ÁFRICA

GANA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

português

 

 

GANA

população: 25,241,998 habitantes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ocupantes dos caminhos-de-ferro perto do fim da linha em Accra.


Os residentes de Accra protestam contra as expulsões forçadas que acompanham a construção da nova linha de caminhos-de-ferro. As suas casas e locais de trabalho estão a ser demolidos para permitir a construção desta nova linha. O problema é que muitos destes residentes afirmam não ter outro lugar para onde ir.


Este projecto vale cerca de 900 milhões de dólares e vai ligar Accra ás cidades mais próximas. A empresa China National Machinery & Equipment Import & Export Corporation (CMEC) é responsável pela sua construção. Hoje em dia, cerca de 50.000 pessoas vivem nos bairros de barracas de Accra.

 

 

 

O Ouro Do Gana Provoca Conflito Com Os Mineiros Chineses Ilegais

 

 

O Gana alberga uma numerosa população Chinesa, com cada vez mais restaurantes e lojas Chinesas na zona de Ashanti Kumasi. O comércio bilateral entre os dois países aumentou para 3,47 biliões de dólares – o seu valor tinha sido de “apenas” 2 biliões de dólares em 2010.

Enquanto que os preços do ouro sobem no contexto das incertezas económicas na Europa, o Gana enfrenta um fluxo de mineiros ilegais da China que usam maquinaria á qual os aldeãos locais não têm acesso. As operações estão a causar preocupação devido aos danos ambientais que ocorrem no segundo maior produtor de ouro da África e estão a enraivecer os Ganeses que afirmam terem sido forçados a vender aos mineiros Chineses as suas regiões rurais. “Os Chineses destruíram as nossas terras e o nosso rio, eles estabelecem-se aqui com máquinas e armas, muitas armas.”


Os Chineses deixam a terra devastada, e a maior parte das vezes eles nem sequer pedem permissão às populações locais. O povo sente que a terra lhe pertence; ele possui a terra e os Chineses vieram para levarem o ouro consigo. A vinda dos Chineses aumentou os preços das pensões e dos hotéis nalgumas vilas mineiras, tais como Dunkwa-On-Offin – localizada na região central do Gana. O acesso a estes estabelecimentos está a tornar-se difícil para os Ganeses porque a maior parte dos mineiros Chineses pagam vários meses adiantados. Isaac Abraham é um trabalhador Ganês. Ele diz que as terras aráveis são destruídas e a água potável é poluída em resultado da mineração ilegal. “Por vezes eles cavam o local e quando não encontram nada ele limitam-se a ir embora. Os Ganeses estão a subalugar as suas licenças aos mineiros Chineses.” Por detrás de cada operador Chinês encontra-se um chefe local, um agricultor, um proprietário ou alguém que teve de subarrendar tudo aos Chineses por causa destas actividades ilegais.  

 

Trabalhadores das minas do Gana acusam as empresas Chinesas de aumentarem a sua quota de lucros locais. "O povo Chinês traz os seus equipamentos, o que torna o trabalho mais fácil, mas se ficarmos doentes, temos que ter o nosso próprio dinheiro para pagarmos as contas hospitalares."


Ben diz que trabalhou numa mina Chinesa e recebeu 80 Ghana Cedi, cerca de 36 euros, por mês. Agora ele recebe o dobro – numa mina Ganesa.

No mês passado, a polícia prendeu 25 mineiros chineses por trabalharem ilegalmente perto das aldeias de Wasa.


A Associação das comunidades mineiras afectadas diz que as empresas Chinesas têm formado redes com os moradores locais. Os mineiros, os líderes locais e o pessoal de segurança dão-lhes apoio para a continuação da mineração ilegal. De acordo com as leis do Gana, as empresas estrangeiras só operam em minas a céu aberto e de grande dimensão. Mas por detrás dos bastidores, as empresas Chinesas operam ilegalmente – principalmente através de intermediários locais.

 

 

    A Ascensão do Colonialismo

    no Gana
    (Costa do Ouro)

    Escrito por Abayomi Azikiwe


    O comércio de escravos do Atlântico abriu o caminho para a ascensão do colonialismo na África. O deslocamento social causado pelo comércio de carga humana subdesenvolveu a África ao ponto de a tornar incapaz de se defender adequadamente contra o início do imperialismo europeu.

    No entanto, os povos Africanos resistiram às investidas Europeias pela força. Os Africanos lutaram ferozmente contra a dominação política dos países imperialistas Europeus que tentavam explorar a África.

    "Por quatro séculos, o Africano em África teve de sofrer os ataques dos traficantes de escravos e o deslocamento da civilização Africana causada por eles. A América continuou com o comércio de escravos até ao fim da Guerra Civil, mas enquanto em 1789 San Domingo capturava 40 mil escravos por ano, entre 1808 e 1860 os estados do sul da América do Norte capturaram apenas 200 mil. As outras nações da Europa e os países Árabes na costa leste continuaram com o comércio. No entanto, as verdadeiras colónias eram relativamente poucas na África. Havia, é claro, a Colónia do Cabo e os distritos além, e as colónias da África Ocidental que eram em geral pouco mais do que estações comerciais. Em meados do século XIX, Disraeli referiu-se às colónias como marcos malditos em redor do pescoço do povo Britânico. Como já dissemos, não é provável que mais de um décimo da África estivesse nas mãos de europeus. Mas na década de 1880 começou a rivalidade intensa dos imperialismos Europeus por colónias, por fontes de matérias-primas, por mercados e por esferas de influência. Até ao final do século XIX menos de um décimo da África permaneceu nas mãos dos Africanos. Esta rápida mudança não poderia deixar de produzir uma série de revoltas que nunca cessaram.
    O primeiro país Europeu a chegar à área que ficou conhecida como a Costa do Ouro foi Portugal. Os navegadores Portugueses foram o grupo de contacto inicial que começou a dedicar-se ao comércio ao longo da costa Oeste da África na última parte do século XV.


    Dois famosos navegadores Portugueses - João de Santarém e Pêro de Escobar - desembarcaram na costa do Gana (Costa do Ouro) em 1471. Estes dois navegadores tinham sido enviados por um comerciante Português para explorar o ouro da costa Oeste Africana a fim de poderem ultrapassar os comerciantes de ouro Árabes que controlavam o fornecimento deste mineral precioso para Portugal.


    Em 1481, os Portugueses decidiram construir um grande porto na costa do Atlântico. Os Portugueses construíram mais fortes á medida que cada vez mais comerciantes e navegadores se foram estabelecendo ao longo da Costa do Ouro. As condições ambientais da África Ocidental eram tão radicalmente diferente das da Europa que os Portugueses morriam às dezenas de febre-amarela e de malária. Foi só com a introdução do quinino que as mortes europeias começaram a declinar.


    Apesar das mortes maciças de Europeus na Costa do Ouro, eles ainda se chegaram envolver no comércio de ouro. No entanto, os Portugueses não foram capazes de manter um monopólio sobre o comércio do ouro na África Ocidental. Em 1598, os holandeses chegaram e começaram a construir fortes; em 1642 os Holandeses haviam tomado o controle de todos os fortes Portugueses ao longo das costas. Nos últimos anos, a procura de trabalho Africano intensificou-se como resultado da conquista Europeia de grandes territórios no Caribe, América do Sul e América do Norte.


    Inicialmente, houve uma tentativa por parte dos colonizadores Europeus no hemisfério Ocidental para escravizar os povos indígenas da região. No entanto, isso não funcionou por causa da natureza da intervenção Europeia. As guerras contra os povos indígenas do hemisfério Ocidental trouxeram a morte em grande escala como resultado da guerra e também das doenças. Além disso, os povos indígenas do hemisfério Ocidental estavam mais familiarizados com o terreno e, portanto, eles foram capazes de escapar das plantações criadas pelos invasores Europeus.

    A África continha uma grande fonte de trabalho inexplorada para os imperialistas Europeus, e portanto o comércio de escravos era o principal incentivo por trás da intervenção na África durante os séculos 17, 18 e 19. Em meados do século 18, havia 30 fortalezas principais ao longo da costa Oeste Africana.


    A propagação da escravidão aumentou as guerras na África, entre os vários grupos étnicos e também entre os países Africanos e as nações imperialistas Europeias. Isto exerceu uma pressão séria sobre o desenvolvimento social Africano, enfraquecendo as sociedades Africanas como um todo. No início do século 19, muitos países da Europa começaram a proibir o comércio de escravos. Este fenómeno foi causado pelo surgimento da industrialização e da necessidade de matérias-primas e de mercados para o escoamento das mercadorias Europeias.


    Também durante este período, a introdução de missionários cristãos Europeus desempenhou um papel significativo na propagação dos seus valores no continente Africano. Isto também representou outra força religiosa no contexto social Africano social que serviu como parceira das administrações coloniais Europeias que se estabeleceram na África durante grande parte na segunda metade do século XIX.


    Havia uma rivalidade feroz entre os diversos países europeus: entre os Holandeses, os Dinamarqueses, os Portugueses e os Britânicos sobre o controle da área que ficou conhecida como a Costa do Ouro. No entanto, em 1872, os Holandeses, os Portugueses e os Dinamarqueses tinham-se retirado do território deixando apenas os Britânicos. Os Britânicos atacaram a nação Ashanti em 1874 e declararam-na um território colonial. Eles não foram capazes de controlar toda a área que hoje é conhecida como Gana, mas a área da região Ashanti no Gana foi atacada pelos Britânicos. Na época (1874), os Britânicos começaram a fazer drásticas mudanças nas infra-estruturas sociais da sociedade Ashanti.


    Por volta de 1890, mais áreas ao redor da região de Ashanti foram conquistadas pelos colonialistas Britânicos. No entanto, este fortalecimento do imperialismo Britânico na região de Ashanti encontrou uma resistência feroz dentro da nação Ashanti. Várias guerras prolongadas foram travadas entre os Ashantis e os Britânicos.



    As guerras entre os Britânicos e os Ashantis


    Começando no início do século XIX, a nação Ashanti abrangeu cerca de 125.000 a 150.000 quilómetros quadrados de território, com uma estimativa de cerca de 3.000.000 a 5.000.000 habitantes. A área tinha vindo a desenvolver-se como nação desde o início do século XVIII, com um alto nível de comércio, instituições de ensino, templos religiosos, um Estado altamente centralizado e uma elite dominante encabeçada pelo rei (Asantehene). A nação conduzia um comércio lucrativo com os territórios vizinhos da Hauçalândia, com o oeste do Sudão, e mais tarde com os Dinamarqueses, com os Portugueses, Britânicos, Franceses e Holandeses.


    Quando os Britânicos começaram a tentar assumir o controlo das rotas de comércio e a dominar o sistema político Ashanti, nessa altura irrompeu a guerra entre os Britânicos e os Ashantis. Várias batalhas foram travadas no início de 1806. Houve seis outras grandes batalhas entre os Ashantis e os Britânicos após a batalha inicial de 1806. Estes últimos conflitos militares ocorreram em 1811, 1814-1815, 1823-1826, 1863, 1873-1874 e 1895.

    Foram as guerras travadas entre 1873-1874 que conduziram realmente ao fortalecimento firme dos interesses Britânicos dentro da área. Após isto, a Colónia do Cabo foi estabelecida em 1874. As tropas Britânicas atacaram a capital da nação Ashanti – Kumasi - em 1874, e queimaram a cidade, incluindo o palácio do Asantehene. Após este episódio, os Britânico desenvolveram o tratado Fomena que trouxe várias condições que prejudicam a sociedade Ashanti. Estas condições incluíam: uma indemnização de 50.000 onças de ouro, a renúncia das reivindicações Ashanti sobre Denkera, Akim, Elmina, e outros territórios, além da garantia por parte dos Ashanti de manter as rotas de comércio abertas ao controle e dominação Britânicos.


    Apesar da predominância Britânica sobre a área desde 1874, os Ashantis continuaram os movimentos de resistência contra a intervenção Britânica. Em 1893, outro Asantehene - Prempeh I - chegou ao poder e começou a reclamar a independência Ashanti do domínio Britânico. Em 1895, os Britânicos sentiram que era necessário envolverem-se em mais uma campanha de intervenção militar na região dos Ashantis. Eles acusaram os governantes Ashanti de se recusarem a cumprir as condições estabelecidas no Tratado Fomena e exigiram que os Ashantis aceitassem tornar-se num protectorado britânico. O líder Prempeh recusou-se a cumprir as novas exigências Britânicas e não aceitou o protectorado. Finalmente, em 1896, os Britânicos enviaram tropas para reforçar o posicionamento de um governo de protectorado Britânico na região dos Ashantis. O Asantehene Premph I e a sua família foram deportados de Ashanti em 1896 pelos colonialistas Britânicos.


    Em 1900, os britânicos exigiram que os Ashantis destruíssem o banquinho de ouro sagrado da nação Ashanti que representava a "alma" do povo e do seu sistema de governo. Isto causou uma revolta na região dos Ashantis que levou a outra invasão militar Britânica em 1901 que, por sua vez, levou à colonização total dos Ashantis. Depois de quase um século de longa luta pela predominância, os Britânicos ganharam aos Ashantis o controle político e económico.


    A dominação britânica nesta área da África Ocidental trouxe enormes benefícios económicos á Inglaterra. O estabelecimento de uma economia do cacau na Costa do Ouro dotou os Britânicos de um meio eficaz para explorarem o território Africano que é hoje conhecido como Gana. Além disso, a extracção de ouro deu um novo impulso ao desenvolvimento da primeira linha de caminhos-de-ferro do território. Esta linha ferroviária estendeu-se do distrito da mineração de ouro de Tarkwa para Sekondi em 1901. Após a construção da linha ferroviária na Costa do Ouro, a taxa de lucros acumulados provenientes do comércio de ouro aumentou.


    Em 1897, o valor das exportações de ouro da região da Costa do Ouro foi de 22.000 (libras esterlinas), no entanto, em 1902 o valor tinha aumentado para 97.000 (libras esterlinas). Depois de 1902, o valor tinha aumentado para 255.000 e em 1907 o valor do comércio de ouro era de 1.165.000. Em 1914, o valor do ouro exportado a partir desta área atingiu 1.687.000 (libras esterlinas).


    A linha dos caminhos-de-ferro estendeu-se para Kumasi em 1903 a fim de assegurar o domínio político e militar da nação Ashanti. Este factor conduziu à penetração das áreas florestais, onde o processo de extracção da borracha começou a ser realizado pelos Ingleses. Além da borracha, a expansão do cultivo de cacau trouxe uma nova rodada de lucros inesperados para os colonialistas Britânicos.


    Em 1901, o valor do cacau exportado da colónia era de 43.000 (libras esterlinas), em 1902 era de 95.000, em 1907 era de 515.000 e em 1914 era de 2.194.000. Nesse ano, o cacau representou 49 por cento de todas as exportações e ele sozinho pagava todas as importações da Costa do Ouro. A exportação de madeira, no valor de 169.000 (libras esterlinas) em 1907, também resultou na construção dos caminhos-de-ferro. Ouro, cacau e madeira fizeram da Costa do Ouro a mais próspera de todas as colónias Africanas.



    A ascensão do nacionalismo Africano


    A intrusão colonial na Costa do Ouro e noutras áreas do continente Africano encontrou forte resistência por parte das nações Africanas. Várias organizações surgiram para tentar proteger os direitos da população Africana da intrusão colonial nos seus territórios. Na Costa do Ouro, este fenómeno trouxe a ascensão da Confederação Fanti em 1868. A confederação consistia de chefes Fanti que procuravam proteger-se do domínio político dos Ashantis e dos interesses coloniais Britânicos. As nações Fanti e Ashanti tinham sido rivais na área da Costa do Ouro. Os Britânicos procuraram explorar essa rivalidade lançando os chefes Fanti contra o monopólio do comércio realizado pelos chefes Ashanti.


    A Confederação Fanti propôs uma constituição que teria exigido uma aliança com o governo Britânico a fim de trazer a introdução da tecnologia e da educação ocidental. A constituição consistiu de 47 artigos, muitos deles subdivididos em várias secções. Alguns dos artigos principais estatuíam o seguinte:


    "Artigo 8. O objecto da confederação é:


    1. Promover as relações de amizade entre todos os reis e chefes de Fanti e uni-los para fins ofensivos e defensivos contra o inimigo comum.


    2. Dirigir os trabalhos da confederação para a melhoria do país em geral.


    3. Fazer boas estradas em todos os distritos do interior incluídos na confederação.


    4. Erguer casas escolares e criar escolas para a educação de todas as crianças dentro da confederação obtendo o serviço de mestres.


    5. Promover actividades agrícolas e industriais e esforçar-se por introduzir plantas novas que se possam tornar fontes de comércio lucrativo para o país.


    6. Desenvolver e facilitar a extracção dos minerais e de outros recursos do país.


    Artigo 12. A Assembleia de Representantes tem o poder de preparar leis, portarias, contas, etc., e de usar de meios adequados para realizar as resoluções do governo e para examinar as questões definidas pelo ministério e por qualquer dos reis e chefes, e para exercer de facto todas as funções de um órgão legislativo.


    Os artigos 21-25 lidam com a educação.


    Artigo 26. As estradas principais devem ser feitas conectando várias províncias ou distritos uns com os outros e com a costa marítima...


    Artigo 37. Em cada província ou distrito devem ser estabelecidos tribunais provinciais presididos pelos assessores provinciais.


    Artigo 43. Os oficiais da confederação devem prestar assistência, conforme indicado pelos órgãos executivos, á realização dos desejos do governo Britânico.


    Artigo 44. A Assembleia de Representantes será competente para administrar o governo, aprovar leis para a cobrança de impostos, etc. como for necessário."


    Este foi o programa da Confederação Fanti que foi proposto ao governo colonial Britânico em 1871. A resposta do governo Britânico a estas exigências foi a prisão dos dirigentes da Confederação, que foram julgados e condenados por traição.


    Começando na década de 1890, outra organização surgiu na Costa do Ouro chamada Sociedade de Protecção dos Direitos dos Nativos. Esta organização procurou proteger os interesses dos indígenas Africanos contra a depredação dos colonialistas Britânicos. A organização foi fundada por homens que pertenciam á classe dominante da sociedade da Costa do Ouro, os seus líderes mais proeminentes eram pessoas como Mensah-Sarbah, Ahuma Atta, Sey e Wood.


    A criação de um conselho legislativo controlado pelos Britânicos na década de 1890 serviu como mecanismo político para a manutenção do domínio colonial na Costa do Ouro. As exigências da Sociedade de Protecção dos Direitos dos Nativos centravam-se em torno da composição do conselho legislativo. No entanto, os colonialistas Britânicos não tinham intenções de compartilhar o poder com o povo Africano, e portanto a eficácia da Sociedade de Protecção dos Direitos dos Nativos era limitada.


    A partir de 1919, o advogado da Costa do Ouro Joseph Casley-Hayford lançou as bases para o estabelecimento de um Congresso Nacional da África Ocidental Britânica. A conferência de fundação da organização foi realizada em 1920 em Londres, Inglaterra. O objectivo desta organização foi estabelecer laços entre as diversas nações Africanas sujeitas ao regime colonial Britânico. O congresso atraiu delegados da Serra Leoa, Gâmbia, Nigéria e Gana; foram aprovadas resoluções pedindo o direito de sufrágio, o aumento das instituições de ensino e a igualdade de oportunidades no emprego.


    Hayford liderou uma delegação enviada a Londres composta por dois representantes de cada um dos territórios coloniais Britânicos. Eles apresentaram um memorando de protesto ao secretário de Estado para as Colónias Lord Milner solicitando uma maior representação nas assembleias legislativas coloniais, a criação de um tribunal de apelações do Oeste Africano e de uma universidade da África Ocidental. Este esforço por parte do Congresso Nacional da África Ocidental Britânica obteve resultados muito limitados da parte do governo do Reino Unido. Os Britânicos limitaram-se a fazer pequenas concessões em várias cidades do Oeste Africano e criaram o Achimota College na região Ashanti da Costa do Ouro.


    As exigências limitadas da fase inicial do movimento nacionalista Africano na Costa do Ouro eram um reflexo do nível de agressividade que caracterizavam o sistema colonial Britânico. Após as guerras Anglo-Ashantis, os Britânicos foram efectivamente capazes de esmagar as forças da oposição através da força militar e da deportação. Portanto, é fácil de compreender a natureza limitada do movimento nacionalista durante a sua fase inicial na primeira parte do século XX.



    Os Congressos Pan-Africanos


    Após a Primeira Guerra Mundial, o movimento dos povos Africanos para a liberdade e a independência ganhou novo impulso. Mesmo antes da Primeira Guerra Mundial, surgiu um movimento no hemisfério Ocidental que foi destinado a resolver os problemas colectivos dos povos Africanos à escala global. Em 1900, um advogado chamado Henry Sylvester Williams convocou a Conferência Pan-Africana em Londres. Williams nasceu em West Indies (Trinidade) e a maioria dos participantes na Conferência Pan-Africana nasceram fora do continente Africano – na América do Norte e no Caribe. A Conferência Pan-Africana foi o reflexo da crescente consciência que aumentava entre os Africanos de que a sua opressão resultou do facto de que a África era totalmente dominada pelo imperialismo Europeu e que o trabalho dos povos africanos espalhados por todo o hemisfério Ocidental foi violentamente explorado pelo sistema económico capitalista ocidental.


    O objectivo da Conferência Pan-Africana em Julho de 1900 foi limitado, mas este encontro fez representar a consciência crescente entre os povos Africanos em relação à sua herança histórica comum e á sua subjugação política e económica relativamente ao imperialismo europeu.


    O objectivo da Conferência foi delineado em quatro objectivos traçados pelos participantes:


    "I. Actuar como um fórum de protesto contra a agressão dos colonizadores brancos;


    II. Apelar á tradição missionária e abolicionista do povo Britânico para proteger os africanos das depredações dos construtores do império;


    III. Fazer com que as pessoas de ascendência Africana em todo o mundo entrem em contacto umas com as outras e estabelecer relações mais amistosas entre a raça branca e a raça africana;


    IV. Iniciar um movimento para a obtenção de direitos para todos os Africanos que vivem nos países civilizados e promover os seus interesses comerciais."


    Após a Primeira Guerra Mundial, o movimento Pan-Africano ganhou um novo impulso quando dois fenómenos novos surgiram no hemisfério ocidental: a chegada de Marcus Garvey nos Estados Unidos e a convocação de uma série de Congressos Pan-Africanos na América e na Europa sob a direcção de WEB DuBois. A fundação da Universal Negro Improvement Association (UNIA) pelo jamaicano Marcus Garvey em 1914 começou um movimento político que teve enorme impacto sobre a consciência colectiva dos povos Africanos em todo o mundo. A organização de Garvey cresceu após a Primeira Guerra Mundial no início de 1920. O propósito de Garvey era construir uma organização internacional de pessoas de ascendência Africana a fim de expulsar o colonialismo da África e de estabelecer uma África unida, livre e independente.


    Os congressos Pan-Africanos de DuBois no início de 1919, em Paris, reuniram os Africanos da América, do Caribe e alguns outros. Este Congresso organizado por um Africano nascido na América desempenhou um grande papel na convocação do Congresso Nacional da África Ocidental Britânica em 1920. As exigências que saíram do Congresso Pan-Africano de 1919 foram em grande parte reformistas, no entanto, este fenómeno do reformismo foi apenas um reflexo da natureza opressiva do sistema imperialista ocidental que predominou na política após a Primeira Guerra Mundial. As potências coloniais haviam convocado a Conferência de Berlim, em 1884-1885, a fim de repartirem o continente Africano entre si. A Primeira Guerra Mundial tinha sido o resultado do aumento da concorrência entre as potências Europeias para o domínio da Europa, África, Ásia e do resto do mundo.


    A intelectualidade Africana começou a lidar com os imensos problemas colocados pelo advento do imperialismo Europeu. Conforme o tempo avançava, os programas de alívio da opressão sofrida pelos povos Africanos ganhavam cada vez mais força.


    O movimento de Garvey também teve um impacto duradouro sobre a luta Africana para a liberdade e a independência. A organização de Garvey – a UNIA - tinha contactos em todos os EUA, o Caribe e, eventualmente, na África. O jornal UNIA, chamado "Mundo Negro", foi impresso em três línguas diferentes: Francês, Inglês e Espanhol. Este jornal foi amplamente divulgado e lido em muitas partes da África, incluindo na Libéria, Nigéria, Quénia e Serra Leoa.


    O movimento de Garvey provou ser uma ameaça para os interesses ocidentais e, portanto, ele foi atacado pelo governo dos Estados Unidos. Garvey foi tramado e condenado por uma acusação falsa de usar o serviço de correio para defraudar o público. Por isto, ele foi deportado dos EUA em 1927. No entanto, a UNIA tinha deixado a sua marca na consciência dos Africanos em todo o mundo.


    Os eventos da década de 1920 serviram para estreitar os laços entre a luta Africana pela independência no Oeste e em África.


    O significado dos distúrbios de 1948 encontra-se no facto de que se deu sem o envolvimento dos chamados "seis grandes". É um sinal da mobilização em massa das pessoas através do heroísmo inesperado de pessoas como Nii Kwebena Bonne III, o chefe de Osu Alata, um subúrbio de Accra. 

     

     

    Nana Yaa Asantewa foi uma grande rainha Africana que liderou uma rebelião contra o imperialismo Britânico no Gana em 1900. Os Africanos da região lutaram contra o colonialismo durante várias décadas.

     

     

     

     

    Kwame Nkrumah e cinco dos seus "Verandah Boys"

     

    Na véspera da Independência do Gana – no dia 5 de Março de 1957.

     

 

 

 

 

 

 

Os crimes dos colonialistas no Gana

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     

     

     

    Viva a luta


    de libertação no

     

    GANA!


     

    O GANA está pronto

     

    para a


    Revolução Socialista!

     

     

     

    Vamos criar uma forte Secção

    da Internacional Comunista (Estalinista-Hoxhaista)

    no GANA!

     

    Viva o

    Movimento Mundial Estalinista-Hoxhaista!

     

     

     

    Vivam os 5 Clássicos do Marxismo-Leninismo!

     

     

     

     

    A voz do

     

    internacionalismo


    proletário que veio


    da ALBÂNIA socialista:

 

 

 

 Rádio Tirana, dia 26/7/1977


A unidade dos países em desenvolvimento contra os saques das potências imperialistas intensifica-se


De 20 de a 23 de Julho, Accra sediou a primeira Conferência de Ministros da Comunidade Económica dos Estados do Oeste Africano (CMCEEOA). O Presidente do Gana, Akyeampong, que falou na conferência, condenou a exploração brutal dos países em desenvolvimento por parte dos países desenvolvidos, e ressaltou o fato de que os Africanos são vítimas disto mesmo.


Ele disse que as empresas multinacionais controlam os preços dos bens que vendem aos países em desenvolvimento e, ao mesmo tempo, corrigem e manipulam os preços dos bens das matérias-primas provenientes dos países em desenvolvimento. O Presidente do Gana destacou a necessidade de fortalecer a unidade dos países em desenvolvimento na luta para conseguirem relações económicas internacionais justas.


"A nossa capacidade de desenvolver", acrescentou ele, "deve ser baseada nas nossas próprias forças que serão amplificadas por todos os meios." Na conclusão da conferência de Accra, foi publicado um comunicado que confirmou que a reunião da CMCEEOA estava já em preparação na primeira cimeira dos países membros desta organização. Nesta conferência, aumentou o número de minutas aprovadas pelo Fundo para a Cooperação e Desenvolvimento dos Estados-Membros.