktionären Elemente zu organisieren“ (Zitat bei Lenin, Band 9, Seite 23). Sobald die ersten Kampfhandlungen eines Aufstandes beginnen, wird der Mangel der militärischen Organisationen immer stärker und stärker fühlbar, werden Sünden von Handwerkelei und schlechter systematischer Vorbereitung dieser Kampfhandlungen durch die Konterrevolution - nach kürzester Zeit eines Überraschungseffekts – grausam bestraft. Solange die Kräfte für den bewaffneten Aufstand und seinen Sieg noch nicht ausreichen, ust es lächerlich, von einer revolutionären Selbstverwaltung des Volkes zu sprechen. Diese ist nicht der Prolog, sondern der Epilog des Aufstands“ (Lenin, Band 9, Seite 191). „Ist der Aufstand möglich und notwendig, so bedeutet das, dass die Regierung `das Bajonett auf die Tagesordnung gesetzt`, den Bürgerkrieg eröffnet und den Belagerungszutsand als Antikritik der demokratischen Kritik in Feld geführt hat“ (Lenin, Band 9, Seite 269). „Nur in dem Maße, wie der Aufstand siegreich und sein Sieg eine entscheidende Niederlage des Feindes sein wird – nur in dem Maße wird auch die Versammlung der Volksvertreter nicht nur auf dem Papier vom ganzen Volk gewählt und nicht nur in Worten kostituierend sein“ (Lenin, Band 9, Seite 465).

Der Aufstand erzeugt die direkte Gegenüberstellung der mobilisierten Revolution gegenüber der mobilisierten Konterrevolution, und es werden nach dem Aufstand auf beiden Seiten breitere Elemente mobilisiert. Meistens verlaufen die Folgen des Aufstandes, egal ob Niederlage oder Sieg, blutiger und mit viel größeren Opfern als während des Aufstands selbst. In der Oktoberrevolution 1917 beispielsweise fiel kein Schuss, aber in dem aus ihr hervorgegangenen und ihr folgenden Bürgerkrieg = 3 Millionen Tote. Weitere 5 Millionen starben durch die Folgen der wirtschaftlichen Zerrüttung.

Die Erfahrungen der Niederlagen in den hunderten von Arbeiteraufständen sind nicht umsonst gemacht worden, und das Arbeiterblut ist nicht umsonst geflossen:



Die Lehren des Aufstandes 1905 in Russland



Lenin fasste diese Lehren in seinem Artikel Die Lehren des Moskauer Aufstands“ zusammen. (nachzulesen im Band 11, Seite 157 – 165). Dieser Artikel wird hier dringend als wichtiger Schulungstext empfohlen. Im Augenblick beschränken wir uns auf knappe Zitate und AuszügeIn aus Lenins Text :

Die Hauptformen der Dezemberbewegung in Moskau waren der friedliche Streik und die Demonstration. Die überwiegende Mehrheit der Arbeitermassen beteiligte sich aktiv nur an diesen Kampfformen. Und doch hat gerade die Moskauer Dezemberaktion anschaulich gezeigt, dass sich der Generalstreik als selbständige und haiptsächliche Kampfform überlebt hat, dass die Bewegung mit elementarer, unwiderstehlicher Gewalt diesen engen Rahmen durchbricht und eine höhere Kampfform, den Aufstand gebiert.

Als die revolutionären Parteien und die Gewerkschaften in Moskau den Streik proklamierten, haben sie alle erkannt, ja gefühlt, dass es unvermeidlich in den Aufstand umschlagen müsse. Am 6. Dezember beschloss der Sowjet der Arbneiterdeputierten, `die Überleitung des Streiks in den bewaffneten Aufstand anzustreben`. In Wirklichkeit aber war keine Organisation hierauf vorbereitet, sogar der Kolitionsrat der Kampfgruppen sprach (am 9. Dezember!) vom Aufstand als von etwas weit Entferntem, und zweifellos brach der Straßenkampf über seinen Kopf hinweg aus und verlief ohne seine Beteiligung. Die Organisationen blieben hinter dem Anwachsen und dem Schwung der Bewegung zurück.

Der Streik wuchs in den Aufstand hinüber, vor allem unter dem Druck der objektiven Verhältnisse, wie sie sich nach dem Oktober gestaltet hatten. Es war schon nicht mehr möglich, die Regierung durch einen Generalstreik zu überrumpeln, sie hatte bereits die Konterrevolution organisiert, die zu militärischen Aktionen gerüstet war.

Vom Streik und von Demonstrationen zu einzelnen Barrikaden, von einzelnen Barrikaden zu massenweiser Errichtung von Barrikaden und zum Straßenkampf mit den Truppen.

Vom politischen Massenstreik wurde die Bewegung auf eine höhere Stufe gehoben. Sie zwang die Reaktion, in ihrem Widerstand bis zum Letzten zu gehen,, und brachte dadurch mit Riesenschritten den Augenblick nahe, in dem die Revolution im Begrauch der Angriffsmittel ebenfalls bis zum Letzten gehen wird. Die Reaktion kann nicht weiter gehen als bis zum Artilleriebeschuss von Barrikaden, Häusern und der menschenmenge auf den Straßen. Die Revolution kann noch weiter gehen als bis zum Kampf der Moskauer Kampfgruppen, sie kann noch viel, viel weiter gehen, in die Breite und in die Tiefe. Und die Revolution ist seit dem Dezember weit vorangeschritten. Die Basis der revolutionären Krise ist unermesslich breiter geworden – die Schneide ihrer Waffe muss jetzt viel schärfer sein.

Den Wechsel in den objektiven Bedingungen des Kampfes, der den Übergang vom Streik zum Aufstand erforderte, hat das Proletariat früher als seine Führer gefühlt. Die Praxis ist, wie stets, der Theorie vorangegangen. Der friedliche Streik und die Demonstrationen hörten mit einem Schlage auf, den Arbeitern zu genügen; sie fragten: Was weiter? - und verlangten aktiveres Vorgehen. Die Anweisung zum Barrikadenbau traf in den Stadtteilen mit riesiger Verspätung ein, zu einer Zeit, als im Zentrum schon Barrikaden errichtet wurden. Die Arbeiter gingen in Massen ans Werk, gaben sich aber auch damit nicht zufrieden, fragten: Was weiter? - und verlangten aktiveres Vorgehen. Wir, die Führer des sozialdemokratischen Proletariats, glichen im Dezember dem Heerführer, der seine Regimenter so unsinnig aufgestellt hat, dass der größte Teil seiner Truppen nicht aktiv an der Schlacht teilnimmt. Die Arbeitermassen suchten vergeblich Anweisungen für aktive Massenaktionen.

Den Massen die Notwendigkeit eines erbitterten, blutigen, vernichtenden Krieges als unmittelbare Aufgabe der bevorstehenden Aktion verhehlen heißt sich selbst und das Volk betrügen. Das ist die erste Lehre der Dezemberereignisse

Die zweite Lehre betrifft den Charakter des Aufstands, die Art, wie er durchgeführt wurde, die Bedingungen für den Übergang der Truppen auf die Seite des Volkes [alles unterstrichen vom Verfasser].

Es versteht sich von selbst, dass von einem ernsten Kampf keine Rede sein kann, solange die Revolution nicht zu einer Massenbewegung geworden ist und nicht auch die Truppen erfasst hat. Selbstverständlich ist die Arbeit unter den Truppen notwendig. Aber man darf sich diesen Übergang der truppen nicht als einfachen, einmaligen Akt vorstellen, der das ergebnis einerseits der Überzeugung und andererseits des bewusstseins ist. Der Moskauer Aufstand zeigt uns anschaulich, wie schablonenhaft und lebensfremd eine solche Auffassung ist. In der Praxis führt das Schwanken der Truppen, dass jede wirkliche Volksbewegung zwangsläufig mit sich bringt, bei Verschärfung des revolutionären Kampfes im wahsten Sinne des Wortes zum Kampf um das Heer. Der Moskauer Aufstand zeigt uns gerade das Bild eines äußerst erbitterten, verzweifelten Kampfes der Reaktion und der Revolution um das Heer. Dubassow selbst erklärte, dass von den 15 000 Mann der Moskauer Truppen nur 5 000 zuverlässig seien. Die Regierung suchte die Schwankenden durch die mannigfachsten, verzweifeltsten Mittel zurückzuhalten: Man suchte sie zu überzeugen, schmeichelte ihnen, bestach sie durch Verteilung von Uhren, von Geld usw., man sparte nicht mit Schnaps, man suchte sie zu betrügen, einzuschüchtern, sperrte sie in die Kasernen ein, entwaffnete sie, griff mit Hilfe von Verrat und Gewalt Soldaten heraus, die man für besonders unzuverlässig hielt. Und man muss den Mut haben, geradeheraus und offen zuzugeben, dass wir in dieser Beziehung hinter der Regierung zurückgeblieben sind. Wir haben es nicht verstanden, die Kräfte, über die wir verfügten, für einen ebensolchen aktiven, kühnen, mit Initiative und offensiv geführten Kampf um das schwankende Heer zu nutzen, wie ihn die Regierung begann und erfolgreich zu Ende führte. Wir haben mit der geistigen `Bearbeitung` der Truppen begonnen und werden sie noch beharrlicher betreiben. Aber wir werden traurige Pedanten sein, wenn wir vergessen, dass im Augenblick des Aufstands auch ein physischer Kampf um die Truppen erforderlich ist. (...) Malachow ließ die Soldaten von Dragonern umzingeln, wir aber umzingelten die Malachows nicht durch Bombisten. Wir konnten das und hätten das tun müssen.

Der Dezember hat einen weiteren tiefgründigen und von den Opportunisten vergessenen Satz von Marx anschaulich bestätigt, dass nämlich der Aufstand eine Kunst und dass die Hauptregel dieser Kunst die mit verwegener Kühnheut und größter Entschlossenheit geführte Offensive ist. Wir haben uns diese Wahrheit nicht genügend zu eigen gemacht. Wir haben diese Kunst, diese Regel der Offensive um jeden Preis selbst nicht genügend gelernt und die Massen darin nicht genügend unterrichtet. Wir müssen jetzt mit aller Energie das Versäumte nachholen. Es genügt nicht, die Menschen nach ihrem Verhältnis zu politischen Losungen zu gruppieren, darüber hinaus ist es erforderlich, sie nach ihrer Einstellung zum bewaffneten Aufstand zu gruppieren. Wer gegen ihn ist, wer sich nicht auf ihn vorbereitet, den muss man rücksichtslos aus der Zahl der Anhänger der Revolution streichen und zu ihren Gegnern, zu den Verrätern oder Feiglingen rechnen, denn es naht der Tag, an dem der Gang der Ereignisse, die Situation des Kampfes uns zwingen wird, Feinde und Freunde nach diesem Merkmal voneinander zu scheiden. Nicht Passivität müssen wir propagieren, nicht ein einfaches `Draufwarten`, dass die Truppen `übergehen` - nein, wir müssen die Trommel rühren und weit und breit verkünden, dass es notwendig ist, kühn und mit der Waffe in der Hand anzugreifen, dass es notwendig ist, hierbei die militärischen Führer zu vernichten und den allertatkräftigsten Kampf um die schwankenden Truppen zu führen.

Die dritte große Lehre, die uns Moskau erteilt hat, betrifft die Taktik und die Organisation der Kräfte für den Aufstand. Die militärische Taktik hängt von dem Niveau der militärischen Technik ab [unterstrichen vom Verfasser] diese Tatsache hat Engels [ Anti-Dühring zum Beispiel – Anmerkung des Verfassers] wiederholt erläutert und den Marxisten eingehämmert. Die militärische Technik ist jetzt eine andere als in der Mitte des 19. Jahrhunderts. Gegen die Artillerie scharenweise vorzugehen und mit Revolvern die Barrikaden zu verteidigen wäre eine Dummheit. Und Kautsky hatte Recht, als er schrieb, dass es nach dem Moskauer Aufstand an der Zeit sei, Engels` Schlussfolgerung zu überprüfen, und dass Moskau eine `neue Barrikadentaktik` geschaffen habe. Diese Taktik war die Taktik des Partisanenkrieges [hervorgehoben vom Verfasser]. Die Organisation, die durch eine solche Taktik bedingt wurde, war die leicht bewegliche und außerordentlich kleine Abteilung: Zehnergruppen, Dreiergruppen, ja sogar Zweiergruppen.

Moskau hat diese Taktik hervorgebracht, aber noch lange nicht genug entwickelt, bei weitem nich nicht wirklich zur Taktik der breiten Massen gemacht. Es gab wenig Kampfgruppen, die Losung verwegener Überfälle wurde nicht in die Arbeitermasse getragen und von ihr nicht verwirklicht, die Partisanenabteilungen waren ihrem Charakter nach allzu gleichartig, ihre Waffen und ihre Kampfmethode unzulänglich, ihre Fähigkeiten, die Massen zu führen, nur wenig ausgebildet. Wir müssen das alles nachholen und werden es nachholen, indem wir die Lehren des Moskauer Aufstandes auswerten, indem wir diese Lehren unter den Massen verbreiten und die schöpferische Kraft der Massen selbst wecken, um diese Lehren weiter zu entwickeln. Der Partisanenkrieg, der Massenterror, der jetzt nach dem Dezember überall in Russland fast pausenlos ausgeübt wird, wird zweifellos helfen, die Massen zu lehren, im Augenblick des Aufstandes die richtige Taktik anzuwenden. Die Sozialdemokratie muss diesen Massenterror billigen und zum Bestandteil ihrer Taktik machen, dabei muss sie ihn natürlich organisieren und kontrollieren, den Interessen und Bedingungen der Arbeiterbewegung und des allgemeinen revolutionären Kampfes unterordnen und rücksichtlos die `lumpenproletarischen` Verzerrungen dieses Partisanenkrieges beseitigen und ausmerzen, mit denen die Moskauer in den Tagen des Aufstands und die Letten in den Tagen der vielgenannten lettischen Republiken so prächtig und rücksichtslos aufgeräumt haben.

In der allerletzten Zeit macht die militärische Technik wiederum neue Fortschritte. Der japanische Krieg hat die handgranate eingeführt. Die Gewehrfabriken haben das Schnellladegewehr auf den Markt geworfen. Beide werden in der russischen Revolution zwar schon erfolgreich angewandt, aber bei weitem nich nicht in genügendem Maße. Wir können und müssen uns technische Vervollkommnungen zu Nutze machen, müssen die Arbeiterabteilungen lehren, Bomben in Massen herzustellen, müssen ihnen und unseren Kampfgruppen helfen, sich Vorräte an Sprengstoffen, Zündern und Selbstladegewehren zu besorgen. Wenn sich die Arbeitermassen am Aufstand in der Stadt beteiligen, wenn sich die Massen auf den Feind stürzen, wenn der Kampf um die Truppen, die nach der Duma, nach Sveaborg und Kronstadt noch mehr schwanken, entschlossen und geschickt geführt wird und die Teilnahme des Dorfes am gemeinsamen Kampf gesichert ist, dann werden wir im nächsten bewaffneten Aufstand, der ganz Russland ergreifen wird, den Sieg davontragen!“

Soweit die Lehren aus dem Moskauer Aufstand. Lange bevor wurden hierzu Beschlüsse vom III. Parteitag der SDAPR gefasst. In der Resolution des III. Parteitags der SDAPR heißt es beispielsweise über den Aufstand:

In Erwägung,

1. dass das Proletariat, das seiner Lage nach die fortgeschrittenste und einzige konsequent-revolutionäre Klasse darstellt, eben dadurch berufen ist, die Führung in der allgemein-demokratischen revolutionären Bewegung Russlands zu verwirklichen;

2. dass diese Bewegung gegenwärtig bereits zur Notwendigkeit des bewaffneten Aufstandes geführt hat;

3. dass sich das Proletariat unvermeidlich auf das tatkräftigste an diesem Aufstand beteiligen und dass diese Beteiligung das Schicksal der Revolution in Russland entscheiden wird;

4. dass das Proletariat die Führung in dieser Revolution nur verwirklichen kann, wenn es zu einer einheitlichen und selbständigen politischen Kraft unter dem Banner der sozialdemokratischen Arbeiterpartei zusammengeschlossen ist, die seinen Kampf nicht nur ideologisch, sondern auch praktisch leitet;

5. dass nur die Verwirklichung dieser Führung dem Proletariat die günstigsten Bedingungen für den Kampf um den Sozialismus gegen die besitzenden Klassen des bürgerlich-demokratischen Russlands sichern kann-

erkennt der III. Parteitag der SDAPR an, dass die Aufgabe, das Proletariat zum unmittelbaren Kampf gegen die Selbstherrschaft auf dem Wege des bewaffneten Aufstands zu organisieren, eine der wichtigsten und unaufschiebbaren Aufgaben der Partei im gegenwärtigen revolutionären Zeitpunkt ist. Der Parteitag beauftragt daher alle Parteiorganisationen:

a) dem Proletariat durch Propaganda und Agitation nicht nur die politische Bedeutung, sondern auch die praktisch-organisatorische Seite des bevorstehenden Aufstands klarzumachen;

b) bei dieser Propaganda und Agitation die Rolle der politischen Massenstreiks zu erläutern, die bei Beginn und im Verlauf des Aufstands große Bedeutung haben können;

c) die energischsten Maßnahmen zur Bewaffnung des Proletariats sowie zur Ausarbeitung eines Plans des bewaffneten Aufstands und der unmittelbaren Leitung des Aufstands zu ergreifen und soweit erforderlich, zu diesem Zweck besondere Gruppen aus Parteifunktionären zu bilden“ (zitiert von Lenin in Band 9, Seite 61-62).

Wenn man sich auf den Aufstand vorbereiten muss, so gehört zu dieser Vorbereitung notwendigerweise auch die Verbreitung und Erläuterung der Losungen: bewaffneter Volksaufstand, revolutionäre Armee, provisorische revolutionäre Regierung. Wir müssen sowohl selbst die neuen Kampfmethoden, ihre Bedingungen, ihre Formen, ihre Gefahren, ihre praktische Durchführung usw. studieren als auch die Massen darüber aufklären“ (Lenin, Band 9, Seite 245).

Die These `Wir sind einstweilen nicht imstande, den Aufstand hervorzurufen` ist falsch. Die Ereignisse auf dem `Potjomkin` haben vielmehr gezeigt, dass wir nicht imstande sind, verfrühte Ausbrüche des in Vorbereitung befindlichen Aufstands zu verhindern. Die Matrosen des `Pozjomlin waren weniger vorbereitet als die Matrosen anderer Schiffe, und der Aufstand war daher weniger umfassend, als er hätte sein können. Was folgt daraus? Dass es zur Aufgabe der Vorbereitung eines Aufstandes gehört, verfrühte Ausbrüche eines in Vorbereitung befindlichen oder schon fast vorbereiteten Aufstands zu verhindern. Dass der elementar anwachsende Aufstand unsere bewusste und planmäßige Arbeit seiner Vorbereitung überholt(Lenin, Band 9, Seite 245-246).

Theoretische Diskussionen über die Notwendigkeit des Aufstandes können und müssen geführt, taktische Resolutionen in dieser Frage sollen sorgfältig durchdacht und ausgearbeitet werden, aber bei alledem darf man nicht vergessen, dass der elementare Gang der Ereignisse sich ohne jede Rücksicht auf Weisheitskrämereien machtvoll Bahn bricht. Man darf nicht vergessen, dass sich die Entwicklung aller jener großen Widersprüche, die sich jahrhundertelang im russischen Leben angehäuft haben, mit unerbittlicher Gewalt vollzieht, dass sie die Volksmassen auf den Plan ruft und die toten, leblosen Lehren vom friedlichen Fortschritt auf den Kehrrichthaufen wirft (...) „Tote Doktrinen bleiben stets hinter dem stürmischen Strom der Revolution zurück, der die grundlegenden Erfordernisse des Lebens, die tiefsten Interessen der Volksmassen zum Ausdruck bringt (...) Eine schlechte Doktrin wurd durch eine gute Revolution glänzend korrigiert(Lenin, Band 9, Seite 196). „Wer für den Aufstand ist, mit dem wird das Proletariat `vereint schlagen`, wenn auch `getrennt marschieren` ; wer gegen den Aufstand ist, den werden wir schonungslos bekämpfen“ (Lenin, Band 10, Seite 136).

Was die Ausarbeitung eines Plans des bewaffneten Aufstands anbelangt und wie die Leitung des Kampfes konkret auszusehen hat, beschrieb Lenin sehr eindringlich - weit entfernt davon, sich mit der Abfassung von Resolutionen des Parteitags zu begnügen. So schrieb Lenin offenherzig „als Berater“ an den Kampfausschuss des St.-Petersburger Komitees am 16. Oktober 1905:

Alle diese Schemas, alle diese Pläne der organisation des Kampfausschusses machen den Eindruck papernen Formelkrams – ich bitte meine Offenheit zu entschuldigen (...) Ich sehe mit Entsetzen, wahrhaftig mit Entsetzen, dass man schon länger als ein halbes Jahr von Bomben spricht und noch keine einzige hergestellt hat! (...) Geht zur Jugend. Gründet sofort Kampfgruppen, überall und allerorts, sowohl bei den Studenten als auch besonders bei den Arbeitern usw. usf. Trupps von 3 bis 10, bis zu 30 usw. Mann sollen sich unverzüglich formieren. Sie sollen sich unverzüglich selber bewaffnen, so gut jeder kann, mit Revolvern, Messern, petroleumgetränkten Lappen, um Feuer anzulegen usw. Diese Kampfabteilungen sollen sich unverzüglich Führer wählen und sich nach Möglichkeit mit dem Kampfausschuss des Petersburger Komitees in Verbindung setzen. Verlangt keinerlei Formalitäten, pfeift um Himmels willen auf alle Schemas, schickt im Gottes willen alle `Funktionen, Rechte und Privilegien` zum Teufel. Besteht nicht auf den Beitritt zur SDAPR – das wäre für den bewaffneten Aufstand eine absurde Forderung. Weigert euch nicht, mit jedem Zirkel in Verbindung zu treten, auch wenn er nur aus drei Personen besteht, unter der einzigen Bedingung, dass er in Bezug auf die Polizei unverdächtig und bereit ist, gegen die zaristischen Truppen zu kämpfen. Sollen die Gruppen, die das wünschen, der SDAPR beitreten oder sich der SDAPR anschließen, das wäre ausgezeichnet; aber ich würde es unbedingt für eien Gehler halten, das zu fordern. Die Rolle des Kampfausschusses beim Petersburger Komitee soll darin bestehen, diesen Abteilungen der revolutionären Armee zu helfen, ihnen als Verbindungs`büro` zu dienen usw. Jede Abteilung wird eure Dienste gern annehmen, aber wenn ihr in einer solchen Sache mit Schemas und mit Reden über die `Rechte` des Kampfausschusses ankommt, werdet ihr das Ganze zu Grunde richten, glaubt mir, unwiederbringlich zu Grunde richten! Hier muss man durch breite Propaganda wirken. Sollen 5 – 10 Menschen in einer Woche Hunderte von Arbeiter – und Studentenzirkel aufsuchen, überall eindringen, wo es nur irgend möglich ist, und überall den klaren, kurzen, direkten und einfachen Plan vorschlagen: Bildet sofort eine Kampfabteilung, bewaffnet euch, so gut ihr könnt, arbeitet aus allen Kräften, wir werden euch soweit möglich helfen, aber erwartet nichts von uns, arbeitet selber.

Der Schwerpunkt bei einer solchen Sache liegt in der Initiative der Masse der kleinen Zirkel. Sie schaffen alles. Ohne sie ist euer ganzer Kampfausschuss nichts. Ich neige dazu, die Arbeitsproduktivität des Kampfausschusses nach der Anzahl solcher Abteilungen zu messen, mit denen er in Verbindung steht. Wenn der Kampfausschuss in ein bis zwei Monaten nicht minimum 200-300 Abteilungen in Petersburg hat, dann ist er ein toter Kampfausschuss. Dann muss man ihn begraben. Wer bei der gegenwärtigen Siedehitze nicht Hunderte von Kampfabteilungen auf die Beine bringt, der steht außerhalb des Lebens. Die Propagandisten sollen jeder Abteilung kurze und einfache Bombenrezepte und eine elementare Erläuterung der ganzen Arbeitsart geben, dann aber die ganze Tätigkeit ihr selbst überlassen. Die Abteilungen sollen jetzt gleich, unverzüglich ihre militärische Ausbildung mit praktischen Kampfhandlungen beginnen. Die einen werden sofort einen Spitzel töten oder ein Polizeirevier in die Luft sprengen, andere werden eine Bank überfallen, um Geldmittel für den Aufstand zu konfiszieren, wieder andere werden eine Übung veranstalten oder Kartenskizzen anfertigen usw. Jedenfalls muss man gleich von Anfang an in der Praxis lernen, darf sich vor diesen versuchsweisen Überfällen nicht fürchten. Sie können natürlich ins Extrem ausarten, doch das ist eine Gefahr von morgen, die Gefahr von heute aber liegt in unserer Trägheit, un unserem Doktrinarismus, in der gelehrten Schwerfälligkeit und senilen Angst vor der Initiative. Jede Abteilung soll selbständig lernen, sei es auch durch Verprügelung von Polizisten: Die Dutzende von Opfern werden reichlich aufgewogen durch die Hunderte erfahrener Kämpfer, die morgen Hunderttausende in den Kampf führen werden“ (Lenin, Band 9, Seite 342-344).

Lenin arbeitete die Aufgaben der zu schaffenden Abteilungen der revolutionären Armee bis in jede kleine Einzelheit konkret aus:

1. Selbständige militärische Aktionen.

2. Leitung der Menge.

Die Abteilungen können beliebig stark sein, von zwei bis drei Mann an. Die Abteilungen müssen sich selbst bewaffnen, jeder womit er kann (Gewehr, Revolver, Bombe, Messer, Schlagring, Knüppel, mit Petroleum getränkte Lappen, um Feuer anzulegen, Stricke oder Strickleitern, Schaufeln für den Bau von Barrikaden, Sprengpatronen, Stacheldraht, Nägel {gegen Kavallerie} usw. usf.). Unter keinen Umständen darf man von anderer Seite, von oben oder von außen Hilfe erwarten, sondern muss alles selbst beschaffen.

Die Abteilungen müssen möglichst aus Personen gebildet werden, die nahe beieinander wohnen oder häufig, regelmäßig, zu bestimmten Stunden zusammentreffen (am besten beides, denn das regelmäßige Zusammentreffen kann durch den Aufstand unterbrochen werden). Ihre Aufgabe ist, es so einzurichten, dass sie in den kritischen Augenblicken, in den unvorhergesehendsten Situationen zusammenkommen können. Jede Abteilung muss daher im Voraus Mittel und Wege festlegen, um ein gemeinsames Vorgehen zu sichern: Zeichen an den Fenstern usw., um einander leichter zu finden; verabredete Rufe oder Pfiffe, um den Genossen in der Menge zu erkennen; vereinbarte Zeichen für den Fall eines nächtlichen Zusammentreffens usw. usf. Jeder energische Mann kann mit zwei bis drei Genossen eine ganze Reihe solcher Regeln und Methoden ausarbeiten, die zusammengestellt, auswendig gelernt und praktisch geübt werden müssen. Man darf nicht vergessen, dass die Ereignisse mit 99 Prozent Wahrscheiblichkeit überraschend eintreten werden und dass es nötig sein wird, unter außerordentlich schwierigen Verhältnissen zusammenzukommen.

Sogar unbewaffnete Abteilungen können eine sehr wichtige Rolle spielen, wenn sie 1. die Menge leiten; 2. bei günstiger Gelegenheit einen Polizisten oder einen zufällig von seinen Kameraden getrennten Kosaken überfallen (ein Fall in Moskau) usw. und entwaffnen; 3. Verhaftete oder Verwundete retten, wenn die Polizeikräfte schwach sind; 4. auf Hausdächer, in obere Stockwerke usw. steigen und die Truppen mit Steinen bewerfen, mit kochendem Wasser begießen usw. Eine organisierte, geschlossen und energisch vorgehende Abteilung ist eine ungeheure Kraft. Unter keinen Umständen darf die Bildung einer Abteilung unter dem Vorwand des Waffenmangels verweigert oder aufgeschoben werden.

Die Abteilungen müssen die Funktionen möglichst im Voraus verteilen und den Leiter, den Abteilungsführer, manchmal im Voraus wählen. Es wäre natürlich unvernünftig, in eine Spielerei mit Rangabzeichen zu verfallen, man darf aber die kolossale Bedeutung einer einheitlichen Führung, eines raschen und entschlossenen Vorgehens nicht vergessen. Entschlossenheit und kühner Angriff sind drei Viertel des Erfolgs (unterstrichen vom Verfasser].

Die Abteilungen müssen sich sofort nach nach ihrer Bildung, also schon jetzt, an eine vielseitige Arbeit machen, und zwar keineswegs nur theoretische, sondern unbedingt auch praktische. Zur theoretischen Arbeit rechnen wir das Studium der Kriegswissenschaften, die Beschäftigung mit militärischen Fragen, Referate über militärische Fragen, Aussprachen mit Militärs (mit Offizieren, Unteroffizieren usw. usf., nicht zuletzt auch mit ehemaligen Soldaten aus der Arbeiterschaft); die Lektüre, Besprechung und Verarbeitung illegaler Broschüren und Zeitungsartikel über den Straßenkampf usw. usf.

Wir wiederholen, mit den praktischen Arbeiten muss sofort begonnen werden. Sie zerfallen in vorbereitende und in militärische Operationen. Zu den vorbereitenden gehört die Beschaffung jeder Art von Waffen und Munition, die Auswahl günstig gelegener Wohnungen für den Straßenkampf (die geeignet sind für den Kampf von oben, für die Lagerung von Bomben, Steinen usw. oder von Säuren zum Begießen der Polizisten usw. usf., sowie für das Stabsquartier, für den Nachrichtendienst, als Zufluchtsort für Verfolgte, Unterkünfte für Verwundete usw. usf.). Zu den vorbereitenden Arbeiten gehört ferner rechtzeitige Aufklärung und Erkundung: Beschaffung von Plänen der Gefängnisse, Polizeireviere, Ministerien usw., Auskundschaftung der Arbeitseinteilung in den staatlichen Institutionen, in den Banken usw., sowie ihrer Bewachung; Anknüpfung von Beziehungen, die nützlich sein können (mit Polizei-, Bank-, Gerichts-, Gefängnis-, Post- und Telegrafenbeamten usw.), Feststellung von Waffenlagern von sämtlichen Waffenläden der Stadt usw. Es gibt hier massenhaft Arbeit, und zwar solche, bei der jeder größten Nutzen bringen kann, sogar der zum Straßenkampf völlig Untaugliche, sogar körperlich ganz schwächliche Menschen, Frauen, Jugendliche, Greise u.a. Man muss bestrebt sein, schon jetzt unbedingt und ausnahmslos alle in den Abteilungen zusammenzuschließen, die sich am Aufstand beteiligen wollen, denn es gibt keinen Menschen und kann keinen geben, der nicht den größten Nutzen brächte, wenn er arbeiten will, auch wenn er keine Waffen hat, auch wenn er persönlich zum Kampf untauglich ist.

Sodann dürfen sich die Abteilungen der revolutionären Armee keinesfalls nur auf vorbereitende Arbeiten beschränken, sie müssen sobald wie möglich auch zu militärischen Aktionen übergehen, um:

1. ihre Kampfkraft zu üben; 2. die schwachen Stellen des Feindes zu erkunden; 3. dem Feind Teilniederlagen beizubringen; 4. Gefangene (Verhaftete) zu befreien; 5. Waffen zu erobern; 6. Geldmittel für den Aufstand zu gewinnen (Regierungsgelder zu konfiszieren) usw. usf. Die Abteilungen können und müssen unverzüglich jede Gelegenheit zu lebendiger Arbeit ergreifen, sie dürfen das keineswegs bis zum allgemeinen Aufstand verschieben, denn steht man nicht schon vorher im Feuer, so erwirbt man die Tauglichkeit auch zum Aufstand nicht [unterstrichen vom Verfasser].

Gewiss ist jede Übertreibung von Übel; alles Gute und Nützliche kann, auf die Spitze getrieben, schlecht und schädlich werden, ja muss es sogar, wenn eine gewisse Grenze überschritten wird. Undisziplinierte, unvorbereitete kleine Terrorakte können, auf die Spitze getrieben, die Kräfte lediglich zersplittern und vergeuden. Das ist richtig und darf natürlich nicht vergessen werden. Aber andererseits darf man auch keinesfalls vergessen, dass jetzt die Losung des Aufstandes schon ausgegeben ist, dass der Aufstand schon begonnen hat. Mit Angriffsaktionen zu beginnen, wenn die Umstände günstig sind, ist nicht nur das Recht, sondern auch die direkte Pflicht eines jeden Revolutionärs [unterstrichen vom Verfasser]. Tötung von Spitzeln, Polizisten und Gendarmen, Sprengung von Polizeirevieren, Befreiung von Verhafteten, Konfiskation von Regierungsgeldern für die Erfordernisse des Aufstandes – solche Aktionen werden überall dort, wo sich der Aufstand ausbreitet, in Polen und im Kaukasus, bereits unternommen, und jede Abteilung der revolutionären Armee muss jeden Augenblick zu solchen Aktionen bereit sein. Jede Abteilung muss daran denken, dass sie sich unverzeihlicher Tatenlosigkeit, der Passivität schuldig macht, wenn sie die für eine Aktion günstige Gelegenheit nicht heute schon ausnützt – und eine solche Schuld ist in der Epoche des Aufstands das größte Verbrechen eines Revolutionärs, die größte Schmach für jeden, der nicht nur in Worten, sondern in der Tat die Freiheit erstrebt [unterstrichen vom Verfasser].

Über die Zusammensetzung dieser Abteilungen lässt sich folgendes sagen: die zweckmäßigste Anzahl der Mitglieder und die Verteilung ihrer Funktionen wird die Erfahrung lehren. Man muss selbst anfangen, sich diese Erfahrungen anzueignen, ohne Weisungen von außen abzuwarten. Man soll natürlich die örtliche revolutionäre Organisation bitten, einen militärisch geschulten Revolutionär für Vorträge, Aussprachen und Ratschläge zu schicken, aber falls sich ein solcher nicht findet, muss man unbedingt selbst mit allem zurechtkommen.

Was die Parteigruppierungen betrifft, so werden die Mitglieder einer Partei es natürlich vorziehen, sich in den gleichen Abteilungen zusammenzuschließen. Aber man soll Mitgliedern anderer Parteien nicht unbedingt den Beitritt zu einer Abteilung verweigern. Gerade hier müssen wir den Zusammenschluss, die praktische Verständigung (selbstverständlich ohne jedwede Verschmelzung der Parteien) des sozialistischen Proletariats mit der revolutionären Demokratie verwirklichen. Wer für die Freiheit kämpfen will und seine Bereitschaft durch die Tat beweist, der kann zu den revolutionären Demokraten gerechnet werden, mit dem muss man gemeinsam an der Vorbereitung des Aufstandes zu arbeiten trachten (natürlich nur dann, wenn zu der Person oder zu der Gruppe volles Vertrauen vorhanden ist). Alle übrigen `Demokraten` müssen als Quasi-Demokraten, als liberale Schwätzer scharf zurückgewiesen werden, denn es wäre von Revolutionären unverzeihlich, sich auf sie zu verlassen, und verbrecherisch, ihnen Vertrauen zu schenken [unterstrichen vom Verfasser].

Es ist natürlich wünschenswert, dass die Abteilungen sich miteinander vereinigen, und außerordentlich nützlich, Formen und Bedingungen für die gemeinsame Tätigkeit auszuarbeiten. Aber man darf dabei keinesfalls in das Extrem verfallen, komplizierte Pläne, allgemeine Schemas usw. zu erfinden und der lebendigen Sache durch pedantische Tüfteleien Abbruch zu tun. Die Begleitumstände des Aufstands werden unweigerlich so sein, dass die nichtorganisierten Elemente tausendfach zahlreicher sind als die organisierten; es wird sich nicht vermeiden lassen, dass man sofort, an Ort und Stelle, zu zweit oder allein handeln muss – und man muss sich darauf vorbereiten, auf eigene Faust zu handeln. Verzögerungen und Diskussionen, Säumigkeit und Unentschlossenheit sind der Tod des Aufstands. Mit größter Entschlossenheit und Energie vorgehen, jeden günstigen Augenblick unverzüglich ausnutzen, die revolutionäre Leidenschaft der Menge sofort entfachen, ihr die Richtung zu entschlosseneren und entschlossensten Aktionen weisen – das ist die erste Pflicht des Revolutionärs [unterstrichen vom Verfasser].

Eine ausgezeichnete militärische Übung für die Soldaten der revolutionären Armee, in der sie ihre Feuertaufe erhalten und durch die sie der Revolution ungeheuren Nutzen bringen, ist der Kampf gegen die Schwarzhunderter. Die Abteilungen der revolutionären Armee müssen unverzüglich feststellen, von wem, wo und wie die Schwarzhundertschaften organisiert werden, und dürfen sich dann nicht auf Agitation allein beschränken (das ist nützlich, genügt aber nicht), sondern müssen auch mit Waffengewalt vorgehen, die Schwarzhunderter niederschlagen, sie töten, ihre Stabsquartiere sprengen usw. usf.“ (Lenin, Band 9, Seite 423-427; geschrieben Ende Oktober 1905).

Es kann hier keinen Zweifel daran bestehen, dass der Tag kommt, an dem wir dazu übergehen müssen, die revolutionären Armeen in Abteilungen der internationalen Weltarmee zu verwandeln. Der bewaffnete Aufstand wir in nicht in all zu ferner Zukunft die ganze Welt erfassen, nicht nur als einzelner Vorgang, sondern sich wiederholend und immer mehr ausweitend in die Breite und in die Tiefe – und darauf gilt es sich jetzt schon vorzubereiten !!

Lenin wies also nicht nur die Notwendigleit des Aufstandes nach und rief nicht nur zum Aufstand auf, sondern er forderte auch diesofortige Organisierung einer revolutionären Armee (...). Nur die kühnste, breiteste Organisierung einer solchen Armee kann der Prolog zum Aufstand sein“ (Lenin, Band 9, Seite 180). Die revolutionäre Regierung bezeichnete Lenin alsOrgan des Aufstands“ (Lenin, Band 9, Seite 202). Die revolutionäre Staatsmacht hielt Lenin füreines der größten und höchsten `Mittel` , den politischen Umsturz zu verwirklichen“ (Lenin, Band 9, Seite 245).

Für das Gelingen eines Aufstandes waren für Lenin gleichwohl zwei Einrichtungen notwendig: Die revolutionäre Armee und die revolutionäre Regierung sind zwei Seiten ein und derselben Medaille. Es sind zwei Einrichtungen, die zum Gelingen des Aufstandes und zur Verankerung seiner Errungenschaften gleich notwendig sind. Es sind zwei Losungen, die unbedingt aufgestellt und erläutert werden müssen, weil sie die einzigen konsequenten, revolutionären Losungen sind“ (Lenin, Band 8, Seite 571). Die revolutionäre Regierung muss das `Volk` mobilisieren und seine revolutionäre Aktivität organisieren“ (Lenin, ebenda, Seite 570). „Vom `Sieg` des Volksaufstandes, von der Errichtung einer provosorischen Regierung sprechen und nicht auf den Zusammenhang dieser `Schritte` und Akte mit der Erkämpfung der Republik hinweisen – das heißt eine Resolution schreiben, nicht um den Kampf des Proletariats zu leiten, sondern hinter der proletarischen Bewegung einherzutrotten“ (Lenin, Band 9, Seite 24) Deswegen die marxistische Formel: Keine revolutionäre Regierung ohne Mitwirkung eines Aufstands und kein Aufstand ohne Mitwirkung einer revolutionären Regierung – ansonsten kann das aufständische Volk nicht siegreich sein – das ist die marxistisch-leninistische Formel des bewaffneten Aufstandes und der aufständischen Regierung als dessen Organ.

Natürlich kann der reale Rückhalt einer solchen Regierung nur der bewaffnete Aufstand sein. Aber die geplante Regierung wird ja auch nichts anderes sein als das Organ dieses schon heranwachsenden und heranreifenden Aufstands. Man durfte die Bildung einer revolutionären Regierung praktisch nicht in Angriff nehmen, solange der Aufstand nicht Ausmaße erreicht hatte, die allen sichtbar, sozusagen allen greifbar waren. Gerade jetzt ist es aber notwendig, diesen Aufstand politisch zusammenzufassen, ihn zu organisieren, ihm ein klares Programm zu geben und alle die schon zahlreich und zahlenmäßig rasch zunehmenden Abteilungen der revolutionären Armee zur Stütze und zu Hebeln dieser neuen, wirklich freien und wirklich vom Volk getragenen Regierung zu machen (Bürger! (...) Stellt die Zahlung aller Abgaben und Steuern ein, richtet alle Anstrengungen auf die Organisierung und Bewaffnung einer freien Volkswehr (...) Wer nicht für die Revolution ist, ist gegen die Revolution. Wer kein Revolutionär ist, der ist ein Schwarzhunderter (...) So etwa denke ich mir die Entwicklung des Sowjets der Arbeiterdeputierten zu einer provisorischen revolutionären Regierung“ (Lenin, Band 10, Seite 10 und 12). Wie wird die zusammengebrochene reaktionäre Regierung also durch eine revolutionäre Regierung abgelöst? Das Organ der Volksmacht, das zeitweilig die Obliegenheiten der zusammengebrochenen Regierung übernimmt, nennt man im schlichten und klaren Russisch provisorische revolutionäre Regierung. Eine solche Regierung muss provisorisch sein, denn ihre Vollmachten laufen ab, sobald eine vom Volk gewählte konstituierende Versammlung zusammentritt. Eine solche Regierung muss revolutionär sein, denn sie löst die zusammengebrochene Regierung ab, gestützt auf die Revolution. Dieser Wechsel kann nicht anders als auf revolutionärem Wege erfolgen“ (Lenin, Band 10, Seite 53). „Die provisorische revolutionäre Regierung ist das Organ des Aufstands, das alle Aufständischen vereinigt und den Aufstand politisch leitet“ (Lenin, Band 10, Seite 54).



Höhepunkt und Niedergang des russischen Aufstandes von 1905

Lenin beurteilte die Ereignisse in Moskau, verglich sie mit den anderen vorausgegangenen Aufständen und schätzte ihren weiteren Entwicklungsprozess trotz erlittener Niederlagen positiv ein:

Wie spärlich diese Nachrichten auch sein mögen, so erlauben sie doch, die Schlussfolgerung zu ziehen, dass der Ausbruch des Aufstandes in Moskau, verglichen mit den anderen Aufständen, keine höhere Stufe der Bewegung darstellt. Weder traten rechtzeitig vorbereitete und gut bewaffnete revolutionäre Kampfabteilungen in Aktion noch ging wenigstens ein gewisser Teil der Truppen auf die Seite des Volkes über, und auch die `neuen` Arten der Volksbewaffnung, die Bomben (die am 26. September [9.Oktober] in Tiflis den Kosaken und Soldaten einen solchen Schrecken eingejagt hatten), kamen nicht umfassend zur Anwendung. Fehlte aber auch nur eine dieser Bedingungen, so konnte weder mit der bewaffnung einer großen Zahl von Arbeitern noch mit dem Sieg des Aufstandes gerechnet werden. Die Bedeutung der Moskauer Ereignisse ist, wie wir bereits festgestellt haben, eine andere: ein großes Zentrum hat dadurch die Feuertaufe erhalten, ein riesiges Industriegebiet ist in den ernsten Kampf einbezogen worden. Das Anwachsen des Aufstandes in Russland verläuft natürlich nicht in einem gleichmäßigen und geradlinigen Aufschwung und kann auch nicht so verlaufen. Am 9. Januar war in Petersburg das vorherrschende Merkmal die rasche und einmütige Bewegung gigantischer Massen, die unbewaffnet waren und nicht in den Kampf traten, aber eine große Kampfeslehre erhielten. In Polen und im Kaukasus zeichnet sich die Bewegung durch eine ungeheure Hartnäckigkeit und eine verhältnismäßig häufigere Anwendung von Waffen und Bomben seitens der Bevölkerung aus. In Odessa bestand das besondere Merkmal im Übergang eines Teils der Truppen zu den Aufständischen. In allen Fällen und immer war die Bewegung in ihrem Kern proletarisch und unlösbar mit dem Massenstreik verbunden. In Moskau verlief die Bewegung in demselben Rahmen wie in einer ganzen Reihe anderer, weniger großer Industriezentren. Vor uns taucht naturgemäß die Frage auf: Wird die revolutionäre Bewegung auf diesem bereits erreichten, `gewohnt` und vertraut gewordenen Entwicklungsstadium stehenbleiben oder wird sie sich auf eine höhere Stufe erheben? Wenn man sich überhaupt auf das gebiet der Einschätzung so komplizierter und unübersichtlicher Ereignisse wagen kann, wie es die Ereignisse der russischen Revolution sind, so gelangen wir unvermeidlich zu der ungleich größeren Wahrscheinlichkeit der zweiten Antwort auf diese Frage. Gewiss, auch die gegebene, bereits erlernte, wenn man sich so ausdrücken darf, Kampfform – Partisanenkrieg, unaufhörliche Streiks, Erschöpfung der Kräfte des Feindes durch Überfälle und Straßenkämpfe bald an dem einen, bald an dem anderen Ende des Landes – auch diese Kampfform ergab und ergibt die ernsthaftesten Resultate. Kein Staat hält auf die Dauer diesen hartnäckigen Kampf aus, der das industrielle Leben lahmlegt, in die Bürokratie und in die Armee völlige Demoralisation hineinträgt und in allen Volkskreisen Unzufriedenheit mit der Lage der Dinge sät. Um so weniger ist die absolutistische Regierung imstande, einen solchen Kampf auszuhalten. Wir können völlig überzeugt sein, dass die beharrliche Fortsetzung des Kampfes, auch wenn er sich in den Formen hält, die von der Arbeiterbewegung bereits hervorgebracht worden sind, unweigerlich zum Zusammenbruch des Zarismus führen wird.

Es ist jedoch im höchsten Grade unwahrscheinlich, dass die revolutionäre Bewegung im heutigen Russland auf der Stufe stehenbleiben wird, die sie gegenwärtig bereits erreicht hat. Im Gegenteil, alle Tatsachen sprechen eher dafür, dass dies nur eine der ersten Stufen des Kampfes ist. Noch haben sich alle Folgen des schmachvollen unmd verderblichen Krieges im Volk bei weitem nicht ausgewirkt. Die Wirtschaftskrise in den Städten und die Hungersnot auf dem Lande steigern die Erbitterung ungeheuer. Die mandschurische Armee ist, nach allen Informationen zu urteilen, äußerst revolutionär gestimmt, und die Regierung fürchtet sich, sie zurückzurufen; aber es ist unmöglich, diese Armee nicht zurückzurufen, denn es drohen sonst neue und noch ernstere Aufstände. Die politische Agitation unter den Arbeitern und der Bauernschaft war in Russland noch nie so umfassend, so planmäßig und so tiefgehend wie jetzt. Die Komödie der Reichsduma wird der Regierung unvermeidlich neue Niederlagen bringen und in der Bevölkerung neue Erbitterung hervorrufen. Der Aufstand ist vor unseren Augen in knapp zehn Monaten ungeheur angewachsen, und es ist weder ein Hirngespinst noch ein frommer Wunsch, sondern eine direkte und unbedingte Schlussfolgerung aus den Tatsachen des Massenkampfes, wenn man feststellt, dass sich der Aufstand binnen kurzem auf eine neue, höhere Stufe erheben wird, auf eine Stufe, wo die Kampfabteilungen der Revolutionäre oder meuternden Truppentzeile der Volksmenge zur Hilfe kommen werden, wo sie den Massen helfen werden, sich Waffen zu verschaffen, wo sie in die Reihen der `zaristischen`(noch zaristischen, denn schon bei weitem nicht mehr völlig zaristischen) Truppen die größten Schwankungen hineingetragen werden, wo der Aufstand zu einem ernsthaften Sieg führen wird, vor dem sich der Zarismus nicht mehr erholen kann.

Die zaristischen Truppen haben in Moskau den Sieg über die Arbeiter davongetragen. Doch dieser Sieg hat die Besiegten nicht entkräftet, sondern sie nur fester zusammengeschweißt, ihren Hass vertieft und sie den praktischen Aufgaben des ernsten Kampfes nähergebracht. Die Truppen beginnen erst jetzt zu erkennen, und zwar nicht nur an hand der gesetze, sondern auch aus eigener Erfahrung, dass sie jetzt einzig und allein zum Kampf gegen den `inneren` Feuind mobilisiert werden. Der Krieg mit Japan ist zu Ende. Doch die Mobilmachung dauert fort, die Mobilmachung gegen die Revolution. Wir fürchten eine solche Mobilmachung nicht, wir stehen nicht an, sie zu begrüßen, denn je größer die Zahl der Soldaten sein wird, die man zum systematischen Kampf gegen das Volk einberuft, desto rascher wird die politische und revolutionäre Aufklärung dieser Soldaten vor sich gehen. Durch die Mobilmachung immer neuer Truppenteile zum Krieg gegen die Revolution schiebt der Zarismus die Entscheidung auf, aber dieser Aufscgub ist von größtem Vorteil für uns, denn in diesem langwierigen Partisanenkrieg lernen die Proletarier kämpfen, während die Truppen unvermeidlich ins politische Leben hineingezogen werden. Und der Ruf dieses Lebens, der Kampfruf des jungen Russlands, dringt sogar durch die dicksten Kasernenmauern, weckt die Unaufgeklärtesten, die Rückständigsten und die Eingeschüchtertsten. Der Ausbruch des Aufstands ist noch einmal unterdrückt worden. Noch einmal: Es lebe der Aufstand!“ (Lenin, „Blutige Tage in Moskau“, Band 9, Seite 337-339). Lenin räumte im Verlauf der revolutionären Ereignisse ein: „Doch diese Bewegung war noch äußerst unbewusst in revolutionärer Beziehung und völlig hilflos im Sinne der Bewaffnung und militärischen Bereitschaft“ (Lenin, Band 9, Seite 351). „Die Moskauer Ereignisse haben die wirkliche Gruppierung der gesellschaftlichen Kräfte gezeigt: Die Liberalen sind von der Regierung zu den Radikalen gerannt, um diesen den revolutionären Kampf auszureden. Die Radikalen haben in den Reihen des Proletariats gekämpft. Vergessen wir diese Lehre nicht“ (ebenda, Seite 353). „Im Großen und Ganzen ist die Bewegung in Moskau nicht bis zu einem entscheidenden Kampf der revolutionären Arbeiter mit den Streitkräften des Zarismus gelangt. Das waren nur kleinere Vorpostengeplänkel, teilweise vielleicht eine militärische Demonstration im Bürgerkrieg, aber keine jener Schlachten, die den Ausgang des Krieges bestimmen (...), dass wir es nicht mit einem Beginn, sondern nur mit einer Probe des entscheidenden Ansturms zu tun haben“ (Lenin, Band 9, Seite 375). „In jedem Krieg machen die Gegner, deren Kräfte sich die Waage halten, eine Weile halt, sammeln Kräfte, rasten, werten die gemachten Erfahrungen aus, bereiten sich vor und – stürzen sich in den neuen Kampf. (...) So war es und so wird es immer sein in jedem großen Bürgerkrieg“ (Lenin, Band 10, Seite 392). Lenin schätzte die Taktik der Regierung im Zustand des relativen Gleichgewichts der kämpfenden Kräfte klar ein:Es ist zweifellos ein Lavieren und ein Rückzug mit Nachhutgefechten. Und das ist eine ganz richtige Taktik vom Standpunkt der Interessen der Selbstherrschaft. Es wäre ein großer Irrtum, eine verhängnisvolle Illusion, wenn die Revolutionäre vergäßen, dass die Regierung noch lange, sehr lange zurückweichen kann, ohne das Wesentliche aufzugeben“ (Lenin, Band 9, Seite 378). „Die Selbstherrschaft hat nicht mehr die Kraft, offen gegen die Revolution vorzugehen. Die Revolution hat noch nicht die Kraft, dem Feind den entscheidenden Schlag zu versetzen. Dieses Schwanken der Kräfte, die sich fast die Waage halten, erzeugt bei der Staatsmacht unvermeidlich Kopflosigkeit und bewirkt, dass sie von Repressalien zu Zugeständnissen, zu Gesetzen über Presse- und Versammlungsfreiheit übergeht“ (Lenin, Band 9, Seite 394-395) und die Daumenschrauben werden etwas lockert, Ventile etwas geöffnet, damit die Empörung des Volkes wieder gefahrlos entweichen und das Machtverhältnis aufrecht erhalten bleiben kann.Verhandlungen mit dem aufständischen Volk, Zurückziehen der Truppen – das ist der Anfang vom Ende. Das zeigt besser als alle Vernunftsgründe, dass sich die militärischen Spitzen im höchsten Grade unsicher fühlten. Das zeigt, dass die Unzufriedenheit unter den Truppen ein wahrhaft erschreckendes Ausmaß erreicht hatte. In Kiew wurden Soldaten verhaftet, die sich geweigert hatten, zu schießen. In Polen gab es ähnliche Fälle. In Odessa hielt man die Infanterie in den Kasernen zurück, weil man sich fürchtete, sie auf die Straße zu führen. In Petersburg begann eine offene Gärung in der Flotte, und man sprach von völliger Unzuverlässigkeit der Garde. Und was die Schwarzmeerflotte betrifft, so ist es bisher nicht gelungen, wirklich die Wahrheit zu erfahren. Schon am 17. Oktober meldeten Telegramme, dass sich das Gerücht von einer neuen Empörung dieser Flotte hartnäckig erhalte, dass von den Behörden, die alle Mittel aufböten, um die Verbreitung von Nachrichten über die Ereignisse zu verhindern, alle Telegramme abgefangen würden. Reiht man alle diese bruchstückhaften Nachrichten aneinander, so kommt man unweigerlich zu dem Schluss, dass die Lage der Selbstherrschaft sogar vom rein militärischen Standpunkt aus verzweifelt war. Zwar wurden noch einzelne Aufstände unterdrückt, zwar nahmen die Truppen noch hier und da Barrikaden, doch diese einzelnen Zusammenstöße entfachten nur die Leidenschaften, steigerten nur die Empörung, rückten nur eine noch mächtigere allgemeine Explosion näher, und gerade davor fürchtete sich die Regierung, da sie sich nicht mehr auf die Truppen verlassen konnte“ (Lenin, Band 9, Seite 432). Der Aufstand der Matrosen und Soldaten in Kronstadt begann am 26. Oktober (8. November) 1905. Die Aufständischen erhoben die Forderungen: Einberufung einer konstitutionellen Versammlung auf Grund allgemeiner Wahlen, Errichtung einer demokratischen Republik, Rede- , Koalitions- und Versammlungsfreiheit, Verbesserung der Lage der Matrosen und Soldaten. Am 28. Oktober (10. November) wurde der Aufstand niedergeschlagen. Das Beispiel von Kronstadt zeigt (...), mag sie [die Regierung – Anmerkung des Verfassers] jetzt Hunderte von Matrosen erschießen, die wieder einmal die rote Flagge gehisst haben – diese Flagge wird noch höher wehen, denn sie ist das Banner aller Werktätigen und Ausgebeuteten in der ganzen Welt[hervorgehoben vom Verfasser], (Lenin, Band 9, Seite 467). Ende November 1905 schrieb Lenin:

Der bewaffnete Aufstand in Kiew macht offenbar noch einen weiteren Schritt vorwärts, den Schritt zur Verschmelzung der revolutionären Armee mit den revolutionären Arbeitern und Studenten. Davon zeugt jedenfalls ein Bericht der `Rus` über ein sechzehntausendköpfiges Meeting im Kiewer Polyklinikum unter dem Schutz eines Pionierbataillons der aufständischen Soldaten“ (Lenin, Band 10, Seite 52).

Wir dürfen mit vollem Recht triumphieren. Das Zugeständnis des Zaren ist in der Tat ein großer Sieg der Revolution, doch entscheidet dieser Sieg noch lange nicht das Schicksal der ganzen Sache der Freiheit. Der Zar hat noch lange nicht kapituliert. Die Selbstherrschaft hat durchaus noch nicht aufgehört zu bestehen. Sie hat nur den Rückzug angetreten und dem Feind das Schlachtfeld überlassen, sie hat in einer äußerst ernsten Schlacht den Rückzug angetreten, aber sie ist noch lange nicht geschlagen, sie sammelt noch ihre Kräfte, und das revolutionäre Volk muss noch viele ernste Kampfaufgaben lösen, um die Revolution zum wirklichen und vollen Sieg zu führen“ (Lenin, Band 9, Seite 430). „Aber das Gleichgewicht der Kräfte schließt den Kampf keineswegs aus, sondern macht ihn im Gegenteil noch schärfer. Der Rückzug der Regierung bedeutet lediglich, wie wir schon sagten, dass sie eine neue, von ihrem Standpunkt aus günstigere Kampfstellung bezieht“ (Lenin, Band 9, Seite 450). „Alles gewähre ich, außer der Macht – erklärt der Zarismus. Alles ist Blendwerk, außer der Macht – erwidert das revolutionäre Volk“ (Lenin, Band 9, Seite 452). „Wer für die Freiheit des Volkes kämpft, ohne für die volle Macht des Volkes im Staate zu kämpfen, der ist entweder inkonsequent oder unaufrichtig“ (Lenin, Band 10, Seite 388).

Sind die Klassengegner kräftemäßig ebenbürtig, das Kräfteverhältnis ausgeglichen, dann wird der Sieg um so schwerer zu erringen sein, dann ist die Wahrscheinlichkeit besonders groß, dass sich der Kampf in die Länge zieht, dass die Anstrengungen und Verluste auf beiden Seiten außerordentlich zunehmen können, dass es auf die Mobilisierung der Reserven, auf das Durchhaltevermögen in einem Stellungs- oder Belagerungskrieg und viele anderer Faktoren ankommt, dass die Fronten komplizierter und härter werden, dass er sich ausweitet und die Entscheidung auf sich warten lässt, dass derjenige eine Niederlage erleidet, dessen Kräfte schließlich zuerst erschöpft sind. In Patt-Situationen kann häufig nur die bessere Kriegskunst über Sieg oder Niederlage entscheiden.

Solange die Macht in den Händen des Klassenfeindes ist, kann er dieses Gleichgewicht auf der Waage der sich im Krieg befindenen antagonistischen Klassenkräfte zu halten versuchen, kann er abwarten und seine konterrevolutionären Kräfte sammeln, hat er Zeit, um seiner Kopflosigkeit wieder Herr zu werden – zu mehr reicht seine Kraft allerdings nicht. Die Kräfte der Konterrevolution reichen an einem bestimmten Punkt nicht mehr aus, um die Revolution aufzuhalten und niederzuringen. Auf der Seite der Revolution sind die Kräfte an jenem Punkt jedoch für einen Sieg noch nicht ausreichend, um den entscheidenden Schlag zu führen. Für die Konterrevolution ist es unvorteilhaft, vorzugehen und anzugreifen in einem solchen Moment, während für das Proletariat und für seine Verbündeten dieser Zustand noch viel zu unbefriedigend und kritisch ist, denn: Wenn wir nicht noch eine Stufe höher steigen, wenn wir die Aufgabe des selbständigen Angriffs nicht bewältigen, wenn wir die Kräfte des Zarismus nicht brechen, seine faktische Macht nicht zerstören, dann wird die Revolution halbschlächtig sein, dann wird die Bourgeoisie die Arbeiter nasführen“ (Lenin, Band 9, Seite 416) und das trat ja denn auch ein: “Die Verschwörung ist da. Man hat beschlossen, den Streik durch Massenentlassungen von Arbeitern zu bekämpfen(...) Man will das durch den vorangegangenen Kampf erschöpfte Petersburger Proletariat zu einer neuen Schlacht unter den ungünstigsten Bedingungen provozieren“ (Lenin, Band 10, Seite 37); „Die Schwarzhunderter fingen an zu wüten. (...) Es herrscht der weiße Terror. (...) Die Konterrevolution tobt sich aus. (...) vom Finnischen Meerbusen bis zum Schwarzen Meer – überall ein und dasselbe Bild (..) Racheakte und `Revanche`“ (Lenin, Band 9, Seite 453/454). „Zu einem solchen Zeitpunkt ist es wichtiger denn je, alle Bemühungen auf die Vereinigung der Armee der Revolution in ganz Russland zu richten, ist es wichtig, die Kräfte zu schonen, die eroberten Freiheiten zu verhundertfachter Agitation und Organisation auszunutzen und sich auf neue entscheidende Schlachten vorzubereiten“ (Lenin, Band 10, Seite 37/38), damit die konterrevolutionäre Provokation des durch den Aufstand kräftemäßig verausgabten und regenerierungsbedürftigen Proletariats missglückt.

Dieses oben erwähnte relative Gleichgewicht der Kräfte wird auch eines Tages unvermeidlich im Weltmaßstab in Erscheinung treten, müssen wir aus der Taktik von 1905 die richtigen Schlussfolgerungen ziehen – und die weltrevolutionäre Flutwelle wird scheinbar wieder abflauen, um erneut anzuschwellen – die internationale Konterrevolution wird gnadenlos und die Opfer der Racheakte zahlreich sein, aber mit jeder `Revanche`gegen die Weltrevolution wird auch die internationale Konterrevolution ein weiteres Stück zersetzt und die Macht der Weltbourgeoisie unaufhaltsam dahinschwinden. Aber die Weltrevolutionäre dürfen sich heute nach 2 Weltkriegen, mitten in den permanent fortgesetzten Kriegen in der „Friedensperiode“ zwischen den Weltkriegen, nicht der Illusion hingeben, dass die Weltbourgeoisie und ihre Regierungen auf dieser Erde nicht mehr genug Rückzugsraum vorfinden, dass das System des Weltkapitalismus nicht noch eine ganze Weile überlebensfähig bleibt, dass die Weltmacht des Imperialismus im Wesentlichen noch eine gewisse Periode bestehen bleibt, und dass das Weltproletariat an der Spitze der Völker noch so manche internationale Schlacht zu schlagen hat, insbesondere gegen solche Kräfte in den eigenen Reihen, die dem Weltimperialismus erst diese Rückzugs- und Regenerationsräume für den nächsten Weltkrieg ermöglichen, dadurch dass sie Verrat am Weltproletariat, Verrat an den revolutionären Völkern üben. Wenn sich der Feind zurückzuziehen versucht, muss man ihn verfolgen – darf man ihm keine Atempause gönnen. Wenn der Feind sich vom Schlachtfeld zurückzieht, ist das nur der halbe Sieg. Je leichter sich der Gegener zurückziehen kann, desto schneller und gestärkter wird er auch wieder auf das Schlachtfeld zurückkehren – nur besser vorbereiten und ausgerüstet, wird unser Sieg nicht leichter zu erkämpfen sein, wenn wir nicht unsererseits noch besser vorbereitet und noch gerüsteter sein werden, um die Revolution auf der Welt immer wieder erneut zu entflammen. Der III. Parteitag der SDAPR war eines der ersten Initiativen für die Entflammung Europas, zur Entfaltung der Weltrevolution:

Der III. Parteitag der SDAPR beschloss im Mai 1905 `die Aufgabe, das Proletariat zum unmittelbaren Kampf gegen die Selbstherrschaft auf dem Wege des bewaffneten Aufstands zu organisieren`. (...) Zum ersten Mal in der Weltgeschichte war eine so hohe Stufe der Entwicklung und eine so große Stärke des revolutionären Kampfes erreicht, dass der bewaffnete Aufstand in Verbindung mit dem Massenstreik, dieser spezifischen proletarischen Waffe, in Erscheinung trat. Es ist klar, dass diese Erfahrung für ALLE proletarischen Revolutionen von überragender Bedeutung ist. (...) Durch die Massenstreiks und bewaffneten Aufstände wurde die Frage der revolutionären Macht und der Diktatur von selbst auf die Tagesordnung gestellt, denn diese Kampfmethoden führten unvermeidlich – zunächst im örtlichen Maßstab – zur Verjagung der alten Behörden, zur Ergreifung der Macht durch das Proletariat und die revolutionären Klassen, zur Vertreibung der Gutsbesitzer, mitunter zur Besetzung von Fabriken usw. usf. Der revolutionäre Massenkampf jener Zeit rief solche in der Weltgeschichte noch nie dagewesene Organisationen ins Leben wie Sowjets der Arbeiterdeputierten, sodann auch Sowjets der Soldatendeputierten, Bauernkomitees usw. Die Hauptfragen (Sowjetmacht und Diktatur des Proletariats), die heute im Mittelpunkt der Aufmerksamkeit der klassenbewussten Arbeiter der ganzen Welt stehen, waren somit bereits Ende 1905 praktisch gestellt worden“ ( Lenin, Band 31, Seite 333-334, „Geschichtliches zur Frage der Diktatur), dt. Ausgabe).

Die Ereignisse haben alle, selbst Leute die dem Marxismus gänzlich fernstehen, gelehrt, die Zeitrechnung der Revolution mit dem 9. Januar 1905 zu beginnen, d.h. mit der ersten bewusst politischen Bewegung von Massen, die einer bestimmten Klasse angehören“ (Lenin, Band 13, Seite 107). „Die `Koalition von Proletariat und Bauernschaft`, die in einer bürgerlichen Revolution siegt, ist nichts anderes als die revolutionär-demokratische Diktatur des Proletariats und der Bauernschaft (...) . Bei uns ist der Sieg der bürgerlichen Revolution als Sieg der Bourgeoisie unmöglich“ (Lenin, Band 15, Seite 45 und 46).

Es ist das weltgeschichtliche Verdienst des Bolschewismus, dass er in der Revolution von 1905 vom ersten Schritt an eine Strategie und Taktik des Kampfes entwickelte, die den Verhältnissen der neuen Epoche entsprachen und die Arbeiterklasse zur bewussten Erkenntnis der vor ihr stehenden historischen Aufgaben erzogen. Lenin notierte 1905 den Aufstand als internationalistische Aufgabe: Europa entflammen!“ (Lenin, Band 9, Seite 202). „Das Proletariat wird sich nicht mehr nur mit dem Mittel des friedlichen Streiks, sondern mit der Waffe in der Hand sowohl für Russlands als auch für Polens Freiheit erheben“ (Lenin, Band 10, Seite 9). Und Stalin wertete den proletarischen Aufstand, den revolutionären Aufstand der Soldaten und Matrosen ebenfalls als internationalistische, weltrevolutionäre Aktion:Der Aufstand der deutschen Flotte ist höchster Ausdruck der sich entfaltenden sozialistischen Weltrevolution in ganz Europa“ (Stalin- Geschichte der KpdSU).

Lenin bezeichnete 1905 Europa alsReserve der russischen Revolution. Die Zeiten sind vorüber, da die Völker und Staaten abgesondert voneinander leben konnten. Schaut euch um: Europa ist schon in Wallung. Seine Bourgeoisie ist bestürzt und bereit, Millionen und Milliarden herzugeben, nur um der Feuersbrunst in Russland Einhalt zu gebieten. Die Herrscher der europäischen Militärmächte erwägen eine militärische Unterstützung des Zaren. Wilhelm hat bereits einige Kreuzer und zwei Torpedoboots-Divisionen entsandt, um eine direkte Verbindung zwischen der deutschen Soldateska und Peterhof herzustellen. Die europäische Konterrevolution reicht der russischen Konterrevolution die Hand. Versuchen Sie es, versuchen Sie es, Bürger Hohenzollern! Auch wir haben eine europäische Reserve der russischen Revolution, die internationale revolutionäre Sozialdemokratie. Die Arbeiter der ganzen Welt begrüßen mit glühender Begeisterung den Sieg der russischen Arbeiter, und im Bewusstsein der engen Verbindung zwischen den Abteilungen der internationalen Armee des Sozialismus rüsten auch sie zum großen und entscheidenden Kampf“ (Lenin, Band 9, Seite 437). Dies ist eine bedeutsame und hervorragende Sichtweise Lenins, auf die sich die ganze weltproletarische Militärwissenschaft heute mehr denn je stützt, auf der die Notwendigkeit der Schaffung einer proletarischen revolutionären Weltarmee beruht! Und es werden sich schließlich umgekehrt die Reserven der sozialistischen Revolutionen in den einzelnen Ländern in Reserven der proletarischen sozialistischen Weltrevolution verwandeln. Lenin hat uns stets gemahnt, nie zu vergessen, dass der volle Sieg der Revolution in einem Land auf dem Bündnis des revolutionären Proletariats dieses oder jenes Landes mit den sozialistischen Arbeitern aller Länder beruht und engstens mit ihnen verknüpft ist sowie umgekehrt, dass der volle Sieg der Weltrevolution auf den siegreichen Revolutionen in den einzelnen Ländern beruht und eng mit ihnen verknüpft ist.

Lenin unterzog unzählige Aufstände einer materialistisch - historischen Analyse, verglich sie miteinander und arbeitete ihre Unterschiedlichkeit heraus, insbesondere untersuchte er die jeweiligen konkreten Ursachen und Entstehungsgeschichte von Aufständen, verallgemeinerte die Erfahrungen, die Gründe für Sieg und Niederlage und zog daraus für die konkrete Vorbereitung, Durchführung und Leitung von Aufständen wertvolle Schlussfolgerungen, gab taktische Direktiven praktisch-organisatorischen Charakters soohl für den Fall des Sieges als als auch für den Fall der Niederlage des Aufstandes, also für einen geordneten Rückzug – und Lenin erwies sich in dieser Hinsicht als bester Schüler von Marx und Engels. An den einzelnen Kämpfen und Ausbrüchen lernt das Volk, was Revolution ist – und Lenins vortreffliche Sache war es, nicht hinter den Aufgaben der Stunde zurückzubleiben, sondern stets imstande zu sein, die nächstfolgende, höhere Stufe des Kampfes aufzuzeigen, die Erfahrungen und Lehren der Vergangenheit und der Gegenwart zu verwerten und die Arbeiter und Bauern immer nachdrücklicher und eindringlicher aufzufordern, vorwärts, immer weiter vorwärts zu stürmen, bis zum vollständigen Sieg des Volkes. Und Lenin ging noch weiter: Er richtete sein Augenmerk auch auf die Revolutionen in Westeuropa und stellte die notwendigen Verbindungen des russischen Aufstandes mit der internationalen Sozialdemokratie her, um zu verhindern, dass die europäische Bourgeoisie die europäischen Völker zwingt, die Rolle der Henker der russischen Freiheit zu spielen“ (Lenin, Band 8, Seite 558).

So verurteilte Lenin im europäischen Maßstab, dass die russische Konterrevolution die nationalen Grenzen zu überschreiten versuchte und deswegen bedeutete für Leninjedes Abweichen von der [internationalistischen – Anmerkung des Verfassers] Aufgabe des Aufstandes (...) , jede Ausflucht vor der Notwendigkeit, sich am Aufstand zu beteiligen [ + jede Ausflucht vor der Notwendigkeit, sich gegen die Bekämpfung des Aufstandes von außen aktiv zu beteiligen - eben im Lenin`schen Sinne des proletarischen Internationalismus – Anmerkung des Verfassers], eine Kapitulation vor der Bourgeoisie, eine Verwandlung des Proletariats in ihren Trabanten. Das Proletariat hat noch nirgends in der Welt und noch kein einziges Mal die Waffen aus der Hand gegeben, wenn ein ernsthafter Kampf entbrannt war; es ist noch kein einziges Mal vor dem verfluchten Erbe der Unterdrückung und Ausbeutung zurückgewichen, ohne dass es seine Kräfte mit dem Feind gemessen hätte“ (Lenin, Band 9, Seite 255-56). „Vom Aufstand, von seiner Kraft, vom natürlichen Übergang zu ihm zu sprechen und nichts über die revolutionäre Armee zu sagen, ist Unsinn und Konfusion, und zwar um so mehr, je besser mobilisiert, die konterrevolutionäre Armee ist“ (Lenin, Band 9, Seite 365). Heute von Weltrevolution, von ihrer Kraft zu reden, vom natürlichen Übergang zu ihr sprechen, ohne etwas über die revolutionäre Weltarmee zu sagen, ist mit den Worten Lenins ausgedrückt ebenso Unsinn und Konfusion, und zwar um so mehr, je besser mobilisiert die internationale konterrevolutionäre Armee ist !! Und das ist ja wohl zweifellos der Fall wie man täglich sieht oder etwa nicht? Von den Weltrevolutionären wird die revolutionäre Weltarmee nur von denjenigen ignoriert, die hoffnungslos im Schlepptau der Revisionisten einhertrotten. Die Unverzichtbarkeit der revolutionären Weltarmee ist der einzig richtige, der marxistisch-leninistische Weg; jeder Weg ohne sie ist revisionistisch ! Der Erfolg der Weltrevolution hängt ab 1. von der weltrevolutionären Agitation und Organisation, von der moralischen Kraft und 2. von der materiellen Kraft , der revolutionären Weltarmee, wobei die erste Bedingung längst anerkannt, die zweite aber noch längst nicht anerkannt ist, ja man kann sagen, dass sie eigentlich und tatsächlich erst erkannt wurde von der Komintern/ML und insbesondere durch dieses Lehrbuch und... dass es bis zu ihrer vollständigen (praktischen) Anerkennung noch entscheidender Kämpfe in der Zukunft bedarf. Aber die revolutionäre Weltarmee wird kommen, daran kann kein Zweifel sein, und das wird niemand weder ignorieren noch verhindern können!

Lenin veranschaulichte treffend die Haltung der damaligen menschewistischen Opportunisten („Neuiskristen“) zum Aufstand, ( -* und wir sprechen ja heute auch von den Revisionisten als „Feuerlöscher der Revolution“ - ) indem Lenin folgenden Vergleich heranzog:

Anstatt das Feuer dadurch zu schüren, dass man die Fenster einschlägt und dem frischen Luftzug der Arbeiteraufstände Zutritt gewährt, mühen sie sich im Schweiße ihres Angesichts, Spielzeugblasebälge zu erfinden und die revolutionäre Glut der Oswoboshdenzen [ „Bund der Befreiung“ 1902-1905; Organisation der liberalen Bourgeoisie unter Führung von P. B. Struve; Kern der liberal-monarchistischen Kadettenpartei , die später Vertreterin der imperialistischen Bourgeoisie wurde – Anmerkung des Verfassers ] dadurch anzublasen, dass sie ihnen närrische Forderungen und Bedingungen stellen (...) Einen wirklichen und nicht eingebildeten Druck kann man nur durch den Aufstand ausüben. Sobald der Bürgerkrieg das ganze Land erfasst, wird der Druck durch militärische Gewalt, in offener Schlacht ausgeübt, und alle anderen Versuche, einen Druck auszuüben, sind hohle und erbärmliche Phrasen“ (Lenin, Band 9, Seite 254). [Und es muss nicht extra wieder angemerkt werden, dass dies auch auf die Aufstände in allen Ländern, auf den internationalen Bürgerkrieg, auf das offene internationale Schlachtfeld zutrifft, wovon Lenin immer wieder gesprochen hat].

Für die Bourgeoisie ist die präventive Feuerbekämpfung von Aufständen die effektivste. Kann sie das Ausbrechen eines Aufstandes trotzdem nicht verhindern, bekämpft sie zunächst das Zentrum des Brandherdes, bekämpft sie das Feuer da, wo es sich nährt, richtet sie sich gegen die „Rädelsführer“, „Aufrührer“ und „Brandstifter“, die das Feuer schüren, bekämpft sie die Organisierung der Aufständischen. Treten die Brandherde an unabhängigen Orten einer nach dem anderen auf, kann jeder auch einer nach dem anderen gelöscht werden, bevor es zur Vereinigung und Zusammenfassung aller Teilbrände kommt; einzeln sind die Ausbrüche machtlos, das weiß auch die Konterrevolution, also versucht sie Schneisen zu legen. Hat sich der Brand aber erst einmal im Volk ausgebreitet zu einem unaufhaltsamen Feuersturm, wird es immer schwerer und schließlich unmöglich sein, den Aufstand mit der „Feuerwehr“ zu bekämpfen, und dann mischt man sich unter das Volk, um es zu betrügen und von „unten“ bzw. von „innen“ her die erhitzten Gemüter zu besänftigen und wieder die Macht zurückzuerobern. Aufstände sind nicht gleich Aufstände und deswegen muss man genau wissen, welchen man schüren [nicht zu verwechseln mit künstlichem Schüren!) und welchen man aufhalten muss. Auch die Bourgeoisie hat im Laufe der Geschichte gelernt, dass sie mit selbst provozierten Aufständen die für sie tatsächlich bedrohlichen und gefährlichen Aufstände bekämpfen können, dass man ihnen zuvorkommen kann, so wie die Feuerwehr bestimmte Brände legt, Gegenfeuer entfacht, um die Ausbreitung des eigentlichen Brandes einzudämmen oder zu verhindern: kurz, den Aufstand mit der Waffe des „Aufstandes“ zu schlagen. 1. Alles vermeiden, um einen Aufstand zu provozieren; Konfliktvermeidungsstrategien 2. Alles tun, um den Aufstand zu provozieren, um die Konzentration und Zentralisierung der aufständischen Kräfte vor der Entscheidungsschlacht aufzureiben und in die Organisierung mit Saboteuren und Provokateuren einzudringen – die Konterrevolution als „l` agent provocateur“. 3. Erbarmungslose Hetzjagd auf die niedergeschlagenen Aufständischen – Rachefeldzug; „Lehre erteilen“; dann wieder bis zum nächsten Aufstand 1.; 2.; 3.; usw.usf.

Ist die gesamte Bevölkerung zum „inneren Risiko“ geworden, sind Polizei und Armee auf sich allein gestellt schnell am Ende ihres „Lateins“. Mit Verfolgung revolutionärer Agitatoren kommt die Regierung nicht weiter, also schickt die Bourgeoisie ihre eigenen Gegenagitatoren ins Volk und hetzt die Medien gegen sie auf. Revolutionäre Organisationen unterdrücken, damit kann sich die Regierung nicht mehr begnügen, also organisiert sie selber ihre konterrevolutionären Verbände. Der Aufstand zwingt die Regierung nicht nur zu zittern, sondern Gegenrevolutionen zu inszinieren, und so organisiert die Konterrevolution ihre eigenen Aufstände, entfesselt sie den Bürgerkrieg. Aus Angst vor der Revolution greift die Regierung selber zu Waffen der Revolution: zur Organisation, zur Propaganda und Agitation. Mit diesem zweischneidigen Schwert, mit der die Regierung Schauspiele der Volksempörung inszeniert, maskiert sie ihren Faschismus/Sozialfaschismus, richtet sie ihren Staatsterror „legal“ gegen das aufständische Volk. Unterdrückung erzeugt bekanntlich den Kampf gegen die Unterdrückung, und der Kampf gegen die Unterdrückung erzeugt wiederum Gegenunterdrückung – ohne Revolution keine Gegenrevolution, ohne bewaffnete Gegenrevolution keinen bewaffneten revolutionären Kampf etc. Nun hat es in der Geschichte nicht wenige Beispiele gegeben, wo sich ausgerechnet die Konterrevolution der Kunst des Aufstandes bedient hat, um damit der Revolution zuvorzukommen und sie zu erwürgen, bevor sie ausbricht. All das muss stets auf die internationale Leinwand projeziert werden, denn die Weltbourgeoisie ist schon lange zur ihrer mehr oder weniger koordinierten internationalen Brandbekämpfung übergegangen, wird sie ihre Anstrengungen auf diesem Gebiet mit allergrößter Wahrscheinlichkeit weiter erhöhen – und zwar in dem Masse, wie die revolutionären Brände sich internationalisieren.

Schwer und mühselig ist der Weg der russischen Revolution. Jedem Aufschwung, jedem Teilerfolg folgt eine Niederlage, folgt Blutvergießen, folgen wüste Ausschreitungen der Selbstherrschaft gegen die Freiheitskämpfer. Doch nach jeder `Niederlage` wird die Bewegung immer breiter, der Kampf immer umfassender, die Masse der Klassen und Gruppen des Volkes, die in den Kampf hineingezogen werden und an ihm mitwirken, immer größer. Jedem Ansturm der Revolution, jedem Schritt vorwärts in der Organisierung der streitbaren Demokratie folgt ein geradezu wütender Ansturm der Reaktion, folgt ein Schritt vorwärts in der Organisierung der Schwarzhunderterelemente im Volk, jedesmal wächst die Unverfrorenheit der Konterrevolution, die verzweifelt um ihr Dasein kämpft. Aber die Kräfte der Reaktion schwinden trotz aller ihrer Anstrengungen unaufhaltsam. Auf die Seite der Revolution tritt ein immer größerer Teil der Arbeiter, Bauern und Soldaten, die gestern noch indifferent waren oder im Lager der Schwarzhunderter standen. Illusion um Illusion wird zerstört, immer mehr fallen die Vorurteile, die das russische Volk zu einem vertrauensseligen, geduldigen, treuherzigen, ergebenen, alles ertragenden und alles vergebenden Volk machten. Der Selbstherrschaft sind zahlreiche Wunden geschlagen, aber sie ist noch nicht tot. Sie steckt vom Kopf bis zu den Füßen in Binden und Bandagen, aber sie hält sich noch aufrecht, lebt noch, ja sie schlägt um so wütender um sich, je mehr sie blutet“ (Lenin, Band 11, Seite 122).

Mit provozierten Aufständen hat die Bourgeoisie schon bereits im 19. Jahrhundert ausprobiert, welche Wirkung ein kleiner „Aderlass“ hat. Zum blutig niedergeschlagenen Arbeiteraufstand vom Juni 1848 sagte Engels:

Es war das erste Mal, dass die Bourgeoisie zeigte, zu welcher wahnsinnigen Grausamkeit der Rache sie aufgestachelt wird, sobald das Proletariat es wagt, ihr gegenüber als aparte Klasse mit eigenen Interessen und Forderungen aufzutreten. Und doch war 1848 noch ein Kinderspiel gegen ihr Wüten von 1871“ (Engels, MEW, Band 22, Seite 190).

Lenin verglich u.a. die Lehren aus der französischen Umwälzung der bürgerlichen Demokratie 1789 mit den Aufständen in Deutschland in den Jahren 1848 und 1849 und stellte fest, dass sie in Frankreich verwirklicht wurde, aber in Deutschland unvollendet blieb. Diese Besonderheiten sind auch der Bourgeoisie nicht unbekannt gewesen. Lenin kritisierte daher gerade solche bürgerlichen Schreiberlinge, die nur deswegen den deutschen Weg gegenüber dem französischen Weg vorzogen, weil sie von der Konterrevolution leichter einzudämmen waren. In den Jahren 1848 und 1849 gab es in Deutschland eine ganze Reihe von Aufständen und sogar provisorischen revolutionären Regierungen. Doch keiner dieser Aufstände war völlig siegreich. Der erfolgreichste Aufstand, der Berliner Aufstand vom 18. Märt 1848, endete nicht mit dem Sturz der Königsmacht, sondern mit Zugeständnissen des an der Macht gebliebenen Königs, der sich von der Teilniederlage sehr rasch erholen und alle diese Zugeständnisse zurücknehmen konnte. Der gelehrte Historiker der Bourgeoisie fürchtet also nicht die Aufstände des Volkes. Er fürchtet den Sieg des Volkes. Er fürchtet nicht, dass das Volk der Reaktion, der Bürokratie, der ihm verhassten Bürokratie, einen kleinen Denkzettel geben könnte. Er fürchtet den Sturz der reaktionären Macht durch das Volk. Er hasst die Selbstherrschaft und wünscht von ganzem Herzen ihren Sturz, Russlands Untergang aber erwartet er nicht von der Erhaltung der Selbstherrschaft, nicht von der Vergiftung des Volksorganismus durch das langsame Verfaulen des nicht abgetöteten Parasiten der monarchistischen Regierungsmacht, sondern vom vollen Sieg des Volkes“ (Lenin, Band 9, Seite 237).

Die Konterrevolution hat schon so manchen Aufstand provoziert und so manche Arbeiterklasse hat diesen Provokationen nicht widerstanden, so die Provokation eines rumänischen Bergarbeiteraufstandes zum Schutz des sozialfaschistischen Regimes gegenüber der rumänischen Bewegung für das ausländische Kapital. Das rumänische Proletariat hätte zunächst das eigene sozialfaschistische Regime stürzen und sogleich den revolutionären Kampf gegen die Vertreter des ausländischen Kapitals aufnehmen müssen. Die Arbeiterklasse kann sich weder auf die eine noch auf die andere Seite stellen, sie kann sich nur auf den Standpunkt ihrer eigenen Interessen stellen, wenn sie sich für den Weg des Aufstandes entschlossen hat.Proletarierblut ist zu kostbar, als dass man es ohne Not und ohne Hoffnung auf den Sieg vergießen dürfte“ (Lenin, Band 10, Seite 439). Die vom Geheimdienst provozierten Aufstände haben das Blut der Arbeiter somit nur vergossen, um sie noch tiefer ins Elend zu stürzen und der arbeiterfeindlichen Regierung noch fester in den Sattel zu helfen. Doch diese aufständischen Arbeiter sind durch eine harte Schule gegangen, in der sie gestählt und desillusioniert wurden. Es sind gerade diese aufständischen Arbeiter, die zukünftigen Provokationen am diszipliniertesten widerstehen werden. Die Beseitigung der Desillusionen, die ein provozierter Aufstand bei den Arbeitern hinterlassen hat, ist die erste Voraussetzung für den Sieg eines jeden erneuten Aufstandes, der sich ausschließlich auf die Selbständigkeit und auf die eigenen Kräfte der Aufständischen stützt, die sich nicht missbrauchen und nicht wieder in feindliches Gewässer manövrieren lassen, auch wenn es mit roter Tarnfarbe überstrichen ist.

Wir revolutionären Sozialdemokraten erblicken in den Aufstandsversuchen den Beginn des Aufstandes der Massen, einen missglückten, verfrühten, unrichtigen Beginn, aber wir wissen, dass die Massen den erfolgreichen Aufstand nur an Hand der Erfahrung missglückter Aufstände erlernen (...) Die durch die Kaserne am ärgsten eingeschüchterten Arbeiter und Bauern haben begonnen, sich zu erheben – so sagen wir. Daraus ergibt sich die klare und direkte Schlussfolgerung: man muss ihnen erläutern, um welcher Ziele willen und wie der erfolgreiche Aufstand vorzubereiten ist.

Die Liberalen urteilen anders: Die Soldaten werden zu `verzweifelten Protestausbrüchen` `getrieben` , sagen sie. Für die Liberalen ist der aufstämdische Soldat nicht Subjekt der Revolution, nicht der erste Vorbote der sich erhebenden Massen, sondern ein Objekt der Regierungswillkür (`man treibt ihn zur Verzweiflung`), das zur Demonstrierung dieser Willkür dient. Seht, wie schlecht unsere Regierung ist, dass sie die Soldaten zur Verzweiflung treibt und sie dann mit der Kugel zur Ruhe bringt – sagt der Liberale. (Schlussfolgerung: Seht ihr, wenn wir Liberalen an der Macht wärem, so gäbe es bei uns keine Soldatenaufstände.)

Seht, wie die revolutionäre Energie im Schoße der breiten Massenm heranreift – sagt der Sozialdemokrat-, wenn sogar die durch den Kasernenhofdrill niedergedrückten Soldaten und Matrosen sich zu erheben beginnen und dadurch, dass sie ihren Aufstand schlecht machen, lernen, wie man einen erfolgreichen Aufstand macht“ (Lenin, Band 18, Seite 374; 1912).

Jeder Aufstand, der mit einer Niederlage endet, bereitet den nächsten Aufstand vor, schafft sich die Bedingungen, die notwendig sind für einen erfolgreichen Ausgang des nächsten Aufstandes, lässt ungelöste Widersprüche offen, die sich verschärfen und erneut jene revolutionäre Situation heranreifen lassen, die einen erneuten Aufstand unvermeidlich macht. Solch eine günstige Situation sah Lenin 1905 gegeben, als sich Russland in einem volksfeindlichen Krieg befand und als der asiatische Konservatismus der Selbstherrschaft seine Fratze zeigte (siehe Lenin, Band 8, Seite 389).

Wann wird die taktische Losung des Aufstandes wieder von der Tagesordnung gestrichen?

Die Frage, wann die aufständischen proletarischen Kräfte „erschöpft“ sind, wann die Losung des Aufstandes abgesetzt werden müsse, ist eine äußerst wichtige und ernste Frage, die die Partei klipp und klar zu beantworten hat. Der Zeitpunkt der Absetzung der Losung des bewaffneten Aufstandes ist mindestens genauso wichtig wie der Zeitpunkt ihres Ausgebens – manchmal sogar noch wichtiger, was – wie die Erfahrung zeigt – häufig falsch eingeschätzt bzw. unterschätzt wird. Deswegen hat sich Lenin intensiv mit dieser Frage beschäftigt und sie nicht dem Zufall, nicht der spontanen Bewegung überlassen, sondern ist wissenschaftlich an diese Frage herangegangen durch ökonomische Analyse, durch Feststellung der politischen Bestrebungen der verschiedenen Klassen, durch Untersuchung der Bedeutung der ideologischen Strömungen. Erst wenn all das bewiesen ist, werden wir alle Reden über den Aufstand für Phrasendrescherei erklären“ (Lenin, Band 11, Seite 349). Lenin bestand darauf hinzuweisen,dass es unsere Pflicht ist, den spontanen Aufstand in einen planmäßigen Aufstand umzuwandeln, indem wir zäh und beharrlich, im Laufe langer Monate oder vielleicht sogar Jahre an dieser Umwandlung arbeiten, nicht aber, uns vom Aufstand loszusagen, wie das alle möglichen Judasse tun“ (ebenda, Seite 350).

Nur wegen einer vorübergehend resignativen, gedrückten Stimmung, wegen einer Verschnaufpause darf man nicht den bewaffneten Aufstand von der Tagesordnung streichen. Erst dann, als Marx die unausbleibliche `Erschöpfung` der `wirklichen Revolution` sah – erst dann änderte er seine Ansicht. Und nachdem er seine Meinung geändert hatte, forderte er direkt ind offen, die Taktik grundlegend zu ändern und die Vorbereitung des Aufstandes völlig einzustellen“ (Lenin, Band 10, Seite 129). „Die äußere Ähnlichkeit der Dezemberniederlage der Arbeiter in Moskau mit der Juniniederlage der Arbeiter in Paris (1848) steht außer Zweifel. Hier wie dort wurde der bewaffnete Aufstand der Arbeiter von der Regierung `provoziert`, ehe die Arbeiterklasse genügend organisiert war. Hier wie dort siegte die Reaktion trotz des heroischen Widerstands der Arbeiter“ (Lenin, Band 10, Seite 130-131). Lenin unterstützte die Schlussfolgerungen, die der damals noch revolutionäre Kautsky aus einem Vergleich des russischen und französischen Aufstandes zog:

Vier grundlegende Unterschiede sieht Kautsky zwischen der Pariser Niederlage (1848) und der Moskauer Niederlage (1905) des Proletariats.

Erstens, die Niederlage von Paris war die Niederlage ganz Frankreichs. Nichts degleichen kann man von Moskau sagen. Die Arbeiter von Petersburg, Kiew, Odessa, Warschau und Lodz stehen noch ungebrochen da. Wenn auch von dem furchtbar schweren kampf erschöpft, der sich nun schon ein volles Jahr hinzieht, sind sie dennoch nicht entmutigt und sammeln nur Kräfte, um das Ringen um die Freiheit von neuem aufzunehmen.

Zweitens, ein noch wesentlicherer Unterschied besteht darin, dass die Bauern 1848 in Frankreich auf Seiten der Reaktion standen, während sie 1905 in Russland auf Seiten der Revolution stehen. Bauernaufstände lodern. Ganze Armeen sind aufgeboten, sie zu unterdrücken. Diese armeen verwüsten das Land, wie nur Deutschland im Dreißigjährigen Krieg verwüstet wurde. Die militärischen Exekutionen mögen die Bauern eune Zeitlang einschüchtern, aber sie vermehren nur ihr Elend, machen ihre Lage noch auswegloser. Sie werden unvermeidlich, ähnlich den Verwüstungen des Dreißugjährigen krieges, immer wieder neue Menschenmassen erzeugen, die genötigt sind, der bestehenden Ordnung den Krieg zu erklären, die das Land nicht zur Ruhe kommen lassen und bereit sind, sich jedem Aufstand anzuschließen.

Der dritte, außerordentlich wichtige Unterschied ist der Folgende: Die Revolution von 1848 war vorbereitet worden durch die Krise und die Hungersnot von 1847. Die Reaktion stützte sich auf das Ende der krise und den Aufschwung der Industrie. `Das jetzige Schreckensregiment in Rusland muss dagegen zur Verschärfung der wirtschaftlichen Depressopn führen, die seit Jahren auf dem Lande lastet`. Die Hungersnot von 1905 wird sich erst in den kommenden Monaten voll auswirken. Die Niederwerfung der Revolution ist ein großer Bürgerkrieg, ein Krieg gegen das ganze Volk. Dieser Krieg ist nicht minder kostspielig als der auswärtige Krieg, wobei er kein fremdes. Sondern das eigene Land zerstört. Ein finanzieller Zusammenbruch steht bevor. Und außerdem drohen die neuen Handelsverträge Russlands stärkstens zu erschüttern, ja sie können eine allgemeine ökonomische Weltkrise hervorrufen. Je länger also die Schreckensherrschaft der Reaktion dauert, desto verzweifelter wird die ökonomische Lage des Landes, desto gewaltiger schwillt die Empörung gegen das fluchwürdige Regime an. `Das ist eine Situation`, sagt Katsky,`die jede kraftvolle Erhebung gegen den Zarismus unwiderstehlich macht. Und an dieser Erhebung wird es nicht fehlen. Dafür wird das proletariat Russlands sorgen, das schon so viele herrliche Proben seines heldenmutes und seiner Selbstlosigkeit abgelegt hat`.

Der vierte von Kautsky aufgezeigte Unterschied ist für die russischen Marxisten von besonderem Interesse. Bei uns ist augenblicklich leider ein zahnloses, im Grunde rein kadettisches Gekicher über `Brownings` und `Kampfgruppen` im Schwange. Zu sagen, der Aufstand sei aussichtslos und es habe keinen Sinn mehr, ihn vorzubereiten, diese von Marx bewiesene Kühnheit und Offenheit bringt niemand auf. Aber über die militärischen Aktionen der Revolutionäre zu kichern, lieben wir sehr. Wir nennen uns Marxisten, aber vor einer Analyse der militärischen Seite des Aufstands (der Marx und Engels stets große Bedeutung beigemessen haben) drücken wir uns lieber, indem wir mit unnachahmlich erhabenem Doktrinarismus erklären: `Man hätte nicht zu den Waffen greifen sollen`. Kautsky verfährt anders. Wie wenig Angaben er zunächst auch über den Aufstand besaß, ist er dennoch bemüht, sich auch in die militärische Seite der Frage hineinzudenken. Er ist bemüht, die Bewegung als eine neue, von den Massen erarbeitete Form des Kampfes zu würdigen und nicht so, wie unsere revolutionären Kuropatkins [Prototyp eines Niederlagenstrategen – Anmerkung bei Lenin] Schlachten beurteilen: Was man dir gibt, das nimm; wenn man dich schlägt, dann laufe; und bist du geschlagen worden, nun, so hätte man eben nicht zu den Waffen greifen sollen!“ (Lenin, Band 10, Seite 131-132).

Die demokratische Revolution in Russland flaut keineswegs ab, sondern geht im Gegenteil einem neuen Aufschwung entgegen und die jetzige Periode verhältnismäßiger Ruhe ist nicht als eine Niederlage der revolutionären Kräfte zu betrachten, sondern als eine Periode der Sammlung revolutionärer Energie, der Aneignung aller politischen Erfahrungen der durchlaufenen Stadien, der Einbeziehung neuer Volksschichten in die Bewegung und folglich der Vorbereitung eines neuen, noch machtvolleren revolutionären Ansturms“ (Lenin, Band 10, Seite 143). „Wir müssen die Erfahrungen der Aufstände in Moskau, im Donezbecken, in Rostow und anderswo sammeln, diese Erfahrungen verbreiten, beharrlich und geduldig neue Kampfkräfte vorbereiten und sie in einer Reihe von Kampfaktionen der Partisanenschulen und stählen. Vielleicht wird der neue Ausbruch im Frühjahr noch nicht erfolgen, aber er rückt heran und ist aller Wahrscheinlichkeit nach nicht all zu fern. Er muss uns bewaffnet, militärisch organisiert und zu entscheidenden Angriffsaktionen befähigt finden“ (Lenin, Band 10, Seite 106). Das waren die Schlussfolgerungen Lenins aus den Aufständen – noch bessere Vorbereitung für die kommenden Aufstände treffen!Sorgen wir dafür, dass die neue Woge das russische Proletariat in neuer Kampfbereitschaft vorfindet“ (Lenin, Band 10, Seite 108).

Es ist möglich und vielleicht sogar am wahscheinlichsten, dass infolge der wachsenden Erregung und im Anschluss an einen der unvermeidlichen plötzlichen Ausbrüche der neue Kampf ebenso spontan und unerwartet wie die früheren Kämpfe entbrennen wird. Wenn das der Fall ist, wenn sich ein solcher Gang der Entwicklung uls unvermeidlich abzeichnet, dann werden wir auch keine Entscheidung über den Zeitpunkt der Aktion zu treffen brauchen, dann wird unsere ganze Aufgabe darin bestehen, unsere Agitation und unsere organisatorische Arbeit in allen oben aufgezeigten Richtungen zu verzehnfachen.

Vielleicht werden indes die Ereignisse von uns, den Führern, verlangen, dass wir den Zeitpunkt der Aktion bestimmen. Sollte dem so sein, so würden wir raten, die Aktion im gesamtrussischen Rahmen, den Streik und den Aufstand, auf das Ende des Sommers oder den Anfang des Herbstes, auf Mitte oder Ende August, anzusetzen. Es würde wichtig sein, die Bausaison in den Städten und die Beendigung der sommerlichen Feldarbeiten auszunutzen. Wenn es gelänge, eine Verständigung aller einflussreichen revolutionären Organisationen und Verbände über den Zeitpunkt der Aktion zu erzielen, dann wäre die Möglichkeit nicht ausgeschlossen, eben zu der angesetzten zeit die Aktion zu beginnen. Ein gleichzeitiger Kampfbeginn in ganz Russland wäre ein gewaltiger Vorteil. Es hätte sogar wahrscheinlich keine verhängnisvolle Bedeutung, wenn die Regierung vom Zeitpunkt des Streiks unterrichtet wäre, handelt es sich doch nicht um eine Verschwörung, nicht um einen militärischen Überfall, der überraschend durchgeführt werden muss. Auf die Truppen in ganz Russland hätte es wahrscheinlich besonders demoralisierende Wirkung, wenn sie Woche um Woche der Gedanke beunrihigen würde, dass der Kampf unvermeidlich ist, wenn man sie wochenlang in Bereitschaft hielte, während die verschiedensten Organisationen zusammen mit einer Masse von `parteilosen` Revolutionären ihre Agitation immer zielbewusster betrieben (...) Vereinzelte und gänzlich nutzlose Ausbrüche, wie `Revolten` der Soldaten und hoffnungslose Aufstände der Bauern, könnten vielleicht verhindert werden, wenn das gesamte revolutionäre Russland fest an die Unvermeidlichkeit dieses großen allgemeinen Kampfes glaubte. Wir wollen jedoch wiederholen, dass dies nur im Falle einer vollen Verständigung aller einflussreichen Organisationen möglich ist. Andernfalls bleibt der alte Weg des spontanen Anwachsens der Erregung. (...) Die Wahrscheinlichkeit der Verschmelzung aller Teilaufstände zu einem allgemeinen Aufstand wird größer [auch im internationalen Maßstab !! – Anmerkung des Verfassers]. (...) Unsere Aufgabe ist es, die breiteste Agitation für den gesamtrussischen Aufstand zu entfalten, die hiermit zusammenhängenden politischen und organisatorischen Aufgaben zu erklären, alle Kräfte anzuspannen, so dass jedermann die Unvermeidlichkeit dieses Aufstandes erkennt, jedermann die Möglichkeit des gemeinsamen Ansturms sieht, so dass man nicht mehr zur `Revolte` schreitet, nicht zur `Demonstration` , zu einfachen Streiks und Demolierungen, sondern zum Kampf um die Macht, zum Kampf, dessen Ziel der Sturz der Regierung ist.“ (Lenin, Band 11, Seite 116-117). Für den Fall, dass es möglich ist, einen Aufschub von vorzeitigen Teilaufständen zu erreichen, sollte man dies unbedingt tun. Andernfalls, wenn darauf kein Einfluss mehr genommen werden kann, dann muss man diese Teilaufstände natürlich tatkräftig unterstützen, um zu erreichen, dass der Teilaufstand sich zum allgemeinen Aufstand ausweitet. So ist Lenin auch an den Aufstand von Sveaburg herangegangen (siehe Lenin, Band 11, Seite 118).

Lenin war im März 1906 nicht bereit, den Aufstand von der Tagesordnung zu streichen und bekämpfte die menschewistische „Resolution gegen den bewaffneten Aufstand“, weil er die Revolution als permanenten Prozess auffasste, der unter den sich verändernden Bedingungen durch neue Kampfmethoden unbedingt fortgesetzt werden müsse. Lenin war dafür, den Bürgerkrieg zu proklamieren und stellte deshalb die Losung der Vorbereitung, Durchführung und Überleitung defensiven zu offensiven Kampfformen des bewaffneten Aufstandes auf:

1. Der bewaffnete Aufstand ist gegenwärtig nicht nur ein notwendiges Mittel des Kampfes um die Freiheit, sondern eine faktisch schon erreichte Stufe der Bewegung, eine Stufe, die Kraft des Heranwachsens und der Zuspitzung einer neuen politischen Krise den Übergang von defensiven zu offensiven Formen des bewaffneten Kampfes einleitet;

2. Der politische Generalstreik ist im gegenwärtigen Zeitabschnitt der Bewegung nicht so sehr als ein selbständiges Kampfmittel denn vielmehr als ein Hilfsmittel für den Aufstand [hervorgehoben vom Verfasser] zu betrachten; daher ist es wünschenswert, die Wahl des Zeitpunkts für einen solchen Streik, die Wahl des Ortes und der Arbeitszweige, die er erfassen soll, dem Zeitpunkt und den Bedingungen der Hauptform des Kampfes, des bewaffneten Aufstands, unterzuordnen [hervorgehoben vom Verfasser];

3. In der Propaganda- und Agitationsarbeit der Partei muss verstärkte Aufmerksamkeit darauf gerichtet werden, die praktischen Erfahrungen des Dezemberaufstandes zu studieren, seine militärische Seite zu kritisieren und die unmittelbaren Lehren für die Zukunft zu ziehen;

4. Es ist eine noch energischere Tätigkeit zu entfalten, um die Zahl der Kampfgruppen zu vergrößern, ihre Organisation und ihre Versorgung mit Waffen aller Art zu verbessern, wobei die Kampfgruppen, wie die Erfahrunge gelehrt hat, nicht nur aus Mitgliedern der Partei, sondern auch aus mit ihr Sympathisierenden oder völlig Parteilosen organisiert werden müssen;

5. Es ist notwendig, die Arbeit in den Truppen zu verstärken, wobei man im Auge behalten muss, dass für den Erfolg der Bewegung die Gärung in den Truppen allein nicht genügt, sondern dass eine direkte Verständigung mit organisierten, revolutionär-demokratischen Elementen der Truppe zwecks entschiedenster offensiver Aktionen gegen die Regierung erforderlich ist;

6. Im Hinblick auf die anwachsende Bauernbewegung, die in nächster Zukunft zu einem richtigen Aufstand entflammen kann, ist es wünschenswert, dass Anstrengungen gemacht werden, um ein einheitliches Vorgehen der Arbeiter und der Bauern herbeizuführen und möglichst gemeinsame und gleichzeitige Kampfaktionen zu irganisieren“ (Lenin, Band 10, Seite 145).

Die Lehren aus dem ersten russischen Bauernaufstand von 1902 zog Lenin wie folgt:

Die klassenbewussten Arbeiter werden aus allen Kräften bemüht sein, den Bauern klarzumachen, warum der erste Bauernaufstand (1902) niedergeschlagen worden ist und was man tun muss, damit die Bauern und Arbeiter und nicht die Zarenknechte den Sieg davontragen. Der Baiernaufstand wurde niedergeschlagen, weil er der Aufstand einer unwissenden, unbewussten Masse war, ein Aufstand ohne bestimmte, klare politische Forderungen, d.h. ohne die Forderung, die Staatsordnung zu ändern. Der Bauernaufstand wurde niedergeschlagen, weil er nicht vorbereitet war. Der Bauernaufstand wurde niedergeschlagen, weil die Proletarier der Dörfer mit den Proletariern der Städte noch nicht verbündet waren. Das sind drei Ursachen des ersten Misserfolgs der Bauern. Für einen erfolgreichen Aufstand ist es notwendig, dass er eine bewusste und vorbereitete Aktion ist, dass er ganz Russland erfasst und im Bunde mit den städtischen Arbeitern unternommen wird. (...) Die Bauernaufstände werden aufhören, gefühlsmäßige Ausbrüche zu sein, sobald immer größere Massen des Volkes das verstehen werden“ (Lenin, Band 6, Seite423 und 424). „Dem Bauernaufstand müssen wir auf jede Art und Weise helfen, bis zur Konfiskation der Ländereien einschließlich – aber durchaus nicht bis zu allerlei kleinbürgerlichen Projekten einschließlich. Wir unterstützen die Bauernbewegung, soweit sie revolutionär-demokratisch ist. Wir bereiten uns vor (und zwar sofort, unverzüglich), sie zu bekämpfen, sobald sie sich als reaktionär, als antiproletarisch entpuppen wird. Der ganze Sinn des Marxismus liegt in dieser doppelten Aufgabe, die nur von Leuten, die den Marxismus nicht verstehen, vereinfacht und zu einer einheitlichen und gewöhnlichen Aufgabe verflacht werden kann“ (Lenin, Band 9, Seite 231). „Wir werden mit allen Kräften der gesamten Bauernschaft helfen, die demokratische Revolution zu vollbringen, damit es uns, der Partei des Proletariats, um so leichter sei, möglichst rasch zu einer neuen und höheren Aufgabe, zur sozialistischen Revolution, überzugehen. Wir versprechen nach dem Siege des jetzigen Bauernaufstands keinerlei Harmonie, keinerlei Ausgleichung und keinerlei `Sozialisierung`, im Gegenteil, wir `versprechen` neuen Kampf, neue Ungleichheit und eine neue Revolution. (...) Wir sind für den Aufstand der Bauernschaft.(...) Es lebe der Aufstand gegen die Selbstherrschaft in Stadt und Land! Es lebe die revolutionäre Sozialdemokratie, die Vorhut der gesamten revolutionären Demokratie in der gegenwärtigen Revolution!“ (ebenda, Lenin, Band 9, Seite 233 und 234).

Lenin hob hervor, dass das Bündnis zwischen der Bauernschaft und dem proletariat die ganze Periode der russischen Revolution 1905 – 1907 beherrscht hat:

Der Oktoberstreik und der Dezemberaufstand wie die örtlichen Bauernaufstände und die Aufstände der Soldaten und Matrosen waren eben das `Bündnis der Kräfte` des Proletariats und der Bauernschaft. Dieses Bündnis kam spontan zustande, hatte noch keine bestimmte Form und wurde oft unbewusst geschlossen. Diese Kräfte waren noch recht unorganisiert, zersplittert, entbehrten einer wirklich leitenden zentralen Führung usw, aber die Tatsache des `Bündnisses der Kräfte` des Proletariats und der Bauernschaft als die Hauptkräfte, die in die alte Selbstherrschaft eine Bresche schlugen, kann nicht mehr bestritten werden“ ( Lenin, Band 15, Seite 332).

Und im Zusammenhang mit der Revolution von 1905 verband Lenin die Ziele des allgemeinen Aufstandes mit der Forderung derVertreibung der Gutsbesitzer und die Inbesitznahme ihrer Ländereien. Zweifellos müssen die Bauern noch vor der Entscheidung der vom Volke gewählten konstituierenden Versammlung bestrebt sein, den gutsherrlichen Grundbesitz faktisch zu beseitigen. Darüber braucht man nicht viel Worte zu verlieren, weil sich wohl niemand einen Bauernaufstand vorstellen kann, bei dem nicht mit den Gutsbesitzern abgerechnet und nicht ihr Land in Besitz genommen würde. Es versteht sich, dass es um so seltener zur Vernichtung von Baulichkeiten, Inventar, Vieh usw. kommen wird, je bewusster und je besser organisiert dieser Aufstand ist. Vom militärischen Standpunkt aus sind Zerstörungen, die bestimmten militärischen Zwecken dienenz.B. das Niederbrennen von Gebäuden oder manchmal auch von Inventar - , Maßregeln, die durchaus gerechtfertigt und in bestimmten Fällen unerlässlich sind [unterstrichen vom Verfasser]. Nur Pedanten (oder Volksverräter) können es besonders beklagen, dass die Bauern stets zu solchen Mitteln greifen. Aber es hat keinen Zweck, die Augen davor zu verschließen, dass die Zerstörung von Gebäuden und Inventar mitunter nur eine Folge der Unorganisiertheit ist, der Unfähigkeit, vom Eigentum des Feindes Besitz zu ergreifen und es festzuhalten, anstatt es zu zerstören – oder eine Folge der Schwäche, wenn nämlich der Kämpfende sich an seinem Gegner rächt, weil er nicht die Kraft hat, ihn vernichtend zu schlagen. Wir müssen natürlich in unserer Agitation den Bauern einerseits auf jede Art und Weise klarmachen, dass der erbarmungslose Kampf gegen den Feind – bis zur Zerstörung seines Eigentums – völlig rechtmäßig und notwendig ist, andererseits aber ihnen zeigen, dass, abhängug vom Grade der Organisiertheit, ein bedeutend vernünftigerer und vorteilhafterer Ausgang möglich ist: die Ausrottung des Feindes (der Gutsbesitzer und der Beamten, insbesondere der Polizei) und die Übergabe allen Eigentums in den Besitz des Volkes oder in den Besitz der Bauern ohne jede Zerstörung (oder bei möglichst geringer Zerstörung) dieses Eigentums“ (Lenin, Band 11, Seite 110). Dass der Grad der Organisiertheit im internationalen Maßstab am höchsten sein muss, dass dies eine noch viel scherere Aufgabe ist und noch größerer Anforderungen und Anstrengungen bedarf, braucht wohl nicht näher begründet zu werden.



Was die Soldatenaufstände der Jahre 1905/1906 anbelangte, so stellte er deren Niederlagen in den Zusammenhang mit der sozialen Zusammensetzung der Soldaten: Man nehme die Soldatenaufstände der Jahre 1905/1906. Ihrer sozialen Herkunft nach stammten diese Kämpfer unserer Revolution aus der Bauernschaft und dem Proletariat. Das letztere bildete die Minderheit; darum zeigt die Bewegung innerhalb des Heeres auch nicht annähernd jene Geschlossenheit im Maßstab ganz Russlands, nicht jenes Parteibewusstsein, wie das Proletariat es an den Tag legte, das wie auf einen Wink mit dem Zauberstab sozialdemokratisch wurde. Andererseits ist nichts irriger als die Auffassung, die Soldatenaufstände seien misslungen, weil es an Führern aus dem Offizierskorps gefehlt hätte. Im Gegenteil, der gigantische Fortschritt der Revolution seit den Zeiten der `Narodnaja Wolja` äußerte sich gerade darin, dass der `Muschkote` , dessen Selbständigkeit die liberalen Gutsherren und das liberale Offizierskorps so sehr erschreckte, zur Waffe gegen die Obrigkeit griff. Der Soldat war voller Sympathie für die Sache der Bauern; seine Augen leuchteten auf, sobald nur ein Wort vom Boden fiel. So manches Mal ging die Befehlsgewalt in der Truppe in die Hände der Soldatenmasse über, aber entschlossen ausgenutzt wurde diese Gewalt fast nie; die Soldaten schwankten; einige Tage, mitunter wenige Stunden, nachdem sie irgendeinen verhassten Vorgesetzten getötet hatten, setzten sie die anderen wieder auf freien Fuss, nahmen Verhandlungen mit den Behörden auf und ließen sich dann erschießen, sich mit Ruten auspeitschen, sich wieder ins Joch spannen (...)“ (Lenin, Band 15, Seite 203). Was die Frage der sozialen Zusammensetzung der Armee Maos zur Befreiung Chinas anbelangt, so sei hier eine kurze Anmerkung gestattet: An Hand der hier von Lenin gegebenen Einschätzung muss man auch die Schwächen in der Entwicklung des chinesischen Befreiungskampfes an der sozialen Zusammensetzung der Befreiungsarmee festmachen. Mao hat die führende Rolle des Proletariats in der Armee völlig unterschätzt, ja nicht nur das, er hat sogar diejenigen in seinen eigenen Reihen bekämpft, die dies zu korrigieren versuchten. Doch dazu später Genaueres.



Im März 1906 bestimmte Lenin das weitere taktische Vorgehen der provisorischen revolutionären Regierung und der örtlichen Organe der revolutionären Staatsmacht auf Grund der Erfahrungen des bewaffneten Aufstandes, die er folgendermaßen zusammenfasste,

1. dass die revolutionäre Bewegung gegen die absolutistische Regierung beim Übergang zum bewaffneten Kampf bislang die Form isolierter örtlicher Aufstände angenommen hat;

2. dass in diesem Kampf die Elemente (...) vor die Notwendigkeit gestellt waren, Organisationen zu schaffen, die faktisch Keimformen einer neuen, revolutionären Staatsmacht darstellten – Sowjets der Arbeiterdeputierten (...);

3. dass entsprechend der anfänglichen, der Keimform des Aufstandes diese seine Organe genauso isoliert, zufällig, in ihrem Handeln unentschlossen waren und sich nicht auf eine organisierte bewaffnete Macht der Revolution stützten, weshalb sie bei den ersten Angriffshandlungen der konterrevolutionären Armee unvermeidlich zum Untergang verurteilt waren;

4. dass nur eine provisorische Regierung als Organ des siegreichen Aufstands imstande ist, jeglichen Widerstand der Reaktion zu brechen (...)

Einerlei, ob eine Teilnahme der Sozialdemokratie an einer provisorischen revolutionären Regierung möglich sein wird, ist in den breitesten Schichten des Proletariats der Gedanke zu propagieren, dass ein ständiger Druck auf die provisorische Regierung durch das bewaffnete und von der Sozialdemokratie geführte Proletariat notwendig ist, damit die Errungenschaften der Revolution gesichert, gefestigt und erweitert werden“ [hervorgehoben vom Verfasser];

Bei der Ausweitung der Tätigkeit und der Einflusssphäre der Sowjets der Arbeiterdeputierten ist unbedingt darauf hinzuweisen, dass solche Einrichtungen, falls sie sich nicht auf eine revolutionäre Armee stützen und die Regierungsbehörden nicht stürzen (d.h., sich nicht in provisorische revolutionäre Regierungen verwandeln), unvermeidlich zum Untergang verurteilt sind; daher muss die Bewaffnung des Volkes und die Verstärkung der militärischen Organisationen des Proletariats als eine Hauptaufgabe dieser Einrichtungen in jeder revolutionären Situation betrachtet werden.

Zeitweilige Kampfabkommen sind im gegebenen Zeitpunkt nur mit Elementen statthaft und zweckmäßig, die den bewaffneten Aufstand als Kampfmittel anerkennen und ihn aktiv unterstützen“ (Lenin, Band 10, Seite 147-148 – 149 – 150).

Und Lenin sagte auch, warum diese Bedingung notwendig war:

Die Sitzungen der Reichsduma hatten begonnen – in wahren Sturzbächen ergossen sich die liberal-bürgerlichen Reden vom friedlichen, konstitutionellen Weg -, und zugleich haben die von Agenten der Regierung organisierten Überfälle auf friedliche Demonstranten, Brandstiftungen in Häusern, wo Volksversammlungen stattfinden, und schließlich direkte Progrome eingesetzt und sich immer mehr verstärkt (...) Man kann der alten Macht, die stets die Gesetze selbst gemacht hat und die mit den letzten, den verzweifeltsten, barbarischsten und bestialischsten Mitteln um ihre Existenz kämpft, nicht durch einen Appell an die Gesetzlichkeit Einhalt gebieten!“ (Lenin, Band 10, Seite 514 und 515).

Ein Appell findet besonders Widerhall unter den Massen in der revolutionären Phase. Ist diese Periode am Abflauen, tritt eine Revolutionsphase ein, wo eine ganze Reihe von Appellen keinen Widerhall in den Massen mehr gefunden hat (obwohl es damals im Juni 1907 noch zu militärischen Aufständen in Kiew und in der Schwarzmeerflotte gekommen war!!) , dann trifft das ein, was Lenin über den Appell in Worten“ 1907 gesagt hat: Wenn der Kampf im Gange ist, sich ausdehnt, anwächst, von allen Seiten näherrückt, dann ist eine `Proklamierung` gerechtfertigt und notwendig, dann ist es Pflicht des revolutionären Proletariats, den Schlachtruf auszugeben. Doch erfinden kann man diesen Kampf nicht, man kann ihn auch nicht durch einen Schlachtruf allein auslösen. Und wenn eine ganze Reihe von Kampfappellen, die wir aus unmittelbaren Anlässen erprobten, sich als resultatlos erwiesen hat, so müssen wir natürlicherweise ernste Gründe für die `Proklamierung` einer Losung suchen, die unsinnig ist, wenn nicht die Bedingungen für die Realisierung der Kampfappelle betehen“ (Lenin, Band 13, Seite 22).

Es ist höchst wichtig, sich über den Satz klarzuwerden, den die Erfahrungen aller Länder, in denen die Revolution Niederlagen erlitten hat, bestätigen, dass nämlich in der Niedergeschlagenheit des Opportunisten wie in der Verzweiflung des Terroristen ein und dieselbe psychische Wesensart, ein und dieselbe spezifische Klassennatur, z. B. des Kleinbürgertums, zum Ausdruck kommt“ (Lenin, Band 15, Seite 145).

Die Lehren des bewaffneten Aufstands von 1905, die Lehren des bewaffneten proletarischen Kampfes überhaupt besagen, dassalles, was den Feinden abgerungen, alles was an Errungenschaften von Dauer ist, nur in dem Maße abgerungen und zu halten [ist], wie der revolutionäre Kampf auf allen Gebieten proletarischer Arbeit stark und lebendig ist“ (Lenin, Band 17, Seite 112).

Wie reifte der Aufstand von 1905 heran und was führte zu seiner Niederlage? Eine abschließende kurze Zusammenfassung gibt Lenin wie folgt:

Wie reifte der Aufstand von 1905 heran?

Erstens häuften sich durch Massenstreiks, Demonstrationen und Kundgebungen die Zusammenstößte der menge mit Polizei und Militär.

Zweitens ermunterten die Massenstreiks die Bauernschaft zu einer Reihe einzelner, zersplitterter, halb spobtaner Aufstände.

Drittens griffen die Massenstreiks sehr schnell auf Heer und Flotte über, lösten Zusam,menstöße auf wirtschaftlicher Basis („erbsenmeutereien“ usw.) und dann Aufstände aus.

Viertens begann die Konterrevolution selbst den Bürgerkrieg mit Progromen, Misshandlungen von demokraten isw.

Die Revolution von 1905 endete keineswegs deshalb mit einer Niederlage, weil sie „zu weit“ gegangen, weil der Dezemberaufstand „künstlich“ gewesen wäre, wie die liberalen Renegaten usw. glauben. Im Gegenteil, die Ursache der Niederlage liegt darin, dass die Erkenntnis seiner Notwendigkeit in den revolutionären Klassen nicht weit genug vorbereitet war und nicht genügend festen Fuß gefasst hatte, dass der Aufstand nicht einmütig, entschlossen, organisiert, gleichzeitig, offensiv durchgeführt wurde“ (Lenin, Band 18, Seite 96).

 

 

 

 

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