Pedro Pomar

September 23, 1913 - December 16, 1976

Pedro Pomar, uma vida em vermelho

Foi morto covardemente pela repressão , na famosa chacina da Lapa.

 

" Nosso partido surge na vida de nossa Pátria como a expressão das forças mais jovens da liberdade e da cultura e para as quais dirigem-se a ciência, a literatura e a arte de tarda, no constante combate que trava para o progresso e o aperfeiçoamento da civilização".

São incontáveis os que passaram pelas masmorras e cárceres da reação, sofrendo toda sorte de violências físicas e morais. As páginas mais gloriosas da história brasileira foram escritas com o sangue desses heróis e mártires. As forças obscurantistas e retrógradas tudo fizeram e fazem para frustrar os anseios do povo e impedir o desenvolvimento independente da nação.

Levantaram forcas, esquartejaram, fuzilaram, massacraram os verdadeiros patriotas. Espalharam pelourinhos, cárceres, calabouços e masmorras pelo país inteiro para castigar os combatentes populares.

Pedro Pomar.

Documento escrito por Pedro Pomar, divulgado em folheto separado n'A Classe Operária, n.º 68, setembro de 1972.)

 

 

Pedro Pomar entrou para o movimento comunista ainda jovem. Foi preso pela primeira vez quando cursava Medicina, em 1937 e, mais uma vez, em 1940. Com o golpe militar, caiu na clandestinidade, e participou da Guerrilha do Araguaia, dando apoio logístico nas cidades. Em 1976, foi assassinado, quando as Forças Armadas invadiram uma célula do partido, onde era realizada uma reunião do Comitê Central. Naqueles idos, de militantes da estirpe de Pomar se dizia que foram temperados tal e qual o aço. De fato, as convicções de Pomar eram inquebrantáveis, mas Bertolino revela o revolucionário de carne, osso, sangue e sentimentos. Com a pertinácia de todo pesquisador que merece esse nome, ele busca, fareja, encontra fios perdidos e os agrega no esforço de nos mostrar o filho, o esposo, o pai, o avô, o amigo, dimensões fragmentadas ou perdidas pela vida clandestina imposta pela verdadeira caçada de que por décadas os comunistas foram vítimas.

 

 

Em setembro de 1932, participou ativamente da organização de um levante armado em apoio aos constitucionalistas de São Paulo. Esmagada a revolta, passou algum tempo no Rio de Janeiro, depois retornou a Belém, onde concluiu o ginásio. Não se sabe ao certo quando Pomar passou a integrar as fileiras do PCB, mas é certo que foi recrutado pela escritora Eneida de Moraes. Aos 19 anos, entrou para a Faculdade de Medicina. Disputou suas primeiras eleições em 30 de novembro de 1935, encabeçando a lista do Partido da Mocidade do Pará, que recebeu apenas 64 votos (o partido mais votado recebeu 4.888 votos). Aos 22 anos, terceiranista de medicina, Pomar foi preso pela primeira vez, em janeiro de 1936. Solto em 14 de junho de 1937, foi novamente preso em 2 de setembro de 1940. Fugiu da cadeia, em direção ao Rio de Janeiro, junto com João Amazonas e outros integrantes do Partido, no dia 5 de agosto de 1941. Vivendo com dificuldades, tendo trabalhado inclusive como pintor de paredes, Pomar ajudou a formar a Comissão Nacional de Organização Provisória, que se encarregou de reorganizar o PC em escala nacional, convocando e realizando a Conferência da Mantiqueira, em 1943. Depois, mudou-se para São Paulo. Em 1945, Pomar concorreu a uma vaga de deputado federal pelo Pará. Não fez campanha, e não conseguiu eleger-se. Em 1947 concorreu pela coligação PCB-PSP (Partido Social Progressista, de Ademar de Barros). Recebeu mais de 100 mil votos, a maior votação da época. Membro do Comitê Central e da Comissão Executiva do PC, foi secretário de Educação e Propaganda, encarregado de supervisionar os cerca de 25 jornais mantidos pelo partido em todo o país. Foi, ainda, secretário político do Comitê Metropolitano do Rio de Janeiro. Em 1950, concluído o mandato, passou à clandestinidade. Nessa época, já havia entrado em conflito com a maioria da direção do PC. De segundo ou terceiro principal dirigente, começou a ser gradualmente rebaixado. Afastado do secretariado, depois da Executiva, foi em seguida transformado em suplente do Comitê Central e deslocado do plano nacional: enviado para o Rio Grande do Sul, onde colaborou nas lutas operárias e populares ocorridas no Estado nos anos 1951 e 1952. Por sua experiência, foi indicado para participar de um comitê especial organizado em São Paulo, por cima da estrutura normal do Partido, com a finalidade de dirigir o processo de lutas grevistas e contra a carestia. Esse comitê orientou a atividades do PCB em São Paulo durante os anos 1952 e 1953. Depois, voltou a morar no Rio de Janeiro. Foi, então, enviado à União Soviética, onde estudou por dois anos. Ao retornar, participou do Comitê Regional Piratininga, responsável pela organização do partido na Grande São Paulo. Em 1956, Pomar integrou a delegação brasileira ao 8° Congresso do Partido Comunista Chinês. De 1957 a 1962, participou ativamente da luta interna no PC, o que lhe valeu a paulatina destituição das posições de direção que ainda ocupava: de dirigente regional passou a dirigente do Comitê Distrital do Tatuapé, do qual o próprio Prestes, pessoalmente, ainda tentou destituí-lo durante as conferências preparatórias do V Congresso. Pressionado pela direção, negou-se a voltar ao Pará e, para sobreviver, passou a fazer traduções e a dar aulas. No V Congresso do PC, em 1960, Pomar ainda foi mantido como membro suplente do Comitê Central. Mas a luta interna caminhava para a sua expulsão e a criação, em fevereiro de 1962, do Partido Comunista do Brasil. Pomar, junto com Maurício Grabois, João Amazonas, e outros foram os principais articuladores da conferência que selou o rompimento com o setor majoritário do PCB. Eleito membro do Comitê Central do PC do B e redator-chefe de “A Classe Operária”, Pomar dedicou-se a organizar o novo partido, tendo realizado várias viagens ao exterior. Pomar foi executado pela repressão no dia 16 de dezembro de 1976 na fuzilaria contra a casa 767 da Pio XI. Seu corpo apresentava cerca de 50 perfurações de bala.

 

 

No dia 23 de Setembro de 2013 todos os revolucionários brasileiros comemoram o centenário de Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar, histórico líder dos comunistas brasileiros e expressão elevada de militante marxista-leninista. Pedro Pomar ingressou nas fileiras do P.C.B. (Partido Comunista do Brasil) em 1932 e desde então se portou como um digno combatente da classe operária. Foi um dos principais integrantes da CNOP, Comissão Nacional de Reorganização Provisória, que reorganizou o Partido Comunista do Brasil na Conferência Nacional da Mantiqueira em 1943.

Com a vitória das forças democráticas e anti-imperialistas contra o nazi-fascismo, a luta democrática ganhou enorme impulso. No Brasil, o Partido Comunista do Brasil conquistou sua legalidade e chegou a eleger uma expressiva bancada de deputados federais e um senador. É também nessa época que o Partido passa a alimentar ilusões de cunho eleitoreiro, indícios de que o revisionismo possuía uma ampla base para o seu desenvolvimento. Pomar, mesmo ocupando postos de alto relevo na direção partidária, nunca se enveredou para o caminho da conciliação e cumpriu com firmeza todas as tarefas e missões colocadas pelo Partido.

Um dos grandes méritos do camarada Pedro Pomar foi o de ter se colocado, de maneira firme e decidida, contra o oportunismo e o revisionismo que ganhavam espaço na organização. Na Tribuna de Debates do Vº Congresso do Partido Comunista do Brasil, Pomar interviu defendendo o Partido contra os desvios oportunistas de direita da direção, influenciada pelas teses revisionistas de Kruschev e o famigerado XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética.

Em 1962, ao lado de Amazonas e Grabois, foi um dos principais dirigentes responsáveis pela reorganização do Partido Comunista do Brasil, demarcando campo com os revisionistas que haviam transformado o Partido em “Partido Comunista Brasileiro” e atolado definitivamente esta organização no pântano do revisionismo. Foi um grande defensor da luta armada revolucionária para combater o regime fascista dos militares, libertar o Brasil do imperialismo e fazer avançar a revolução proletária.

Após a derrota da experiência guerrilheira dirigida pelo Partido Comunista do Brasil – que ficara conhecida como “Guerrilha do Araguaia” – Pomar se esforça para compreender os erros que levaram a derrota dessa importante experiência revolucionária. Recusa adotar posições derrotistas e continua defendendo o caminho da luta armada revolucionária até sua morte, em São Paulo, no episódio conhecido como “Chacina da Lapa”, quando bandidos da reação invadiram o local onde se realizava uma reunião do Comitê Central do Partido e executaram de maneira brutal, além de Pomar, o camarada Ângelo Arroyo. Naquela reunião se discutia como o Partido iria interpretar o legado da Guerrilha do Araguaia.

Nós, da União Reconstrução Comunista, inclinamos nossas bandeiras vermelhas em respeito a Pedro Pomar, grande líder e dirigente dos comunistas brasileiros. Sua vida é fonte de inspiração para nossa militância, que saberá honrar sua memória. O camarada Pedro Pomar foi, sem dúvida alguma, um dos maiores marxista-leninistas brasileiros.

Camarada Pedro Pomar, presente!
Viva o Marxismo-Leninismo!

 

 

Massacre da Lapa - São Paulo

killed by the fascist military dictatorship in Brazil

ermordet von der faschistischen Militärdiktatur in Brasilien


A Chacina da Lapa ou massacre da Lapa (16 de dezembro de 1976) foi uma operação do exército brasileiro no Comitê Central do PCdoB - localizado na Rua Pio XI, nº 767

A Chacina da Lapa faz parte do repertório heroico de lutas do povo brasileiro. O seu legado vive, hoje, no coração de todas as pessoas que acreditam num futuro em que a liberdade e a igualdade imperem. Assim como Palmares, a Revolta da Chibata, as greves operárias do início do século XX, o Levante de 1935, cada ato de resistência à Ditadura Militar, – entre os quais se destacam a Guerrilha do Araguaia e os companheiros mortos na cidade – a Chacina da Lapa é parte da História do Brasil. Dessa forma, Telma Regina, Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Batista Drummond , entre muitos outros, são os grandes arquitetos da democracia brasileira – e do futuro que está por vir, prometendo a aurora do Socialismo.

João Batista Franco Drummond, preso no dia anterior, à tarde, após sair da casa, fora levado ao DOI/CODI, onde morreu sob tortura, durante a madrugada. Ângelo Arroyo e Pedro Pomar, sem esboçar qualquer reação, foram mortos na incursão. Outros cinco integrantes - Elza Monnerat, Haroldo Lima, Aldo Arantes, Joaquim Celso de Lima e Maria Trindade foram presos e torturados. Conseguem escapar da prisão José Novaes e Manoel Jover Telles.

General admite que ditadura subornou traidor para liquidar PCdoB. Em entrevista ao programa Dossiê Globonews, exibida no sábado (3), o general Leônidas Pires Gonçalves, ex-chefe do DOI-Codi do Exército no Rio de Janeiro (1974-1977), admitiu que o regime militar pagou 150 mil cruzeiros para que Manoel Jover Telles traísse o PCdoB e se aliasse à repressão. As informações obtidas a partir do suborno foram encaminhadas ao II Exército, de São Paulo, que pôs em operação a Chacina da Lapa — na qual três dirigentes nacionais do PCdoB foram fuzilados.

O importante é que a verdade começa a aparecer, e claro que já sabíamos dessa revelação que não é nada nova para muitos, confirma. Os defensores do conservadorismo podem fazer o que bem entenderem, afinal estaremos sempre dispostos a lutar, essa é a nossa sina.

 

 

Em 16 de decembro de 1976, a Ditadura Militar praticava mais uma barbárie: o episódio que ficou conhecido como a Chacina da Lapa, no qual três dirigentes do Partido Comunista do Brasil foram assassinados a sangue frio.

 

Ângelo Arroyo

entrou para o Partido Comunista em 1945, e se destacou no movimento sindical dos metalúrgicos de São Paulo. Em 1964, foi para o campo organizar e preparar a Guerrilha do Araguaia. Quando o cerco aos guerrilheiros se fechou, retornou para São Paulo para discutir com o Partido a continuação da guerrilha. Exaltava a determinação e o heroísmo dos militantes mortos e abominava o pensamento derrotista. Foi metralhado em 16 de dezembro de 1976, numa reunião com integrantes do Comitê Central. Caiu ao lado de Pedro Pomar.

 

João Batista Drummond

nasceu em maio de 1942, e vinte anos depois, ingressou no curso de Economia, na UFMG. Presidiu o diretório acadêmico e ajudou a organizar o 27° Congresso da UNE. Começou a participar ativamente do movimentos dos camponeses e, mais tarde, ingressou na Ação Popular, que viria a se incorporar ao PCdoB. João, diferentemente dos outros dois, não foi assassinado, a princípio. Foi preso, torturado, e como não delatou os companheiros e manteve-se firme, foi assassinado.

 

 

 

 

 

Enver und Pedro - August 1967 in Albanien

Comrade Pedro Pomar died one year before the 7th Congress of the Party of Labour of Albania took place.

In his lifetime he was more or less influenced by Maoism - just like the whole Marxist-Leninist World Movement.

In 1978 began the open break with the Chinese revisionists.

Maoism could not destroy the deep friendship

between comrade Enver and comrade Pedro ...

 

ENVER HOXHA

Conversation with comrade Pedro Pomar

(August 18, 1967)

excerpt published in: Albania Today, 1977, 2

 

in German language

Im Kampf und in der Revolution werden die Marxisten-Leninisten stärker und unbezwingbar

Gespräch des Genossen Enver Hoxha mit Genossen Pedro Pomar

August 1967

 

 

Pedro Pomar

No 30.º Aniversário da Revolução de Outubro

Novembro de 1947

Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 4 - Novembro de 1947.


A classe operária e todos os oprimidos do mundo comemoram este ano o 30.° aniversário da grande Revolução de Outubro.

Trinta anos são passados desde aqueles dias heróicos em que o proletariado russo sob a direção do Partido Bolchevique, do grande Partido de Lénin e Stálin, alcançou a vitória sobre o capitalismo e abriu
para a humanidade inteira as portas de um novo mundo, o mundo do socialismo, da nova sociedade livre da exploração do homem pelo próprio homem.

Três décadas são passadas, e, apesar de tudo quanto já fizeram de grande, de extraordinário, de altamente humano os povos soviéticos, o que hoje vemos no mundo capitalista é o mesmo ódio, mais sistemático talvez, se bem que mais desesperado também, a mesma raiva impotente de trinta anos passados com que os magnatas do capitalismo receberam a primeira grande e definitiva vitória do proletariado. Acontece com a grande Revolução de Outubro o que se dá também com Marx e o marxismo que, com o correr dos anos, são cada dia mais odiados e perseguidos pelo capitalismo em decadência e desespero.

Marx elaborou a arma teórica, a ciência social do proletariado, ciência universal, assim como internacional, ou mundial. Foi também a grande Revolução de Outubro, que, como diz Stálin,

"assinala uma modificação radical e profunda na história da humanidade, uma modificação radical, e profunda nos destinos históricos do capitalismo, uma modificação radical profunda no movimento de libertação do proletariado mundial, uma modificação radical e profunda nos métodos de luta è nas formas de organização, nos hábitos de vida e nas tradições, na cultura e na ideologia das massas exploradas do mundo inteiro."

Essa modificação radical e profunda é nos dias de hoje mais sensível do que antes, agora, ao comemorarmos o trigésimo aniversário da grande Revolução Socialista, do que em qualquer dos seus aniversários anteriores. É que a guerra contra o nazismo não só revelou aos povos a força nova da sociedade socialista, como também, com a vitória, abriu para toda a humanidade uma nova época de desenvolvimento pacífico, de transição para o socialismo, através das democracias progressivas, por novos caminhos específicos para cada povo. Esta possibilidade de desenvolvimento pacifico para o socialismo é o elemento novo trazido pela vitória dos povos sobre o nazismo, elemento novo que, como sempre acontece, luta ainda pela vida contra o velho que quer sobreviver — o imperialismo que se torna por isso cada dia mais agressivo e desesperado.

"Em conseqüência, diz a declaração dos nove Partidos Comunistas europeus reunidos em Varsóvia, passaram a existir dois campos, o campo imperialista e anti-democrático que visa estabelecer o domínio mundial do imperialismo norte-americano e o destruição da democracia e o campo democrático anti-imperialista, cujo objetivo fundamental é destruir o imperialismo, fortalecer a democracia e eliminar os remanescentes do fascismo."

A divisão do mundo em dois campos bem marcados, separados por um fosso que se aprofunda cada dia, é, sem dúvida, o que há de novo neste instante em que o proletariado, todos os explorados e oprimidos, os homens que amam o progresso e a paz comemoram e festejam o 30.° aniversário da grande Revolução de Outubro.

Essa divisão do mundo em dois campos, o "imperialista e antidemocrático" e o "democrático anti-imperialista" assinala, sem dúvida, o momento que atravessamos, é o fato novo assinalado pelo acontecimento histórico que foi a reunião em Varsóvia, em setembro último, dos dirigentes dos novos mais importantes partidos comunistas do continente europeu. Essa divisão do mundo em dois campos, fato novo já agora bem claro, não surgiu inesperadamente no cenário mundial, mas resultou do natural desenvolvimento dos acontecimentos, em conseqüência da própria vitória sobre a Alemanha e o Japão e já tinha mesmo suas raízes na diferença de objetivos com que se uniram para a guerra contra o nazismo as duas grandes potências capitalistas, Grã Bretanha e Estados Unidos, e o poderoso Estado socialista, a URSS, este, lutando fundamentalmente pela restauração e consolidação da ordem democrática, pela eliminação do fascismo, contra qualquer possibilidade de nova agressão, pelo estabelecimento de uma paz duradoura, enquanto aqueles tinham por objetivo principal de guerra a eliminação do concorrente alemão ou japonês no mercado mundial e a consolidação de sua posição dominante. Guerra de libertação, a guerra contra o nazismo não deixava de ser, no entanto, uma guerra imperialista também para aqueles que sonham com o domínio do mundo, dos mercados e das fontes de matérias primas, e que desejam a exploração de todos os povos.

A derrota militar do nazismo não foi, por isso, acompanhada da total eliminação política e ideológica do fascismo. Pelo contrário, os anos de após-guerra trouxeram a luta cada dia mais acentuada entre os que tudo fazem no sentido de conseguir a eliminação dos remanescentes do fascismo e de sua base material, e aqueles que não poupam esforços para salvá-los, resguardá-los e inclusive, como vem acontecendo cada dia com maior frequência e descaramento, utilizá-los contra o avanço da democracia no mundo inteiro. Foi nesse processo, de um lado a União Soviética e os países democráticos procurando destruir o fascismo, o capital financeiro reacionário e consolidar a democracia e, de outro, os Estados Unidos e a Grã Bretanha, lutando pelo fortalecimento do imperialismo e tentando estrangular a democracia, utilizando para isso todos os meios, inclusive o rebotalho fascista, foi nesse processo que se delimitaram, até chegar à nitidez de hoje, os dois campos em que se divide agora o mundo.

O Avanço Democrático

É certo que a vitória sobre o nazismo trouxe um rápido e poderoso avanço democrático no mundo inteiro. Os povos do oriente europeu conseguiram liquidar as bases econômicas da reação, nacionalizar a grande indústria, dividir a terra, punir os principais traidores a serviço do nazismo, e, assim, criar instituições novas, realmente democráticas e progressistas. Noutros países da Europa surgiram grandes partidos comunistas de massa com centenas de milhares e mesmo milhões de membros, "poderosos representantes de amplos setores da população, profundamente enraizados nos seus próprios países e chefiados por homens capazes", como disse Stálin ao deputado trabalhista inglês Ziliacus na palestra que com ele manteve. Os povos coloniais começaram a obter grandes vitórias na luta pela independência nacional e mesmo na América Latina, apesar do seu imenso atraso econômico e político, as velhas ditaduras, que haviam servido a Hitler e posteriormente se entregaram aos banqueiros ianques, tiveram que ser substituídas por novos governos que pudessem contar com algum apoio popular e capazes de satisfazer, na medida do possível, à formas democráticos e constitucionais. No Brasil, por exemplo, o Sr. Dutra, Ministro da Guerra da ditadura, o Condestável do Estado Novo, como o chamou Vargas, condecorado por Hitler e Hiroito, passou a ser Presidente constitucional de uma República representativa. . . De qualquer maneira, substancial e verdadeiramente, e aparentemente apenas, era a democracia que avançava como conseqüência inevitável da vitória dos povos sobre o fascismo, militarmente batido na Europa, na Ásia, no mundo inteiro. E cresceu em todos os países as forças organizadas do proletariado, que se unem em escala mundial, na gigantesca Federação Mundial dos Sindicatos a que se filiam os representantes de mais de 70 milhões de trabalhadores organizados. E as mulheres democratas unem-se também em grande Federação Mundial para lutar pela paz e pelo completo aniquilamento político e ideológico dos remanescentes perigosos do fascismo. E a juventude une também suas. forças na esperança de impedir novas guerras e consegue através da sua Federação Mundial da Juventude Democrática uma tão impressionante manifestação de força universal de luta pela paz, pelo progresso e a independência de cada povo, qual a recente concentração juvenil de Praga, festa simbólica de alegria, coragem e confiança no futuro em pleno coração da Europa há tão pouco tempo ainda oprimida sob a bota sangrenta da Gestapo.

Com a derrota militar do nazismo avança a democracia pelo mundo inteiro. A União Soviética, apesar do esforço despendido nos duros anos de guerra, dos milhões de vidas perdidas, da destruição sofrida em seu solo, recupera rapidamente sua economia de paz e, mal terminada a guerra, inicia a execução de novo plano qüinqüenal de proporções inéditas. Já nos grandes países capitalistas vitoriosos, especialmente na Grã Bretanha e nos Estados Unidos, muito menos fácil se torna essa volta, da economia de guerra para a de paz, reconversão econômica que os magnatas do imperialismo tratam de fazer a custa do sacrifício das grandes massas trabalhadoras, dos operários das metrópoles imperialistas e dos povos cuja exploração querem aumentar. A situação econômica da Grã Bretanha torna-se cada vez mais'grave e, devido a isso, dia a dia maior a submissão política do orgulhoso imperialismo inglês aos grandes banqueiros de Wall Street.

É certo que a derrota militar do nazismo abalou o imperialismo em seu conjunto e modificou a correlação de forças sociais no mundo inteiro a favor do proletariado, da democracia e do socialismo. Mas do grande embate foi, sem dúvida, o imperialismo ianque aquele que, do lado capitalista, mais reforçado saiu, com nova e mais alta concentração do capital, com uma poderosa indústria em nível técnico o mais elevado e em condições portanto de desafiar qualquer concorrente; na luta pelo predomínio absoluto no mercado mundial. É claro, no entanto, que no regime capitalista essa elevação rápida da produtividade traz em seu seio todos os elementos de nova crise cíclica cada dia mais próxima. À enorme produção norte-americana não corresponde nenhum aumento da capacidade de consumo da população do país, que necessita, assim, buscar mercados no exterior nas condições novas do mundo de após guerra, com a Europa empobrecida pela guerra, com muitos de seus povos lutando energicamente pelo desenvolvimento de suas próprias indústrias, com a China em plena inflação e a braços com a política de traição de Chiang-Kai-Shek e o resto do mundo em condições econômicas não melhores. É evidente, sem dúvida, a crescente agravação da crise geral do capitalismo e daí a agressividade cada vez maior do imperialismo, especialmente do imperialismo ianque que se ergue hoje como o centro da reação mundial, da luta pelo domínio absoluto do mundo — o velho sonho de Hitler, hoje aspiração dos magnatas de Wall Street que sustentam e dirigem a política expansionista e guerreira de Truman e Marshall.

A Atividade Agressiva do Imperialismo

É nesse quadro que se vem desenvolvendo a atividade particularmente agressiva do imperialismo ianque.

"Esta atividade, como afirma a declaração da Conferência de Varsóvia, é desenvolvida simultaneamente em todas as direções — na direção das medidas militares estratégicas, de expansão econômica e de luta ideológica."

É conhecida a atividade guerreira do imperialismo, a distribuição sistemática de suas forças armadas pelos outros países, o intento de subordinar o seu comando e completo controle as forças armadas dos outros países do Continente americano, a ampliação e consolidação de bases militares por todo o mundo, a preocupação em que se entrega à fabricação de armas cada vez mais poderosas e ofensivas e à investigação científica dedicada ao mesmo fim, sem ocultar, ao contrário, pretendendo escandalizar para assustar a atividade de seus técnicos no terreno da energia atômica, bem como da guerra química e bacteriológica.

No terreno da expansão econômica, intimamente relacionada com os esforços continuados pelo predomínio político, é visível, ao lado dos planos para a escravização econômica e política da Europa, o que vem fazendo o imperialismo norte-americano na China, na Indonésia e mais particularmente na América Latina. Só o apoio ostensivo, econômico, político e militar do governo dos Estados Unidos vem retardando a vitória do povo chinês sobre o governo incapaz e traidor de Chiang-Kai-Shek; sem o apoio norte-americano impossível teria sido ao governo holandês voltar a atacar os povos livres da Indonésia. Na América Latina a expansão econômica do imperialismo norte-americano é cada vez mais descarada e vem acompanhada de perto e em escala crescente de intervenção política aberta, como acontece ainda agora no Chile e no Brasil, cujos governos se entregam submissos aos patrões de Washington e Wall Street.

Quanto à luta ideológica, basta acompanhar o que se escreve na imprensa norte-americano quase totalmente a serviço dos provocadores de guerra como tão bem provou de maneira concreta e objetivo, em seu monumental discurso na Assembléia das Nações Unidas, Vishinski, chefe da delegação soviética. A preparação ideológica para a guerra e para a luta terrorista contra os comunistas, odiados pelo imperialismo por serem os vanguardeiros na luta peia paz, pela democracia e a independência de seus povos, é particularmente sensível aqui no Brasil, cuja imprensa, especialmente na Capital da Republica, foi a que, sem dúvida, mais baixo desceu nessa tarefa infame de instrumento do capital reacionário para a preparação ideológica da guerra imperialista.

O discurso de Truman, em 12 de março de 1947, justamente na ocasião em que se reuniam em Moscou os Ministros do Exterior das quatro grandes potências, marca o início da contra-ofensiva imperialista, mais vigorosa e descarada, numa tentativa violenta e algo desesperada de berrar o avanço democrático no mundo inteiro. Todas as tentativas anteriores, desde as manobras na Conferência de Potsdam, as tentativas de ruptura em Londres e depois na Conferência da Paz em Paris nenhum fruto haviam produzido e as forças da democracia continuavam a avançar vitoriosas, conseguindo pouco a pouco consolidar suas posições. A 12 de março, Truman arranca definitivamente a máscara para declarar que o governo norte-americano está disposto a auxiliar com dinheiro e com armas, com técnicos e politicamente também todos aqueles que, especialmente na Europa queiram lutar contra os povos em marcha para o progresso, contra a democracia e o socialismo, entregar-se enfim à "proteção" exploradora e colonizadora do capitalismo norte-americano. Milhões de dólares foram desde logo postos à disposição dos fascistas gregos e dos políticos reacionários da Turquia. E ao tinir do dinheiro imperialista conseguiram as classes dominantes na França e na Itália afastar os comunistas dos postos de governo, ao mesmo tempo que o rebotalho fascista no oriente europeu intensificava sua atividade conspirativa contra os governos populares e progressistas daqueles países. O imperialismo retomava, sem dúvida, a iniciativa e tentava barrar em toda a parte o processo democrático e mesmo fazer retroceder as forças do progresso e da democracia. Na América Latina, são os comunistas desde logo afastados do governo no Chile e do Partido Comunista do Brasil vê cassado o seu registro eleitoral e dificultada a sua atividade legal.

A prática, porém, mostrou a pouca eficiência dos métodos e da linguagem estúpida de Truman. O governo monarco-fascista da Grécia sem apoio popular desmascara-se definitivamente como lacaio do imperialismo submetido aos agentes de Truman e com isso se amplia rapidamente a base popular e nacional dos guerrilheiros gregos que se tornam cada vez mais fortes. Não melhor sucedidos foram os conspiradores a serviço do imperialismo na Hungria, na Yugoslávia, na Romênia ou na Bulgária. O Partido Comunista passou rapidamente de 3.° a 1.° partido na Hungria, graças ao rápido desmascaramento dos traidores húngaros a serviço de Truman, e na Bulgária o ouro e a pressão imperialista só conseguiram agravar a situação do traidor Petkov, enforcado pelo Tribunal de Justiça do povo búlgaro.

O insucesso do Plano Truman, a dificuldade que criava para os "patriotas" e "socialistas" europeus que deviam pô-lo em prática, determinaram sua substituição por algo de menos claro, mais insidioso, capaz enfim de melhor encobrir as verdadeiras intenções do imperialismo e de facilitar aos Bevin, aos Ramadier e De Gasperi, a tarefa infame de entregadores de seus povos à exploração imperialista. Foi para isso que surgiu o chamado Plano Marshall, de escravização econômica e política da Europa pelo imperialismo norte-americano.

Na verdade, sob a direção de Truman e Marshall unem-se todas as forças da reação que com o objetivo firme e certo de fazer barrar o avanço democrático, especialmente na Europa, usam todas as armas e utilizam todos os recursos táticos, desde a chantagem, o suborno, a extorsão, até a pressão econômica e a exploração das contradições internas de cada país e as que por acaso existam entre eles.

A Conferência de Varsóvia

A situação assim criada pela ofensiva imperialista foi particularmente sensível aos povos europeus, mais diretamente visados pela reação mundial e muito especialmente por aqueles povos onde a correlação de forças sociais já é claramente favorável à classe operária que através de seus partidos políticos, como organização de vanguarda, já está no poder ou exerce sobre ele forte influência pelos representantes que possui nas assembléias legislativas. Foram os representantes de tais partidos que se reuniram em Varsóvia para discutir a situação internacional especialmente na Europa, e buscar a melhor maneira de unir seus esforços contra os ataques do imperialismo norte-americano. São os partidos comunistas — sobre os quais já pesa a grande responsabilidade de dirigir e defender os destinos de seus povos, e que sentem, justamente por isso, a necessidade urgente de unificar sua ação política, sua estratégia e sua tática, de coordenar seus esforços a fim de enfrentar com sucesso as manobras da reação. Retomar a iniciativa e passar assim à ofensiva contra o imperialismo e o rebotalho fascista de que o mesmo se utiliza — os que se reúnem pelos seus representantes mais autorizados na Capital polonesa.

Este o verdadeiro significado da histórica Conferência de Varsóvia, que marca, sem dúvida, um novo passo, e dos mais consideráveis, na grande luta dos povos pela paz e a democracia, pelo progresso e independência nacional de cada povo, contra a exploração imperialista e a volta do fascismo.

A Conferência de Varsóvia mostrou aos povos do mundo inteiro o que já são nos dias de hoje as forças da democracia e do progresso.

Reuniram-se na Capital da Polônia os representantes de nove partidos comunistas apenas, mas que representavam mais de 13 milhões de comunistas, imensa vanguarda política que dirige por sua vez a dezenas de milhões de operários organizados, além de outros milhões de homens e mulheres, de jovens e de velhos, que já lutaram contra o nazismo, que conquistaram a independência de suas pátrias e não estão dispostos a se submeter à exploração imperialista, milhões de seres humanos que não se amedrontam com ameaças ou chantagens guerreiras, e que bem marcam a superioridade das forças da democracia sobre as do imperialismo.

A declaração política dada à luz pelos participantes da Conferência de Varsóvia é particularmente importante pela análise que faz da situação mundial como igualmente pela firme disposição que traduz de quebrar as forças do imperialismo.

"Se os partidos comunistas permanecerem firmemente em suas posições — diz-se naquela declaração — se não se deixarem intimidar, se permanecerem corajosamente na defesa da democracia, da soberania nacional, da liberdade e da independência de seus países, se souberem na sua luta contra as tentativas de escravização econômica e política de seus países se colocar à frente de todas as forças que estiverem dispostas a defender a causa da honra e da independência nacional, então nenhum plano de escravização dos países da Europa e da Ásia poderá ser executado."

Com a declaração de Varsóvia toma novo impulso igualmente a luta pelo desmascaramento dos falsos socialistas e trabalhistas, dos traidores da classe operária hoje a serviço do imperialismo ianque, como Léon Blum na França, Atlee e Bevin na Grã Bretanha, Schumacher na Alemanha, Karl Rener e Scherf na Áustria, Saragat na Itália, etc. que, como diz aquele documento:

"se esforçam para ocultar a verdadeira essência predatória da política imperialista sob a máscara de democracia e fraseologia socialista, porém, que de fato continuam a ser, sob todos os aspectos, defensores leais dos imperialistas, provocando a desintegração nas fileiras da classe operária e envenenando o seu futuro."

A Conferência de Varsóvia assinalou enfim a necessidade urgente de estreitar e regularizar os contactos entre os nove partidos comunistas europeus que se haviam reunido, a fim de melhor unificar a luta de seus povos contra o imperialismo, mais facilmente vencer a complexidade da situação e evitar que o inimigo explore possíveis contradições entre povos que lutam há séculos pela independência nacional. Com tais objetivos foi criado um Bureau de Informações com representantes dos nove partidos, tendo por finalidade o intercâmbio de experiências e "em caso de necessidade, a coordenação de atividades dos Partidos Comunistas em bases de livre consentimento". A sede do Bureau de Informações será em Belgrado e por êle será publicado um órgão mensal que se pretende possa ser mais tarde quinzenal.

É fácil de imaginar a importância política do centro de informações, de troca de experiências e de possível coordenação da atividade anti-imperialista das dezenas de milhões de seres humanos que aceitam a direção dos nove partidos comunistas, agora com sede em Belgrado. Este centro será como que o motor capaz de estimular a organização das forças democráticas contra o imperialismo e sua simples criação já constitui séria advertência aos governos monopolistas que acenam com a guerra e procuram por meio de ameaças e chantagens arrastar em suas aventuras os povos fracos e desprevenidos.

Os democratas do mundo inteiro e mais particularmente os trabalhadores e os comunistas de todo o mundo não podem deixar de receber com alegria a notícia da criação do centro de informações em Belgrado. Nele vemos se altear a bandeira gloriosa da luta pelo socialismo, e não hâ dúvida alguma que o órgão a ser publicado pelo Bureau de Informações de Belgrado muito ajudará aos povos do mundo inteiro a compreender a orientação política da vanguarda mais esclarecida do proletariado mundial fortemente armada com a ciência social verdadeira do marxismo-leninismo-stalinismo.

E é por isso também que se deve compreender que a reação imperialista e a imprensa a seu serviço já se lançaram ao ataque contra a Conferência de Varsóvia e mais particularmente contra o recém-criado Bureau de Informações de Belgrado, desde logo apontado como reencarnação da Internacional Comunista.

Para desfazer a provocação já temos hoje a palavra autorizada de Stálin, segundo versão dada a público pelo deputado trabalhista inglês Ziliacus da palestra que sobre o assunto manteve em Sochi, no Mar Negro, com o grande chefe dos povos soviéticos. Diz Ziliacus serem quase textuais as seguintes palavras de Stálin:

"A Internacional Comunista desempenhou papel importante no estabelecimento de ligações entre os trabalhadores de diferentes países, ajudou a desenvolver líderes entre os próprios trabalhadores. Mas hoje, a situação é diversa. Em certo número de países os Partidos Comunistas são poderosos representantes de amplos setores da população, têm grandes responsabilidades, estão profundamente enraizados nos seus próprios países e são chefiados por homens capazes. Seria uma utopia extravagante tentar dirigir partidos de algum centro comum. Como a entendo, a declaração dos nove Partidos Comunistas significa que os comunistas daqueles países trabalham em comum, por um lado para melhorar as condições da classe operária e do povo em geral, e, por outro, para defender a independência e a soberania de suas pátrias".

E completa Stálin o seu pensamento:

"Seria uma estupidez fazer andar para traz a roda da história. . . tentar formar uma Internacional Comunista seria utópico e os comunistas não são utópicos."

Com efeito, são tão diferentes pelos seus objetivos, pelo seu conteúdo, pelas formas de organização que adotam a extinta Internacional Comunista e o recém-formado Bureau de Belgrado que só mesmo como provocação policial seria possível qualquer confusão.

A Internacional Comunista surgiu em 1919 como um dos frutos da Revolução de Outubro e como conseqüência também da bancarrota da II Internacional. Sua tarefa principal consistia em ligar os operários revolucionários dos diversos países, organizando-os em partidos verdadeiramente marxistas-leninistas, capazes de lutar contra o social-chauvinismo dos social-traidores da II Internacional, consistia enfim no auxílio, na promoção e na consolidação, em todos os países em que se tornasse possível, de uma vanguarda dos mais destacados trabalhadores organizados. A III Internacional unia e mobilizava os trabalhadores para a defesa dos seus interesses econômicos e políticos e para a luta contra a reação, o fascismo e a guerra, que este último preparava e para o apoio à União Soviética, como o principal baluarte da causa da Paz e do Anti-fascismo.

0 cunho característico da Internacional Comunista residia no sentido da disciplina voluntariamente aceita e dos fortes laços de coesão que uniam os partidos filiados ao centro que decidia pelo seu Congresso Mundial, instância superior da Internacional Comunista, sabre todas as questões essenciais, de programa e de tática. Por ocasião do II Congresso da I. C. Lenin afirmava:

"O Congresso criou nos PP. CC. de todo o mundo uma coesão e uma disciplina como jamais existiram anteriormente e que permitem à vanguarda da revolução operária continuar marchando para a frente a passos agigantados até seu grande objetivo: a destruição do jugo do capital" vol. IV, pág. 361 - Obras Escolhidas).

Só assim realmente poderia a nova organização operária cumprir a sua formidável tarefa de organizar e educar a vanguarda revolucionária do proletariado, tarefa histórica que foi sem dúvida levada a bom termo e que teve, como lógica conseqüência, a dissolução espontânea da própria organização, quando em 1943, dada a nova situação do mundo, não mais se justificava, sua existência. Cumprida a heróica missão histórica da Internacional de Lenin, estava em 1943, sua forma de organização já superada, como claramente foi dito na época pelo Presidium do Comitê Executivo na resolução que tornou pública:

"Guiados pelo julgamento dos fundadores do marxismo-leninismo, os comunistas jamais apoiaram a conservação de formas de organização que sobreviveram à sua utilidade. Sempre subordinaram as formas de organização do movimento da classe operária em conjunto às peculiaridades da situação histórica concreta e aos problemas que resultam imediatamente desta situação. Os comunistas lembram o exemplo do grande Marx, que se uniu aos mais destacados trabalhadores nas fileiras da Associação Internacional dos Trabalhadores, e, quando a Primeira Internacional cumpriu sua tarefa histórica, de lançar os alicerces para o desenvolvimento de partidos da classe operária em países da Europa e da América, e, em conseqüência da situação de amadurecimento que criava partidos nacionais da classe operária, dissolveu a Primeira Internacional, visto que esta forma de organização já não correspondia aos problemas que tinha à sua frente."

O desenvolvimento histórico, o próprio crescimento dos Partidos Comunistas, a madureza política de seus quadros dirigentes, além da complexidade da situação mundial, tornou prejudicial e inútil, de modo evidente, a existência da Internacional Comunista como centro diretor do movimento mundial da classe operária. Hoje, quatro anos passados daquela dissolução espontânea, pretender voltar à mesma forma de organização, seria querer fazer andar para trás a roda da História, como disse Stálin, seria tarefa utópica e reacionário.

O Bureau de Informações, com sede em Belgrado, tem objetivos diferentes dos da Internacional Comunista. Não possui nem de longe aquelas características coesão e disciplina a que se referia Lenin.

Respondendo recentemente a uma entrevista da "United Press", Luiz Carlos Prestes assim falava sobre o Bureau de Belgrado:

"O Bureau de Informações criado pela Conferência de Varsóvia visa a troca de experiências e a coordenação voluntária de seus esforços, a fim de vencer de maneira mais fácil velhas contradições entre seus povos (dos nove Partidos) e melhor uni-los contra a agressividade do imperialismo, em defesa da paz, da soberania nacional de cada povo, da democracia e do progresso".

E mais adiante:

"A própria organização do Bureau já é um ensinamento, porque só se impedirá a guerra assim — lutando unidos e desmascarando impiedosamente os provocadores de guerra. É claro que as divergências entre estes provocadores de guerra e os povos que querem a paz aumentam cada vez mais — é um antagonismo que se aprofunda e cuja superação, que será o esmagamento dos restos fascistas provocadores de guerra, torna-se assim mais próxima."

A Internacional Comunista foi em seu tempo um centro eminentemente revolucionário, organizador e dirigente da luta do proletariado contra a burguesia que predominava no governo de todos os países, exceto na União Soviética. Hoje, ao contrário, é o Bureau de Informações de Belgrado uma organização de partidos que estão no governo e que se congregam para melhor unificar a ação dos seus povos contra a agressividade do imperialismo americano e de seus lacaios em cada país, que perderam suas velhas posições no aparelho estatal e assistem à destruição pelos seus povos, afinal livres e senhores dos seus destinos, das bases econômicas em que repousam por século sua força.

O Bureau de Belgrado e os PP. CC. da América Latina

Mas se o bureau de Informações de Belgrado está aberto à adesão voluntária dos demais Partidos Comunistas do Mundo, qual a atitude a ser tomada pelos comunistas da América Latina e, mais particularmente, pelo Partido Comunista do Brasil?

De fato, a situação dos povos latino-americanos é muito diferente da dos povos europeus. A correlação de forças sociais é ainda brutalmente favorável na América Latina à reação, à burguesia reacionária, aos grandes proprietários de terras, latifundiários, aos financistas agentes do capital estrangeiro, especialmente norte-americano.

Mas o inimigo principal da classe operária e dos povos latinos americanos é o imperialismo ianque, que nos oprime e nos escraviza. Justamente por isso, os comunistas latino-americanos não podem deixar de receber com imensa satisfação a iniciativa da Conferência de Varsóvia e com grandes esperanças a notícia da criação do Bureau de Belgrado, que bem traduzem a ofensiva das forças democráticas contra a agressividade imperialista. O Bureau de Belgrado fará conhecida do mundo inteiro a orientação política da vanguarda mais esclarecida do proletariado mundial e é precisamente nisso que está sua maior importância para os comunistas latino-americanos.

Imaginar organização semelhante dos Partidos Comunistas da América Latina, no momento atual, ou pensar em adesão ao Bureau de Belgrado a nós nos parece prejudicial à luta de libertação nacional de nossos povos contra a exploração imperialista.

Está na ordem do dia para os povos do continente americano a discussão e a solução do estado de empobrecimento e de miséria, da decadência física, do analfabetismo, das doenças, da estúpida exploração dos banqueiros estrangeiros e de seus agentes, os grandes latifundiários e a burguesia reacionário, debater e enfrentar a terrível situação em que se encontra a maioria esmagadora das populações de nosso país. É nossa tarefa histórica, é objetivo comum que a nós comunistas latino-americanos, nos deve ligar e unir também ao proletariado norte-americano, a formação de uma frente comum de todos os patriotas e democratas, independentemente da classe social a que pertençam, contra o opressor imperialista e pela emancipação nacional de nossas pátrias.

Os comunistas latino-americanos têm hoje, como missão indeclinável, colocar-se à frente de seus povos para a luta anti-imperialista e, interpretando o sentimento de progresso, democracia e independência que tão vigorosamente eles têm revelado, reuni-los em conferências ou Congresso, para atuarem mais eficazmente contra o inimigo comum.

As condições para iniciativas de tal natureza só poderão surgir, no entanto, na medida em que, em cada país do Continente, nós, os comunistas, saibamos lutar efetivamente pela paz, pelo bem estar de nossos povos e pela soberania de nossas nações. Aumenta dia a dia no Continente a exploração do capital financeiro colonizador e os acontecimentos dos últimos meses em quase todos os países latino-americanos já revelam suficientemente as intenções sinistras do imperialismo, que emprega todos os recursos, da chantagem da guerra ao suborno, da pressão econômica e política às formas mais sutis de penetração, a fim de dominar completamente nossos povos, saquear nossas riquezas e, finalmente, utilizar nossos filhos como carne para canhão em suas aventuras guerreiras contra os povos livres em marcha para o socialismo e mais particularmente contra os povos da União Soviética.

Seria um crime, diante de tais fatos, ficar de braços cruzados, apáticos e passivos. Como diz, com razão, a declaração dos nove Partidos reunidos em Varsóvia:

"O principal perigo para a classe operária consiste na subestimação de suas próprias torças e na sobrestimação das forças do campo imperialista. . . Os Partidos Comunistas devem encabeçar a resistência, aos planos de expansão imperialista e de opressão sob todos os aspectos, política, econômica e ideológica. Devem se concentrar e unir seus esforços na base de um programa comum democrático e anti-imperialista e reunir em torno deles todas as torças democráticas e patrióticas do povo."

Nessa luta contra o imperialismo é imensa a responsabilidade que pesa sobre os ombros dos comunistas brasileiros. Isto se deve, não somente a importância do Brasil, como maior e mais populoso pais do Continente, como também a sua posição geográfica estratégica, caminho forçado entre os EE. UU., a África e a Europa; se deve ainda às riquezas minerais que possui, inclusive o petróleo, além do ferro, do manganês, dos cristais, etc. É ainda o nosso povo um dos mais explorados do Continente, e foi, sem dúvida, a nossa economia a que mais sofreu desde 1929 com o início da crise geral do capitalismo que, agregada à crise agrária crônica, trouxe o país à difícil situação econômica e financeira em que hoje se debate e que só pode ser resolvida através de reformas profundas da estrutura.

Em face dessas circunstâncias, só a passividade ou o oportunismo, só uma total incompreensão da situação e uma inconcebível incapacidade para se ligar às grandes massas exploradas e oprimidas poderiam explicar, junto com a conhecida falta de organização de massas em que ainda nos encontramos no Brasil, o atual avanço das forças do imperialismo ianque no país e os golpes sucessivos contra as conquistas democráticas mais elementares e a Constituição de 1946.

É nosso dever, no entanto não poupar sacrifícios para deter a marcha da reação no Brasil. Para tanto, torna-se de início indispensável bem compreender a atual situação nacional e mundial e, também, que já estamos em 1947 e não mais em 1945. A presente situação é completamente distinta daquela em que se achava o mundo ao alcançarmos a legalidade para o nosso Partido. Naquela época, a vitória militar sobre o nazismo assegurava um poderoso e rápido avanço das forças da democracia e aqui no Brasil o essencial era garantir o caminho pacífico da reconstitucionalização do país, evitando qualquer pretexto que pudesse servir aos restos fascistas para restaurar a ditadura e afogar a Nação com um banho de sangue, como chegou a ser tentado em 29 de outubro. Hoje a situação é outra, os campos imperialista e anti-imperialista já estão bem marcados e aqui no Brasil só resta aos democratas e patriotas enfrentar com coragem a onda reacionária e imperialista sem medo de que a luta, sejam quais forem suas conseqüências, possa efetivamente servir para qualquer coisa pior do que a ditadura terrorista de Dutra que, a serviço do imperialismo norte-americano, esmaga conquistas democráticas de nosso povo, rasga a Constituição e vende aos banqueiros estrangeiros as riquezas da Nação.

Saibamos evitar com inteligência as provocações, mas tratemos de nos ligar ao povo, às grandes massas trabalhadoras das cidades e dos campos, a fim de impulsioná-los sem receio na luta pelas suas reivindicações mais imediatas, econômicas e políticas, na luta contra a miséria e a fome, contra o terror policial, pelos direitos constitucionais, como também contra os exploradores estrangeiros e os governantes traidores que entregam o Brasil à colonização imperialista.

Na defesa da democracia e da Constituição precisamos mostrar ao povo a necessidade imperiosa de não ceder mais um passo sem luta, sem protesto, sem enfrentar com coragem e de forma cada vez mais vigorosa qualquer atentado da reação. É indispensável desmascarar sistematicamente as manobras do imperialismo e de seus agentes no governo do país. Mostrar, particularmente, o verdadeiro sentido da luta contra o comunismo que é, antes de tudo, uma luta contra o progresso e a democracia. O recente ato de Dutra rompendo relações com a URSS precisa ser pacientemente analisado para que as grandes massas possam compreender o seu verdadeiro sentido. Um governo incapaz de resolver os problemas mais prementes, um governo impopular, que se debate entre as mais profundas contradições da classe dominante e que precisa acabar com a democracia para mais facilmente vender a Pátria aos banqueiros ianques, busca na ruptura de relações com a URSS a maneira de enganar a opinião pública, de exaltar um falso patriotismo que supunha lhe pudesse ajudar a criar um ambiente de desordem que justificasse, além do massacre de comunistas e democratas, a suspensão das garantias constitucionais.

Nessa luta enérgica, persistente, corajosa e sistemática em defesa da democracia e contra o imperialismo, faz-se mister também saber desmascarar os falsos democratas, os capitulacionistas e covardes que aproveitam todos os pretextos e todas as oportunidades para servir aos liberticidas, aos traidores e a ditadura terrorista de Dutra. Suficientemente flexíveis para não nos deixarmos isolar, sabendo marchar com todos os que em qualquer momento defendam a Constituição, devemos no entanto, nós os comunistas, ser implacáveis no desmascaramento dos demagogos, dos "esquerdistas", e "socialistas", de que se servem por tática os agentes do imperialismo, tal e qual fazem na Europa com os chefes da social-democracía.

Nós, os comunistas brasileiros, ao comemorarmos festivamente o 30.° aniversário da grande Revolução de Outubro, podemos sentir-nos orgulhosos do trabalho já realizado na organização e educação do povo. Mas é necessário salientar e devemos compreender que muito maior é a tarefa a realizar a fim de libertarmos nosso povo da exploração imperialista e da opressão cada dia maior da ditadura terrorista de Dutra e seus asseclas e conquistarmos a independência nacional. A Constituição e a democracia não serão defendidas com êxito se ficarmos de braços cruzados. Marchemos ao encontro do povo, liguemo-nos estreitamente as grandes massas trabalhadoras, ajudemo-las a se organizarem, lutemos juntos, favorecendo a mais ampla União Nacional para protestar contra a ditadura, barrar o avanço da reação e impedir a escravização de nossa Pátria pelo imperialismo. Será assim, resistindo, com denodo à reação e ao imperialismo que conseguiremos a solução pacífica para os grandes problemas nacionais e asseguraremos a marcha de nosso povo no caminho da Paz, do progresso e da democracia.


 

 

Stálin, Artífice da Vitoria Sobre o Fascismo

Pedro Pomar

Dezembro de 1949

 

Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 23 - Dez de 1949.

"Nação é uma comunidade estável, historicamente formada de idioma, de território, de vida econômica e de psicologia, manifestada esta na comunidade de cultura."
(Stálin)

Ao completar 70 anos, Stálin é alvo das maiores homenagens de todos os povos do mundo, como um verdadeiro libertador, como o grande artífice da vitória contra o fascismo. Antes de a gloriosa União Soviética ter sido atacada traiçoeiramente pelos fascistas, já a humanidade progressista e avançada colocava suas esperanças de salvação no país do socialismo vitorioso e sobre seus líderes, particularmente sobre o grande Stálin.

Não obstante a maioria do povo brasileiro ter vivido na ignorância sobre as realizações da União Soviética e o esforço desempenhado pelos seus geniais dirigentes, em virtude da opressão em que se achava (e ainda se acha) submetido, seu sentimento de justiça e de amor à liberdade, suas aspirações a um mundo livre da exploração imperialista e seu ódio ao fascismo manifestaram-se ainda mais fortemente quando a União Soviética foi agredida covardemente pelas hordas hitleristas. As grandes massas do povo brasileiro, ontem como hoje, sabiam e sabem por que os seus opressores tanto temem e caluniam, intrigam e forjam gueixas contra a pátria dos trabalhadores. Ainda mais: nosso povo, como todos os povos, compreende cada vez melhor o porquê da campanha de mentiras e de ódios, que o campo imperialista e da guerra e seus lacaios promovem contra o camarada Stálin. É porque o grande Stálin é o firme timoneiro da humanidade na luta pela paz e pelo esmagamento dos provocadores de guerra.

A Dura Prova da Guerra

A Grande Guerra dos povos contra o fascismo, a vitória histórica da União Soviética nessa guerra, todos os acontecimentos que a ela estão ligados, só fizeram ressaltar a gigantesca figura do condutor das forças do campo da democracia e da paz e confirmar as esperanças dos povos em Stálin.

Fazendo o balanço dos resultados da guerra, em 9 de fevereiro de 1946, o camarada Stálin animava que seria injusto pensar que a segunda guerra mundial surgiu casualmente ou como resultado dos erros deste ou daquele estadista, embora admitindo que houvesse erros. E acrescentava:

"Na realidade a guerra surgiu como resultado inevitável do desenvolvimento das forças econômicas e políticas mundiais baseadas no capitalismo monopolista". "Mas a guerra não foi apenas maldição. Foi ao mesmo tempo uma grande escola de prova e verificação de todas as forças do povo. A guerra pôs a nu todos os fatos e acontecimentos tanto na retaguarda como na linha de frente, arrancou implacavelmente todos os véus (mascaras que ocultavam a fisionomia real dos estados, governos e partidos e os colocou no palco, de face a descoberto, sem maquilagens, com os seus defeitos e virtudes".

Assim, na dura prova da guerra, foi que o camarada Stálin pode mostrar toda a altura do seu gênio revolucionário, de líder vitorioso da luta contra o fascismo. Sábio dirigente político, mestre da ciência militar soviética, o camarada Stálin é a expressão da verdade marxista-leninista de que a estratégia militar e a estratégia política têm o mesmo fundamento, o mesmo caráter. A estratégia stalinista, o seu plano de liquidação do inimigo, foi coroado do mais completo êxito.

Naturalmente, a realização de tão gigantesca empresa não dependeu somente daquilo que tiveram de fazer o povo soviético e seu guia, no curso da própria guerra. A vitória foi fruto da capacidade de previsão, do trabalho persistente de vários anos, da fidelidade aos princípios leninistas e ao Partido e da capacidade de sacrifícios de um povo quando luta por uma causa justa.

Toda a força do regime proletário e socialista, a capacidade dirigente e organizadora do Partido de Lênin e Stálin, as qualidades do povo soviético e do seu Exército e o caráter e a sabedoria dos seus líderes, foram a viga mestra da vitória alcançada. Os líderes soviéticos, com Lênin e Stálin à frente, fundaram o primeiro Estado de operários e camponeses do mundo, defenderam-no na guerra civil e dos assaltos dos bandos imperialistas. Edificaram o regime socialista, onde a exploração do homem pelo homem está abolida para sempre, tendo uma indústria de primeira ordem, uma agricultura coletivizada e homens capazes e dedicados que o levam pela senda do comunismo. Fortaleceram a sólida amizade das nacionalidades que compõem a URSS, assim como a unidade indestrutível dos operários, camponeses e intelectuais soviéticos. Organizaram o Exército Soviético, libertador de povos, educado no espírito do internacionalismo proletário, de fraternidade dos povos e de manutenção e defesa da paz mundial.

A União Soviética se transformara, portanto, numa grande potência, em uma força econômica, política e militar de primeiro plano, num dos Estados mais poderosos da terra. Foi assim que a guerra encontrou a União Soviética, foi com esse regime avançado que o camarada Stálin conduziu os povos para a vitória e dessa forma, tornou-se o líder amado de milhões e milhões de seres humanos que lutam pela independência nacional dos seus países e pela paz em todo o mundo.

A Luta Contra a Guerra e a Agressão Fascista

Mas de que forma o camarada Stálin orientou a política da União Soviética para conter o fascismo, impedir a guerra e esmagar seus fautores?

A política da União Soviética, dirigida pelo camarada Stálin, foi orientada para a luta contra o fascismo e o que ele representava, para a denúncia do perigo de guerra e da agressão, para a luta contra as bases sociais que engendram o fascismo e a guerra, para a frente única dos povos como meio capaz de derrotar os imperialistas fascistas. O fascismo era uma ameaça à paz, um sintoma de debilidade do capitalismo para governar pelo antigo método do parlamentarismo e da democracia burguesa. Em política interior era a repressão e o terrorismo mais brutal como forma de governo da burguesia, e em política exterior era a preparação de guerra, o expansionismo imperialista mais rapace, sob a máscara do nacionalismo. Toda guerra iniciada pelos agressores constitui um perigo para os países amantes da paz. Tal era a análise do camarada Stálin sobre o caráter do fascismo, tais eram os seus ensinamentos, profundos e plenos de atualidade.

A crise econômica de 1929 a 1932 havia abalado o mundo capitalista e originara febris preparativos de guerra numa série de países capitalistas, especialmente na Alemanha, onde Hitler havia chegado ao poder em 1933. A Manchúria e a China, a Abissínia e a Espanha, a Áustria e a Tchecoslováquia, iam sendo tragadas, uma a uma, na voragem da agressão. Os agentes fascistas tornavam-se cada vez mais audaciosos. Suas provocações se multiplicavam, não escondendo seus planos de domínio mundial. A União Soviética tomava medidas cada vez mais enérgicas para sua defesa. Esmagou a conspiração trotsquista—bukarinista que, a serviço dos fascistas alemães e japoneses, pretendia desmembrá-la. Obrigou os imperialistas japoneses a morderem o pó da derrota e a recuarem, quando quiseram invadir as fronteiras soviéticas em 1938 e 1939. E propunha a frente única dos povos para resistir aos fascistas, pactos e acordos capazes de defender a segurança e a paz para os povos, sua independência e integridade. Assim, a União Soviética empregou todos os esforços para evitar que os fascistas entendessem a agressão e fizessem uma guerra destruidora e sangrenta como resultou ser a segunda guerra mundial.

Mas apesar disso, da firmeza da política stalinista e dos anseios de paz dos povos, sob a capa do anti-comunismo e do anti-sovietismo, as potências fascistas agressoras prosseguiam no seu criminoso caminho de envolver a humanidade no incêndio da guerra. Isto acontecia não porque a Alemanha, o Japão e a Itália fossem mais fortes que a Inglaterra, a França e os Estados Unidos, sem falar na União Soviética. O camarada Stálin explicava que a agressão continuava pela ausência de uma frente única dos estados "democráticos" contra as potências fascistas. Com medo do povo, esses estados empurravam na prática as potência fascistas para novas agressões, particularmente para o ataque contra a União Soviética.

Por isso o camarada Stálin definiu genialmente a política da União Soviética, nesse período, de forma a desmascarar os agressores e os que faziam o seu jogo e ao mesmo tempo demonstrando que o país do socialismo defenderia de qualquer maneira a causa da paz. Afirmava então Stálin:

"Não tememos ameaças e estamos preparados para responder aos provocadores de guerra, golpe por golpe. Aqueles que desejam a paz e buscam relações comerciais conosco, terão sempre nosso apoio. Mas aqueles que tentarem atacar nosso país receberão uma esmagadora resposta que há de ensiná-los a não meter seu focinho de porco no nosso jardim soviético".

Além do mais, o camarada Stálin advertia que o perigoso jogo político realizado pelos adeptos da "não intervenção" podia terminar num sério fracasso para eles.

Essa posição infundia nos antifascistas de todo o mundo a certeza de que a URSS era a mais consequente lutadora contra o fascismo e a guerra. Estimulados por ela, as grandes massas que lutavam para derrotar o fascismo, compreendiam que na pessoa de Stálin possuíam um guia seguro e de que a vitória, sob sua direção, seria infalível.

Preparativos para a Defesa da Pátria

Acompanhando com toda a atenção o desenvolvimento da situação internacional e da guerra e seguindo uma política de paz, firme e justa, vendo o perigo crescer contra as fronteiras da Pátria socialista, o governo soviético, tendo à frente o camarada Stálin, repelia a agressão dos governantes reacionários da Finlândia e conclui a com esse país um acordo garantindo a defesa da terra soviética, de uma cidade tão importante como Leningrado. Quase ao mesmo tempo fez voltar pacificamente ao seio dos povos soviéticos os povos ucraniano, bielo-russo, letão, estoniano, lituano e moldávio, que haviam sido arrancados à força da União Soviética pelos intervencionistas estrangeiros depois da primeira guerra mundial. Desse modo, a União Soviética fortalecia-se e alargava as barreiras contra as quais iriam quebrar-se as hordas de Hitler.

Os povos do mundo podiam ver e comprovar a sabedoria política, do grande estadista soviético, do dirigente de novo tipo, que esclarecia e mobilizava as massas contra a guerra imperialista e pela liquidação do fascismo e que não mantinha ilusões sobre o fascismo.

Mas não daríamos uma idéia sequer longínqua da grandiosa importância da tarefa que coube ao camarada Stálin realizar sem recordar pelo menos sucintamente a situação política e militar que precedeu a felonia da Alemanha contra a URSS. O Eixo fascista estava em pleno apogeu. A Europa achava-se praticamente sob o tacão de Hitler. Com exceção da Inglaterra, que se mantinha em guerra contra a Alemanha, as outras nações ou haviam caído sob o seu peso ou mantinham uma neutralidade do seu interesse ou uma posição de apoio efetivo aos fascistas alemães. Os hitleristas jactavam-se de que o mundo pertenceria à raça de senhores que eram os alemães arianos. O pânico apoderava-se de certas forças chamadas democráticas que assim serviam melhor aos desígnios dos novos conquistadores. Criara-se o mito da invencibilidade dos exércitos fascistas germânicos que efetuaram quase um passeio pela Europa, graças à traição dos governos da burguesia, que preferiam vender a pátria a permitir a sua defesa pelas forças do proletariado e das massas populares dirigidas pelos comunistas. A máquina militar alemã, com a experiência de dois anos e uma mobilização completa para a guerra, com a indústria da Europa continental à sua disposição, com um poderio jamais visto, com vitórias relâmpagos sobre exércitos tão tradicionais como o da França, pretendia também levar a cabo sua "Blitzkrieg" contra a União Soviética no prazo de 6 semanas.

A 22 de junho de 1941, Hitler desfechou o ataque de surpresa contra a pátria do socialismo, com 170 divisões aguerridas. O exército alemão e as forças dos seus satélites queriam obrigar o povo soviético a render-se rapidamente. Todas as nações amantes da liberdade, todos os povos oprimidos pelo fascismo, todos os trabalhadores do mundo que odeiam o fascismo colocaram imediatamente suas esperanças na pátria socialista. Todos podíamos compreender que se jogava naqueles instantes a sorte do socialismo e com ela a de toda a humanidade avançada. E qual era a resposta do camarada Stálin, como falava ele a seu glorioso povo e aos povos do mundo?

O camarada Stálin dizia profeticamente:

"A guerra contra a Alemanha fascista não deve considerar-se uma guerra corrente. Não é somente uma guerra entre dois exércitos. É ao mesmo tempo a grande guerra de todo o povo soviético contra as tropas fascistas alemãs. Nossa guerra pela liberdade da Pátria se fundirá com a luta dos povos da Europa e da América por sua independência e pelas liberdades democráticas. Será uma frente unida dos povos que lutam pela liberdade e contra o subjugamento e a ameaça de subjugamento pelos exércitos fascistas de Hitler".

Desde o seu início a segunda guerra mundial tomara a fisionomia de uma guerra dos povos contra o fascismo, pela independência e pela liberdade dos povos. A participação da União Soviética nessa guerra só podia acentuar seu caráter libertador. Os hitleristas não passavam dos mais ferozes e cruéis imperialistas já conhecidos pela humanidade, um bando de assassinos que sob as ordens dos barões feudais e grandes capitalistas alemães queriam avassalar o mundo e impor aos povos uma ideologia racista e anti-democrática, hedionda e bárbara. Os hitleristas faziam uma guerra de extermínio contra povos e nações que não pertenciam à raça alemã e que se opunham aos seus desígnios miseráveis.

O traiçoeiro ataque dos fascistas deu-lhes vantagens iniciais. A despeito de perdas imensas ocasionadas pela resistência do Exército e do povo soviético, lograram avançar para o interior do território da URSS. O camarada Stálin jamais duvidou da vitória e chamou o povo soviético a formar guerrilhas, a lutar até a morte contra os bárbaros invasores alemães. Demonstrando que a história nunca, em tempo algum, havia registrado a existência de exércitos invencíveis, o camarada Stálin sabia o quanto havia de falso e de aventureiro nos planos alemães, pois distanciava seus exércitos de suas bases e levava-os a lutar em um país cujo povo havia se erguido para defender sua pátria. Ridicularizava ao mesmo tempo os intelectuais pequeno-burgueses assustados e os cabecilhas fascistas, afirmando que o leão não é tão feroz como o pintam, que Hitler se parecia a Napoleão como o gato a um leão. O camarada Stálin infundia dessa maneira confiança aos combatentes do heróico exército soviético, que tinha sobre seus ombros a tarefa histórica e sagrada de sepultar as jactanciosas pretensões de Hitler e dos imperialistas alemães.

A Superioridade do Exército Soviético

O fortalecimento e a consolidação da unidade, da coalizão anti-fascista, eram preocupações centrais do camarada Stálin. Não se cansava de mostrar, pelo desenvolvimento da própria guerra, que os recursos e as vantagens políticas das Nações Unidas, recém-organizadas, eram superiores aos do hitlerismo. As diferenças do sistema não impediam, como de fato não impediram, que elas, colaborassem para a derrota militar do Eixo fascista e que a justa e correta utilização desses recursos e vantagens indispensáveis para esse esmagamento, também seriam, no seu entender, realizadas com êxito pelos demais dirigentes da coalizão na luta pela libertação dos povos da tirania germano-fascista.

O camarada Stálin observava que os hitleristas fundamentavam os seus cálculos para derrotar a União Soviética em tempo recorde, em três condições.

A primeira era isolar a União Soviética, formar uma união da Alemanha, dos Estados Unidos e da Grã Bretanha. Esperavam, para isso, amedrontar mais uma vez os círculos governantes dessas potências com o fantasma da revolução, do bolchevismo. Para concluir esse plano Hitler enviou o seu lugar tenente Hess a Londres, de pára-quedas. Mas essa tentativa falhou redondamente, porque a União Soviética encontrou aliados cada vez mais firmes nos povos da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos.

A segunda condição sobre a qual baseava suas pretensões o sanguinário tirano nazista era a suposta falta de solidez da retaguarda soviética, que, segundo os velhos inimigos da URSS, os raivosos agentes do imperialismo de todos os tempos, viria a baixo, com qualquer golpe sério ou revés infringido ao exército soviético. O camarada Stálin responde que tais golpes, longe de terem conseguido a ruptura da retaguarda soviética, converteram-se num sólido campo armado, consolidaram ainda mais a amizade dos operários e camponeses da URSS e de toda a família dos povos soviéticos, que apoiavam, apóiam e apoiarão de forma inabalável as forças armadas defensoras da pátria socialista.

A terceira fonte de especulação da estratégia hitlerista residia na falsa lenda de que o Exército Vermelho e a Marinha Vermelha eram débeis, e que seriam postos em fuga e dispersados logo aos primeiros ataques e golpes dos invasores fascistas. Mas ficou provado que isso não passava de um sonho dos inebriados chefetes fascistas. Forjado pela Revolução de Outubro, organizado por Lênin e Stálin, destinado a defender as conquistas da revolução e a pátria dos trabalhadores, o exército soviético possuía uma tempera especial, engendrada pela idéia da defesa da Pátria e de libertação dos povos oprimidos, coisa que não conhecia nem podia conhecer o exército fascista, criado para oprimir, pilhar e saquear seu próprio povo e os demais povos.

Apesar de ter de enfrentar tal exército, as forças armadas soviéticas revelaram a capacidade de combate, dos seus soldados e comandantes, seu heroísmo, a supremacia, de suas armas, a alta classe da estratégia stalinista. Aos brados de "Por Stálin!" "Pela Pátria!", os soldados soviéticos cobriam de glória a história de seu povo.

Logo aos primeiros embates, o mito da invencibilidade dos exércitos nazistas caiu por terra, a guerra relâmpago passou para a categoria das mentiras da propaganda nazista e ninguém mais nela acreditou. As vantagens da surpresa do ataque eram temporárias e foram logo superadas. Após a vitória dos exércitos soviéticos na batalha de Moscou, o camarada Stálin dizia:

"Agora a sorte da guerra não será decidida por um elemento provisório como a surpresa, senão por fatores de ação permanente: a solidez da retaguarda, a moral do exército, a quantidade e qualidade das divisões, o armamento do exército, a capacidade dos comandos do mesmo".

Esta tese era uma enorme contribuição de Stálin para o desenvolvimento da ciência militar soviética e tornou-se decisiva para o resultado da guerra.

Depois da derrota de Moscou o inimigo já não tinha condições para compreender a ofensiva em todas as frentes. Sua superioridade em homens e materiais desaparecia e ele só podia conservar a iniciativa do ataque numa única direção. Mas essa possibilidade se devia também ao fato de que a União Soviética e o seu exército suportavam sozinhos o peso principal da luta, de que não havia uma segunda frente na Europa, pois nem a Inglaterra nem os Estados Unidos possuíam os seus exércitos no ocidente europeu, para aliviar a tremenda pressão exercida pela Alemanha e seus satélites contra o Exército Soviético.

Era impossível disfarçar ou esconder que a ausência da 2.ª frente na Europa permitia aos exércitos alemães, italianos, romenos, húngaros, finlandeses, espanhóis que atacavam a União Soviética, colocar em perigo o futuro da guerra. Essa era uma questão militar e política de alta relevância, decisiva. Por isso o camarada Stálin tanto se empenhou para que os aliados abrissem a 2.ª frente, pois esse seria não somente o cumprimento de solenes compromissos tomados pela Inglaterra e pelos Estados Unidos, como seria o meio mais rápido e eficiente de acabar com a guerra, pela derrota completa dos nazistas alemães, que não poderiam suportar por muito tempo a luta em duas frentes. Com os exemplos da primeira guerra mundial, o camarada Stálin mostrava que militarmente essa medida seria, como foi, a única capaz de colocar fora de combate sem mais delongas o inimigo comum. E como questão política, o camarada Stálin colocava perante os povos a necessidade de se mobilizarem para pressionar os círculos governantes anglo-americanos que a olhos vistos nada faziam para concretizar a 2.ª frente. Churchill tudo fez no sentido de evitar a abertura da 2.ª frente, na Europa Ocidental. Já conta com o traidor Tito para invadir os Bálcãs, e assim antepor-se ao avanço dos exércitos soviéticos, segundo revelou o processo contra os espiões Raek e Prankov. Stálin previra que apesar de tudo a 2.ª frente seria aberta e que a Alemanha se veria sob o fogo cruzado das forças da coalizão anti-fascista, até cair de joelhos e render-se incondicionalmente.

Hitler continuava seu sonho de ocupar Moscou. Desta vez, atacando pelo Sul, pensava alcançar a capital soviética pela retaguarda, liquidar a resistência soviética e então colocar o país socialista fora de combate. Stálin, prevendo o plano fascista, deu ordens para a defesa de Stalingrado.

A vitória soviética de Stalingrado, orgulho da causa anti-hitlerista, marca a viragem política e militar do curso da guerra.

Numa guerra sem paralelos na história, dizia o camarada Stálin:

"Stalingrado foi a maior batalha da história da guerra e nela os valentes soldados, combatentes e chefes do heróico Exército Soviético, assentaram os sólidos alicerces para a vitória sobre os exércitos fascistas alemães".

Nessa batalha a ciência militar soviética, a direção militar stalinista, demonstraram sua superioridade sobre a estratégia e a tática alemãs. A respeito destas, dizia o camarada Stálin:

"sua estratégia é deficiente, pois, como regra geral, subestima as possibilidades e as forças do adversário e sobreestima suas próprias forças. Sua tática é uma tática "clichê", já que trata de enclausurar os acontecimentos da frente em tal ou qual artigo do regulamento''.

Mais tarde, em fevereiro de 1946, na resposta ao coronel Razin, do Exército Soviético, a respeito de Clausewitz e da ciência e da ideologia militares da Alemanha, o camarada Stálin aconselhava:

"Estamos obrigados, do ponto de vista dos interesses de nossa causa e da ciência militar de nosso tempo, a fazer a crítica não somente de Clausewitz, senão também de Moltk e Schliefen, Ludendorff, Keitel e outros representantes da ideologia militar da Alemanha. Nos últimos trinta anos a Alemanha impôs ao mundo por duas vezes uma guerra sangrenta e em ambas as vezes acabou vencida".

Ressaltava Stálin que esse fato não era casual, que isso significava que a ideologia militar alemã não havia resistido à prova, que era necessário acabar com o respeito imerecido às autoridades militares alemães e que para isso era preciso fazer a crítica desses ideólogos, especialmente por parte dos vencedores da Alemanha, os militares e chefes soviéticos. E acrescentava:

"No que se refere em particular a Clausewitz, ele, claro está, envelheceu como especialista de autoridade militar. Clausewitz foi em suma um representante do período manufatureiro da guerra. Mas agora estamos no período da guerra de maquinárias. É indiscutível que o período da maquinaria exige novos ideólogos militares. Seria ridículo agora aceitar as lições de Clausewitz".

A batalha de Stalingrado e a crítica que faz da ideologia militar alemã, de sua estratégia e táticas, nos dão por inteiro o retrato do camarada Stálin como chefe militar, como gênio da arte da guerra. No trabalho sobre "A estratégia e a tática dos comunistas russos" o camarada Stálin já havia ensinado que

"a arte da condução da guerra nas condições atuais consiste em dominar todas as formas da guerra e todos os avanços da ciência nesse terreno, em empregá-los sensatamente, como combiná-los inteligentemente ou utilizar uma ou outra destas formas de acordo com a situação".

Inspirados e orientados por Stálin, os exércitos soviéticos realizaram esse histórico feito militar, com a bravura e a tenacidade que causaram a admiração de todos os povos do mundo. Em Stalingrado o inimigo foi cercado e aniquilado completamente. Dizem os técnicos militares que Stalingrado é um novo Cannes, de maiores proporções e muito mais completo, porque reduziu à impotência mais de 300.000 homens do inimigo e destruiu um arsenal de guerra espantoso, com repercussões políticas de enorme significação.

Vitórias Diplomáticas e Militares Stalinistas

A situação militar modificava-se. As forças armadas soviéticas passaram à ofensiva não só no inverno como no verão. A última tentativa de ofensiva alemã no saliente de Kursk foi desbaratada. A Alemanha marchava para a catástrofe. Das terras soviéticas foram varridos os invasores nazistas. A Romênia, a Bulgária, a Hungria e a Finlândia depuseram as armas. A Iugoslávia havia recebido a ajuda decisiva dos exércitos soviéticos. A Polônia e a Tchecoslováquia foram libertadas. As nações satélites juntaram-se para combater a própria Alemanha ao lado da URSS Isto indicava, de modo indubitável, que a União Soviética sozinha e sem a assistência militar dos seus aliados, tinha todas as condições de esmagar o hitlerismo, ocupar a Alemanha e libertar toda a Europa continental.

A 2.ª frente, em face dessa situação, foi finalmente aberta. Atacada em duas frentes, a Alemanha de Hitler não teve outro remédio senão render-se incondicionalmente, de acordo com as estipulações das forças aliadas. Vencendo a desesperada resistência inimiga, os gloriosos soldados soviéticos atravessaram o Oder, cercaram e tomaram de assalto a capital alemã. Em 8 de maio de 1945 Stálin anunciava ao mundo que a bandeira vitoriosa dos povos tremulava em Berlim, último reduto da Alemanha de Hitler.

Mas não devemos esquecer que o camarada Stálin, dirigindo os forças armadas soviéticas, orientava também a política externa soviética. Ele conduzia as forças aliadas para o contínuo reforçamento da cooperação militar e concomitantemente traçava as linhas mestras da conduta a ser seguida quanto à Alemanha e decisões relativas aos problemas econômicos e políticos da Europa libertada. Repetia que ao contrário de Hitler, que desejava destruir os outros povos e seus estados, o povo soviético e seu exército não queriam destruir o povo alemão nem o seu Estado. Esses não podiam ser confundidos com Hitler, que era um fenômeno passageiro na vida do povo alemão, que como povo não podia nem devia ser destruído. O camarada Stálin havia aplicado esta sábia política quando transformou os antigos satélites da Alemanha em aliados para a luta contra o hitlerismo. Foram elaborados diversos tratados com os Estados Unidos e a Inglaterra, como o de Teerã, o de Ialta e o de Potsdam, que constituíram a diretiva política justa para vencer a guerra e tratar a Alemanha vencida e o fundamento para uma política de cooperação no após guerra das forças aliadas vitoriosas, com o objetivo de assegurar a paz para todos os povos. Firmou com a Polônia, antes da tomada de Berlim, um tratado de amizade e cooperação, modelo para as relações entre os povos no após guerra e que representava um substancial reforçamento da frente única das Nações Unidas.

Consequente na guerra anti-fascista, fiel aos compromissos assumidos, aliada leal e desinteressada, 3 meses após a derrota da Alemanha, a União Soviética entrou na guerra contra o Japão militarista e feudal, velho agressor do povo soviético e contínua ameaça à sua segurança e independência. Em poucos dias de ofensiva do Exército Soviético contra as melhores e mais numerosas forças do Exército japonês do Kuantung na Manchúria, a resistência do Japão foi quebrada e ele teve de capitular incondicionalmente.

Nossa Dívida a Stálin

A segunda guerra mundial terminou portanto com a destruição militar e política dos agressores, o que levou o camarada Stálin a anunciar que a União Soviética podia considerar-se livre da ameaça da invasão alemã no ocidente e da invasão japonesa no oriente. "Chegou a paz largamente esperada para os povos de todo o mundo"? proclamava o camarada Stálin.

A causa da humanidade civilizada, do socialismo, da independência dos povos, foi assim vitoriosa. Essa vitória de importância histórica mundial, nós a devemos à União Soviética e ao seu povo que imolou mais de 16 milhões de vidas preciosas em favor da libertação da humanidade. Nos a devemos ao regime socialista soviético e ao Partido Bolchevique, que inspirou e vanguardeou, na base do verdadeiro patriotismo, desse patriotismo que não conhece ódios de raças e nações e sim a amizade e a fraternidade entre os povos, as façanhas heróicas dos seus combatentes e guerrilheiros. Nós a devemos à vitalidade da economia soviética, de sua indústria socialista e de seu regime kolkosiano, que abasteceram, com uma técnica de primeira ordem, de armas e alimentos, as forças armadas soviéticas. Nós a devemos à firme e indestrutível unidade do povo soviético, ao regime socialista, que desenvolve o bem estar material e cultural da grande família de nações que dele formam parte voluntária e que cimentava cada vez mais a sua unidade política. Nós a devemos à alta classe dos seus comandantes, quadros militares educados e forjados na grande escola do patriotismo soviético, do Partido de Lênin e de Stálin, na ciência militar mais avançada de nossos dias, a ciência militar soviética. E sobretudo, nós devemos a vitória ao gênio do camarada Stálin, que foi seu artífice principal, que é a maior encarnação viva das qualidades do povo soviético, do regime socialista e do seu Partido, e o herdeiro e continuador do grande Lênin.

Confiando no povo e apoiando-se nele, dirigindo um Partido tão poderoso como o Partido Bolchevique, tendo construído um Estado de  novo tipo, superior em todos os aspectos a todos os outros estados conhecidos, comandando um exército da qualidade e combatividade do Exército Soviético, dominando a teoria marxista-leninista e a arte militar soviética e desenvolvendo-as de maneira genial, como um grande mestre, a obra do camarada Stálin na grande guerra contra o fascismo, tornou-se imorredoura.

O povo brasileiro que esteve tão ameaçado, naquela fase negra, de perder completamente sua independência e sua soberania, que soube patrioticamente colocar-se ao lado da União Soviética e das demais nações que lutavam pela sua liberdade, que participou com uma Força Expedicionária das batalhas do Sul da Europa, que sacrificou mais de um milhar de filhos para salvaguardar sua honra nacional, jamais esquecerá o papel da União Soviética na guerra e a figura do seu genial comandante.

As esperanças do nosso povo oprimido também foram justificadas. E ontem como hoje podemos dizer com orgulho: Glória a Stálin, artífice da vitória contra o fascismo, campeão da luta pela paz mundial!


 

Contra a Guerra e a Dominação Imperialista Ianque, em Defesa da Independência Nacional

Pedro Pomar

7 de Setembro de 1949

Integra do patriótico discurso proferido no Congresso Continental Americano pela Paz, no México.


É uma feliz e rara circunstância poder dirigir-vos a palavra no dia da festa nacional de minha pátria, no dia em que há 127 anos deixou de ser colônia de Portugal. Nesse largo tempo de sua vida, nosso povo não tem cessado de lutar pela sua real independência, luta hoje orientada fundamentalmente contra o jugo imperialista, em que caiu desde fins do século passado. Mal governado e muitas vezes traído pelas suas classes dirigentes, o povo brasileiro, como todos os povos do mundo, encontra-se, neste instante, num dos momentos mais decisivos de sua história. Sob o impacto da opressão imperialista norte-americana e da preparação guerreira, estamos também colocados na encruzilhada da guerra e da paz. Não temos dúvidas de que os patriotas brasileiros escolherão a estrada da libertação e da paz, que além de ser a menos custosa e a mais honrosa é a que está mais de acordo com as nossas tradições de luta e com o mais digno dos nossos sentimentos de amor à humanidade. Revivemos o passado glorioso de nossas lutas neste dia, para revigorarmos no presente a nossa ação, a fim de exterminarmos a conjura do imperialismo belicoso e em prol de um futuro de paz para o nosso povo e para todos os povos do mundo.

Habitamos um país territorialmente muito grande. Somamos 50 milhões de seres humanos de diversas raças, «melting pot», inteligente e laborioso, mas que vive numa miséria espantosa, a despeito das imensas riquezas naturais e dos recursos que a terra oferece.

Miséria Para o Povo

Segundo a Standard Oil, temos 6% das reservas mundiais de petróleo sem exploração. Montanhas de ferro esplêndido à flor da terra em bilhões de toneladas das quais são forjadas apenas 350 mil num alto-forno ameaçado pelos apetites dos trustes mundiais do aço. Níquel, urânio, areias monazíticas, quedas d'água, borracha e todos os materiais essenciais existem para a construção de enorme parque industrial, mas, não fabricamos máquinas e dependemos do mercado e monopólios dos Estados Unidos, que propagam e esperam, convencer-nos, através de seus agentes, que temos um destino agrícola. Entretanto, a nossa agricultura é arcaica, tem o seu volume físico cada vez mais reduzido em relação com o aumento da população e o rendimento do hectare plantado cada vez mais baixo. Crise agrícola crônica, preços e valorização artificiais para o café, monocultura antes queimada e hoje restringida, mas que ainda produzimos em milhões de quilos, representando quase metade da exportação do país, controlada por firmas norte-americanas. Nada pode dar uma verdadeira idéia das condições de vida dos camponeses, massa faminta e sem terra, vegetando nas grandes fazendas, onde predominam a servidão e o semi-escravagismo. Um milhão e oitocentas mil propriedades rurais para uma população ativa de mais de nove milhões que, com suas famílias, não sabem onde cair mortos. Esse quadro tem o fundo mais negro, se contarmos que cerca de 70% da população são de analfabetos, vitimas da mistificação de campanhas de alfabetização, inclusive do famoso Seminário Pan-Americano de Alfabetização, iniciativa de uma seção de UNESCO, reunida há pouco no Rio de Janeiro.

Descalabro

Inflação, emissões de papel moeda, desvalorização do poder aquisitivo do dinheiro, orçamentos deficitários, dívidas aos banqueiros estrangeiros cada vez mais exigentes, balança comercial e de pagamentos desequilibrada, por causa da remessa de lucros das empresas às matrizes de Nova York e de Londres, eis o nosso atual panorama financeiro. Isso, porém, infelizmente, não é tudo. A situação das massas trabalhadoras piora dia a dia. A característica essencial do momento brasileiro reside nessa agravação, de par com a crescente penetração imperialista em todos os setores da vida nacional.

A prova de que não progredimos está no aprofundamento da contradição entre o atraso de nossa infra-estrutura e o avanço das forças produtivas do mundo inteiro. Ínfima minoria de latifundiários e grandes capitalistas explora e acumula o trabalho de nosso povo, condenando-o à miséria, à ignorância, ao desemprego e ao paulatino aniquilamento físico, por isso que somos um dos povos mais subalimentados do mundo e dos que menos produzem. A média anual dos lucros, atualmente, é de 32% sobre os capitais e os salários mensais dos trabalhadores industriais, que alcançam perto de um milhas e quinhentos mil, são em média 500 cruzeiros, ou sejam, 150 pesos.

O custo de vida, nestes últimos dez anos, subiu cerca de seiscentos por cento, ao passo que os salários nem chegaram ao triplo de 1939.

Domínio dos Trustes

A pentração imperialista não atenua, ao contrário, agrava os problemas de nosso país e de nosso povo. Fazendo-se cada vez mais intensa e abertamente essa penetração objetiva o imediato domínio das fontes de matérias primas e especialmente das estratégicas; liquidar a incipiente indústria nacional, subordinar a economia nacional e o comércio exterior aos trustes ianques; colocar-se como intermediário privilegiado do nosso comercio com outros países; dominar os transportes; assegurar e reforçar suas posições no aparelho estatal brasileiro, através de seus espiões e técnicos, enfim, submeter ao controle dos generais ianques nossas forças armadas.

O Povo Luta Heroicamente

Bem, esta análise está sendo feita de modo unilateral porque não disse ainda o que faz o povo, o que pensa, como luta. Na verdade, a penetração do imperialismo e a grave situação a que chegamos só foram possíveis dada a fraqueza da organização do movimento patriótico. Mas o descontentamento popular, a indignação e as lutas do povo são cada vez maiores, transformando-se em fator político de primeira grandeza. No coração dos patriotas arde o ódio aos opressores e em suas consciências desenvolve-se a idéia da resistência unida contra esse intolerável estado de coisas. Fazem greves importantes os operários por aumento de salário e liberdade; as massas da cidade e do campo realizam lutas cada dia mais vigorosas, em defesa das riquezas nacionais como o petróleo; pronunciam-se os intelectuais pela paz, e até os marinheiros vêm à rua exigindo melhores condições de vida.

Ante o descaramento da intromissão dos negocistas, espiões e militares ianques, como Rockefeller, Abbink e Mark Clark, ante a política de vassalagem em que vai caindo o nosso governo, ergue-se em todas as camadas do nosso povo, patriótico e sempre maior movimento de democracia e independência.

O Perigo de Guerra

À medida que a resistência e as lutas do povo, dirigidas pelo proletariado aumentam, cresce o desespero dos dominadores e, em conseqüência, o perigo de guerra torna-se iminente e grave para o nosso povo. As classes dominantes, sem poderem sustentar-se com as suas próprias forças, odiando e temendo o povo, vendo seus antigos privilégios ameaçados pela combatividade das forças patrióticas, querem também a guerra, preparando, do seu lado, o massacre do nosso povo, e revivem, junto com os trustes ianques, o sonho louco de esmagar o movimento operário, democrático e socialista no mundo, o sonho dos nazistas. Foram por isso ao encontro e em apoio da política expansionista e guerreira dos círculos dirigentes dos Estados Unidos, perdendo todo o sentimento de dignidade nacional e traindo os interesses mais sagrados de nosso povo. Solicitam servilmente a «ajuda» a Mister Truman que, mesmo assim, só a promete e não a dá. Assinaram o Pacto do Rio de Janeiro no qual se comprometem a «defender» os Estados Unidos se estes julgarem que foram agredidos em qualquer ponto de suas quatrocentas e tantas bases espalhadas pelo globo. Exigem até um Pacto do Atlântico Sul, em que fiquem amparados, a fim de poderem solicitar a intervenção armada ianque no caso do nosso povo sublevar-se. Apregoam que já passou a fase da soberania ilimitada e querem girar na «órbita do colosso» americano. Na ONU, pedem o reconhecimento do carrasco Franco, aplaudem a agressão militar ianque na Grécia e justificam a permanência de tropas inglesas no Egito. Não sei se nos países irmãos do continente as classes dirigentes já trocaram a roupa nacional pelo fardamento ianque, como fizeram as classes dominantes brasileiras. Mas deveis saber que há uma histeria belicosa dos governantes, da imprensa venal e do clero reacionário. Pretendendo sair de suas dificuldades atuais, e incapazes de resolver qualquer problema básico de nossa pátria, agarram-se elas, as classes dirigentes, aos aventureiros militares de Washington, como única salvação. Nem se apercebem do exemplo da China.

Preparação Guerreira

Mas, continuemos a examinar o procedimento dessa gente, o que pode ser útil, sob todos os aspectos, embora nos pareça que isso se torne enfadonho e não seja de todo novidade. Na mensagem deste ano, o Presidente da República, general Dutra, revela o crescimento das despesas militares desde 1945, sem falar nos créditos especiais e suplementares. Já devemos mais de 350 milhões de dólares de material sobrante e velho do arsenal de guerra ianque. Dutra tem, ademais, um largo programa de armamentos, para cuja realização aguarda a concretização da cooperação Militar Inter-Americana, ou seja, o Comitê de Padronização, de armamentos previstos no plano Truman. São medidas de guerra que o chefe do governo não se aíreceia de apresentar como inadiáveis. Generais, industriais, banqueiros, fazendeiros, bispos; jornalistas da reação, proclamam a necessidade urgente de esmagar a União Soviética e o comunismo, o que vale dizer, a luta pela independência dos nossos povos. O general Cordeiro de Farias, comandante da Escola Superior de Guerra recentemente criada sob a inspiração ianque, disse que o Brasil marcharia ao lado dos Estados Unidos em caso de guerra. «Ainda que houvesse margem para a neutralidade». O «Correio da Manhã», importante diário porta-voz da reação, faz aberta e constante propaganda de guerra, para não falar dos periódicos oficiais e oficiosos. Aconselha aquele jornal, sem medir, inclusive o ridículo de suas palavras, que as potências ocidentais dirijam um ultimatum à URSS, dando-lhe um ano para recuar suas fronteiras. Enquanto isso, afirma o «Correio da Manhã», devem essas potências preparar o ataque e levá-lo a efeito sem transigir, no prazo marcado. Não obstante, as divergências crescentes entre as classes dominantes, em face da expulsão do capital inglês de suas posições, pelo imperialismo americano, em função da preparação guerreira, elas se unem para reprimir, pela violência e pelo terror, o movimento patriótico, popular e proletário pela Paz, a democracia e a independência nacional. A semelhança de Perón, ditador argentino, que afirma ser a primeira etapa da guerra inevitável contra a União Soviética, aquela que os exploradores têm de travar internamente contra seu próprio povo, repito — igual a Perón e outros do mesmo porte, Dutra transforma seu governo cada vez mais numa ditadura sangrenta. Declara amor à Constituição, diz respeitá-la mas sempre de acordo com os interesses guerreiros e reacionários de seu grupo. Tenta mesmo mascarar as violências policiais com a interpretação «ianque» dos direitos constitucionais, e procura votar leis repressivas sob pretexto de completar a Carta Magna. Transita agora na Câmara dos Deputados uma Lei de Defesa do Estado, que é um típico código policial e fascista, Há outra lei contra a imprensa, outras contra a greve e os sindicatos. A feitura de tais leis não quer dizer que a Polícia não seja há muito tempo o árbitro supremo do que os cidadãos podem ou não fazer, podem ou não pensar. As greves são reprimidas selvagemente, os sindicatos postos sob a intervenção da polícia e as manifestações de massas, qualquer que seja seu caráter, são proibidas e consideradas atos subversivos, os patriotas perseguidos e assassinados. O ditador Dutra arroga-se neste instante o título de herdeiro de Caxias, general do extinto Império do Brasil, que preferia praticar uma injustiça a permitir uma desordem.

O problema da guerra, o perigo do seu desencadeamento, é assim a principal determinante política da situação brasileira. Ele põe seu selo em todos os atos da reação. E esses atos são destinados a garantir a retaguarda e os interesses ianques e os próprios contra qualquer risco, principalmente o originário do movimento popular e libertador pela Paz e a independência.

Não necessitamos de salientar a importância da América Latina nos planos estratégicos do imperialismo. Há pouco tempo, o provocador de guerra Alexandre Seversky, numa inspeção aos nossos países a mando de Washington, assegurava que os Estados Unidos não poderiam travar uma segunda guerra com êxito, a menos que dispusessem do poderio humano e dos recursos da América do Sul.

O Brasil, como sabem, ocupa lugar de primeiro plano tanto por aquelas razões, como pela sua posição geográfica. Esteve recentemente, em nosso país, o general Mark Clark, tomando as derradeiras providências coordenadoras para a utilização do nosso solo para base militar e fonte de recursos para o ataque que esperam levar a efeito contra a União Soviética e as novas democracias. Mas isso tudo são medidas, cálculos, e desejos dos novos candidatos a Nuremberg.

O Povo Brasileiro Vencerá

QUEREIS saber naturalmente como se comportam, no final de contas, as vítimas, a parte mais interessada, aquelas forças que dirão a última palavra sobre o assunto.

Pois bem! Vimos a este Congresso para, entre outras coisas, dizer-vos isto. O povo brasileiro não tem nada que ver com estes cálculos a não ser no que se refere à necessidade de esmagar os seus fautores. O povo brasileiro quer a paz, parque sabe que ela representa o seu sentimento humano e seu interesse patriótico de independência e libertação, de progresso e soberania. O povo brasileiro não lutará em guerra de conquista contra nenhum povo e muito menos contra aUnião Soviética, guardiã vigilante da causa da Paz e da Independência para todos os povos. Não daremos nada do que é nosso, nossa juventude e nosso sangue, nem cooperaremos num crime de lesa-humanidade. As forças democráticas do meu país estão fazendo esforços para colo-car a causa da defesa da Paz como o centro da vida nacional e o ponto fundamental que possa reunir todos os patriotas, sejam de que tendência forem.

A Voz do Patriotismo

Chegamos a este Congresso transportando a mensagem de luta e de unidade dos combatentes da Paz em nossa Pátria. Essa mensagem contém o sangue ardente de 3 patriotas assassinados pelos agentes guerreiros durante a preparação deste magno Congresso Continental. Vicente Malvoni, Jaime Caiado e José Magalhães França, mortos pela ditadura de Dutra, são a mais alta expressão do que o povo brasileiro vem fazendo e está disposto a fazer em defesa da Paz mundial. Para eles e para todos os que se sacrificaram nessa luta que tanto avançou em poucos meses, pedimos deste Congresso uma homenagem especial, porque é nosso dever, antes e acima de tudo, educar os povos com o exemplo dos que não negam a vida em favor de tão elevada causa.

Nossa luta fundamenta-se numa tradição pacífica antiga e nobre, traduzida nas três Constituições brasileiras dos últimos cinqüenta anos. Tomamos parte na grande guerra dos povos contra o fascismo porque se tratava de uma guerra justa e libertadora. Cumprimos nossos dever internacionalista e patriótico e, como resultado da vitória comum, as forças democráticas saíram fortalecidas internamente e obtiveram algumas conquistas, hoje quase todas suprimidas. Desde 1945 mobilizamos essas forças contra a intervenção ianque do embaixador Berle, contra as intrigas e provocações contidas no Livro Azul do Departamento de Estado, visando pressionar a nação argentina, provocações que prosseguem apesar de tudo; lutamos pela expulsão dos soldados ianques de nossas bases militares, o que conseguimos, não obstante a nova ameaça de voltarem. Enfim, tivemos oportunidade de educar o nosso povo, já em 1946, sobre o significado reacionário de uma guerra contra a União Soviética. Isto, entretanto, não exclui o reconhecimento de que tivemos muitas debilidades no desmascaramento e na denúncia das maquinações, da penetração e da agressividade crescentes do imperialismo. Compreendemos com atraso injustificável a nova situação mundial, a divisão do mundo em dois campos antagônicos e irreconciliáveis — um o campo da Paz, o mais poderoso e em crescimento, dirigido pela União Soviética; e o outro, o campo da guerra, dirigido pelos Estados Unidos, à beira da crise e da catástrofe, protetor dos restos fascistas e centro da reação mundial. Estes motivos e mais a subestimação do perigo iminente de guerra, fizeram com que nos lançássemos também com atraso na campanha de defesa da Paz mundial. O apelo para o Congresso de Paris despertou-nos e começamos a reunir as melhores forças de nosso povo, o que nele há de mais representativo na cultura, no movimento operário e patriótica, para expressar o apoio àquele Congresso, cuja importância devemos continuar destacando, pela maneira rápida com que ergueu e mobilizou a ação dos povos para conter o braço traiçoeiro dos provocadores de uma nova guerra mundial, confirmando assim a justeza do fato histórico de que as forças da Paz são tão poderosas que se derem provas de tenacidade e de firmeza serão capazes de sepultar para sempre os planos agressivos do imperialismo.

Frente Anti-Guerreira

O movimento brasileiro pela Paz vem ganhando amplitude e profundidade. A imensa vontade de Paz do nosso povo, seus anseios de progresso, de democracia, e de independência, estão sendo transformados numa poderosa frente comum contra o imperialismo e os preparativos belicosos do governo Dutra. Em três Congressos Regionais, que reuniram delegados de todo o país para tirarem resoluções e enviarem representantes a este Congresso Continental, houve manifestações de caráter popular e de massas que mostraram a face dos verdadeiros inimigos da Paz e causaram repercussão nacional e mundial. A ditadura Dutra procura, através da mais furiosa repressão, impedir a luta pela Paz. Nossa delegação foi praticamente impedida de viajar; considera a palavra Paz subversiva e manda sua polícia metralhar qualquer demonstração a seu favor. À frente da Paz, por isso, associa-se cada vez mais a defesa das liberdades democráticas, com a luta anti-imperialista e a defesa da soberania nacional. Estamos ultrapassando aquela fase em que a campanha pela Paz era colocada no mesmo plano de igualdade com as demais tarefas patrióticas do nosso povo. Nossos esforços estão sendo canalizados em ritmo acelerado para o leito comum da defesa da Paz, da qual dependem a democracia e a independência para nós e para todos os povos. Mas não podemos esquecer ainda que as maiores fraquezas do movimento de defesa da Paz residem na diminuta mobilização da classe operária, na falta de confiança em sua capacidade de sacrifício e de compreensão mesmo de seu papel histórico; na falta de maior ligação de suas lutas com o problema fundamental da Paz e com a organização de comitês específicos em todas as empresas. A classe operária é o esteio da luta pela paz e sobre sua unidade e sua firmeza repousam a solidez e o futuro vitorioso dessa histórica tarefa. Existem muitas incompreensões de diversa ordem, em face da amplitude da campanha. Não se compreendeu inteiramente que qualquer restrição a respeito de um partidário da Paz, sincero que seja, prejudica o movimento. E nos tem faltado audácia. A combatividade do povo demonstra que a nossa luta não está maior devido a não termos levado à prática as resoluções do Congresso de Paris, que sabiamente nos exigem audácia.

União Pela Liberdade

Companheiros delegados:

As forças da Paz são invencíveis se permanecem vigilantes e se continuam a desenvolver a mais intensa, audaz e unida ação de massas para deter os assassinos forjadores de uma nova hecatombe. Cada dia que passa é uma batalha ganha, em que mais fortes nos tornamos.

O povo brasileiro está certo de que desempenhará a parte que lhe cumpre nesta missão ao mesmo tempo humana e revolucionária. Ele fará tudo para contribuir no sentido do fortalecimento do campo da democracia e da Paz, sob a gloriosa e firme liderança da União Soviética, defensora do entendimento entre todas as nações, da coexistência pacífica dos povos, por diferentes que sejam seus sistemas sociais. Com o sangue derramado por nossos heróis e com o sacrifício que estamos dispostos a realizar, vamos também tecer os fios da corda vingadora que poremos no pescoço daqueles que intentem, se o conseguirem, crime tão grande contra os povos.

Viemos a este Congresso encontrar o caminho da ação comum, da solidariedade necessária e urgente, e da multiplicação dos nossos esforços contra os instigadores de uma nova guerra. Temos o dever de convencer a todos os patriotas do continente, aos homens e mulheres de cada país, sem distinção, a não ser aquela de ser sincero partidário e combatente da Paz mundial, de que a luta por seus direitos econômicos, políticos e sociais, em defesa da independência nacional, da democracia, da vida e da liberdade de cada ser humano, está em íntima relação com a luta contra os governos de traição e provocadores de guerra. Temos o dever de convencer a todos que a guerra pode ser evitada pela nossa ação unida. Digamos NÃO aos incendiários de guerra. Digamos cada vez mais alto e firmemente que a União Soviética é a nossa mais leal e poderosa amiga, estrela polar de nossa luta em prol da Paz, intransigente defensora de nosso direito de resolvermos soberanamente nossos destinos nacionais. Proclamemos, sem vacilações, que não faremos a guerra dos imperialistas contra o socialismo e contra a democracia. Ao contrário, que faremos desta luta o instrumento de unidade de ação, pela liberdade e pela independência de nossos povos.


 

 

A Gloriosa Bandeira de 1935

Pedro Pomar

Novembro de 1975

Transcorre neste mês de novembro o 40º aniversário da insurreição nacional-libertadora de 1935. As forças populares, em especial os comunistas, orgulham-se de evocá-la como de suas ações mais gloriosas em favor da liberdade, da independência da Pátria.

Ante a ameaça de avassalamento do país pelo fascismo, o partido do proletariado — o Partido Comunista do Brasil — veio audazmente para a cena política com propostas unitárias, com um programa mínimo revolucionário, disposto a travar até o fim a batalha pela salvaguarda dos interesses nacionais, pelos direitos democráticos. Inspirou e organizou a Aliança Nacional Libertadora e promoveu a primeira tentativa da história brasileira de instaurar um governo popular-revolucionário com a finalidade de sacudir o jugo do imperialismo, liquidar com o sistema do latifúndio, garantir um regime de democracia, progresso e cultura para as grandes massas.

Novembro de 1935 projeta-se em nossa vida política como importante divisor de águas. A partir de então, a contenda entre as forças progressistas e as reacionárias, em torno das mesmas questões e tarefas básicas, se aguça, sempre mais. Assustados pelo que consideram o mais terrível dos precedentes, os inimigos do povo — a grande burguesia e os latifundiários, associados ao imperialismo, tendo à frente as Forças Armadas — decidiram impedir por todos os meios que o feito se repita. Vêem o “fantasma do comunismo” em cada manifestação de massas, em qualquer gesto patriótico.

Tentam esconjurá-lo, perseguem-no por toda parte. Em 1964 tiveram de estabelecer uma ditadura militar sangrenta, terrorista, a fim de abafar os anseios populares e arranjar uma pretensa solução para as contradições sociais em agravamento. Mas seu fracasso é rotundo. São alvo de ódio crescente do povo. Isolam-se mais e mais. Ainda que pretendam manter sua tutela indefinidamente sobre o país, sua derrota é inevitável. Ao passo que as forças populares, apesar dos insucessos estão confiantes em suas possibilidades, mais conscientes e maduras. Retomam em melhores condições o caminho da frente-única e da luta armada, o único capaz de dar solução aos problemas da revolução democrática e antiimperialista, os mesmos de 1935.

Os comunistas, ao cumprir o imprescritível dever de homenagear os aliancistas e camaradas que se sacrificaram para conter a ofensiva fascista, ressaltam o significado da iniciativa heróica, procuram extrair as lições da derrota, esforçam-se por empunhar com maior firmeza e acerto a bandeira vermelha da revolução. Hoje ainda mais convencidos de que, por longo e difícil que seja o caminho a trilhar, o futuro pertence ao povo. Ninguém poderá evitar seu triunfo.

A ameaça fascista

Para compreender o significado da insurreição de novembro de 35 impõe-se o exame, mesmo sumário, da situação concreta daquele período após a I Guerra Mundial. Os círculos mais agressivos do imperialismo estavam temerosos do avanço da revolução proletária, socialista, e do movimento libertador dos povos oprimidos. Buscavam salvar-se através dessa modalidade de ditadura terrorista. E vendo acentuar-se a crise geral do capitalismo com a irrupção do craque econômico-financeiro de 1929/32 — o mais profundo que já haviam sofrido — apegaram-se ao recurso dos métodos fascistas de governo.

Desse modo, pretendiam jogar o fardo de suas dificuldades sobre as costas das massas trabalhadoras, intensificar a exploração dos povos atrasados, efetuar nova partilha do mundo por meio da guerra. Em 1933, subiu ao poder na Alemanha o Partido Nacional-Socialista de Adolfo Hitler: a variedade mais reacionária e feroz do fascismo. Utilizando desbragada demagogia, os nazistas imediatamente revelaram seu caráter bárbaro e belicoso. Montaram monstruosas provocações para destroçar as conquistas do tradicional e poderoso movimento operário e democrático alemão; entregaram-se ao extermínio físico implacável de todos os seus adversários, a começar pelos comunistas.

Pari-passu com esse terrorismo, delineava-se a sombria ameaça de outra guerra mundial. O Japão militarista, desde 1931, arrojara-se à conquista da China, na presunção de escravizá-la. Em outubro de 1935, a Itália de Mussolini invadia a Etiópia, e a convertia em sua colônia. A Alemanha de Hitler armava-se febrilmente a fim de rever pela força os tratados de paz do pós-guerra, apoderar-se da Europa e arremeter sobre a União Soviética, então o baluarte da causa da revolução e do socialismo. Urdia-se a intervenção ítalo-alemã na Espanha, onde as correntes republicanas estavam em ascensão. Em toda parte, o nazi-fascismo fomentava a constituição de bandos de assalto e cabeças-de-ponte com o objetivo de efetivar seus planos de hegemonia mundial, sonhada para um milênio.

Os povos, porém, não desejavam submeter-se passivamente a esses planos. Dispunham-se a resistir, a preservar as liberdades democráticas, a independência de seus países. Potentes movimentos de frente-única antifascista e ações armadas se desenvolviam, assentando golpes contundentes nos selvagens inimigos. Nos meses de julho e agosto de 1935, realizou-se o histórico VII Congresso da Internacional Comunista.

À base do relatório de Dimitrov, o Congresso fez uma completa caracterização do fascismo, demonstrou que seu poder era feroz mas precário, que sua ofensiva podia ser detida e derrotada. Todavia, o proletariado devia unir-se urgente e imperativamente, e formar uma frente de todas as forças interessadas na defesa das liberdades, do progresso social e da paz. Também a União Soviética, liderada por Stálin, desmascarava com energia e de modo incansável a política guerreira das potências fascistas, articulava um pacto dos países amantes da paz e preparava-se para qualquer eventualidade.

No Brasil, eram evidentes as repercussões dessa situação. Padecendo dos males crônicos do predomínio do latifúndio arcaico e da dependência ao imperialismo, o país fora grandemente afetado pela crise de 1929-32. Embora tivesse adotado algumas medidas de conteúdo democrático e nacionalista, a chamada revolução de 30 não eliminara a sujeição aos trustes internacionais nem o monopólio da terra.

Na verdade, desde que ascendera ao poder, o governo Vargas, representante da burguesia aliada a setores latifundiários, seguira uma política de adaptação do capitalismo aos velhos interesses criados. Empenhava-se em pagar antigas e novas dívidas contraídas com os banqueiros de Londres e Nova Iorque; aceitava como fatalidade o aviltamento dos preços dos produtos agrícolas de exportação; e com idêntico fatalismo tolerava o comércio desigual do país com as metrópoles imperialistas.

Na medida em que avultavam as aperturas financeiras, Vargas outorgava maiores privilégios aos grupos econômicos estrangeiros e aos latifundiários, agravando as condições de vida e de trabalho das massas. Em 1935, iniciou negociações para subscrever acordos comerciais na base de moedas compensadas com a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini. Com semelhantes concessões facilitaria a penetração dessas potências no Brasil, onde já vinham financiando ostensivamente a Ação Integralista, de Plínio Salgado.

No terreno político, também a orientação de Vargas sempre fora de compromisso com as velhas oligarquias, tendo em vista isolar e reprimir as forças progressistas. Esse compromisso reforçou-se, mesmo depois da derrota dos grupos reacionários de São Paulo ma guerra civil de 1932. Em conseqüência, a Constituição de 1934 só formalmente inscreveu alguns direitos democráticos. Na prática, as liberdades almejadas pelo povo e tão prometidas pela Revolução de 30 se restringiram. O Partido Comunista continuava perseguido, na clandestinidade. No entanto, os integralistas recebiam franco encorajamento.

Fruto do conluio com Armando de Sales Oliveira, Júlio de Mesquita Filho, Vicente Rau e companhia, em princípios de abril de 1935 foi aprovada pelo Congresso e sancionada por Vargas a primeira Lei de Segurança Nacional, paradigma das que viriam posteriormente. Nessas circunstâncias, a Constituição transformava-se em letra morta e o Parlamento, em apêndice ineficiente. As forças Armadas, após terem sufocado algumas rebeliões de soldados, cabos e sargentos e coarctado atitudes autônomas de certos “tenentes”, retornavam à sua habitual postura antipopular. Muitos oficiais aderiram ao integralismo; e aos postos principais da hierarquia militar eram guindados reacionários ou fascistas notórios: Goes Monteiro, Gaspar Dutra, Newton Cavalcanti, Juarez Távora e outros. Havia divergências no seio das classes dirigentes, mas o sentido da fascistização do poder não podia ser ocultado.

Em decorrência dessa política, generalizava-se o descontentamento entre o povo. Nas cidades, o proletariado e as massas trabalhadoras lutavam em favor de seus interesses vitais, das liberdades públicas, fortaleciam suas organizações de classe, adquiriam maior consciência dos perigos da reação. No interior, os camponeses criavam suas primeiras Ligas, pugnavam por justiça e formavam pequenos grupos de autodefesa para se oporem à prepotência dos latifundiários.

Mesmo entre as camadas da pequena-burguesia, especialmente entre os “tenentes”, que haviam participado do movimento armado de 30, eram visíveis as frustrações diante da degenerescência da “revolução” e dos rumos seguidos pelos governantes. Em suma, a ausência de soluções para os problemas candentes, o império da corrupção, a escalada repressiva das Forças Armadas e da polícia política, a pronunciada ameaça integralista e fascista, inquietavam com razão as forças progressistas, polarizavam sua atenção, estimulavam-na para o encontro de uma saída correta, revolucionária, que satisfizesse os interesses do povo.

A ALN

Nesse ambiente de efervescência, de constante diferenciação entre as forças políticas, de crescente avanço do fascismo, de ansiosa busca de um justo caminho para a defesa da democracia, é que surge a Aliança Nacional Libertadora.

A iniciativa de aglutinar diversos setores sociais e políticos, bem como destacadas personalidades, em defesa do postulados nacionais e democráticos, partiu dos comunistas. Estes, depois de 1930, empenhavam-se seriamente em romper por completo com suas posições sectárias. Formularam uma linha e uma tática que lhes possibilitassem integrar-se na vida política, reforçar suas ligações com as massas. A medida de seus êxitos traduziu-se no aumento de sua influência nos meios operários e sindicais, e entre a intelectualidade.

A idéia da frente-única, discutida desde fins de 1934, ganhava terreno. Apesar dos fortes preconceitos anticomunistas, as propostas unitárias do Partido iam encontrando boa acolhida. A unidade dos antifascistas se impunha. Não havia outro meio de opor-se aos planos tenebrosos de domínio do fascismo e do imperialismo senão mobilizar as grandes massas e constituir uma sólida frente-única, com programa claro e sentido revolucionário. Os argumentos dos democratas sinceros que duvidavam das intenções do Partido ou dos que manifestavam ressentimentos e suspeitas sobre essas intenções esboroavam-se diante dos fatos, bem como da conduta leal, sem ambigüidades, dos comunistas. As tergiversações ou as protelações só favoreciam, como a vida mostrou, os inimigos da nação.

Em fins de março de 1935, a Aliança Nacional Libertadora inicia suas atividades legalmente, de maneira auspiciosa. Exprimindo as sentidas aspirações populares, a novel organização refletia uma esplêndida vitória da unidade. Englobava vários agrupamentos políticos, nomes expressivos no parlamento, na cultura, no “tenentismo”. Seu programa básico consistia de reivindicações concretas, a saber:

  1. Suspensão em definitivo do pagamento das dívidas externas, sob o fundamento de que já haviam sido pagas há muito;

  2. Nacionalização imediata de todas as empresas imperialistas, “arapucas” para as quais o povo trabalhava sob terrével exploração;

  3. Proteção aos pequenos e médios lavradores; entrega da terra dos grandes proprietários aos camponeses e trabalhadores que as cultivavam, visto serem seus únicos e legítimos proprietários;

  4. Gozo das mais amplas liberdades pelo povo, nele incluídos os estrangeiros que aqui trabalhavam e eram tão explorados quanto os brasileiros;

  5. Constituição de um governo popular orientado somente pelos interesses do povo brasileiro.

Esse programa simples se expressou no lema: Pão, Terra e Liberdade! No ato da instalação, o nome de Luiz Carlos Prestes foi aclamado para a presidência de honra da Aliança. Ele desfrutava na época de reconhecida popularidade.

Em 1924, como capitão do Exército, promovera um levante de quartel e, a seguir, se tornara um dos chefes da Coluna que, combatendo de armas na mão, atravessara, durante dois anos, os sertões do Brasil. Estava desfraldada, assim, uma grande bandeira revolucionária.

O entusiasmo com que as massas receberam a Aliança e seu programa ultrapassou as expectativas. Em pouco tempo, estruturaram-se núcleos aliancistas na maioria dos Estados. Só na capital da República, Rio de Janeiro, neles inscreveram-se mais de 50 mil membros. Em suas fileiras incorporaram-se principalmente trabalhadores, soldados, marinheiros, cabos e sargentos — as camadas mais pobres das cidades. Caravanas percorriam as diferentes regiões do país, multiplicavam-se os comícios com enorme afluência. Nunca se testemunhara tão poderoso movimento patriótico de massas, tamanho interesse pelo debate dos problemas nacionais. O jornal diário A Manhã, do Rio, tornou-se o porta-voz dos anseios antifascistas. Paralelamente, cresciam as organizações sindicais do proletariado, surgiam centros da intelectualidade em defesa da cultura, associações femininas, entidades juvenis. Sem dúvida, com a criação da Aliança, o movimento popular, democrático, adquiriu vertiginoso impulso. As forças progressistas descortinavam novos horizontes para suas lutas.

O governo Vargas, como depois confessou, vinha acompanhando com apreensão o desenvolvimento impetuoso das atividades da Aliança. Os grupos da oligarquia e do imperialismo, os setores fascistas da reação, desde o surgimento da organização de frente-única, tramavam golpeá-la, liquidá-la.

E não tardaram em fazê-lo. Mal completara três meses de funcionamento legal, em julho, o governo decretou o fechamento da ANL, sob a acusação de que arquitetara “um plano comunista para a tomada dom poder”. Tanto os protestos como as providências jurídicas cabíveis contra o ato de força, ilegal, foram contraproducentes. O nazista Filinto Muller, chefe de polícia de Vargas, desencadeou imediata e drástica perseguição não só aos militantes aliancistas como aos dirigentes de sindicatos independentes e demais organizações democráticas. Sedes foram varejadas; ativistas presos e enquadrados na Lei de Segurança com o “subversivos”, “agentes vermelhos a soldo do estrangeiro”.

Ao mesmo tempo, o governo e a reação continuavam a apoiar por todos os meios os bandos integralistas. Criaram uma polícia especial objetivando espalhar o terror, aumentaram os efetivos da polícia política. Por seu turno o Exército e a Marinha entregavam-se ao expurgo de praças e oficiais suspeitos de antifascismo, aprestavam-se para prevenir qualquer intento do protesto popular.

Entre as classes dominantes, porém, acirravam-se as disputas. Se bem que nenhuma de suas facções aceitasse a Constituição, a vigência dos direitos democráticos, ou sequer se inclinasse a favor do povo, cada qual pretendia assenhorar-se do governo. Havia conspirações de todos os lados perseguindo o propósito de consolidar a reação ou instaurar abertamente o fascismo, para conter a “agitação e preservar a ordem!”. Depondo anos depois sobre essas rivalidades e apetites, Alzira Vargas, filha do então presidente da República, escreveu que se sucederam “episódios deprimentes, ora cômicos, ora dramáticos”. Em novembro de 1935, já lavrava intensa agitação política. Devido aos baixos salários, à carestia de vida e à atuação provocadora dos integralistas, o descontentamento popular atingira grandes proporções. O estado de ânimo dos militares sumariamente dispensados da ativa chegara próximo da rebeldia.

Diante dessa situação, que fazer? Sucumbir sem luta ou enfrentar com coragem a onda repressiva, os manejos da reação e os projetos de fascistização do país?

A insurreição

O Partido Comunista não vacilou: resolveu preparar e desencadear a insurreição armada. Mesmo na ilegalidade, o trabalho de propaganda e arregimentação da Aliança foi incrementado. Para unir o povo na resistência, as bandeiras da luta antiimperialista e antifascista precisavam ser erguidas ainda mais alto. Eram disposições acertadas, oportunas. Mas em novembro, sentindo que os acontecimentos se precipitavam, contando com a influência da ALN entre praças e oficiais das Forças Armadas e julgando que o nome de Prestes galvanizaria o Exército, a direção do Partido apressou o desfecho da ação armada e lançou a palavra de ordem de Governo Nacional Popular Revolucionário, com Prestes à frente.

Embora a reação estivesse alertada e atuasse no sentido de provocar o aborto da insurreição, a 23 de novembro irrompeu em Natal, Rio Grande Norte, a sublevação dos soldados, cabos e sargentos do 21º BC, ali aquartelado. Diversos setores da classe operária e do povo, que já vinham realizando greves e manifestações reivindicatórias e antiimperialistas, juntaram-se imediatamente aos rebelados. Após ásperos combates, foi vencida a resistência da Polícia Militar, que se conservava ao lado da reação. Os revoltosos aprisionaram os agentes do governo que não conseguiram fugir. Instaurou-se naquele dia o primeiro governo popular revolucionário da história do país. Um novo jornal, A Liberdade, editado após a vitória, anunciava o fato memorável:

“Enfim, pelo esforço invencível dos oprimidos de ontem, pela colaboração decidida e unânime do povo, legitimamente representado, inaugura-se no Brasil a era da liberdade, sonhada por tantos mártires…”.

Concitava os patriotas à luta por “Todo poder à ALN”. Compunham o novo governo: o sapateiro José Praxedes, encarregado do aprovisionamento; o sargento Quintino Clementino de Barros, da defesa; o funcionário público Lauro Cortes do Lago, do interior; o estudante João Galvão, da Viação; e o funcionário dos Correios e Telégrafos José Macedo, das Finanças. As medidas iniciais adotadas pelo governo revolucionário destinaram-se a baratear os preços dos gêneros alimentícios e das tarifas dos transportes, a moralizar a administração pública, a mobilizar forças para o prosseguimento da luta armada.

As massas populares exultaram com o triunfo, confraternizaram com os insurretos, deram-lhes completo apoio. Percebiam que se instalara um governo como jamais haviam tido, genuinamente seu, voltado para seus interesses, imediatos ou permanentes. Rapidamente o movimento se estendeu às cidades de Ceará-Mirim. S. José de Mibipu, Canguaretama, Santa Cruz e outras. Pensava-se levá-lo a todo interior do Estado e a Pernambuco, cujas tradições revolucionárias permaneciam vivas.

Com efeito, nesse Estado, pela manhã de 24 de novembro, obedecendo aos mesmos motivos, sublevara-se o 29º BC, aquartelado em Vila Socorro, próxima a Recife. Mas o levante foi apenas parcial. Não obstante, resultara do vigoroso movimento operário e popular em desenvolvimento, estava em ligação com a combativa greve dos ferroviários da Great Western. De sobreaviso, as tropas da reação ofereceram pronta e tenaz resistência. As massas que simpatizavam com o movimento da sublevação do quartel, não tiveram tempo de tomar armas. Foi o governo reacionário que conseguiu enviar reforços para seus partidários. E os insurretos, embora portando-se com extrema bravura em todo o decurso da luta, ficaram isolados, sem munição. Tiveram de render-se.

Ao saber desses acontecimentos, a direção nacional do Partido julgou de seu indeclinável dever prestar solidariedade aos revolucionários do Nordeste, fortalecer a luta que se iniciara. Decidiu de imediato lançar ao combate as forças sob sua influência no Rio de Janeiro e em outros Estados. Nessa altura, o Estado-Maior das tropas reacionárias, em rigorosa prontidão, estava sabedor de que a insurreição se desencadearia em algumas guarnições acantonadas na capital do país. Prenunciava-se, portanto, uma peleja duríssima. Ainda assim, na madrugada de 27 de novembro, efetivou-se o levantamento de numerosos contingentes de soldados e oficiais do 3º Regimento de Infantaria e do Regimento Escola de Aviação, duas das mais importantes unidades militares do Rio.

Os núcleos aliancistas e as células comunistas nessas unidades executaram sem vacilações, com intrepidez, as diretivas do Partido e da ANL. Os combates, como se previa, foram violentíssimos. A reação concentrou rapidamente efetivos vários vezes superiores a fim de cercar e atacar os regimentos sublevados, O 3º RI, onde a refrega assumiu maiores proporções, ficou reduzido a escombros pelo bombardeio da artilharia e da aviação governistas. Após quase dez horas ininterruptas de luta, durante as quais procuraram romper valentemente o cerco inimigo, e sem receber o esperado apoio de outras unidades, os sublevados capitularam.

Nesse mesmo dia 27, o movimento insurrecional do Rio Grande do Norte também cessou praticamente, ante o ataque de forças imensamente superiores, que convergiram de vários pontos sobre Natal e as outras cidades rebeladas. Alguns grupos guerrilheiros que ainda subsistiram no interior do Estado, sem experiência e sem confiança neste formidável método de luta, acabaram entregando-se ou dispersando-se.

Desse modo, após quatro dias, durante os quais despertaram a esperança e o entusiasmo das grandes massas exploradas e oprimidas, travaram batalhas heróicas e perderam vidas de companheiros queridos, os combatentes antifascistas, com os comunistas à frente, foram batidos, temporariamente postos fora de ação.

Sobre os revolucionários derrotados recaiu instantâneo, pesado, cruel, o castigo dos cruzados da ordem. Fuzilaram sumariamente vários soldados prisioneiros. Os que sobreviveram foram recolhidos a presídios, ilhas, navios, etc. Eram milhares. Vargas reclamou e obteve do Congresso o estado de sítio para todo o país. A execução das medidas repressivas ficou a cargo dos generais fascistas e do carrasco Filinto Muller.

Em seguida, levantaram um coro de calúnias com o propósito de difamar a conduta dos revolucionários; difundiram que haviam assassinado oficiais a sangue-frio, violentado moças, etc. A verdade, no entanto, segundo testemunhas insuspeitas, é que os revolucionários agiram com grande generosidade, jamais desrespeitando os prisioneiros. As classes dominantes não fizeram segredo de que consideram o pior crime das massas trabalhadoras, a tentativa de pegar em armas para livrar-se da opressão. Seus agentes emulam em covardia, ferocidade e farisaísmo com o intuito de escarmentar os que a isso se atrevem. Fazer uso das armas, subverter a Constituição, assassinar impunemente os adversários, é privilégio seu. Os pobres são proibidos de sublevar-se.

Refutando injúrias e falsidades

Nestes 40 anos, a reação dedicou-se a injuriar o movimento insurrecional de 1935, no afã de apaga-lo da memória dos patriotas. Nesse sentido, procede de modo ainda mais torpe que os colonialistas portugueses com o exemplo de Tiradentes. Além do terror fascista, propaga mentiras deslavadas, deturpa os mais triviais. Os generais distinguem-se particularmente nessa campanha. Com sua proverbial coragem de torturar e matar prisioneiros inermes e dizer tolices, cumprem anualmente seu ritual comemorativo de novembro de 1935, cobrindo os lutadores antifascistas de maldições, proferindo novas ameaças, tentando intimida-los para que não voltem a palmilhar o mesmo inelutável caminho.

Nos insultos dos generais as forças populares encontram as melhores justificativas aos objetivos dos que tombaram, os maiores elogios ao seu heroísmo e aos seus sacrifícios.

Também os chamados liberais, os conciliadores e reformistas têm-se empenhado em denegrir ou menosprezar o movimento de 35, classificando-o de aventura, de putsch, de responsável pelo advento do Estado Novo fascista. São os eternos críticos, com o perdão da palavra, dos “radicais de esquerda”, por eles acusados de obstruir , com suas atitudes, a marcha “natural” das coisas, om passo lento e gradual das reformas pacíficas destinadas a criar uma sociedade aberta, a institucionalizar a democracia no país.

São totalmente falsas as acusações desses impenitentes partidários da distensão a qualquer preço. Os comunistas sempre condenaram as aventuras e os putsch, nunca se opuseram às reformas. Tampouco inventaram as contradições oriundas do capitalismo. Como revolucionários, e verificando o recrudescimento extremo dessas contradições na época do imperialismo, convenceram-se de que os povos somente podem conquistar a democracia, a independência nacional e o socialismo através da luta revolucionária das massas. À velha argüição dos reformistas burgueses de que as reformas só virão se os revolucionários renunciarem à revolução, o grande Lênin respondeu da seguinte maneira:

“Ou bem a luta revolucionária de classes, cujo produto secundário sempre costuma ser as reformas (em caso de êxito incompleto de revolução), ou bem nada de reformas”. (Os grifos são de Lênin).

A análise da realidade brasileira comprova o acerto dessa tese leninista. A insurreição de 35 não ocasionou a implantação direta do Estado Novo nem o agravamento das contradições internas. Com a derrotadas forças aliancistas, é lógico, os reacionários tiveram campo livre para levar adiante seus planos, já que em momento algum os conciliadores se antepuseram à consumação dos mesmos.

Persuadimo-nos, ademais, que se não tivesse ocorrido a luta armada de 35, o Estado Novo sobreviria com feições mais abertamente fascistas, isto é, teria o respaldo de um partido, como o Integralista, com algum apoio político, não desmascarado de todo. O próprio Vargas, até hoje apresentado como um contrapeso à ditadura dos militares de então, com o golpe, poderia ser afastado do poder. Possivelmente também não se teria constituído a base política que facilitou a participação do Brasil na guerra contra o fascismo (precisamente na maior de todas as guerras, senhores pacifistas e reformistas!), participando reconhecidamente a contragosto dos Dutra, Goes Monteiro et caterva e por eles sabotada. É bom recordar ainda o julgamento das massas sobre a luta de 35. Quando o Partido Comunista do Brasil veio para a legalidade, em 1945, foi transformado, graças ao apoio popular, num dos mais importantes agrupamentos políticos do país.

Além de se recusarem a computar ou avaliar esses resultados de novembro de 35, os conciliadores burgueses sofrem de terrível amnésia quando se trata de interpretar e questionar a responsabilidade da reação, em particular das Forças Armadas, nos acontecimentos subseqüentes, acontecimentos que demonstram qual a tendência real das classes dominantes. De 1936 para 1937, a ameaça “comunista” parecia de tal modo inexistente que o ministro da Justiça ordenou a soltura dos presos aliancistas, com exclusão dos mais implicados, dos chefes.

A própria direção do Partido Comunista do Brasil, embora exaltasse em palavras a façanha de 35, ia abandonando os objetivos revolucionário se adotando posições nacional-reformistas, Em obediência ao estipulado na Constituição, iniciara-se a campanha para a eleição direita à sucessão presidencial. Os principais candidatos, Armando de Sales Oliveira e José Américo, ex-aliados e amigos de Vargas, e as forças que os sustinham. Distanciavam-se tanto da subversão como o céu da terra. Bastou porém que as correntes populares começassem a dar sinal de vida , a se organizar em torno de plataformas democráticas e a engrossar os comícios políticos apresentando palavras de ordem independentes, para que todo o panorama repentinamente voltasse a ficar sombrio. Visto como as Forças Armadas não encontrassem pretextos plausíveis, resolveram arranjar no arsenal nazi-integralista o monstruoso Plano Cohen, de autoria publicamente confessada de elementos do Exército.

Com base nesse plano provocativo, as Forças Armadas impuseram, e Getúlio referendou, o estado de guerra com a finalidade de julgar a “comoção interna”. A seguir, interromperam violentamente a campanha eleitoral, dissolveram o Congresso, prenderam em massa os adversários e decretaram o Estado Novo, com uma Constituição calcada em modelos fascistas. Tencionavam ir bem longe, quem sabe?, institucionalizar também por um milênio o reino da nação. Tanto assim que, em pleno apogeu das vitórias de Hitler, em 1940, Getúlio saudava a nova era fascista, com o país forçosamente atrelado ao carro dos vencedores…

Mas o que sobreveio foi a derrota política e militar, fragorosa, das potências fascistas, graças exatamente à coligação das nações antifascistas, na qual a União Soviética, de Stálin, jogou papel decisivo. As aspirações democráticas, emancipadoras das massas, ressurgiram com maior força. Diante disso, os mesmos generais que haviam instituído o Estado Novo, trataram de manobrar para, logo depois, invocar os pretextos de sempre e atentar contra os interesses do povo e do país.

A história de ontem está diante de nossos olhos. O golpe de 1964 e a implantação da ditadura militar-fascista, se bem que perdure há onze anos, não deixa de dúvidas sobre o sentido da política das forças contra-revolucionárias anteriores, essas forças e seus representantes antediluviano não escondiam seus objetivos fascistas. Em abril de 1964, os Mourão Filho, Filinto Muller, Médici, Geisel, os Plínio Salgado, Francisco Campos, Júlio de Mesquita Filho e demais gorilas e mastodontes reacionários aparecem como “autênticos revolucionários e democratas”. Quer dizer, ao lado da tragédia, a farsa. Mas nem assim os conciliadores tiram as devidas conclusões. Ao contrário, tornam-se mais confusos e desmoralizados.

Apreciação crítica

Inegavelmente os comunistas cometeram erros que contribuíram também para a derrota da insurreição nacional-libertadora de 1935. Revelá-los de modo absoluto, é uma questão de princípio. Dessa forma, demonstram a seriedade de sua conduta política, a disposição de elevar-se à altura da missão que se propuseram. A apreciação crítica e autocrítica do movimento de 35 tardou, indiscutivelmente por debilidade ideológica e política, porque, no período pós- insurreição, até 1962, predominaram na direção do Partido Comunista do Brasil elementos influenciados pela burguesia e pela pequena-burguesia. Eles escamoteavam o problema crucial da luta armada ou lhe faziam oposição , aberta ou veladamente. Desejosos de acomodar-se ao desenvolvimento do capitalismo, de contemporizar, acabaram traindo os interesses do proletariado e das massas trabalhadoras.

Agildo Barata, a princípio, e depois Prestes, com seus partidários, tornaram-se de fato renegados da revolução. Prestes transformou-se num revisonista. Embora ainda se apresente como comunista, na realidade, trabalha para colocar o proletariado a reboque da burguesia e o povo brasileiro como caudatário do social-imperialismo soviético. Espera, hoje, que a democracia possa vir do apoio de alas ditas liberais das Forças Armadas, das classes dominantes ou de ações pseudo-libertadoras das Forças Armadas soviéticas. Aliás, nunca compreendeu a fundo que a luta revolucionária, verdadeira, consiste em fazer com que os operários e camponeses possuam armas e um exército próprio, popular, libertador.

Só quando romperam em todos os terrenos com os revisionistas chefiados por Prestes, os comunistas enveredaram pelo exame crítico corajoso de todas as posições anteriormente adotadas. Num balanço geral, verificaram que o período de 35 foi um dos mais ricos da vida política do país e do Partido. As lições que dele emanam podem ser de grande valor, se avaliadas corretamente, à luz do marxismo-leninismo. Além de conservarem imensa atualidade.

Em 1935, as massas haviam dado um salto em sua consciência sobre a necessidade da revolução, ao perceberem que esta deve ser obra delas próprias, de sua iniciativa, de sua unidade, de seus sacrifícios, de suas ações combativas, de uma orientação justa. Ao tomar parte no movimento armado de 1930, o fizeram sob a iniciativa e em proveito de minorias, das cúpulas, dos agentes dos latifundiários, da burguesia nacional e de alguns setores da pequena-burguesia radical. Interpretando corretamente esse amadurecimento da consciência das massas, para o qual ele havia contribuído decisivamente, nosso Partido elaborou uma linha política que correspondia no fundamental ao curso do processo objetivo, harmonizando-se com os supremos interesses da revolução.

A Aliança Nacional Libertadora representou um empreendimento ousado e de vasto alcance político, oferecendo ao povo brasileiro um instrumento de ação unida com reais condições de vitória em sua luta mais que secular pela liberdade e pela independência nacional. A frente-única estabelecida com a Aliança impulsionou o movimento popular, democrático, antiimperialista, elevou a níveis nunca atingidos a organização e a consciência política das massas. Nosso Partido projetou-se nacionalmente como o mais fiel defensor dos interesses dom povo, o mais ativo organizador da unidade contra o imperialismo e o fascismo. Nas duras provas e gloriosos combates que advieram, apareceu aos olhos de toda a nação como um destemeroso destacamento de vanguarda do proletariado revolucionário, disposto a dirigi-lo em quaisquer circunstâncias. Merecidamente, o prestígio e a influência do nosso Partido se consolidaram.

Não obstante, a política do Partido e seu trabalho de frente-única padeceram de sérias debilidades. Ao fazer esforços para expandir a Aliança entre as massas urbanas, não soube estendê-la ao campo. A mobilização dos camponeses continuava subestimada. Nesse período, no entanto, o inolvidável Harry Berger insistiria na importância da atividade entre as massas rurais. Berger, dirigente comunista alemão que a Internacional Comunista incumbira de ajudar a luta dos trabalhadores brasileiros, assim que chegou ao Brasil passou a estudar pessoalmente a experiência do surgimento das Ligas Camponesas e de guerrilhas na região do Baixo São Francisco, em Alagoas.

Argumentava que enquanto os comunistas não se ligassem às massas camponesas e conquistassem seus apoio, seria impossível obter a vitória bem como a direção do movimento revolucionário pelo proletariado. Aliás, não era outra a orientação da III Internacional. Dimitrov, em seu informe ao VII Congresso, esclarecendo o sentido concreto que devia ter a frente-única nos países submetidos ao imperialismo, e particularizando nosso país, dizia:

“No Brasil, o Partido Comunista, que construiu uma base correta para o desenvolvimento da frente-única com a fundação da Aliança Nacional Liberrtadora, deve fazer o máximo de esforços para estender ainda mais esta frente e atrair, antes e acima de tudo, as massas de milhões de camponeses com o propósito de orienta-las na formação de unidades do exército popular revolucionário devotado até o fim ao estabelecimento do poder da Aliança Nacional Libertadora”.

Entretanto, nosso Partido não deu a devida atenção a estas preciosas indicações. E assim permaneceu por longo tempo. Quando, porém, teve de fazer face ao golpe contra-revolucionário de 1964, compreendendo melhor o conteúdo da revolução e colocando-a em termos práticos, foi que o Partido passou a concentrar-se no problema camponês e a basear sua concepção de luta armada, tomando o campo como ponto de apoio fundamental.

Em outros aspectos, do trabalho de frente-única, o Partido conduziu-se de modo estreito, sectário. Por exemplo, o lançamento da palavra de ordem de Governo Nacional Popular Revolucionário, com Prestes à frente, não contribuiu para a ampliação do movimento, Deixava transparecer, ao contrário, que os comunistas queriam absorvê-lo. Também foram menosprezadas as possibilidades de ampliar a frente-única incorporando diversos grupos descontentes com a política de Vargas. Enfim, por causa da perspectiva imediatista e da incapacidade de aproveitar as dissensões que se acentuavam entre as classes dominantes, o movimento aliancista não se estendeu como devia.

Contudo, onde mais fortemente se manifestou o radicalismo pequeno-burguês foi na concepção e no método da luta armada. Isto não quer dizer que se deva considerar a insurreição de 35 como um putsch. De forma alguma. É certo que se deu precipitadamente; mas não como um golpe de cúpula, nem teve natureza exclusivamente militar; surgiu no quadro de um movimento de massas, amplo, democrático, antiimperialista. O Partido, porém, confiava numa vitória fácil, não levando em conta a realidade, a correlação de forças desfavorável e a própria época imperialista. Pelo menos, desconhecia que já em 1902, quando era marxista, Kautsky dissera que, na época imperialista emergente,

“a futura revolução (…) se assemelhará menos a uma insurreição de surpresa contra o governo do que a uma guerra civil prolongada”.

Lênin em janeiro de 1917, endossou firmemente essa opinião.

O Partido, imbuído de concepções “tenentistas” e fiando-se principalmente no apoio dos quartéis, subestimou a conquista das massas para a insurreição. Mas baseando-se estritamente nos levantes de quartel, o movimento revolucionário não pôde triunfar. A afirmativa de que esse método de luta é de “sabor tipicamente comunista”, constitui uma sandice. Na realidade, tem sido um procedimento burguês e pequeno-burguês. Leva as massas à passividade, não reconhece a necessidade de sua participação ativa na luta, feita quase sempre à sua revelia. No entanto, os levantes de quartel, como expressão do poderoso ascenso do movimento de massas, da insurreição popular, proletária, contribuem para a desagregação das tropas inimigas, para a organização do exército revolucionário.

A importância extraordinária da insurreição de 35 reside no faro de que pela primeira vez situou em forma concreta, em termos práticos, para os militantes comunistas e as forças populares, a atarefa da preparação e do desencadeamento da luta armada. Por isso, nosso Partido, procurando generalizar essa magnífica experiência e outras já vividas nesse terreno pelo povo brasileiro, e à luz dos ensinamentos do marxismo-leninismo, concluiu que o método provado para alcançar o triunfo pé o da guerra popular, da guerra revolucionária das massas. Com base nessa concepção, o Partido orienta seu esforço, preparando-se para a luta armada. Só assim, estará em condições de realizar, junto com as massas e na devida oportunidade, ações de envergadura, capazes de vencer a violência das forças contra-revolucionárias.

Passaram-se quatro décadas da gloriosa insurreição de 1935. Embora não seja. Do ponto de vista da história universal, um período congo, está cheio de acontecimentos de enorme alcance. No mundo e em nosso país ocorreram consideráveis modificações. Posto que a insurreição nacional-libertadora não tivesse enterrado no Brasil da reação e do imperialismo, abalou-o profundamente. Marcou uma etapa relevante.

Nela foram postulados pela primeira vez e de maneira nova os problemas essenciais da revolução brasileira, na fase atual, melhor caracterizadas suas forças motrizes e seus inimigos fundamentais, indicando o caminho da frente-única e o da luta armada, bem como revelada a fisionomia de seu verdadeiro dirigente, o proletariado revolucionário, guiado pelo Partido Comunista do Brasil. Nos embates encarniçados de 35, as forças populares compreenderam ainda que só a luta revolucionária educa as massas, forja seu ânimo combativo, abre-lhes maior visão da realidade e indica-lhe a medida de suas próprias forças.

Faz onze anos que a ditadura militar-fascista procura esmagar a resistência popular, varrer o fantasma da revolução democrática, antiimperialista, que ela acusas de comunista. Mas, ao contrário do que pretendem os generais, a revolução amadurece. Cresce na consciência dos patriotas e dos democratas a convicção de que as questões determinantes do movimento de 1935 precisam ser resolvidas. Sob o regime dos generais, o país tornou-se mais dependente, mais endividado, mais aviltado que em qualquer época de sua vida nacional.

Seu povo está mais pobre e oprimido. Impõe-se, portanto, fazer a revolução, através da ação unida das massas e de amplas forças políticas, e recorrendo ao caminho da guerra popular. Esta verdade vai-se apoderando da mente e dos corações da maioria da nação, como ficou evidente nas combativas manifestações de 1968 e em outras ocasiões. Apesar do repúdio maciço do povo, do que foi testemunho o pleito eleitoral de 1974, os generais se obstinam em permanecer no poder, despoticamente. Não têm condições nem, querem satisfazer os reclamos de anistia, de abolição dos atos institucionais e das leis de exceção.

Por isso respondem com a escalada repressiva, prendendo torturando e matando patriotas e democratas. Nestas circunstâncias, o exemplo da resistência corajosa dos lavradores e dos patriotas do Araguaia deve ser secundado. Eles formaram os primeiros destacamentos guerrilheiros no campo e revivem, em nível mais alto, desde 1972, a tradição revolucionária de 1935. Deles também partiram apelos para a união de todas as forças interessadas na luta pela derrubada da ditadura militar e pela conquista da liberdade. A batalha será dura e prolongada, mas é a única que assegurará a vitória.

Nosso Partido, o heróico partido do proletariado, inclina suas bandeiras de combate em homenagem aos que não trepidaram, em 1935, em oferecer suas vidas e derramar seu sangue para criar um Brasil independente e democrático. Fiéis à sua memória, juramos que haveremos de prosseguir na ingente marcha que encetaram. Nosso dever é aprender a lutar melhor e perseverar.


 



 

in German language 

 

"Roter Morgen" - KPD/ML - Nr. 1 vom 7. Januar 1977

 

Genosse PEDRO POMAR

ermordet

 

Bei einem Zusammenstoß mit der faschistischen brasilianischen Polizei wurden drei führende Genossen der Kommunistischen Partei Brasiliens ermordet. Unter den gefallenen Genossen befindet sich der Genosse PEDRO POMAR, ein erprobter kommunistischer Führer, der den Prinzipien des Marxismus-Leninismus treu blieb, als diese von den modernen Revisionisten unter Führung von Carlos Prestes angegriffen und mit Füßen getreten wurden. Indem Genosse Pedro Pumar die Thesen Chruschtschows zurückwies, ergriff er mit die Initiative für die Reorganisierung der Brasilianischen Kommunistischen Partei zur Kommunistischen Partei Brasiliens. Diese Reorganisation bedeutete den endgültigen Bruch mit der revisionistischen Gruppe um Carlos Prestes.

Genosse Pedro Pumar, Genosse ANGELO Arroyo und Genosse JOSE BATISTA THOMPSON sind im Kampf gefallen. Sie haben bis zum letzten Atemzug gegen den Imperialismus, den Sozialimperialismus, die Reaktion und den modernen Revisionismus gekämpft. Ihr Beispiel wird ewig lebendig bleiben und in der Arbeiterklasse und dem revolutionären Volk Brasiliens ein tiefes Echo finden.

Die Arbeiterklasse und die Volksmassen Brasiliens haben eine große revolutionäre Kampftradition. Der Tag des Triumphes der brasilianischen Revolution wird kommen.

Die ermordeten Genossen werden gerächt werden !

 

 

"Roter Morgen" - KPD/ML - Nr. 3 vom 21. Januar 1977

Faschistisches Regime in Brasilien

Abscheulicher Mord an drei Genossen

Das faschistische Geisel-Regime in Brasilien hat die Führer der Kommunistischen Partei Brasiliens, die Genossen Pedro Pomar, Angelo Arroyo und Joao Drumond ermordet. Aus diesem Anlass sendete Radio Tirana vor Kurzem eine Würdigung des Kampfes der ermordeten Revolutionäre und der Kommunistischen Partei Brasiliens, in der es u. a. heißt:

 

Radio Tirana - Nr. 1 - 1977 - Seite 19

"Ein abscheuliches Verbrechen der blutrünstigen brasilianischen Diktatur"

Der Mord an den Führern der Kommunistischen Partei Brasiliens ist ein neues abscheuliches Verbrechen der brasilianischen faschistischen Militärdiktatur, das die Herzen der wahren Revolutionäre und Marxisten-Leninisten, die Herzen aller Proletarier der Welt mit Zorn und tiefer Empörung erfüllt hat.

Dieser Banditenakt enthüllt die blutrünstige und verbrecherische Natur des verhassten faschistischen Regimes Brasiliens, das eines der barbarischsten Regime in der heutigen Zeit und ein Werkzeug des USA-Imperialismus ist.

Die faschistischen Generäle wollen mit dem Mord an den Führern der Kommunistischen Partei Brasiliens die revolutionäre Vorhut der brasilianischen Arbeiterklasse und des ganzen brasilianischen Volkes, die Kommunistische Partei Brasiliens, schwer treffen. Sie wollen die breite Bewegung des Volkswiderstandes in Brasilien treffen. Die faschistischen Generäle, die 1964 die Macht ergriffen, foltern und ermorden die besten Söhne und Töchter des brasilianischen Volkes. Sie verüben die ungeheuerlichsten Verbrechen in dem vergeblichen Bemühen, den Kampf des Volkes gegen die Diktatur auszulöschen.

Die zwölf Jahre Despotenherrschaft des Militärregimes sind eine Zeit aufeinander folgender Verbrechen, und an den Händen der faschistischen Generäle klebt das Blut des Volkes. Doch die Morde, Folterungen, Einkerkerungen, Festnahmen, Verfolgungen und die gesamten Mittel des Terrors haben den Willen und Widerstand des brasilianischen Volkes niemals gebrochen. Geführt von der Kommunistischen Partei Brasiliens bekundet es von Tag zu Tag nachdrücklicher seinen Widerstand  und anti-faschistischen Kampf.

Die Kommunistische Partei Brasiliens, die das Banner der Freiheit und nationalen Unabhängigkeit hoch hält und die die Bestrebungen des ganzen braislianischen Volkes ausdrückt, ist der wichtigste Kern des Volkswiderstandes. Deswegen erzittert auch das blutrünstige faschistische Regime vor der Kommunistischen Partei Brasiliens, der revolutionären Vorhut der brasilianischen Arbeiterklasse und des brasilianischen Volkes und hat Angst vor ihr. Deswegen hat es auch seine Hauptschläge gegen sie gerichtet. Indem das Faschistenregime mit den barbarischsten Mitteln der Unterdrückung und des Terrors vorgeht, indem es die Mitglieder der Kommunistischen Partei Brasiliens ermordet und einkerkert, versucht es, den revolutionären Schwung der Marxisten-Leninisten aufzuhalten und die Kommunistische Partei Brasiliens an der Leitung des Volkswiderstands zu hindern.

Aber wie alle reaktionären Regime und Kräfte verrechnet sich auch das faschistische brasilianische Regime. Die Kommunistische Partei Brasiliens ist eine revolutionäre Partei, die große Traditionen im Kampf gegen die faschistische Ausbeutung und Unterdrückung hat, aus deren Reihen zahllose Helden hervorgegangen sind.

Der Mord an den Führern Pedro Pomar, Angelo Arroyo und Joao Drumond ist ein schwerer Verlust für die Kommunistische Partei Brasiliens. Doch wird sie den Schmerz in Kraft zu verwandeln verstehen. Sie wird sich mit noch größerem Nachdruck und noch stärkerem Hass in den Kampf gegen die Diktatur werfen, um das brasilianische Volk noch mehr zu mobilisieren. Die drei Führer der Partei fielen unter den Kugeln der faschistischen Henker. Doch ihren Platz werden Tausende andere einnehmen, die sich zu den Freiheitskämpfern einreihen und das hohe Ideal der Revolution weiter tragen werden.

Die Revolution ist unbezwingbar. Die marxistisch-leninistische Partei ist unbezwingbar, und keine imperialistische oder sozialimperialistische faschistische Diktatur wird imstande sein, den Vormarsch der Revolution aufzuhalten.

Auf dem 7. Parteitag der Partei der Arbeit Albaniens sagte Genosse Enver Hoxha, als er mit tiefster Achtung das Andenken der marxistisch-leninistischen Revolutionäre aus verschiedenen Ländern ehrte, die im Kampf gegen die blutrünstige Bourgeoisie und die Reaktion gefallen waren:

"Viele hervorragende Kämpfer der marxistisch-leninistischen Bewegung wurden von den faschistischen Verbrechern, die in mehreren Ländern regieren, barbarisch ermordet, starben an den Foltern der Polizei oder schmachten noch immer in den finsteren Gefängnissen der Reaktion. Die Entschlossenheit, der Mut, der hohe Geist der Selbstlosigkeit und der Hingabe an die große Sache des Proletariats machte sie zu leuchtenden Fackeln des Kampfes der werktätigen Massen für die nationale und soziale Befreiung." (Enver Hoxha)

So gehen auch die Führer der Kommunistischen Partei Brasiliens, die heroisch gefallen sind, in die Geschichte der marxistisch-leninistischen Bewegung ein. Ihre reine Gestalt und ihr revolutionäres Leben, alles was sie für die Partei und ihr Volk getan haben, ist ein hohes Vorbild des Ansporns für alle Marxisten-Leninisten und Revolutionäre der anderen Länder, die der Kommunistischen Partei Brasiliens und dem brasilianischen Volk ihre machtvolle internationalistische Kampfsolidarität bekunden.

 

 

 Traueradresse des Genossen Enst Aust

 

* * *

 

POEM

When 3 revolutionaries needed you most, revisionists walked out the door
blood on Pedro Pumar`s, ANGELO Arroyo`s and João Batista Drummond `s  face as they lay on the floor
I never even knew  military dictatorship Brazil had a friend,
revisionist Brazilian CP  round the bend

Leave us with Maoist scum be,  leave us with Trotskyist scum be
working class  had enough, can't ya see
reformists left the 3 revolutionaries for dead, left the revolution for dead
military dictatorship Brazil kicked 3 revolutionaries  in the head and you oppurtunists left them for dead
you dam pacifists left 3 revolutionaries for dead , left them for dead
military dictatorship- police  kicked 3 revolutionaries in the mouth and opportunists left them for dead.

Reformism can't recognise Pedro `s, ANGELO `s and Joao `s bloodstained face
But the class struggle  still carry on cos the dominant class call the real CP Brazil a real headcase
Nobody never even knew that workers of the world  went out with Brazilian fascist scum like you
But for socialist world revolution  it's never too late now 'cos we've had our Comintern (SH) crew.

Leave the world proletariat with Khrushchevites scum be,  leave the farmers with Trotskyist scum be
working class  had enough, can't ya see
revisionists left the 3 revolutionaries for dead, left the revolution for dead
military dictatorship Brazil kicked 3 revolutionaries  in the head and you oppurtunists left they for dead
you dam pacifists left 3 revolutionaries for dead , left they for dead
military dictatorship Brazil  kicked 3 revolutionaries in the mouth and revisionists left them for dead.