Teoria e táctica da

revolução socialista mundial

em África

 

 

 

 

 

 

 

 

português

Teoria e táctica da

revolução socialista mundial

em África

 

“Plataforma de África”

 

do Comintern (EH)

10 de outubro de 2012

 

 

escrito

por Wolfgang Eggers




Introdução:


Uma preparação séria para a revolução socialista mundial requer a criação de Secções do Comintern (EH) em todos os continentes. Até agora, só há secções do Comintern (EH) no continente Europeu.

O Comintern (EH) tem necessariamente de estabelecer Secções nos outros continentes. Com vista ao futuro estabelecimento da nossa Secção em África, nós desenvolvemos a “Plataforma Africana”. Ela serve como base ideológica e programática para a fundação do Partido Bolchevique em África.

Esta “Plataforma Africana” é a concretização da nossa plataforma geral do Comintern (EH) e baseia-se na Linha-Geral do Comintern (EH).

Agora nós esperamos por novos camaradas Africanos que se juntem a nós sob a bandeira do Comintern (EH)!

A “Plataforma Africana” facilita a fundação da “Secção Africana” pelos camaradas Africanos. Trata-se da correcta aplicação dos ensinamentos dos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo nas condições concretas das revoluções socialistas no continente Africano.

Ao mesmo tempo, nós também lançámos o nosso novo website – “África”. Todos os camaradas interessados podem contribuir para este novo site.

Ele preenche a função de propagada, agitação e organização Leninistas e será publicado enquanto órgão central do Comintern (EH) para o continente Africano – isto enquanto a fundação da “Secção de África” não suceder.

  

 

 

Camaradas do continente Africano!

 

Construam a vossa própria “Secção Africana” do Comintern (EH)!

 

Por uma África socialista num mundo socialista!

Viva a revolução socialista mundial!


 

 

 

 

 

África é a base da humanidade sem classes

África é um terreno fértil para o comunismo mundial.

 


A base das relações de produção sob o sistema de comunismo primitivo consistia em que os meios de produção eram propriedade social e colectiva. (Estaline, Historical Materialism, traduzido a partir da edição em Inglês)


A dialéctica da história Africana é tal que as primeiras relações de produção sem classes da humanidade, depois de terem passado pelas quatro formações básicas da sociedade de classes (esclavagismo, feudalismo, capitalismo e socialismo) reaparecerão como o tipo mais elevado das relações de produção comunistas.

Esta é a negação da negação da primeira sociedade sem classes da humanidade. Nós, materialistas históricos, chamamos a isto de forma científica: "Renascimento Africano".
A estrada para o “Renascimento Africano" é um caminho muito árduo e doloroso percorrido por todos os povos Africanos que são acompanhados pela solidariedade dos trabalhadores mundiais. Se, em breve, ou pelo menos no futuro não muito distante, a África tomar o caminho da sociedade de classes socialista, então a sociedade sem classes não estará muito longe. O socialismo mundial cria as condições objectivas para o comunismo mundial e, portanto, também para a África comunista.


A história da sociedade de classes Africana é a história da sua luta de classes heróica contra a subjugação, a escravidão e a pilhagem, é a história das derrotas e das vitórias da sua libertação. Os povos da África são ricos em experiências das quais eles podem tirar lições para a sua libertação e emancipação. E o proletariado Africano também é capaz de tirar lições da história recente do movimento dos trabalhadores na África. E isto vale também para as lições do movimento comunista e, especialmente, para a luta anti-revisionista na África.


Os efeitos do colonialismo do passado e do presente são visíveis em toda a África.
Os Africanos são arrancados do seu passado, impulsionados num universo formado a partir de fora que suprime os seus valores, e ficam estupefactos por uma invasão imperialista "cultural" que os marginaliza.


A evolução da humanidade começou na África. Isto nunca deve ser esquecido pela humanidade. Enquanto isso, a África desenvolve-se mais rapidamente do que muitas outras partes do mundo e a África vai desempenhar um papel global crescente relativamente ao futuro da humanidade.


A África foi o "primeiro mundo" – e isto também no que diz respeito aos aspectos económicos e tecnológicos. Os Africanos construíram as pirâmides. E ninguém – nem mesmo no século 21 - conseguiu criar algo assim.


Em 1626, o oceano "Atlântico" ainda se chamava Mar Etíope, e o chamado Oceano "Índico" era o Mar Azaniano. Os Azanianos estimularam o comércio com o Oriente. O povo da Azânia – a cujo país os colonialistas chamaram "África do Sul" através da Lei de 1909 da União Britânica imperialista - extraíam ouro e cobre em Mapungubwe desde o século 9. Esta foi uma das bases do surgimento das culturas Africanas.


A escravidão só pode ser abolida pela revolução.


A África sofreu (e ainda sofre) o pior genocídio e holocausto ás mãos dos arquitectos da escravidão e do colonialismo.

Os proprietários de escravos e os escravos - esta foi a primeira grande separação Africana de classes.

A segunda maior Africana foi entre os senhores feudais e os servos.
E finalmente - hoje - a África capitalista polariza as classes entre proletários e burguesia.
 
Em primeiro lugar, veio o Islão que se dizia "amante da paz", e através do qual os comerciantes de escravos árabes invadiram a África. No final do século 17, o Imam subjugou os territórios do Leste Africano.

O chamado "Renascimento Europeu" foi sinónimo da mais negra escuridão para os povos de África. Em 1441, a África foi anexada por Portugal. Portugal foi o primeiro país colonialista a dominar África e a China é o mais recente país colonialista a dominar a África. Armada com a tecnologia da arma e da bússola copiada da China, a Europa tornou-se numa ameaça para a África. A Europa "civilizada" e “cristã” iniciou o tráfico de escravos transatlântico. Na verdade, o primeiro navio Inglês propriedade dos comerciantes de escravos foi chamado de "Jesus", e em 1562 começou a sua viagem para a "Costa do Ouro" Africana. Antigamente, as pessoas diziam: "Liverpool está construída sobre os crânios dos escravos Africanos." O comércio de escravos era (e ainda é) um dos piores crimes da história da humanidade - uma das bases das riquezas do hoje chamado “mundo civilizado". Para a África e para a sua população, este foi o início de uma exploração e de uma opressão brutais.

Este tráfico traduziu-se numa perda maciça da população Africana. Alguns historiadores estimam que só a Costa do Ouro (actual Gana) perdeu anualmente de 5 mil a 6 mil pessoas devido á escravidão durante 400 anos. Isto representou cerca de 2 - 1/2 milhões de pessoas!


Isto não ficará impune! Estes capítulos tão sombrios da história humana nunca serão esquecidos!

E a história vai mostrar isso:


A sociedade sem classes não sobreviveu ao seu tempo. Considerando que a sociedade de classes chegou ao fim da sua existência temporária na história da humanidade, a África está de volta ás suas raízes - a sociedade sem classes - e, portanto, está no caminho para o comunismo num mundo sem classes!


A expansão do imperialismo na África - juntamente com tanta miséria e sangue – prepara o seu próprio declínio e, consequentemente, a sua substituição pelo socialismo. Inevitavelmente, este será um novo tipo de socialismo com características globais - no contexto da globalização do continente Africano e da revolução socialista mundial.


 
A história da escravidão dos povos Africanos é a história das suas revoltas de escravos heróicas.
 
Os colonialistas seguiram os traficantes de escravos.


As guerras anti-coloniais seguiram-se ás revoltas dos escravos.


Os colonialistas chegaram a África para pilhar o continente e os seus povos. Cada país colonialista ocupou tantas colónias quantas pode. Os colonos tomaram posse do continente Africano ensopando o solo Africano com o sangue dos seus povos. Os povos Africanos foram transformados em servos dos seus senhores coloniais.
A história da África colonial é a história dos movimentos de resistência heróica dos povos Africanos contra os colonialistas. Após os últimos pontos brancos desaparecerem do mapa Africano - depois de terem sido transformadas em pontos sangrentos pela colonização - o período da política colonial dos países capitalistas foi concluído - ou seja, o período da apreensão de todos os países desocupados na África.


Lenine:
"
Quando as colônias das potências européias em África, por exemplo, representavam a décima parte desse continente, como acontecia ainda em 1876, a política colonial podia desenvolver-se de uma forma não monopolista, pela “livre conquista”, poder-se-ia dizer, de territórios. Mas quando 9/10 da África estavam já ocupados (por volta de 1900), quando todo o mundo estava já repartido, começou inevitavelmente a era da posse monopolista das colônias e, por conseguinte, de luta particularmente aguda pela divisão e pela nova partilha do mundo. (…) Os monopólios, a oligarquia, a tendência para a dominação em vez da tendência para a liberdade, a exploração de um número cada vez maior de nações pequenas ou fracas por um punhado de nações riquíssimas ou muito fortes: tudo isto originou os traços distintivos do imperialismo, que obrigam a qualificá-lo de capitalismo parasitário, ou em estado de decomposição.” (Lenine, Imperialismo, etapa superior do capitalismo, 1916, edição em Português)


 
A África tornou-se num ponto de discórdia entre as potências imperialistas mundiais.


Assim, os imperialistas envolveram o continente Africano numa nova batalha mais sangrenta – ou seja, na re-divisão das suas esferas de influência, das fontes de matérias-primas e mercados. Assim, os povos Africanos foram atraídos para as guerras imperialistas... Primeira Guerra Mundial – Segunda Guerra Mundial.

As potências coloniais substituíram-se umas ás outras -, mas as colónias permaneceram como tal.


A história das guerras imperialistas no período da re-divisão da África é a história heróica das guerras anti-imperialistas e das lutas de libertação dos Africanos.



Coroando a Revolução de Outubro com a vitória da revolução socialista mundial – o proletariado Africano segue a estrada do Comintern de Lénine e de Estaline.
 

 


O proletariado russo e a sua vitoriosa Grande Revolução de Outubro começaram a transformar a guerra imperialista em guerra revolucionária, com o objectivo de derrotar o imperialismo mundial.

Com a ruptura do elo mais fraco do imperialismo, todos os povos se livraram das cadeias do império czarista e criaram a União Soviética de Lenine e de Estaline liderada pelo proletariado russo.

A Revolução de Outubro foi o primeiro passo para a revolução socialista mundial. Não haverá África socialista sem aplicarmos as experiências e os ensinamentos da Revolução de Outubro. A Revolução de Outubro anunciou a unificação da guerra anti-imperialista do proletariado mundial e da guerra de libertação dos povos oprimidos. A continuação da Revolução de Outubro e da revolução socialista mundial é a única maneira de libertar a África da exploração e da opressão imperialista.


A União Soviética de Lenine, de Estaline e do Comintern era a melhor amiga dos povos Africanos que lutaram para derrubar o jugo do imperialismo.

Como antes, os comunistas de África não se devem desviar das directrizes de princípios e do Comintern, especialmente no que diz respeito á solução da questão nacional e colonial.
 
A melhor directriz que – basicamente – ainda está válida, é a composta pelas teses da Internacional Comunista:


TESES ACERCA DO MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO NOS PAÍSES COLONIAIS E SEMI-COLONIAIS

– ADOPTADAS PELO SEXTO CONGRESSO DO COMINTERN

– Setembro de 1928

 


Historicamente, estas teses são a base central da teoria e da táctica da revolução socialista mundial na África. No entanto, elas são muito abrangentes para poderem ser publicadas aqui. Recomendamos ao leitor que estude estas teses importantes no link acima indicado.
Além disso, o Comintern (EH) apresenta os trechos mais importantes das decisões da Internacional Comunista – como se segue:


Nas suas teses sobre a questão nacional e colonial que Lenine submeteu ao II Congresso da Internacional Comunista, em 1920, ele diz

(tese 12):


"A escravização secular dos povos coloniais pelas grandes potências imperialistas deixou para trás entre as massas trabalhadoras dos países escravizados não apenas sentimentos de amargura, mas também sentimentos de desconfiança das nações opressoras como um todo, incluindo o proletariado destas nações.

A traição desprezível ao socialismo (...) só poderia reforçar essa desconfiança bastante natural. A partir do momento em que essa desconfiança e preconceito nacional só pode ser erradicado após a destruição do imperialismo nos países avançados e após a transformação radical de todos os fundamentos da vida económica nos países atrasados, a remoção desses preconceitos pode avançar muito lentamente. A partir disto segue-se que é dever do proletariado consciente de todos os países o de ser especialmente cauteloso e particularmente atento aos sentimentos nacionais em países e povos que foram escravizados, e é também seu o dever de fazer concessões a fim de remover essa desconfiança o mais rapidamente possível. A menos que o proletariado e todas as massas trabalhadoras de todos os países e nações do mundo inteiro se esforcem para se unirem como um só, a vitória sobre o capitalismo não poderá ser completamente bem sucedida." (Lenine, Obras Completas, volume 31).


E no Programa da Internacional Comunista (aprovado em 1928) é dito que:


"O Imperialismo sujeita as grandes massas do proletariado de todos os países – dos centros do poder capitalista aos cantos mais remotos do mundo colonial – à ditadura financeira da plutocracia capitalista.


A organização das forças da revolução internacional só se torna possível na plataforma do comunismo.


Expressando a necessidade histórica de uma organização internacional de revolucionários proletários - os coveiros da ordem capitalista - a Internacional Comunista é a única força internacional que tem o seu programa da ditadura do proletariado e do comunismo, e que organiza abertamente a revolução proletária internacional.


As condições especiais da luta revolucionária prevalecem nos países coloniais e semi-coloniais, o período inevitavelmente longo de luta necessária para a ditadura democrática do proletariado e do campesinato e para a transformação dessa ditadura em ditadura do proletariado, e, finalmente, a importância decisiva dos aspectos nacionais da luta impõem aos Partidos Comunistas destes países uma série de tarefas especiais que são etapas preparatórias para as tarefas gerais da ditadura do proletariado. A Internacional Comunista considera serem estas as mais importante destas tarefas especiais:


(1) Derrubar o domínio do imperialismo estrangeiro, dos governantes feudais e da burocracia senhorial.

(2) Estabelecer a ditadura democrática do proletariado e do campesinato numa base Soviética.

(3) Concretizar a independência nacional e a unificação nacional,

(4) A anulação das dívidas do Estado.

(5) A Nacionalização de empresas de grande porte (industriais, bancárias, dos transportes e outras) que são propriedade dos imperialistas.

(6) O confisco das terras da Igreja e dos mosteiros. A nacionalização de toda a terra.

(7) A introdução do dia de 8 horas.

(8) A organização revolucionária dos exércitos dos trabalhadores e dos camponeses.


Nas colónias e nas semi-colónias, onde o proletariado é o líder de comandos e detém a hegemonia na luta, a revolução democrático-burguesa consistente vai transformar-se em revolução proletária na medida em que a luta se desenvolve e se torna mais intensa (sabotagem por parte da burguesia, confisco das empresas pertencentes à secção sabotadora da burguesia, o que inevitavelmente se estende á nacionalização de toda a indústria em grande escala). Nas colónias onde não há proletariado, a derrubada da dominação dos imperialistas implica o estabelecimento do Estado Soviético (camponês) e a transferência para o Estado das empresas e terras estrangeiras.


Revoluções coloniais e os movimentos de libertação nacional desempenham um papel extremamente importante na luta contra o imperialismo e na luta pela conquista do poder pela classe trabalhadora. As colónias e semi-colónias também são importantes no período de transição, porque elas representam o mundo rural em relação aos países industrializados, que representam a cidade do mundo. Consequentemente, o problema de organizar a economia socialista mundial de forma adequada combinando a indústria com a agricultura é, em grande medida, o problema das relações com as ex-colónias do imperialismo. Portanto, o estabelecimento de uma aliança fraterna e militante com as massas dos trabalhadores nas colónias representa uma das principais tarefas que o proletariado mundial deve cumprir como líder na luta contra o imperialismo.
Assim, no despertar dos trabalhadores nos países de origem para a luta pela ditadura do proletariado, o progresso da revolução mundial também desperta centenas de milhões de trabalhadores e camponeses coloniais para a luta contra o imperialismo estrangeiro. Tendo em vista a existência de centros de socialismo representados pelas repúblicas Soviéticas de crescente poder económico, as colónias que romperem com o imperialismo gravitarão economicamente em torno de e, gradualmente, combinar-se-ão com os centros industriais do socialismo mundial. Elas serão atraídas para a corrente da construção socialista, e ao saltarem o estágio mais avançado de desenvolvimento do capitalismo, elas obtêm oportunidades de progresso económico e cultural.


Os Sovietes de camponeses nas ​​ex-colónias mais atrasadas e os Sovietes dos trabalhadores e dos camponeses nas ex-colónias mais desenvolvidas agrupam-se politicamente em torno dos centros de ditadura do proletariado, juntam-se á Federação crescente das repúblicas Soviéticas, e, assim, entram no sistema geral da ditadura proletária mundial.

O Socialismo - como novo método de produção - obtém assim âmbito mundial de desenvolvimento.
 
Na época em que o proletariado nos países capitalistas mais desenvolvidos é confrontado com a tarefa imediata de captação de energia, em que a ditadura do proletariado já estabelecida na URSS é um factor de significado mundial, o movimento pela libertação colonial e semi-colonial - que foi trazido à existência pelo capitalismo mundial - pode levar ao desenvolvimento social, não obstante a imaturidade das relações sociais nesses países tomados em si mesmos - desde que recebam a assistência e o apoio da ditadura do proletariado e do movimento proletário internacional em geral."
(Programa da Internacional Comunista)

 

Quando Estaline começou a criar o campo socialista mundial após a Segunda Guerra Mundial, foi oferecida aos povos Africanos a primeira oportunidade efectiva para se livrarem da exploração e da opressão imperialista e para prepararem o caminho para o socialismo. O imperialismo mundial foi enfraquecido pela União Soviética de Lenine e de Estaline a tal grau que o povo da África nunca esteve tão perto do seu objectivo final de libertação e de emancipação.


O revisionismo moderno

- um novo tipo de escravização na África


O imperialismo Anglo-Americano foi capaz de se recuperar rapidamente - graças à traição dos revisionistas modernos. Este foi, portanto, um duro golpe que enfraqueceu e dividiu o jovem movimento comunista na África.


A União Soviética, dantes em solidariedade com a revolução Africana, virou-se para o lado da contra-revolução. Isto foi particularmente perigoso porque os revisionistas Soviéticos defendiam uma África socialista em palavras, mas apenas para mascarar os seus verdadeiros interesses social-imperialistas de exploração e de opressão. As duas superpotências - os EUA e a União Soviética – tornaram-se no maior inimigo dos povos Africanos. Na África, Ásia e América Latina, o centro da meta do movimento de libertação revolucionária era atacar estas duas superpotências.


Quando a luta contra a influência do revisionismo moderno começou a expandir-se e a intensificar-se na África, apareceu pela primeira vez o Maoismo com o objectivo de continuar a protecção do imperialismo mundial no continente Africano em substituição da influência manchada do revisionismo Soviético.

A influência do social-imperialismo Soviético na África realmente recuou, mas não em favor do movimento comunista e de libertação. Ele recuou para preparar a ocupação da África pelo social-imperialismo Chinês - como acontece hoje. A influência do Maoismo - e especialmente da teoria dos "três mundos" - conduziu mais uma vez ao enfraquecimento e á divisão do Movimento Comunista Africano.


O enfraquecimento da cadeia do imperialismo mundial significa o fortalecimento da cadeia anti-imperialista na África.


(Temporariamente), algumas colónias formaram a sua nação livre e independente que foi oprimida e explorada por países imperialistas que eram eles próprios os elos mais fracos da cadeia imperialista (Portugal, Espanha, Bélgica, etc.)

De acordo com os ensinamentos do Marxismo-Leninismo, a África livra-se dos elos mais fracos da cadeia imperialista e, mais tarde, a África irá destruir a opressão e a exploração dos elos mais fortes dessa cadeia.


Mas, enquanto o imperialismo mundial ainda existir, as antigas potências imperialistas são substituídas por novas potências imperialistas mesmo em África (pelo imperialismo Chinês e, mais recentemente, pelo imperialismo Brasileiro. O Brasil, uma ex-colónia de Portugal, vai substituir o imperialismo Português em África!). O objectivo actual não é só romper, mas sim quebrar a cadeia do imperialismo mundial através da revolução socialista mundial.


As crises do mundo capitalista

- o parasitismo imperialista em África


Com o desenvolvimento do capitalismo nas colónias, o desenvolvimento global do imperialismo mundial está quase totalmente maduro e completo – e pronto para a transformação no socialismo mundial – também na África.

E não é de estranhar que o capitalismo nas colónias tenha crescido mais rápido e acelere o processo de apodrecimento do imperialismo mundial e do seu parasitismo inerente. Esta decadência, estas crises do capitalismo mundial, têm consequências devastadoras que são significativamente perceptíveis para as pessoas pobres de África. Aproveitar impiedosamente a crise mundial com a finalidade de extrair 10 vezes mais riquezas da África – esta é a essência do parasitismo imperialista (o negócio com a fome, com a água, com recursos, com armas, com o trabalho, etc.)

E o parasitismo Chinês superou de longe todos os parasitismos anteriores.



A luta contra o neo-revisionismo


E isto é o que está, em geral, reflectido na sociedade de classes Africana actual - em particular, o neo-revisionismo dentro do movimento comunista e operário na África.
O neo-revisionismo Africano consiste na restauração do revisionismo Africano, é a reconciliação com o revisionismo em geral e com o Maoismo, em particular. A revolução socialista irá falhar se o movimento comunista na África não for purificado do neo-revisionismo e se as influências neo-revisionistas não forem derrotadas.
 

O neo-colonialismo

é o estágio mais elevado do colonialismo.

O neo-colonialismo é um colonialismo “oculto", ele é

"descolonização" em palavras e

re-colonização em actos


O neo-colonialismo é o estágio mais elevado do colonialismo - é o colonialismo parasita, em decadência, moribundo. O imperialismo, por si só, destrói-se a si próprio. E sem o seu núcleo, o imperialismo está condenado a morrer.

Em princípio, não há diferença entre o carácter de exploração do neo-colonialismo e do velho colonialismo. A exploração e a opressão explícitas anteriores estão agora escondidas atrás da cortina dos chamados "créditos", "ajuda ao desenvolvimento", "ajuda económica", "parcerias", "não-discriminação", "ajudas ao povo Africano", "descolonização ", etc.

Isto era inevitável depois o triunfo do socialismo após a Segunda Guerra Mundial. Por meio do apoio do campo socialista mundial de Estaline, o núcleo do imperialismo mundial foi abalado pela luta de libertação anti-imperialista. Esta era uma ameaça directa á existência do sistema capitalista mundial.

As vitórias colossais da luta de libertação dos povos oprimidos da África, Ásia e América Latina manifestaram-se na criação e no estabelecimento dos seus Estados independentes. Assim, as potências imperialistas já não podiam explorar e suprimir as colónias Africanas como dantes. Eles foram obrigados a travar uma luta para restaurarem o colonialismo.
O neo-colonialismo é a restauração do colonialismo para proteger e manter o núcleo imperialista.


Os novos Estados independentes foram um desafio para o imperialismo mundial. Não podiam ser abertamente ocupados nem ser anexados pela força. Por isso, as potências imperialistas inventaram meios de os levar para o seu lado. Assim, os países Africanos foram instrumentalizados, manipulados, chantageados, incitados uns contra os outros, envolvidos em guerras, etc. E o mais importante é que eles exerceram influência sobre a burguesia e o seu governo e sobre o equipamento e treino da contra-revolução interna para a supressão do movimento revolucionário. Aqueles que exploram África nada temem para além da Revolução. Assim, as potências imperialistas criaram em solo Africano uma zona contra-revolucionária. O objectivo é impedir tanto a propagação de revolução a partir do interior como a influência revolucionária a partir do exterior.


 
 
O Estalinismo-Hoxhaismo é o ensino da preparação, recrutamento, organização centralizada e mobilização do exército proletário internacional, em geral, e a transformação das reservas do núcleo imperialista em novos destacamentos proletários da revolução socialista mundial, em particular.


Por meio da globalização do neo-colonialismo, o imperialismo mundial transformou a África, Ásia e América Latina em continentes capitalistas. Isto corresponde á tendência do capital para se ampliar e se centralizar globalmente.

Com o neo-colonialismo, a escravidão tradicional foi transformada na escravidão assalariada capitalista. E esta é a diferença crucial relativamente á antiga escravidão e ao antigo colonialismo.


Na sociedade da escravidão, a existência dos escravos era relativamente "segura”:
Pelo contrário, o operário moderno, em vez de se elevar com o progresso da indústria, afunda-se cada vez mais abaixo das condições da sua própria classe. O operário torna-se num indigente e o pauperismo desenvolve-se ainda mais depressa87 do que a população e a riqueza. Torna-se com isto evidente que a burguesia é incapaz de continuar a ser por muito mais tempo a classe dominante da sociedade e a impor à sociedade como lei reguladora as condições de vida da sua classe. Ela é incapaz de dominar porque é incapaz de assegurar ao seu escravo a própria existência no seio da escravidão, porque é obrigada a deixá-lo afundar-se numa situação em que tem de ser ela a alimentá-lo, em vez de ser alimentada por ele. A sociedade não pode mais viver sob ela [ou seja, sob a dominação da burguesia], i. é, a vida desta já não é compatível com a sociedade.”

(Marx e Engels, Manifesto do Partido Comunista, edições “Avante!”, 1997, versão Portuguesa)

 
Com a introdução do modo de produção capitalista nos países da África, Ásia e América do Sul, uma nova base proletária foi criada para a vitória da revolução socialista mundial. É a criação de um novo proletariado industrial, ou seja, do novo exército adicional de coveiros do capital mundial.


A teoria e a táctica da luta contra as duas superpotências é uma pedra angular do Hoxhaismo e é mais relevante hoje do que nunca, especialmente em África.


A África ganhou cada vez mais importância no decurso da globalização e do aumento da concorrência nos mercados mundiais sobre os recursos do continente Africano (devido á escassez de matérias-primas, por exemplo).

Isto conduz inevitavelmente a enormes contradições imperialistas, que por sua vez causam enormes revoluções. A história Africana durante período da rivalidade dos imperialistas, especialmente a das duas superpotências, é a história da luta anti-imperialista dos povos Africanos, em geral, e da luta revolucionária contra as duas superpotências, em particular, luta essa em que o proletariado desempenha cada vez mais um papel central.

O proletariado Africano deve saber que a superpotência social-imperialista Soviética foi substituída pela superpotência social-imperialista Chinesa. Na África existiu uma concorrência predatória entre o social-imperialismo Soviético e o social-imperialismo Chinês. A história da rivalidade entre as duas superpotências - com o propósito de re-divisão das riquezas da África – não terminou com o colapso do social-imperialismo Soviético.


Hoje, existem duas superpotências: EUA e China, que são os principais inimigos dos povos Africanos.

Á pergunta: "Quem é mais perigoso?", o Comintern (EH) dá a resposta correcta: "Ambas são igualmente perigosas."


O Comintern (EH) assume como tarefa apoiar os povos Africanos na sua luta anti-imperialista contra todos os exploradores e opressores estrangeiros e domésticos -inclusivamente todos os seus lacaios Africanos – mas principalmente contra os dois principais inimigos: os EUA e a China.


Os social-imperialistas Chineses aprenderam rapidamente com os erros dos imperialistas norte-americanos, Soviéticos e outros. Eles estão em ascensão e assumiram realmente o papel dominante no continente Africano, especialmente no campo económico. Os social-imperialistas Chineses roubaram o espólio Africano. E não é óbvio que a rápida mudança no equilíbrio de poder no continente Africano, que o rápido crescimento do capital financeiro Chinês agrava inevitavelmente as contradições em África, que ele vai causar guerras e revoluções?


É por isso que o Maoismo é uma ideologia hipócrita que defende o social-imperialismo Chinês – ele não é apenas um obstáculo perigoso para a luta de libertação dos povos Africanos, mas ele é também um dos obstáculos mais perigosos para o futuro da África socialista. Se os Maoistas condenam o imperialismo ocidental a fim de encobrirem o imperialismo Chinês, então os Maoistas traem os povos Africanos porque ambas as superpotências cooperam entre si para manter a exploração e a opressão no continente Africano. Voluntariamente, isto é, sem revoluções, a China nunca abdicará do trono Africano.
Portanto, o Comintern (EH) continua a sua persistente luta Estalinista-Hoxhaista contra o Maoismo. Nós somos a única força revolucionária mundial que apoia as revoluções na África expressamente contra o social-imperialismo Chinês e o Maoismo.


Na África há uma luta de imperialistas contra outros imperialistas, há uma luta dos monopólios contra outros monopólios, há uma luta do capital financeiro contra o capital financeiro. Se os revolucionários esquecessem estes princípios básicos e estas características do imperialismo, isso seria o mesmo que substituir o Marxismo-Leninismo pelo reformismo ou pelo revisionismo.


São principalmente os Maoistas de África que espalham a mentira de que os imperialistas Chineses praticariam um comércio "justo e livre" com os Africanos – supostamente "em contraste" com as potências imperialistas do Ocidente. Isto é um engano flagrante que pretende iludir as massas Africanas.


E esta nossa posição está também de acordo com a crítica à "teoria do ultra-imperialismo" de Kautsky, que Lenine magistralmente efectuou na sua análise do imperialismo. O período do "comércio em benefício mútuo" não é nada mais além de uma trégua entre as guerras imperialistas. Guerra e paz são interdependentes e são determinadas pelas mesmas inter relações e interacções imperialistas que reinam na economia e na política mundiais. A África não pode ficar do lado dos imperialistas Chineses para lutar contra os outros imperialistas – como pretendem os Maoistas. Pelo contrário, tal como todos os outros imperialistas, também a China já escravizou todo o continente Africano. Os imperialistas Chineses apoiam os regimes fascistas se isso servir os seus próprios interesses. No entanto, em matéria de desemprego, pobreza, fome, guerras, guerras civis e deslocamentos de Africanos – nada foi alterado pela intervenção dos imperialistas Chineses.


A táctica dos Maoistas é a de encobrir a pilhagem Chinesa do continente Africano enquanto promovem a reconciliação com os social-imperialistas Chineses. Além disso, a África recebe armas Chinesas para o propósito de expulsar todos os rivais do social-imperialismo Chinês para fora dos mercados Africanos. Isto é o que todos os imperialistas fazem – mais ou menos abertamente. Com a política Maoista de conciliação de classes, a África nunca vai conseguir derrotar o imperialismo mundial.

Portanto, a África não pode contar com as forças imperialistas, não pode contar com a burguesia nacional. A África vitoriosa só vai poder contar com a aliança revolucionária dos seus operários, camponeses e soldados - e com a solidariedade do proletariado mundial.
 
Foi a Albânia socialista do camarada Enver Hoxha, que, como o único país socialista do mundo, apoiou a luta de libertação revolucionária dos povos Africanos no espírito do Marxismo-Leninismo. O camarada Enver Hoxha é o porta-estandarte do internacionalismo proletário de hoje – e isto também na África.


A luta da Albânia para a defesa do Marxismo-Leninismo contra o revisionismo moderno - incluindo o revisionismo Chinês - foi e é de extrema importância e de valor inestimável para a revolução do proletariado na África.


Sem uma organização revolucionária guiada pelos ensinamentos dos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo, não haverá comunismo na África.


Vamos lutar pelo o renascimento do movimento Hoxhaista na África!

Ajudem-nos a criar uma Secção do Comintern (EH) na África!


No seu site dedicado a África, o Comintern (EH) está a documentar a história da amizade e de internacionalismo proletário entre a Albânia socialista do camarada Enver Hoxha e a luta de classes e de libertação do proletariado Africano. Entre meados dos anos 70 e meados dos anos 80, o Hoxhaismo floresceu em várias organizações Marxistas-Leninistas Africanas. Neste período, um grande número de partidos e de organizações Africanas intensificaram a sua cooperação com a Albânia e com o movimento Hoxhaista mundial – especialmente depois de terem traçado a necessária linha de demarcação relativamente ao Maoismo. Este foi um grande triunfo do Marxismo-Leninismo sobre o revisionismo no continente Africano e deve ser defendido por todos os verdadeiros revolucionários na África.


A restauração do capitalismo na Albânia foi um duro golpe para o Movimento Mundial Marxista-Leninista, para o proletariado mundial e para os povos oprimidos, particularmente na África. Como sucedeu noutras partes do mundo, o camarada Enver Hoxha e a Albânia socialista foram esquecidos. Por sua vez, os camaradas Africanos viraram-se para as organizações neo-revisionistas (contactos liberais e conciliatórios com várias correntes anti-Marxistas, como o Maoismo, o Guevarismo, o Castroismo, o anarquismo, os "Verdes", etc., etc.).


Escusado será dizer que depois dos anos 70 e dos anos 80, as relações de classes em África mudaram significativamente; e por isso o Comintern (EH) tem de desenvolver uma nova estratégia e táctica global em acordo com as actuais condições globalizadas. Com base nos nossos princípios ideológicos do Estalinismo-Hoxhaismo, damos respostas diferentes em momentos diferentes.

O nosso objectivo consiste em que o movimento comunista e operário na África se familiarizem com as nossas ideias revolucionárias. Nós queremos conquistar novas forças revolucionárias Africanas que apoiem a causa da revolução proletária mundial. O nosso objectivo é construir um forte destacamento revolucionário do proletariado mundial no continente Africano - uma base para o movimento mundial Estalinista-Hoxhaista na África.

Nós lutamos pela "Secção Africana" do Comintern (EH).

Nós apelamos a todos os camaradas Africanos que estejam interessados ​​em contactar com o Comintern (EH).


Camaradas da África, nós convidamo-vos a participarem na organização do nosso site "África"! Enviem-nos a vossa correspondência e ela será publicada!


Apelamos aos revolucionários Africanos que são combatentes militantes contra o revisionismo, o neo-revisionismo e especialmente contra o Maoismo. Actualmente, um comunista Africano é caracterizado pela linha de demarcação ideológica entre o Estalinismo-Hoxhaismo e o neo-revisionismo. Precisamos de camaradas Africanos que estejam implacavelmente contra o revisionismo e o social-fascismo, e que estejam absolutamente determinados em lutar contra toda a influência revisionista no seio do movimento revolucionário comunista e operário na África.

A questão central do movimento comunista na África consiste na recusa em unir-se com os elementos reformistas, revisionistas ou neo-revisionista na luta contra o imperialismo, e na persistência em lutar contra o imperialismo e os seus lacaios pela revolução socialista com base nos 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo. O Estalinismo-Hoxhaismo difere do Neo-Revisionismo não só na África, mas em todo o mundo.


O imperialismo é o capitalismo em transição, é o capitalismo moribundo.

O imperialismo é a política colonial moribunda.


A política colonial é característica do imperialismo, tal como ensina Lenine. Lenine considerou isto como o quarto maior tipo de capitalismo monopolista:

 
Quarto: o monopólio nasceu da política colonial.” (Lenine, Imperialismo, etapa superior do capitalismo, 1916, edição em Português)


 Aqui, Lenine sublinhou explicitamente que o monopólio surgiu a partir da política colonial. Desde então, já se passaram mais de 100 anos de política colonial passaram.


Lenine:

De tudo o que dissemos sobre a essência econômica do- imperialismo deduz-se que se deve qualificá-lo de capitalismo de transição ou, mais propriamente, de capitalismo agonizante.”

(Lenine, Imperialismo, etapa superior do capitalismo, 1916, edição em Português)


 Se Lenine definiu o imperialismo como capitalismo "moribundo", então, consequentemente, a política colonial é a política "de transição", mais precisamente, a política colonial "moribunda". Se o sistema imperialista mundial entrar em colapso, isto significa também, inevitavelmente, o colapso do sistema colonial.


O bloqueio do capital financeiro internacional não poderia deixar de fora o continente Africano. O capital financeiro criou a época do monopólio. O monopólio domina toda a sociedade Africana. África tornou-se parte do poderoso monopólio mundial.
No início, a troca de mercadorias foi predominante nas colónias.

Na era da globalização o capitalismo não pára diante de nada. O capitalismo não podia parar ás portas do continente Africano.


Com o poder da burguesia e a crescente exploração e opressão, a exploração e a opressão capitalistas nos países Africanos não diferiram significativamente das que se verificam em todos os outros países do mundo onde a lei do capitalismo prevalece.

As úlceras do capitalismo estouraram no continente Africano.


A África foi transformada num continente em que a escravidão capitalista assalariada prevalece. A contradição básica entre o trabalho e o capital só pode ser resolvida pela revolução socialista.

Mas não é possível socializar o modo de produção capitalista na África de forma sustentável sem destruir o capital financeiro internacional em cujas mãos está o modo de produção capitalista na África.

Isto só é possível através de uma série de revoluções e revoltas na África e também nos centros financeiros mundiais. Em última análise, isto só pode ser garantido pela vitória da revolução proletária mundial e pelo estabelecimento do socialismo mundial.

 

A dialéctica da história é tal que o proletariado Africano só vai sair vitorioso sobre o imperialismo na África se fortalecer a frente unida do proletariado socialista mundial – preparando-a para a guerra global contra o imperialismo mundial.


No entanto, a Internacional Comunista ainda não foi reorganizada para reunir o proletariado mundial sob a bandeira da revolução mundial.

Acima de tudo, o factor subjectivo do proletariado revolucionário ainda não era forte e ainda não estava suficientemente desenvolvido para permitir a criação de um verdadeiro partido bolchevique que teria sido guiado o proletariado e os camponeses pobres em direcção á realização da revolução democrático-burguesa – aproximando-os assim da vitória da revolução socialista, do estabelecimento da ditadura do proletariado e da construção do socialismo na África.


Os camponeses pobres são os aliados mais próximos, mais confiáveis ​​e mais importantes do proletariado Africano.


Como a grande maioria da população Africana está ligado à vida rural, o carácter da exploração dos camponeses pelo imperialismo e pelos seus aliados (a burguesia nacional e a classe dos proprietários de terra) é particularmente importante. Cerca de 60% de todos os trabalhadores trabalham na agricultura.


Os Estados burgueses expropriam os camponeses pobres sem compensação e vendem propriedades enormes aos imperialistas – e isto também aos imperialistas Chineses. Eles exploram grandes plantações agrícolas para venderem os seus produtos no mercado mundial. Isto significa perda de meios de subsistência dos agricultores pobres da África.
As reservas de água dos moradores são expropriadas pelo Estado, tal como sucede no Quénia, por exemplo. As tubulações de água foram direccionadas para as plantações industriais propriedade dos imperialistas estrangeiros que fazem lucros com os seus produtos no mercado mundial. E enquanto isso acontece os nativos podem morrer de sede.


O leite subsidiado da Europa destrói a produção de leite Africano, etc. etc.


A fome dos Africanos é causada principalmente pela indústria agrícola orientada para o lucro nos países imperialistas.


A causa da fome é o capitalismo.


A agricultura global pode alimentar facilmente 12 biliões de pessoas com o nível de desenvolvimento actual. A agricultura Africana poderia alimentar o seu próprio povo de forma bastante adequada - 1 bilhão de pessoas.


A contra-revolução usa a fome como uma arma contra a revolução. A luta pela revolução e pelo socialismo é uma luta contra a fome.


A solução para o problema da fome na África decidirá acerca da vitória ou da derrota da revolução socialista. Isto deve ser perfeitamente claro para a classe trabalhadora Africana.



Há três tarefas principais que têm de ser resolvidas:


1. Centralização da alimentação e dos transportes.

2. Unificação dos proletários de todos os países Africanos.

3. Organização dos camponeses pobres Africanos.


O problema da fome na África será resolvido somente pela luta unida de trabalhadores, camponeses e soldados pela revolução socialista.


Na prática, a Política Agrícola da burguesia leva a um enriquecimento dos latifundiários, das multinacionais de alimentos e do capital financeiro nos mercados de alimentos. E isto significa um maior empobrecimento da grande maioria dos camponeses Africanos, que por sua vez prejudica o desenvolvimento dos mercados internos.

Todas as conversas dos imperialistas e dos seus lacaios sobre a política da chamada "ajuda ao desenvolvimento" ou sobre a "ajuda para a auto-ajuda", etc. nada mais são do que mentiras imperialistas. Cada ano, a África deve remeter muito mais dinheiro para pagar as suas dívidas, do que aquele que recebe de ajuda dos países imperialistas. É de extrema importância para todos os comunistas exporem todas estas mentiras.


A exploração intolerável do campesinato Africano só pode ser eliminada através de uma revolução agrária.

Como aliado dos proletários, o campesinato torna-se numa força motriz da revolução socialista na África.

O campesinato só se pode libertar sob a direcção do proletariado, enquanto que o proletariado só pode conduzir a revolução socialista para a vitória se estiver unido ao campesinato. E o proletariado só pode ganhar a liderança e a confiança do campesinato se lutar pelas exigências camponesas mais urgentes.


O proletariado deve apoiar a aplicação integral da revolução agrária. O proletariado deve assumir a liderança na luta das massas camponesas por uma solução revolucionária da questão agrária.


O Comintern (EH) vai elaborar um programa global agrário de carácter revolucionário mundial.

O envolvimento gradual da luta revolucionária das massas de camponeses e agricultores e a organização das massas constituem algumas das tarefas mais importantes da futura Secção Africana do Comintern (EH).


Também em África este é o nosso slogan:

Conselhos revolucionários dos trabalhadores, camponeses e soldados!

Estabelecimento de repúblicas Soviéticas de operários, camponeses e soldados!
Formação de um exército vermelho dos trabalhadores e dos camponeses!

 

 

 

 

 

 


A luta de libertação nacional dos povos Africanos criou novas nações independentes nos países Africanos.

A questão nacional é uma arma poderosa nas mãos do proletariado Africano.


Como já aconteceu na Europa, as novas nações Africanas independentes tiveram inicialmente uma natureza progressista.


No entanto, durante a continuação do processo de formação das nações Africanas independentes, a burguesia nativa foi sucessivamente empurrada para o campo da reacção e tornou-se num instrumento da contra-revolução internacional. Enquanto isso, o proletariado - lutando pela sua total emancipação - tornou-se no líder hegemónico do movimento nacional-revolucionário.

E, dada a miséria que o capitalismo produziu em África, os povos Africanos começam a livrar-se das ilusões difundidas pela burguesia nacional cada vez mais rapidamente.
 
Essencialmente, nós temos que entender a criação artificial e o desenvolvimento das nações Africanas no contexto da dominação dos poderes coloniais e imperialistas. As colónias formavam a retaguarda das potências imperialistas. E, consequentemente, a fraqueza de um elo da cadeia imperialista mundial tem impacto no enfraquecimento desta retaguarda; o que causou, por sua vez, a luta de libertação dos povos Africanos.


Com o enfraquecimento da cadeia imperialista mundial - causado pela expansão do campo socialista e estalinista mundial - o antigo sistema colonial em África acabou por cair. O continente Africano foi o campo de batalha entre o velho mundo capitalista e o novo mundo socialista.

África despertou da sua escravidão secular e ergueu-se heroicamente contra todo o mundo imperialista.


As heróicas guerras anti-imperialistas de libertação permanecem indelevelmente como sendo o evento mais brilhante e mais importante na grande e gloriosa história dos povos Africanos amantes da liberdade. O dia da libertação de África do jugo da dominação estrangeira é celebrado desde 1958.

O 25 de Maio é o símbolo da destruição final das cadeias da escravidão na África, o dia da luta revolucionária por uma África socialista.


 
O colonialismo sobreviveu com a ajuda das forças do revisionismo moderno encabeçadas pelo revisionismo Soviético. O neo-colonialismo é um colonialismo oculto, é a "descolonização" em palavras e a re-colonização em actos.

E assim, as guerras em África passaram a ser instigadas entre o imperialismo ocidental e o imperialismo oriental liderado pelos social-imperialistas Soviéticos. Uma das características do social-imperialismo social é que ele constitui um tipo perigoso de neo-colonialismo que se esconde por detrás de uma fraseologia socialista.


Na história Africana mais recente, a emergência da África capitalista aumentou a opressão e exploração dos Estados Africanos mais fracos pelos estados Africanos mais fortes. Geralmente, a linha de desenvolvimento da exploração e da opressão interna em África é executada a partir da costa [especialmente do Sul e do Norte da África] em direcção á África Central. Por isso, a linha revolucionária da táctica do proletariado Africano também deve executar as suas tarefas na mesma direcção a fim de eliminar a exploração e opressão dos Africanos por outros Africanos.


Na África, a história do desenvolvimento das nações burguesas não é fundamentalmente diferente da Europa, em particular, nem de todas as outras nações burguesas, em geral: dá-se a transformação da tendência progressista numa tendência retrógrada que conduz á substituição do Estado burguês pelo Estado socialista, e, finalmente, pelo desaparecimento do estado na época do comunismo.


Em todo o mundo, as nações burguesas surgiram com a formação social capitalista. No entanto, há uma diferença significativa na África:


A África é o continente com o maior número de nações. Muitas delas são relativamente pequenas. As fronteiras de quase todos os países Africanos foram brutalmente desenhadas pelos colonialistas e pelos ocupantes imperialistas. Isto significa que numerosos povos Africanos vivem num só Estado, enquanto que outros povos estão distribuídos por vários países Africanos. É óbvio que este acto arbitrário praticado pelo imperialismo estrangeiro teve e ainda tem um impacto negativo sobre o desenvolvimento dos povos Africanos. Milhões de Africanos perderam a vida nestes conflitos. Portanto, o Comintern (EH) adere à aplicação coerente dos ensinamentos Leninistas da auto-determinação dos povos – especialmente na África.


A formação dos Estados na África é a negação da negação da formação Europeia dos Estados no século XIX. Os estados burgueses da África surgiram principalmente das lutas de libertação dos povos Africanos contra o colonialismo das potências imperialistas.
A superação do feudalismo foi "apenas" um subproduto da formação do Estado burguês Africano. Isto não foi nada fácil. Hoje, ainda há na África resquícios do feudalismo em abundância, tais como o tribalismo, o ocultismo e raízes de islamização. Tudo isto desempenha um papel reaccionário que não pode ser subestimado na preparação da revolução socialista. Mas apesar de tudo, é evidente que as nações África superaram o feudalismo mais rápido do que as nações Europeias. Primeiro, as experiências da União Soviética de Lenine e de Estaline e a experiência da Albânia socialista do camarada Enver Hoxha foram incorporadas nos processos nacionais de África, e em segundo lugar, o processo de nacionalização foi acelerado no contexto do processo da globalização do imperialismo.


Marx e Engels escreveram no seu "Manifesto Comunista" que:


A burguesia, pela sua exploração do mercado mundial, configurou de um modo cosmopolita a produção e o consumo de todos os países.” (Marx e Engels, Manifesto do Partido Comunista, edições “Avante!”, 1997, versão Portuguesa)


Os estados Africanos foram estabelecidos quando o capitalismo mundial já tinha atingido o seu estágio mais elevado, entrando assim na era em que o capitalismo mundial se transforma em socialismo mundial.


Os estados Africanos foram criados numa época em que o capital mundial começou a derrubar as barreiras nacionais e a prejudicar gravemente os interesses nacionais dos povos oprimidos.

No processo de acumulação capitalista mundial, não existe diferenças entre o capital "branco" e "negro". E, de facto, o capital financeiro global até encorajou o processo de formação de nações Africanas independentes. Muitos dos antigos líderes das guerras de libertação nacional (especialmente aqueles que foram subornados pelos social-imperialistas Soviéticos e Chineses) traíram o seu próprio povo e tornaram-se lacaios corruptos da nova burguesia no poder e em agentes das potências imperialistas estrangeiras. Assim, a ditadura capitalista da burguesia negra desenvolveu-se no decurso da história da África - com todas as suas características fascistas e social-fascistas. Os negros corruptos e ricos exploram os negros pobres. Eles reprimem-nos e matam-nos para o seu próprio lucro e por ordem da ditadura do capital financeiro internacional.


Quando os Estados independentes Africanos foram formados, a burguesia local mudou-se gradualmente para o campo do imperialismo e da reacção até se tornar num instrumento da contra-revolução internacional - os extintores do fogo da revolução mundial. O proletariado - lutando pela sua própria libertação social - é confrontado com os traidores burgueses e torna-se agora no líder hegemónico do movimento nacional-revolucionário.


O Marxismo-Leninismo ensina que a questão nacional não pode ser resolvida sem a questão social, que a solução da questão nacional é uma parte da questão social e está subordinada em relação a ela.

 

Este princípio deve ser aplicado da forma mais clara e consistente às condições de mudança na África. Necessariamente, o proletariado Africano irá combinar a luta revolucionária pelo socialismo com a questão da independência da África relativamente ao imperialismo mundial e com a questão da democratização de toda a sociedade Africana a fim de concluir a libertação de todo o continente.


Uma das características mais básicas do imperialismo é a de intensificar a opressão nacional e incitar os povos Africanos uns contra os outros de maneira a dividir o proletariado.
Os polícias e os soldados Africanos foram treinados e equipados pela contra-revolução imperialista estrangeira. O objectivo é claro: reprimir revoluções e rebeliões e incitar guerras (civis, etc.). Alguns povos Africanos foram eliminados desta forma, enquanto que outros estão ameaçados de extinção. Se os Africanos se matarem entre si, isto é mais lucrativo para os inimigos dos povos Africanos do que a sua "ajuda ao desenvolvimento".


E isto significa justamente transformar as guerras nacionais em guerras revolucionárias para a libertação da opressão e da exploração. E isto também se aplica ás inevitáveis guerras ​​civis na África - que são a forma mais grave da luta de classes.
Somente após o proletariado mundial ter derrubado, derrotado e expropriado a burguesia mundial é que a inevitabilidade das guerras em África e em todo o mundo será abolida.
O imperialismo na África não só produz guerras revolucionárias e rebeliões contra a opressão nacional, mas também causa guerras e revoltas sociais do proletariado contra a burguesia. Mas acima de tudo, o imperialismo cria a unificação vital dos dois tipos de guerras revolucionárias e de rebeliões em África.


O proletariado mundial luta pelo internacionalismo proletário tanto contra o nacionalismo burguês como contra o cosmopolitismo imperialista - que também se manifesta na África.


O pan-africanismo tem raízes e tradições profundas. Mas o Comintern (EH) só apoia o pan-africanismo internacionalista e proletário com o propósito de combater o pan-africanismo feudal e religioso, pan-africanismo burguês e nacionalista e o pan-africanismo imperialista.


O proletariado Africano vai quebrar todas as cadeias do capitalismo juntamente com os proletários de todos os outros continentes no contexto da grande revolução socialista mundial – e isto quer as cadeias sejam "negras" ou "brancas".

O proletariado Africano não luta apenas contra a opressão no seu próprio país, ele não luta apenas contra a opressão no continente Africano. Ele combate sim pela remoção da inevitabilidade de toda a opressão nacional á escala mundial. Só esta posição é que pode ser considerada como genuinamente pan-africanista e proletária.


As cadeias capitalistas na África são cadeias globais que só podem ser esmagadas á escala mundial. Assim, seguimos o princípio internacionalista segundo o qual a soma de todos os proletários Africanos constitui um precioso destacamento do exército do proletariado mundial para a abolição global da contradição entre as nações opressoras e as nações oprimidas. E enquanto isto, a luta pelos interesses nacionais dos povos Africanos tornou-se numa arma poderosa nas mãos do proletariado Africano que os ajuda a avançar em direcção á revolução socialista.


O proletariado Africano é um destacamento poderoso do exército do proletariado mundial, ele é parte da vanguarda da revolução socialista mundial


O estabelecimento de um baluarte socialista Africano contra o imperialismo mundial e contra os seus lacaios - a burguesia Africana corrupta e a sua ditadura fascista - é indispensável para a salvaguarda da revolução socialista e para o estabelecimento do socialismo mundial. A revolução socialista mundial é a chave para a solução da questão social e nacional não apenas na África, mas em todo o mundo.

Hoje, o proletariado surge como uma classe revolucionária mundial, e isto também sucede na África.

As alterações graves no desenvolvimento da sociedade de classes durante o período da globalização são de importância decisiva. Isto significa que as teorias e as tácticas da revolução socialista mundial elaboradas pelo Comintern em 1928 têm de ser inevitavelmente modificadas. Estes princípios criados pela Internacional Comunista - com base nas relações de classes em África há mais de 80 anos atrás – não podem permanecer eternamente válidas. Para o proletariado mundial actual, as condições objectivas da vitória da revolução socialista mundial têm melhorado significativamente desde então.

Ao contrário do que sucedia no tempo do antigo Comintern – especialmente quando as suas teses foram aprovadas em Setembro de 1928 – a África já não é mais uma zona de retaguarda, ela já não é nem a retaguarda do imperialismo nem a retaguarda da revolução socialista mundial.


Antigamente, o imperialismo mundial tinha sido capaz de escapar aos golpes do movimento operário nos países capitalistas ocidentais baseando-se na sua retaguarda e nas suas reservas, com base no seu mundo colonial onde o proletariado revolucionário ainda não existia ou estava muito pouco desenvolvido. Se o proletariado Africano conseguiu organizar a paralisação da produção de uma das minas de platina mais importantes do mundo durante várias semanas, então isso significa que o imperialismo mundial no seu conjunto (e não apenas o poder de um indivíduo imperialista) já não podem contar com África como sendo a sua retaguarda protectora. Devido à globalização, o proletariado mundial tornou-se num factor revolucionário global de tal forma que o imperialismo mundial já não está seguro. Ao mesmo tempo que isto ocorre, o proletariado mundial exerce o controlo sobre os seus destacamentos em todos os países do mundo.


Ao mesmo tempo, o imperialismo criou uma aristocracia operária corrupta por meio dos super lucros das colónias. Esta aristocracia operária tentou impedir a unificação revolucionária entre o proletariado dos países oprimidos com o dos países opressores. Hoje, uma nova aristocracia operária existe na África. Ela foi criada em conjunto pelos imperialistas estrangeiros e pelas burguesias nacionais com o objectivo de paralisar a luta revolucionária do proletariado Africano. A nova aristocracia operária de África também é apoiada pelas organizações sindicais reformistas de todo o mundo. Por isso, é necessário unir os sindicalistas revolucionários de África na Internacional dos Sindicatos Vermelhos e formar novos sindicatos revolucionários Africanos nos casos em que não há possibilidade de existência de uma oposição revolucionária dentro dos sindicatos social-fascistas. É claro que isto não significa desistirmos da luta pela oposição revolucionária nos sindicatos revisionistas.


Para além de tudo isto, não podemos esquecer que a globalização das forças produtivas ocorreu também muito por causa da deslocalização da produção das nações industriais ocidentais para os chamados países "de baixo custo" na África, na Ásia e na América Latina.


Hoje, este princípio aplica-se:


O proletariado Africano e o proletariado de todos os povos oprimidos tornaram-se parte da vanguarda da revolução socialista mundial.


As condições objectivas para a antiga fórmula Marxista-Leninista da "unificação anti-imperialista do proletariado dos países capitalistas ocidentais, por um lado, e dos povos oprimidos da África, Ásia e América Latina, por outro lado", mudaram em favor do proletariado. Através das relações de produção globalizadas, surgiram também novas relações de classe globalizadas – especialmente no seio dos povos oprimidos da África, Ásia e América Latina. A globalização do modo de produção capitalista incorporou todos os países no sistema de produção capitalista mundial – (países capitalistas [!], enquanto que a África do Sul está mesmo em vias de se tornar num país imperialista – tal como o Brasil – e ambos estes países são ex-colónias!). Obviamente que em 1928 o Comintern não teria sido capaz de prever este desenvolvimento.


Assim, também a África encontrou o seu caminho para o modo de produção capitalista. E não se pode negar o facto de que o proletariado Africano se vai tornar num factor importante e indispensável da revolução socialista mundial. O futuro socialista do proletariado revolucionário Africano é fabuloso! Actualmente, o proletariado começou a assumir a posição de liderança na luta de classes em quase todos os países Africanos.


Assim, o Comintern (EH) afirma que:


Hoje em dia, estão verdadeiramente preenchidas as condições para a unificação dos trabalhadores de todo o mundo á escala global.


Isto é contrário ao que sucedia nos tempos de Marx e de Engels. Na sua época, o slogan: "Proletários de todos os países – uni-vos!" era limitado aos proletários dos países capitalistas ocidentais.

Portanto, o estabelecimento da ditadura do proletariado é hoje uma tarefa prática que deve ser resolvida em cada país do mundo. Com base neste objectivo, o Comintern (EH) apela directamente aos trabalhadores de África:


Vamos estabelecer a ditadura do proletariado em todos os países Africanos!”


Ao contrário de antes, o proletariado ocupa agora a liderança completa na luta contra o imperialismo mundial – e isto tanto á escala nacional como á escala global.

Hoje, o proletariado mundial está à frente da luta de classes em todos os países, pronto para cumprir a missão da revolução socialista mundial em todo o mundo. É claro que para isto ele conta com os seus aliados, especialmente com os camponeses pobres.


A globalização do capital criou a globalização do trabalho e, assim, transformou o proletariado Africano numa das divisões do proletariado mundial. Hoje, a revolução socialista mundial pode ser baseada num proletariado Africano ainda em fase de crescimento que se vai certamente transformar numa poderosa força socialista de produção mundial.

O proletariado Africano está a tornar-se cada vez mais consciente, organizado e aguerrido. Um dos principais interesses do proletariado Africano consiste na centralização continental das suas organizações de classe para formar um dos destacamentos mais fortes do exército proletário mundial.

É tarefa da Internacional Comunista (EH) a de integrar a luta de classes centralmente organizada do proletariado de África na luta de classes global do proletariado mundial. Por isso, a criação de uma "Secção Africana" ​​do Comintern (EH) é algo absolutamente necessário para a unificação de todas as forças de classes e para a transformação da sua vontade comum em acção comum.


A luta de classes decidirá acerca do destino de África


Há 33 países Africanos entre os 49 países mais pobres do mundo.

Todos os anos, muitos milhões de refugiados deixam a África. Calcula-se que em cada 5 refugiados, um acaba por morrer.

Antigamente, os Africanos foram forçados a deixar a sua pátria em navios negreiros – hoje acontece o inverso: os Africanos são forçados a não deixar a África. A Europa imperialista construiu uma zona de morte contra a "invasão" Africana. As massas Africanas atingidas pela pobreza são deixadas à mercê da sua sorte miserável.


Cerca de 30 milhões de Africanos morrem devido ao HIV e á malária. E estes números estão a aumentar drasticamente.

Os cuidados de saúde são algo catastrófico para a maioria da população Africana.
O desemprego é alarmante na África (Zimbabué = 82% de taxa de desemprego) e constitui um dos principais problemas.

As pessoas que vivem em grandes cidades como Lagos (Nigéria) e Kinshasa (República Democrática do Congo) vegetam em favelas de grande dimensão. Todos os dias milhões de Africanos pobres têm de lutar pela sua existência.


Para além disto, os imperialistas causam grandes danos ambientais. A este respeito, nenhum dos outros continentes sofre mais do que a África (secas catastróficas, destruição das florestas tropicais, sobreexploração dos recursos naturais em África, etc.)
A taxa de mortalidade infantil é alta, enquanto que as taxas de esperança média de vida, de alfabetização e de níveis de educação são assustadoramente baixas.


A desigualdade social é maior na África do que em qualquer outro lugar do mundo. O princípio Leninista do desenvolvimento desigual dos países capitalistas aplica-se mesmo no continente Africano – com todas as suas implicações em relação aos velhos países imperialistas, por um lado, e em relação aos novos mercados emergentes da América Latina e da Ásia, por outro lado.


Em toda a África, o imperialismo exacerbou as contradições entre ricos e pobres que por sua vez aguçam as contradições de classe que dividem a sociedade Africana em dois campos – a burguesia de um lado e o proletariado e os camponeses pobres por outro lado. Assim, é a luta de classes entre o proletariado e os camponeses pobres e a burguesia, é a luta de classes entre o proletariado mundial e a burguesia mundial que decidirá acerca do futuro não apenas dos povos Africanos, mas também de todos os outros povos do mundo.


A miséria em África só pode ser abolida sob a liderança do proletariado revolucionário Africano. O futuro de África está nas mãos do proletariado. Os trabalhadores da África triunfarão no contexto do socialismo globalizado. Quando o centro de gravidade da economia mundial se transfere cada vez mais para o Sul e para o Leste, o movimento revolucionário Africano está a adquirir um carácter cada vez mais internacional e de importância global. O proletariado Africano está destinado a desempenhar um papel importante na revolução socialista mundial.


As ondas de libertação que se erguem sobre os países Árabes e Africanos agitam o mundo inteiro. As chamas da “Primavera Árabe” espalham-se por todo o continente Africano. Estas chamas já alcançaram o “Cabo da Boa Esperança” e inflamaram a luta revolucionária dos trabalhadores na África do Sul.


As revoluções Árabes e Africanas continuam a avançar – e elas não poderão ser interrompidas ou terminadas a meio caminho. A revolução democrática é a véspera da revolução socialista. Apenas a sua transformação numa revolução socialista permitirá que os povos Árabes e Africanos se libertem do capitalismo.

É essencial transformar as suas revoltas desarmadas e espontâneas em insurreições organizadas e armadas. Tanto as armas dos elementos revolucionários do exército como as armas dos insurgentes – os operários e os camponeses pobres – são indispensáveis para a vitória da revolução nos países Árabes e Africanos. A luta de classes contra o imperialismo e a frente anti-imperialista devem ser consideradas como o campo de batalha do proletariado mundial armado, devem ser encaradas como sendo a sua vanguarda, os seus aliados, etc.… Isto constitui o núcleo da doutrina do Marxismo-Leninismo acerca da questão da actual luta militar pela revolução mundial.


O único verdadeiro internacionalismo da classe trabalhadora Africana é aquele que coloca os interesses da revolução em África ao serviço dos interesses da revolução socialista mundial de maneira consciente e activa.


Vamos lutar por uma África comunista num mundo comunista – sem escravidão, sem exploração e sem opressão do homem pelo homem!


Viva o internacionalismo proletário!


Viva a revolução socialista da classe trabalhadora na África!


Viva a revolução socialista mundial!


Viva o comunismo mundial!




O Comintern (EH)


10 de Outubro de 2012